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Notícias

Ser humano no século XXI

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Uma questão-chave face à tecnomania da nossa era:

Num artigo oportunamente escrito em 2023 para o Movimento Lausanne, o Dr. Matthew Niermann apresentou uma lista de 10 perguntas que irão moldar a sociedade global até 2050. A primeira pergunta é extremamente certeira: “o que significa ser humano?” De acordo com Niermann, e, em grande medida, por causa dos desenvolvimentos tecnológicos, “a questão sobre quem e o que somos estará no centro da proclamação do evangelho e do discipulado contextual nas próximas décadas”.

Efetivamente, assistimos hoje ao advento de novas tecnologias que prometem melhorar a nossa humanidade, estender a nossa natureza e, na linguagem explícita de alguns proponentes, elevar a condição dos humanos à condição de semi-deuses. Refiro-me, por exemplo, às tecnologias que promovem o projeto transhumanista, a fusão do organismo humano e da máquina inorgânica, a inserção de nanoprocessadores nos nossos tecidos e de chatsgpts nas nossas mentes. Aqueles que crêem neste projeto prevêem “a possibilidade de redesenhar a condição humana, incluindo parâmetros como a inevitabilidade do envelhecimento, as limitações do intelecto humano e artificial, o sofrimento, e o nosso confinamento ao planeta terra”. Esta é uma crença que, nas palavras de Ray Kurzweil, um dos gurus do transhumanismo, chega ao cúmulo de profetizar uma espécie de iminente imortalidade do ser humano. É uma fé cega, pois nega a evidência de que o desenvolvimento tecnológico e digital não nos trouxe menor sofrimento. (Na verdade, a ciência tende a suportar a tese precisamente oposta.)

Em certa medida, esta tecnomania replica a estória primordial do primeiro Adão e da primeira Eva quando provaram o fruto proibido enganados pela serpente que sugerira a insidiosa possibilidade de usurpar as prerrogativas divinas: “o que acontece é que Deus sabe que no dia em que comerem desse fruto, abrir-se-ão os vossos olhos e ficarão a conhecer o mal e o bem, tal como Deus” (Génesis 3:5). Na estória do Génesis 3 está implícita uma dinâmica de insatisfação do ser humano por ser aquilo que é, um descontentamento pelas limitações inerentes à condição humana—talvez seja esse o pecado original, a raiz da perene rebeldia da criatura para com o Criador.

A encarnação de Cristo como lente cristã:

O olhar cristão relativamente a este fenómeno assenta necessariamente numa doutrina robusta da encarnação de Cristo. Uma doutrina que não se ocupa apenas dos elementos estritamente cristológicos, sintetizados na Declaração de Calcedónia de 451 d.C. (“Jesus Cristo, …, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, consubstancial com o Pai de acordo com a divindade, e consubstancial connosco de acordo com a humanidade”), mas que se ocupa também de explorar, com uma certa criatividade teológica, as implicações ontológicas e missionais da realidade de que a “Palavra se fez homem” (cf. João 1:1).

A encarnação demonstra que não há nada de errado em ser-se plenamente humano. Se o primeiro Adão quis usurpar o lugar de Deus, o segundo Adão, “que por natureza era Deus, não quis agarrar-se a esse direito de ser igual a Deus” (Filipenses 2:6). Antes fez-se um de nós para redimir e restaurar a nossa humanidade—o que implica que não nos cabe fugir dessa mesma humanidade em direção a qualquer coisa sobre-humana. De acordo com as palavras de Paulo aos Efésios, em Cristo somos verdadeira humanidade (ver Efésios 4:24); em Cristo somos exatamente quem e aquilo que fomos criados para ser—incluindo o facto de sermos seres corpóreos, circunscritos, necessariamente e ontologicamente limitados. Tudo isto resulta, desde logo, da declaração ancestral do Criador no sexto dia: “Deus achou que tudo aquilo que tinha feito era muito bom” (Génesis 1:31). E tudo isto é definitivamente reafirmado porque o próprio Deus encarnou na pessoa do seu Filho Jesus, redimindo e consagrando assim a nossa plena humanidade. Numa perspetiva cristã, a nossa plena humanidade não é um obstáculo a ser ultrapassado, mas sim um horizonte a alcançar, experimentar, viver plenamente, em Cristo. Isto é boa notícia. Isto é evangelho.

Neste sentido, se desejamos adotar um olhar evangélico (e ético) sobre as tecnologias vindouras, devemos questionar-nos se elas não nos apresentam no tempo atual um decalque da tentação da serpente no tempo antigo. E, portanto, se elas não colocam o sério risco de nos tornarmos sub-humanos quando almejamos ser sobre-humanos; de nos tornarmos escravos quando almejamos ser livres; de gerarmos morte quando procuramos vida…

A natureza farmacológica da tecnologia:

Estas questões não são tecnofóbicas, embora possam correr o risco de resvalar para a tecnofobia se não forem bem calibradas. Por isso, é necessário reconhecer que os avanços tecnológicos têm trazido um nível mais elevado de bem-estar à nossa sociedade e às nossas vidas (notando que “bem-estar” não é sinónimo de ausência de sofrimento). É bom reconhecer também que a saga tecnológica pode ser enquadrada como parte da vocação original do ser humano, englobada no chamado mandato cultural de Génesis 1:26-28.

Porém, na presente realidade manchada pelo pecado, é também necessário reconhecer que a tecnologia—toda a tecnologia—é como um fármaco1: a substância que, em dosagem adequada e nas circunstâncias certas remedeia males e protege a vida, é a mesma que, se mal administrada, envenena e mata. A fusão nuclear serve para produzir energia limpa e sustentável e para fabricar bombas com o potencial de causar carnificina inimaginável. A manipulação genética promete eliminar doenças genéticas e acarreta também múltiplos riscos e questões morais de extrema complexidade. A capacidade dos sistemas de inteligência artificial para processar quantidades gigantescas de dados pode ser útil para sintetizar novas drogas e pode revolucionar os diagnósticos médicos e ameaça causar também desemprego massivo e o definhamento das nossas aptidões criativas e do nosso espírito crítico.

Assim, ao procurarmos administrar com sabedoria e benignidade o uso da tecnologia a nível pessoal e social, será bom pararmos para refletir sobre o seu carácter humano (ou desumano): será que esta tecnologia, administrada nesta quantidade e nestas circunstâncias, respeita e valoriza a nossa plena humanidade? Respeita e valoriza até as boas limitações de ser-se humano? Aspetos como sermos:
• seres sensoriais – os nossos sentidos são o ponto de contacto mais fiável com a realidade concreta à nossa volta;
• seres corpóreos – de acordo com o paradigma da cognição corporificada (embodied cognition) todo o nosso sistema motor e sensorial está envolvido na percepção da realidade;
• seres racionais – ainda que com muita nuance, podemos subscrever o princípio cartesiano que conecta a racionalidade e a existência (“penso, logo existo”); mas o que diremos sobre a nossa existência se delegamos o raciocínio às máquinas?
• seres situados – circunscritos a um contexto, uma geografia, um espaço físico específico;
• seres relacionais – dependentes da relação com o outro para ser verdadeiramente humanos (recordar Génesis 2:18); humaniza-nos até mesmo a fricção inerente às relações interpessoais com rosto, com proximidade, com presença física; a ausência desta fricção nas relações virtuais torna-as simultaneamente mais fáceis e mais desumanizadoras.

Em suma, será que esta tecnologia respeita a nossa essência enquanto seres “encarnacionais”?

Missão no século XXI

O autor do quarto evangelho conta-nos que, depois de ter ressuscitado, o Senhor Jesus apareceu aos discípulos e disse-lhes: “A paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio” (João 20:21). Ora como é que o Pai enviou o Filho? Enviou-o encarnado. Humano. Com todas as características comuns a essa humanidade. Para que fosse visto com olhares humanos, escutado com ouvidos humanos, tocado por mãos humanas (cf. 1 João 1:1). E os discípulos herdam este mesmo como, este mesmo modus operandi, a mesma vocação encarnacional, constituindo-se como comunidades tangíveis que expressam a boa nova por palavras e por meio de atos humanos de serviço, de justiça e de compaixão.

Sendo esta vocação inata à igreja, ela é ainda mais imperativa face às ideologias e tecnologias vigentes. É ainda mais imperativa face ao homem que, parafraseando o Zaratustra de Nietzsche na sua crítica parcialmente justa à religião cristã, “quis então que a sua cabeça transpassasse as últimas paredes, e não só a cabeça: até ele quis passar para o ‘outro mundo’…esse mundo desumanizado e inumano que é um nada celeste…” Torna-se assim ainda mais premente a afirmação de John Stott, já na reta final do seu ministério, antecipando a missão da igreja no século XXI, quando ele dizia que “toda a missão autêntica é missão encarnacional”.

Perante um mundo que nos empurra para a virtualidade, a missão cristã passa por abraçar, promover e exercer presença real, física, palpável, junto de pessoas reais. Passa por estar disponível para interagir concretamente e humanamente com o outro, o outro que, porventura, passará a estar acostumado a interagir apenas com a máquina, mas sedento de um ouvido humano que o escute, de um abraço humano que o conforte, de um olhar humano que o veja. Ser humano no século XXI, verdadeiramente humano em Cristo, será por si só evangélico, i.e., algo que demonstra o evangelho a concretizar-se na prática. Cada comunidade que partilha espaço, mesa, cargas, lágrimas, liturgia, etc. tenderá a ser cada vez mais bela e singela, e cada vez mais missional só pelo facto de ser o que é. Não podemos por isso negligenciar este desafio de sermos comunidade real, física, tangível em contramão à sedução da imaterialização. E que impacto teria se fossemos também comunidades formadas por pessoas capazes de usar ferramentas tecnológicas sem se deixarem usar por elas; gente que não se deixa aprisionar por nenhuma inovação, por nenhum gadget, por nenhuma rede, porque experimenta, também na relação com a tecnologia, a liberdade outorgada por Cristo.

Há dois milénios atrás, os nossos irmãos da Igreja Primitiva lidaram com a heresia do docetismo (do verbo grego dokeō, parecer). Alguns de espírito mais grego não suportavam a ideia de que o ser supremo se tivesse tornado humano, feito matéria, descido à nossa condição; por isso, disseminaram a ideia de que Cristo não tinha de facto encarnado e não era totalmente homem, apenas aparentava sê-lo. Mas a proposta de um Cristo virtual, um redentor imaterial, foi prontamente rejeitada pelos Pais da Igreja. De igual modo, talvez hoje tenhamos também de rejeitar explicitamente a ideia de uma igreja docética, a hipótese de uma igreja virtual e de uma missão digital. Isto não invalida que se procure usar o digital como primeiro ponto de contacto com o outro, mas sempre como convite para transitar para o mundo real, para o mundo encarnado, para relações com rosto e até com a bendita fricção. Por mais que seja desconfortável, só estas relações são terreno fértil para um discipulado profundo, duradouro, verdadeiramente transformador, plenamente humano—um discipulado que a máquina nunca poderá experimentar, nem facilitar.

David Raimundo
Secretário-Executivo do Grupo Bíblico Universitário de Portugal

Dezembro de 2025

[1] Como afirma o filósofo cristão David Lewin em “The Pharmakon of Educational Technology: The Disruptive Power of Attention in Education,” Studies in Philosophy of Education 35 (2016): 256. 

Cooperação entre o Estado central e Autarquias com Igrejas

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A Aliança Evangélica Portuguesa (AEP) vem lamentar o tratamento jornalístico efetuado em certos órgãos de comunicação social que vieram dar destaque a um protocolo entre a Câmara Municipal de Loures e a Igreja Hillsong Portugal, organização legalmente autónoma, com sede naquele concelho e que é membro da AEP. Sobre este assunto, partilhamos todos os esclarecimentos prestados pela Igreja Hillsong Portugal, em anexo, mas resulta claro que o montante protocolado colaborará para o desenvolvimento de diversas atividades culturais e sociais, incluindo apoio a sem abrigo, e ainda o uso do espaço da Igreja para eventos da Câmara Municipal de Loures ou outras organizações parceiras. 

Considera a AEP que é de louvar que as autarquias e outros organismos públicos reconheçam a presença histórica – com mais de um século – e a importância das igrejas protestantes/evangélicas em território nacional, bem como da sua vasta e consistente obra nos mais diversos domínios, designadamente social, cultural e outros. Esta abertura ao diálogo institucional e à cooperação prática é um sinal saudável de uma sociedade democrática, plural e solidária.

Sucede que protocolos semelhantes são celebrados com outras organizações sociais ou religiosas no mesmo concelho e genericamente em quase todos os municípios deste país, sem que seja dado destaque noticioso, demonstrado que este caso, por ser uma igreja evangélica é caso raro, o que é demonstrativo da discriminação ainda existente para com esta minoria religiosa.O Estado Português é não confessional, pelo que não adota nenhuma religião oficial e não interfere em questões religiosas. Isso implica que o Estado não impõe nenhuma crença religiosa e garante a liberdade de consciência, de religião e de culto a todos os cidadãos, bem como acolhe e coopera com as religiões minoritárias, de acordo com a sua representatividade, conforme previsto na Lei da Liberdade Religiosa em Portugal (Lei n.º 16/2001), que estabelece a cooperação entre o Estado e as igrejas e comunidades religiosas. Essa cooperação manifesta-se através de parcerias em áreas como a promoção dos direitos humanos, o desenvolvimento integral das pessoas e a defesa de valores como a paz, a liberdade, a solidariedade e a tolerância.

Veja aqui também o Comunicado da Hillsong Portugal

IGREJAS EVANGÉLICAS EM PORTUGAL VISTA DE PERTO

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Estudo realizado com base em 509 entrevistas com líderes de igrejas em todo Portugal, Continental e Regiões Autónomas.

Os inquéritos começaram no dia 28/3/2025 e esta fase de recolha de dados terminou no dia 28/4/2025.

Responsável técnico: Pedro Silva
Análise estatística: Pedro Silva
Revisão: Elsa Correia
Método de recolha de informação:
Questionário disponibilizado online
Tipo de questionário: perguntas fechadas
Duração média do preenchimento do questionário: 15 a 20 minutos

Ver estudo: https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2025/06/Pesquisa2BAEP2B-2B2025-compressed-compressed.pdf

Forúm Evangélico 2025

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Bem vindos ao Campo de Missão

O Fórum Evangélico 2025 será mais do que um evento, será um ponto de encontro para quem deseja viver o Evangelho em ação.  Junta-te a nós para um dia de inspiração e capacitação.

📅 Data: 10 de maio
📍 Local: MCI – MISSÃO CRISTÃ INTERNACIONAL, Sintra (Ver aqui -> Localização)
⏰ Horário: 09h30 – 21h30

Entrada gratuita. Inscrições aqui -> Bem-vindos ao Campo de Missão!

Este ano no FÓRUM EVANGÉLICO teremos:

⛓️ EXPO Evangélica – onde podes conhecer e conectares-te com diferentes organizações evangélicas, aproveitando também diversas ferramentas úteis para ti e/ou para a tua igreja / ministério.

🔧 Workshops transformadores – sim, o objetivo é sairmos com uma visão e plano de ação fortalecidos

✨ Keynote Speaker: Jim Memory – Co-diretor do Movimento Lausanne Europa, um dos maiores movimentos de evangelismo global.

🙏🏻 Sala de Oração – podes juntar-te a nós em oração ou partilhar os teus motivos com a nossa equipa.

🤝 Sala Imersiva – vais ter  a experiência de poder “evangelizar” na primeira pessoa e em diferentes contextos, num ambiente preparado criativamente pelos ministérios da JOCUM e King’s Kids Portugal. 

👉🏼 Fórum Kids – um espaço especial para as crianças.  Este ano vamos ter atividades para crianças entre os 3-12 anos durante as sessões plenárias e workshops. Gostavas de trazer alguma criança? Vais poder inscrevê-la neste mesmo formulário!

🍲 Serviço de refeições no local – para que possas ter tempo de conviver e criar ligações importantes (assim podemos passar o dia todo juntos)!

👥 Mesas temáticas –  À hora de almoço podes juntar-te a um dos pequenos grupos que partilham as mesmas áreas de interesses e tomar a tua refeição ou simplesmente um café juntos. Tens como opção “Café e Palavra” (JOCUM – Jovens Com Uma Missão), “Echo Cards” (MEVIC – Missão Evangélica Inter-Cultural) e “Parceiros de Confiança” (ASPEC – Ass. Profissionais e Empresários Cristãos).

🙌🏼 Concerto de Oração – há melhor maneira de terminar este dia? Um tempo de entrega, reflexão e ação!

Partilhamos contigo o plano do dia:
9h00 – Check-in e EXPO Evangélica
10h00 – 12h30 – Sessão da Manhã*
14h30 – 16h00 – Workshops*
16h45 – 18h15 – Sessão da Tarde*
20h00 – 21h30 – Concerto de Oração

* nestes horários decorrem em simultâneo as atividades do FÓRUM KIDS (3 a 12 anos).

Partilhamos também um “Guia de Oração” pela UNIÃO da Igreja e pelo Fórum Evangélico 2025 aqui 👉 Guia

De lembrar que entre sessões e workshops, muita coisa acontece na nossa EXPO Evangélica e em espaços que preparámos como a Sala de Oração e a Sala Imersiva!

Contamos contigo no Fórum Evangélico 2025 e nesta Missão!

Marca-nos nas tuas publicações @aliancaaep e usa o hashtag #forumevangelico2025aep

Semana Universal de Oração 2025

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A Semana Universal da Oração volta a ser levada a efeito pela Aliança Evangélica Portuguesa, de 12 a 19 de janeiro. Esta é uma iniciativa que promove a unidade da Igreja evangélica em Portugal na oração a favor da Nação e da própria Igreja de Jesus Cristo. Este ano os textos foram preparados pela Aliança Evangélica da Itália, sobre o tema “Lutar pela fé“. 

A Assessoria de Oração da Aliança Evangélica Portuguesa, planeou diversas reuniões regionais, em parceria com as igrejas locais. Brevemente divulgaremos aqui o Calendário destas reuniões.

Conheça aqui o Guia de Oração 2025 – PDF

Conheça aqui quando e onde participar nas reuniões locais de oração.

A Carta para os Membros da AEP está disponível aqui.

Descarregue aqui os cartazes da Semana Universal de Oração em diferentes formatos.

O Cartaz da Semana Universal de Oração aqui.

Unidos em Oração e na Luta pela Fé em Jesus!
Deus ricamente vos abençoe!

Conhecer para Cuidar

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No âmbito das iniciativas do GTIR para a promoção do conhecimento dos profissionais sobre a importância compreensão da diversidade religiosa da nossa sociedade, desde o início do ano têm vindo a ser realizadas várias conferências onde cada tradição religiosa apresenta a sua perspectiva sobre os cuidados de saúde no contexto de internamento hospitalar. No próximo dia 11 de setembro pelas 11h a será AEP a fazer a sua apresentação.

Nota de Pesar

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Loretta Mae Sherwood

(14 de março de 1931 – 24 de junho de 2024)

Nascida perto de Fresno, no estado da Califórnia, Loreta Sherwood descendia de imigrantes originários de Irlanda, Inglaterra e Alemanha, que chegaram à costa ocidental dos Estados Unidos da América no século XIX. Mais nova de três filhos, com um irmão e uma irmã mais velhos, viveu os primeiros anos num ambiente rural bastante humilde, nos tempos em que a economia norte-americana passou pela “grande depressão”. Graças à melhoria das condições de vida da família, ela e os seus irmãos acabaram por gozar de uma educação privilegiada, que conduziu Loretta a uma escola profissional e mais tarde à Universidade de Passadena, da Igreja do Nazareno, onde obteve conhecimentos essenciais que viria a aplicar ao longo da sua vida dedicada à missão.

Terminado o curso superior, voltou para Fresno, começou a trabalhar como secretária e, logo a seguir, como professora. Obtidas as qualificações académicas necessárias, viria a enveredar pela carreira do ensino, tendo sido professora do ensino básico por um período de dez anos. Interrompeu então a carreira para responder pela primeira vez à chamada missionária, que a levou ao Brasil por um período de dois anos, durante o qual colaborou com a Mocidade para Cristo. Terminado o projeto missionário, regressou à sua escola em Fresno, onde ensinou por mais três anos.

Porém, o apelo missionário tinha ficado a arder no seu coração. Desde muito jovem que estava envolvida em diferentes ministérios na sua igreja local e como voluntária da Mocidade para Cristo. Tocou saxofone, cantou em coros e em outros grupos musicais. A sua paixão era servir! Assim, com o apoio da sua nova igreja na Califórnia, The Peoples Church, acaba por chegar a Lisboa a 8 de outubro de 1971. Apesar de já não estar em início de carreira, Loretta Sherwood dedicou toda uma nova vida à Causa do Evangelho em Portugal. Foi quase meio século de vida ativa nas mais diversas frentes.

Quando chegou a Portugal, a sua missão consistiu em trabalhar com a Mocidade para Cristo durante dois anos, organizando e dirigindo um coro de jovens de Lisboa e dos arredores. O coro acabou por chegar a muitos outros lugares do país e mesmo fora de portas. Terminado o período inicial, Loretta já não queria voltar ao seu país, pelo que através do missionário Samuel Faircloth, integrou-se no Núcleo – Centro de Publicações Cristãs, com quem viria a colaborar durante as quase três décadas seguintes. É impossível listar todas as atividades a que se dedicou, mas para memória ficam as sucessivas edições Prontuário Evangélico que paciente e meticulosamente organizou; participou na organização das campanhas que levaram literatura bíblica a muitos milhares de lares no nosso país; organizou e acompanhou durante vários anos os concertos, em inúmeras localidades, do grupo musical Light Stream, que provinha da sua igreja em Fresno, na transição para os anos 1980; por mais de 20 anos acompanhou ainda a tradução, a revisão e a preparação da edição de O Livro – A Bíblia para hoje, que finalmente viria a ser integralmente publicada em 2001. Chegada à “idade da reforma”, Loretta não se rendeu, decidindo dar continuidade a um sonho que lhe tinha surgido anos antes: o estabelecimento da presença evangélica em São Pedro do Sul, na região de Viseu, o que se viria a concretizar com a “Fonte”, onde, a partir de 1998, Loretta e outros passaram a ministrar aulas de música, estudos bíblicos e de língua inglesa, etc. Voltou ainda à sua casa em Caneças, em 2011, onde mais uma vez iniciou atividades para crianças e estudos bíblicos.

Quase até aos 90 anos, Loretta Sherwood continuou a espalhar o seu entusiasmo e a sua alegria por todos aqueles com que ela convivia. A todos inspirou e motivou! Voltou ontem para a Casa do Pai, mas fica o legado de uma vida dedicada ao serviço de Deus!

Aliança Evangélica Portuguesa na Aldeia das Religiões

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A Aliança Evangélica Portuguesa vai estar presente este ano na “Aldeia das Religiões”, de 20 a 22 de Junho, em Braga – Priscos, com um stand inter-activo e também com diversas apresentações de palco (Concertos, Dramas e Colóquios).

No nosso stand (a funcionar das 10.00h ás 22.00h) estaremos a oferecer literatura cristã, divulgar a disciplina de EMRE (Educação Moral e Religiosa Evangélica), apresentar Ministérios e Organizações diversos, testemunhar a nossa Fé, etc… Pretendemos que esse seja um espaço dinâmico e acolhedor para todas as idades, onde se pode tomar café, conversar, orar e até “brincar com histórias da Bíblia” no cantinho das crianças.

Destaque ainda para as apresentações que a Aliança Evangélica vai promover para as quais estão convidados!

Esta poderá ser uma boa oportunidade de partilharmos a nossa Fé em JESUS e de praticarmos saudável diálogo inter-religioso, uma vez que nesta “Aldeia das Religiões” vão existir 10 tendas de diferentes confissões religiosas.

A iniciativa é da Igreja Católica que, através do padre João Torres, nos fez chegar o convite para participarmos. Fica o convite para que as igrejas mais a Norte possam também visitar-nos nesta “Aldeia das Religiões” durante esses três dias. Serão muito bem vindos, entre as 10.00 e as 22.00h, com entrada livre! 

Noticia da Aldeia das Religiões no Jornal “Sete Margens” aqui.

Estratégias para Quem Tem Filhos com PHDA

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O nome comprido da Perturbação de Hiperatividade/Défice de Atenção (ou PHDA) caracteriza as suas principais facetas: a impulsividade e atividade motora excessiva (hiperatividade) e a dificuldade em suster atenção num único objetivo (défice de atenção).

Devido a alterações neurocognitivas, as crianças com PHDA apresentam mais dificuldades em seguir regras/instruções, persistir numa tarefa, controlar os seus impulsos, regular emoções, são mais desorganizadas, irrequietas e, muitas vezes, revelam relacionamentos sociais mais pobres.

Ora, de modo geral, as crianças podem exibir vários dos comportamentos acima descritos, no entanto, em crianças com PHDA estes comportamentos são excessivos quando comparados com a sua faixa etária e interferem significativamente com a qualidade do funcionamento social e escolar.

Dado as características comportamentais desta perturbação, é comum os pais terem algumas dúvidas sobre que estratégias parentais utilizar no dia a dia. Apesar de ser importante compreender as necessidades específicas de cada criança e família, efetivamente, a investigação aponta para algumas estratégias que ajudam a promover comportamentos desejados em todas as crianças, mas especialmente em crianças com PHDA. Por exemplo:

  • Manter o contacto visual quando dá uma ordem.
  • Dar ordens de forma clara, explicitando a ação desejada. Em vez de: “não atires a bola”, dizer: “segura na bola com as mãos”.
  • Reduzir o número de ordens. Parece paradoxal, mas a investigação mostra que crianças que recebem um número excessivo de ordens, desenvolvem mais problemas de comportamento. Pense em 5 a 10 regras indispensáveis à sua família e coloque a sua atenção na promoção desses comportamentos.
  • Ter rotinas bem estabelecidas.
  • Recorrer a lembretes visuais como tabelas ou imagens que explicitem o plano do dia. Por exemplo: vestir a roupa, tomar o pequeno-almoço, lavar os dentes, ir para a escola, etc.
  • Utilizar tabelas de recompensas, como forma de implementar um ou dois comportamentos que tenham de acontecer todos os dias (e.g., lavar os dentes, fazer a cama, etc.).
  • Elogiar sempre que observar comportamentos positivos. Crianças com comportamentos disruptivos estão sujeitas a um maior número de críticas do que elogios. O elogio ajuda a promover os comportamentos que queremos ver mais vezes, a construir autoestima e autoconfiança. Crianças que são elogiadas com frequência, também elogiam com mais frequência, o que, por sua vez, beneficia as suas relações pessoais.
  • Brincar. A brincadeira alimenta a relação entre pais e filhos, e desenvolve competências sociais, emocionais e cognitivas estruturantes no processo de desenvolvimento da criança.

Não se esqueça de respirar fundo e elogiar os seus esforços parentais. Mesmo com as melhores técnicas, todas as crianças irão testar limites – é normal e saudável; faz parte do seu processo de crescimento e autonomia! Pode ser importante falar com um profissional que o ajude a encontrar estratégias eficazes, com base nas necessidades individuais da sua família. Quanto mais precoce for a intervenção, maior impacto haverá no desenvolvimento da criança.

Margarida Sousa Palma

Psicóloga Clínica
Cédula Profissional nº 29054

A Criança – o futuro da sociedade; o presente e futuro da igreja.

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Chegam quase sempre com um sorriso imenso, gostam de dar abraços quentes cheios de afeto e de um modo extremamente sincero mostram os sentimentos. Gostam de brincar como ninguém, um brincar cheio de cooperação e interajuda, repleto de imaginação cheio de interações e de construção de novas relações. 

As crianças cheias de afetividade, de vontades, de desejos e de sonhos têm de ser celebradas todos os dias, e a nossa responsabilidade enquanto potenciadores do seu futuro e nunca obstáculos, tem de ser recordada. 

É nesta relação construída que a criança vai edificando o respeito pelo outro, desenvolvendo a sua capacidade de falar, de criticar, de escutar, de apoiar de entender praticamente o que os outros sentem. Através da relação e com base na Palavra de Deus, conseguimos dar-lhes um sentido e viver cada momento de uma forma completamente especial e única. 

As crianças vão crescer e vão sendo responsáveis por cada tarefa que executam, preocupados com o bem-estar dos outros, irão adquirir conhecimentos importantes ao longo da vida que lhes permitirão solucionar problemas e todas serão necessárias.  Esta é uma mensagem fundamental a ser transmitida: todas são importantes e todas têm um valor!  

Uma boa autoestima poderá também ser fortalecida pela noção de que a criança é amada por Deus e por outras pessoas que acreditam nela e nas suas competências. Existe uma segurança tão profunda que vem de saber que somos criados com valor e potencial por um Deus que nos conhece e está sempre perto de nós. Que maravilhoso será que as nossas crianças compartilhem desta fé, reconheçam o seu valor e o valor do outro, amando o outro.

Ao estarmos com a criança construímos um espaço de cooperação, de envolvência que promove o sentir, a realização de sonhos, que ajuda a criança a acreditar em si própria e a ultrapassar as suas dificuldades. Temos o dever de abraçar a criança, de a fazer sentir digna dos seus direitos, porque todos os dias a criança tem direito a ser feliz, a sentir-se importante para os outros, a continuar a sonhar, a imaginar e a brincar sem parar.  

A forma como motivamos as nossas crianças é determinante para o seu futuro.  

Todos os adultos envolvidos no processo educativo enquanto pais, família, professores, educadores, líderes de igreja, voluntários ou outros adultos significativos temos por objetivo apoiar a criança a ultrapassar os obstáculos, gerir as frustrações e as emoções num trabalho continuo de acompanhamento e motivação que desejamos que traga os seus frutos: crianças honestas, sensatas, resilientes, amorosas, motivadas e cheias de fé.  

Desejamos ser uma boa influência para que as nossas crianças não se tornem adultos arrogantes, egoístas ou até cruéis. Para promover o seu desenvolvimento adequado é importante refletir em algumas estratégias de motivação, na relação com as nossas crianças:

  • elogiarmos o esforço que a criança desencadeia em vez de nos centrarmos nas competências que tem ou que ainda não adquiriu ou nas capacidades cognitivas que exibe. A criança que é elogiada por trabalhar de uma forma determinada e motivada, tem maior probabilidade de conseguir abraçar novos desafios e de permanecer motivada ao longo de todo o processo. É importante que o elogio que se dá à criança seja motivador para uma constante aprendizagem e suplementação de desafios. 
  • outra estratégia é o encorajamento para que a criança possa experimentar coisas novas, mesmo que pareçam difíceis. A perseverança é composta por interesse, prático, propósito e a esperança. Na Associação Crescer com Amigos, por exemplo promovemos o desenvolvimento e, acreditamos que é no trabalho individual do voluntário com a criança que haverão possibilidades de crescer para um futuro com mais esperança. Neste trabalho de proximidade é importantíssimo que cada um de nós ao trabalhar com a criança seja caloroso e compreensivo, e torne todo o processo de aprendizagem de novas estratégias emocionais e comportamentais, bastante divertido. Quando a criança tem oportunidade de alcançar algo que faz com que se sinta bem, este sucesso trará mais confiança e será motivador para outros sucessos. 
  • uma estratégia também importante é a celebração após cada tarefa alcançada., no entanto, é nossa função não permitir que a criança dependa demasiado destas recompensas. Embora o sistema de recompensas possa ser profundamente útil em momentos específicos, usado incorretamente, pode minar por completo o interesse nas atividades que poderiam vir a ser gratificantes. Enquanto mães, professoras, educadoras devemos optar por encorajar as crianças a fazer aquilo que tem de ser feito, reconhecendo os seus sentimentos e oferecendo explicações alternativas ou escolhas. 

Como pessoas integrantes numa comunidade nem sempre defendemos a infância das nossas crianças e os seus verdadeiros interesses. Muitas vezes impomo-nos a cada uma delas, sem olhar a fundo as suas dificuldades ou fragilidades e sem pensar no impacto que criamos nas suas vidas. 

Há dias em que falamos um pouco mais alto, com falta de consciência ou de sensibilidade para entender o que se está a passar. 

Também levamos o nosso cansaço para dentro de casa e esquecemos que ficamos mais irritadas e com menos paciência. Deixamo-nos levar pelas emoções e preocupações que ultrapassam a calma e a capacidade de escuta. Por vezes não nos dispomos a compreender a atitude das crianças quando estão chateadas, quando se queixam, perdemos a capacidade de ouvir, escutar e abraçar quando tanto necessitam. Tantas vezes preenchemos excessivamente o tempo que devia ser de brincadeira, porque na verdade continuamos a considerar o tempo das crianças como nosso, dos adultos. Precisamos como adultas, saber agradecer mais e pedir mais vezes desculpa.  

Agradecer porque cada criança nos lembra que o brincar é mesmo importante, que todos os diálogos são partilhas das suas descobertas e que as ligações e conexões que realizam são fenomenais.  

As crianças, têm uma capacidade incrível e única de nos recordar que a educação se faz de relação.  Todos erramos, crescemos e ultrapassamos juntos as fragilidades e prosseguimos…  Saibamos nós não esquecer que um dia também já fomos crianças… 

As crianças são verdadeiramente o futuro, que cada uma de nós possa contribuir para um processo educativo que promova o crescimento de “boas pessoas” cheias de fé, crianças felizes equilibradas, motivadas e determinadas!  

Dizem que é preciso uma aldeia para criar uma criança. Com uma certeza inabalável nos nossos corações, que num mundo em constante mudança não podemos desistir de assumir a nossa responsabilidade como igreja, até que todas as crianças consigam ver e sentir que são amadas incondicionalmente.

Marisa Bossa

Psicóloga Clínica
Pós-graduação em Terapia de Casal e Terapia Familiar
Supervisão em Sociedade Portuguesa em Terapia Familiar (SPTF)

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