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	<title>Arquivo de Teologia Pública -</title>
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	<title>Arquivo de Teologia Pública -</title>
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		<title>Ser humano no século XXI</title>
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		<dc:creator><![CDATA[AEP]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 22:06:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Teologia Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma questão-chave face à tecnomania da nossa era: David RaimundoSecretário-Executivo do Grupo Bíblico Universitário de Portugal (dez. 2025) Num artigo oportunamente escrito em 2023 para o Movimento Lausanne, o Dr.</p>
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<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:20% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-01-14-at-10.19.31-edited-1024x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-22688 size-full" srcset="https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-01-14-at-10.19.31-edited-1024x1024.jpeg 1024w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-01-14-at-10.19.31-edited-300x300.jpeg 300w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-01-14-at-10.19.31-edited-150x150.jpeg 150w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-01-14-at-10.19.31-edited-768x768.jpeg 768w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-01-14-at-10.19.31-edited-500x500.jpeg 500w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-01-14-at-10.19.31-edited-800x800.jpeg 800w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-01-14-at-10.19.31-edited.jpeg 1066w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma questão-chave face à tecnomania da nossa era:</strong></h2>



<p>David Raimundo<br><em><sub>Secretário-Executivo do Grupo Bíblico Universitário de Portugal (dez. 2025)</sub></em></p>
</div></div>



<p><strong>Num artigo oportunamente escrito em 2023 para o Movimento Lausanne, o Dr. Matthew Niermann apresentou uma lista de <a href="https://lausanne.org/pt-br/updates-pt-br/dez-perguntas-que-moldarao-2050">10 perguntas que irão moldar a sociedade global até 2050</a>. A primeira pergunta é extremamente certeira: “o que significa ser humano?” De acordo com Niermann, e, em grande medida, por causa dos desenvolvimentos tecnológicos, “a questão sobre quem e o que somos estará no centro da proclamação do evangelho e do discipulado contextual nas próximas décadas”.</strong></p>



<p>Efetivamente, assistimos hoje ao advento de novas tecnologias que prometem melhorar a nossa humanidade, estender a nossa natureza e, na linguagem explícita de alguns proponentes, elevar a condição dos humanos à condição de semi-deuses. Refiro-me, por exemplo, às tecnologias que promovem o projeto transhumanista, a fusão do organismo humano e da máquina inorgânica, a inserção de nanoprocessadores nos nossos tecidos e de chatsgpts nas nossas mentes. Aqueles que crêem neste projeto prevêem <a href="https://itp.uni-frankfurt.de/~gros/Mind2010/transhumanDeclaration.pdf">“a possibilidade de redesenhar a condição humana, incluindo parâmetros como a inevitabilidade do envelhecimento, as limitações do intelecto humano e artificial, o sofrimento, e o nosso confinamento ao planeta terra”</a>. Esta é uma crença que, nas palavras de Ray Kurzweil, um dos gurus do transhumanismo, chega ao cúmulo de profetizar uma espécie de iminente imortalidade do ser humano. É uma fé cega, pois nega a evidência de que o desenvolvimento tecnológico e digital não nos trouxe menor sofrimento. (Na verdade, <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10081798/">a ciência tende a suportar a tese precisamente oposta</a>.)</p>



<p>Em certa medida, esta tecnomania replica a estória primordial do primeiro Adão e da primeira Eva quando provaram o fruto proibido enganados pela serpente que sugerira a insidiosa possibilidade de usurpar as prerrogativas divinas: “o que acontece é que Deus sabe que no dia em que comerem desse fruto, abrir-se-ão os vossos olhos e ficarão a conhecer o mal e o bem, tal como Deus” (Génesis 3:5). Na estória do Génesis 3 está implícita uma dinâmica de insatisfação do ser humano por ser aquilo que é, um descontentamento pelas limitações inerentes à condição humana—talvez seja esse o pecado original, a raiz da perene rebeldia da criatura para com o Criador.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A encarnação de Cristo como lente cristã:</strong></h2>



<p>O olhar cristão relativamente a este fenómeno assenta necessariamente numa doutrina robusta da encarnação de Cristo. Uma doutrina que não se ocupa apenas dos elementos estritamente cristológicos, sintetizados na Declaração de Calcedónia de 451 d.C. (“Jesus Cristo, …, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, consubstancial com o Pai de acordo com a divindade, e consubstancial connosco de acordo com a humanidade”), mas que se ocupa também de explorar, com uma certa criatividade teológica, as implicações ontológicas e missionais da realidade de que a “Palavra se fez homem” (cf. João 1:1).</p>



<p>A encarnação demonstra que não há nada de errado em ser-se plenamente humano. Se o primeiro Adão quis usurpar o lugar de Deus, o segundo Adão, “que por natureza era Deus, não quis agarrar-se a esse direito de ser igual a Deus” (Filipenses 2:6). Antes fez-se um de nós para redimir e restaurar a nossa humanidade—o que implica que não nos cabe fugir dessa mesma humanidade em direção a qualquer coisa sobre-humana. De acordo com as palavras de Paulo aos Efésios, em Cristo somos verdadeira humanidade (ver Efésios 4:24); em Cristo somos exatamente quem e aquilo que fomos criados para ser—incluindo o facto de sermos seres corpóreos, circunscritos, necessariamente e ontologicamente limitados. Tudo isto resulta, desde logo, da declaração ancestral do Criador no sexto dia: “Deus achou que tudo aquilo que tinha feito era muito bom” (Génesis 1:31). E tudo isto é definitivamente reafirmado porque o próprio Deus encarnou na pessoa do seu Filho Jesus, redimindo e consagrando assim a nossa plena humanidade. Numa perspetiva cristã, a nossa plena humanidade não é um obstáculo a ser ultrapassado, mas sim um horizonte a alcançar, experimentar, viver plenamente, em Cristo. Isto é boa notícia. Isto é evangelho.</p>



<p>Neste sentido, se desejamos adotar um olhar evangélico (e ético) sobre as tecnologias vindouras, devemos questionar-nos se elas não nos apresentam no tempo atual um decalque da tentação da serpente no tempo antigo. E, portanto, se elas não colocam o sério risco de nos tornarmos sub-humanos quando almejamos ser sobre-humanos; de nos tornarmos escravos quando almejamos ser livres; de gerarmos morte quando procuramos vida…</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A natureza farmacológica da tecnologia:</strong></h2>



<p>Estas questões não são tecnofóbicas, embora possam correr o risco de resvalar para a tecnofobia se não forem bem calibradas. Por isso, é necessário reconhecer que os avanços tecnológicos têm trazido um nível mais elevado de bem-estar à nossa sociedade e às nossas vidas (notando que “bem-estar” não é sinónimo de ausência de sofrimento). É bom reconhecer também que a saga tecnológica pode ser enquadrada como parte da vocação original do ser humano, englobada no chamado mandato cultural de Génesis 1:26-28.</p>



<p>Porém, na presente realidade manchada pelo pecado, é também necessário reconhecer que a tecnologia—toda a tecnologia—é como um fármaco<sup>1</sup>: a substância que, em dosagem adequada e nas circunstâncias certas remedeia males e protege a vida, é a mesma que, se mal administrada, envenena e mata. A fusão nuclear serve para produzir energia limpa e sustentável e para fabricar bombas com o potencial de causar carnificina inimaginável. A manipulação genética promete eliminar doenças genéticas e acarreta também múltiplos riscos e questões morais de extrema complexidade. A capacidade dos sistemas de inteligência artificial para processar quantidades gigantescas de dados pode ser útil para sintetizar novas drogas e pode revolucionar os diagnósticos médicos e ameaça causar também desemprego massivo e o definhamento das nossas aptidões criativas e do nosso espírito crítico.</p>



<p>Assim, ao procurarmos administrar com sabedoria e benignidade o uso da tecnologia a nível pessoal e social, será bom pararmos para refletir sobre o seu carácter humano (ou desumano): será que esta tecnologia, administrada nesta quantidade e nestas circunstâncias, respeita e valoriza a nossa plena humanidade? Respeita e valoriza até as boas limitações de ser-se humano? Aspetos como sermos:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li> <strong>Seres sensoriais</strong> &#8211; os nossos sentidos são o ponto de contacto mais fiável com a realidade concreta à nossa volta;</li>



<li><strong> Seres corpóreos</strong> &#8211; de acordo com o paradigma da cognição corporificada (<em>embodied cognition</em>) todo o nosso sistema motor e sensorial está envolvido na perceção da realidade;</li>



<li> <strong>Seres racionais</strong> &#8211; ainda que com muita nuance, podemos subscrever o princípio cartesiano que conecta a racionalidade e a existência (“penso, logo existo”); mas o que diremos sobre a nossa existência se delegamos o raciocínio às máquinas?</li>



<li><strong> Seres situados</strong> &#8211; circunscritos a um contexto, uma geografia, um espaço físico específico;</li>



<li> <strong>Seres relacionais</strong> &#8211; dependentes da relação com o outro para ser verdadeiramente humanos (recordar Génesis 2:18); humaniza-nos até mesmo a fricção inerente às relações interpessoais com rosto, com proximidade, com presença física; a ausência desta fricção nas relações virtuais torna-as simultaneamente mais fáceis e mais desumanizadoras.</li>
</ul>



<p><strong>Em suma, será que esta tecnologia respeita a nossa essência enquanto seres “encarnacionais”?</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Missão no século XXI</strong></h2>



<p>O autor do quarto evangelho conta-nos que, depois de ter ressuscitado, o Senhor Jesus apareceu aos discípulos e disse-lhes: “A paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio” (João 20:21). Ora como é que o Pai enviou o Filho? Enviou-o encarnado. Humano. Com todas as características comuns a essa humanidade. Para que fosse visto com olhares humanos, escutado com ouvidos humanos, tocado por mãos humanas (cf. 1 João 1:1). E os discípulos herdam este mesmo como, este mesmo modus operandi, a mesma vocação encarnacional, constituindo-se como comunidades tangíveis que expressam a boa nova por palavras e por meio de atos humanos de serviço, de justiça e de compaixão.</p>



<p>Sendo esta vocação inata à igreja, ela é ainda mais imperativa face às ideologias e tecnologias vigentes. É ainda mais imperativa face ao homem que, parafraseando o Zaratustra de Nietzsche na sua crítica parcialmente justa à religião cristã, “quis então que a sua cabeça transpassasse as últimas paredes, e não só a cabeça: até ele quis passar para o ‘outro mundo’…esse mundo desumanizado e inumano que é um nada celeste…” Torna-se assim ainda mais premente a afirmação de John Stott, já na reta final do seu ministério, antecipando a missão da igreja no século XXI, quando ele dizia que “<a href="https://www.christiantoday.com/news/john-stott-final-sermon-the-model-becoming-more-like-christ">toda a missão autêntica é missão encarnacional</a>”.</p>



<p>Perante um mundo que nos empurra para a virtualidade, a missão cristã passa por abraçar, promover e exercer presença real, física, palpável, junto de pessoas reais. Passa por estar disponível para interagir concretamente e humanamente com o outro, o outro que, porventura, passará a estar acostumado a interagir apenas com a máquina, mas sedento de um ouvido humano que o escute, de um abraço humano que o conforte, de um olhar humano que o veja. Ser humano no século XXI, verdadeiramente humano em Cristo, será por si só evangélico, i.e., algo que demonstra o evangelho a concretizar-se na prática. Cada comunidade que partilha espaço, mesa, cargas, lágrimas, liturgia, etc. tenderá a ser cada vez mais bela e singela, e cada vez mais missional só pelo facto de ser o que é. Não podemos por isso negligenciar este desafio de sermos comunidade real, física, tangível em contramão à sedução da imaterialização. E que impacto teria se fossemos também comunidades formadas por pessoas capazes de usar ferramentas tecnológicas sem se deixarem usar por elas; gente que não se deixa aprisionar por nenhuma inovação, por nenhum gadget, por nenhuma rede, porque experimenta, também na relação com a tecnologia, a liberdade outorgada por Cristo.</p>



<p>Há dois milénios atrás, os nossos irmãos da Igreja Primitiva lidaram com a heresia do docetismo (do verbo grego dokeō, parecer). Alguns de espírito mais grego não suportavam a ideia de que o ser supremo se tivesse tornado humano, feito matéria, descido à nossa condição; por isso, disseminaram a ideia de que Cristo não tinha de facto encarnado e não era totalmente homem, apenas aparentava sê-lo. Mas a proposta de um Cristo virtual, um redentor imaterial, foi prontamente rejeitada pelos Pais da Igreja. De igual modo, talvez hoje tenhamos também de rejeitar explicitamente a ideia de uma igreja docética, a hipótese de uma igreja virtual e de uma missão digital. Isto não invalida que se procure usar o digital como primeiro ponto de contacto com o outro, mas sempre como convite para transitar para o mundo real, para o mundo encarnado, para relações com rosto e até com a bendita fricção. Por mais que seja desconfortável, só estas relações são terreno fértil para um discipulado profundo, duradouro, verdadeiramente transformador, plenamente humano—um discipulado que a máquina nunca poderá experimentar, nem facilitar.</p>



<div class="wp-block-uagb-separator uagb-block-1727dfbb"><div class="uagb-separator-spacing-wrapper"><div class="wp-block-uagb-separator__inner" style="--my-background-image:"></div></div></div>



<p><sup>[1]</sup> <sub>Como afirma o filósofo cristão David Lewin em “The Pharmakon of Educational Technology: The Disruptive Power of Attention in Education,” <em>Studies in Philosophy of Education </em>35 (2016): 256. </sub></p>



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		<title>Porque é que celebramos o Natal?</title>
		<link>https://aliancaevangelica.pt/site/porque-e-que-celebramos-o-natal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[AEP]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Dec 2024 14:25:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Teologia Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A pergunta que talvez devesse estar na mente de todos, neste momento, é: porque é que celebramos o Natal? Deve ser mais do que luzes brilhantes, o Pai Natal, presentes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A pergunta que talvez devesse estar na mente de todos, neste momento, é: porque é que celebramos o Natal? Deve ser mais do que luzes brilhantes, o Pai Natal, presentes e bacalhau, certo? Na nossa casa e na nossa igreja, usamos a coroa do advento para nos ajudar a lembrar e a concentrarmo-nos na verdadeira razão pela qual guardamos o dia 25 de dezembro para celebrar. Recordamos que a nossa salvação tomou a forma humana, que o Natal não se foca apenas no momento do nascimento de Jesus, mas aponta-nos para a Sua morte e ressurreição e recorda-nos de viver na expetativa do Seu regresso. Jesus é a luz do mundo, e nada pode impedir que essa luz brilhe nas trevas.</p>



<p>Mas onde é que isto tudo começou, esta expectativa de um Messias e redentor? Começou com uma promessa de um descendente especial de Adão e Eva que derrotaria a morte e o mal. E assim o mundo ficou à espera da sua redenção. Infelizmente, não demorou muito para que essa promessa fosse esquecida no meio da tragédia, da guerra, do ódio e do engano. Mas Deus não se tinha esquecido. Ele escolheu homens e mulheres, que confiaram nessa promessa, e que O amavam, para manter a Sua promessa em marcha. Lentamente, ao longo da história, umas vezes de forma mais clara do que noutras, a Promessa foi-se aproximando do momento da revelação.</p>



<p>Por várias vezes, parecia que a Promessa não seria cumprida. Talvez Deus tivesse ficado demasiado zangado e ofendido para continuar com o que tinha dito. As pessoas tinham abandonado Deus e viravam-se umas contra as outras. A inveja, a ganância, a corrupção, os homicídios e os abusos abundavam no povo escolhido de Deus. Deus foi empurrado para a periferia da vida quotidiana. Adorá-lo tornou-se um dever e um ritual, um amuleto de boa sorte para que os seus planos maléficos prosperassem em nome de Deus. Mas Deus recusou-se a ser usado e ripostou. Afastou o Seu povo, mas nunca ao ponto de o perder para sempre. Ele avisou-os, implorou-lhes que se voltassem para Ele, e depois teve de os castigar. Teria a promessa terminado? Para muitos, parecia que sim.</p>



<p>Mas ainda havia alguns que se recusavam a conformar-se com a sua sociedade. Alguns que amavam verdadeiramente Deus e que desejavam ver a Sua promessa cumprida. A eles, Deus mostrou o futuro&#8230; apenas um vislumbre do que estava para vir. Em pequenos trechos por todo o Antigo Testamento, o Messias foi revelado. Em frases curtas falava-se sobre onde e como iria acontecer, e em poesia sobre como Ele seria e o que faria. Deus falava e os profetas escreviam, sem nunca perderem a fé de que o seu Messias viria.</p>



<p>Mas depois, houve silêncio. Não foi apenas um momento mais calmo, ou uma pausa longa, foi silêncio. Cessaram as vozes, pararam os sonhos, e as visões, e não houve escritos nas paredes&#8230; nada! 400 anos de silêncio. Mas estariam as pessoas a ouvir? Será que não sentiam falta do som? A vida continuou e, o que é mais surpreendente ainda, a religião continuou. A fé judaica não diminuiu, cresceu e tornou-se lucrativa. Os corações endureceram-se e as mentes fecharam-se; a maioria fechou-se. Havia um remanescente. Há sempre um remanescente de homens e mulheres que se lembravam das histórias e confiavam em Deus. Esperavam, esforçavam os seus ouvidos para ouvir, os seus corações eram inabaláveis e confiavam que, talvez amanhã, talvez hoje mesmo, veriam o Messias.</p>



<p>As visões voltaram, mas raramente se falava sobre elas, eram mais motivo de reflexão. Algumas visões eram impossíveis de esconder, tiravam-nos o fôlego e, por vezes, até a voz. Primeiro foi Zacarias e Isabel, depois foi Maria e José. Será que era verdade? Deus lembrar-se-ia agora do seu povo? Estaria Ele realmente a enviar o seu Messias&#8230; assim? Num bebé? A uma virgem?</p>



<p>A promessa de Deus foi trazida à vida, literalmente. Nasceu num mundo que não estava preparado para Ele, que já não O procurava e nem desejava que Ele fosse um bebé. Os reis ficariam furiosos quando descobrissem que Ele vivia. Mas os humildes pastores ficaram emocionados ao vê-Lo, e foram convidados para um concerto privado, realizado só para eles, por milhares de anjos que apareceram de repente por cima do campo onde estavam a trabalhar. Os anjos indicaram-lhes o caminho para Belém e ali, os primeiros adoradores de Jesus, olharam para o seu Messias, ouviram-no chorar e viram-no nos braços da Sua mãe.</p>



<p>Outros também viriam para ver o Messias, que não eram de Jerusalém, nem da Judeia&#8230; eles vieram de longe, atraídos pela estranha estrela que viram no céu. Vieram, convencidos de que se tratava de algo extraordinário. Trouxeram presentes estranhos que talvez fossem o costume da sua terra, mas não era normal em Israel. Os presentes ou eram demasiado luxuosos para esta família simples (ouro), ou demasiado estranhos (mirra) ou demasiado mórbidos (incenso).</p>



<p>Deve ter sido tudo muito estranho para Maria e José. Era muita coisa para assimilar. Então, Maria fez o que tantas vezes fazia. Não questionou, nem se queixou, simplesmente refletiu sobre todas estas coisas no seu coração (Lucas 2:19). Nunca nos é dito até que ponto Maria compreendeu verdadeiramente o que tinha vivido, ouvido e visto. Será que ela refletiu sobre o Antigo Testamento e compreendeu realmente o que esta criança significava para o Mundo? Se o fez, será que compreendeu o que Lhe iria acontecer?</p>



<p>O Natal indicou o caminho para a Páscoa. Alegria que estava destinada a uma grande tristeza. E a tristeza que iria encontrar a verdadeira e duradoura alegria. Uma não poderia acontecer sem a outra. O plano que tinha sido posto em marcha não podia ser interrompido. Os reis não o podiam impedir, nem os sacerdotes, nem mesmo o próprio Satanás. O Messias estava entre os homens e Sua obra seria consumada; a salvação viria para aqueles que O escolhessem, a morte seria derrotada e a vida eterna seria concedida àqueles que acreditassem que a Promessa havia chegado e vencido.</p>



<p>E assim, no dia de Natal, não acendemos a vela que representa Cristo por causa de um bebé. Acendemo-la pelo Salvador do Mundo. Acendemo-la pelo Messias que veio uma vez e que prometeu vir novamente. Só Ele é a nossa maior fonte de esperança, paz, alegria e amor nesta vida e na próxima. Ele é o salvador do mundo, para quem todas as Escrituras apontam. Um dia, Ele virá novamente e levar-nos-á para o seu reino, para gozarmos a vida com Ele para sempre.</p>



<p>Porque é que celebramos o Natal?&nbsp;&nbsp;Porque é uma ótima oportunidade para celebrar a ESPERANÇA, porque a esperança não é uma ideia, é uma pessoa: Jesus. Celebramos a PAZ porque Jesus é o nosso Príncipe da Paz. Celebramos a ALEGRIA porque Jesus traz a alegria eterna. Celebramos o AMOR porque Jesus é o amor de Deus encarnado e nada pode vencer o amor de Jesus por nós. E, no dia de Natal, celebramos a maravilhosa realidade de que Jesus, a luz do mundo, o nosso glorioso salvador e redentor, nasceu e nós fomos libertados!</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



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<p>Connie Duarte</p>
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		<title>Natal</title>
		<link>https://aliancaevangelica.pt/site/natal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[AEP]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Dec 2024 14:11:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Carlota Fernandes RoqueMissionária Aposentada Neste Natal eu queriaQue toda a gente sentisse,O que seria normal:Natal não são só, com certezaMuitas prendas, muita festaSerá sim, muita alegria,Porque nos nasceu um diaUm</p>
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<h2 class="wp-block-heading">  </h2>



<p>Carlota Fernandes Roque<br><em><sub>Missionária Aposentada</sub></em></p>
</div></div>



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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="has-medium-font-size">Neste Natal eu queria<br>Que toda a gente sentisse,<br>O que seria normal:<br>Natal não são só, com certeza<br>Muitas prendas, muita festa<br>Será sim, muita alegria,<br>Porque nos nasceu um dia<br>Um Rei Todo-Poderoso,<br>Sempre pronto, amoroso,<br>Capaz de dar a sua vida<br>Como um vulgar salteador.<br>Mas sendo em tudo o melhor<br>Porque Nele não se achou engano,<br>Morreu aceitando o dano<br>E nos salvou por amor!</p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="has-medium-font-size">Hoje as pessoas esquecem<br>De celebrar este Rei.<br>Outros valores levantam,<br>Coisas banais adoram<br>E pensam que está tudo bem.<br>Mas, o Pai que tudo sabe<br>Quer alcançá-las, trazê-las<br>De uma vida de engano,<br>Para a verdade maior:<br>Jesus Cristo é o Caminho<br>Sem Ele nada é real.<br>Ele é a nossa maior prenda<br>É a dádiva de Deus perfeita,<br>É para todo o que O aceita<br>Este é o verdadeiro Natal!</p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="has-medium-font-size">Celebremos, pois, amigos<br>Jesus nascido em Belém.<br>Crucificado, esquecido,<br>Ressurreto, enaltecido,<br>Merece todo o louvor.<br>Na cruz ganhou a vitória<br>Da tumba subiu à glória,<br>E hoje reina em poder.<br>Não há mais manjedoura<br>Mas a certeza vindoura,<br>De eternidade com Ele.<br>Não há na terra alegria&nbsp;<br>Que se compare com o dia,<br>Em que com fé O aceitei<br>E começou o meu Natal.</p>
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		<title>Em Todo o Tempo Ama o Amigo</title>
		<link>https://aliancaevangelica.pt/site/em-todo-o-tempo-ama-o-amigo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[AEP]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Nov 2024 10:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>  Lisa Lynn EricsonPoeta, Escritora, Autora Há amigos que são sol de pouca dura. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e a amizade que antes brilhava teima em ficar apagada.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://aliancaevangelica.pt/site/em-todo-o-tempo-ama-o-amigo/">Em Todo o Tempo Ama o Amigo</a> aparece primeiro em <a href="https://aliancaevangelica.pt/site"></a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile is-vertically-aligned-bottom" style="grid-template-columns:20% auto" id="wp-block-themeisle-blocks-image-30c9123f"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="326" height="326" src="https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2024/11/Lisa-Lynn.jpg" alt="" class="wp-image-23040 size-full" srcset="https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2024/11/Lisa-Lynn.jpg 326w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2024/11/Lisa-Lynn-300x300.jpg 300w, https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2024/11/Lisa-Lynn-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 326px) 100vw, 326px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<h2 class="wp-block-heading">   </h2>



<p>Lisa Lynn Ericson<br><em><sub>Poeta, Escritora, Autora</sub></em></p>
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<p><strong>Há amigos que são sol de pouca dura. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e a amizade que antes brilhava teima em ficar apagada. Muitas vezes, nem é devido a qualquer conflito, mas, simplesmente, por falta de ação. Ou seja, por falta de dedicação. Surgem os afazeres da vida, e a amizade fica pelo caminho.</strong></p>



<p>No livro de Provérbios, encontramos o contrário:&nbsp;<em>Em todo o tempo ama o amigo, e na altura da dificuldade aparece o irmão</em>&nbsp;(Provérbios 17:17). Tanto na vizinhança como no emprego ou em qualquer outro quarteirão dentro da comunidade à nossa volta, conhecemos muitas pessoas. Passamos por elas no corredor ou na rua, trocamos cumprimentos calorosos, e pouco mais. Como é que essas pessoas passam de meros conhecidos a amigos? Como mantemos essa amizade? É fácil tomarmos um café com alguém, é fácil termos dois dedos de conversa, saboreando sorrisos partilhados. Mas é nos desafios da nossa vivência humana que encontramos e desenvolvemos amizades mais profundas.</p>



<p>Quando surge um problema na vida de alguém que nós conhecemos, aparecemos para ajudar, ou desaparecemos, desculpando-nos com aquela noção popular de que <em>&#8220;amigos, amigos, negócios à parte&#8221;</em>? Evitamos a complicação, tornamo-nos calculosos e cautelosos, optando por não sujar as mãos para apoiar uma pessoa em necessidade.</p>



<p><em>Amigos, amigos,</em><br><em>Negócios à parte.</em><br><em>Não quero contigo</em><br><em>Perder a nossa arte,</em><br><em>De sermos amigos no bem e no mal,</em><br><em>Mas não faço contas—seria fatal.<a href="applewebdata://E917D457-CFFE-4DE3-AD9B-BE806368617A#_edn1"><sup><strong>[i]</strong></sup></a></em></p>



<p>Um amigo verdadeiro aparece tanto nos dias bons como nos dias maus. Dar um beijinho é uma coisa. Dar a vida é outra. Jesus disse:&nbsp;<em>Não existe amor maior do que dar a vida pelos seus amigos</em>&nbsp;(João 15:13). Existem pessoas que não desfrutam de nenhum raio solar, cujas vidas estão aparentemente cobertas de nuvens carregadas. Precisam não de um conhecido que apenas acena e passa na rua, mas sim de um amigo que faz tudo por tudo para aliviar o seu sofrimento.</p>



<p>Lembremo-nos de um certo homem paralítico que vivia na zona onde Jesus estava a ensinar, conforme Lucas contou no 5º capítulo do seu evangelho. Multidões ajuntavam-se para o ouvir, na esperança também de observarem um dos seus milagres. Jesus iniciava o seu ministério, demonstrando o seu poder e a sua compaixão de uma maneira palpável, curando muitas pessoas das suas enfermidades. O paralítico queria aproximar-se também de Jesus. Os seus amigos queriam ver o seu desejo cumprido.</p>



<p>Porém, o lugar onde Jesus ensinava estava esgotadíssimo, tão cheio que não havia maneira de entrar. Os amigos do paralítico queriam ajudá-lo, mas foram parados por uma parede de gente. Era como tentar enfiar nos transportes públicos na hora de ponta, quando quase nem se consegue respirar. Poderiam ter desistido, com razão. Poderiam ter dito ao paralítico, “Olhe, hoje já não dá,” num tom resignado. <em>“Fica para a próxima.”</em></p>



<p>Mas não foi isso que fizeram. Arriscaram as suas vidas, subindo ao telhado do edifício, exigindo o máximo dos seus músculos, criando um buraco entre as telhas, pelas suas próprias mãos. Qualquer um deles poderia ter caído, lesionando-se, ficando na mesma situação do paralítico. Arriscaram as suas próprias reputações, incomodando o dono do edifício com a sua engenheira espontânea ao desmantelarem o telhado. Espreitando desde lá de cima, viram o sítio onde Jesus estava a ensinar, e baixaram o paralítico dentro do buraco no telhado, deitado sobre a sua cama, até ao meio da multidão. Fizeram tudo que estava ao seu alcance. Tudo.</p>



<p>E Jesus, então, agiu, na sua tremenda graça e misericórdia. Vindo a sua fé, Jesus declarou que os seus pecados estavam perdoados, uma oferta de vida eterna que excedeu todas as expectativas do paralítico. Como uma confirmação disse ato, Jesus fortaleceu as pernas do paralítico, curando-o fisicamente por completo. O paralítico levantou-se, pegou na sua cama, e saiu pelos seus próprios pés, louvando a Deus abertamente. Nada disso teria acontecido se os seus amigos tivessem ignorado o dilema do paralítico. Se fossem sol de pouca dura.&nbsp;</p>



<p>A decisão das pessoas que acompanhavam o paralítico de serem amigos verdadeiros, de entregarem as suas vidas para o seu bem, teve um impacto magnífico. Levaram-no até Jesus. Certamente, ao constatarem o resultado de todo o seu esforço, os corações dos amigos encheram-se de júbilo. Tinham acabado de partilhar não apenas um episódio na sua amizade, mas também um momento em que a Luz do Mundo brilhou em pleno. Foi uma experiência holística de amizade, juntando a faceta física, emocional e espiritual.</p>



<p>Quais são as pessoas ao nosso redor que precisam não apenas da nossa presença passageira, mas, mais ainda, da nossa devoção ativa? Não hesitemos.&nbsp;<strong>Em todo o tempo ama o amigo</strong>! O amor da amizade é sofredor, é generoso, é paciente. As nuvens passam, os amigos não. Os amigos perduram, trazendo o calor de um raio de sol tão persistente como suave.</p>



<p>Jesus, por sua parte, entregou-se a si mesmo para o nosso bem, morrendo em nosso lugar para nos conceder vida em pleno, vida eterna. Se Jesus fez isto por nós, nós também devemos amar, sendo amigos que amam com o amor de Deus, para que Ele seja louvado. Um dos meus poemas chama-se <em>“Dar a Vida,”</em> e este pequeno excerto representa o que é sermos amigos, no sentido mais profundo da palavra.</p>



<p><em>Mas entendi que há mais</em><br><em>Na vida sofrida,</em><br><em>E Jesus mostrou-me quais</em><br><em>Os prazeres da vida,</em><br><em>Pois dando o seu grande amor</em><br><em>É vida, e não há melhor.<a href="applewebdata://E917D457-CFFE-4DE3-AD9B-BE806368617A#_edn2"><sup><strong>[ii]</strong></sup></a></em></p>



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<p><a href="applewebdata://E917D457-CFFE-4DE3-AD9B-BE806368617A#_ednref1"><sup>[i]</sup></a> <sub>Ditados Populares &amp; Sussurros Singulares, por Lisa Lynn Ericson, Helvetia Edições, 2023, p.45.</sub><br><a href="applewebdata://E917D457-CFFE-4DE3-AD9B-BE806368617A#_ednref2"><sup>[ii]</sup></a> <sub>Simplicidade Vibrante: Pensamentos Poéticos de um Fado Feliz, 2ª Edição, por Lisa Lynn Ericson, Helvetia Edições, 2021, p.222-223.</sub><br><sub><a href="https://lisalynnericson.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://lisalynnericson.com/</a></sub></p>



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		<title>O Deus Que Se Interessa</title>
		<link>https://aliancaevangelica.pt/site/o-deus-que-se-interessa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[AEP]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Nov 2024 10:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Algumas mulheres sonham com o casamento e uma família desde crianças. Outras, como eu, não pensavam muito no casamento. Algumas sonham com filhos biológicos, outras em adotar, e outras não</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Algumas mulheres sonham com o casamento e uma família desde crianças. Outras, como eu, não pensavam muito no casamento. Algumas sonham com filhos biológicos, outras em adotar, e outras não querem ter filhos. Umas sonham em viajar a dois, outras em ficar em casa e construir um lar onde possam refugiar-se quando estão cansadas. O relacionamento a dois vem em sonhos das mais variadas formas, cheiros, cores e afetos.</strong></p>



<h3 class="wp-block-heading">Mas há uma coisa que nunca faz parte deste sonho: o divórcio.</h3>



<p>O divórcio faz ainda menos parte das possibilidades na nossa mente quando casamos com um cristão, comprometido com Deus e com a sua igreja local. Há uma certa expetativa de que um cristão viverá de acordo com o compromisso que assumiu diante do seu cônjuge e de todos os amigos e família que testemunharam esse compromisso. Mas, mais que isso, há a expetativa de que esse cristão honre o compromisso que fez diante de Deus por amor a Ele.</p>



<p>Talvez esta mesma expetativa tenha, de algum modo, contribuído para nenhum de nós ter estado suficientemente atento ao inimigo, que andava como leão à nossa volta, à espera de uma oportunidade para destruir o que tínhamos, a tanto custo e com tanto sacrifício, construído diante de Deus.</p>



<p>Quando casámos ele estava desempregado e, dois anos depois, rumámos a um novo destino. A promessa de um emprego que traria mais estabilidade levou-me a apoiar e incentivar o meu marido quando se mudou. Pouco depois, juntei-me a ele neste novo país.</p>



<p>Nos 9 anos que se seguiram aconteceu um mundo: ele foi transferido temporariamente para outro país, e eu fiquei. O temporário tornou-se mais permanente, mas tinha o sonho de voltar e, por isso, não queria que eu me mudasse. Acabou por ir trabalhar para uma empresa no país vizinho ao meu. Estive à beira da morte e o emprego dele foi mais importante. Rejeitou, por orgulho, a oferta que recebeu e que lhe traria a possibilidade de morar novamente comigo. Chorei muito. Orei muito. Fiz muitos planos. Estudei mais e preparei-me para começar o meu próprio projeto, que poderia ser desenvolvido no país onde ele estava. Decidi despedir-me quando regressasse de férias, porque não fazia sentido morarmos separados mais tempo.</p>



<p>Estávamos no barco de Troia, a regressar de um dia de praia com a família dele, quando recebi a mensagem.<br><em><br>&#8211; “Sabes quem eu sou?”<br>&#8211; &#8220;Não”, respondi, “mas gostava de saber.”<br>&#8211; “Sou a namorada do teu marido”</em></p>



<p>Nos meses seguintes descobri muitas coisas. Descobri que vivia numa mentira há vários anos. Que o homem com quem me tinha casado e que eu admirava tinha feito escolhas, e que essas escolhas o tinham tornado numa pessoa que, nessa altura, era muito feia, doente, egoísta e manipuladora. Descobri que os sacrifícios que tinha feito, no fim, não serviram para muito. Descobri que 17 anos juntos significavam muito pouco para quem tinha significado tudo para mim. Descobri que tinha baixado a guarda. Descobri que o perdão cobre multidão de pecados, mas não garante o resultado que o nosso coração deseja. Descobri que por mais que lutemos, o outro vai fazer a escolha que decidir, e essa escolha pode não ser a que esperávamos. Descobri a dor de ver a minha oferta de perdão rejeitado. Descobri a dor de ser preterida. Descobri a dor de ser deixada para trás no deserto pela pessoa que nos arrastou para lá. Descobri humilhação, desrespeito e abandono. E a vergonha de ter sido traída. E descobri que isto tudo me tinha tornado numa pessoa muito feia.</p>



<p>Mas foi nessa altura em que vivi o Deus que, de forma assombrosamente extraordinária, pega no nada que ficou e a restaura na forma de um coração novo. Descobri a verdadeira dependência do Pai no momento mais negro da minha vida. Senti o abraço do Senhor Jesus e as lágrimas dele nas noites em que não conseguia suportar a dor. Recebi a coragem do Espírito Santo naquelas manhãs em que precisei de ligar para o trabalho e dizer: &#8211; “Não estou bem. Não consigo ir trabalhar”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O Deus de Perto, o Emanuel, o Consolador, o Deus que Sara.</h3>



<p>Nos dois anos de Covid que se seguiram, a minha dependência de Deus cresceu como nunca. E a obediência imediata também. Passei muitos dias de roda da Bíblia e em oração. “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Hebreus 4:12) Sempre que o Espírito do Pai me mostrava uma área que precisava de ser trabalhada, eu encarava-a e fazia o que tinha a fazer. Fosse perdoar o meu ex-marido, ou perdoar-me a mim, ou lutar contra pensamentos impuros e maus.</p>



<p>Passo a passo, Deus foi-me conduzindo pela mão, mansamente, até às águas tranquilas. Sem pressa. Deus ensinou-me a não ter pressa.&nbsp;</p>



<p>Lembro-me de olhar para dentro de mim e pensar: eu não sou esta pessoa. Lembro-me de não me reconhecer nos pensamentos que tinha. No desejo que Deus fizesse justiça e me vingasse. E Deus, nos seus infinitos paciência e amor, ensinou-me a ser misericordiosa comigo mesma. Mostrou-me que sim, naquele momento eu era aquela pessoa. E não precisava de ficar preocupada, porque não era definitivo. Disse-me que era um processo e que Ele era fiel para completar a obra que tinha começado em mim. Que ia continuar a trabalhar em mim para me restaurar, me devolver a alegria da minha salvação.</p>



<p>Lembro-me de, em certo momento, fazer esta oração: “Ó Deus, só restam estes cacos, esta carne passada duas vezes pela picadora. Não sobrou nada de mim. Não sei o que é que vais fazer com isto, nem como o vais fazer. Mas está aqui. É teu. Sei que vais restaurar”.</p>



<p>Nos últimos três anos tenho trabalhado cada área que Deus me tem mostrado que precisa de ser tratada. Uma a seguir à outra. Sou uma pessoa mais bonita do que antes, porque sobrou menos de mim e mais de Cristo em mim.</p>



<p>Também meti mãos à obra para descobrir quem é a Carolina que se tinha perdido no casamento. Descobri que afinal gosto de andar de kayak nos fiordes, de dançar, de (tentar) fazer surf, de dar caminhadas pela montanha&#8230; Ah, e adotei o Latte, o cão mais fofo à face da terra.&nbsp;</p>



<p>Deus tirou-me do deserto e trouxe-me de volta a casa. Voltei a servir a Igreja na casa que o Pai preparou para mim. Voltei a abraçar e ser abraçada pelos meus irmãos de quem tive tantas saudades. E apesar de não saber ainda o que Deus tem para mim aqui em Portugal, aproveito cada oportunidade que Ele me dá para obedecer.&nbsp;</p>



<p>Faz-te disponível para Deus. Sê pronta a obedecer no momento em que Deus traz ao teu coração alguma coisa que tens de mudar. E agarra rapidamente as oportunidades que o Espírito Santo traz à tua vida para servir. Porque a cura vem da obediência, do derramar do coração sem barreiras, e do pecado deixado diariamente aos pés da cruz.</p>



<p>Hoje quero dizer-te uma coisa que talvez ninguém te tenha dito ainda:</p>



<p><strong>Deus interessa-se. Deus quer saber. Achega-te a Deus e vê como Ele se achega a ti.</strong></p>



<p>Que o Deus da Graça te abençoe tremendamente.&nbsp;</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="690" height="1024" src="https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2024/11/Carolina-e-Latte-2-690x1024.jpg" alt="" class="wp-image-20941"/></figure>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p>Carolina Marmelada</p>
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		<title>Conhecer para Cuidar</title>
		<link>https://aliancaevangelica.pt/site/conhecer-para-cuidar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[AEP]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Sep 2024 21:33:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Teologia Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No âmbito das iniciativas do GTIR para a promoção do conhecimento dos profissionais sobre a importância compreensão da diversidade religiosa da nossa sociedade, desde o início do ano têm vindo</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No âmbito das iniciativas do GTIR para a promoção do conhecimento dos profissionais sobre a importância compreensão da diversidade religiosa da nossa sociedade, desde o início do ano têm vindo a ser realizadas várias conferências onde cada tradição religiosa apresenta a sua perspectiva sobre os cuidados de saúde no contexto de internamento hospitalar. No próximo dia 11 de setembro pelas 11h a será AEP a fazer a sua apresentação.</p>
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