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	<title>Arquivo de Reflexões - AEP</title>
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	<title>Arquivo de Reflexões - AEP</title>
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		<title>Lavar as Mãos – o valor das tradições</title>
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		<dc:creator><![CDATA[AEP]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Nov 2024 10:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MULHERES, CASAIS E FAMÍLIA]]></category>
		<category><![CDATA[Covid]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcos 7:1-23 Quando penso em lavar as mãos penso no médico húngaro Ignaz Semmelweis, nascido a 1 de julho de 1818 em Buda, (que em 1873 se reuniria a Peste nas margens ocidental e oriental do Danúbio, respetivamente, para fundar uma só cidade – Budapeste). Fez o curso de Medicina em Viena, onde começou a</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Marcos 7:1-23</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando penso em lavar as mãos penso no médico húngaro Ignaz Semmelweis, nascido a 1 de julho de 1818 em Buda, (que em 1873 se reuniria a Peste nas margens ocidental e oriental do Danúbio, respetivamente, para fundar uma só cidade – Budapeste). Fez o curso de Medicina em Viena, onde começou a trabalhar. (<a href="https://www.dailhadecos.pt/2018/11/17/ignaz-semmelweis/">https://www.dailhadecos.pt/2018/11/17/ignaz-semmelweis/</a>)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele fez parte de uma geração que começou a reconhecer o valor de autopsiar um corpo e, junto com os seus colegas, conciliava o trabalho clínico e cirúrgico, que incluía a assistência a mulheres durante o parto, com autopsias aos cadáveres que iam surgindo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os médicos não eram os únicos a realizarem partos. Num prédio ali mesmo ao lado as parteiras também ajudavam as mulheres a dar à luz. Muitas mulheres na altura morriam de febre puerperal, uma doença desconhecida que afetava 5 vezes mais (dependendo das fontes 2 ou 3 vezes) as mulheres tratadas pelos médicos do que as mulheres tratadas pelas parteiras.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O jovem Ignaz dedicou-se a descobrir a razão desta diferença e propôs, de forma bastante arrogante, que a culpa era dos médicos, por não lavarem as mãos e os utensílios que usavam nas autopsias antes de atenderem uma mulher em trabalho de parto, transmitindo assim a febre das mulheres falecidas para as mulheres que davam á luz. As parteiras, todas mulheres, não faziam autópsias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se esta história vos interessa, podem ler em detalhe o processo científico de Ignaz em&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ignaz_Semmelweis">https://pt.wikipedia.org/wiki/Ignaz_Semmelweis</a>. Ignaz não foi capaz de apresentar um argumento válido e os seus colegas, ofendidos, acabaram por ignorar a sua opinião. Ignaz entrou numa espiral descendente, foi internado num manicómio e morreu pouco depois, com 47 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aquando da sua morte já Pasteur tinha refutado a teoria da geração espontânea (1861), e pouco depois Koch publicaria a teoria dos germes ou a teoria microbiana da doença (1876), o que teria dado amplo suporte aos argumentos de Ignaz e salvo a sua reputação. (<a href="https://kasvi.com.br/historia-da-microbiologia/">https://kasvi.com.br/historia-da-microbiologia/</a>)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo Joseph Lister (1865) revolucionava o campo da cirurgia ao propor a utilização de ácido carbólico como antisséptico e reduzindo dramaticamente o número de mortes por infeções pós-operatórias (<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Lister">https://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Lister</a>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Afinal, Ignaz tinha razão. Lavar as mãos pode salvar vidas, e todos nós o sabemos e experimentamos recentemente durante a COVID-19.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não era nisto, com certeza, que os fariseus estavam a pensar quando confrontaram Jesus com o facto de os seus discípulos não lavarem as mãos antes de comer. A palavra “impuras” que encontramos em algumas traduções refere-se a um aspeto espiritual e não físico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo tendo procurado em todo o antigo testamento não encontrei nenhuma ordem para lavar as mãos antes de comer. Embora a Bíblia pareça dar pistas sobre a teoria microbiana da doença nas descrições que faz de como lidar com a lepra (Levítico 14), a ordem para lavar as mãos vinha da tradição dos mestres Judeus e não da palavra de Deus. Jesus claramente afirma: “Deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas há algum problema com a tradição? Muitas tradições são boas! Esta tradição em particular, é extremamente importante, como já vimos. Eu diria mesmo: lavar as mãos é essencial! Irmãs, por favor, lavem as mãos com frequência!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ah… o problema não é a tradição em si própria, o problema é a troca… do mandamento de Deus pela tradição dos homens. A tradição é de facto inevitável porque as rotinas nos trazem conforto e as regras nos trazem segurança. A tradição é inevitável porque traz pertença. Mas a tradição também traz poder e controlo e condenação e exclusão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jesus vai direto ao assunto, parecendo ignorar a questão da lavagem das mãos. Chama os fariseus de hipócritas e dá o exemplo de uma tradição em particular que se sobrepôs à lei de Deus:&nbsp;<em>“Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e quem maldisser, ou o pai ou a mãe, morrerá de morte. Porém, vós dizeis: Se um homem disser ao pai ou à mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é&nbsp;</em>Corban<em>, isto é, oferta ao Senhor; nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mãe, invalidando assim a palavra de Deus, pela vossa tradição, que vós ordenastes.”</em>&nbsp;E acrescenta:&nbsp;<em>“E muitas coisas fazeis semelhantes a estas.”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Lavar as mãos é importante, mas não tem qualquer efeito espiritual. Não nos aproxima de Deus; não nos torna semelhantes a Jesus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não lavar as mãos não é pecado, não nos contamina, não nos torna impuros diante de Deus. Espiritualmente falando, lavar as mãos é irrelevante. Jesus diz claramente que&nbsp;<em>“Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar”.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, o que contamina o homem?&nbsp;<em>“O que sai dele, isso é que contamina o homem.”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta parece ter sido uma resposta enigmática para os discípulos, pois pediram a Jesus para explicar a sua parábola.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jesus, como bom professor, explica em detalhe:&nbsp;<em>“Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não entra no seu coração, mas no ventre, e é lançado fora, ficando puras todas as comidas?</em>&nbsp;E dizia:&nbsp;<em>O que sai do homem, isso contamina o homem. Porque, do interior do coração dos homens, saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfémia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro, e contaminam o homem.”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Não há nada intrinsecamente errado com as tradições e muitas têm valor. Mas no momento em que as tradições se sobrepõem à palavra de Deus e se tornam ferramentas para julgar os outros, discriminar, e exercer poder e controlo, estas tradições afastam-nos do Caminho que é Jesus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso sugiro que repensemos as nossas tradições e procuremos descobrir se elas encontram apoio explícito na Palavra de Deus; se elas nos aproximam de Jesus, a nós e aos nossos irmãos; se elas trazem glória a Deus; se elas não abrem a porta a maus pensamentos, invejas, soberbas e até à loucura de nos acharmos melhores do que os outros.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E então, sim, continuemos a nossa santa tradição… de lavar as mãos.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Edite Briosa</p>
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		<title>Participação política cristã. Uma reflexão.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[AEP]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Nov 2024 10:45:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MULHERES, CASAIS E FAMÍLIA]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“O que vos vem à mente quando dizemos a palavra «política» ou «políticos»?” “Falsos!”, disse logo um dos meus colegas. Foi assim que começou o nosso curso intensivo sobre “Participação Política Cristã num Mundo Dividido.”[1] Eu cresci num contexto evangélico mais conservador onde não se falava muito sobre a relação entre a política e a</p>
<p>O conteúdo <a href="https://aliancaevangelica.pt/site/participacao-politica-crista-uma-reflexao/">Participação política cristã. Uma reflexão.</a> aparece primeiro em <a href="https://aliancaevangelica.pt/site">AEP</a>.</p>
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<p class="wp-block-paragraph">“O que vos vem à mente quando dizemos a palavra «política» ou «políticos»?” “Falsos!”, disse logo um dos meus colegas. Foi assim que começou o nosso curso intensivo sobre “Participação Política Cristã num Mundo Dividido.”<a href="applewebdata://54B885F9-269F-4507-BEF2-C5A6E46398A6#_ftn1"><sup>[1]</sup></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu cresci num contexto evangélico mais conservador onde não se falava muito sobre a relação entre a política e a fé cristã. Mais tarde, conheci vários cristãos que consideravam o mundo da política demasiado nebuloso, difícil, perigoso—achando que era melhor mantê-lo à distância. Afinal, Jesus não fez campanha nem apresentou programas políticos. Quando Pedro, um dos discípulos mais próximos, levantou armas e propôs revolução, — mesmo numa situação de perigo evidente—, Jesus recusa-se a tomar essa via. Além disso, temos exemplos de líderes políticos que usaram a religião ou a sua fé como instrumento de manipulação.&nbsp;<em>Gott mit uns</em>&nbsp;— “Deus está connosco” —, era a frase inscrita na fivela dos soldados nazis, e a história está repleta de exemplos que mostram que misturar religião e poder, normalmente, dá para o torto. Será que um cristão não se deve meter na política?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O envolvimento político toca a todos e faz parte da missão cristã. A nossa participação política, seja profissional, seja como cidadãos, pode demonstrar o coração de Deus para o mundo em que vivemos. Esta foi uma das conclusões do nosso curso. Partilho, de seguida, algumas ideias que nos ajudam a pensar no que significa a participação política cristã no mundo polarizado e divido em que vivemos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Não há forma de escapar</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O mundo da política não está confinado aos bancos do parlamento. Para além da máquina política&nbsp;<em>per se</em>, ou seja, os governantes eleitos e os políticos de carreira, temos de incluir vários outros atores no processo político: os media, as redes sociais, os meios de comunicação mais artísticos (cinema, artistas); as multinacionais e as pequenas e médias empresas; a banca e o setor financeiro; as associações cívicas, as organizações não governamentais, as associações de voluntários, os ativistas; a multidão de funcionários públicos que mantém as nossas instituições em funcionamento; os consumidores, que por cada item que adquirem estão a concretizar uma decisão ética; cada cidadão. Nenhum de nós escapa desta lista, pois a política, proveniente do grego antigo&nbsp;<em>polis</em>&nbsp;significa “os assuntos da cidade”, ou de uma comunidade organizada. A política, assim, faz parte de sermos humanos pois faz parte das atividades humanas onde todos estamos de alguma forma inseridos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A mensagem de Jesus afinal também era política</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As primeiras palavras de Jesus no evangelho de Marcos são, “É chegada a hora, o reino de Deus está próximo.” Um&nbsp;<em>reino</em>&nbsp;é uma configuração política e tem implicações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Lucas, a primeira pregação de Jesus é baseada em Isaías 61, que fala em levar a boa nova aos pobres e em libertar prisioneiros e oprimidos. O simples facto de Jesus comer com os marginalizados da sociedade, com aqueles que os religiosos da altura rejeitavam, estava a criar desconforto sociopolítico para a sociedade da altura.<a href="applewebdata://54B885F9-269F-4507-BEF2-C5A6E46398A6#_ftn2"><sup>[2]</sup></a>&nbsp;E a jornada de Jesus na terra é feita durante um período de opressão política. Entre os seus discípulos sabemos que Simão simpatizava com o partido dos nacionalistas, e Mateus, como ex-cobrador de impostos, seria visto como colaborador do regime opressor.<a href="applewebdata://54B885F9-269F-4507-BEF2-C5A6E46398A6#_ftn3"><sup>[3]</sup></a>&nbsp;<a>Não</a>&nbsp;é difícil imaginar que o assunto da política também não viria à baila quando juntos à volta de uma refeição.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Heróis da fé na política</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns dos nossos heróis da fé, dentro e fora do período bíblico, tiveram papéis muito políticos. José do Egito foi primeiro-ministro. Mardoqueu aconselha o rei da Assíria, enquanto Ester arrisca a sua vida e intervém perante este rei poderoso a favor de outros. Daniel e os seus companheiros, apesar de colonizados, trabalham como conselheiros para os reis da Babilónia. José de Arimateia fazia parte do tribunal judaico e é ele quem tem a capacidade de ir a Pilatos pedir o corpo de Jesus para poder enterrá-lo (os discípulos de Jesus dificilmente teriam conseguido).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E a história continua. Algumas das liberdades cívicas de que hoje gozamos chegaram-nos à custa de campanhas política de colegas heróis da fé.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;William Wilberforce (1759-1833) dedica a vida num esforço para abolir a escravatura a partir dos bancos do parlamento britânico. Josephine Butler (1828-1906) foi das primeiras a fazer campanha pelo sufrágio feminino, para além de lutar pela abolição da prostituição infantil e o fim do tráfico humano. O diplomata Aristides de Sousa Mendes (1885-1954) desafiou as ordens de Salazar e concedeu milhares de vistos a refugiados de várias nacionalidades que desejavam fugir do regime nazi em 1940. Martin Luther King Jr. (1929-1964) foi assassinado na sua luta pela igualdade de direitos civis nos Estados Unidos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estas pessoas ora serviram a Deus simplesmente a partir da sua posição, ora partiram para a ação, porque havia alguma coisa que achavam de tal modo injusto no seu contexto sociocultural que o seu incómodo virou paixão e trilhou caminho de missão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mas a política não tem um lado negro?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estejam no governo, estejam em posições de liderança na sociedade ou na igreja, uma das funções de ser líder é descrever a realidade aos seus seguidores. Descrever a realidade aos outros é exercer poder. Mas alguns líderes partilham apenas das suas opiniões; outros estarão mesmo a inventar ou distorcer a realidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Por isso, começámos a nossa reflexão relativamente à participação política pelas raízes, buscando em Génesis 1 e 2 a imagem bíblica da realidade. Quem é Deus e quem somos nós? Somos seres criados à imagem e semelhança de Deus, e vivemos num mundo e em sociedades criadas por ele. Das primeiras coisas que salta à vista no retrato do princípio do mundo é o facto de Deus ser poderoso. Deus teve a capacidade de criar tudo… Tudo. E a partir de nada. A nossa cabeça não consegue realmente compreender isto. Mas daqui podemos pensar como é que Deus, este ser mais poderoso à face da terra, lida com o poder. E se há algo que modera o poder de Deus é o seu caráter. “E disse Deus: Haja luz. E houve luz.” Aquilo que Deus disse realmente aconteceu, o que indica que podemos confiar na sua palavra. E vemos que Deus rapidamente inclui o ser humano na sua relação de amor e convivência, e no ato criativo. Há passeios ao final da tarde e Adão tem a liberdade para dar nome aos animais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pensar na política em termos de relações de poder pode ser útil, porque acaba por incluir-nos a todos. Sem dúvida que quem tem cargos políticos, ou exerce funções de liderança, terá um maior raio de ação. A decisão—boa ou má—, terá repercussões que chegam mais longe do que uma relação de poder entre pai e filho. Mas todos exercemos poder de alguma forma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje vivemos num mundo complexo e difícil e temos de regressar frequentemente à imagem do jardim do Éden, para lembrar que fomos chamados a cogovernar um mundo que Deus nos entregou. E buscar na nossa relação com Deus a contínua transformação de caráter que pode moderar o nosso exercício de poder, seja nos nossos relacionamentos, em casa, na igreja, na sociedade, com a criação, ou no nosso interior.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mas o que podemos fazer na prática?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Podem inscrever-se neste curso para o ano que vem! Entretanto, partilho alguns pensamentos soltos com que fiquei para ir matutando:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Jesus, vejo como há uma preocupação para com o contexto sociocultural que leva a ações específicas. Jesus fazia teologia pela forma como comia, e pela escolha de companheiros de mesa. A nossa rotina diária (desde os produtos que decido comprar, à gestão de tempo entre trabalho e convívio) também pode estar a (ou devia?) refletir o coração de Jesus.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Jesus, vejo posições radicais sem o desejo de ser revolucionário. A luta pela justiça social é pela violência do amor. O reino de Deus tem uma dimensão espiritual, e concretiza um “já, mas ainda não” impossível de perceber sozinha. Preciso de seguir Jesus rodeada de outros discípulos para discernir caminho para os nossos tempos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não nos iludamos; nenhum partido político, seja ele qual for, pode dar resposta a todas as questões. Há cristãos em vários pontos do espetro político, e isto pode ser positivo, pois nenhum partido político à face da terra corresponde completamente ao cristianismo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devemos nos manter minimamente informados, mas não fiquemos assoberbados pela multidão e urgência das notícias. Estas também podem exercer muito poder sobre a nossa imaginação, e à mistura temos notícias enviesadas e falsas (<em>fake news</em>). Uma das nossas instrutoras partilhou como já não consulta as notícias todos os dias; percebeu que tinha ficado viciada na altura em que começou a guerra na Ucrânia. Agora, consulta algumas vezes por semana, e é neste ritmo mais calmo que consegue fazer mais reflexão e não sentir tanta ansiedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se reclamamos da situação política, devemos ao menos participar dos momentos de voto. Bem podemos votar em branco como símbolo de protesto, mas todos somos cidadãos. Se não votamos, perdemos o direito de reclamação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quer gostemos quer não, devemos orar pelos nossos líderes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vivemos em tempos de tanta divisão e polarização. Os cristãos deviam ser o povo da “boa nova”, aqueles que apontam para a esperança em todos os tempos. No entanto, muitas vezes nós também alimentamos o ódio e a violência pela nossa intransigência, pela nossa falta de paciência em escutar o outro, ou pelo nosso medo de perder a razão. Há uma grande diferença entre responder e reagir. Nunca é boa ideia responder a quente, especialmente nas redes sociais. Antes de responder e defender a minha posição, posso fazer uma pausa para refletir. Talvez seja boa ideia perguntar ao outro o que ele queria dizer; procurar clarificar ideias, iniciar uma conversa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos participamos da&nbsp;<em>polis</em> — dos assuntos da nossa comunidade. Nas nossas interações (pessoais e virtuais), como transformar a nossa participação política numa atividade que constrói pontes e procura o bem comum?</p>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="applewebdata://54B885F9-269F-4507-BEF2-C5A6E46398A6#_ftnref1"><sup>[1]</sup></a>&nbsp;Título original: “Christian Political Participation in a Divided World”. Curso intensivo de uma semana, parte integrante da escola de verão “Bible &amp; Culture”, uma parceria entre IFES Graduate Impact, Regent College e a Aliança Evangélica Europeia, 24-28 Junho 2024, Berlin, lecionado por: Julia Doxat-Purser e Christel Lamère Ngnambi.&nbsp;<a href="https://www.graduateimpact.org/bc-political-participation">https://www.graduateimpact.org/bc-political-participation</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="applewebdata://54B885F9-269F-4507-BEF2-C5A6E46398A6#_ftnref2"><sup>[2]</sup></a>&nbsp;O teólogo Robert Karris chega a defender que no Evangelho de Lucas, Jesus foi crucificado pela forma como comia (ver&nbsp;<em>A leitura infinita</em>&nbsp;de J. T. Mendonça).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="applewebdata://54B885F9-269F-4507-BEF2-C5A6E46398A6#_ftnref3"><sup>[3]</sup></a>&nbsp;Sobre Simão, ver Evangelho de Lucas 6.15; sobre Mateus, ver Evangelho de Mateus 9.9-13.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Emily Lange</p>



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		<title>Nuvens de Outono</title>
		<link>https://aliancaevangelica.pt/site/nuvens-de-outono/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[AEP]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2024 10:42:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MULHERES, CASAIS E FAMÍLIA]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foi vista por centenas, talvez milhares de pessoas, naquele dia. Pequena, ou assim parecia por estar lá no alto, era uma nuvem que deslizava lentamente sobre o fundo azul-claro do céu, num caminhar suave, do litoral para o interior. A única nuvem. Para a maioria das pessoas que repararam nela, nada mais era do que</p>
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<div style="height:15px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Foi vista por centenas, talvez milhares de pessoas, naquele dia. Pequena, ou assim parecia por estar lá no alto, era uma nuvem que deslizava lentamente sobre o fundo azul-claro do céu, num caminhar suave, do litoral para o interior. A única nuvem.</strong> Para a maioria das pessoas que repararam nela, nada mais era do que uma pequena &#8220;quantidade de algodão&#8221; lá em cima, de aspeto macio, a maneira como o vapor-de-água se organizara na atmosfera, num formato qualquer. Iria seguir o seu trajeto, comandado por alguma brisa fora do alcance da mão humana. Decorava um céu limpo e, umas horas depois, já não seria alcançável pelo olhar dos habitantes daquela cidade, por certo. Não constituía novidade nem alimentava esperança. Quantas nuvens daquele tamanho já haviam cruzado o céu, como se passeassem sobre Samaria, sem que oferecessem uma gota de chuva sequer? Era mais uma nuvem&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, naquela cidade houve um homem que teve sobre ela um olhar diferente. Naquela pequena nuvem, ele entendeu uma mensagem. Representava o início do cumprimento de uma promessa de Deus. E apressou-se a avisar:&#8221;Vá dizer a Acabe: prepare o seu carro e desça, antes que a chuva o impeça.&#8221; (I Reis 18:44)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque é que ele alcançou um significado que teria escapado a outros? A resposta é simples: porque ele tinha orado! Pedira a Deus, insistentemente, que fizesse chover, depois de mais de três anos de tempo seco.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E veio a comprovar-se que o profeta tinha razão. Aquela foi apenas a primeira de um exército de nuvens que se reuniram rapidamente, enegreceram os céus e derramaram uma chuva abundante sobre a terra, devolvendo-lhe vida. &#8220;Enquanto isso, nuvens escuras apareceram no céu, começou a ventar e começou a chover forte,&#8221; (I Reis 18:45)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A oração constrói expectativa em nós e oferece-nos uma visão diferente acerca daquilo que vai acontecendo ao nosso redor. Desperta-nos o olhar para minúsculos grãos de mostarda, um raminho de oliveira no bico de uma pomba, uma vara de amendoeira, um amontoado de ossos secos, uma estrela que se move, duas moedas de cobre, uma nuvem pequena&#8230; Refiro-me a pequenos detalhes de histórias que quem conhece a Bíblia saberá identificar: elementos que, aparentemente insignificantes, foram o princípio de algo verdadeiramente grande.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> É fácil olhar à nossa volta e concluir rapidamente que está tudo na mesma, nada mudou, não há perspetivas novas&#8230; Sem oração, é comum irmos dar aí. Contudo, é possível inverter essa condição, permanecendo em oração e deixando que Deus amplie visão em nós. Ele far-nos-á contemplar muito mais. Iremos saborear os Seus &#8220;mimos&#8221; que nos mantêm de pé, desenvolvendo um coração agradecido até por aquilo a que antes chamaríamos sorte ou boa coincidência.  Ele far-nos-á escutar o clamor silencioso de alguém, sentir necessidades discretas à nossa volta, entender respostas à oração ainda no início, alegrar-nos em fé.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mês de Setembro anuncia uma nova estação e tem sabor a recomeço. Vamos envolvê-lo em oração e deixar que Deus crie em nós um olhar diferente sobre a nossa vida, sobre os outros, o emprego ou os estudos, os projetos futuros. Ele tem novas nuvens a lançar no nosso céu, e chuvas abundantes prometidas: &#8220;Conheçamos o Senhor; esforcemo-nos por conhecê-lo. Tão certo como nasce o sol, Ele aparecerá; virá para nós como as chuvas de Inverno, como as chuvas de Primavera que regam a terra.&#8221; (Oséias 6:3) </p>



<p class="wp-block-paragraph">Um Feliz Outono para si!</p>



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<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2022/09/Bertina-Coias-Tomé-768x1024.jpg" alt="" class="wp-image-19763 size-full" srcset="https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2022/09/Bertina-Coias-Tomé-768x1024.jpg 768w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2022/09/Bertina-Coias-Tomé-225x300.jpg 225w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2022/09/Bertina-Coias-Tomé-1152x1536.jpg 1152w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2022/09/Bertina-Coias-Tomé-560x747.jpg 560w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2022/09/Bertina-Coias-Tomé-840x1120.jpg 840w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2022/09/Bertina-Coias-Tomé-1440x1920.jpg 1440w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2022/09/Bertina-Coias-Tomé.jpg 1500w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="wp-block-paragraph">Bertina Coias Tomé<br><br><em>Psicóloga<br>Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Psicologia Comunitária</em></p>
</div></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>
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		<item>
		<title>A Criança &#8211; o futuro da sociedade; o presente e futuro da igreja.</title>
		<link>https://aliancaevangelica.pt/site/a-crianca-o-futuro-da-sociedade-o-presente-e-futuro-da-igreja/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[AEP]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Jun 2024 16:19:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EDUCADORES E PROFESSORES EVANGÉLICOS]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Chegam quase sempre com um sorriso imenso, gostam de dar abraços quentes cheios de afeto e de um modo extremamente sincero mostram os sentimentos. Gostam de brincar como ninguém, um brincar cheio de cooperação e interajuda, repleto de imaginação cheio de interações e de construção de novas relações.  As crianças cheias de afetividade, de vontades,</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Chegam quase sempre com um sorriso imenso, gostam de dar abraços quentes cheios de afeto e de um modo extremamente sincero mostram os sentimentos. Gostam de brincar como ninguém, um brincar cheio de cooperação e interajuda, repleto de imaginação cheio de interações e de construção de novas relações. </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As crianças cheias de afetividade, de vontades, de desejos e de sonhos têm de ser celebradas todos os dias, e a nossa responsabilidade enquanto potenciadores do seu futuro e nunca obstáculos, tem de ser recordada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nesta relação construída que a criança vai edificando o respeito pelo outro, desenvolvendo a sua capacidade de falar, de criticar, de escutar, de apoiar de entender praticamente o que os outros sentem. Através da relação e com base na Palavra de Deus, conseguimos dar-lhes um sentido e viver cada momento de uma forma completamente especial e única.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As crianças vão crescer e vão sendo responsáveis por cada tarefa que executam, preocupados com o bem-estar dos outros, irão adquirir conhecimentos importantes ao longo da vida que lhes permitirão solucionar problemas e todas serão necessárias.&nbsp; Esta é uma mensagem fundamental a ser transmitida: todas são importantes e todas têm um valor!&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma boa autoestima poderá também ser fortalecida pela noção de que a criança é amada por Deus e por outras pessoas que acreditam nela e nas suas competências. Existe uma segurança tão profunda que vem de saber que somos criados com valor e potencial por um Deus que nos conhece e está sempre perto de nós. Que maravilhoso será que as nossas crianças compartilhem desta fé, reconheçam o seu valor e o valor do outro, amando o outro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao estarmos com a criança construímos um espaço de cooperação, de envolvência que promove o sentir, a realização de sonhos, que ajuda a criança a acreditar em si própria e a ultrapassar as suas dificuldades. Temos o dever de abraçar a criança, de a fazer sentir digna dos seus direitos, porque todos os dias a criança tem direito a ser feliz, a sentir-se importante para os outros, a continuar a sonhar, a imaginar e a brincar sem parar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A forma como motivamos as nossas crianças é determinante para o seu futuro.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os adultos envolvidos no processo educativo enquanto pais, família, professores, educadores, líderes de igreja, voluntários ou outros adultos significativos temos por objetivo apoiar a criança a ultrapassar os obstáculos, gerir as frustrações e as emoções num trabalho continuo de acompanhamento e motivação que desejamos que traga os seus frutos: crianças honestas, sensatas, resilientes, amorosas, motivadas e cheias de fé.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desejamos ser uma boa influência para que as nossas crianças não se tornem adultos arrogantes, egoístas ou até cruéis. Para promover o seu desenvolvimento adequado é importante refletir em algumas estratégias de motivação, na relação com as nossas crianças:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>elogiarmos o esforço</strong>&nbsp;que a criança desencadeia em vez de nos centrarmos nas competências que tem ou que ainda não adquiriu ou nas capacidades cognitivas que exibe. A criança que é elogiada por trabalhar de uma forma determinada e motivada, tem maior probabilidade de conseguir abraçar novos desafios e de permanecer motivada ao longo de todo o processo. É importante que o elogio que se dá à criança seja motivador para uma constante aprendizagem e suplementação de desafios.&nbsp;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>outra estratégia é&nbsp;<strong>o encorajamento</strong>&nbsp;para que a criança possa&nbsp;<strong>experimentar coisas novas</strong>, mesmo que pareçam difíceis. A perseverança é composta por interesse, prático, propósito e a esperança. Na Associação Crescer com Amigos, por exemplo promovemos o desenvolvimento e, acreditamos que é no trabalho individual do voluntário com a criança que haverão possibilidades de crescer para um futuro com mais esperança.&nbsp;Neste trabalho de proximidade é importantíssimo que cada um de nós ao trabalhar com a criança seja caloroso e compreensivo, e torne todo o processo de aprendizagem de novas estratégias emocionais e comportamentais, bastante divertido. Quando a criança tem oportunidade de alcançar algo que faz com que se sinta bem, este sucesso trará mais confiança e será motivador para outros sucessos.&nbsp;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>uma estratégia também importante é a<strong>&nbsp;celebração após cada tarefa</strong>&nbsp;alcançada., no entanto, é nossa função não permitir que a criança dependa demasiado destas recompensas. Embora o sistema de recompensas possa ser profundamente útil em momentos específicos, usado incorretamente, pode minar por completo o interesse nas atividades que poderiam vir a ser gratificantes. Enquanto mães, professoras, educadoras devemos optar por encorajar as crianças a fazer aquilo que tem de ser feito, reconhecendo os seus sentimentos e oferecendo explicações alternativas ou escolhas.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Como pessoas integrantes numa comunidade nem sempre defendemos a infância das nossas crianças e os seus verdadeiros interesses.&nbsp;Muitas vezes impomo-nos a cada uma delas, sem olhar a fundo as suas dificuldades ou fragilidades e sem pensar no impacto que criamos nas suas vidas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há dias em que falamos um pouco mais alto, com falta de consciência ou de sensibilidade para entender o que se está a passar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também levamos o nosso cansaço para dentro de casa e esquecemos que ficamos mais irritadas e com menos paciência.&nbsp;Deixamo-nos levar pelas emoções e preocupações que ultrapassam a calma e a capacidade de escuta.&nbsp;Por vezes não nos dispomos a compreender a atitude das crianças quando estão chateadas, quando se queixam, perdemos a capacidade de ouvir, escutar e abraçar quando tanto necessitam.&nbsp;Tantas vezes preenchemos excessivamente o tempo que devia ser de brincadeira, porque na verdade continuamos a considerar o tempo das crianças como nosso, dos adultos. Precisamos como adultas, saber agradecer mais e pedir mais vezes desculpa.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agradecer porque cada criança nos lembra que o brincar é mesmo importante, que todos os diálogos são partilhas das suas descobertas e que as ligações e conexões que realizam são fenomenais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As crianças, têm uma capacidade incrível e única de nos recordar que a educação se faz de relação.&nbsp;&nbsp;Todos erramos, crescemos e ultrapassamos juntos as fragilidades e prosseguimos…&nbsp;&nbsp;Saibamos nós não esquecer que um dia também já fomos crianças…&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As crianças são verdadeiramente o futuro, que cada uma de nós possa contribuir para um processo educativo que promova o crescimento de “boas pessoas” cheias de fé, crianças felizes equilibradas, motivadas e determinadas! &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Dizem que é preciso uma aldeia para criar uma criança. Com uma certeza inabalável nos nossos corações, que num mundo em constante mudança não podemos desistir de assumir a nossa responsabilidade como igreja, até que todas as crianças consigam ver e sentir que são amadas incondicionalmente.</strong></p>



<div style="height:25px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2024/06/artem-kniaz-DqgMHzeio7g-unsplash-2-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-20764" srcset="https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2024/06/artem-kniaz-DqgMHzeio7g-unsplash-2-1024x683.jpg 1024w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2024/06/artem-kniaz-DqgMHzeio7g-unsplash-2-300x200.jpg 300w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2024/06/artem-kniaz-DqgMHzeio7g-unsplash-2-768x512.jpg 768w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2024/06/artem-kniaz-DqgMHzeio7g-unsplash-2-1536x1024.jpg 1536w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2024/06/artem-kniaz-DqgMHzeio7g-unsplash-2-2048x1365.jpg 2048w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2024/06/artem-kniaz-DqgMHzeio7g-unsplash-2-1920x1280.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Marisa Bossa</p>



<p class="wp-block-paragraph">Psicóloga Clínica<br><em>Pós-graduação em Terapia de Casal e Terapia Familiar<br>Supervisão em Sociedade Portuguesa em Terapia Familiar (SPTF)</em></p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>
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		<title>Onde estás plantada?</title>
		<link>https://aliancaevangelica.pt/site/onde-estas-plantada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[AEP]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Apr 2024 09:17:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MULHERES, CASAIS E FAMÍLIA]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bem-aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas,</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="gmail-page" title="Page 1">
<div class="gmail-section">
<div class="gmail-layoutArea">
<div class="gmail-column">
<p class="p1"><b>Bem-aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem, e tudo quanto fizer prosperará”</b> (Salmo 1:1-3.) O título deste texto não é fácil de explanar uma vez que os versículos bíblicos acima, de algum modo, definem com princípio meio e fim embora resumidamente, os passos a dar para o sucesso, tanto no campo secular como no espiritual.</p>
<p class="p1">Podemos encontrar um desafio, uma equação, se quisermos: Rejeitando a roda do que nos prejudica, preferimos ter prazer naquilo que nos faz bem, ou seja, na lei do Senhor, na Sua Palavra, meditando no que é bom, de dia e de noite.</p>
<p class="p1">Seguindo o raciocínio do salmista, posso imaginar que sou “uma árvore plantada junto a ribeiros de águas”. A ideia é aprazível, porque certamente é o lugar ideal para eu crescer, a água é fonte de vida. Com o crescimento, as raízes estendem-se e procuram no solo os nutrientes que necessito para ter uma boa estrutura, a fim de dar “fruto na estação própria”, pois tudo vem a seu tempo.</p>
<p class="p1">As minhas “folhas não caem”, sou uma árvore perene, por natureza. Vem a flor, o fruto, a folha fica e assim atravesso as várias estações sempre verde, fresca e viçosa.</p>
<p class="p1">Plantada desta maneira, sou uma árvore próspera, tudo acontece naturalmente e não desiludo o agricultor.</p>
<p class="p1">Podia acabar aqui a minha dissertação e tudo ficaria perfeito e belo, mas não posso.</p>
<p class="p1">Não existem árvores só plantadas junto a ribeiros de águas: há árvores de folha caduca, há árvores que não dão fruto, há árvores que se não forem podadas não será garantido o seu crescimento correto. Algumas são pequenas, outras de grande porte e todas são importantes porque o Criador o designou assim.</p>
<p class="p1">Lembro algo que li há alguns anos, contrastando com a árvore que deu mote a este texto: “Cada tempestade para um carvalho é mais um desafio a ser vencido e não uma ameaça. Numa grande tempestade, muitas árvores são arrancadas, mas o carvalho permanece”.</p>
<p class="p1">Podemos ficar gratas se onde estamos plantadas as condições se oferecem amenas, frescas e seguras, senão, devemos tirar proveito de situações contrárias à nossa vida e ficar mais fortes apesar das aparentes marcas. As árvores de grande porte podem sofrer transformações resultantes das tempestades, penso que os Botânicos e os Geólogos saberão examinar os efeitos deixados, mas as profundas raízes que as sustentam, asseguram a sua resistência a cada temporal e ficam mais fortes.</p>
<p class="p1">Sinto que tenho sido muitas vezes podada e o Criador vai tirando ramos inúteis. Este ato, traz sofrimento, dor, mas é tão necessário para o crescimento, “a fim de dar mais fruto”.</p>
<p class="p1"><b>“…quando somos corrigidos custa-nos muito. Mas depois é que se vêem os resultados, nos que foram disciplinados – uma vida justa e de paz”. </b>(Hebreus 12:11 OL)</p>
<p class="p1">Vivemos tempos de grandes lutas, o solo é árido, os ventos fortes, as folhas escassas, mas qualquer tormenta não nos arrancará, porque estamos enraizadas no Criador, nosso Pai celestial.</p>
<p class="p1">Faço minhas as palavras do apóstolo Paulo: “<b>Porque para mim tenho por certo</b> <b>que as aflições deste tempo presente, não são para comparar com a glória que em nós há-de ser revelada”.</b> (Romanos 8:18).</p>
<p class="p1">Quero ser bem-aventurada mesmo quando o terreno em que estou plantada me traz alguma dor. Aquele que acalma as tempestades está sempre por perto e há um lugar melhor que me espera no fim desta caminhada.</p>
<p class="p1"><span style="font-size: inherit;">Carlota Fernandes Roque</span></p>
</div>
</div>
</div>
</div>
<p class="p1">Missionária aposentada</p>
<p class="p1">
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		<item>
		<title>A contribuição única da mulher, conforme os propósitos de Deus</title>
		<link>https://aliancaevangelica.pt/site/a-contribuicao-unica-da-mulher-conforme-os-propositos-de-deus/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[AEP]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Mar 2024 16:04:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MULHERES, CASAIS E FAMÍLIA]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="gmail-page" title="Page 1">
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<div class="gmail-column">
<p class="p1">Concordo com o psicólogo Paul Tournier, quando afirma, no livro “A Missão da Mulher”, que as interpretações da Bíblia feitas durante séculos exclusivamente por homens, a partir de uma perspectiva patriarcal, contribuíram para restringir a mulher ao espaço da casa. Mas Cristo não deu margem para esta discriminação. Pelo contrário, abriu espaços novos para as mulheres a ponto de dar-lhes o privilégio de anunciar a sua ressurreição. No episódio da mulher acusada de adultério, ele convidou o homem a mudar seu olhar sobre ela, percebendo suas próprias falhas e trocando a exigência de seus direitos segundo a lei, pelo reconhecimento de seus deveres para com ela segundo o plano de Deus. Em Cristo, somos chamados a resgatar o projeto original de parceria entre o homem e a mulher.</p>
<p class="p2">O alijamento da mulher gerou um mundo muito desenvolvido tecnologicamente, em detrimento das relações interpessoais e da qualidade de vida. Vivemos num mundo à beira de um colapso, com os recursos naturais ameaçados de esgotamento e as relações humanas frágeis e descartáveis. Mas a condição da mulher mudou. As mulheres têm acesso a quase todos os espaços públicos. Elas provaram sua competência profissional e alcançaram todos os escalões da sociedade. Tournier convoca, então, a mulher a ocupar o seu lugar, não se comportando como os homens, mas reequilibrando o mundo com sua afetividade e prioridade para os relacionamentos. Porém esta proposta mantem a dicotomia: o homem pensa e a mulher sente. Por isto, escrevi “O Resgate do Feminino: a força da sensibilidade e ternura em homens e mulheres” propondo que ambos deem lugar ao coração. Pois o machismo amputou os homens de sua sensibilidade. Mas o movimento feminista, que no início buscou acertadamente igualdade de direitos com os homens, acabou priorizando a carreira profissional, promovendo atitudes competitivas e gerando mulheres masculinizadas. Se antes elas não tinham a escolha de trabalhar fora, hoje elas são constrangidas a fazê-lo para contribuir ao sustento da família e serem valorizadas pela sociedade.<span class="Apple-converted-space">   </span></p>
<p class="p2">O mundo está à beira do colapso porque o princípio feminino, do afeto, da sensibilidade, da ternura, da compaixão, foi censurado nos homens e negligenciado pelas mulheres. Assim, a missão continua sendo de reumanizar o mundo e reequilibrar nossa sociedade pela prioridade das pessoas sobre as coisas. Mas afetividade e intuição, atribuídas socialmente à mulher, estão em todo ser humano, já que fomos criados à imagem de um Deus cuja essência é o amor e que nos criou com a mesma capacidade. E Cristo é o modelo para homens e mulheres. Ele se permitiu chorar, expressar seus medos, expor sua fragilidade, sem deixar de ser uma pessoa determinada, firme, ousada. <span class="Apple-converted-space">  </span>Reconciliar-se com Deus e tornar-se discípula de Cristo é abrir mão do poder e, em troca, tornar-se apta a amar e servir, uma proposta na contramão da sociedade.</p>
<p class="p1">As mulheres precisam se libertar das imagens estereotipadas impostas pelo machismo e pelo feminismo para encontrar sua verdadeira identidade, não em papeis, mas na sua essência. Uma característica do feminino é seu anseio por intimidade e pessoalidade. O princípio feminino tem por função acompanhar o ser humano num caminho de interioridade, na descoberta de seu espaço interior, onde ele pode encontrar-se consigo e com Deus, deixar-se amar e compartilhar este amor.</p>
<p class="p2">Outra característica importante é a capacidade de ouvir a Deus e o seu próprio coração, que permite desenvolver uma maior intimidade, pois Deus se revela para quem se aproxima com reverência e humildade. Diante de um Deus que me acolhe como sou, posso baixar as armas, reconhecer a minha fragilidade e me perceber amada incondicionalmente. Não preciso mais das identidades artificiais impostas pela sociedade e baseadas no que tenho e faço, na aparência, nos títulos e diplomas, no desempenho e nos recursos materiais.</p>
<p class="p1">A mulher, pela sua biologia, tem predisposição para acolher e proteger a vida. Este acolhimento se amplia no exercício da hospitalidade e de uma receptividade que gera trocas transformadoras. Em vez de mendigar afeto e reconhecimento, ela transborda de amor quando se deixa suprir pelo Pai. Sabendo de onde vem e para onde pode voltar, ela pode amar desinteressadamente e servir, conforme o exemplo de Jesus. Em contato com suas emoções, ela é capaz de se identificar com a alegria ou dor do outro. Seus sentidos são vivificados, de forma a ver, ouvir, tocar, saborear e sentir com o coração. Torna-se fecunda e criativa, não apenas através da maternidade biológica, mas desenvolvendo uma maternidade espiritual que a leva a cuidar de si, do outro e da natureza com doçura e delicadeza. Esta sensibilidade não a impede, pelo contrário a fortalece para encarar a vida e a morte, pois quem evita o sofrimento acaba se privando da alegria. O homem constrói UTI, mas é a mulher, como Tereza de Calcutá, que acompanha os moribundos ou como Elisabeth Kübler-Ross, que estuda as fases do fim da vida.</p>
<p class="p1">A mulher é convocada a exercer a sua cidadania conforme os valores do Reino para construir uma sociedade mais fraterna, mais justa, inclusiva e sustentável, priorizando qualidade de vida, simplicidade, despojamento, generosidade e gratidão, características daqueles que se sabem ricos do amor do Pai. É a coerência de vida que nos torna agentes efetivos de mudanças culturais, sociais e políticas. Como protagonista e empreendedora, ela contribui na preservação da vida e na construção de relações interpessoais fundamentadas no respeito e compromisso. Consciente dos dons e talentos que Deus lhe confiou, ela pode contribuir para construir uma parceria fecunda com os homens, sinalizando assim a aliança que Deus estabeleceu conosco e a missão de cuidar da Sua criação até que Ele volte.</p>
<p class="p1"><span style="font-size: inherit;">20611 </span><i>Isabelle Ludovico</i></p>
</div>
</div>
</div>
</div>
<p class="p1"><i>esposa do pastor Osmar Ludovico. Mãe e avó. Economista e psicóloga clínica com especialização em Terapia Familiar Sistêmica. </i><a href="mailto:isabelle@ludovicosilva.com.br"><span class="s1"><i>isabelle@ludovicosilva.com.br</i></span></a></p>
<p class="p1">
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		<title>Gratidão e contentamento</title>
		<link>https://aliancaevangelica.pt/site/gratidao-e-contentamento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[AEP]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jan 2024 15:11:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MULHERES, CASAIS E FAMÍLIA]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2024, desejo… Há um certo mistério em começar algo novo. Um misto de entusiasmo e curiosidade que nos transporta a tirarmos projetos da gaveta e em querer colocá-los em prática. Quem nunca definiu objetivos arrojados num início de um novo ano? Quem nunca disse frases como: “É neste ano que vou conseguir…”? Não é</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="gmail-page" title="Page 1">
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<p class="p1"><b>Em 2024, desejo…</b></p>
<p class="p1">Há um certo mistério em começar algo novo. Um misto de entusiasmo e curiosidade que nos transporta a tirarmos projetos da gaveta e em querer colocá-los em prática. Quem nunca definiu objetivos arrojados num início de um novo ano? Quem nunca disse frases como: “É neste ano que vou conseguir…”?</p>
<p class="p1">Não é necessário ser perita na ciência do comportamento humano para perceber que raros são os casos que persistem nesses objetivos até fevereiro! Deveremos descartá-los? Não necessariamente! Algumas estratégias, como por exemplo, definir objetivos SMART, poderão ajudar em mudanças comportamentais. Este conceito parte do acrónimo formado pelas iniciais das palavras “Específico” (Specific), “Mensurável” (Measurable), “Alcançável” (Attainable), “Realista” (Realistic) e “Temporal” (Time-bound) e é uma ferramenta interessante, utilizada em diversos contextos, para quem pretende alcançar novos objetivos.</p>
<p class="p1">Determinar metas motiva e potencia a ação. Um objetivo alcançado traz uma satisfação inerente à experiência humana. A euforia de uma meta cumprida pode ser intensa e prazerosa, mas, também, pode ser fugaz. Quando se alcança uma meta, a emoção de satisfação não persiste e, muitas vezes somos motivados a procurar um novo alvo! Após a brevidade do cumprimento deste objetivo, surge algo novo a atingir! Corremos, assim, o perigo de vivermos de “meta em meta”, persistindo numa insatisfação constante por algo que ainda falta alcançar, desgastadas por afazeres profissionais ou pessoais.</p>
<p class="p1">O apóstolo Paulo na sua carta aos Efésios refere “Muito me alegrei no Senhor por me terem manifestado novamente sentimentos de carinho (&#8230;) Não digo isto por precisar de alguma coisa, pois aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei viver na pobreza e também na abundância. Aprendi a viver em toda e qualquer situação: a ter fartura e a ter fome, a ter em abundância e a não ter o suficiente” (Efésios 4:10-12 BPT).</p>
<p class="p1">No grego o conceito “autarkes” significa “contentamento”, referindo-se à capacidade de satisfazer as necessidades sem depender de fatores externos. O “contentamento” a que Paulo se refere é um estado em que as circunstâncias externas não têm condições para perturbar a sua tranquilidade íntima. Atualmente o termo “contentamento” não parece divergir muito pois reflete a satisfação e a gratidão com a vida e com aquilo que se tem, referindo-se à capacidade de encontrar alegria independentemente das situações que surgem. O apóstolo explica que o seu contentamento vem, não das coisas que ele tem nesta vida nem dos acontecimentos, mas emana da sua relação com Deus. Encontrando-se preso e com inúmeros motivos para lamento, Paulo ensina-nos que o contentamento, nesta vida, é uma atitude aprendida (4:11) e não espontânea.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p class="p1">Na sua carta aos filipenses, observamos que Paulo conhecia bem o impacto da gratidão e contentamento na sua vida. Recentemente, as neurociências também têm vindo a descobrir o impacto desta emoção. Parece que a<i> gratidão estimula a </i>via da recompensa<i>, o percurso cerebral que é ativado quando realizamos algo em que somos bem-sucedidos, libertando dopamina, um dos neurotransmissores que aumenta a sensação de prazer. A gratidão também estimula a produção da hormona oxitocina, associada à tranquilidade, à redução da ansiedade/medo e ao afeto.<span class="Apple-converted-space"> </span></i></p>
<p class="p1"><i> A prática de gratidão a Cristo apresenta-se como uma ferramenta poderosa para cultivar uma vida plena. Contrariamente a outras emoções, a gratidão nem sempre aparece de forma espontânea, mas tem de ser praticada e aprendida, tal como o </i>apóstolo Paulo referiu. Como desafio, partilho alguns exercícios que poderão ajudar nesta prática:</p>
<ul class="ul1">
<li class="li1"><i>Escreva um diário de gratidão</i>. Despenda diariamente de alguns minutos e anote alguns aspetos positivos e simples acerca do seu dia, como, por exemplo, “uma boa refeição”, “uma conversa com uma amiga” ou “a superação de um obstáculo”.</li>
<li class="li1"><i>Agradeça.</i> Esteja atenta ao longo do dia e observe oportunidades para dizer &#8220;obrigada&#8221; a Deus e àqueles que a rodeiam. Reconheça o cuidado de Deus nos pormenores da sua vida e as atitudes agradáveis daqueles que estão à sua volta.<span class="Apple-converted-space"> </span></li>
<li class="li1"><i>Preste atenção.</i> Faça um passeio e foque a sua atenção de modo a apreciar o que a rodeia. Pode fazê-lo concentrando-se em cada um dos seus sentidos, um de cada vez. Passe um minuto apenas ouvindo, um minuto olhando para o seu redor e assim por diante. Tente reparar naquilo que observa, nos sons, nos odores e nas sensações, como a brisa que toca na pele, ou as nuvens que dançam no céu… aprecie a diversidade da Criação.</li>
<li class="li1"><i>Pratique a contemplação.</i> Reduza as distrações como telefones ou TV e expresse uma oração de gratidão a Deus, lembrando as coisas boas do seu dia. Tal como precisamos de escovar os dentes diariamente, pense nesta prática como algo que faça parte da sua rotina de autocuidado diário.</li>
<li class="li1"><i>Converse acerca da Gratidão.</i> Dialogue com o seu cônjuge, filhos e/ou amigos acerca daquilo pelo qual se sentiu grata ao longo do dia. Faça desta atitude uma rotina diária, quer seja durante uma refeição ou antes de dormir, em que juntos aprendam acerca da gratidão a Deus.</li>
</ul>
<p class="p3">A prática de gratidão não anula as dificuldades nem transforma as situações, mas treina o nosso olhar a reconhecer a beleza, a maravilha e cuidado de Deus. Em 2024, em vez de objetivos a atingir, desafie-se a adotar uma atitude de gratidão como estilo de vida!</p>
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<p>20517 Miriam Mateus</p>
<p class="p1">Esposa. Mãe.</p>
<p class="p1">Psicóloga e psicoterapeuta infanto-juvenil</p>
<p class="p1">Membro da Direção da Aliança Evangélica Portuguesa</p>
<p class="p1">
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		<title>Avós com sabedoria e ternura</title>
		<link>https://aliancaevangelica.pt/site/avos-com-sabedoria-e-ternura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[AEP]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Jul 2023 12:18:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MULHERES, CASAIS E FAMÍLIA]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era um quarto cheio. Doze homens rodeavam a cama, atentos ao idoso que ali estava, prestes a terminar o seu percurso de vida. Invisual e com uma saúde muito debilitada, ele fizera questão de se reunir com todos os seus filhos naquele momento tão delicado e emotivo. E ali estavam eles – homens dedicados às</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="p1">Era um quarto cheio. Doze homens rodeavam a cama, atentos ao idoso que ali estava, prestes a terminar o seu percurso de vida. Invisual e com uma saúde muito debilitada, ele fizera questão de se reunir com todos os seus filhos naquele momento tão delicado e emotivo. E ali estavam eles – homens dedicados às tarefas agrícolas, à caça, à pesca – as profissões mais comuns da altura, com tantas recordações da vida longa de seu pai. Com ele tinham vivido momentos de trabalho, viagens, de relação com Deus, de desentendimentos entre si, de mentira, de procura de recursos em tempo de fome, de surpresa, de perdão, de abundância… Um novelo denso de experiências, desenroladas ao longo de uma vida…</p>
<p class="p1">Agora, Jacó decidira chamá-los. Em ambiente de despedida, ele tinha uma mensagem para cada um, a transmitir filho a filho. Foram palavras de reflexão e avaliação sobre a vida e também com sentido profético que, certamente, terão ficado preciosamente guardadas nas suas memórias (Génesis 49).</p>
<p class="p1">Antes, porém, foi altura de estar só com José, talvez o filho mais sofrido e que menos beneficiou da sua companhia e, também, e finalmente, o mais bem-sucedido de todos. Era governador do Egipto e Deus o usara para alimentar toda a família em tempo de grande carência.</p>
<p class="p1">Enquanto conversam, embora Jacó não veja, ele entende que estão duas crianças junto deste seu filho e pergunta: “Quem são estes?” Ao entender que são os seus netos, filhos de José, manifesta logo a sua intenção de lhes dar também a sua bênção, como se usava na altura.</p>
<p class="p1">Manassés e Efraim, assim se chamavam os meninos, aproximam-se de Jacó e ele coloca a sua mão direita sobre a cabeça de Efraim, o neto mais novo. José que, certamente, se sentia deliciado com esse momento, fica, de repente, incomodado. O filho mais velho é Manassés e sobre esse deverão vir as maiores bênçãos. Assim era costume, no benefício de ser o primogénito e sobre ele deveria repousar a mão direita do avô. De imediato, José procura corrigir o mover da mão de pele enrugada, de um homem que já não pode ver e, certamente, se equivocou. Coisas da idade… Será?</p>
<p class="p1">Contudo, Jacó sabe bem aquilo que está a fazer. É verdade que os seus olhos já nada enxergam. O contraste do azul do céu com o branco macio das nuvens, o faiscar da luz do sol sobre a água, que oferece à superfície do rio um tom prateado, são maravilhas que ele já não alcança. Contudo, ele tem uma visão que se move para além do que é terreno. E tem revelação sobre a vida dos netos, vislumbres do futuro, sabendo que Efraim virá a ser maior do que Manassés. Por isso foi sobre a sua cabeça que fez tocar a sua mão direita e ali permanecerá. “Eu sei, meu filho, eu sei…” (Génesis 48:13-20).</p>
<p class="p1">O papel de um avô e de uma avó sobre os seus netos pode ter uma dimensão espiritual muito maior do que imaginamos e não é limitado pela fragilidade física, a menor acuidade sensorial, um corpo desgastado pela idade, porque “ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.” (2 Coríntios 4:16)</p>
<p class="p1">Respeitando o papel primário dos pais sobre a vida dos seus netos, entenda, como avô ou avó, o papel carinhoso, de suporte e de oração, que Deus lhe confiou no dia-a-dia de cada um deles. Deixe que Ele lhe ofereça discernimento e entendimento sobre a melhor forma de ajudar, sem ser intrusivo(a) e também não permitindo que esse apoio seja tão frequente e pesado que se constitua como uma carga excessiva para si.</p>
<p class="p1">Como a avó Loide, busque e cultive uma fé autêntica que possa transmitir aos netos (2 Timóteo 1:5).</p>
<p class="p1">Como Noemi que, não sendo avó biológica, desempenhou esse papel, delicie-se e ofereça um colo terno e seguro (Rute 4:13-16).<span class="Apple-converted-space">   </span></p>
<p class="p1"><span style="font-size: inherit;">19564 </span>Bertina Coias Tomé</p>
<p class="p1">Psicóloga</p>
<p class="p1">Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Psicologia Comunitária</p>
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		<title>Liberdade</title>
		<link>https://aliancaevangelica.pt/site/liberdade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[AEP]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Apr 2023 15:01:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MULHERES, CASAIS E FAMÍLIA]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão. Galatas 5:1 O mês de abril em Portugal cheira à lliberdade. Na história recente desta nação, passos gigantes foram dados ao som de uma canção que entoava nas rádios e que falava de</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="p1"><strong><em><span class="s1">Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão.</span><span class="s2"> Galatas 5:1</span></em></strong></p>
<p class="p3"><span class="s2">O mês de abril em Portugal cheira à lliberdade. Na história recente desta nação, passos gigantes foram dados ao som de uma canção que entoava nas rádios e que falava de uma tal “vila morena, terra da fraternidade”. Os cravos vermelhos, ao invés de armas, representaram e representam a liberdade conquistada. Portugal é dividido entre o antes e o depois do 25 de Abril de 1974.</span></p>
<p class="p3"><span class="s2">Ao analisarmos a origem do significado da palavra liberdade, as definições são pelo menos três. Do grego a palavra “eleutheria” significava liberdade de movimento de um corpo sem qualquer restrição externa, ou seja sem qualquer ausência de limitações físicas. No alemão, a palavra “freiheit” de onde se origina a palavra “freedom” em inglês, significa “um pescoço livre” o que se refere à ausência das correntes que aprisionavam os escravos, numa clara oposição à escravatura. Já do latim, a palavra “libertas” que dá origem a palavra em português “liberdade” nasce em oposição a outra palavra “dependere” cujo significado é “estar preso a” “pender de”. Assim, liberdade, assume o significado de não estar preso a nada ou não ser propriedade de ninguém.</span></p>
<p class="p3"><span class="s2">No entanto, </span>  nos nossos dias, a palavra liberdade assume significados mais abrangentes e não se refere apenas a prisões externas (físicas ou de subjulgação), mas internas, ligadas às prisões relativas as histórias de vida, sofrimento psicológico e emocional e que podem funcionar como correntes que impedem o individuo de fazer escolhas e de experimentar a liberdadde</p>
<p class="p3">Faz-me lembrar a história de uma mulher relatada nos evangelhos no capítulo 4 de João. A mulher de Samaria. Ela era uma prisioneira. Podemos dizer que para ela, não havia liberdade de movimentos, ia ao poço apenas ao meio dia, na hora mais quente do dia, pois assim não tinha a possibilidade de encontrar ninguém. Correntes invisíveis faziam-na escrava dos julgamentos, do apontar de dedos e da aceitação de alguém. Também era dependente das suas próprias circunstâncias e se movia presa a um jugo pesado e a um cântaro vazio e que nunca a satisfazia.</p>
<p class="p3">Outra mulher descrita na Bíblia também no evangelho de João e que me reporta a liberdade, é a mulher apanhada em adultério. Ela também era prisioneira. Não havia liberdade de movimentos, apenas o julgamento de uma lei que a condenava sem a Graça. Não sabemos em que contexto ela foi apanhada, mas a verdade é que correntes invisíveis faziam-na também prisioneira dos julgamentos, do apontar de dedos e estavam a levá-la a morte por apedrejamento.</p>
<p class="p3">Podiamos falar aqui de outras tantas mulheres cujo apedrejamento invisível, através da rejeição, do abandono, dos abusos físicos, psicológicos e morais estão descritas na Palavra de Deus e ainda<span class="Apple-converted-space">  </span>de tantas outras no decorrer da história da humanidade.</p>
<p class="p3">Mas, prefiro “trazer a memória aquilo que nos dá esperança”. Lembro-me de Maria que poderia ser também rejeitada, considerada impura por estar grávida sem ser casada, apedrejada, por ter “adulterado” sendo já prometida como esposa para José. Porém, esta mulher escolheu a liberdade. Os seus movimentos faziam-na bendizer ao Seu Salvador. As correntes da escravidão de uma lei sem a Graça, foram quebradas quando ela foi capaz de enfrentar os medos externos de julgamento e rejeição e internos que poderiam tê-la paralizado e impedido de ser agraciada.</p>
<p class="p3">Porém, precisamos lembrar que cada uma dessas mulheres encontrou a liberdade, não porque eram fortes, ou tinham em si mesmo a capacidade de serem livres. Houve um encontro. No poço de Jacó, o encontro foi com os pecados, as consequências e um cântaro vazio. À frente da mulher estava a Fonte de Agua Viva onde toda sede é saciada. No quase apedrejamento da mulher adultera, o encontro foi com o Único que podia cumprir toda a Lei, para que ela pudesse ser livre e a única recomendação foi: “vai e não peques mais”! Ele não disse vai e não adulteres mais. O encontro com o libertador, muda o rumo e as escolhas, e os homens que queriam apedrejá-la, não compreenderam a liberdade.</p>
<p class="p3">No caso de Maria, o encontro deu-se em seu ventre. Ela acolheu em seu útero, aquele que tinha vindo para libertá-la. Foi a primeira pessoa no Novo Testamento que chamou o Senhor de Seu Salvador. O encontro de Maria mudou a sua história e chegou até nós. Mérito dela? Não, claro que não. O mérito é todo Daquele que desenhou um plano perfeito de redenção, antes mesmo da fundação do mundo.</p>
<p class="p3">É verdade, vivemos num país livre. Portugal celebra neste mês a liberdade que historicamente, muitos lutaram para que pudesse acontecer, porém a verdadeira liberdade celebrámos também neste mês de abril, a morte e a ressurreição de Jesus, também um acontecimento histórico e que marca a história da humanidade entre o antes e o depois e a história individual de milhões de pessoas, que como as mulheres que aqui descrevemos, escolheram a liberdade de andar onde Ele andou.</p>
<p class="p1"><span style="font-size: inherit;">20047 </span></p>
<p class="p1">Arlete Castro</p>
<p class="p2">Coordenadora de Cuidado e Desenvolvimento Integral de Missionários Transculturais Sepal – Servindo aos Pastores e Líderes</p>
<p class="p2">Escritora: O Livro de Salema, Simplesmente Sofia, Mulheres com História, e o livro Pérola (ficção baseada numa história real)</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Mulher</title>
		<link>https://aliancaevangelica.pt/site/mulher/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[AEP]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Mar 2023 08:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MULHERES, CASAIS E FAMÍLIA]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://aliancaevangelica.pt/site/?p=19996</guid>

					<description><![CDATA[<p>“O mundo de Deus é dos humanos, mas não dos homens” (Caio Fábio) Desci do púlpito, cansada e feliz. A mensagem que entregara tinha sido, na minha óptica, muito importante. Quando a reunião acabou, um cavalheiro cumprimentou-me e disse: “Parabéns! Falou como um homem”! Não sei se me estava a criticar porque perdi o meu</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="p1"><b><i>“O mundo de Deus é dos humanos, mas não dos homens” </i></b>(Caio Fábio)</p>
<p class="p3">Desci do púlpito, cansada e feliz. A mensagem que entregara tinha sido, na minha óptica, muito importante. Quando a reunião acabou, um cavalheiro cumprimentou-me e disse: “Parabéns! Falou como um homem”!</p>
<p class="p3">Não sei se me estava a criticar porque perdi o meu jeito de mulher ou se me elogiava&#8230;não havia maneira de compreender o que queria dizer, também não tenho a certeza se ele saberia o que é uma mulher&#8230;</p>
<p class="p3">A frase levou-me a uma longa reflexão. Afinal, gosto de ir às compras, de cozinhar, de limpar a minha casa, de telefonar ás minhas amigas, de “apaparicar” a minha família&#8230;mas também gosto de ler, de ouvir um bom debate político, de discutir assuntos actuais, de fazer pesquisas, de escrever e (espantem-se!) de assistir a um bom jogo de futebol!</p>
<p class="p3">Será que ser mulher tem a ver com fraqueza, medo, competência, inteligência&#8230; (acho que como mulher, já estou a misturar tudo&#8230;)?</p>
<p class="p3">A reflexão levou-me ao livro dos princípios da Bíblia. Especialmente fez-me pensar o que estaria no coração do Criador quando disse:</p>
<p class="p3"><b><i>“Não é bom que o homem esteja só&#8230;”</i></b></p>
<p class="p3">Como é que alguém se atreve a por em causa uma declaração do Deus Todo-Poderoso? Foi Ele que afirmou <span class="s1">não ser bom</span> o estado de solidão do homem. Adão tinha visto todos os animais criados por Deus, tinha dado nomes a todos eles, mas não havia um único que lhe fosse compatível, que estivesse à altura de quebrar essa solidão, de preencher esse vazio na sua vida.</p>
<p class="p3">Fico feliz porque ser mulher não tem a ver apenas com o facto de preencher uma lacuna na vida física de um homem, de trazer para o lar o conforto e o calor necessários para a família, mas com a afirmação divina de que fui<b> criada para preencher a vida de alguém,</b> o que infere que esse estaria para sempre só, se eu não tivesse chegado à sua vida.</p>
<p class="p3"><em><b>“&#8230;farei para ele alguém que o auxilie&#8230;”</b></em></p>
<p class="p3">Ao pensar nesta palavra “auxílio” vem à minha mente a imagem de alguém que procura fazer uma determinada tarefa, mas não tem mãos a medir&#8230;precisa de ajuda. É isso mesmo, Deus fez-me mulher não para ser escrava do homem, subordinada do homem, mas <b>colocou-me num lugar de honra – auxiliadora.</b> Significa que sem a mulher o homem não seria capaz de cumprir as suas tarefas, chegar onde almeja, carregar a responsabilidade que lhe foi entregue.</p>
<p class="p3"><em><b>”&#8230;e lhe corresponda”.</b></em></p>
<p class="p3">Esta foi a razão pela qual Deus se deu ao trabalho de tirar do corpo do homem algo que lhe correspondesse: um ser da mesma natureza, com a mesma inteligência, com os mesmos desejos e anseios. Tudo o que os homens têm feito e desfeito à mulher ao longo dos séculos, é absolutamente contrário ao desejo e plano divinos ao criar este ser tão especial. Deus fez a mulher para uma correspondência, que no original significa “face a face”, para ser igual ao homem na tarefa de dominar o mundo, de frutificar e abençoar.</p>
<p class="p3">A razão por que Deus não fez a mulher igual ao homem, além das diferenças físicas necessárias para a tal correspondência, tem a ver com o facto maravilhoso que Deus nunca cria seres em série, cada uma das Suas obras é única e perfeita. Mas fez a mulher da mesma espécie. Com o mesmo sentido de eternidade e com a mesma capacidade de alcançar um mesmo patamar de domínio e de governo, de produzir e encontrar como o homem, meios de subsistir.</p>
<p class="p3">Infelizmente vemos sempre a história humana depois do capítulo 3 do Génesis, quando deveríamos focar-nos naquilo que Deus planeou antes e que o pecado sujou e estragou.</p>
<p class="p3">Ainda há muitas mulheres que se sentem diminuídas junto dos homens, incapazes de exprimir a sua opinião, castradas por pais e maridos que as colocaram num lugar que nunca foi o desejo de Deus.</p>
<p class="p3">Essas são as mulheres que hoje devem olhar para a eterna Palavra de Deus e rejeitar a mentira que lhes foi imposta por erro, maldade e ignorância, aceitando a verdade que ela afirma: <b>“<i>e lhe corresponda</i>”. </b></p>
<p class="p3"><b>”&#8230;<i>o Senhor Deus fez a mulher e a levou até ele”</i></b></p>
<p class="p3">Imagino eu, que enquanto o homem dormia um sono de anestesia divina, o Criador construía com as Suas mãos e o Seu saber, um novo ser. Colocou nele órgãos semelhantes aos do homem e depois&#8230; deteve-se nos detalhes. À medida que a mulher era <b>moldada</b> (esta é a tradução do original hebraico), o Senhor Deus foi retocando ali e acolá uma obra que seria a última da criação perfeita que efectuara. Não diz a Palavra se Ele soprou nela o fôlego da vida ou se, à medida que a moldava, a própria vida era parte da construção, tal como um embrião, que ainda sem tudo o que necessita para funcionar, já a mãe pode ouvir deliciada o seu pequeno coração a bater. Mas a parte que mais me fascina é que foi Deus que a levou junto do homem. Já pensou no valor deste gesto? Na importância que Deus colocou no ser correspondente, necessário, chamado mulher? Nem sempre a mulher se deixa guiar pela mão bendita do seu Criador. O pecado fez de nós seres da mesma rebeldia, por isso quantas vezes erramos nas escolhas e na pessoa que nos corresponderia&#8230;</p>
<p class="p3">O importante do gesto de Deus, é que Ele tinha um propósito para a vida da mulher, tudo aquilo que já foi dita atrás, um projecto único, maravilhoso e honroso, por isso fez questão de ser Ele mesmo a levá-la ao homem.</p>
<p class="p3">A mulher não ficou abandonada, no meio do jardim, perdida, sem saber o que estava a acontecer-lhe, Deus levou-a ao seu destino, ao seu propósito.</p>
<p class="p3">Tudo o que for dito e argumentado sobre a mulher além do que a Palavra de Deus afirma, é obra de ficção. Esta é a verdade. Uma verdade que nos honra, nos eleva e nos coloca não abaixo do homem, nem mesmo ao seu lado, mas face a face, para ser para ele o que Deus tinha em mente.</p>
<p class="p3"><b><i>”Esta é afinal, osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porque do varão foi tomada”</i></b></p>
<p class="p3">Foi a resposta maravilhada do homem, quando acordou e viu na sua frente um ser novo, único e que lhe era compatível. Ele não viu a mulher como o “sexo frágil” (afinal estes preconceitos vieram por causa do pecado e eles ainda não tinham desobedecido), mas entendeu que aquele ser era igual, parte de uma mesma ordem biológica. Estava habituado a dar nomes à criação de Deus e aqui, mais uma vez, deu um nome ao ser que Deus lhe apresentava: varoa, visto ele ser o varão. Viu-a como companheira da sua humanidade, observou-a nas suas diferenças e compreendeu que elas não eram outra coisa senão um plano divino para que existisse entre eles uma perfeita compatibilidade e correspondência. Não há uma única expressão na boca do primeiro homem que diminua, subjugue ou submeta a mulher; a expressão de espanto do homem foi de alegria e de completação. O homem seguiu o pensamento de Deus que procurou criar uma pessoa idónea, responsável e parceira.</p>
<p class="p3">Jesus Cristo veio para redimir uma criação caída. Esta redenção foi efectuada pela Sua morte vicária na cruz. Por causa dela os humanos podem encontrar paz, comunhão com Deus, coisas que tinham ficado impossíveis por causa do pecado e da desobediência, mas a implementação desta redenção onde está incluída a restauração da imagem de Deus &#8211; macho e fêmea, ainda é um processo em curso.</p>
<p class="p3">Diz a Bíblia que Ele está a preparar uma Noiva, sem mácula, sem defeito, sem ruga, uma esposa composta de homens e mulheres que entendem o Seu plano e que caminham juntos, face a face para uma restauração final.</p>
<p class="p3">Na compreensão do nosso papel de mulher e na aceitação do plano de Deus pelo homem, reside parte desta restauração.</p>
<p class="p3">Eu já decidi: sou um ser único, criado por Deus, com um propósito honroso e sublime e quero fazer parte de uma outra Mulher – a Noiva de Cristo, essa, para sempre gloriosa e amada.</p>
<p class="p1"><span style="font-size: inherit;">19997 </span></p>
<p class="p1">Sara Catarino</p>
<p class="p3">Ex-presidente da Aglow Internacional Portugal.<br />
Ex-conferencista</p>
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