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AEP

A BÊNÇÃO DE LER UM LIVRO
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Acabei agora de ler o que considero o melhor livro que já li. De facto, foi como água fresca para a minha alma, dando-me o que, por certo, eu precisava de aprender. Trata-se do livro autobiográfico de Billy Graham, intitulado “Just as I am” (“Tal como sou”).

Um pedaço de história

Levaria muitas páginas para tentar descrever tudo o que dele recebi. Como barro nas mãos do Oleiro, que precisa de água para continuar o seu trabalho, este livro foi a água necessária para que eu ainda continue a ser moldada, pois não sou a mesma que era antes de o ter lido.

Este livro oferece uma leitura enriquecedora, quer para quem aceite quer para quem rejeite o conceito de religião, pois a sua riqueza literária vai além de qualquer conceito. Trata-se de um pedaço enorme da história mundial e não um enredo em que se procura chegar ao desfecho na última página.

Os diários de Ruth e Billy Graham, escritos com precisão e detalhe, levam-nos pelo mundo, numa missão inimaginável que Deus entregou ao menino que ordenhava vacas, orava num troço de estrada, ainda muito jovem e, deitado no chão, olhava a imensidão do firmamento estrelado quando Deus o chamou e continuou a confirmar a chamada até aos seus 99 anos. Ao longo do livro, vê-se a sua própria admiração por ver de onde Deus o trouxe e por onde o levou, não deixando que nada o fizesse perder a visão, mantendo-se na posição de humildade requerida.

Crescimento do ministério

Para sua própria surpresa, o ministério que Deus lhe entregou cresceu em muitas direcções e oportunidades mas nunca alterou a sua postura de humildade. Percebe-se a sua contínua dependência de Deus, mesmo quando crescia à sua volta a influência e admiração do seu trabalho vinda de homens que se destacavam financeiramente.

É um relato abrangente e minucioso de muitos contactos a alto nível, desde o Presidente Eisenhower até ao Presidente George Bush (pai), com a parte positiva e diferente em que foi dada ao mundo a oportunidade invulgar de ouvir o evangelho, com os resultados de mudança na vida de multidões, que atingiu muitos líderes também.

Três homens muito conhecidos na história quiseram falar com Billy Graham privadamente: Nehru, Eisenhower e Churchill. Não foi sem expectativa que ele recebeu esses convites. Qual seria o assunto ou os assuntos? Nehru, que o recebeu em silêncio, ficou a ouvir impressão de Billy Graham sobre a Índia até chegar a palavras que saciaram a sua fome espiritual. Eisenhower estava doente e queria fazer paz com Nixon, o seu vice-presidente, com quem tinha diferenças de opinião a resolver. Brevemente, o seu neto e a filha de Nixon iriam casar, e o General queria a paz entre eles e pediu a ajuda de Billy Graham nesse sentido. Mais tarde, já no hospital, mais uma vez foi pedida ajuda ao evangelista que lhe falou sobre a esperança na eternidade. O convite de Churchill chegou com muita insistência. Queria falar com Billy, enquanto decorria a campanha evangelística em Londres, que lhe falou da salvação e do plano de Deus, tendo orado por Churchill, a pedido dele. Três homens que a história nos revela como vibrantes e fortes mas cuja necessidade espiritual era igual a todos os mortais, quando a eternidade estava à vista.

A sua esposa

Não imaginam como me senti feliz lendo o que Billy Graham escreveu sobre a esposa Ruth. Descrevendo o dia em que receberam das mãos do Presidente Clinton a Congressional Gold Medal, a maior honra do Congresso dos EUA dada a um cidadão, neste caso a ele e à esposa, com a efigie de ambos, disse ele: “Senti-me totalmente não merecedor desta honra, mas estou felicíssimo que Ruth esteja incluída. Sem a sua participação e o seu encorajamento através dos anos, o meu trabalho teria seria impossível de realizar.”

Durante esses muitos anos, ela criou os cinco filhos, viajou com ele e esteve ao seu lado, em momentos em que ele precisou da sua companhia em oração e o seu conselho que ele sempre considerou e apreciou, sendo ponto alto na ajuda que precisou e recebeu dela.

Ramo de flores

Lembrei-me então que, três dias antes da sua partida para a eternidade, o meu marido, na altura já pouco comunicativo, olhou para mim e disse: “Carmina, tenho estado aqui a pensar que tu nunca te queixaste”. Para mim, foi como se de repente ele viesse com um grande ramo de flores, como gratidão por muita coisa, ao longo dos muitos anos em que servimos a Deus juntos e que eu sei ele estava englobando naquela frase.

Será muita ousadia da minha parte, mas atrevo-me aqui e hoje a pedir aos maridos que ainda têm as suas esposas, a percorrer no coração o caminho andado e falar o que iria ficar por dizer, mas que elas muito apreciariam ouvir enquanto ainda lhes pode ser dito. Na vida que está a correr depressa demais, há uma dívida por pagar que umas palavras, um abraço e um beijo têm o dom não só de pagar mas também o juro do que já devia ter sido dito. Agora é o tempo, “dá-lhe as flores enquanto vive”.

O que teria feito diferente

Na análise que faz da sua vida, depois das muitas décadas que o livro atravessa, Billy Graham considera o muito que teria feito diferente. Quantos de nós pensamos o mesmo!

Sobre o seu casamento, refere que ele e a esposa tentaram fazer o melhor. Lamentou os dias em que esteve longe dos filhos, mas que tentou compensar o melhor que pôde, perante a impossibilidade de não poder reaver esses dias. É verdade, sempre podemos compensar, mesmo sem haver a possibilidade de reaver o que se perdeu. O que definitivamente lamentou foi o seu envolvimento na opinião política para que as circunstâncias o empurraram. “Isso diluiu em algum ponto a minha chamada, que eu desejaria ter sido apenas “pregar o evangelho”.

Desejo que este livro seja, para quem ler, a bênção que foi para mim. Um exemplo de vida, verdadeiro e inspirador. A minha vida estaria incompleta sem esta leitura.

“Isto se escreverá para a geração futura; e o povo que se criar louvará ao Senhor.” (Salmos 102:18)

Carmina Coias

Missionária aposentada

Dia Internacional de Oração pela Igreja Perseguida
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Reserve desde já a data 7 de novembro de 2021

Hoje, mais de 300 milhões de cristãos em todo o mundo vivem em lugares onde enfrentam perseguição. Isto inclui: assédio, detenção, restrições legais, violência e até morte, por causa da fé em Jesus.

A Bíblia diz-nos que devemos orar por aqueles que são maltratados como se nós mesmos o fôssemos (Heb. 13: 3) e que se um membro do corpo sofre, todos nós sofremos (1 Cor. 12:26).

Há já mais de duas décadas, a Aliança Evangélica Mundial organiza “o Dia Internacional de Oração pela Igreja Perseguida (IDOP)”, como um evento global que une milhões de cristãos em oração pela Igreja perseguida.

Anualmente, o IDOP é observado no primeiro ou no segundo domingo de novembro, dependendo da conveniência e escolha.
No dia 14 de Novembro deste ano, a Aliança Evangélica Portuguesa está a Celebrar o seu Centenário na cidade do Porto na Igreja Evangélica Metodista do Mirante.

Marque já a data para aderir ao IDOP deste ano, que terá como tema “Bem-aventurados os perseguidos” no dia 7 de novembro de 2021!

Uma fé sólida em tempos líquidos
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Não me considero uma perita em sociologia, mas senti-me intrigada por aquilo que uma vez o revolucionário Bauman disse: “Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar.” Acho que este homem brilhante fez o obséquio de tirar as escamas dos nossos olhos modernos para olharmos frente a frente a uma verdade que já foi há muito tempo afirmada, e que por muito que neguemos, está a tornar-se numa assustadora realidade. Gosto de relacionar aquilo que o sociólogo diz com as palavras já proferidas de Jesus em Mateus 24:12: “(…) o amor de muitos se esfriará…”

Uma profecia do Messias que fala da fluidez dos nossos tempos – termo este baumaniano – isto é, da superficialidade deste século e da frieza humana. Bem gostaríamos que esta realidade que Jesus apresenta fosse utópica ou um pesadelo que acabaria por passar com o tempo. No entanto, não podemos mudar as Suas palavras, muito menos fechar o entendimento para estas verdades.

Cristo deve ser a nossa bitola no dever natural e intrínseco para estarmos mais conscientes daquilo que aflige e influencia a sociedade pós-moderna. Sabemos que esta caracteriza-se por ser ironicamente niilista, sedenta de felicidade e de poder, procurando formas de satisfazer os seus desejos mais egocêntricos, na maioria das vezes por intermédio da desgraça dos outros, apenas com o objetivo concreto de “sentir-se completa”.

Neste sentido, Cristo e Bauman pensam o mesmo: uma sociedade individualista que vive obcecada com a sua própria satisfação revela o quão vazia ela é. No fundo, quer queiramos ou não, estas características também poderão refletir-se nas igrejas. Como tal, é relevante procurarmos responder a algumas questões que se levantam:

Eu procuro refugiar-me e basear a minha fé nas minhas emoções para me sentir bem comigo mesmo? O que me motiva a estar mais perto de Deus? Será que a manifestação do Espírito Santo tem sido deturpada ao longo destes anos nas nossas Igrejas por influência dos desejos mais obscuros da sociedade pós-moderna?

Nos últimos dias estas indagações suscitaram-me uma outra: O desejo de Sentir propõe-nos uma ação de busca, ou mascara a vontade narcisista de receber? Sentir a presença de Deus não compromete a Sua existência e poder absolutos. Isto aplica-se, sobretudo, na forma como nos relacionamos com Ele. Não sou a favor de uma teologia apenas epistemológica e racional, mas defendo que a Igreja precisa urgentemente entender que o desejo narcísico de possuir e experimentar não é uma ação de busca genuína das bênçãos celestiais ou de procura de intimidade com o Divino. Procuramos e buscamos a Deus na expetativa de O conhecer e sermos moldados por Ele? Ou O buscamos na expetativa de receber algo em troca, como por exemplo: satisfação pessoal, realização financeira ou até mesmo sentir aquele pico de emoções que vai servir de penso rápido na minha ferida naquele breve momento?

Por vezes esperamos que Deus nos faça sentir diferentes, quase como se fossemos super-homens, a quem Deus concede super-poderes. Esperamos que o Espírito Santo nos faça sentir sobrenaturais e imparáveis. Começamos a questionar a nossa fé quando paramos de “sentir” a polaridade de emoções, essa adrenalina espiritual.Questionamos até a presença absoluta e inegável de Deus quando já não nos sentimos imparáveis. Precisamos desconstruir e aprender um conceito de fé mais bíblico e cristocêntrico.

A fé não se baseia ou resume naquilo que alguns afirmam como uma crença para além daquilo que é o nosso domínio visível. Ela é a forte convicção na evidência, e a convicção não está dependente do nosso estado emocional ou das nossas crises existenciais. Vivemos na era do vazio, conforme Gilles Lipovetsky a batizou. Fala-se em indiferença pura como consequência de uma sociedade extremamente carente de amor, propósito e significado. Nas Igrejas precisamos de ter cuidado com a maneira como vivemos e testemunhamos o Evangelho. Numa era de vazio precisamos de crentes cheios (do Espírito de Deus) que transbordam saciando o vazio dos outros! Crentes autênticos! Crentes que estão cientes do fundamento da sua fé além das circunstâncias. Crentes completos porque Cristo é suficiente, Jesus basta!

Miriam Rodrigues Couveiro

Estudante no Seminário Teológico Baptista, escritora e locutora no Ministério de comunicação Mulheres de Esperança.

Comunicado sobre o Estado de Alerta [31/10/2021]
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Foram publicadas as seguintes disposições legais:

RESOLUÇÃO DO CONSELHO DE MINISTROS N.º 135-A/2021 DIÁRIO DA REPÚBLICA N.º 190/2021, 1.º SUPLEMENTO, SÉRIE I DE 2021-09-29

Altera as medidas no âmbito da situação de alerta

DECRETO-LEI N.º 78-A/2021 – DIÁRIO DA REPÚBLICA N.º 190/2021, 1.º SUPLEMENTO, SÉRIE I DE 2021-09-29

Alteram as medidas excecionais e temporárias relativas à pandemia da doença COVID-19

Estas medidas determinam que deixe de haver limitações de pessoas nos cultos e dispensam a aplicação de normas da DGS para as celebrações religiosas, conforme n.º 3 do art 10 da RCM 135-A/2021.

As máscaras mantêm-se obrigatórias, sempre que se possa considerar o culto equiparável a um evento cultural ou a salas de espetáculo, conforme alínea d) do art.13B do  Decreto-Lei n.º 10-A/2020, de 13 de março, com as recentes alterações, devendo a situação ser analisada consoante o caso, seguindo os demais critérios relativos à possibilidade de distanciamento, arejamento, quantidade de pessoas, circuitos de movimentação etc, no sentido de manter as máscaras quando ocorrer maior perigosidade de contágio.

A entrada nesta nova fase é uma grande alegria para todos, mas apesar de não haver tantas restrições recomendamos que haja bom senso na redução de medidas consoante o caso concreto da realidade de cada comunidade.

COVID19: Recomendação da AEP p/ espaços de culto [17/09/2021]
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Tendo em conta o estado atual da situação pandémica que ainda vivemos, damos muitas graças a Deus pela boa evolução que temos estado a viver e que se encontra refletida nos números diários.
Sabemos que devemos continuar a orar e manter cuidados preventivos.

Tendo em conta as normas em vigor da DGS para os mais diversos setores, apesar de não existir uma norma atualizada específica para os locais de culto, a AEP recomenda que:

  • Até outra indicação, a lotação das salas de culto seja de 75%
  • O uso de máscara seja obrigatório
  • As mãos sejam desinfetadas com alcóol gel na admissão dos espaços
  • Seja mantida a comunicação sobre as medidas de segurança

Estes mesmos cuidados são recomendados para as salas adjacentes (como classes de crianças e afins).

Oramos pela liberdade de Culto que temos no nosso país e ao mesmo tempo pelo bom senso e segurança com a ajuda de todos!

Como estão as tuas finanças?
957 530 Aliança Evangélica Portuguesa

Na agitação do nosso dia, vivemos tão apressados com os nossos trabalhos e afazeres que não nos permitimos refletir sobre o que estamos a fazer e o seu propósito. Desde pequenos percebemos que neste mundo precisamos de trabalhar, ganhar dinheiro e adquirir bens. Entramos em modo automático e frequentemente acreditamos que Deus não se interessa pelas coisas terrenas. O que nos escapa é que as coisas terrenas são na verdade um teste para as coisas celestiais.

Sim, estamos a ser testados! De facto, a forma como gerimos as nossas finanças revela o que vai no nosso coração e mostra aquilo em que verdadeiramente acreditamos. Por detrás de problemas financeiros encontramos fragilidades no nosso carácter que precisam ser trabalhadas. A impaciência leva ao consumo compulsivo, o egoísmo à falta de generosidade, o amor ao dinheiro ao descontentamento, a ganância à desonestidade e poderíamos continuar. Aquilo que mais amamos irá receber não só a nossa atenção como também o nosso dinheiro. É possível cada vez mais observar, que muitas famílias são destruídas por causa das finanças, contudo, a culpa não é do dinheiro, ele apenas reflete o nosso coração.

Mas Deus não só nos testa, como Ele na sua infinita bondade nos dá as respostas necessárias. O tema dinheiro e bens é amplamente falado na Bíblia! Na verdade, encontramos mais sobre este assunto do que outros que consideramos à partida mais espirituais como a fé e a oração. Se o próprio Jesus ensinou tanto sobre este tema é porque precisamos olhar para esta área na nossa vida como algo importante e espiritual. Na Bíblia encontramos muitos princípios financeiros que trazem prosperidade e avisos de atitudes que levam à pobreza. Esses valores impactantes são intemporais, universais e podem ser aplicados a pessoas, famílias, empresas e países.

Um dos bons exemplos que encontramos na Bíblia é o da mulher virtuosa. Uma referência muito conhecida que mostra um exemplo de boa gestão. Não sabemos o seu passado, não sabemos o seu nome, mas sabemos que tinha muitas virtudes, que nada lhe faltava e que era uma bênção para a sua família. Ela é apresentada como uma administradora sábia que trabalha de boa vontade em prol da sua família, cuida dos seus negócios, planeia o futuro, investe para multiplicar os seus bens, é generosa, faz o bem ao próximo e é confiável (Prov. 31:10-20). Seremos todos como ela?

Aplicar os princípios financeiros de Deus na nossa vida é uma caminhada turbulenta que exige disciplina! O dinheiro diariamente compete com Deus pelo domínio da nossa vida. Somos bombardeados pelo descontentamento, pela ideia que precisamos sempre de mais e de melhor. No entanto, Deus nos chama a sermos livres e essa liberdade também passa pela nossa vida financeira. O segredo está em entregarmos todas as coisas a Deus, sermos fiéis aos seus princípios e experimentarmos uma vida de contentamento. O nosso coração deve estar nas riquezas celestiais e a razão deve lidar com as terrenas.

Se gostarias de aprender mais sobre finanças bíblicas, podes seguir a página de facebook GPS – Gerir, Poupar, Somar.

Ana Sofia Bessa

Formada em Economia

Jorge Sampaio 1939 – 2021
852 563 Aliança Evangélica Portuguesa

É com sentido pesar que a Direção da Aliança Evangélica Portuguesa lembra e aproveita para honrar a vida do Dr Jorge Sampaio, que partiu esta sexta-feira, aos 81 anos.

Nascido em Lisboa em 1939, Jorge Fernando Branco de Sampaio, foi, entre muitas outras funções, Presidente da República durante dois mandatos, entre 1996 e 2006.

Foi durante a sua presidência e com o seu precioso contributo, em 2001, que foi aprovada a Lei da Liberdade Religiosa em Portugal. Além disso, destacamos também o real valor que o Dr Jorge Sampaio deu aos evangélicos, nomeadamente através da sua presença na celebração dos 75 anos da Aliança Evangélica Portuguesa (nas fotos).

Enquanto Cristãos, conforme a Bíblia nos exorta, oramos com regularidade pelas nossas autoridades. Em particular, neste momento, oramos pela família e amigos mais chegados do Dr. Jorge Sampaio.

Nota: Fotos de Samuel Pinheiro de 10 janeiro 1998 na Aulamagna – Dia do Evangélico

Será tempo de avançar?
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Já lhe aconteceu, alguma vez, fazer uma pergunta sem esperar ou desejar uma resposta? Sim, pode parecer estranho. Habitualmente, se perguntamos é porque precisamos de uma resposta. Contudo, nem sempre assim é. E, de facto, ao folhear a Bíblia, encontro duas perguntas feitas em momentos diferentes a pessoas diferentes e que têm essa particularidade curiosa: não foram feitas para ser respondidas, mas para despertar uma reflexão imediata e indicar caminho. Servem para chamar a atenção para a urgência do momento e a necessidade de agir rapidamente.

Duas perguntas

A primeira acontece em casa de Jacó, já numa fase avançada da sua vida. O ambiente está tenso pois existe uma necessidade grande por suprir. Há uma falta extrema de alimento, fome. E a pergunta salta dos lábios de Jacó para os seus filhos: “Por que estais olhando uns para os outros?” (Génesis 42:1) Sem esperar que respondam, ele prossegue: “Eis que tenho ouvido que há mantimentos no Egito; descei para lá, e comprai-nos dali, para que vivamos e não morramos.” (Génesis 42:2)

A segunda acontece ao ar livre, junto ao Mar Vermelho, num momento dramático em que povo hebreu precisa de o atravessar e ser livre, e o exército egípcio vem a caminho para impedir. Deus pergunta a Moisés: “Porque clamas a Mim?” E acrescenta, de imediato: “Dize aos filhos de Israel que marchem.” (Êxodo 14:15).

Em ambas as circunstâncias há que agir rapidamente. Não é tempo de “olhar uns para os outros” nem sequer de clamar a Deus. É altura de avançar!

Dar o salto

Já todas experienciámos momentos desses na nossa vida, em que foi premente decidir e passar à acção. Nessa altura, sentimos coragem e força para o fazer? Ou ficámos tolhidas pela incerteza e mesmo por algum medo e não ousámos correr?

A propósito disto, vem-me à mente uma curiosidade acerca da impala. É um animal elegante que vive em manadas nas savanas africanas. Li que consegue correr à velocidade de 90 km/h e dar saltos de cerca de 3 metros de altura, possuidor de uma boa audição e de reflexos rápidos. Contudo, apesar dessa extrema agilidade, num Jardim Zoológico a impala pode ficar num espaço rodeado de um muro de apenas 1 metro e meio de altura e não sairá de lá. Embora tenha em si toda a capacidade para o saltar, e fugir rapidamente, não o fará. Porquê? Porque só salta em circunstâncias em que consiga ver onde é que irá ter.

Por vezes, no nosso percurso de vida, surgem momentos em que é premente agir, dar o salto! Essa é a maior urgência de todas. Mas não devemos ainda orar? Se já orámos e entendemos a direcção por onde Deus nos quer levar, por onde precisamos de ir, avançar pode ser agora a nossa primeira necessidade. Contudo, todos temos um pouco de “impala” em nós. Onde irei ter, com este salto? Onde é que os meus pés irão tocar? O que irá acontecer? A prudência assim nos aconselha. Se devemos ponderar bem sobre a decisão a tomar, avaliar as circunstâncias e os benefícios de o fazer ou não, por outro lado devemos também contar com a ajuda de Deus em cada passo que dermos. Ele mesmo nos promete: “Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos.” Salmos 32:8

Os filhos de Jacó foram ao Egito e aí não só encontraram alimento mas tiveram uma emotiva reconciliação familiar e iniciaram uma nova etapa na vida.

O povo de Israel atravessou o Mar Vermelho e ficou definitivamente livre do jugo egípcio.

Mãos que nos pegam

Numa noite difícil, Ló sabe que é altura de tomar uma decisão mas parece não conseguir. Deus enviou mensageiros a sua casa que o avisaram que deve abandonar rapidamente a cidade onde vive. Sodoma irá ser destruída no dia seguinte e, nessa mesma noite, ele deve deixar a sua casa, juntamente com a esposa e as suas duas filhas. “E ao amanhecer os anjos apertaram com Ló, dizendo: Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas que aqui estão, para que não pereças na injustiça desta cidade. Ele, porém, demorava-se…” (Génesis 19:15,16)

Na verdade, Ló nunca chega a assumir a decisão. Contudo, a sua vida é salva porque “aqueles homens lhe pegaram pela mão, e pela mão de sua mulher e de suas duas filhas, sendo-lhe o Senhor misericordioso, e tiraram-no, e puseram-no fora da cidade.” (Génesis 19:16) Sim, foi preciso pegar-lhes nas mãos e levá-los dali.

Já todas vivemos tempo suficiente para entender que no nosso percurso devida deparamo-nos, aqui e ali, com encruzilhadas e decisões a tomar. Sim, são momentos de “dar o salto”, assumir um novo caminho, mudar de direcção talvez. A visão sobre o futuro é limitada e a perguntas borbulham em nós: Onde irei chegar? Como irá ser? Estarei a fazer a melhor escolha?

Deus sabe que assim é. Ele conhece bem a nossa fragilidade e os nossos pensamentos, que não são tão elevados quanto os Seus. Assim, fiquemos atentas à direcção de Deus sobre a nossa vida, sobremodo importante nestas alturas. Ele fala e faz-nos sentir a Sua vontade. Se Ele confirmar, irá ser connosco e pegar nas nossas mãos se necessário! Busquemos a Deus de coração e guardemos connosco as palavras seguras do salmista: “Porque contigo entrei pelo meio de um esquadrão e com o meu Deus saltei uma muralha.” (Salmo 18:29)

Bertina Coias Tomé

Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Psicologia Comunitária.

Padrões a não repetir
960 645 Aliança Evangélica Portuguesa

É interessante pensar que a Bíblia, sendo muito antiga, ainda se encontra tão atual para orientar as nossas vidas nos dias de hoje.

Foi numa aula sobre Crianças e Jovens em Risco que se constatou o facto de que todos os seres humanos estabelecem uma tendência para repetir padrões, especialmente os familiares. Este ciclo ocorre, na maior parte das vezes, num âmbito inconsciente. Por exemplo, se uma jovem foi mãe aos 16 anos, a tendência futura é de que o seu filho ou a sua filha, não de forma consciente ou intencional, acabe por trilhar o mesmo caminho com sensivelmente a mesma idade. Se um casal se divorcia, torna-se bastante provável que os filhos desta relação se encontrem mais propensos para o fazer quando tiverem os seus relacionamentos.

Pode parecer um pouco determinista, mas a realidade é esta. Não é certo que todos sigam exatamente o mesmo percurso que observaram nas suas figuras parentais, mas a probabilidade existe e não é assim tão pouca, de acordo com estudos realizados.

Se olharmos para a Bíblia e para as famílias ali presentes também se torna possível observar este padrão de repetição. Por exemplo, a família patriarcal de Abraão repetiu, neste caso, comportamentos indesejados aos olhos de Deus. Abraão e Isaque, em circunstâncias semelhantes, mentiram a reis poderosos relativamente ao grau de parentesco com as suas esposas.

Abraão – “Havia fome naquela terra; desceu, pois, Abrão ao Egipto, para aí ficar, porquanto era grande a fome na terra. Quando se aproximava do Egipto, quase ao entrar, disse a Sarai, sua mulher: Ora, bem sei que és mulher de formosa aparência; os egípcios quando te virem, vão dizer: É a mulher dele e me matarão, deixando-te com vida. Dize, pois, que és minha irmã (…)” (Génesis 12:10-13a, ARA).

Isaque – “Sobrevindo a fome à terra, além da primeira havida nos dias de Abraão, foi Isaque a Gerar, avistar-se com Abimeleque, rei dos filisteus” (Génesis 26:1, ARA) “Perguntando-lhe os homens daquele lugar a respeito da sua mulher, disse: É minha irmã (…)” (Génesis 26:7a, ARA).

O filho repetiu o exemplo do pai, não porque Abraão o instruísse especificamente a isso, mas porque a mentira, sendo um padrão adoptado naquela família, acabou por ser a resposta de Isaque numa ocasião semelhante à que o seu pai viveu. Jacó, filho de Isaque, neto de Abraão, também adotou este padrão de mentira. Assumiu o direito de progenitura ao seu irmão e fez-se passar por ele diante do seu pai, enganando-o. Aliás, a própria mãe o ajudou e o incentivou a tal. Por outras palavras, este agregado encontrava-se bastante familiarizado com a prática da mentira e engano e em nenhuma destas três gerações o ciclo foi quebrado.

Em cursos de noivado (aulas preparatórias para o casamento) este tema tende a ser abordado. Porquê? Porque se tenciona casar com alguém e constituir uma nova família, é importante saber a bagagem que se transporta para o casamento. Nem todos os padrões são prejudiciais, mas identificar padrões nocivos constitui-se uma base fundamental para construir um casamento saudável. Caso contrário, a sua bagagem irá levar “roupa” que não escolheu e poderá vir a ser parte ativa nas novas atividades e dinâmicas familiares. E, sem intenção, a sua descendência irá receber esta roupa de herança, e fará parte da sua futura bagagem. E assim sucessivamente, sem ocorrer uma quebra desse ciclo.

Torna-se importante realizar uma introspeção aos seus próprios hábitos de família. Reflita, questione amigos de família, de confiança, ou outras pessoas que considere relevante para este processo de filtragem. Pergunta ao seu futuro cônjuge. No entanto, e sobretudo, solicite a orientação de Deus para este assunto.

Na Bíblia temos um exemplo inspirador de um filho que não transportou consigo a bagagem desadequada do seu pai. Saul foi um homem, e um pai, muito agressivo. Jónatas, o seu filho, foi das pessoas mais amáveis que encontramos na Bíblia. Ele não permitiu que a violência do seu pai fosse a sua própria violência, embora convivesse com ele diariamente.

O Espírito Santo irá ajudar a separar o que devemos colocar na nossa bagagem e o que devemos retirar, de modo a sermos bem-sucedidos ao constituir uma nova família. A identificação dos padrões negativos que ambos os elementos observaram/vivenciaram nas suas famílias de origem, irá auxiliar a criar estratégias como equipa para combater o que não é desejado por nenhum dos dois e glorificar a Deus com as suas vidas.

Leonor Abrunhosa

Assistente Social

Nunca é tarde demais
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O título do capítulo 3 do livro de Eclesiastes (Bíblia Sagrada), diz que “Há para todas as coisas um tempo determinado por Deus” e eu acredito.

Após fazer 21 anos, consegui permissão do meu pai para voltar a estudar, um anseio que me deixava em lágrimas, cada vez que abria um ano escolar.

Fiz dois anos num só e depois, noutro ano, três anos, a parte de Letras, pensando no ano seguinte fazer Ciências, mas este último plano não aconteceu.

Veio o casamento, o nascimento das filhas, o trabalho… Contudo, sempre existia aquele sonho que desde menina me perseguia.

Não tendo completado o 9º ano, mesmo assim entrei como funcionária de um Banco e foi aí que pela primeira vez aprendi alguma coisa na área dos computadores, ligada ao trabalho que fazia: “Tratamento de Cheques”. Um salto tecnológico gigante que transformou a nossa tarefa mais rápida e, sem dúvida, mais agradável.

Onze anos e meio depois, despedi-me com a certeza de querer servir a Deus a tempo inteiro. Após quatro anos na minha nova função sendo adjutora do meu marido como pastor evangélico, recebemos um convite e fomos para Londres apoiar a Igreja portuguesa ali, começando assim a fazer missão como desejávamos.

Seis anos depois, voámos até Macau e finalmente para os Açores onde permanecemos nove anos e de onde viemos já reformados.

Uma tiroidectomia e mastectomia radical direita, no espaço de alguns meses, veio toldar aquele sonho e estava com 60 anos.

Recuperei e com, o incentivo de uma das minhas filhas, inscrevi-me no Centro Novas Oportunidades de Escolas de Azeitão. Sabia que, minimamente, teria que escrever a minha história de vida com alguns requisitos, pois bastou-me ler a frase: “Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências”, para pensar em pontos nevrálgicos da minha vida como pessoa e na sociedade em que estou inserida, em constante confronto com as mudanças tecnológicas, ambientais, comportamentais, sei lá, uma panóplia de temas que tornaram o meu RVCC em algo mais rico, com conteúdo.  À medida que avançava, sentia o gosto de colocar no papel as recordações do passado, enquanto apreciava o presente.

Foi uma descoberta, pois tive o privilégio de contar com uma equipa de formadoras simpáticas, dedicadas, sensíveis, muito humanas, que me levaram a um patamar de capacidades mais desenvolvidas apesar da idade.

Surgiram algumas tarefas. Numa delas, numa cartolina em forma de estrela escrevi um texto sobre nós, mulheres, que encontramos no Livro de Provérbios capítulo 31 e que começa com uma pergunta: “Mulher virtuosa, quem a achará”? No cimo de um tronco escultural a lembrar uma figura feminina, foram colocadas outras estrelas, que tornaram o “cabelo” multicor e com muito sentido estético e o nosso mundo ficou mais valorizado.

Outro trabalho teve a ver com alguma leitura que me tenha alertado para um dos meus cinco sentidos. Gosto muito de ler, o Livro que leio mais é a Bíblia, e lembrei-me logo do Salmo 1 que nos fala sobre “árvores plantadas junto a ribeiros de águas”. Tem sido através do Livro dos livros que vejo o nosso mundo com mais esperança.

Veio o pedido para escrever um conto que conhecesse desde criança e que me tivesse marcado. Fui de novo à Bíblia e contei a história de José que sempre achei fascinante. Um personagem maltratado pelos seus irmãos, mas cujo mal foi transformado em bem porque Deus era com ele.

Assim, tenho o diploma do 12º ano que sempre almejei. Nunca nada é tarde demais e aconteceu no tempo certo, com certeza.

No contexto em que vivo hoje, como os demais, quero continuar a olhar o futuro que cada vez é mais curto, com esperança, ânimo, alegria e passar a mensagem para que ao meu redor nada venha a ruir, mas a afirmar-se mesmo em tempos menos bons.

“Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.” (Salmos 1:3)

Carlota Roque

Missionária aposentada