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Mulheres

Nós somos seres singulares – Ana Isabel Marques

853 1280 Aliança Evangélica Portuguesa

“Ajusto-me ao que sou, não ao mundo.”
Anais Nin

Nós somos seres singulares.

Desde que há “humanidade”, desde os dias da criação do homem e da mulher, cada ser tem uma impressão digital única. Deus vê-nos assim: únicos em essência- homem e mulher.

Jeremias 1:5 “Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei

Tendo este conceito em mente, devemos lembrar que o amor do nosso Deus, por nós, é do mesmo modo singular, e sem excepção de género.

Com este pensamento em mente, existe um tema que me intriga pela sua relevância actual, embora ele seja transversal ao passar do tempo e mesmo à Lei Bíblica.

Até Jesus Cristo ter iniciado o seu ministério, as mulheres e as crianças não tinham relevância. Não eram contadas (vemos um exemplo disto quando há as duas multiplicações de pães e peixes, em que na referência Bíblica são apenas contados os homens, e acrescentam “além de mulheres e crianças”; Mateus 14:21; Mateus 15:38)

Ao abrigo da Lei Moisaica vemos muita descriminação em relação às mulheres e crianças e Jesus vem quebrar esta segregação. Obviamente passara a haver abusos causados pela “conveniente” interpretação da Lei de Deus. Vimos Jesus lidar com um deles em João 8:3-11, quando a mulher surpreendida em adultério, é sentenciada a apedrejamento, conforme era previsto na Lei (nesta passagem não é referido o homem, no entanto se ela é surpreendida, tem de haver um homem também). A Lei procurava ser justa mas a execução pecava por falta.

Nos dias de hoje e segundo a estatística da ONU, “as mulheres e crianças são submetidas a diversas formas de violência: física, sexual, psicológica e económica, tanto dentro como fora das suas casas.” A violência tornou-se um escape do pecado e um modo de exercer autoridade sem respeito.

Jesus quando confrontado com qualquer tipo de descriminação contra mulheres ou crianças, sempre usou a sua autoridade na defesa dos mesmos, sabendo a sua fragilidade de condição. Na verdade, procurou a amizade de mulheres (as irmãs, Maria e Marta), retirou o estigma da contaminação pelas mulheres com o período (a mulher que o tocou com o fluxo de sangue), falou com prostitutas (João 8:3) e gentias (João 4:5), e permitiu que mulheres fossem suas discípulas e seguidoras (Mateus 27:55-56,61) e a estas deu-lhes o privilégio de serem as primeiras a verem a ressurreição (Mateus 28:1-9).

Nunca foi o propósito de Deus permitir que alguém (homem/mulher/criança) sofram ou exerçam qualquer tipo de violência (Colossenses 3:9 “Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos”) mas infelizmente a realidade é outra.

Pela estatística da APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vitima), ao longo do ano de 2016, houve um aumento de 8,1% em violência, em relação a anos anteriores. Esta violência é exercida a crianças, adultos e idosos mas 86,3% é com mulheres, com idade superior a 47 anos.

Tenho consciência que este é um assunto melindroso e muitas vezes mal-entendido e não acontece apenas “no mundo”. Está dentro das Igrejas e são muitos os crentes que exercem algum tipo de violência. Este assunto é como uma epidemia silenciosa em que todos são complacentes. Nos EUA um estudo chamado: “I Believe You: Sexual Violence and the Church,”relata que 65% dos pastores nunca falaram deste assunto ou se falaram, fizeram-no apenas uma vez. Numa entrevista recente à CBN News, o Dr. Benjamin Keyes, representante da Regent University, no departamento de estudos continuados ao Trauma, referiu que, e passo a citar, “Unfortunately, in Christian marriages we have a much greater frequency of domestic violence than we do in non-Christian homes,”. (“Infelizmente, em casamentos cristãos nós verificamos uma maior frequência de violência doméstica do que nos casamentos não-cristãos”). Ainda acrescentou que as mulheres não falam do assunto por diversas razões, “It brings on that shadow of shame and a lot of guilt and ‘I’m not going to do anything to rock the boat so I’ll keep the secret in the context of the family,”(“Tráz a sombra da vergonha e muita culpa, por este motivo não vou fazer nada que possa desestabilizar a união e vou manter o assunto no contexto familiar”).

O Dr.Keyes ainda acrescentou que a mulher fica em “casa” por razões financeiras, pelos filhos e na maioria das vezes porque acreditam que não há “saída” para elas.

A violência nunca foi algo aprovado por Jesus sob qualquer circunstância e ao longo de 3 anos de ministério, fosse com crianças, mulheres, povos de outras nações, etc, ele sempre tinha amor para dar e muita compreensão. Usou muitas vezes os grupos minoritários para irritar “os perfeitos” e corrigiu muitas vezes os seus próprios discípulos quando caiam no mesmo erro.

Todos temos de ter coragem de falar e chamar à atenção, mesmo indo contra o Status Quo. Não é por não falarmos que o assunto deixa de acontecer. As estatísticas nos EUA falam por si e são assustadoras. Embora em Portugal não haja uma estatística séria no meio cristão evangélico, do que acontece nos chamados “lares cristãos”, a verdade é que a realidade deve ser semelhante, proporcionalmente. Estudos nos EUA mostram que 25%-35% dos casamentos têm algum tipo de violência, que 10% das mulheres casadas são violadas pelos seus maridos, ou têm algum tipo de relacionamento sexual não consensual, que em média, 40% da congregação de uma Igreja já foi “magoada” por algum tipo de violência horrível (retirado do artigo de, Patheos, Church Statistics and Abuse- 15 de Fevereiro de 2014- por Suzanne Calulu)

(Pode ler mais em http://www.patheos.com/blogs/nolongerquivering/2014/02/church-statistics-and-abuse)

Por mais difícil que seja falar deste assunto, a verdade é que quanto mais nos “ajudarmos” uns aos outros, (uma doutrina que a Bíblia refere fervorosamente: “uns aos outros”…) mais estaremos a trazer a Graça para dentro do “nosso” Cristianismo. Há um livro de ficção, que teve um grande impacto na minha vida, cujo o título é: “Em meus Passos que faria Jesus”, que nos ensina a pensar desse modo: -“eu sei que há violência na casa tal…o que é que Jesus faria no meu lugar!?” ou “eu estou a ser alvo de violência e não tenho coragem de falar sobre o assunto ou tenho medo das repercussões…o que é que Jesus faria se soubesse e estivesse aqui!?”.

O medo paralisa-nos. A Graça de Deus dá-nos coragem. Encontra o teu caminho. Procura apoio, orações, familiares ou amigos que te possam proteger.

Normalmente um “violentador” de qualquer espécie protege-se pelo medo que infringe na vítima, denegrindo a sua imagem, inferiorizando-a(o), descobrindo o seu ponto fraco e accionando-o (não tem emprego, não tem família, não tem com quem falar, não tem auto-estima, é menor de idade…) ou valendo-se da sua própria autoridade (um pai, um marido, um líder, uma alta patente, alguém bem conceituado na sociedade civil ou religiosa, etc).

O que a Bíblia diz:

Provérbios 31:8,9″Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados”.

I João 3:18 “Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em acção e em verdade.”

Provérbios 29:11 “O tolo dá vazão à sua ira, mas o sábio domina-se.”

Provérbios 26:23-25 “Como uma camada de esmalte sobre um vaso de barro, os lábios amistosos podem ocultar um coração mau. Quem odeia, disfarça as suas intenções com os lábios, mas no coração abriga a falsidade. Embora a sua conversa seja mansa, não acredite nele, pois o seu coração está cheio de maldade.”

Malaquias 2:16 “Eu odeio o divórcio”, diz o Senhor, o Deus de Israel, e “o homem que se cobre de violência como se cobre de roupas”, diz o Senhor dos Exércitos. Por isso tenham bom senso; não sejam infiéis.

A violência é contagiosa. A Bíblia diz em Provérbios 16:29 “O homem violento alicia o seu vizinho, e guia-o por um caminho que não é bom.”
Os infiéis tem um apetite de violência. A Bíblia diz em Provérbios 13:2 “Do fruto da boca o homem come o bem; mas o apetite dos prevaricadores alimenta-se da violência.”
Não imite a uma pessoa violenta. A Bíblia diz em Provérbios 3:31 “Não tenhas inveja do homem violento, nem escolhas nenhum de seus caminhos.”
Aqueles que são violentos sofrerão violência. A Bíblia diz em Mateus 26:52 “Então Jesus lhe disse: Mete a tua espada no seu lugar; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.”

Os cristãos são exortados a evitar toda forma de ira descontrolada, até mesmo a violência verbal. (Gálatas 3:19-21”Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções
e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti, que os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus.” e Efésios 4:31 “Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade.)

Como conclusão eu acredito que muitos de nós, a um determinado ponto da vida, já perguntámos a Deus: “Até quando Senhor clamarei a Ti por socorro e Tu me ouvirás!?” (Habacuque 1:2) “E apenas mais um pouco, e o iníquo não mais existirá. . . . Mas os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz.” (Salmo 37:10, 11) Para salvar os mansos e pacíficos, Deus fará com que os que amam a violência tenham o mesmo fim das pessoas da antiga Nínive. Depois disso, a violência nunca mais vai prejudicar a Terra! — (Salmo 72:7).

Amén!

 

Ana Isabel Marques
Igreja Baptista de Loures e Igreja Baptista de Arruda dos Vinhos

A Voz – Marta Pego e Pinto

860 1280 Aliança Evangélica Portuguesa

O princípio da narrativa divina – o Génesis – inclui várias histórias de famílias, com Adão e Eva à cabeça. No entanto, a mais longa e densa é a de Abraão e Sara, que aparecem no fim da genealogia do capítulo 11. Aí Sara merece apenas dois breves comentários descritivos, que não deixam de ser significativos: ela é “mulher de Abrão” e “estéril”. Dizer isto, no contexto da altura, era dizer que Sara não tinha valor algum. A sua participação na grande narrativa poderia bem terminar ali…

Bem, nós que conhecemos esta história sabemos que não foi isso que aconteceu. A promessa feita a Abraão – “Farei de ti uma grande nação… e em ti serão benditas todas as famílias da terra.” – será cumprida por meio de Sara, apesar de todas as adversidades pessoais e circunstanciais. Quando chegamos ao capítulo 21 de Génesis, regozijamo-nos com Sara pelo nascimento do seu filho Isaque. A infertilidade deu lugar à fertilidade, a invisibilidade à visibilidade, o choro ao riso. E Sara sabe quem fez tudo isso – “Deus me trouxe riso”!

Essa nova identidade, adquirida após muito sofrimento e fruto do reconhecimento que Deus estava presente na sua história particular, permitiu a Sara tomar posição quando a tensão voltou ao seio familiar. Numa situação muito delicada, ela seguiu a sua intuição e protegeu o seu filho, e a herança que lhe estava prometida, face a Ismael, filho de Abraão com Agar. E Deus reconhece e reafirma Sara nesse papel protetor. Ele diz ao desgostoso Abraão: “Em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz…”

A história continua e Deus não irá desamparar nem Agar, nem o seu menino. Aliás, ele escuta a sua voz de lamento e responde com uma promessa também. Contudo, o ponto que quero sublinhar prende-se com a descoberta de Sara da sua voz, que advém do reconhecimento da ação de Deus na sua vida e que lhe permite assumir plenamente a sua vocação, não apenas de mãe de Isaque, mas de mãe da promessa, promessa na qual somos também incluídos nós.

Ter uma “boa voz” faz toda a diferença. Há concursos na TV que exaltam as vozes poderosas e afinadas. Há vozes que mexem connosco mais intimamente do que outras. Também não ficamos indiferentes a alguém capaz de tomar a palavra e de a discorrer com clareza e profundidade. Mas as vozes que falam mais “alto” são aquelas que brotam de um coração sincero, que são fruto de experiências genuínas e que encontram o seu fundamento no propósito que Deus oferece a cada um(a).

A busca da nossa voz própria é difícil. Queremos soar como os outros. Proferimos palavras emprestadas. Silenciamo-nos a nós mesmas por esta ou aquela razão. Por vezes, são precisos muitos anos para descobrirmos a “nossa voz”. Mas devemos descobri-la para usá-la como instrumento de bênção e para glória de Deus!

Sara permanece como uma figura secundária na história do Génesis, tal como a maior parte das mulheres nas restantes Escrituras. E ainda bem, visto que o grande protagonista é Jeová. No entanto, a Palavra de Deus parece querer, à revelia quase do contexto patriarcal em que foi escrita, chamar a atenção para o papel das mulheres no desenrolar da narrativa bíblica.

Basta abrir o Velho Testamento para encontrarmos vários episódios em que a presença e a voz de mulheres fieis se fazem sentir e assim permitem que a história avance de acordo com a vontade de Deus.

Em Juízes 4 lemos que a profetiza Débora convoca Baraque, em nome de Deus, para ir para a batalha com a promessa de vitória. E Baraque diz a Débora: “Se fores comigo irei; mas se não fores comigo, não irei.” Ao que Débora responde: “Certamente irei contigo. Porém não será tua a honra desta expedição, pois nas mãos de uma mulher o Senhor entregará a Sísera.” E essa mulher foi Jael.

No livro de Rute, surgem-nos duas mulheres destemidas, prontas para avançar para lá das amarguras da vida. Rute, uma pobre mulher estrangeira, não baixa os braços perante a adversidade, não se torna passiva, mas segue a estratégia cuidadosamente pensada pela sogra Noemi. Na sua fragilidade e humildade, ela arrisca e acaba ouvindo estas palavras de Boaz: “Tudo o que pedires, eu te farei.” (Rute 3)

Também a história de Ana, registada nos primeiros capítulos de I Samuel, está repleta de ensinamentos. Ana é uma mulher profundamente humilhada, devido à sua esterilidade e ao facto de partilhar o marido com uma mulher que a despreza. A sua dor calara-a ao ponto de nem no seu lamento perante o Senhor se ouvir a sua voz (I Sam. 1:13). Mas é na presença de Deus em oração que Ana recupera a sua voz, que afirma quem ela realmente é e que se inicia a sua restauração. A partir daquele momento, Ana passa a ser o sujeito de toda a ação e o seu marido reconhece isso: “Faz o que bem te parecer em teus olhos…”

Por fim, menciono Hadassa, mais conhecida pelo seu nome persa, Ester. Ela é uma jovem judia que esconde deliberadamente a sua identidade para casar com um rei pagão. Mesmo depois de se tonar rainha, Ester continua a ser passiva, complacente, obedecendo em tudo a seu primo Mordecai. O seu sossego só é perturbado quando um édito do rei visando a destruição do povo judeu é emitido. Nesse momento, Ester é confrontada com a sua verdadeira identidade. Apesar de todos os seus medos e hesitações, a jovem rainha acaba por assumir a sua vocação – enfrentar o rei e dissuadi-lo do seu plano. Hadassa descobre a sua voz e todo o povo, incluindo Mordecai, passa a depender dela. “Assim Mordecai se foi, e fez conforme tudo o que Ester lhe tinha ordenado.” (Ester 4:17)

A Bíblia está cheia de histórias no feminino que nos devem fazer refletir, inclusive sobre o papel atribuído à mulher na igreja. Precisamos das vozes de todos, homens e mulheres, velhos e novos, semelhantes e diferentes, para discernirmos a voz de Deus. Em particular, como mulheres, devemos abraçar a forma maravilhosa como Deus criou cada uma de nós, devemos aceitar a nossa vocação, qualquer que ela seja e, acima de tudo, devemos assumir a nossa voz própria, sem receio, no poder do Espírito e para que o Reino de Deus avance a cada dia neste nosso mundo!

Marta Pego e Pinto
Missionária com Agape Portugal
Bibliografia: James, Carolyn Custis, “Lost Women of the Bible”, Zondervan

Palavras de paz e sobre a paz – Elsa Correia Pereira

1280 960 Aliança Evangélica Portuguesa

Shalom. Hoje escrevo sobre uma das minhas palavras favoritas – paz. Paz é o que nos permite desfrutar de todas as bênçãos e dádivas que temos.

Vivemos num mundo de guerras. Grandes guerras e guerrinhas. Por isso, a paz não pode vir de fora, das circunstâncias, mas tem de vir de dentro de nós, de algo, de Alguém maior. Deus quer abençoar-nos com paz – com a paz que excede todo o entendimento (Filipenses 4:7).

Há 3 tipos de paz que devemos procurar e que precisamos ter para viver: paz com Deus, paz com os outros e paz connosco próprios.

Paz com Deus é a principal e mais importante paz que podemos ter e está ao nosso alcance através de Jesus Cristo (Romanos 5:1).

Paz com os outros, por vezes pode parecer um assunto difícil… Mas a Bíblia diz que, no que depender de nós, devemos ter paz com todos (Romanos 12:18). Muitas pessoas não irão concordar connosco ou nós não iremos concordar com elas, porque todos temos histórias diferentes, circunstâncias de vida diferentes, personalidades diferentes. Conflitos poderão surgir e por isso precisamos praticar o perdão diariamente.

A paz connosco próprios decorre sobretudo da paz com Deus. Se aceitarmos o seu perdão e o Seu amor, somos capazes de perdoar os nossos erros e de compreender que temos muito valor pois Jesus deu a Sua vida por nós.

A Bíblia fala-nos de paz muitas vezes. Vale a pena ler e apropriar-nos das belas promessas de paz que Jesus ganhou para nós na cruz.

Em Levítico 26:6, a paz surge como um presente de Deus para aqueles que lhe obedecem: “Darei paz na terra, e dormireis seguros sem que ninguém vos perturbe”.

A paz era um elemento fundamental quando se abençoava alguém: “O Senhor sobre ti levante o Seu rosto e te dê a paz” (Números 6:26). Não uma paz qualquer, mas a paz que provém do Deus da paz e que nos inunda de tranquilidade. Moisés, quando abençoou a tribo de Aser, disse: “a tua paz durará como os teus dias” (Deuteronómio 33:25).

Somente Deus nos pode conceder paz para que nos deitemos e durmamos em segurança (Salmo 4:8). O Salmo 119:165 ensina-nos que quem ama a Lei de Deus, a Sua Palavra, tem muita paz.

Nos tempos do Velho Testamento, a paz era tão importante que em vez do “Bom dia” as pessoas diziam “Paz seja contigo”, e em vez do “Adeus, até à próxima” diziam “Vai em paz”. Talvez precisemos de voltar a valorizar a paz na nossa vida: escolher as nossas companhias, as nossas conversas, os projetos em que nos envolvemos, o tempo que despendemos a trabalhar, o tempo que passamos com Deus. Uma vida simples elimina os pontos de stress, deixa-nos mais tempo para estar em contacto com Deus e multiplica a nossa paz.

No tempo dos Juízes, quando a autoridade que estava à frente do povo de Israel obedecia a Deus, o país tinha paz por muitos anos. Salomão achou graça aos olhos de Deus e Ele concedeu-lhe paz em todas as Suas fronteiras (I Reis 5:4). Ele utilizou essa paz para servir a Deus construindo o Seu templo com todo o detalhe e dedicação. E nós? Para que estamos a usar os nossos tempos de paz? Outro rei a quem Deus concedeu paz foi Josafá, pois Ele buscava a Deus (II Crónicas 20:30). E há muitos outros exemplos semelhantes.

Deus é Deus de paz. Jesus é chamado o Príncipe da Paz (Isaías 9:6). Ele promete abençoar o Seu povo com paz (Salmo 29:11). Ele ensina-nos a procurar a paz e segui-la (Salmo 34:14.) Diz que os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz (Salmo 37:11).

Ver a paz é promessa para quem teme o Senhor (Salmo 128:6). É Ele, e não o nosso esforço, que nos coloca em paz em todos os lados (Salmo 147:14).

Provérbios 3:2 ensina-nos que os mandamentos de Deus prolongam a vida e dão prosperidade e paz, e Provérbios 3:17 associa a sabedoria a caminhos de delícias e a veredas de paz. Os que aconselham a paz têm alegria (Prov. 12:20) e o coração em paz traz saúde (Prov. 14:30). O escritor de Provérbios também adverte que é melhor ter pouco com paz, do que muito com conflitos (Prov. 17:1).

Quando confiamos em Deus, Ele nos conserva em paz (Isaías 26:3). O povo de Deus habitará em moradas de paz (Isaías 32:18).

A paz, está associada à justiça (Isaías 32:17).

Devemos anunciar a paz (Isaías 52:7) – o que temos feito com as palavras da nossa boca?

O castigo, que nos traz a paz estava sobre Jesus (Isaías 53:5). Aleluia! Ele ganhou para nós a paz, na cruz do Calvário!

A aliança de paz que Deus fez connosco não mudará (Isaías 54:13, Malaquias 2:5).

Jesus deixou-nos a Sua paz especial, que não se abala por qualquer coisa, mas que fica connosco de forma permanente e perene, de modo a que o nosso coração não se atemorize. (João 14:27).

Grande será a paz dos descendentes daqueles que temem a Deus (Isaías 54:13).

O povo de Deus será guiado em paz (Isaías 55:12).

O Senhor estende sobre nós a Sua paz (Isaías 66:12).

Devemos procurar a paz do Senhor no local para onde Deus nos transportou (Jeremias 29:7).

Deus tem pensamentos de paz e prosperidade a nosso respeito (Jeremias 29:11).

O Senhor nos manifestará abundância de paz e de verdade (Jeremias 33:6).

O povo de Deus viverá em paz e segurança (Jeremias 43:27).

Mesmo depois de problemas e revezes, o Senhor dará a paz (Ageu 2:9).

Por fim, um dos versículos mais preciosos para mim “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais Ele concede o Seu favor” (Lucas 2:14), foi o cântico dos anjos aquando do nascimento de Jesus. Uma promessa maravilhosa transmitida por Deus ao ser humano, na forma cantada!

Por causa de Jesus, Deus nos concede o Seu favor, e no Seu favor há abundância de paz! Desfrute desta paz que há em Jesus, todos os dias.

Quando se sentir desanimada relembre as promessas de paz e de bênção que temos na Palavra de Deus e fortaleça-se no Senhor; ganhe novo ânimo e seja inundada de paz!

Elsa Correia Pereira
Socióloga

Entrevista 1 – Helena

360 288 Aliança Evangélica Portuguesa

“A oração é tremenda e maravilhosamente um mistério!”

Helena Pais Martins é coordenadora do Desperta Débora, em Portugal, um ministério de mães e pais cristãos que, por todo o país, assumem um compromisso de oração pelos seus filhos e não só. Vamos saber mais.

 

AEP: Quem é a Helena?

Helena: Sou ‘alfacinha’ – lembro-me da grande confusão que senti quando ouvi esta expressão pela 1ª vez, com os meus 7 anos… porque é que eu era alfacinha = alface pequena??? – vinda de Angola, onde tal nunca me tinha sido dito…

Fui para o Negage, pequena vila no norte de Angola, aos 2 anos de idade. Por motivos de saúde voltei a Portugal com 7 anos. Junto da minha avó materna, muito zelosa na sua fé, tive pela primeira vez a noção de Deus, maior consciência do meu pecado. Só que o perdão vinha através de penitências aos pés dos santos… mas recordo o alívio após cada confissão e a alegria na comunhão… De volta a Angola, desta vez a Luanda, por mão de uma amiga dos meus pais, entrei pela primeira vez numa Igreja Evangélica. A primeira impressão foi muito forte e nunca esquecida: As pessoas falavam diretamente com Deus e tratavam-nO por tu! Com reverência, com respeito, via-se que tinham com Ele um grande à vontade! Surpresa das surpresas! Então era possível falar diretamente com Deus?!? Ele não era o tal Deus inacessível, precisando eu da mediação dos santos? Esta descoberta fantástica prendeu-me a este Deus de amor, que fica à distância de uma oração, como tantas vezes dizemos. Ouvi o bater de Deus na minha vida e deixei-O entrar. Tinha 13 anos. Batizei-me com 15. Cresci.  Física e espiritualmente.  Deus prendeu-me a Ele e à Sua Palavra. Usou o meu professor de Escola Dominical, mestre na Palavra e no ensino; e o meu pai pelo seu zelo na leitura diária da Bíblia. Como todos os jovens também tive os meus desafios, as minhas lutas. Por Sua graça infinita, permaneci fiel e firme na caminhada com o Senhor.

(só uma nota: a minha avó, por testemunho da minha mãe, também veio a conhecer Cristo como seu Salvador!)

O Senhor deu-me oportunidades extraordinárias: na Igreja aprendi a partilhar a Palavra, a estar em público, participando nas festas de Natal, Páscoa, etc. Tive a oportunidade de ir para uma Escola Bíblica na Alemanha, vocacionada para a preparação e formação dos leigos, dentro da mesma Escola estive na Inglaterra. De regresso a Portugal para frequentar a Universidade em Coimbra, o Senhor em Sua Graça sempre me envolveu em ministérios onde o estudo da Palavra eram essenciais para com eles O servir: a Aliança Pró-Evangelização de Crianças (APEC), Grupo Bíblico Universitário (GBU) já no Porto, pois já estava a lecionar perto… E sempre me permitiu servir na Igreja local, com crianças, com jovens, com adultos e no ministério com mulheres (antigamente dizia-se ‘senhoras’ e eu já sou antiga…).  Neste meio tempo casei. Com um homem, que como tudo o resto na minha caminhada, foi dádiva preciosa do Senhor, que me amou e acompanhou durante quase 35 anos. Tanto na Igreja local, como no GBU e no Desperta Débora todos o conheceram pela sua entrega e disponibilidade para servir comigo. Agora está com o Pai. Tivemos dois filhos, o Pedro e a Ester, também eles preciosas dádivas do Senhor. As razões de eu me ter tornado Débora…  Hoje, já aposentada, continuo envolvida no ministério Desperta Débora, até que o Senhor o permita.

AEP – Como se iniciou a prática da oração na sua vida?

Helena – A oração sempre foi algo muito especial para mim. Recebi ensino quanto à importância da oração na nossa vida cristã, tinha o hábito de orar de manhã antes de ir para o liceu, antes de entrar na sala de aula quando ia fazer testes. No entanto, creio que o meu amadurecimento nessa área, o desejo de intimidade com o Senhor e o apreciar essa intimidade só se deu mais tarde, durante a Escola Bíblica.

 AEP – Qual o papel da oração na vida cristã?

Helena – A oração é essencial na nossa caminhada espiritual. Muitas vezes vemos a oração de uma forma redutora – oramos para pedir a Deus o que necessitamos… Só que a oração é antes de mais uma conversa, um encontro de dois corações. É desfrutar da companhia do Senhor, da comunhão impar com o Salvador. É perceber que tenho acesso ilimitado ao Senhor do Universo, ao Deus Todo Poderoso, que, no entanto, me vê e se preocupa comigo, uma minúscula partícula de pó. Que esta partícula de pó tem um estatuto todo particular: filha amada! E sim, posso pedir, falar-Lhe do que me vai na alma e interceder! E Ele, que não precisava de nós para abençoar o mundo, escolheu fazê-lo em resposta às nossas orações! Papel vital.

AEP – Hoje dirige o Desperta Débora. O que é?

Helena – O Desperta Débora é um ministério de oração que congrega mães e pais e os desafia a interceder pelos seus filhos, de uma forma comprometida, diariamente, quinze minutos por dia.

AEP – A oração de uma mãe é diferente de outra oração? Em que medida?

Helena – A oração de uma mãe só se torna diferente quando ela entende que orar pelos filhos não é ir à presença de Deus orar a seu favor. É colocar-se nas mãos de Deus para ser uma intercessora, com o discernimento de que está a entrar numa batalha diariamente, é orar sem cessar, é ocupar a brecha na vida dos filhos, é revestir-se de toda a armadura, é entregá-los nas mãos de Deus e retirar-se de cena.

AEP – Costuma dizer que a oração é um mistério. Porquê?

Helena – É tremenda e maravilhosamente um mistério! Não podemos esquecer como temos acesso ao trono da Graça: foi a obra de Jesus na cruz e a Sua ressurreição! Ele reconciliou-nos com o Pai. Por Ele fomos feitos filhos de Deus e podemos então conversar com o Pai. Ele fez tudo para abrir este caminho! E então coloca-se a pergunta: Para agir nas vidas e no mundo Deus quer que intercedamos? Porque nos usa? A nós? Quem somos nós? Porque não os anjos? Que método, que estratégia! Então Ele conquista o nosso coração, derrama em nós o Seu amor e vemo-nos a clamar, não o que queremos, mas desejamos ajustar-nos mais e mais ao Seu querer, ao Seu propósito! E isto não é um extraordinário mistério? Porque é que Deus escolheu esta forma de mostrar o Seu poder e cuidado pelo mundo que tanto amou? Através da minha oração?!

AEP – Quantas Déboras existem em Portugal?

Helena – Hoje somos novecentas e sessenta e três Déboras, vindas de  mais de 170 Igrejas. Não temos o mesmo nível de contacto com todas. Por várias razões a comunicação entre Coordenadora de Igreja e o Desperta Débora, em alguns casos, foi-se diluindo, ou não chegou a existir. E embora se tenha tentado reatar, perceber, nem sempre fomos bem-sucedidos. Quando a liderança se envolve e apoia a Coordenadora e o Grupo de Déboras na Igreja, então tudo é muito diferente!

AEP – Como mulher cristã, que significado tem tido para si dirigir o Desperta Débora em   Portugal?

Helena – Dirigir o Desperta Débora tem sido desde o início um grande desafio! Recordo bem a minha resistência quando recebi o convite para coordenar o Desperta Débora em Portugal! Aceitei na convicção de que era (e é ainda) a vontade de Deus. Como mulher cristã sinto-me privilegiada por meu Senhor me ter escolhido para esta tremenda tarefa e muito, muito abençoada.

AEP – Como mãe e prof. quais lhe parecem ser os grandes motivos de oração pela nossa Juventude em Portugal?

Helena – Em primeiro lugar todos os jovens precisam de ver Jesus como o Filho de Deus, que os ama profundamente, e tem poder para responder a todas as suas dúvidas e anseios neste séc. 21. A Sua Palavra continua a ser o manual onde podem recolher ensino e orientação para a vida, para serem pessoas íntegras, por inteiro.

Porque creio que, em segundo lugar, eles precisam de um sólido fundamento para as suas decisões, escolhas. Os jovens sentem-se à deriva, buscam soluções onde não existem, procuram conselhos em quem não os sabe dar e em quem não se interessa de facto por eles.

Em terceiro lugar precisam de amor, de entender o que é o amor e a melhor demonstração está na Pessoa de Jesus.

Descubram eles quem Jesus é e tudo o resto entrará em ordem. Precisam de jovens cristãos verdadeiramente imitadores de Cristo. Os jovens cristãos precisam de ser sustentados na sua fé e no seu testemunho.

AEP – Quem desejar ter mais informação sobre este movimento de oração onde poderá encontrá-la?

Helena – No Facebook, ou contacto direto através do email:

coordenadora@despertadebora.com

do telefone 261 094 462 ou do tm 912 653 447

AEP – Planos para o futuro do Desperta Débora?

Helena – Crescer em número – atingir as 1.000 Déboras muito em breve e ultrapassar as 1.100 em 2018

Reforçar o apoio às Coordenadoras de Igreja

Visitar mais Igrejas e estabelecer Grupos de Déboras – 4 em 2018

Desenvolver ações concretas: cercar as escolas em oração – 1x por mês a nível nacional, realizar a Parada Nacional no Dia Mundial da Criança

AEP – Um versículo especial para si

Helena – Terei que referir dois. O Senhor os colocou na minha vida ao terminar a Escola Bíblica e têm sido o fundamento / desafio para a minha vida:

“(…) A quem muito for dado, muito se exigirá, e a quem muito for confiado, mais ainda se pedirá.” Lucas 12:48b

Este versículo atingiu-me em cheio e fiquei mesmo muito temerosa. Eu sabia bem que tinha recebido muito. O que me ia acontecer daí por diante? Fiquei aos Seus pés incapaz de agir. O Senhor em Sua Graça e suficiência deu-me o outro. Sempre ligados na minha mente e coração.

“Posso enfrentar todas as dificuldades naquele que me fortalece.” Filipenses 4:13

Com esta Palavra animei-me e confiei. E hoje continuam a ser o meu esteio. Glória ao Senhor!

 

Olhos no Horizonte

1280 853 Aliança Evangélica Portuguesa

O Farol de Díli representa um lugar muito querido da minha infância. Em noites de calor, passeávamos por ali depois do jantar, saboreando a brisa suave. Aquela luz forte projectava-se ritmicamente sobre o ondular das águas, que vinham tocar suavemente a praia.

Era habitual cruzarmo-nos com amigos que ali tinham vindo ao mesmo. Desfrutávamos momentos de um caminhar ameno, ao ritmo de conversas acerca de um dia-a-dia simples, agradavelmente simples, com o som tranquilo do mar, ao fundo. Não havia televisão nem centros comerciais. De computadores não se ouvira falar. Iniciava-se a década de 70.

Como criança, recordo-me de ter escutado, certa vez, uma notícia que me impressionou e se prendia com o meu imponente farol. Contavam os adultos que, por vezes, havia pessoas que vinham passar a noite ali mesmo. Nos meus 9 ou 10 anos, que não me recordava de alguma vez ter passado a noite noutro lugar que não fosse a minha cama, ouvi e fiquei impressionada. Eram militares portugueses que, prestes a concluir a sua comissão de serviço de dois anos naquele lugar, decidiam eleger como seu lugar favorito a zona do Farol, numa noite especial: a véspera da chegada do navio enorme que, sulcando diferentes oceanos, os traria de volta a Portugal, numa viagem de dois meses. De binóculos em punho, viviam ali, pela noite fora, a emoção de ser os primeiros a avistar o almejado navio. Olhos postos no horizonte, esperavam ansiosamente que a primeira claridade da madrugada lhes permitisse divisar lá ao longe um ponto minúsculo, depois a proa, a seguir alguns dos mastros, depois… Era o sonho a aproximar-se, a ganhar contornos cada vez mais claros e definidos, a tornar-se real.

Pela manhã, muita gente acorreria ao porto de Díli, a observar o navio acabado de atracar. Aí viriam muitos outros militares que, tendo dormido no quartel, queriam agora saborear a chegada do navio, ainda que não fosse o “seu”.

Muitos anos antes, na cidade de Jerusalém, um homem olhava fixamente o horizonte da vida. Havia-lhe sido assegurado que os seus olhos veriam acontecer algo magnífico. Era uma promessa de anos, aguardada dia-a-dia. Observava o fluir do tempo, atentamente, numa expectativa que não se desvanecia. Iria acontecer!

Tal como outros aguardavam o navio a surgir ao longe, ele mantinha o olhar esperançado no futuro. Contrariamente a esses, ele desconhecia o dia designado para vir a vislumbrar o sonho materializado. Por isso esperava, na convicção de que qualquer dia poderia ser “o dia”!

Numa certa manhã, sentiu-se impelido a ir ao Templo. Ali, num momento emocionado, encontrou um casal que trazia consigo um bebé. Ao tomar aquela criança nos seus braços, Simeão sentiu-se invadido por uma gratidão imensa. Finalmente acontecera aquilo que lhe fora revelado (S. Lucas 2:26) e louvou a Deus: “Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra, pois já os meus olhos viram a tua salvação.” (S. Lucas 2:29,30)

Se hoje o horizonte parecer um vácuo desanimador, deverei lembrar-me de que isso é tudo o que o meu limitado olhar consegue alcançar. É apenas isso. Não significa que Deus não terá mais nada para mim, como tantas vezes somos tentadas a pensar. O facto de não vermos não significa que não exista. Ana não via um filho chamado Samuel, a viúva Rute não via um segundo marido, os discípulos não viam uma refeição imensa para a grande multidão, Pedro não via a moeda com que iria pagar o seu imposto, Geazi não via o exército que o defendia, e a lista poderia continuar… Deus colocou essas bênçãos diante do olhar deles no momento certo.

Eu não vejo devido à minha condição humana, que só me permite ver a vida momento a momento. Contudo, eu creio, porque sei que não vejo tudo. O horizonte de Deus para a minha vida é bem maior que o meu. E aquilo que eu vier a ver, só será novidade para mim, não para Deus, pois será algo que há muito estava desenhado no Seu amplo horizonte para a minha vida. Por isso, devo deixar desabrochar um sorriso nos meus lábios e uma canção no íntimo, desfrutar os relacionamentos, saborear oportunidades, acolher desafios novos. Deixar que os meus temores sejam substituídos pelo Seu amor. E, no tempo certo, será visível no meu horizonte aquilo que já era tão claro e definido no d’Ele: novos planos e conquistas para a minha vida.

Com esta certeza em Deus, desfrutemos de um Feliz Ano Novo!

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária
Membro da Direcção da Aliança Evangélica Portuguesa

A Família e o Natal

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

Amigas

Está a chegar o Natal… As famílias reúnem-se nesta data festiva, em que se celebra o nascimento de Jesus. E dou comigo a pensar: quanto amor existe em nós?

Quantidade de amor

Imagine que havia uma forma de medir o amor. Seria interessante, não é? Como quem mede a tensão arterial, acionávamos o mecanismo, ligando-o ao nosso coração e no écran do aparelho iria surgir um número… Sim, essa seria a quantidade de amor que existiria no nosso reservatório.

Pois bem, embora não haja como avaliar assim, Deus conhece esse valor. Eis três exemplos disso:

Nenhum amor – Disse Jesus: “Mas bem vos conheço, que não tendes em vós o amor de Deus.” (João 5:42)

Pouco amor – “O que posso fazer consigo, Efraim? O que posso fazer consigo, Judá? O seu amor é como a neblina da manhã, como o primeiro orvalho que logo evapora.” (Oséias 6:4 NVI)

Muito amor – Disse Jesus: “Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou;” (Lucas 7:47)

Deixemos que o Amor de Deus nos inunde deste Natal. Mas, Bertina, existem pessoas tão difíceis… É verdade, eu sei. Nesse caso, vamos relacionar-nos com elas, não de acordo com quem elas são, mas de acordo com quem Deus é em nós. E isso fará toda a diferença.

Gratidão pela família

Recordo-me de um dia em que descia a rua quando vi, lá ao fundo, uma ambulância parada, de cor branca, reluzente. À medida que caminhava, percebi que uma senhora se sentira mal e estavam a colocá-la, cuidadosamente, dentro do veículo, certamente para lhe prestar os cuidados imediatos e a transportar ao hospital mais próximo.

Ainda à distância, continuei a observar a ambulância, que parecia novinha em folha, e todo o apoio ali proporcionado, de um modo tão atento e profissional. De imediato, dei por mim invadida por uma gratidão imensa, que me emocionou. Com as lágrimas nos olhos, disse a Deus: “Senhor, obrigada pelo INEM…” Quem me visse assim emocionada iria pensar que a pessoa doente seria minha familiar. Quem me ouvisse, iria possivelmente estranhar a oração. Agradecer a Deus pelo Instituto Nacional de Emergência Médica e por todo o serviço que presta?

Sim, imagino que estas não serão ações de graças comuns na nossa oração diária. A verdade é que, há dias atrás, eu tinha chegado de um país africano onde pessoas morriam pelo facto de, estando gravemente doentes, não haver quem as transportasse atempadamente ao Hospital. Ou por falharem os recursos nesse mesmo Hospital. E, por isso, estava a experimentar em mim uma onda de gratidão que tinha tanto de real como, talvez, de incomum.

Mereceria o INEM uma gratidão tão intensa e comovida? Com certeza que sim! Porque é que, então, eu a sentia com esta intensidade pela primeira vez? Talvez porque nunca vivenciara a sua falta. Ou porque integrara na minha rotina como algo presente, garantido, quase como um direito.

Tudo aquilo que faz parte da nossa vida como uma garantia e um direito, dificilmente merecerá a nossa gratidão. Está ali, tão certo e tão seguro, que nem nos ocorre agradecer. É mesmo assim. Claro que está presente, sempre e para sempre… Só faltando é que lhe reconheceremos o verdadeiro valor. Nesse aglomerado de benefícios assegurados, pode acontecer estar também a família. Nas nossas orações, temos agradecido a família que Deus nos deu? Ou já a demos por garantida e, por isso, é um tema que escapa à nossa gratidão?

Saboreemos o Natal

Sim, é verdade que, às vezes, lá em casa discordamos. Nem sempre tudo são sorrisos e satisfação. Há momentos de tristeza e de desapontamento que podem, aqui e ali, causar algum distanciamento. É verdade que também existem situações de desrespeito e violência, que não merecem qualquer agradecimento. Contudo, hoje vamos parar para pensar na nossa família com apreço por tudo aquilo que, de bom, nos tem oferecido. Pela forma como nos amamos, mesmo na nossa imperfeição. Tal como na história da ambulância, o facto de ter conhecido, na minha prática clínica, tantas pessoas desprovidas de qualquer suporte familiar, tanto no meio prisional como em diversas instituições de apoio, tem renovado em mim este empenho em agradecer. Vamos saborear o Natal com este sentido de gratidão pela família e vamos oferecer amor, pois Ele é Amor em nós!

Voltamos a encontrar-nos, aqui, no próximo dia 30 de Dezembro.

Um Feliz Natal!

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária
Membro da Direcção da Aliança Evangélica Portuguesa

Bem-vinda a este espaço!

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

Fico feliz por ter vindo até aqui, o que provavelmente lhe acontece pela primeira vez, pois é um lugar novo, dedicado a nós, mulheres.

Como em qualquer casa nova, ainda estamos a equipá-lo, mas fazemo-lo com muito entusiasmo, pois existe tanto e de tanta qualidade para trazer para aqui! Sentimo-nos como quem põe a mesa, com muitas e variadas iguarias. Porquê? Porque dependemos de um Deus fiel e rico. “Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente.” (Salmo 16:11)

Neste primeiro dia de Dezembro, com o Inverno já a espreitar, recordo uma história que li há pouco tempo, sobre uma mulher que se sentia muito frustrada com a sua sócia. Haviam-se envolvido num projecto empresarial, que acabara por correr mal. Esta mulher estava angustiada pela forma desonesta e injusta como a sua sócia agira, deixando-a numa situação desesperada. A tristeza e a ansiedade eram demasiado grandes para levar sozinha. Decidiu, então, procurar ajuda.

Marcou uma sessão de counselling e aí derramou tudo aquilo que a estava a perturbar tão profundamente. Procurou ser clara e detalhada. Depois de a ouvir atentamente, a counsellor fez-lhe uma pergunta: “Quando é que esse mal-estar irá acabar?”

A mulher ficou surpreendida. “Acabar?” A pergunta parecia-lhe desconcertante.  “Sim”, insistiu a counsellor.”Quando é que isso vai terminar? Gostaria que me desse uma data.”

”Uma data? Quando?” Ela não conseguia entender.

A counsellor explicou-lhe: “Pode dizer-me daqui a duas semanas, um mês, seis meses, um ano, o que quiser. Sinta-se livre para escolher a data. Só lhe peço que me dê uma data.”

A mulher nunca encarara a situação nesses termos. Sim, achava que um dia, algures no tempo, a irritação e a mágoa iriam desvanecer-se lentamente, como fumo que se dissipa no ar. Mas seria talvez “quando Deus quiser…” ou “no tempo de Deus…” Definir uma data? Era um desafio totalmente novo para si.

 

Pensando bem, sendo ela a escolher o dia, queria voltar a sentir-se bem o mais rapidamente possível… E deu uma resposta ousada: “Amanhã”.

“Está bem…”, respondeu a counsellor. “Então amanhã acaba essa angústia.”

Para a mulher, aquela foi uma noite difícil. Pensar em desligar-se assim de pensamentos que habitavam a sua mente em agitação há tanto tempo, era duro. Quase pareciam ter fixado residência no seu íntimo, cristalizando-se numa maneira de ser sombria. A verdade é que, no dia seguinte, iniciou com determinação uma nova etapa na sua vida, com um espaço limpo e arejado em si mesma para acolher novos planos e uma esperança recuperada.

Muitas de nós estamos esperando em Deus. E está certo. Dizia o Salmista:  “Esperei com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor. Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos. 3 E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no Senhor.” (Salmo 40:1-3)

Continuemos a esperar em Deus, com confiança e fé. Contudo, em todas as situações  que vivemos, será que estamos esperando no Senhor? Ou será que é Ele que está à nossa espera? Há decisões, mudanças de atitude que é Deus que espera de nós? Quando é que nos decidiremos?

Eis duas passagens bíblicas em que foi Deus que esteve à espera de alguém:

“Oh! se o meu povo me tivesse ouvido! se Israel andasse nos meus caminhos! Em breve abateria os seus inimigos, e viraria a minha mão contra os seus adversários. Os que odeiam ao Senhor ter-se-lhe-iam sujeitado, e o seu tempo seria eterno. E o sustentaria com o trigo mais fino, e o fartaria com o mel saído da rocha. (Salmo 81:13-16)

“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste?” (Lucas 13:34)

Um Deus que fala aos seus filhos, desejando que O ouçam, e que anseia juntá-los com carinho… Deus à espera… Um bom tema para reflexão!

No próximo dia 15 de Dezembro, voltaremos aqui, para outro momento de encontro consigo. Vamos falar sobre A Família e o Natal.

Até lá, desejo que desfrute um tempo abençoado, esperando em Deus e avançando naquilo que Ele espera de si.

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária
Membro da Direcção da Aliança Evangélica Portuguesa

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