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Nota Biográfica

Samuel Douglas Faircloth

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Nota de Falecimento – Samuel Douglas Faircloth

Foi  esta segunda-feira, dia 23 de Novembro de 2020, promovido à Glória o nosso amado e querido irmão, Dr. Samuel Douglas Faircloth, um grande missionário que muito amou Portugal.

Nasceu a 22 de Junho de 1921, tinha agora 99 anos e 5 meses. Após ter servido, como capelão, no Exército dos EUA durante  a 2ª Guerra Mundial, em Itália, chegou a Portugal a 15 de Maio de 1949 como missionário da  Conservative Baptist Foreign Missionary Society, dedicando os seus primeiros anos no nosso país, ao ensino teológico no Seminário Teológico Baptista de Leiria, do qual foi também Director. No final dos anos 50, mudou-se para a zona de Lisboa, onde viria a dedicar-se, fundamentalmente, ao ministério de evangelização e plantação de Igrejas, tendo sido a Igreja Baptista da Parede em 1963, a primeira igreja por ele plantada. Fundou o Movimento Promotor de Evangelização e empenhou-se na tentativa de trazer a Portugal o evangelista Billy Graham, de quem era amigo pessoal. Desafiou vários movimentos internacionais a iniciarem ministério em Portugal como a Mocidade Para Cristo e os Homens Cristãos de Negócios, assim como a instalação do Instituto Bíblico Português, onde serviria como professor durante vários anos.

Dirigiu a campanha “Aqui Há Vida”, promovida pelo Movimento Estudantil e Profissional Para Cristo, colaborou com todas as denominações evangélicas, demonstrando grande visão do Reino.

Era conhecido pela sua grande estatura física, mas foi, acima de tudo, um homem de grande estatura espiritual, moral e ética. A igreja evangélica em Portugal está agradecida a Deus por ter trazido o Pastor Samuel D. Faircloth para servir no nosso país. Por certo que hoje o nosso querido pastor, mestre e mentor ouviu o seu Senhor dizer: “bem está, servo bom e fiel… entra no gozo do teu Senhor”.

Ruy Luís Pereira Roberto dos Santos

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No final do passado dia 2 de Novembro, o SENHOR chamou à Sua presença o nosso querido irmão Ruy Luís Pereira Roberto dos Santos.

Irmão muito dedicado ao trabalho da Aliança Evangélica Portuguesa, era estimado e admirado pelo exemplo de trabalho, pelo seu vigor e visão.

Foi um colaborador incansável durante muitos anos, tendo sido membro da Direcção da Aliança Evangélica e braço direito dos Presidentes Dr. José Dias Bravo e Pastor Moisés dos Santos Gomes. Era um servo dinâmico, que nas palavras do Cons. Dias Bravo “trabalhava e fazia trabalhar”. Ele era um elemento essencial na execução das deliberações das Direcções que integrou. Sempre esteve atento às necessidades da Aliança Evangélica, sempre preocupado em garantir que a orgânica interna funcionasse, que os estatutos fossem cumpridos, que os estatutos dessem resposta a novos desafios, procurando encontrar soluções para os problemas que surgiam no dia a dia.

Até há bem pouco tempo continuava a dar o seu contributo voluntário como o representante da Aliança Evangélica nas reuniões de condomínio, tarefa nem sempre fácil mas que desempenhava com grande dedicação valendo-se da sua larga experiência.

O irmão Ruy Santos foi um descobridor de talentos e um mentor de alguns irmãos que com o seu encorajamento se envolveram no serviço a Deus.

Quem o conheceu sabe que tinha um grande respeito por todos os que serviam a Deus, mesmo nas funções mais humildes e acarinhava esses irmãos, nomeadamente no contexto da Aliança Evangélica.

Foi um dos obreiros da unidade das igrejas dentro da Aliança, conciliando perspectivas diversas das igrejas filiadas, unindo-as em torno de projectos comuns. Pelo seu trabalho e visão muitas dificuldades foram aplanadas e foi possível tornar a Aliança Evangélica um espaço de coexistência e labor conjunto em prol de uma voz única representativa do povo evangélico português, perante as autoridades e a sociedade em geral.

“Bem aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor (…) para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham” Apoc. 14:13

 

Direção da Aliança Evangélica Portuguesa

 

 

IN MEMORIAM Moisés Gomes (1937-2020) Testemunho pessoal

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Corria o ano de 1968 quando nos encontrámos pela primeira vez. Moisés e Rosemary, acabados de chegar da América, e com a responsabilidade de relançar o trabalho da Mocidade para Cristo (MpC) em Portugal. Eu, membro da I Igreja Baptista de Setúbal, 20 anos de idade e líder dos jovens da igreja, à procura de um bom pregador disponível para ser o orador na nossa “Semana da Mocidade”. Como estava em Lisboa a frequentar Direito, visitava com frequência as igrejas da capital. Foi aí, em encontro fortuito, que pela primeira vez o ouvi, gostei e o convidei para ir a Setúbal. Aceitou e assim começou um relacionamento que se estreitou quando, passados alguns meses, me convidou para ser seu colaborador na liderança da MpC.

Estamos em 1968. Era o tempo da Primavera Marcelista. Marcello Caetano tinha sido nomeado Presidente do Conselho de Ministros, como então se chamava, em substituição de Salazar. Viviam-se tempos esperançosos que, a História diz, não terminaram bem.

Para dar a conhecer o projeto e os objetivos do ministério da MpC visitámos numerosas igrejas de várias denominações. Havia a consciência de um défice de liderança entre os jovens e que era necessário fortalecer o estudo bíblico e desenvolver a prática da oração. A abordagem metodológica do Moisés era que se formassem no seio das igrejas que nos abriam as portas, núcleos de jovens, que semanalmente ou duas vezes por mês, se reunissem sob a orientação da MpC para estudo bíblico, oração, louvor e confraternização. Não demorou muito que tivéssemos uma agenda cheia de contactos e reuniões e um bom grupo de colaboradores voluntários. O trabalho e as múltiplas atividades que dele decorriam levou o Moisés a alugar um espaço para ponto de encontro, escritório e outras atividades. Assim aconteceu, com duas salas num quinto andar na Rua da Prata. Alegria, boa disposição, fraternidade e amizades que ainda hoje perduram, construíram-se naquele quase mítico espaço na Baixa Lisboeta!

Moisés definiu, desde cedo e claramente, os princípios da nossa atividade: estudo bíblico e oração seriam o centro/eixo do nosso ministério e da atividade dos núcleos nas diferentes igrejas. Outras ações foram sendo adicionadas, como grandes encontros periódicos (rallies) e, com um impacto muito especial, os acampamentos em Vila Nova de Mil Fontes nas instalações do Caravela. Foi nesse tempo, que nas variadas viagens através do Alentejo, comecei a apreciar a sua beleza singular bem assim a da Costa Vicentina. Tempos inesquecíveis e saudosos que através da memória nos levam ao tempo da juventude.

Outro ponto fundamental no pensamento e na ação do Moisés era o seu amor pela igreja local, que devia ser fortalecida pela nossa presença e nunca prejudicada. Cada jovem era aconselhado a estar e participar nos domingos na sua igreja.

O jeito do Moisés se relacionar com os jovens que participavam nos nossos programas era pastoral e de aconselhamento, procurando ajudá-los nas suas dúvidas, interrogações e perplexidades. Foi para mim uma excelente escola, com um bom professor.

Por essa altura, tendo sentido a chamada para o serviço cristão integral, no pastorado, entrei no Seminário Baptista de Queluz onde cheguei a ter o Moisés como professor. A sua convicção da importância de uma boa educação teológica levou-o a dedicar vários anos da sua vida, como professor, ao Seminário Baptista e ao Instituto Bíblico Português.

O seu conhecimento da realidade denominacional, levou um grupo de líderes evangélicos a sugerir o seu nome para Presidente da Aliança Evangélica Portuguesa (AEP), sucedendo a José Dias Bravo. Em 1999 assume a presidência da AEP constituindo uma direção à qual eu e o irmão António Calaim, atual presidente, pertencemos. Mais uma vez tive oportunidade de acompanhar de perto o seu trabalho, nada fácil, numa época de alguma turbulência denominacional. Procurando ser traço de união, não abdicava do que considerava ser fundamental na cooperação entre igrejas e denominações, que integravam a AEP.

A prioridade que sempre deu às igrejas locais por onde passou e com as quais cooperou, concretizou-se  quando, ao deixar o comando da MpC, assumiu o pastorado da Igreja Baptista de Alcobaça (1990-2009). Deixou obra, assumida pelo atual Pastor Alberto Carneiro.

Uma palavra muito especial é dedicada aqui à sua esposa Rosemary, que o acompanhou a Portugal e onde se tornou portuguesa de coração, amando e sendo amada pelos muitos que a conheceram e com ela conviveram. Como testemunho pessoal posso referir a sua simpatia, hospitalidade bem assim a sua disponibilidade para escutar aqueles que precisavam de um ouvido atento e de uma palavra de estímulo.

Como amigo, companheiro de jornada e colega de ministério, é-me doloroso vê-lo partir. Começo a despedir-me de homens e mulheres que tiveram impacto na minha vida e cuja amizade e companheirismo muito prezei. É o curso natural das coisas e da vida!

Do Moisés Gomes só me resta dizer, parafraseando Paulo: Combateu o bom combate, acabou a carreira, guardou a Fé. Partiu para receber a coroa da glória e os bem-vindos do seu Senhor a quem serviu fielmente até ao fim.

A Deus toda a glória.

Abel Pego

MOISÉS GOMES (1937-2020)

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Moisés dos Santos Gomes nasceu a 1 de Julho de 1937, em Leiria, terceiro de oito filhos do casal Fabrício e Piedade Gomes, membros da Igreja Baptista de Leiria. Numa família de parcos recursos, Moisés conciliava os estudos com o auxílio ao pai na oficina de automóveis.

Aos 19 anos, desafiado por João Jorge de Oliveira , um dos pastores e missionários batistas pioneiros em Portugal, viaja para os Estados Unidos para estudar engenharia mecânica no LeTourneau College, no Texas, curso que não chega a concluir.

Tendo decidido dedicar-se inteiramente ao serviço cristão, Moisés estuda humanísticas (Southwest Baptist University, Missouri) e psicologia (Oklahoma Baptist University), para posteriormente obter o grau de mestre em divindades (Southwestern Baptist Theological Seminary, Texas), iniciando mais tarde o doutoramento em Teologia (Dallas Theological Seminary, Texas).

A 28 de Agosto de 1965 casa com Rosemary Lee Starkey, enfermeira que se tinha voluntariado para ser missionária em África.

Em 1967, desafiado por Samuel Faircloth, que fundara entretanto o Movimento Promotor de Evangelização, regressa a Portugal para dirigir o trabalho da Mocidade para Cristo (Youth for Christ). Com fortes ligações ao movimento de evangelização mundial iniciado por Billy Graham, nos Estados Unidos, a Mocidade para Cristo tinha sido estabelecida em Portugal em meados dos anos 1950, mas só com Moisés Gomes veio a adquirir estrutura e atividade regular. Entre muitas iniciativas que mobilizaram a juventude evangélica em Portugal, ao longo de 23 anos, Gomes organizou campos bíblicos, inicialmente em Água de Madeiros e durante duas décadas em Vila Nova de Milfontes, no Acampamento Caravela, espaço propriedade da TEAM (The Evangelical Alliance Mission), que ali também promovia os seus campos bíblicos. Sendo um ministério interdenominacional, o trabalho da Mocidade para Cristo reunia ao longo de todo ano jovens de diversos ramos do meio evangélico português, espalhados por todo o país.

Ao deixar o trabalho da Mocidade para Cristo, Moisés Gomes assume em 1990 o pastorado da Igreja Baptista de Alcobaça que acumulará durante alguns anos com o da Igreja Baptista da Nazaré. Em Alcobaça dedica-se à evangelização e ao trabalho social com crianças, criando em 1993 a Fundação Vida Nova. Permanece como pastor da igreja até 2009.

É eleito para o triénio 1999-2001 presidente da Aliança Evangélica Portuguesa , sucedendo a José Dias Bravo. Foi ainda professor do Seminário Teológico Baptista e do Instituto Bíblico Português, lecionando diversas disciplinas nas áreas de evangelização e aconselhamento. Foi ainda membro da direcção da Sociedade Bíblica de Portugal.

Moisés dos Santos Gomes faleceu a 18 de Abril de 2020, em Kalamazoo, nos Estados Unidos, onde residia desde a sua aposentação.

Sociedade Portuguesa da História do Protestantismo
www.sphp.pt

Uma Vida Dedicada à Palavra: João A. C. Pinheiro (1933-2018)

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João Aníbal Coelho Pinheiro descende de uma das mais antigas e ilustres famílias do protestantismo português e, durante toda a sua vida, soube honrar esse legado trabalhando incansavelmente na afirmação da Fé Evangélica. Por via materna, transportou os genes do avô que lhe deu o seu primeiro nome próprio (o segundo viria do pai): João Oliveira Coelho. Autodidata, porém homem de cultura e saberes imensos, Oliveira Coelho, natural da Figueira da Foz, viu os seus méritos e serviço cidadão reconhecidos pela fixação do seu nome na toponímia dessa cidade litoral. Foi ainda no séc. XIX que o adolescente de 14 anos encontrou em casa um exemplar do Novo Testamento: a novidade dessa leitura viria a transformar por completo a sua vida. Entre a Figueira da Foz e Lisboa, João Oliveira Coelho, assumiu-se um dos mais insignes líderes da nascente Igreja Congregacional em Portugal, a principal denominação evangélica à época. Da sua aljava sairiam filhos e filhas que mantiveram e expandiram o fervor evangelístico do figueirense ilustre: Lídia, a filha mais velha, que viria a casar com o suíço Robert Dubois, tornando-se ambos missionários no Egito e depois no Canadá; João Calvino, o primeiro missionário português da Ação Bíblica, que exerceu a sua ação no Algarve; Emília, que casaria com Custódio Santos, mais tarde sogro de Augusto Esperança, pastor presbiteriano, também recentemente falecido, por via da filha Felícia, fruto de um primeiro casamento de seu pai com a filha do bispo Fiandor da Igreja Lusitana; Eugénia que, juntamente com Aníbal Pinheiro, também ele um empenhado pregador e escritor evangélico, viriam a ser pais de João Aníbal.

Embora nem João Oliveira Coelho, seu avô, nem Aníbal Pinheiro, seu pai, tenham pertencido à Ação Bíblica em Portugal, a vida de João Pinheiro, nascido em Lisboa a 1 de junho de 1933, entrecruza-se inevitavelmente com o desenvolvimento deste movimento e destas igrejas, estabelecidas no nosso país a partir dos anos 1920, muito por iniciativa do avô Coelho, na Figueira da Foz. À Ação Bíblica, João Pinheiro viria a pertencer até ao fim dos seus dias. Ainda muito jovem, procurou com esforço e empenho a sua formação académica superior, que viria a concluir em 1959 com uma tese de licenciatura em Filologia Românica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, intitulada Expressão da Cor em Eugénio de Castro. Todavia, não descurou igualmente a sua formação teológica, obtida na Ecole Biblique de Genève, na Suíça, entre outubro de 1959 e julho de 1961. Nessa mesma escola estudara, entre 1958 e 1959, a sua noiva, Henriette Anice Diogo, portuguesa nascida em Marrocos, também ela futura professora. Consorciaram-se na Suíça a 10 de agosto de 1961 e naquele país permaneceram alguns anos, onde iniciaram a sua atividade como professores. Do casamento, nasceria ainda na Suíça a filha de ambos, Ana Cristina, também ela, mais tarde, professora. De regresso a Portugal em 1964, fixaram-se na cidade de Faro, no Algarve, desenvolvendo juntos profícua atividade como colaboradores regulares da Ação Bíblica durante muitos anos.

João Pinheiro foi um homem de multifacetada atividade. Desempenhou a sua carreira profissional com excelência, como professor do ensino liceal, mais tarde secundário, tendo iniciado a docência ainda em Lisboa, no Liceu Pedro Nunes. Foi, porém, em Faro que viria a ser reconhecido pelos seus pares como um pedagogo notável, sendo durante vários anos Orientador Pedagógico junto à Escola Superior de Educação local. Foi igualmente um cidadão empenhado em causas políticas e sociais, chegando a concorrer à Câmara Municipal de Faro, como número um nas listas do Partido Socialista, nas eleições de 1982. Não tendo sido eleito presidente manteve, todavia, ação relevante como vereador.

No campo evangélico teve também uma atividade transversal e abrangente. Para além do já referido empenho no trabalho da igreja Ação Bíblica, cedo se dedicou à escrita e produção de material com base bíblica, designadamente as publicações periódicas Mensagens de Amor de Deus, fundada em 1973, e Palavras de Edificação, Exortação e Consolação, um bimensário iniciado em 1977. Em meados da década de 70 do século passado, participou num dos que viriam a ser um dos maiores empreendimentos da sua vida: praticamente sozinho, realizou a tradução para português da versão bíblica que na nossa língua se intitulou O Livro: A Bíblia para Hoje, que surgiu em 1981 na coleção de livros de bolso das Publicações Europa-América, apenas o Novo Testamento, e em 2001, já com o texto completo da Bíblia, em edição da Sociedade Bíblica com a colaboração do Núcleo – Centro de Publicações Cristãs. Ainda este processo estava em curso, quando iniciou a sua participação num outro projeto de tradução bíblica: entre 1999 e 2009 integrou a comissão de tradução da Sociedade Bíblica, que nessa altura revia a tradução interconfessional em português corrente, no que veio a dar origem à Bíblia para Todos, em 2009. Para além de ter participado em quase todas as reuniões de trabalho desta comissão, o que o obrigava a deslocar-se amiúde de Faro a Lisboa, teve ainda como encargo a revisão linguística e estilística de todo o texto bíblico desta tradução.

Ainda na Sociedade Bíblica, desempenhou funções de vice-presidente da Direção entre 1995 e 2005. Quando em 2003 faleceu o então presidente da Direção desta organização, o juiz-conselheiro José Dias Bravo, João Aníbal Pinheiro assumiu interinamente as funções de presidente desse órgão por quase dois anos. Manteve-se no governo da Sociedade Bíblica até 2012, tendo participado na cerimónia de apresentação do novo texto da Bíblia O Livro, em novembro de 2017. Uma das causas a que mais se dedicou foi a da educação moral e religiosa evangélica nas escolas públicas. Membro fundador da Associação de Professores Cristãos Evangélicos, acompanhou todas as diligências junto das autoridades governamentais para que fosse conferido o direito de os alunos evangélicos poderem ter uma alternativa ao ensino religioso, então atribuído em exclusivo à Igreja Católica. Entre os primeiros contactos, em 1983, até à constituição da COMACEP (inicialmente formada com representantes da Aliança Evangélica Portuguesa e do Conselho Português de Igrejas Cristãs) em 1988, João Pinheiro acompanhou todos os passos que conduziram à formação das primeiras turmas de Educação Moral e Religiosa Evangélica no ano letivo 1989/1990. Pertenceu à Direção da COMACEP durante vários anos. João Pinheiro, foi também um empenhado promotor das Sagradas Escrituras através da sua presença nos Gedeões Internacionais em Portugal.

Desaparece a 23 de setembro de 2018 um homem que, para além de membro dedicado da sua igreja, foi cultor de um espírito de verdadeira cooperação interdenominacional, tendo alargado esse mesmo sentido para um contributo à polis, o qual será decerto reconhecido durante muitos anos por todos os cidadãos de Faro, terra que adotou como sua.

 

Timóteo Cavaco, com
Rúben Oliveira

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