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AEP

Testemunho de vida sobre um pai
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Tenho saudades do meu pai. Tenho saudades das minhas conversas com ele nas três vezes por semana que íamos juntos a Coimbra para as minhas aulas de música. Tenho saudades de quando parávamos para lanchar num café local. Ainda hoje sinto o gosto das sandes que com muito custo e com muito trabalho o meu pai pagava. Hoje não sinto mais com a minha boca, mas sinto com o coração. Hoje até posso parar no mesmo café, e paro, mas as sandes não tem o mesmo sabor. 

Conhecer aquele homem como meu pai foi um dos maiores privilégios da minha vida. Alguns amigos, que agora nos são comuns, refletem como ele era disponível e sempre pronto a servir no Reino. Mas eu reflito como tive o privilégio de cozinhar com ele, de fazer música com ele, de cantar e dançar com ele, de conduzir com ele, de jogar computador com ele. Sinceramente, não me lembro de conversar com o meu pai sobre as coisas maiores da vida. Lembro-me de falar pouco mais de uma ou duas vezes sobre o curso superior que haveria de escolher. Mas lembro-me tão bem de como sempre foi um encarregado de educação presente e como me acompanhou no primeiro dia de inscrição na universidade. Não me lembro se alguém vez falámos sobre as minhas maiores ambições de vida. Mas lembro-me de que ele me preparou muito cedo para todos os desassossegos do dia-a-dia. É assim que olho para trás e percebo o legado que me deixou. Claro que tivemos longas conversas teológicas, e que em parte explicam a minha avidez por fazer perguntas e obter respostas. Acima de tudo, aprendi com o meu pai que a vida vive-se vivendo. Sem cera, sem mentiras, sem esconder os problemas e sem deixar de celebrar as pequenas vitórias.

Mas às vezes me pergunto: Como a nossa relação foi tão bem sucedida? Como o meu pai aprendeu a ser pai? Ele ficou sem pai muito cedo. Foi criado por uma tia feiticeira, ainda em Angola. Depois foi aperfilhado e aprendeu a ser homem. Veio para Portugal, aprendeu a ser evangelista. O meu pai aprendeu a ser muita coisa, mas nunca a ser pai. Enfim, chego à conclusão: ele aprendeu a ser pai ao mesmo tempo que eu aprendi a ser filha. E creio que esta foi a beleza da nossa relação. Aprendemos juntos. Estávamos em pé de igualdade na experiência de ser família. Foi nessa humildade que eu aprendi a responder como filha, mas que ele também aprendeu a ser responsável como pai.  Aprendemos juntos, mas não aprendemos sozinhos. Deus foi o centro da nossa família, mas foi o Deus que tratou com cada um de nós de forma particular. O Deus do meu pai é o meu Deus, mas o nosso relacionamento com Ele nunca foi igual. O meu pai sabia disso e por isso aceitou a liberdade de como Deus estava a fazer-me filha d’Ele também. Esta realidade foi importante, e talvez ainda não a entenda em toda a dimensão porque eu não sou mãe. Mas posso entender que o meu Pai não impôs a sua forma de ser pai – cheio de ideais e conjeturas – para que o Pai tivesse oportunidade de me fazer Sua filha. Olho para trás e vejo a humildade que isso requer. O meu pai instruí-me em todo o conselho de Deus, mas precisou aprender a ser pai na medida que eu não era apenas filha dele. Deus escreveu a minha história de forma diferente da dele, e como pai teve de aprender a conviver com essa diferença, não pressionando expetativas, mas dando-me coragem para seguir o meu próprio caminho. Mas nem sempre foi fácil, nem para um, nem para outro. O meu pai teve de aprender que a independência que ele ensinou, um dia me levaria a ser uma menina cheia de opiniões. O meu pai teve de aprender que o facto de eu escutar Deus me levaria a outros lugares e profissões longe do que ele pensava que eu iria seguir. E nessa aprendizagem, o ferro afiou o ferro, como um amigo ensina o amigo, mas também um pai e uma filha se ensinaram um ao outro. O meu pai falhou, porque além de ser pai era ser humano. Eu também falhei como filha e assim aprendi muito com o meu pai. E na nossa relação de pai e filha, crescemos os dois na experiência com Deus. 

Termino como comecei. Tenho saudades do meu pai. Esta palavra, antes, era uma palavra comum, até banal. De um momento para o outro, há 13 anos, tornou-se uma palavra rara nos meus lábios, mas que foi ganhando um novo significado no meu coração. Ainda aprendo com o meu pai. Vinte e um anos de vida foram poucos para mim, mas foram os suficientes para me continuar a guiar na sua ausência. Só Deus sabe porque apenas foram vinte e um, mas a fé e vida do meu pai ainda me ajudam a buscar pelo Pai celestial e a agradecer-Lhe pela experiência de filha. 

Débora Hossi

Débora Hossi, Gestora de Conteúdo no Procurar Jesus (ministério de evangelismo na internet da Associação Evangelística Billy Graham.

Feliz Dia da Mulher!
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Lembro-me das mulheres que têm feito parte da minha vida.

Quando aprofundo as suas histórias vejo encanto, lágrimas muitas vezes secretas, medo, coragem e um desejo profundo de estabelecer raízes, sonhos e rosas…

Foram meninas todas elas. Algumas em épocas diferentes, outras enquanto eu mesma ia compreendendo o encanto e o desafio que ser mulher me colocava.

Foram minhas avós, minha mãe, tias, primas, sobrinhas, professoras, amigas, “irmãs”… reproduzindo o amor como sabiam, como podiam… e, cada qual com a sua história, foram fundamentais para completar o mosaico, desta dádiva chamada vida…

Mulheres…Ao garimpar biografias, vejo que em cada uma delas há um ninho, um coração que ama a seu jeito, um colo que acalanta, um peito que amamenta, um corpo que se entrega e sonhos, muitos sonhos…

 Algumas guardaram seus anseios, engavetaram a emoção e viveram o que era possível, aceitaram uma condição que não era a sua, buscaram forças onde não havia e prevaleceram, ou não!

 Outras voaram destemidas, “caçadoras de sóis”, enfrentaram aparentes gigantes, lutaram suas “guerras” enquanto buscavam a força de um abraço, um amor correspondido e o aconchego de um lugar seguro…

 São histórias anónimas, cujas letras não contam, pois estão escritas no tempo, na face de outras gerações, na memória de alguns ou num qualquer epitáfio…

 Ricas histórias de mulheres corajosas, cuja beleza ofusca o Universo. Não aquela beleza que se vê por fora, tão efémera… mas aquela que o tempo não apaga, pelo contrário perpetua mesmo quando a vida se esvai… by me

Feliz TODOS OS DIAS DA MULHER.

Arlete Castro

Coordenadora de Cuidado e Desenvolvimento Integral de Missionários Transculturais Sepal – Servindo aos Pastores e Líderes

Escritora: O Livro de Salema, Simplesmente Sofia, Mulheres com História, e o livro Pérola (ficção baseada numa história real)

Os Evangélicos e as Eleições
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Portugal atravessa um período de pré-campanha e campanha política para as próximas eleições legislativas, a realizar no dia 10 de março, as quais determinarão a futura Assembleia da República e dela a composição do próximo Governo. Ao fim de quase 49 anos, desde que no nosso país foi realizado o primeiro ato eleitoral livre, democrático e universal, os cidadãos eleitores serão mais uma vez chamados às urnas para exercerem, na base da consciência individual de cada um, a sua obrigação cívica ao escolherem os seus futuros representantes na nobre casa da democracia.


Os evangélicos em Portugal, que detêm capacidade eleitoral, são firmemente incentivados a exercer o seu direito e a participar, na medida em que considerarem adequado, nas ações legítimas que contribuam para o seu – e de outros – esclarecimento cívico. Não obstante, a Aliança Evangélica Portuguesa (AEP), sendo a mais antiga e representativa organização protestante no país, que congrega e representa mais de 500 igrejas com implantação local, cerca de 60 organizações interdenominacionais ou organismos de cooperação de igrejas e ainda quase três centenas de crentes evangélicos individuais, manter-se-á – como em qualquer outra ocasião – absolutamente neutra no plano partidário.


Presente em Portugal, desde 1849, com atividade desde 1879, constituída em 1921, com Estatutos aprovados em 1935 e pessoa coletiva religiosa radicada desde 2006, a AEP tem atravessado todos os regimes do período contemporâneo na estrita observância e respeito pelos poderes políticos e outros poderes fáticos, ainda que muitas vezes ao longo deste percurso, mesmo na atualidade, o enquadramento jurídico-legal não lhe tenha sido favorável, nem a ação antagónica de certas forças sociais e religiosas. No presente, tal como no passado, a AEP preserva sempre a sua natureza estritamente apartidária, embora, como parte ativa da sociedade portuguesa, mantenha relações político-institucionais no quadro dos órgãos de soberania, designadamente Presidente da República, Governo e Assembleia da República, e ainda dos órgãos das regiões e das autarquias.


Como herdeiros dos princípios da Reforma Protestante do século XVI, os cristãos evangélicos portugueses reconhecem e primam pela centralidade e autoridade da Bíblia como Palavra de Deus, incentivando a sua livre leitura e exame por parte de todos os crentes. Acreditamos que a Bíblia apresenta uma mensagem de crucial importância para cada indivíduo em particular e para a sociedade em geral, no que diz respeito às suas necessidades, quer sejam espirituais, morais, éticas, culturais, sociais, políticas, etc.


Dos valores bíblicos decorre também a firme compreensão de que, observando a soberania de Deus, somos dotados de autoconsciência e é essa que nos impele a exercermos as nossas opções no quadro da sociedade em que estamos inseridos. É por isso que agendas político-partidárias podem até coincidir com valores bíblicos, como os da justiça, da liberdade, da solidariedade, da verdade, da paz e tantos outros. Alguns estão na base de regras fundamentais das democracias modernas pluripartidárias e de documentos fundacionais de sociedades justas, como é o caso da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que ainda recentemente celebrou 75 anos.


A sociedade só fica a ganhar quando os atores políticos seguem esses valores, o que está muito patente na intervenção de cristãos comprometidos dos últimos séculos, como o deputado britânico William Wilberforce, que no século XIX teve uma intervenção decisiva para a abolição da escravatura, o teólogo neerlandês que chegou a primeiro-ministro da sua nação no início do século XX, Abraham Kuyper, com uma visão muito progressista do papel social do Estado, ou do pastor evangélico Martin Luther King Jr., que na segunda metade do século XX encabeçou a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos da América.


No entanto, essa participação legítima não pode servir para a instrumentalização das comunidades e organizações de âmbito religioso e espiritual; muito menos deve ser usado o púlpito para a mobilização em torno de projetos político-partidários específicos. O sentido do voto ou de qualquer outra intervenção política não devem ser impostos ou coagidos na base de um qualquer interesse corporativo, ainda que disponível no quadro legal.


O desejo da AEP é que no próximo dia 10 de março as duas centenas de milhares de evangélicos em Portugal contribuam, na base do seu voto pessoal, livre esclarecido e transversal, para que a próxima legislatura possa ter entre si promotores dos valores cristãos que de forma digna defendam e atuem de acordo com os princípios bíblicos, designadamente que pratiquem a justiça, que sejam fiéis e leais e que obedeçam humildemente a Deus, tal como o profeta Miqueias exortou.

A Direção
20.02.2024

Fórum Evangélico 2024 UP’N’GO – Acordando o Gigante Adormecido
1080 1179 Aliança Evangélica Portuguesa

Tudo a postos para o nosso próximo Fórum Evangélico anual, a ter lugar no sábado 6 de abril no auditório da MCI – Missão Cristã Internacional, em Mem Martins / Sintra, com Workshops, Palestras, Louvor, EXPO (representação de várias organizações evangélicas), atividades para crianças e ainda Concertos. A entrada é livre, mas carece de inscrição aqui:

https://forms.gle/NstygbGYxULWMZYf7

Auditório da MCI – R. Santos Carvalho 20, 2725-079 Sintra 
Orador: Dan Randall – responsável pela rede da juventude da AE Europeia, Diretor da Hope Together Youth, pastor da Life Church Lancashire, líder europeu do NXTMove

Horário:

  • 10h Primeira Sessão
  • 12h45 Almoço
  • 15h Segunda Sessão
  • 16h30 WorkShops
  • 17h30 Painel + Q&A’s
  • 18h30 Jantar
  • 20h00 Concerto! comUpStreamQuest

Workshops:

– Evangelismo Digital (DJ – Departamento Juventude Convenção Baptista Portuguesa)

– Ferramenta de Maxwell “Além do Sucesso” (MPC – Mocidade para Cristo)

– Evangelismo Explosivo (Go Movement)

– Alianças e Parcerias (Shine + GBU)

Este ano organização da REDE +JOVEM (Ass. Juventude AEP)

Todos os evangélicos estão convocados!

UNIDOS PELO EVANGELHO EM PORTUGAL!

Nota de Pesar
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Com 98 anos, faleceu na passada quinta-feira, dia 8 de fevereiro, a dr.ª Felícia Noémi Esperança, viúva do rev. Augusto Esperança, pastor presbiteriano, que foi presidente da Aliança Evangélica Portuguesa (AEP) entre 1967 e 1972 e por quase três décadas o principal responsável da Sociedade Bíblica no nosso país. 

Felícia Esperança era neta por via materna de António Ferreira Fiandor, primeiro bispo ordenado da Igreja Lusitana, que por mais de 20 anos integrou a Direção da AEP e chegou a ser seu vice-presidente ainda na primeira metade do século XX. Na sua juventude, Felícia Esperança tornou-se uma das primeiras mulheres evangélicas a completar a sua licenciatura numa universidade portuguesa. Formada em Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra foi professora do Seminário Presbiteriano de Teologia, mais tarde Seminário Evangélico de Teologia, em Carcavelos. Teve ainda um papel crucial na coordenação da tradução da Bíblia em português corrente.

Os nossos sentimos à família e amigos.

“Preciosa é à vista do Senhor a morte dos Seus santos” Salmo 116:15

O campo missionário e a enfermidade
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O campo missionário e a enfermidade.

Não combinam! 

Afinal o campo missionário é o lugar da obediência, o lugar onde a realização do chamado acontece, onde a nação da convicção vai moldando o viver diário do missionário, marcando a identidade individual e da família. 

Não combinam, porque campo missionário é sinal de trabalho, de realização de projetos, mobilização, transformação.

Não há tempo para enfermidades, afinal no desbravar constante e incansável das tarefas, da prestação de contas, da construção de uma carreira missionária, o espaço para a descoberta de um câncer por exemplo, não existe! Até que ele chega…

No passado mês, celebrou-se o Outubro Rosa, com o destaque para a prevenção ao Câncer de Mama. Um marco importante, para nos fazer lembrar que o câncer é real e que é possivel preveni-lo através do rastreio e autocuidado. 

O que ocorre muitas vezes, para aqueles que estão a servir além-fronteiras, é que o espaço entre trabalho e autocuidado muitas vezes não existe. 

Lembro-me de estar internada no 4º andar de um hospital em Lisboa, logo após uma cirurgia ao pulmão (lobectomia pulmonar) onde me foi retirado gânglios e um tumor maligno, juntamente com parte do pulmão direito. 

Ao olhar pela janela daquele 4º andar, vi o transito na ponte que liga a Margem Sul do Rio Tejo e a cidade de Lisboa. Paisagem linda que em outra ocasião teria me despertado à poesia. Naquele dia, entretanto, observei a pressa de um tráfico intenso, pessoas a correr daqui para ali em busca de chegar a algum lugar: um alvo, um objetivo, uma função… De repente senti-me solitária e o grito contido dizia: “parem por favor, porque algo muito importante está a acontecer aqui”, até perceber que eu mesma estaria ali, na correria dos dias em busca de chegar a algum lugar, aos planos estabelecidos e aos alvos traçados…

Foi naquele dia que comecei a ouvir a doce voz do Espírito a ensinar-me um caminho sobremodo diferente.

Olhei ao redor e vi, médicos, enfermeiros, auxiliares… todos portugueses e que naquele contexto estavam a me abençoar, como um ciclo que se completava para mim, de ter vindo abençoar e agora estar a ser abençoada.

Vi Deus como Ele é, Bom Pastor, Soberano, Amoroso… Cuidador mesmo no meio da dificuldade. Afinal Ele conhece a minha dor, os meus medos e mesmo quando as respostas não chegam, tal e qual esperamos, Ele continua perto, porque este é o Seu Carater, Sua presença, Seu Conforto…

No decorrer de todos estes anos, vi colegas, líderes, pastores, missionários, enfrentarem o câncer, com uma disposição que dizia: tenho pressa, não tenho tempo para pequenas coisas, é urgente…

Vi alguns deles partirem, outros superarem a doença e ainda assim a obra missionária continuar…

Na minha experiência ao enfrentar o câncer e o tratamento com a quimioterapia, tenho aprendido que “a cada dia basta o seu mal”.

Tenho aprendido também a aceder ao lugar da vulnerabilidade nos momentos de dor, inconstância dos sintomas, medo, esperança… tudo num misto de sim e não, que me ensina a cuidar e ser cuidada.

 Não estou sozinha, vivo um dia de cada vez dentro da descoberta que as minhas emoções importam, o respeito ao meu corpo e as suas necessidades também e principalmente, tenho constatado que o chamado e a obra missionária são importantes, mas elas não dependem de mim, porque a obra é feita por Deus e ELE “há de completá-la até os dias de Cristo Jesus”. 

Não, o câncer não é uma sentença de morte, mas um caminho de descoberta de vida, passível de diagnósticos precoces, (como foi o meu caso) e passível de tratamentos saudáveis e preventivos que podem prevenir a doença.

Fica o alerta para o rastreio, o autocuidado, para o descanso necessário e para uma espiritualidade saudável, que dá lugar a dependência total Àquele que é o autor da vida.

Fica também o alerta para a certeza de que embora a obra missionária seja fundamental, a correria dos dias precisa dar lugar a convicção de que somos apenas a tinta que Deus usa para escrever a história das nações, uma história com começo, meio e fim… até a eternidade.

Arlete Castro

Coordenadora de Cuidado e Desenvolvimento Integral de Missionários Transculturais Sepal – Servindo aos Pastores e Líderes

Escritora: O Livro de Salema, Simplesmente Sofia, Mulheres com História, e o livro Pérola (ficção baseada numa história real)

Gratidão e contentamento
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Em 2024, desejo…

Há um certo mistério em começar algo novo. Um misto de entusiasmo e curiosidade que nos transporta a tirarmos projetos da gaveta e em querer colocá-los em prática. Quem nunca definiu objetivos arrojados num início de um novo ano? Quem nunca disse frases como: “É neste ano que vou conseguir…”?

Não é necessário ser perita na ciência do comportamento humano para perceber que raros são os casos que persistem nesses objetivos até fevereiro! Deveremos descartá-los? Não necessariamente! Algumas estratégias, como por exemplo, definir objetivos SMART, poderão ajudar em mudanças comportamentais. Este conceito parte do acrónimo formado pelas iniciais das palavras “Específico” (Specific), “Mensurável” (Measurable), “Alcançável” (Attainable), “Realista” (Realistic) e “Temporal” (Time-bound) e é uma ferramenta interessante, utilizada em diversos contextos, para quem pretende alcançar novos objetivos.

Determinar metas motiva e potencia a ação. Um objetivo alcançado traz uma satisfação inerente à experiência humana. A euforia de uma meta cumprida pode ser intensa e prazerosa, mas, também, pode ser fugaz. Quando se alcança uma meta, a emoção de satisfação não persiste e, muitas vezes somos motivados a procurar um novo alvo! Após a brevidade do cumprimento deste objetivo, surge algo novo a atingir! Corremos, assim, o perigo de vivermos de “meta em meta”, persistindo numa insatisfação constante por algo que ainda falta alcançar, desgastadas por afazeres profissionais ou pessoais.

O apóstolo Paulo na sua carta aos Efésios refere “Muito me alegrei no Senhor por me terem manifestado novamente sentimentos de carinho (…) Não digo isto por precisar de alguma coisa, pois aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei viver na pobreza e também na abundância. Aprendi a viver em toda e qualquer situação: a ter fartura e a ter fome, a ter em abundância e a não ter o suficiente” (Efésios 4:10-12 BPT).

No grego o conceito “autarkes” significa “contentamento”, referindo-se à capacidade de satisfazer as necessidades sem depender de fatores externos. O “contentamento” a que Paulo se refere é um estado em que as circunstâncias externas não têm condições para perturbar a sua tranquilidade íntima. Atualmente o termo “contentamento” não parece divergir muito pois reflete a satisfação e a gratidão com a vida e com aquilo que se tem, referindo-se à capacidade de encontrar alegria independentemente das situações que surgem. O apóstolo explica que o seu contentamento vem, não das coisas que ele tem nesta vida nem dos acontecimentos, mas emana da sua relação com Deus. Encontrando-se preso e com inúmeros motivos para lamento, Paulo ensina-nos que o contentamento, nesta vida, é uma atitude aprendida (4:11) e não espontânea. 

Na sua carta aos filipenses, observamos que Paulo conhecia bem o impacto da gratidão e contentamento na sua vida. Recentemente, as neurociências também têm vindo a descobrir o impacto desta emoção. Parece que a gratidão estimula a via da recompensa, o percurso cerebral que é ativado quando realizamos algo em que somos bem-sucedidos, libertando dopamina, um dos neurotransmissores que aumenta a sensação de prazer. A gratidão também estimula a produção da hormona oxitocina, associada à tranquilidade, à redução da ansiedade/medo e ao afeto. 

A prática de gratidão a Cristo apresenta-se como uma ferramenta poderosa para cultivar uma vida plena. Contrariamente a outras emoções, a gratidão nem sempre aparece de forma espontânea, mas tem de ser praticada e aprendida, tal como o apóstolo Paulo referiu. Como desafio, partilho alguns exercícios que poderão ajudar nesta prática:

  • Escreva um diário de gratidão. Despenda diariamente de alguns minutos e anote alguns aspetos positivos e simples acerca do seu dia, como, por exemplo, “uma boa refeição”, “uma conversa com uma amiga” ou “a superação de um obstáculo”.
  • Agradeça. Esteja atenta ao longo do dia e observe oportunidades para dizer “obrigada” a Deus e àqueles que a rodeiam. Reconheça o cuidado de Deus nos pormenores da sua vida e as atitudes agradáveis daqueles que estão à sua volta. 
  • Preste atenção. Faça um passeio e foque a sua atenção de modo a apreciar o que a rodeia. Pode fazê-lo concentrando-se em cada um dos seus sentidos, um de cada vez. Passe um minuto apenas ouvindo, um minuto olhando para o seu redor e assim por diante. Tente reparar naquilo que observa, nos sons, nos odores e nas sensações, como a brisa que toca na pele, ou as nuvens que dançam no céu… aprecie a diversidade da Criação.
  • Pratique a contemplação. Reduza as distrações como telefones ou TV e expresse uma oração de gratidão a Deus, lembrando as coisas boas do seu dia. Tal como precisamos de escovar os dentes diariamente, pense nesta prática como algo que faça parte da sua rotina de autocuidado diário.
  • Converse acerca da Gratidão. Dialogue com o seu cônjuge, filhos e/ou amigos acerca daquilo pelo qual se sentiu grata ao longo do dia. Faça desta atitude uma rotina diária, quer seja durante uma refeição ou antes de dormir, em que juntos aprendam acerca da gratidão a Deus.

A prática de gratidão não anula as dificuldades nem transforma as situações, mas treina o nosso olhar a reconhecer a beleza, a maravilha e cuidado de Deus. Em 2024, em vez de objetivos a atingir, desafie-se a adotar uma atitude de gratidão como estilo de vida!

Miriam Mateus

Esposa. Mãe.

Psicóloga e psicoterapeuta infanto-juvenil

Membro da Direção da Aliança Evangélica Portuguesa

A Religião na Casa da Democracia e em Diálogo
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O mês de dezembro ficou marcado pela celebração dos 75 anos da Declaração dos

Direitos Humanos e do Lançamento da Exposição “Os Caminhos da Liberdade Religiosa em Portugal” na Assembleia da República, a propósito dos mais de 20 anos da Liberdade Religiosa no nosso país. 

Festival Internacional de Cinema sobre a Migração

Primeiro, a Aliança Evangélica Portuguesa participou na abertura do Festival Internacional de cinema sobre migrações, organizada pelo  Kaiciid, Dialogue Centre, com a colaboração da UNRIC e da OIM. Esta iniciativa foi realizada também no âmbito da comemoração dos 75 anos da Declaração dos Direitos Humanos, e do Dia Internacional do Migrante.

Estiveram presentes representantes de várias confissões religiosas, associações que

trabalham com migrantes e representantes diplomáticos das embaixadas de diversos

países. O objetivo foi sensibilizar para o facto de que, com a crescente mobilidade no mundo, o

diálogo intercultural e interreligioso é necessário e indispensável. Não se trata de ecumenismo, mas de considerar, novamente (no sentido contrário ao que

as correntes do laicismo tendem a valorizar), que a fé tem um poder de integração e

pertença muito importante para as comunidades migrantes, que ninguém pode negar.

A AEP está grata por todas as Associações Evangélicas que têm contribuído para a integração,

valorização e dignidade dos cidadãos migrantes.

Exposição sobre Liberdade Religiosa na Assembleia da República

A AEP esteve também presente, na pessoa do seu Presidente, Dr. Timóteo Cavaco, no colóquio “As religiões como património da humanidade” na Assembleia da República, no dia 13 de

Dezembro, no mesmo momento em que se deu a  inauguração da exposição “Os caminhos da liberdade religiosa em Portugal”.

Congratulamo-nos com a opinião do Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, referindo que “retirar a religião do espaço público é um erro e uma demonstração de totalitarismo, pois as religiões têm funções essenciais à sociedade: integração social, socialização, proteção, educação.” Augusto Santos Silva disse ainda que “a religião é um poderosíssimo instrumento que nos ajuda a encontrar sentido no que fazemos” e que “aciência não esgota a verdade” sendo que a “religião pode interrogar a ciência”.

Estamos gratos a Deus pelos contributos que as comunidades evangélicas e os cristãos

evangélicos deram e ainda dão para a consolidação da Liberdade Religiosa em Portugal. 

A exposição é digna de ser vista e permanece no átrio do Parlamento, até 28 de Fevereiro,

onde pode ser visitada mediante marcação prévia pelo e-mail  HYPERLINK “mailto:dmc.correio@ar.parlamento.pt” dmc.correio@ar.parlamento.pt

Elsa Correia Pereira, Assessoria de Apoio aos Refugiados da AEP

Sara Narciso, Assessoria de Comunicação da AEP

SEMANA UNIVERSAL ORAÇÃO 2024
1024 768 Aliança Evangélica Portuguesa

Uma vez mais vamos começar o ano unidos em ORAÇÃO, com.a SEMANA UNIVERSAL DE ORAÇÃO que se realiza de 14 a 21 de Janeiro, desta vez sobre o tema “Avançando com a Grande Comissão”.

Descarregue aqui o GUIA DE ORAÇÃO :

Conheça aqui as datas e locais das Reuniões de Oração.

Deus ricamente abençoe e nos ajude a cumprir juntos a Grande Comissão!

“O Som da Liberdade”
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O Filme, que aborda a dura realidade do tráfico sexual de crianças, estreia a 21 de Dezembro nas salas de Cinema de todo o país. Para ver, refletir e agir!

Sinopse:

Inspirado na emocionante história real de um homem que tem como missão resgatar crianças dos lugares mais sombrios do mundo, este drama repleto de ação revela a brutal realidade do tráfico sexual e os esforços corajosos daqueles que trabalham incansavelmente para combatê-lo.

Veja aqui o Trailer:  https://youtu.be/QVae7Rm8KOo?si=EdLjli3uvZ7r9I7c

Estima-se que mais de 27 milhões de pessoas sejam vítimas de tráfico de seres humanos hoje (State Department Report 2023, USA). As crianças representam 22% do total do tráfico, sendo que, dentro deste grupo, 78% são raparigas. Mais de metade (64%) das crianças são usadas para exploração sexual, embora também sejam traficadas com outras finalidades: para exploração laboral, criminalidade e mendicidade forçadas, tráfico de drogas e casamentos forçados (UE, 18.10.2021).

A pobreza, baixa escolaridade, legislação inadequada, guerras e conflitos internos, aumento exponencial das migrações, entre outros, são fatores que potencializam esta terrível prática. 

Como cristãos, não podemos ficar indiferentes. A visualização do filme “Som da Liberdade” (Sound of Freedom) pode ser o início de uma conversa que proporcione momentos de sensibilização e consciencialização, tanto de jovens como de adultos, para o Tráfico de Seres Humanos.

Porque surge o Tráfico de Seres Humanos? O que o alimenta? Como poderemos reduzir ou eliminar a sua procura? Como estamos a preveni-lo ou a lutar contra este fenómeno? Como cristãos devemos ou não envolver-nos na prevenção e luta contra este flagelo? Estas são algumas das questões que poderão ser discutidas em pequeno grupo ou em painel consciencializando para esta realidade à qual não devemos fechar os olhos, mesmo que nos pareça aparentemente distante de nós. 

Que produtos compramos? Como são fabricados? Quem contratamos para as nossas empresas? Como tratamos os imigrantes que chegam ao nosso país? Que políticas de combate ao tráfico de seres humanos defendemos? Que missões internacionais apoiamos, neste caso, nos países mais vulneráveis? Quantas escolas e crianças já apoiamos? Quantos programas de prevenção junto de crianças e famílias, já dinamizamos? Estamos a proteger as nossas crianças online?

“Se puderes, salva os condenados à morte; ajuda os que são levados para o suplício; porque, se disseres que não sabias, Deus que tudo sabe, te julgará. Ele vigia-te e sabe; ele paga a cada um segundo as suas ações.” Provérbios 24:11

“Abre a tua boca a favor do mudo, pela causa de todos que são designados à destruição. Abre a tua boca; julga retamente; e faze justiça aos pobres e aos necessitados.” Provérbios 31:8-9

Acredito que estes são, mais do que Provérbios, ou frases bíblicas cheias de sabedoria, são ordens de Deus, como tantas outras que fielmente procuramos fazer cumprir.

“Mas examinem tudo: e assim guardem o que é bom” Tessalonicenses 5:21.

O que “é bom” do filme “The sound of Freedom” é o facto de ser baseado numa história verídica, despertando-nos para o sofrimento humano, e para o valor da vida humana, em todos os lugares, em todas as circunstâncias – cada pessoa foi criada para viver em liberdade, adorando o Criador.  

Disponibilizamos aqui um guião de reflexão sobre a temática do filme para pequenos grupos (Pode ser usado nas escolas na disciplina de EMRE e/ou na Igreja)

Elsa Correia Pereira

Socióloga e Responsável pela Assessoria de Apoio aos Refugiados da AEP

Opiniões de quem já viu o filme

“O Som da Liberdade traz a verdade, a luz sobre uma temática que não se gosta de falar. O tráfico infantil, a rede criminosa como nunca se viu. Uma criança é vendida 5 a 10 vezes por dia. E se fosse o seu filho? Assista a este poderoso filme, pelas crianças! Pelos nossos filhos…” 

(Ler mais em https://www.andrearamos.pt/filme-o-som-da-liberdade/)

Andrea Ramos, Escritora

“Por favor, veja este filme! Frase chave: os filhos de Deus não podem ser vendidos. Vamos trabalhar juntos para travar o tráfico humano!”

Connie Duarte, Aliança Evangélica Europeia e Ass. “Crescer com Amigos”

Sem dúvida, um filme que mexeu muito comigo (…) tenho orado por essa realidade tão cruel no nosso meio” 

Cristina Borba, GLAM (Ministério de Mulheres CCLX)

“Um filme que mostra a luta pela liberdade que todo cristão deve praticar, não só pela individual, mas por todos aqueles que são subjugados e aprisionados, pois foi para a liberdade que Cristo nos libertou.”

Danielle Ximenes, Professora Educação Moral e Religiosa Evangélica 

“É um filme extremamente comovente que nos sensibiliza para uma realidade difícil de encarar, mas que não deve ser ignorada. Como Sociedade Bíblia é importante pensar como nos podemos envolver, de forma a oferecer às vítimas de tráfico humano o conforto e a cura contidos nas palavras da Bíblia. E, como cristãos, pensar que a liberdade que alcançámos em Cristo deve resultar em ousadia e na motivação certa para nos mobilizarmos para ajudar a combater este flagelo, promovendo políticas que protejam os mais vulneráveis. Como disse Wilberforce quando lutava a favor da abolição da escravatura, “Uma fé privada que não age perante a opressão não é fé nenhuma.” 

Eunice Cunha e João Antunes, Sociedade Bíblica de Portugal

“Ao visionar este filme, vem-me à mente que na verdade a liberdade tem som, tem cor, tem cheiro, tem sabor! (…) A triste realidade de que há crianças neste momento a serem privadas da sua liberdade, a serem exploradas e a serem comercializadas, como se de bens materiais se tratasse, simplesmente porque há homens e mulheres a enriquecerem à custa do sofrimento de outros, é ultrajante, é repugnante, é triste e terrivelmente doloroso. De que forma posso fazer a diferença? Como posso contribuir para que este terrível flagelo seja minimizado? Recomendo a visualização do filme para que, assistindo, possamos alertar as autoridades para este flagelo crescente!”

Euridice Chaveiro, Assessoria de Mulheres da AEP e Ação Bíblica de Lisboa

“Um filme que nos coloca uma escolha entre a paralisia do medo e a coragem da liberdade. Tocante, comovente e totalmente desafiante!”

Joel Xavier Manuel, Pastor CCLX – Comunidade Cristã de Lisboa

“Para nós, assistir ao filme “Som da Liberdade” foi algo  que não vamos esquecer, como casal. A temática não é novidade, mas saber que existem pessoas que deram a sua vida, arriscaram tudo para salvar 1 criança, faz a diferença! Fizeram mudanças nas leis e no governo. E nós? O que podemos fazer? Fomos muito impactados e encorajados a fazer algo. Recomendamos que vejam este filme, vai de certeza mudar a vossa perspetiva.”

Lara e Henrique Prazeres, Comunidade Cristã de Lisboa 

“Som da Liberdade, não é entretenimento. É um “pedido de socorro” transformado em filme, que precisamos todos de escutar e fazer ecoar.”

Leonor Santos, Socióloga e Professora Educação Moral e Religiosa Evangélica

“Até onde ias e o que farias se fosse a tua filha? Um filme baseado em fatos reais que demonstra uma fé inabalável contra todas as probabilidades.”

Mark Mekelburg, Evangelista Criativo

“Som da Liberdade” é um filme inquietante, difícil e muito duro… que as nossas consciências não durmam um dia mais descansadas enquanto não formos a voz destes milhões de crianças escravizadas, tirando-os da escuridão daqueles quartos.”

Marta Carreira, Assessora Direção ABLA (Ass. Beneficência Luso-Alemã)

“É impossível ficarmos frios diante de uma denúncia como essa, sobre a realidade do tráfico humano, inda mais de crianças para a indústria da pedofilia. Uma obra que tem de nos levar a todos – sociedade civil, poder público e igrejas, à uma grande mobilização. Nós, da Rádio Transmundial apelamos a que todos nos levantemos e, cada qual na sua área de influência, lute contra essa perversidade”.

Ruben Pirola, Trans World Radio – Portugal

“Mais do que um filme, é um alerta para uma dura realidade de muitas crianças inocentes que precisam de nós para sermos a sua voz! Porque os filhos de Deus não estão à venda!”

Sara Narciso, Assessora de Comunicação AEP

“Um filme impactante que não deixa ninguém indiferente à crueldade que o ser humano pode fazer aos seus semelhantes” 

Tito Silva, Pastor Igreja Reviver