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Mulheres

Entrevista a Sónia Simões

600 400 Aliança Evangélica Portuguesa

Coordenadora do RTM Mulheres de Esperança

“Desejo que cada mulher entenda que “o seu valor excede o de finas jóias.”

AEP – Quem é a Sónia?

Sónia – A Sónia é uma mulher que ama ser mulher. É a filha mais velha de três irmãos, é esposa do Levi há 13 anos e mãe da Petra há 8. Conheceu o amor verdadeiro de Deus por si há 17 anos e, desde aí, nada foi igual! Tem muitos sonhos, procura cada dia ser uma pessoa melhor e deseja diariamente cumprir o seu propósito de vida.

AEP – É coordenadora do RTM Mulheres de Esperança (anterior Projecto Ana). Explique-nos o que é e quando se iniciou em Portugal.

Sónia – A RTM Mulheres de Esperança surgiu em Portugal em 2007 com o nome de Projecto Ana, mas é um ministério global com mais de 20 anos e faz parte da organização Trans World Radio (Rádio Transmundial). Este ministério construiu um poderoso vínculo entre as mulheres, unindo-as no poder da oração e através do programa de rádio Mulheres de Esperança.

A RTM Mulheres de Esperança procura incentivar, equipar e envolver as mulheres para viverem a sua fé através de cinco importantes ações:
Orar, Ouvir, Aprender, Crescer e Dar.

À medida que as mulheres adquirem sólidos ensinamentos bíblicos, elas encorajam as suas famílias, igrejas locais, comunidades e outras mulheres. Em qualquer que seja a situação, falamos a verdade de que Jesus é o único que pode proporcionar paz, esperança e cura perfeitas.
Em muitas partes do mundo, as mulheres sofrem vários tipos de abuso, são marginalizadas, experimentam altos níveis de pobreza, privação à educação, opressão e carências na saúde. Enquanto as reformas sociais prometem o reconhecimento da mulher e o seu verdadeiro papel na sociedade e o fim dos ciclos familiares negativos, apenas uma solução espiritual encontrada em Jesus Cristo tem o poder de proporcionar uma mudança sustentável e uma esperança duradoura.

Deus tem uma bela história para cada mulher, como uma expressão única da Sua graça e do Seu amor. Não importa o quão assustadores sejam os desafios das mulheres em todo o mundo, Deus não se esqueceu de nenhuma delas e tem um plano e um propósito para cada uma.

AEP – Em que consistem os vossos programas de rádio?

Sónia – O programa Mulheres de Esperança procura levar sabedoria prática e discipulado espiritual às mulheres, através do rádio, encorajando-as a experimentar o amor, a paz e o poder de Deus, enquanto enfrentam os seus desafios diários, e tem inspirado, amadurecido e levado esperança a milhões de ouvintes. É emitido em todo o mundo em mais de 400 estações de rádio e traduzido em mais de 70 idiomas.

Em Portugal, é produzido/adaptado pela Sarah Catarino, e é transmitido diariamente através da webrádio da Rádio Transmundial e, semanalmente, em mais 10 rádios locais espalhadas de norte a sul do país. Quero desafiar os leitores a ouvir um dos nossos programas! Visitem-nos em http://rtmportugal.org/

AEP – Quantos programas já fizeram até hoje?

Sónia – Em 10 anos já produzimos, adaptámos e gravámos mais de 500 programas, todos com temas relacionados com os desafios diários das mulheres, testemunhos na primeira pessoa, histórias verdadeiras, entrevistas a especialistas (psicólogos, médicos, advogados, sociólogos, entre outros) e dicas de vida.

AEP – Quantas mulheres estão a alcançar e onde?

Sónia – É muito difícil quantificar ouvintes, seja de rádio ou através das novas tecnologias. O rácio que seguimos, segundo indicações europeias, é de uma resposta de ouvinte (carta, email, telefonema, mensagem) para cerca de 1.000 ouvintes. Ao emitir o programa através das rádios locais, o objectivo é alcançar a população nos mais diversos lugares, independentemente da sua condição social, económica, cultural ou espiritual. A rádio continua a ser um dos orgãos de comunicação mais abrangente e acessível, embora o Mulheres de Esperança seja também possível de ouvir através de várias plataformas digitais (site da RTM, facebook, podcast, app, web radios) e também em CD.

AEP – Que respostas têm tido?

Sónia – Há muitos ouvintes que nos contactam de diversas formas, para cumprimentar, encorajar, falar acerca do tema de um programa, mas também para apenas e simplesmente conversar e pedir aconselhamento. Existem alguns exemplos de testemunhos que nos marcaram, como o de uma mulher que nos escreveu porque tinha uma fobia e há anos que não saía de casa. Após ouvir o nosso programa sobre o “Medo”, decidiu enfrentar o mesmo e saiu de casa após anos de clausura, pela fobia que sentia. Escreveu para nos agradecer e partilhar o seu testemunho. Como este, existem vários outros testemunhos e cremos que haverá muitos que nem se quer tomamos conhecimento.

AEP – Quais são as grandes necessidades das mulheres hoje em Portugal, em sua opinião?

Sónia – A verdadeira necessidade da mulher em Portugal ou em qualquer outra parte do mundo, na minha opinião, tem a ver com o facto de ser aceite, amada, valorizada e respeitada. Independentemente da cultura, e de facto existem culturas em que há um verdadeiro desrespeito e desvalorização da mulher enquanto ser humano, existe uma grande necessidade de valorização da mulher, enquanto esposa, enquanto mãe, enquanto profissional, dona de casa, entre outras. A realidade é que essa valorização, o respeito, o amor, ou a aceitação que muitas vezes se espera da sociedade em geral, apenas irá preencher parte da necessidade da mulher a menos que ela conheça verdadeiramente o seu Criador (Deus), e entenda o quanto é amada, respeitada, valorizada e verdadeiramente aceite por Ele através do Seu amor incondicional.

AEP – Nos temas abordados, procuram ir ao encontro dessas necessidades?

Sónia – Sim! Aquilo que procuramos através dos programas Mulheres de Esperança é abordar temas que sejam do quotidiano da mulher e a ajudem a enfrentar os seus desafios diários (relacionamento, saúde, educação dos filhos, entre outros) com esperança. O tema é sempre abordado com conhecimento profissional, onde apresentamos conselhos e dicas de forma a sermos de ajuda, mas também procuramos abordar um episódio bíblico relacionado com o tema e fazemos uma reflexão espiritual, usando assim a Bíblia como guia prático de ajuda e aconselhamento.

AEP – Como mulher cristã, o que tem significado para si coordenar este projecto?

Sónia – Aquilo que me motiva é cumprir o propósito que Deus tem para mim! E isso passa por muitas coisas, mas essencialmente passa pelo serviço ao próximo. Através da RTM Mulheres de Esperança, Deus tem-me dado a oportunidade de viver a compaixão pela mulher e a consciência da sua condição mundial de uma forma que jamais imaginei. Aquilo que mais anseio é que a mesma esperança que um dia me alcançou e me transformou na mulher plena que sou hoje, chegue a outras mulheres, mulheres cujas sementes de dor precisam de ser regadas com Esperança e Amor. Desejo que cada mulher entenda que “o seu valor excede o de finas jóias” e que, apesar das circunstâncias, há uma nova forma de viver.

AEP – Um versículo que seja especial para si.

Sónia “Faz ouvir a tua voz para defender os que não podem falar e os desventurados. Faz ouvir a tua voz em seu favor e faz justiça aos pobres e miseráveis.” (Provérbios 31:8-9)

 

Sónia Simões
Coordenadora do RT – Mulheres de Esperança

Fardas – Sarah Catarino

1280 854 Aliança Evangélica Portuguesa

Sentada no átrio de um grande e moderno hospital, dá para seguir o movimento das pessoas que entram e saem. Todos os que andam por ali carregam em si uma história, uma tragédia ou um drama. Há pequenos grupos de pessoas que parecem querer mostrar-se mais fortes do que realmente são. O lenço que sobe até aos olhos é logo desviado e olham de um lado para o outro, como se a dor pudesse ser assim aliviada mais depressa. Hospital não é mesmo lugar para festa nem piquenique…

Mas na minha observação, detenho a minha atenção sobre outras pessoas, os profissionais do hospital.Uns andam apressados, com passos firmes, sem olhar para ninguém. Têm algo importante em mente e perseguem o seu objectivo. Outros, em grupo, conversam, riem e dirigem-se para a cafetaria onde podem comer e beber alguma coisa que lhes dê ânimo para continuar. Reparo ainda num outro pormenor: esses tais grupos são compostos por pessoas com a mesma farda. Nada de misturas. Fico ali, distraída, a identificar o que cada farda representa: o pessoal da administração, os enfermeiros, os médicos, auxiliares, fisioterapeutas e ainda uns senhores todos vestidos de azul, que, julgo eu, terão alguma coisa a ver com cirurgia… Se nos chegarmos junto de uma dessas pessoas, é bom que saibamos o que queremos, porque eles não gostam de responder a questões que nada têm a ver coma sua função. Aquela farda ajuda-nos a conhecer a sua identidade, quem são, o que fazem.

Nunca usei farda. Nos vários serviços e trabalhos da minha vida, nunca foi preciso. Mas tenho uma identidade. Será que as pessoas que se chegam a mim, sabem o que esperar, o que pedir, o que vão receber? Será que mesmo sem uniforme, a minha vida transmite aos que me rodeiam a segurança de uma resposta, o ânimo da direcção e até o carinho inesperado?
Lá, sentada no átrio do hospital, pensei em Jesus Cristo, vestido como qualquer galileu do Seu tempo, sem a “farda” pesada dos fariseus e doutores da lei, sem a túnica pomposa dos centuriões romanos, mas ainda assim, atraindo multidões, chamando crianças, rindo e comendo trigo com os discípulos no meio das searas, tocando os pobres, os marginais, alimentando uma multidão faminta, curvando-se para uma escrita misteriosa, feita com o Seu dedo no pó do caminho, enquanto uma mulher apanhada em adultério espera a sentença de morte.

Quando as pessoas chegavam perto Dele, muitas vezes não sabiam como chamá-lo. Alguns tratavam-no por “nazareno” com um misto de desprezo, outras vezes de “rabi” sem compreender muito bem a Sua sabedoria. Ele transcendia tudo o que se esperava de um homem do Seu tempo. Ainda hoje os homens têm dificuldade em entender quem Ele É. Acham que se estivesse aqui, vestiria a sua cor política. Pensam que Ele é propriedade das suas igrejas. Mas Ele não usa farda. Continua a ser superior a tudo o que possamos imaginar num ser humano. Ele é o Homem perfeito, completo, pleno.
Como desejo que aquilo que sou me diferencie do resto, para que os necessitados, os que não têm amigos, abrigo, se cheguem a mim, sem receio de ser enganados, sem medo de ser ofendidos. Que a roupa que me cobre a cada dia, de tecido ou cor diferentes, não esconda o mais importante, a semelhança com o Cristo de Deus!

Sarah Catarino
Líder da AGLOW International (Portugal)

A Matemática de Deus – Elsa Correia Pereira

1280 853 Aliança Evangélica Portuguesa

 

Já ouviu falar da Matemática de Deus? Certamente que sim. O episódio da multiplicação dos pães mostra-nos com funciona (falaremos dele mais adiante). Não funciona exatamente como as operações aritméticas a que estamos habituados…

Temos tendência a não gostar da subtração nem da divisão porque o seu resultado é sempre menor do que os números iniciais. Gostamos muito da soma e da multiplicação porque na maioria das vezes os resultados são maiores que os números iniciais. E todas nós gostamos de somar e multiplicar na nossa vida. Não é? Somar alegrias, somar saúde, somar bênçãos, somar amigos, multiplicar o bem, multiplicar os nossos bens, multiplicar o salário, multiplicar os abraços, os afetos, o respeito e a compreensão dos outros.

Só que com Deus… as contas não são exatamente assim… Muitas vezes precisamos perder primeiro para ganhar depois. Precisamos subtrair o pecado, a ira, a mágoa, precisamos diminuir o egoísmo, a ambição, as dúvidas. Precisamos dividir as bênçãos, partilhá-las por um divisor quanto maior melhor! Precisamos dividir o que temos de bom, as alegrias, o amor, a paz, o tempo… e depois Deus fará o restante. Ele multiplica o que precisamos, muito mais do que pedimos ou pensamos (Efésios 3:20), porque pode suprir todas as nossas necessidades pelas suas riquezas em glória (Filipenses 4:19).

Se lermos João 6, vamos descobrir 3 segredos para a multiplicação na nossa vida. O versículo chave é João 6:11 “Então Jesus tomou os pães, deu graças e os repartiu…”. Para uma multidão de 5000 homens, Jesus e os discípulos tinham apenas 5 pães e 2 peixes. O que aconteceu então? Jesus tomou o que tinha, deu graças e repartiu.

1 – Comece com o que você tem.

Tem um problema difícil? Deus pode transformá-lo em bênção para Sua glória. Tem pouco dinheiro? Com certeza terá dons e talentos muito úteis. Tem uma dor emocional relativamente a algo que lhe aconteceu? Deus pode curá-la e usá-la para ministrar a outros nas mesmas circunstâncias. Já tem alguma idade e limitações? Pode usar o seu tempo para orar por outros e/ou aconselhá-los com a sua experiência. O rapazinho entregou a Jesus os 5 pães e 2 peixes. Talvez a sua comida para o dia todo… Posso imaginar a sua cara de dúvida, a pensar “Será que vou ficar sem comida?” Entregue o que tem, por pouco que lhe pareça. Deus ainda faz milagres assim!

2 – Dê graças.

Dar graças, adorar, quando alcançamos um objetivo, quando vemos com os nossos olhos aquilo que desejámos, é bem mais fácil do que agradecer em fé por aquilo que Deus irá fazer. Pois é, fé é isto mesmo: é crer firmemente que as coisas que se esperam e ainda não se vêem, irão acontecer (Hebreus 1:11).

Vivemos de fé – cada dia é um milagre cujo segundo seguinte desconhecemos, mas que Deus provê graciosamente.

3 – Reparta.

Quer tenha muito, quer tenha pouco, reparta, partilhe, dê. Dar, é a natureza de Deus e a Bíblia garante muitas vezes que quem dá é amplamente recompensado: “Dai e ser-vos-á dado…” (Lucas 6:38), e ainda Provérbios 19:17, Mateus 25:35 – 40, Lucas 3:10-11, Lucas 12:33-34, Romanos 12:13, Isaías 58:7.

No texto da multiplicação dos pães sobraram 12 cestos de pedaços. Como ouvi recentemente, não creio que todos os filhos de Deus tenham de ser ricos, mas creio que Ele deseja suprir as necessidades de todos. Deus deseja suprir as nossas necessidades e espera que nós façamos a nossa parte contribuindo para prover as necessidades daqueles que estão ao nosso redor, sejam elas necessidades materiais, emocionais ou outras.

ORAÇÃO

Querido Deus, obrigada porque tens suprido as minhas necessidades. Ainda que eu não veja agora, creio que tu sabes o que é melhor para mim e tens planos de paz e prosperidade para a minha vida. Te entrego tudo o que tenho: os meus bens, o meu tempo, os meus dons. Multiplica-os e usa-os para a Tua glória. Ajuda-me a ser sensível às necessidades dos outros e a partilhar o que tenho conforme ensinas na Tua Palavra. Em nome de Jesus, Amém.

Elsa Correia Pereira
Socióloga

Tempo de Ser Solteira – Lurdes Lima Capucho

1280 719 Aliança Evangélica Portuguesa

Cresci numa pequena localidade, nos arredores de Coimbra. Terminado o percurso escolar, fui aprender a costurar, com apenas 13 anos de idade. Aí conheci uma colega que me falou de Jesus.

Aos 16 anos, fui com ela e o seu marido a um culto, num domingo de Páscoa e aceitei Jesus como meu Salvador. Esse casal sempre me incentivou a servir a Deus.

A partir dessa altura ficou claro para mim que só casaria com alguém que também fosse cristão. Por esse motivo, não aceitei algumas propostas de namoro. Os meus pais, que não eram crentes, não entendiam bem essas recusas. Conheciam mulheres solteiras que frequentavam a igreja e preocupavam-se que esse fosse o meu futuro. Eles desejavam que eu casasse.

Aos 31 anos vim servir a Deus para o Desafio Jovem. Era um desejo de anos e veio a concretizar-se nessa altura. Aí trabalhei durante 13 anos consecutivos, investindo na reabilitação de muitas mulheres tanto alcoólicas como toxicodependentes. Durante esse tempo, partilhei diferentes casas com diferentes cooperadoras, não dispondo de um espaço definitivamente meu. Foi um ministério que desenvolvi, tendo a oportunidade de ser influência próxima na vida delas.

Por ser solteira tinha maior disponibilidade. Eu sabia disso e também reconhecia que era encarada desse modo. Vivia cercada de muitas solicitações, diariamente. Para mim era um prazer poder ajudar, de dedicar o meu tempo a outros mas, por vezes, dava comigo a pensar. “Será que um dia alguém vai ter tempo para mim?”.

Havia momentos que me criavam algum embaraço. Um deles era ir a casamentos. Aí, habitualmente havia comentários: quando será o teu dia? Sorria, mas sentia o desgaste de me ver confrontada repetidamente com as mesmas perguntas.

Fiz muitos vestidos de noiva para clientes e amigas. Preparava-os com entusiasmo e alegria por elas mas cheguei a chorar ao pensar: “Será que algum dia vai ser o meu?”

Sim, eu queria casar. Contudo, teria de ser com alguém que amasse o Senhor e fosse a Sua vontade para mim. Orei por isso durante alguns anos. O meu pastor sempre me incentivou nesse sentido. Fez-me entender que havia homens que, da minha idade, também pensavam como eu e oravam como eu, na expectativa de alguém que Deus trouxesse às suas vidas. Eu poderia vir a ser refrigério e bênção na vida de alguém.

Os anos foram passando. Surgiram oportunidades de relacionamento mas que eu sabia que não eram as certas para mim. A partir de certa altura, tendo em conta a minha idade, achei que já não iria acontecer e esse assunto deixou de ocupar as minhas orações.

Um dia adoeci. Por esse motivo tive de abrandar o meu ritmo diário e reduzir compromissos profissionais durante uns meses. Passei a ter mais tempo para mim e dei comigo a orar de novo por casamento. Fi-lo durante três anos, diariamente. Houve dois versículos que foram marcos importantes nessa altura, que falavam de esperança:

“A esperança demorada enfraquece o coração, mas o desejo chegado é árvore de vida” Prov. 13:12.

” Sustenta-me conforme a tua palavra, para que viva, e não me deixes envergonhado da minha esperança.” Salmo 119:116

Partilhei com algumas pessoas amigas o motivo de oração e a minha esperança. Algumas ficavam surpreendidas. Nem todas entendiam.

Estava prestes a completar 50 anos, quando uma amiga me incentivou a preparar uma festa especial. Assim, no dia do meu aniversário reuni 56 amigas num restaurante, num ambiente muito alegre, animado e totalmente feminino. Diziam-me que estava linda como uma noiva. O grande número de prendas, que faziam lembrar um casamento, comentavam.

Aí agradeci a todas a grande amizade, ao longo dos anos. Naquela noite, eu sabia que iria acontecer alguma coisa num futuro próximo. Eu sentira a festa como a despedida de uma etapa para dar início a outra. Mas qual?

Uns meses depois, nesse mesmo ano, conheci o Alberto. Num culto, fui convidada a partilhar a Palavra de Deus e falei sobre sonhos – aquilo que Ele quer concretizar na nossa vida. Hoje sei que foi nesse dia que o Alberto começou a orar por mim, achando que seria eu a esposa certa para ele. Só mais tarde me apercebi do interesse dele. Cativou-me o facto de ser um homem cuidado, calmo, ponderado e sábio na sua forma de se relacionar. Comecei a sentir que ele seria o homem de Deus para a minha vida e falei com o meu pastor sobre isso. Não estava sozinha neste passo, sentia-me segura. E o sonho concretizou-se!

No dia do meu casamento tive a felicidade de desfrutar da presença de muitos amigos que foram importantes para mim ao longo dos anos. Foi pelo seu carinho, o incentivo e as muitas palavras de apoio que chegara até ali. Estou-lhes muito grata. Os meus padrinhos foram o casal que me levou a Jesus quando era adolescente. A esposa fez e ofereceu-me o vestido de noiva. Toda a minha família teve a oportunidade de ver que Deus é fiel e faz as coisas acontecer no momento oportuno, regozijando-se comigo nesse dia especial.

Estamos casados há doze anos. Dou graças a Deus porque o Alberto veio à minha vida, como uma mais -valia. Ele é, de facto, o homem que Deus tinha para mim. Valeu a pena esperar! Continuo a servir a Deus na igreja local  mas não estou sozinha pois o meu marido acompanha-me com a sua disponibilidade e o seu desejo de O servir.

Gostaria de ter sido mãe. Porém hoje, olhando para trás, concluo que tenho muitos filhos. Ainda este ano, no Dia da Mãe, recebi uma prenda de uma jovem que ajudei há muitos anos no Desafio Jovem, e hoje é casada e mãe de três filhos. Ela disse-me: “Toma, porque tens sido mais do que uma mãe para mim.” Na verdade, Deus tem uma forma muito própria de nos dar filhos e mimos!

Vi a minha família ampliada, pois ganhei não só um marido mas duas cunhadas, os seus três filhos, já adultos, três noras e uma neta – um relacionamento muito precioso para mim. O meu marido foi igualmente muito bem acolhido pela minha família.

Hoje, olho para trás e concluo que Deus tem um tempo para todas as coisas. Aquilo que tive oportunidade de fazer ao longo dos anos, como solteira, foi ministério para Deus. A maneira como investi na vida de tantas pessoas, de dia e de noite, a dedicação que foi necessária, só foi possível por não ser casada. Construí relacionamentos com centenas de pessoas que perduram até ao dia de hoje, apenas possíveis por essa disponibilidade e que estendem já aos seus filhos.

Se tens um sonho, luta por ele mas jamais o faças sozinha. Acima de tudo, deixa que Deus tome conta dos teus anseios e rodeia-te de pessoas espiritualmente maduras e que te amem. Como pessoa solteira, não te isoles, não te feches, a lamentar a tua situação. Vive a tua vida em disponibilidade para os outros. Convive, partilha o que és. Há vidas que precisam de ser enriquecidas por ti, pelo facto de estares solteira. Marca positivamente a vida das pessoas à tua volta com o teu carinho e a tua disponibilidade. Espera em Deus. Ele abre caminhos no tempo certo. Confia sempre na Sua fidelidade!

Lurdes Lima Capucho

Os pais são perfeitos? – Clarisse Barros

1280 853 Aliança Evangélica Portuguesa

Num serão tranquilo, a mãe estava a ler para o João, de cinco anos, algumas páginas de um livro novo. O livro falava sobre os pais e os filhos, os seus comportamentos, as suas atitudes e as suas escolhas… A certa altura, surgiu uma questão interessante: “Os pais são perfeitos ou têm sempre razão?” A mãe olhou para o rostinho atento do João e perguntou-lhe: “O que achas, João?” A resposta do menino não demorou: “Os pais são perfeitos, mas nem sempre têm razão!”

Quanto amor, quanta compreensão e quanta verdade numa frase tão pequena! Que olhos tão puros e tão preciosos estes, que veem os pais como pessoas perfeitas, apesar das suas falhas! No início das Escrituras lemos que o Senhor criou o homem à Sua imagem e semelhança:

“Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; (…) Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Génesis 1:26-27)

Mas depois, um pouco mais à frente na Bíblia, após a entrada do pecado no mundo, lemos que Adão gerou um filho à sua própria imagem:

“Viveu Adão cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e lhe chamou Sete.” (Génesis 5:3)

A perfeição de Deus foi substituída pela imperfeição humana. O amor, no entanto, traz-nos de volta à semelhança do Criador, o Deus de amor. E, nesse amor pelos filhos, os pais são quase “perfeitos”, mas todos sabemos que nem sempre temos razão… Então, o que devemos fazer quando nos damos conta de que não dissemos as palavras certas, ou não tivemos a atitude correta, de que não tivemos razão ou não fomos “perfeitos”? Humildemente, admitir o erro e pedir perdão – é o que devemos fazer. Também é importante reconquistar a confiança dos filhos, quer sejam crianças, quer sejam adultos. Isso requer tempo, esforço, doação e entrega à missão de sermos pais. Eles precisam saber que os valorizamos acima das outras coisas da vida. Eles precisam saber que são mais importantes do que a carreira profissional dos pais, ou a aquisição de bens, ou as viagens, o lazer, o grupo de amigos, os projetos pessoais e tudo o que é menor do que Deus na nossa vida. Eles precisam saber que os pais erram mais vezes do que gostariam, mas o seu amor é incondicional, um bocadinho semelhante ao amor de Deus, apesar de tudo.

“Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados.” (1 Pedro 4:8)

Clarisse Barros
Professora e escritora

Nós somos seres singulares – Ana Isabel Marques

853 1280 Aliança Evangélica Portuguesa

“Ajusto-me ao que sou, não ao mundo.”
Anais Nin

Nós somos seres singulares.

Desde que há “humanidade”, desde os dias da criação do homem e da mulher, cada ser tem uma impressão digital única. Deus vê-nos assim: únicos em essência- homem e mulher.

Jeremias 1:5 “Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei

Tendo este conceito em mente, devemos lembrar que o amor do nosso Deus, por nós, é do mesmo modo singular, e sem excepção de género.

Com este pensamento em mente, existe um tema que me intriga pela sua relevância actual, embora ele seja transversal ao passar do tempo e mesmo à Lei Bíblica.

Até Jesus Cristo ter iniciado o seu ministério, as mulheres e as crianças não tinham relevância. Não eram contadas (vemos um exemplo disto quando há as duas multiplicações de pães e peixes, em que na referência Bíblica são apenas contados os homens, e acrescentam “além de mulheres e crianças”; Mateus 14:21; Mateus 15:38)

Ao abrigo da Lei Moisaica vemos muita descriminação em relação às mulheres e crianças e Jesus vem quebrar esta segregação. Obviamente passara a haver abusos causados pela “conveniente” interpretação da Lei de Deus. Vimos Jesus lidar com um deles em João 8:3-11, quando a mulher surpreendida em adultério, é sentenciada a apedrejamento, conforme era previsto na Lei (nesta passagem não é referido o homem, no entanto se ela é surpreendida, tem de haver um homem também). A Lei procurava ser justa mas a execução pecava por falta.

Nos dias de hoje e segundo a estatística da ONU, “as mulheres e crianças são submetidas a diversas formas de violência: física, sexual, psicológica e económica, tanto dentro como fora das suas casas.” A violência tornou-se um escape do pecado e um modo de exercer autoridade sem respeito.

Jesus quando confrontado com qualquer tipo de descriminação contra mulheres ou crianças, sempre usou a sua autoridade na defesa dos mesmos, sabendo a sua fragilidade de condição. Na verdade, procurou a amizade de mulheres (as irmãs, Maria e Marta), retirou o estigma da contaminação pelas mulheres com o período (a mulher que o tocou com o fluxo de sangue), falou com prostitutas (João 8:3) e gentias (João 4:5), e permitiu que mulheres fossem suas discípulas e seguidoras (Mateus 27:55-56,61) e a estas deu-lhes o privilégio de serem as primeiras a verem a ressurreição (Mateus 28:1-9).

Nunca foi o propósito de Deus permitir que alguém (homem/mulher/criança) sofram ou exerçam qualquer tipo de violência (Colossenses 3:9 “Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos”) mas infelizmente a realidade é outra.

Pela estatística da APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vitima), ao longo do ano de 2016, houve um aumento de 8,1% em violência, em relação a anos anteriores. Esta violência é exercida a crianças, adultos e idosos mas 86,3% é com mulheres, com idade superior a 47 anos.

Tenho consciência que este é um assunto melindroso e muitas vezes mal-entendido e não acontece apenas “no mundo”. Está dentro das Igrejas e são muitos os crentes que exercem algum tipo de violência. Este assunto é como uma epidemia silenciosa em que todos são complacentes. Nos EUA um estudo chamado: “I Believe You: Sexual Violence and the Church,”relata que 65% dos pastores nunca falaram deste assunto ou se falaram, fizeram-no apenas uma vez. Numa entrevista recente à CBN News, o Dr. Benjamin Keyes, representante da Regent University, no departamento de estudos continuados ao Trauma, referiu que, e passo a citar, “Unfortunately, in Christian marriages we have a much greater frequency of domestic violence than we do in non-Christian homes,”. (“Infelizmente, em casamentos cristãos nós verificamos uma maior frequência de violência doméstica do que nos casamentos não-cristãos”). Ainda acrescentou que as mulheres não falam do assunto por diversas razões, “It brings on that shadow of shame and a lot of guilt and ‘I’m not going to do anything to rock the boat so I’ll keep the secret in the context of the family,”(“Tráz a sombra da vergonha e muita culpa, por este motivo não vou fazer nada que possa desestabilizar a união e vou manter o assunto no contexto familiar”).

O Dr.Keyes ainda acrescentou que a mulher fica em “casa” por razões financeiras, pelos filhos e na maioria das vezes porque acreditam que não há “saída” para elas.

A violência nunca foi algo aprovado por Jesus sob qualquer circunstância e ao longo de 3 anos de ministério, fosse com crianças, mulheres, povos de outras nações, etc, ele sempre tinha amor para dar e muita compreensão. Usou muitas vezes os grupos minoritários para irritar “os perfeitos” e corrigiu muitas vezes os seus próprios discípulos quando caiam no mesmo erro.

Todos temos de ter coragem de falar e chamar à atenção, mesmo indo contra o Status Quo. Não é por não falarmos que o assunto deixa de acontecer. As estatísticas nos EUA falam por si e são assustadoras. Embora em Portugal não haja uma estatística séria no meio cristão evangélico, do que acontece nos chamados “lares cristãos”, a verdade é que a realidade deve ser semelhante, proporcionalmente. Estudos nos EUA mostram que 25%-35% dos casamentos têm algum tipo de violência, que 10% das mulheres casadas são violadas pelos seus maridos, ou têm algum tipo de relacionamento sexual não consensual, que em média, 40% da congregação de uma Igreja já foi “magoada” por algum tipo de violência horrível (retirado do artigo de, Patheos, Church Statistics and Abuse- 15 de Fevereiro de 2014- por Suzanne Calulu)

(Pode ler mais em http://www.patheos.com/blogs/nolongerquivering/2014/02/church-statistics-and-abuse)

Por mais difícil que seja falar deste assunto, a verdade é que quanto mais nos “ajudarmos” uns aos outros, (uma doutrina que a Bíblia refere fervorosamente: “uns aos outros”…) mais estaremos a trazer a Graça para dentro do “nosso” Cristianismo. Há um livro de ficção, que teve um grande impacto na minha vida, cujo o título é: “Em meus Passos que faria Jesus”, que nos ensina a pensar desse modo: -“eu sei que há violência na casa tal…o que é que Jesus faria no meu lugar!?” ou “eu estou a ser alvo de violência e não tenho coragem de falar sobre o assunto ou tenho medo das repercussões…o que é que Jesus faria se soubesse e estivesse aqui!?”.

O medo paralisa-nos. A Graça de Deus dá-nos coragem. Encontra o teu caminho. Procura apoio, orações, familiares ou amigos que te possam proteger.

Normalmente um “violentador” de qualquer espécie protege-se pelo medo que infringe na vítima, denegrindo a sua imagem, inferiorizando-a(o), descobrindo o seu ponto fraco e accionando-o (não tem emprego, não tem família, não tem com quem falar, não tem auto-estima, é menor de idade…) ou valendo-se da sua própria autoridade (um pai, um marido, um líder, uma alta patente, alguém bem conceituado na sociedade civil ou religiosa, etc).

O que a Bíblia diz:

Provérbios 31:8,9″Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados”.

I João 3:18 “Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em acção e em verdade.”

Provérbios 29:11 “O tolo dá vazão à sua ira, mas o sábio domina-se.”

Provérbios 26:23-25 “Como uma camada de esmalte sobre um vaso de barro, os lábios amistosos podem ocultar um coração mau. Quem odeia, disfarça as suas intenções com os lábios, mas no coração abriga a falsidade. Embora a sua conversa seja mansa, não acredite nele, pois o seu coração está cheio de maldade.”

Malaquias 2:16 “Eu odeio o divórcio”, diz o Senhor, o Deus de Israel, e “o homem que se cobre de violência como se cobre de roupas”, diz o Senhor dos Exércitos. Por isso tenham bom senso; não sejam infiéis.

A violência é contagiosa. A Bíblia diz em Provérbios 16:29 “O homem violento alicia o seu vizinho, e guia-o por um caminho que não é bom.”
Os infiéis tem um apetite de violência. A Bíblia diz em Provérbios 13:2 “Do fruto da boca o homem come o bem; mas o apetite dos prevaricadores alimenta-se da violência.”
Não imite a uma pessoa violenta. A Bíblia diz em Provérbios 3:31 “Não tenhas inveja do homem violento, nem escolhas nenhum de seus caminhos.”
Aqueles que são violentos sofrerão violência. A Bíblia diz em Mateus 26:52 “Então Jesus lhe disse: Mete a tua espada no seu lugar; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.”

Os cristãos são exortados a evitar toda forma de ira descontrolada, até mesmo a violência verbal. (Gálatas 3:19-21”Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções
e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti, que os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus.” e Efésios 4:31 “Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade.)

Como conclusão eu acredito que muitos de nós, a um determinado ponto da vida, já perguntámos a Deus: “Até quando Senhor clamarei a Ti por socorro e Tu me ouvirás!?” (Habacuque 1:2) “E apenas mais um pouco, e o iníquo não mais existirá. . . . Mas os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz.” (Salmo 37:10, 11) Para salvar os mansos e pacíficos, Deus fará com que os que amam a violência tenham o mesmo fim das pessoas da antiga Nínive. Depois disso, a violência nunca mais vai prejudicar a Terra! — (Salmo 72:7).

Amén!

 

Ana Isabel Marques
Igreja Baptista de Loures e Igreja Baptista de Arruda dos Vinhos

A Voz – Marta Pego e Pinto

860 1280 Aliança Evangélica Portuguesa

O princípio da narrativa divina – o Génesis – inclui várias histórias de famílias, com Adão e Eva à cabeça. No entanto, a mais longa e densa é a de Abraão e Sara, que aparecem no fim da genealogia do capítulo 11. Aí Sara merece apenas dois breves comentários descritivos, que não deixam de ser significativos: ela é “mulher de Abrão” e “estéril”. Dizer isto, no contexto da altura, era dizer que Sara não tinha valor algum. A sua participação na grande narrativa poderia bem terminar ali…

Bem, nós que conhecemos esta história sabemos que não foi isso que aconteceu. A promessa feita a Abraão – “Farei de ti uma grande nação… e em ti serão benditas todas as famílias da terra.” – será cumprida por meio de Sara, apesar de todas as adversidades pessoais e circunstanciais. Quando chegamos ao capítulo 21 de Génesis, regozijamo-nos com Sara pelo nascimento do seu filho Isaque. A infertilidade deu lugar à fertilidade, a invisibilidade à visibilidade, o choro ao riso. E Sara sabe quem fez tudo isso – “Deus me trouxe riso”!

Essa nova identidade, adquirida após muito sofrimento e fruto do reconhecimento que Deus estava presente na sua história particular, permitiu a Sara tomar posição quando a tensão voltou ao seio familiar. Numa situação muito delicada, ela seguiu a sua intuição e protegeu o seu filho, e a herança que lhe estava prometida, face a Ismael, filho de Abraão com Agar. E Deus reconhece e reafirma Sara nesse papel protetor. Ele diz ao desgostoso Abraão: “Em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz…”

A história continua e Deus não irá desamparar nem Agar, nem o seu menino. Aliás, ele escuta a sua voz de lamento e responde com uma promessa também. Contudo, o ponto que quero sublinhar prende-se com a descoberta de Sara da sua voz, que advém do reconhecimento da ação de Deus na sua vida e que lhe permite assumir plenamente a sua vocação, não apenas de mãe de Isaque, mas de mãe da promessa, promessa na qual somos também incluídos nós.

Ter uma “boa voz” faz toda a diferença. Há concursos na TV que exaltam as vozes poderosas e afinadas. Há vozes que mexem connosco mais intimamente do que outras. Também não ficamos indiferentes a alguém capaz de tomar a palavra e de a discorrer com clareza e profundidade. Mas as vozes que falam mais “alto” são aquelas que brotam de um coração sincero, que são fruto de experiências genuínas e que encontram o seu fundamento no propósito que Deus oferece a cada um(a).

A busca da nossa voz própria é difícil. Queremos soar como os outros. Proferimos palavras emprestadas. Silenciamo-nos a nós mesmas por esta ou aquela razão. Por vezes, são precisos muitos anos para descobrirmos a “nossa voz”. Mas devemos descobri-la para usá-la como instrumento de bênção e para glória de Deus!

Sara permanece como uma figura secundária na história do Génesis, tal como a maior parte das mulheres nas restantes Escrituras. E ainda bem, visto que o grande protagonista é Jeová. No entanto, a Palavra de Deus parece querer, à revelia quase do contexto patriarcal em que foi escrita, chamar a atenção para o papel das mulheres no desenrolar da narrativa bíblica.

Basta abrir o Velho Testamento para encontrarmos vários episódios em que a presença e a voz de mulheres fieis se fazem sentir e assim permitem que a história avance de acordo com a vontade de Deus.

Em Juízes 4 lemos que a profetiza Débora convoca Baraque, em nome de Deus, para ir para a batalha com a promessa de vitória. E Baraque diz a Débora: “Se fores comigo irei; mas se não fores comigo, não irei.” Ao que Débora responde: “Certamente irei contigo. Porém não será tua a honra desta expedição, pois nas mãos de uma mulher o Senhor entregará a Sísera.” E essa mulher foi Jael.

No livro de Rute, surgem-nos duas mulheres destemidas, prontas para avançar para lá das amarguras da vida. Rute, uma pobre mulher estrangeira, não baixa os braços perante a adversidade, não se torna passiva, mas segue a estratégia cuidadosamente pensada pela sogra Noemi. Na sua fragilidade e humildade, ela arrisca e acaba ouvindo estas palavras de Boaz: “Tudo o que pedires, eu te farei.” (Rute 3)

Também a história de Ana, registada nos primeiros capítulos de I Samuel, está repleta de ensinamentos. Ana é uma mulher profundamente humilhada, devido à sua esterilidade e ao facto de partilhar o marido com uma mulher que a despreza. A sua dor calara-a ao ponto de nem no seu lamento perante o Senhor se ouvir a sua voz (I Sam. 1:13). Mas é na presença de Deus em oração que Ana recupera a sua voz, que afirma quem ela realmente é e que se inicia a sua restauração. A partir daquele momento, Ana passa a ser o sujeito de toda a ação e o seu marido reconhece isso: “Faz o que bem te parecer em teus olhos…”

Por fim, menciono Hadassa, mais conhecida pelo seu nome persa, Ester. Ela é uma jovem judia que esconde deliberadamente a sua identidade para casar com um rei pagão. Mesmo depois de se tonar rainha, Ester continua a ser passiva, complacente, obedecendo em tudo a seu primo Mordecai. O seu sossego só é perturbado quando um édito do rei visando a destruição do povo judeu é emitido. Nesse momento, Ester é confrontada com a sua verdadeira identidade. Apesar de todos os seus medos e hesitações, a jovem rainha acaba por assumir a sua vocação – enfrentar o rei e dissuadi-lo do seu plano. Hadassa descobre a sua voz e todo o povo, incluindo Mordecai, passa a depender dela. “Assim Mordecai se foi, e fez conforme tudo o que Ester lhe tinha ordenado.” (Ester 4:17)

A Bíblia está cheia de histórias no feminino que nos devem fazer refletir, inclusive sobre o papel atribuído à mulher na igreja. Precisamos das vozes de todos, homens e mulheres, velhos e novos, semelhantes e diferentes, para discernirmos a voz de Deus. Em particular, como mulheres, devemos abraçar a forma maravilhosa como Deus criou cada uma de nós, devemos aceitar a nossa vocação, qualquer que ela seja e, acima de tudo, devemos assumir a nossa voz própria, sem receio, no poder do Espírito e para que o Reino de Deus avance a cada dia neste nosso mundo!

Marta Pego e Pinto
Missionária com Agape Portugal
Bibliografia: James, Carolyn Custis, “Lost Women of the Bible”, Zondervan

Palavras de paz e sobre a paz – Elsa Correia Pereira

1280 960 Aliança Evangélica Portuguesa

Shalom. Hoje escrevo sobre uma das minhas palavras favoritas – paz. Paz é o que nos permite desfrutar de todas as bênçãos e dádivas que temos.

Vivemos num mundo de guerras. Grandes guerras e guerrinhas. Por isso, a paz não pode vir de fora, das circunstâncias, mas tem de vir de dentro de nós, de algo, de Alguém maior. Deus quer abençoar-nos com paz – com a paz que excede todo o entendimento (Filipenses 4:7).

Há 3 tipos de paz que devemos procurar e que precisamos ter para viver: paz com Deus, paz com os outros e paz connosco próprios.

Paz com Deus é a principal e mais importante paz que podemos ter e está ao nosso alcance através de Jesus Cristo (Romanos 5:1).

Paz com os outros, por vezes pode parecer um assunto difícil… Mas a Bíblia diz que, no que depender de nós, devemos ter paz com todos (Romanos 12:18). Muitas pessoas não irão concordar connosco ou nós não iremos concordar com elas, porque todos temos histórias diferentes, circunstâncias de vida diferentes, personalidades diferentes. Conflitos poderão surgir e por isso precisamos praticar o perdão diariamente.

A paz connosco próprios decorre sobretudo da paz com Deus. Se aceitarmos o seu perdão e o Seu amor, somos capazes de perdoar os nossos erros e de compreender que temos muito valor pois Jesus deu a Sua vida por nós.

A Bíblia fala-nos de paz muitas vezes. Vale a pena ler e apropriar-nos das belas promessas de paz que Jesus ganhou para nós na cruz.

Em Levítico 26:6, a paz surge como um presente de Deus para aqueles que lhe obedecem: “Darei paz na terra, e dormireis seguros sem que ninguém vos perturbe”.

A paz era um elemento fundamental quando se abençoava alguém: “O Senhor sobre ti levante o Seu rosto e te dê a paz” (Números 6:26). Não uma paz qualquer, mas a paz que provém do Deus da paz e que nos inunda de tranquilidade. Moisés, quando abençoou a tribo de Aser, disse: “a tua paz durará como os teus dias” (Deuteronómio 33:25).

Somente Deus nos pode conceder paz para que nos deitemos e durmamos em segurança (Salmo 4:8). O Salmo 119:165 ensina-nos que quem ama a Lei de Deus, a Sua Palavra, tem muita paz.

Nos tempos do Velho Testamento, a paz era tão importante que em vez do “Bom dia” as pessoas diziam “Paz seja contigo”, e em vez do “Adeus, até à próxima” diziam “Vai em paz”. Talvez precisemos de voltar a valorizar a paz na nossa vida: escolher as nossas companhias, as nossas conversas, os projetos em que nos envolvemos, o tempo que despendemos a trabalhar, o tempo que passamos com Deus. Uma vida simples elimina os pontos de stress, deixa-nos mais tempo para estar em contacto com Deus e multiplica a nossa paz.

No tempo dos Juízes, quando a autoridade que estava à frente do povo de Israel obedecia a Deus, o país tinha paz por muitos anos. Salomão achou graça aos olhos de Deus e Ele concedeu-lhe paz em todas as Suas fronteiras (I Reis 5:4). Ele utilizou essa paz para servir a Deus construindo o Seu templo com todo o detalhe e dedicação. E nós? Para que estamos a usar os nossos tempos de paz? Outro rei a quem Deus concedeu paz foi Josafá, pois Ele buscava a Deus (II Crónicas 20:30). E há muitos outros exemplos semelhantes.

Deus é Deus de paz. Jesus é chamado o Príncipe da Paz (Isaías 9:6). Ele promete abençoar o Seu povo com paz (Salmo 29:11). Ele ensina-nos a procurar a paz e segui-la (Salmo 34:14.) Diz que os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz (Salmo 37:11).

Ver a paz é promessa para quem teme o Senhor (Salmo 128:6). É Ele, e não o nosso esforço, que nos coloca em paz em todos os lados (Salmo 147:14).

Provérbios 3:2 ensina-nos que os mandamentos de Deus prolongam a vida e dão prosperidade e paz, e Provérbios 3:17 associa a sabedoria a caminhos de delícias e a veredas de paz. Os que aconselham a paz têm alegria (Prov. 12:20) e o coração em paz traz saúde (Prov. 14:30). O escritor de Provérbios também adverte que é melhor ter pouco com paz, do que muito com conflitos (Prov. 17:1).

Quando confiamos em Deus, Ele nos conserva em paz (Isaías 26:3). O povo de Deus habitará em moradas de paz (Isaías 32:18).

A paz, está associada à justiça (Isaías 32:17).

Devemos anunciar a paz (Isaías 52:7) – o que temos feito com as palavras da nossa boca?

O castigo, que nos traz a paz estava sobre Jesus (Isaías 53:5). Aleluia! Ele ganhou para nós a paz, na cruz do Calvário!

A aliança de paz que Deus fez connosco não mudará (Isaías 54:13, Malaquias 2:5).

Jesus deixou-nos a Sua paz especial, que não se abala por qualquer coisa, mas que fica connosco de forma permanente e perene, de modo a que o nosso coração não se atemorize. (João 14:27).

Grande será a paz dos descendentes daqueles que temem a Deus (Isaías 54:13).

O povo de Deus será guiado em paz (Isaías 55:12).

O Senhor estende sobre nós a Sua paz (Isaías 66:12).

Devemos procurar a paz do Senhor no local para onde Deus nos transportou (Jeremias 29:7).

Deus tem pensamentos de paz e prosperidade a nosso respeito (Jeremias 29:11).

O Senhor nos manifestará abundância de paz e de verdade (Jeremias 33:6).

O povo de Deus viverá em paz e segurança (Jeremias 43:27).

Mesmo depois de problemas e revezes, o Senhor dará a paz (Ageu 2:9).

Por fim, um dos versículos mais preciosos para mim “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais Ele concede o Seu favor” (Lucas 2:14), foi o cântico dos anjos aquando do nascimento de Jesus. Uma promessa maravilhosa transmitida por Deus ao ser humano, na forma cantada!

Por causa de Jesus, Deus nos concede o Seu favor, e no Seu favor há abundância de paz! Desfrute desta paz que há em Jesus, todos os dias.

Quando se sentir desanimada relembre as promessas de paz e de bênção que temos na Palavra de Deus e fortaleça-se no Senhor; ganhe novo ânimo e seja inundada de paz!

Elsa Correia Pereira
Socióloga

Entrevista 1 – Helena

360 288 Aliança Evangélica Portuguesa

“A oração é tremenda e maravilhosamente um mistério!”

Helena Pais Martins é coordenadora do Desperta Débora, em Portugal, um ministério de mães e pais cristãos que, por todo o país, assumem um compromisso de oração pelos seus filhos e não só. Vamos saber mais.

 

AEP: Quem é a Helena?

Helena: Sou ‘alfacinha’ – lembro-me da grande confusão que senti quando ouvi esta expressão pela 1ª vez, com os meus 7 anos… porque é que eu era alfacinha = alface pequena??? – vinda de Angola, onde tal nunca me tinha sido dito…

Fui para o Negage, pequena vila no norte de Angola, aos 2 anos de idade. Por motivos de saúde voltei a Portugal com 7 anos. Junto da minha avó materna, muito zelosa na sua fé, tive pela primeira vez a noção de Deus, maior consciência do meu pecado. Só que o perdão vinha através de penitências aos pés dos santos… mas recordo o alívio após cada confissão e a alegria na comunhão… De volta a Angola, desta vez a Luanda, por mão de uma amiga dos meus pais, entrei pela primeira vez numa Igreja Evangélica. A primeira impressão foi muito forte e nunca esquecida: As pessoas falavam diretamente com Deus e tratavam-nO por tu! Com reverência, com respeito, via-se que tinham com Ele um grande à vontade! Surpresa das surpresas! Então era possível falar diretamente com Deus?!? Ele não era o tal Deus inacessível, precisando eu da mediação dos santos? Esta descoberta fantástica prendeu-me a este Deus de amor, que fica à distância de uma oração, como tantas vezes dizemos. Ouvi o bater de Deus na minha vida e deixei-O entrar. Tinha 13 anos. Batizei-me com 15. Cresci.  Física e espiritualmente.  Deus prendeu-me a Ele e à Sua Palavra. Usou o meu professor de Escola Dominical, mestre na Palavra e no ensino; e o meu pai pelo seu zelo na leitura diária da Bíblia. Como todos os jovens também tive os meus desafios, as minhas lutas. Por Sua graça infinita, permaneci fiel e firme na caminhada com o Senhor.

(só uma nota: a minha avó, por testemunho da minha mãe, também veio a conhecer Cristo como seu Salvador!)

O Senhor deu-me oportunidades extraordinárias: na Igreja aprendi a partilhar a Palavra, a estar em público, participando nas festas de Natal, Páscoa, etc. Tive a oportunidade de ir para uma Escola Bíblica na Alemanha, vocacionada para a preparação e formação dos leigos, dentro da mesma Escola estive na Inglaterra. De regresso a Portugal para frequentar a Universidade em Coimbra, o Senhor em Sua Graça sempre me envolveu em ministérios onde o estudo da Palavra eram essenciais para com eles O servir: a Aliança Pró-Evangelização de Crianças (APEC), Grupo Bíblico Universitário (GBU) já no Porto, pois já estava a lecionar perto… E sempre me permitiu servir na Igreja local, com crianças, com jovens, com adultos e no ministério com mulheres (antigamente dizia-se ‘senhoras’ e eu já sou antiga…).  Neste meio tempo casei. Com um homem, que como tudo o resto na minha caminhada, foi dádiva preciosa do Senhor, que me amou e acompanhou durante quase 35 anos. Tanto na Igreja local, como no GBU e no Desperta Débora todos o conheceram pela sua entrega e disponibilidade para servir comigo. Agora está com o Pai. Tivemos dois filhos, o Pedro e a Ester, também eles preciosas dádivas do Senhor. As razões de eu me ter tornado Débora…  Hoje, já aposentada, continuo envolvida no ministério Desperta Débora, até que o Senhor o permita.

AEP – Como se iniciou a prática da oração na sua vida?

Helena – A oração sempre foi algo muito especial para mim. Recebi ensino quanto à importância da oração na nossa vida cristã, tinha o hábito de orar de manhã antes de ir para o liceu, antes de entrar na sala de aula quando ia fazer testes. No entanto, creio que o meu amadurecimento nessa área, o desejo de intimidade com o Senhor e o apreciar essa intimidade só se deu mais tarde, durante a Escola Bíblica.

 AEP – Qual o papel da oração na vida cristã?

Helena – A oração é essencial na nossa caminhada espiritual. Muitas vezes vemos a oração de uma forma redutora – oramos para pedir a Deus o que necessitamos… Só que a oração é antes de mais uma conversa, um encontro de dois corações. É desfrutar da companhia do Senhor, da comunhão impar com o Salvador. É perceber que tenho acesso ilimitado ao Senhor do Universo, ao Deus Todo Poderoso, que, no entanto, me vê e se preocupa comigo, uma minúscula partícula de pó. Que esta partícula de pó tem um estatuto todo particular: filha amada! E sim, posso pedir, falar-Lhe do que me vai na alma e interceder! E Ele, que não precisava de nós para abençoar o mundo, escolheu fazê-lo em resposta às nossas orações! Papel vital.

AEP – Hoje dirige o Desperta Débora. O que é?

Helena – O Desperta Débora é um ministério de oração que congrega mães e pais e os desafia a interceder pelos seus filhos, de uma forma comprometida, diariamente, quinze minutos por dia.

AEP – A oração de uma mãe é diferente de outra oração? Em que medida?

Helena – A oração de uma mãe só se torna diferente quando ela entende que orar pelos filhos não é ir à presença de Deus orar a seu favor. É colocar-se nas mãos de Deus para ser uma intercessora, com o discernimento de que está a entrar numa batalha diariamente, é orar sem cessar, é ocupar a brecha na vida dos filhos, é revestir-se de toda a armadura, é entregá-los nas mãos de Deus e retirar-se de cena.

AEP – Costuma dizer que a oração é um mistério. Porquê?

Helena – É tremenda e maravilhosamente um mistério! Não podemos esquecer como temos acesso ao trono da Graça: foi a obra de Jesus na cruz e a Sua ressurreição! Ele reconciliou-nos com o Pai. Por Ele fomos feitos filhos de Deus e podemos então conversar com o Pai. Ele fez tudo para abrir este caminho! E então coloca-se a pergunta: Para agir nas vidas e no mundo Deus quer que intercedamos? Porque nos usa? A nós? Quem somos nós? Porque não os anjos? Que método, que estratégia! Então Ele conquista o nosso coração, derrama em nós o Seu amor e vemo-nos a clamar, não o que queremos, mas desejamos ajustar-nos mais e mais ao Seu querer, ao Seu propósito! E isto não é um extraordinário mistério? Porque é que Deus escolheu esta forma de mostrar o Seu poder e cuidado pelo mundo que tanto amou? Através da minha oração?!

AEP – Quantas Déboras existem em Portugal?

Helena – Hoje somos novecentas e sessenta e três Déboras, vindas de  mais de 170 Igrejas. Não temos o mesmo nível de contacto com todas. Por várias razões a comunicação entre Coordenadora de Igreja e o Desperta Débora, em alguns casos, foi-se diluindo, ou não chegou a existir. E embora se tenha tentado reatar, perceber, nem sempre fomos bem-sucedidos. Quando a liderança se envolve e apoia a Coordenadora e o Grupo de Déboras na Igreja, então tudo é muito diferente!

AEP – Como mulher cristã, que significado tem tido para si dirigir o Desperta Débora em   Portugal?

Helena – Dirigir o Desperta Débora tem sido desde o início um grande desafio! Recordo bem a minha resistência quando recebi o convite para coordenar o Desperta Débora em Portugal! Aceitei na convicção de que era (e é ainda) a vontade de Deus. Como mulher cristã sinto-me privilegiada por meu Senhor me ter escolhido para esta tremenda tarefa e muito, muito abençoada.

AEP – Como mãe e prof. quais lhe parecem ser os grandes motivos de oração pela nossa Juventude em Portugal?

Helena – Em primeiro lugar todos os jovens precisam de ver Jesus como o Filho de Deus, que os ama profundamente, e tem poder para responder a todas as suas dúvidas e anseios neste séc. 21. A Sua Palavra continua a ser o manual onde podem recolher ensino e orientação para a vida, para serem pessoas íntegras, por inteiro.

Porque creio que, em segundo lugar, eles precisam de um sólido fundamento para as suas decisões, escolhas. Os jovens sentem-se à deriva, buscam soluções onde não existem, procuram conselhos em quem não os sabe dar e em quem não se interessa de facto por eles.

Em terceiro lugar precisam de amor, de entender o que é o amor e a melhor demonstração está na Pessoa de Jesus.

Descubram eles quem Jesus é e tudo o resto entrará em ordem. Precisam de jovens cristãos verdadeiramente imitadores de Cristo. Os jovens cristãos precisam de ser sustentados na sua fé e no seu testemunho.

AEP – Quem desejar ter mais informação sobre este movimento de oração onde poderá encontrá-la?

Helena – No Facebook, ou contacto direto através do email:

coordenadora@despertadebora.com

do telefone 261 094 462 ou do tm 912 653 447

AEP – Planos para o futuro do Desperta Débora?

Helena – Crescer em número – atingir as 1.000 Déboras muito em breve e ultrapassar as 1.100 em 2018

Reforçar o apoio às Coordenadoras de Igreja

Visitar mais Igrejas e estabelecer Grupos de Déboras – 4 em 2018

Desenvolver ações concretas: cercar as escolas em oração – 1x por mês a nível nacional, realizar a Parada Nacional no Dia Mundial da Criança

AEP – Um versículo especial para si

Helena – Terei que referir dois. O Senhor os colocou na minha vida ao terminar a Escola Bíblica e têm sido o fundamento / desafio para a minha vida:

“(…) A quem muito for dado, muito se exigirá, e a quem muito for confiado, mais ainda se pedirá.” Lucas 12:48b

Este versículo atingiu-me em cheio e fiquei mesmo muito temerosa. Eu sabia bem que tinha recebido muito. O que me ia acontecer daí por diante? Fiquei aos Seus pés incapaz de agir. O Senhor em Sua Graça e suficiência deu-me o outro. Sempre ligados na minha mente e coração.

“Posso enfrentar todas as dificuldades naquele que me fortalece.” Filipenses 4:13

Com esta Palavra animei-me e confiei. E hoje continuam a ser o meu esteio. Glória ao Senhor!

 

Olhos no Horizonte

1280 853 Aliança Evangélica Portuguesa

O Farol de Díli representa um lugar muito querido da minha infância. Em noites de calor, passeávamos por ali depois do jantar, saboreando a brisa suave. Aquela luz forte projectava-se ritmicamente sobre o ondular das águas, que vinham tocar suavemente a praia.

Era habitual cruzarmo-nos com amigos que ali tinham vindo ao mesmo. Desfrutávamos momentos de um caminhar ameno, ao ritmo de conversas acerca de um dia-a-dia simples, agradavelmente simples, com o som tranquilo do mar, ao fundo. Não havia televisão nem centros comerciais. De computadores não se ouvira falar. Iniciava-se a década de 70.

Como criança, recordo-me de ter escutado, certa vez, uma notícia que me impressionou e se prendia com o meu imponente farol. Contavam os adultos que, por vezes, havia pessoas que vinham passar a noite ali mesmo. Nos meus 9 ou 10 anos, que não me recordava de alguma vez ter passado a noite noutro lugar que não fosse a minha cama, ouvi e fiquei impressionada. Eram militares portugueses que, prestes a concluir a sua comissão de serviço de dois anos naquele lugar, decidiam eleger como seu lugar favorito a zona do Farol, numa noite especial: a véspera da chegada do navio enorme que, sulcando diferentes oceanos, os traria de volta a Portugal, numa viagem de dois meses. De binóculos em punho, viviam ali, pela noite fora, a emoção de ser os primeiros a avistar o almejado navio. Olhos postos no horizonte, esperavam ansiosamente que a primeira claridade da madrugada lhes permitisse divisar lá ao longe um ponto minúsculo, depois a proa, a seguir alguns dos mastros, depois… Era o sonho a aproximar-se, a ganhar contornos cada vez mais claros e definidos, a tornar-se real.

Pela manhã, muita gente acorreria ao porto de Díli, a observar o navio acabado de atracar. Aí viriam muitos outros militares que, tendo dormido no quartel, queriam agora saborear a chegada do navio, ainda que não fosse o “seu”.

Muitos anos antes, na cidade de Jerusalém, um homem olhava fixamente o horizonte da vida. Havia-lhe sido assegurado que os seus olhos veriam acontecer algo magnífico. Era uma promessa de anos, aguardada dia-a-dia. Observava o fluir do tempo, atentamente, numa expectativa que não se desvanecia. Iria acontecer!

Tal como outros aguardavam o navio a surgir ao longe, ele mantinha o olhar esperançado no futuro. Contrariamente a esses, ele desconhecia o dia designado para vir a vislumbrar o sonho materializado. Por isso esperava, na convicção de que qualquer dia poderia ser “o dia”!

Numa certa manhã, sentiu-se impelido a ir ao Templo. Ali, num momento emocionado, encontrou um casal que trazia consigo um bebé. Ao tomar aquela criança nos seus braços, Simeão sentiu-se invadido por uma gratidão imensa. Finalmente acontecera aquilo que lhe fora revelado (S. Lucas 2:26) e louvou a Deus: “Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra, pois já os meus olhos viram a tua salvação.” (S. Lucas 2:29,30)

Se hoje o horizonte parecer um vácuo desanimador, deverei lembrar-me de que isso é tudo o que o meu limitado olhar consegue alcançar. É apenas isso. Não significa que Deus não terá mais nada para mim, como tantas vezes somos tentadas a pensar. O facto de não vermos não significa que não exista. Ana não via um filho chamado Samuel, a viúva Rute não via um segundo marido, os discípulos não viam uma refeição imensa para a grande multidão, Pedro não via a moeda com que iria pagar o seu imposto, Geazi não via o exército que o defendia, e a lista poderia continuar… Deus colocou essas bênçãos diante do olhar deles no momento certo.

Eu não vejo devido à minha condição humana, que só me permite ver a vida momento a momento. Contudo, eu creio, porque sei que não vejo tudo. O horizonte de Deus para a minha vida é bem maior que o meu. E aquilo que eu vier a ver, só será novidade para mim, não para Deus, pois será algo que há muito estava desenhado no Seu amplo horizonte para a minha vida. Por isso, devo deixar desabrochar um sorriso nos meus lábios e uma canção no íntimo, desfrutar os relacionamentos, saborear oportunidades, acolher desafios novos. Deixar que os meus temores sejam substituídos pelo Seu amor. E, no tempo certo, será visível no meu horizonte aquilo que já era tão claro e definido no d’Ele: novos planos e conquistas para a minha vida.

Com esta certeza em Deus, desfrutemos de um Feliz Ano Novo!

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária
Membro da Direcção da Aliança Evangélica Portuguesa

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