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Mulheres

As Duas Rosas

960 635 Aliança Evangélica Portuguesa

Era Dia da Mãe. Eu tinha 17 anos e na igreja recebera uma rosa para oferecer à minha mãe, naquela manhã de Maio, cheia de sol.

Ao entregar-lhe, comovi-me. Era natural, pela relação tão próxima e carinhosa que tinha com ela. Era um prazer entregar-lhe a rosa, como símbolo de tanta coisa que desde bebé nos unia uma à outra.

Contudo, estava sensibilizada também por outro motivo, e disse-o: “Mãe, hoje gostava de ter duas rosas para oferecer: uma a ti e outra à minha mãe chinesa.”

Mãe chinesa… Era assim que eu designava a minha mãe biológica, que me dera à luz, em Macau. Na altura, ela tinha 21 anos e, sentindo-se desprovida de condições para ficar comigo, acabara por decidir encaminhar-me para a adopção. E assim, com dez meses, fui entregue a este casal português que residia em Macau, agora meus pais, que já tinham uma filha biológica e oravam por uma bebé para adoptar.

A minha mãe comoveu-se também, concordou que seria lindo eu poder fazê-lo e combinou comigo que esse seria um plano para concretizar um dia. Na verdade, na altura da adopção os meus pais haviam pedido alguns elementos mais sobre a identidade da minha mãe biológica (fotocópia de dois documentos dela), que lhes foram concedidos, para que um dia eu tivesse alguns recursos mais para procurar a minha Orquídea de Ouro (significado do nome chinês da minha mãe).

Entretanto, os anos passaram. Concluí o meu curso, casei e fui mãe há 2 anos atrás. O meu marido, que também é adoptado, decidiu procurar a sua mãe biológica. Envolvemo-nos os dois nesse processo e fomos bem sucedidos! Sim, ele encontrou a sua mãe! E voltei a pensar em encetar o mesmo processo.

Comecei por contactar uma ex-colega da minha mãe adoptiva, que vive em Macau. Ela foi a uma casa onde supostamente a minha mãe biológica viveria, segundo o endereço que tínhamos. Afinal, já não residia lá. Os vizinhos contaram que há 10 anos ela saíra dali mas asseguraram que ela continuava a viver em Macau, embora fosse da China continental, pois viam-na ocasionalmente.

Então, foi altura de escrever para o Departamento de Adopções em Macau. Responderam-me prontamente e foram procurar a minha mãe, levando fotografias minhas, ainda bebé e outras mais recentes que eu lhes enviara. E conseguiram localizá-la! Ela vive com a mãe, minha avó materna, e ambas ficaram muito felizes por ter notícias minhas. Enviaram-me fotografias delas, que recebi com alegria, e tenho observado com curiosidade e carinho.

Muitas vezes me perguntam o que sinto acerca da minha mãe biológica. A última vez que tal aconteceu foi no programa televisivo de Manuel Luís Goucha, onde participámos, o meu marido e eu, no passado dia 30 de Junho. Na verdade, não existe ressentimento nem revolta em mim. Acredito que entregar um filho para adopção pode ser um acto de amor, de grande altruísmo e generosidade. Reconhecendo que não tinha condições, a minha mãe dispôs-se a oferecer-me, assim, um futuro melhor. Sonho com o dia de a encontrar presencialmente, de a abraçar e, então, oferecer-lhe uma rosa. Estou a recolher fundos nesse sentido.

Ser adoptada lembra-me sempre o amor de Jesus, que fez o mesmo por todos nós, tal como referiu S. Paulo: “e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade.” (Efésios 1:5)

Se desejar conhecer melhor a nossa história de adopção, do meu marido e a minha, poderá adquirir o nosso livro “Adoptados e Unidos pelo Amor”, contactando-nos por e-mail: adoptadosvm@gmail.com

Melissa Raquel Coias Tomé Marini

Médica de Medicina Tradicional Chinesa

VIRÁ COMO CHUVA

960 696 Aliança Evangélica Portuguesa

Gosto de ver chover. Gosto de ouvir chover. Depois, gosto do aroma da terra molhada.

Em dias de chuva, vêm-me à mente as palavras de Oseias (6:3b): “Ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.”

Pode acontecer pensarmos em Deus como Alguém distante, até inacessível. Contudo, esta afirmação refere um Deus que vem a nós, que se aproxima e toca na nossa vida. De que forma o faz? Virá como chuva, diz a passagem bíblica. Dou por mim a pensar que nesta chuva e encontro aí três características.

Nova

Não existe chuva velha. Nem usada, gasta ou remendada. É sempre nova, recebida em 1ª mão. Transparente, fresca, límpida em cada gota. Assim é o toque de Deus na nossa vida. O Seu amor puro oferece-nos o novo. “Se alguém está em Cristo, nova criatura é. As coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo”, lembra-nos S. Paulo (II Coríntios 5:17)

“Eis que faço novas todas as coisas.” (Apocalipse 21:15)

Geradora de vida

A chuva cai na terra seca, refresca-a e desperta vida. Em pouco tempo, veremos germinar por ali plantas diversas. E o cenário árido muda, passando a um fundo verde salpicado pelas cores das flores silvestres.

De igual modo, ao tocar na nossa vida, mesmo que ressequida ou inerte, Ele faz nascer e crescer sentimentos, perspectivas, ideias, acções, frutos da Sua presença, que oferecem uma nova visão e uma dinâmica própria aos nossos dias.

Serôdia

A chuva é serôdia, ou seja, acontece fora do tempo, pois não está limitada por ele. Surge como uma prenda que se recebe num dia que não é o do aniversário nem é Natal. Apanha-nos de surpresa e delicia-nos.

Acredito que Deus tem prazer em vir a nós e abençoar-nos, mesmo que seja no dia menos esperado. Enxugar as nossas lágrimas, curar as nossas feridas, levar-nos aos ombros, como o pastor que encontra a ovelha perdida, oferecer-nos paz.

Preparei esta reflexão uma noite, para a partilhar na manhã do dia seguinte, num tempo devocional por Zoom. De manhã, assim que acordei, ouvi a chuva que caía lá fora… Quase no início do Verão, sem ser muito esperada. Fez-me bem ouvi-la, como se vincasse esta verdade bíblica. Sim, Deus está perto, como a chuva que cai, natural e suavemente.

“Tu, ó Deus, mandaste a chuva em abundância, confortaste a tua herança, quando estava cansada.” (Salmo 68:9)

Bertina Coias Tomé

Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Psicologia Comunitária.

Ele adestra as minhas mãos

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

A pensar que “a necessidade faz o engenho”, fui espreitar o que tenho na minha caixa de costura e achei praticamente o necessário para pequenos arranjos. Com saudade, encontrei algumas coisas de há cinquenta anos atrás: linhas de alinhavar, um dedal, um ovo de madeira, uma fita métrica já bem gasta, botões, que ainda guardo, tudo isto dado pela minha mãe antes do meu casamento. Também tinha agulhas, linhas e outros itens já mais recentes, claro.

As minhas irmãs mais velhas foram sempre muito habilidosas em costura, bordados, rendas e a transformar peças de roupa dos mais irmãos velhos para os mais novos. Mais tarde, faziam as suas próprias saias, blusas e até vestidos com amigas da Igreja e recordo quando estreavam, bem lindas, no auge da juventude. Eu aprendi os rudimentos, mas sempre achei um trabalho muito parado, tinha dores nas costas e pouco jeito.

Comecei por pregar um botão, subir uma bainha. Depois, para poupar nos gastos, fui-me atrevendo nuns pontos mais ousados e descobri que é bom arriscar e cresci nesta arte mas, claro, limitada a coisas não muito complicadas.

Não tenho máquina de costura mas não tem sido impedimento pois é possível fazer ponto de máquina à mão. Tento fazer o mais perfeito possível, devagar, para não me trair. O sábio Salomão disse que “Em todo o trabalho há proveito” (Provérbios 14:23).

Há tempo, a filha Sara pediu para costurar uma mala já um pouco usada, tipo saco. Alguma coisa devia ser feita por um sapateiro, mas consegui reconstruir. Não foi grande proeza, mas é bom quando nos atrevemos e sai bem. De vez em quando, lá vem uma peça dos netos a precisar uns pontos e faço sempre com agrado.

O Salmista David disse: “Bendito seja o Senhor, minha rocha, que adestra as minha mãos…” (Salmo 144:1)

Depois, tenho outros afazeres que me agradam: limpar a casa, passar a ferro, plantar flores e vê-las crescer, manter limpo o espaço fora da casa. E amo escrever. Sei que é simples a minha escrita, mas é um escape e sei que será sempre parte integrante dos meus dias.

O tempo ocupado alivia as preocupações e ansiedades e é por aí que desejo manter-me apesar dos meus 74 anos. O resto é com Deus, que me fortalece na caminhada.

Carlota Roque

Missionária aposentada

JEDIDA – Servindo nos Bastidores

958 634 Aliança Evangélica Portuguesa

Confesso que não sabia o nome desta mulher. Sabia que existia mas não sabia o seu nome. É provável que a leitora também não a conheça pelo nome. Jedida foi a mãe de Josias, um menino que começou a reinar aos 8 anos de idade. O que a Palavra de Deus nos fala sobre Jedida é apenas isto, que ela era mãe de Josias.

São as circunstâncias da altura, o ambiente familiar e a vida do seu pequeno filho Josias que dão algumas pistas de como seria esta mulher.

Jedida era esposa de Amon e nora de Manassés, dois dos piores e mais perversos reis de Israel. Amon reinou apenas durante dois anos, morreu ainda jovem, deixando viúva a sua esposa Jedida, com seu filho Josias.

Bem, até aqui não conseguimos saber nada sobre Jedida, mas é quando o seu marido morre e seu pequeno filho herda o trono que começamos a ter algumas pistas sobre ela.

Amon tinha seguido os passos de seu pai ao tornar-se um rei mau e idólatra. Porque que é que com Josias foi diferente? O ambiente familiar era de iniquidade. O povo de Israel viva em iniquidade e desprezo pelo Senhor. Com uma má influência tão grande e sendo Josias tão pequeno, o que fez com que não entrasse na mesma corrente? Porque havia uma Jedida.

Apesar de toda a má influência interna e externa, Jedida terá sido uma mulher fiel ao Senhor e ensinado a Palavra de Deus ao seu pequeno filho. Josias cresceu a amar e temer ao Senhor e por isso, apesar de sua tenra idade, Deus o usou para trazer o seu povo de volta ao arrependimento.

Por vezes tal como Jedida, algumas mulheres não são conhecidas por seu nome. Às vezes, conhecemo-las pela esposa do… ou pela mãe de… Isso muitas vezes acontece porque o seu trabalho não é tão visível, mas muito de bastidores. Cuidar de uma casa, educar e discipular os filhos nos caminhos do Senhor, aconselhar, ser de suporte em momentos de dificuldade – estas são algumas das formas de servir que não são visíveis, é serviço de bastidores. Contudo, apesar da sua pouca visibilidade, são estes tipos de serviço que fazem toda a diferença. Na verdade, eles são fundamentais. O que teria acontecido se Jedida não tivesse ensinado a Josias os caminhos do Senhor? Em que tipo de rei se tornaria Josias, se Jedida fosse uma mãe cujo exemplo não fosse bom? É verdade que apesar do bom ensino da sua mãe, Josias podia ter-se tornado num rei que não seguia o Senhor. Nem sempre o nosso serviço tem os resultados que esperamos, mas isso jamais nos deve impedir de fazer a nossa parte.

Contra tudo e contra todos, Jedida rumou contra a corrente de iniquidade em que se vivia e levou Josias a conhecer o verdadeiro Deus. Haverá função mais gloriosa que esta?

Vivemos num tempo em que à nossa volta existe uma grande corrente de iniquidade. Que isso não nos desanime mas que nos possa trazer à consciência o quão importante é seremos servas de bastidores, seja como mães, como avós, como tias, como professoras de escola dominical, como esposas. Não importa em que posição estamos mas sim o facto de podermos tomar este lugar que nos pertence de ensinar, discipular, cuidar, orientar e aconselhar aqueles que Deus tem colocado ao nosso cuidado. Não conseguimos medir o tamanho do impacto que o nosso serviço pode ter. Talvez o resultado não seja um rei Josias, é possível que continuemos no anonimato e que nosso nome nem seja conhecido, mas certamente se formos fiéis o nosso serviço será impactante.

Sara Rosa

Serve a Deus, com o seu marido, Pr. Hélio Rosa, na igreja Assembleia de Deus em Vila do Conde.

O compromisso

960 650 Aliança Evangélica Portuguesa

Conta-se que, certa vez, um homem idoso foi a um Centro de Saúde para retirar os pontos da sua mão, que fora suturada. A fila de espera dos pacientes movia-se lentamente, enquanto ele olhava para o relógio, inquieto. Acabou por informar a enfermeira de que tinha um compromisso dentro de 1 hora e, por isso, estava com pressa. Então ela levou-o para uma outra sala, observou-o, consultou um dos médicos sobre o estado da mão e teve autorização para retirar os pontos. Perguntou-lhe: “ Está com pressa para ir a outra consulta médica?” Ele respondeu: “ Não, vou tomar o pequeno-almoço com a minha esposa, que está num Lar de 3ª Idade.” A enfermeira perguntou-lhe sobre a saúde da esposa e soube que tinha a doença de Alzheimer. “Ela irá ficar triste se chegar atrasado?”, perguntou. O homem respondeu-lhe que há 5 anos que ela já não o reconhecia. Surpreendida, a enfermeira questionou: “ E ainda vai vê-la todas as manhãs, apesar de ela não saber quem o senhor é?” O homem idoso sorriu e respondeu: “Sim, porque ela não sabe quem eu sou, mas eu ainda sei quem ela é!”

Apesar das circunstâncias, ele mantinha com a esposa o compromisso de amor de muitos anos, numa medida que faz lembrar o amor de Jesus pelos seus discípulos: “E tendo amado os seus, amou-os até ao fim.” (João 13:1)

Compromisso… O que é que esta palavra nos faz pensar?

Hoje em dia, nos meios comerciais, recorre-se muito à possibilidade de agir sem compromisso. “Visite o nosso andar-modelo sem compromisso”, “Assista a uma das nossas aulas sem compromisso”, “Experimente este novo modelo do carro sem compromisso”, “Peça uma simulação do empréstimo que precisa, sem compromisso”, entre muitos outros exemplos que poderíamos dar. São vantagens a aproveitar, por certo.

Contudo, na relação com Deus é totalmente diferente. Como cristãos, Ele pede-nos compromisso. “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.” (Lucas 9:23)

José foi um homem realmente comprometido com Deus, determinado em ser fiel, mesmo em circunstâncias difíceis. A sua vida começou de forma privilegiada, mimado pelo pai e pela mãe, como um filho especial. Contudo, quando tinha 17 anos, tudo mudou. Os irmãos venderam-no como escravo. Foi levado para o Egipto, onde foi acusado por um crime que não cometera e acabou por ser preso injustamente. Na altura, a mãe já havia falecido e o pai não envidou esforços para o procurar, uma vez que os irmãos lhe sugeriram que ele havia morrido. Certamente que se sentiu, muitas vezes, sozinho e confuso. Porque é que a vida dele estaria a levar aquele caminho? Contudo, a fidelidade de Deus esteve sempre presente.

Tal sucedeu em casa de Potífar, onde trabalhava: “E José foi levado ao Egipto, e Potifar, oficial de Faraó, capitão da guarda, homem egípcio, comprou-o da mão dos ismaelitas que o tinham levado lá. E o SENHOR estava com José, e foi homem próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio. Vendo, pois, o seu senhor que o SENHOR estava com ele, e tudo o que fazia o SENHOR prosperava em sua mão, José achou graça em seus olhos, e servia-o; e ele o pôs sobre a sua casa, e entregou na sua mão tudo o que tinha.” (Génesis 39:1-4)

E até mesmo na prisão: “E o senhor de José o tomou, e o entregou na casa do cárcere, no lugar onde os presos do rei estavam encarcerados; assim esteve ali na casa do cárcere. O Senhor, porém, estava com José, e estendeu sobre ele a sua benignidade, e deu-lhe graça aos olhos do carcereiro-mor. E o carcereiro-mor entregou na mão de José todos os presos que estavam na casa do cárcere, e ele ordenava tudo o que se fazia ali. E o carcereiro-mor não teve cuidado de nenhuma coisa que estava na mão dele, porquanto o Senhor estava com ele, e tudo o que fazia o Senhor prosperava.” (Génesis 39:20-23)

E, finalmente, viu cumprido o grande propósito de Deus para a sua vida, no dia em que foi nomeado governador do Egipto: “E tirou Faraó o anel da sua mão, e o pôs na mão de José, e o fez vestir de roupas de linho fino, e pôs um colar de ouro no seu pescoço.” (Génesis 41:42)

Ele acabou por ser também um testemunho da fidelidade de Deus para a sua família. Pouco antes de falecer, o seu pai, Jacó, assim o descreveu: “José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus ramos correm sobre o muro. Os flecheiros lhe deram amargura, e o flecharam e odiaram. O seu arco, porém, susteve-se no forte, e os braços de suas mãos foram fortalecidos pelas mãos do Valente de Jacó (de onde é o pastor e a pedra de Israel).” (Génesis 49:22-24)

Como cristãos, Deus espera de nós o compromisso de O amarmos e servirmos ao longo da nossa vida, até mesmo no tempo de adversidade. Da mesma forma, Ele está comprometido em ficar próximo de nós em todos os momentos, como fez com José.

Assim, seja qual for a circunstância que estejamos a viver hoje, renovemos o nosso compromisso com Ele, na certeza de que a Sua fidelidade não nos faltará.

“Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. Porque eu sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador;” (Isaías 43:1-3)

Lurdes Lima Capucho

Evangelista

Entre a Lapidação e a Graça, uma Voz….

960 720 Aliança Evangélica Portuguesa

Ela foi condenada. Sozinha ali, sem amparo e sem proteção, entregue à própria sorte e rejeitada por todos aqueles que a rodeavam. Naquele momento, não havia ninguém que a pudesse livrar, afinal não havia perdão para uma mulher apanhada em adultério. Lapidação era o seu castigo.

Aqueles homens que a rodeavam com pedras na mão, eram os mesmos que viviam escondidos atrás dos seus títulos de poder. Eram os fariseus, os chefes dos sacerdotes, os escribas, os entendedores da lei e que pouco tempo antes tinham tentado prender Jesus pelo facto do povo começar a considerar que Ele era o Cristo. Os mesmos que se indignaram assentados em cima do seu próprio orgulho, quando até os guardas que não o tinham prendido, afirmaram que “ninguém jamais falou da maneira como esse homem fala”. João 7:46

A história se repete. Hoje em dia não é apenas uma mulher adúltera à espera de ser apedrejada, mas somos nós, que por vezes andamos solitários, sedentos, rejeitados e condenados por aqueles que se assentam nos seus tronos de autoridade e orgulho a espera de atirar a primeira pedra.

A história dela poderia ser a história de cada um de nós. O que está por detrás das escolhas que fazemos? Dos medos que sentimos? Dos anseios da alma que nos levam a satisfazer os nossos impulsos?

O pecado dela é o nosso pecado, porque o adultério não é apenas o acto de trair o marido ou a esposa com outro alguém. O adultério é o impulso da alma, de preencher o vazio do coração, com algo ou alguém que não seja Aquele que no mesmo contexto promete ser a Luz do Mundo. O adultério é permitir que a carne e as entranhas da alma se entreguem ao que é pequeno, diante da grandeza do Senhor que promete intimidade plena com Ele. O adultério é todo o pecado que satisfaz a nossa carne e momentaneamente alivia o anseio, ou quem sabe  a dor…

Foi por isso que diante dos acusadores daquela mulher Jesus confrontou: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar a pedra nela”. E foi assim que, um a um, eles se retiraram.

E ali estava ela, mas já não estava só. Humilhada, confrontada como nunca antes com a sua condição de pecadora e exposta ao horror de poder ser morta até que, de repente, a Voz que alcança a alma,  a preenche. A Doçura que envolve o coração, a convence. A Faca de dois gumes que divide alma e espírito a alcança, no momento em que o Senhor pergunta:

“- Mulher, onde estão eles, ninguém a condenou?

– Ninguém Senhor.

– Eu também não a condeno. Agora vá e não peque mais.”

O que isto tem a ver contigo? Tens ouvido a doçura desta voz? O que Ele te fala? Qual é a tua decisão?

Baseado no Evangelho de João, Capítulo 8.

Arlete Castro

Escritora

Mestre em Intervenção Terapêutica

A CEVADA DE RUTE

474 316 Aliança Evangélica Portuguesa

“Deixa-me colher e juntar espigas por entre os molhos após os segadores.” (Rute 2:7)

Tenho pensado em Rute.

Aflorou no meu pensamento quando pensava na imensa vulnerabilidade dos migrantes.

Quando se dão crises socioeconómicas em algum lugar, seguem-se movimentos migratórios dos locais onde escasseia o alimento, o emprego, o dinheiro, as oportunidades, a paz, a segurança, etc, para locais onde estes são mais abundantes. Facilmente se conclui que, desde há milénios, os cereais são um forte atractivo e uma das principais bússolas destes movimentos populacionais.

Rute e Noemi chegaram a Belém no princípio da sega da cevada. Tinham viajado a pé, partindo de Moabe, terra natal de Rute.

A cevada foi um dos primeiros grãos cultivados no Crescente Fértil, estimando-se que tenha sido  domesticada em 8000 AC a partir do seu progenitor selvagem Hordeum spontaneum. Os registos arqueológicos dão conta do cultivo da cevada em 5000 AC no Egipto, em 2350 AC na Mesopotâmia, em 3000 AC no noroeste da Europa, e em 1500 AC na China.

A cevada, Hordeum vulgare, foi a principal “planta do pão” dos hebreus, gregos e romanos e também de grande parte da Europa até ao século XVI. Actualmente, representa a quarta maior colheita de grãos do mundo (depois do trigo, o arroz e o milho).

Rute e Noemi estavam em luto. Rute, do marido. Noemi, do marido e dos filhos.

E a história começa assim: “E sucedeu que, nos dias em que os juízes julgavam, houve uma fome na terra”.

Não é certo, mas levanta-se a hipótese de ter sido Samuel o seu escritor, por volta do ano 1322 AC.

Falava de fome.

Pois bem, foi este o motivo que levou Elimeleque, efrateu, natural de Belém de Judá, a “peregrinar nos campos de Moabe”. Consigo foram a esposa, Noemi, e os seus filhos, Malom e Quiliom.

Moabe ficava do outro lado do Mar Morto. Terra montanhosa. Povo em frequente conflito com Israel. A língua talvez não fosse muito diferente. A religião, ao contrário da de Israel, era politeísta.

A família procurou saciar a fome no campo deste povo estrangeiro.

Assentaram.

O marido de Noemi não mais regressou ao país natal. Noemi enviuvou.

Os filhos cresceram e casaram com mulheres da terra que os acolhera, as moabitas Rute e Orfa.

Depois, também estes morreram. Sobraram três mulheres, cada uma com a(s) sua(s) perda(s). Aqueciam-se em conjunto, em torno da fogueira desolada do luto.

Mulheres, em tempo de homens. Viúvas, em tempo em que eram votadas ao desprezo. Uma das quais desfilhada. Como (sobre)viver daqui para a frente?

Adaptável a um espectro climático mais amplo do que qualquer outro cereal, a cevada possui variedades em áreas temperadas, subárcticas ou subtropicais. Embora o crescimento se dê melhor em estações de pelo menos noventa dias, é capaz de crescer e amadurecer num período mais curto do que qualquer outro cereal.

Corriam rumores de que em Belém havia alimento outra vez. Esta notícia foi uma brisa de alento para Noemi.

As três mulheres levantaram-se e começaram a caminhar. Para Noemi seria um regresso. Agora seria a vez de Rute e Orfa serem estrangeiras do outro lado do Mar Morto.

Davam passos iguais uns aos outros quando, num instante, Noemi se deteve. Olhou para as mãos. Já tinha perdido quase todos, quase tudo. Abriu as mãos. Completamente. Não quis agarrar, não quis reter. Quis libertar, desenlaçar quem também tinha perdido muito. As suas noras.

“Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe; e o Senhor use convosco de benevolência, como vós usastes com os defuntos e comigo. O Senhor vos dê que acheis descanso cada uma em casa de seu marido.”, disse.

Noemi beijou-as. Levantaram a voz do sofrimento e choraram juntas.

Achando que nada tinha para lhes oferecer e que nada havia para esperar, insistiu com as noras para que seguissem o caminho da casa materna.

Choraram outra vez, sonoramente, juntas.

Orfa despediu-se e foi. Rute, porém, apegou-se a Noemi. “Eis que voltou tua cunhada ao seu povo e aos seus deuses: volta tu também após a tua cunhada”, reiterou Noemi.

Foi então que Rute declarou, férrea, irredutível: “Não me instes para que te deixe e me afaste de ao pé de ti: porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares à noite ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus; onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada: faça-me assim o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti”.

E foram.

Tempo e passos. Algumas pausas. Finalmente, chegaram a Belém.

“Cheia parti e vazia cheguei”, disse Noemi.

E quis mudar de nome. “Não me chamem Agradável (significado de Noemi), chamem-me  Amarga (Mara)”, instou às suas conterrâneas saudosas. “Porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso”.

Com maior resistência ao calor seco do que outros pequenos grãos, a cevada floresce em áreas próximas do deserto no Norte de África, onde é semeada principalmente no outono. As plantações semeadas na primavera são mais bem-sucedidas nas áreas mais frias e húmidas da Europa ocidental e da América do Norte.

Olharam em volta. Os campos, brancos. Um som de vento e fricção. A sega da cevada tinha começado.  As mãos rápidas dos ceifeiros tocavam harpa nas espigas. Colhiam e avançavam. Colhiam e avançavam.

O apelo do estômago vazio, um pensamento que lhe exigia ocupar-se, um sentimento de apego, um desejo de cuidar de Noemi foram as mãos que empurraram Rute para o campo.

Seguiu no encalce dos ceifeiros. Estes recebiam o salário ao fim de cada jornada de trabalho. Rute, não. Pediu a um dos segadores autorização para respigar. Quer isto dizer recolher as espigas e os grãos que escapassem às mãos dos segadores ou o que caísse no chão. E levava para casa. Fariam pão.

Ainda hoje, a farinha de cevada é utilizada para fazer pão de tipo ázimo (achatado) e papas, especialmente no Norte de África e em partes da Ásia, onde continua a ser um grão alimentar básico. Por conter pouco glúten, uma substância proteica elástica, a cevada não serve para fazer pão poroso (“insuflado”).

Actualmente, é utilizada principalmente como forragem verde e ração para o gado; como fonte de malte para bebidas alcoólicas, especialmente a cerveja; e ainda na produção de medicamentos; para além de ser componente de flocos e farinhas para panificação.

Boaz era o dono daquele campo. Pertencia à família e geração de Elimeleque, sogro de Rute.

Um servo deu conta do quanto Rute se esforçava dia após dia, do pouco descanso, e do cuidado que manifestava para com Noemi.

Um olhar de graça pousou em Rute.

“Que o Senhor recompense o teu feito. Que o Senhor, o Deus de Israel, sob cujas asas vieste buscar refúgio, te recompense ricamente”. Com estas palavras abençoou Boaz a Rute. E também com indicações aos seus servos para que favorecessem o trabalho desta estrangeira, a aproximassem das condições de trabalho dos jornaleiros e avolumassem o que esta recolhia e levava para casa.

Comentando com Noemi o sucedido, esta viu no agir de Boaz a mão providencial de Deus:

“Bendito seja ele no Senhor, que não tem deixado a sua beneficência nem para com os vivos nem para com os mortos”.

Um toque de graça humedeceu os olhos cansados de Noemi. Abriu-os e viu em Boaz um remidor. “Ele será restaurador da tua vida e consolador da tua velhice”, concordavam as conterrâneas.

Com efeito, a redenção chegaria. Da viuvez de Rute, no despertar de descendência aos que tinham partido, e colocando um neto no regaço de Noemi para esta cuidar.

De seu nome, Obede, viria a ser pai de Jessé, avô de David. Raiz de Jesus.

No campo científico, procura-se desenvolver variedades capazes de produzir sementes suficientes mesmo sob condições de elevada temperatura ou seca.

Afinal, como nasce um redentor na aridez do luto, na secura do deserto, no calor de uma terra estranha?

Eis que, de repente, Belém (Beit Lechem) volta a significar “Casa do Pão”.

Bibliografia:

– Livro de Rute (in Bíblia Sagrada)

– Encyclopaedia Britannica (www.britannica.com/plant/barley-cereal)

Abigail Ribeiro

Médica Psiquiatra

A arte no propósito divino

1322 990 Aliança Evangélica Portuguesa

O meu nome é Vânia Magalhães e sou formada na área das artes plásticas e banda desenhada/ilustração.

Um convite

Em Novembro de 2019, recebi um convite inesperado de uma amiga para ir até à Guiné-Bissau, com a missão de pintar um mural, numa escola de uma aldeia missionária, construída pelo projeto missionário Semeadores de Alegria, da família Paulo e Jéssica Durão que atuam na Guiné-Bissau, com o foco de trabalhar com crianças e com um projeto de construção de uma aldeia missionária, da qual fazem parte uma escola, centro de saúde, recursos e infra-estruturas. No seu coração está este desejo de amar como Cristo: semeando paz, esperança e alegria.

Na verdade, essa minha amiga já tinha praticamente tudo planeado para ir até lá com a filha, para darem formação na área do ensino e havia também o tal mural para pintar, tarefa que inicialmente pensaram em fazê-lo.

Um dia ao cruzar-se comigo, essa minha amiga pensou: “A Vânia é que era boa para pintar”, e pronto, assim surgiu o convite. Eu nunca tinha tido o sonho missionário africano, mas depois de alguma hesitação, aceitei.

Um passo de fé

Nesse tempo, eu era voluntária na equipa do Desafio Jovem (Operação Josué) e por isso não tinha recursos para poder financiar a viagem, os materiais e outros recursos. E logo aí foi um passo de fé, mas como Deus deseja que primeiro coloquemos o pé, para que Ele coloque o chão, assim foi: a minha amiga teve a ideia de criar um fundo de doações para me suportar na viagem e esse foi o primeiro dos milagres que Deus tinha reservado.

Um anónimo decidiu doar um valor muito alto e que acabou por financiar praticamente quase toda a viagem, em conjunto com a generosidade de tantas outras pessoas a quem Deus despertou o coração. E lá fomos. Eu tinha o desejo de fazer algo grande e excelente, porque não é todos os dias que temos a oportunidade de pintar na Guiné!

Depois de aterrarmos e de termos tido um tempo de descanso, viajámos até à aldeia missionária e lá ficámos quase uma semana. A vida na aldeia é de um despojamento total, apesar dos missionários terem feito (e continuarem a fazer) um excelente trabalho no investimento de infraestruturas e recursos. Por conta disso, nós acabámos por ficar num alojamento lá na aldeia com muitas condições – eu gostaria de ter tido uma experiência mais radical, de ter mergulhado mais na cultura e no estilo de vida guineense mas, quem sabe, fica para uma próxima oportunidade!

Pintar um mural

Foram quatro dias a pintar em horário alargado: as pausas eram para comer e repousar e depois pincéis a funcionar! Acabei por fazer um mural muito maior do que o que tinha planeado, e ainda conseguimos fazer mais uma pequena pintura numa outra parede: foi realmente um projeto muito ousado para o tempo que tínhamos para o realizar, mas não podia ter sido de outra forma.

Das coisas que mais me marcaram, foi a capacidade de deslumbramento daqueles jovens e crianças que ficavam horas pendurados nas janelas da sala onde eu pintava, simplesmente para acompanhar o processo da pintura.

Muitas vezes, era já noite e eu com os holofotes ligados a tentar escapar aos mosquitos, e as crianças lá fora a observar cada traço do pincel, cada mistura de cor, num deslumbramento puro e genuíno. De cada vez, que surgia uma criança que ainda não tinha vindo espreitar, ouviam-se sons de encantamento e espanto que são universais em qualquer língua do mundo.

Desafiou-me a pensar que deste lado do mundo, no nosso mundo ocidental e tão evoluído, cada vez menos temos o desejo ou a capacidade de nos deslumbrarmos até com as coisas mais simples. O que ainda nos deslumbra?

Servir com a arte

Eu vivia um pouco desconetada do meu talento de pintar e desenhar, porque em mim sempre existiu o desejo de servir a Deus, porém eu achava que servir a Deus através da Arte era uma espécie de “serviço menor”. Servir a Deus devia ser com a Medicina, com a missão, com o evangelismo mas não com a Arte. Como é que a Arte poderia mudar vidas? Como poderia trazer esperança a um mundo caótico?

A experiência da Guiné acabou por me reconciliar com este talento e enquadrá-lo com o Reino de Deus. Hoje entendo que a Arte tem um propósito divino muito claro: ser a manifestação do Belo, da Beleza, ou seja, marcar em beleza um mundo caído e desfigurado da imagem de Deus e do seu projeto original.

Apesar da criação estar cada vez mais longe do Seu Criador e o mesmo ter acontecido com a Arte, que cada vez mais se tem afastado do Primeiro Artista – transformando-se em subversiva, mas desprovida do Belo – a criação carece da Arte, para recuperar e pontuar a sua Beleza.

Então, a Arte que revela a Beleza do Criador e ressalta a Beleza da criação tem um propósito e uma missão divina, tão necessária como qualquer outra expressão de serviço. Hoje, isso é algo que está apaziguado no meu entendimento.

Deus de milagres

Para além da pintura, tive ainda o privilégio de poder participar de um culto na aldeia missionária, onde os momentos de louvor até hoje ecoam nos meus ouvidos. Como é possível um tempo de adoração composto única e exclusivamente de vozes e palmas conseguir penetrar tão profundamente o nosso coração? Creio que a simplicidade do louvor, mas o desejo profundo de louvar, cativam o coração do nosso Deus.

Ainda nesse culto tive o privilégio de pregar e de repente não sabia bem o que havia de falar.  Como partilhar o Evangelho naquela realidade? O que Jesus ensinaria naquele contexto?

Do púlpito, recordei a mulher da hemorragia interna, que mais do que um milagre no corpo, experimentou um milagre no seu coração, com a convicção profunda que Deus continua empenhado a fazer milagres em corações humanos, independentemente do lugar do mundo em que nos encontremos.

Vânia Magalhães

Licenciada em BD/Ilustração e Mestre em Artes Plásticas

Cooperadora no Desafio Jovem Portugal.

Ajudar em tempos de pandemia

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

São muitos os que neste tempo de pandemia têm ficado mais vulneráveis. Desde logo, aqueles que, em condições normais, já são desfavorecidos em questão de desigualdade social: os refugiados, imigrantes, os que têm menos qualificações, os que têm trabalhos precários, os que têm menos acesso a recursos digitais e as vítimas de violência doméstica.

Se conhece alguém nestas ou noutras situações de fragilidade, e se, dentro das suas possibilidades e com as devidas proteções, puder ajudar, faça-o com sabedoria e prudência.

Eis aqui alguns exemplos de ajuda que poderá dar:

– Ofereça alguns alimentos a uma família desempregada ou imigrante perto de si, e que tenha algumas necessidades nesta ou noutras áreas básicas (use sempre as devidas proteções).

– Se tem uma empresa e pode oferecer trabalho a alguém, faça-o.

– Dentro do possível, compre e consuma produtos da economia nacional (é grande o número das empresas que não consegue subsistir neste tempo, sem vendas e abre falência).

– Se tem um PC a mais e pode emprestar ou oferecer, faça-o. Há crianças que podem precisar para os trabalhos escolares.

– Se conhece alguém que passa ou passou situações de violência doméstica, ofereça-se para ajudar, para ouvir, para ser pessoa de confiança.

– Nas redes sociais, ou por telefone, tente estar em contacto principalmente com pessoas que estão sós. Escreva e fale mensagens de esperança, encorajamento e ânimo.

Por vezes, nem todas as pessoas conseguem logo pedir ajuda explicitamente, e, tal como os quatro amigos que levaram o paralítico a Jesus (Mateus 9:2-6), é possível que neste tempo tenhamos de “carregar” alguém na esteira das nossas orações, dos nossos cuidados ou mensagens de esperança. Sim, plantar esperança nos corações tristes deve ser tão frequente neste tempo, quanto desinfetar as mãos ou usar máscara.

Elsa Correia Pereira

Socióloga

A mulher e a oração

2240 1260 Aliança Evangélica Portuguesa

No dia 8 de Março, a cada ano, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Embora algumas investigadoras considerem esta explicação um mito, a realidade é que para a “História o que ficou é que a origem do Dia Internacional da Mulher remonta a 8 de Março de 1857, quando operárias russas e norte-americanas protestaram nos seus países contra as condições de vida e de trabalho. Contudo, só em Dezembro de 1977, a ONU instituiu a data para lembrar as conquistas femininas” (Como nasceu o Dia da Mulher (noticiasaominuto.com)).

E o Dia Mundial de Oração? Também tem uma data a assinalar. Ao que consegui apurar, é uma celebração móvel que ocorre na primeira sexta feira de Março e é celebrado em 170 países (curiosamente, muito próximo do dia 8 de Março – dia da Mulher – portanto!). Diz-se que o Dia Mundial de oração nasceu no século XIX quando mulheres cristãs dos EUA e Canadá iniciaram, através da oração, uma série de atividades de cooperação e apoio à participação de mulheres em obras missionárias pelo mundo.

E se juntássemos os dois dias? Assim, nasceu o Dia Universal de Oração da Mulher Cristã, cuja realização em Portugal, aconteceu pela primeira vez há 75 anos, no dia 8 de março de 1946, promovido pela Aliança Evangélica Portuguesa (AEP). Na altura, esta iniciativa foi organizada pela missionária Katherine Tucker, juntando-se para o efeito 43 mulheres.

Para os leitores localizarem historicamente este acontecimento, deixem-me apontar que, a AEP foi organizada em 1921, embora o seu estatuto legal tenha data de 1935. Contudo, apenas em 1939 foram admitidas como sócias as primeiras mulheres.

Hoje reconhecemos a oração como um pilar fundamental da igreja cristã evangélica, das nossas famílias e comunidades. Assim, queremos desafiar todas as mulheres portuguesas a tirarem um momento, neste dia 8 de Março, para ao telefone, pelas Redes Sociais, por videochamada, etc. terem um momento de oração com uma ou mais amigas. Lembrem-se dos exemplos bíblicos de mulheres de oração que fizeram a diferença no seu tempo: Ana, mãe de Samuel que orou no templo por um milagre e Deus lhe respondeu dando-lhe um filho (I Samuel 1) tão especial e dedicado ao Senhor. Ester, que convocou oração e jejum pelo livramento do seu povo. A viúva Ana (Lucas 2), que dedicou a sua vida a jejuar e orar no templo.

Sabemos que Deus responde ao clamor do Seu povo. Seja uma intercessora, pela sua família, a sua comunidade, a sua igreja, o seu país. Deus irá honrar o seu esforço e fé.

Elsa Correia Pereira

Socióloga e autora de “O Diário de Uma Mulher Feliz”

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