• Siga-nos nas redes sociais

Mulheres

Quem Criou o Sorriso? – Clarisse Barros

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

A família era grande. Havia muitas crianças. Um bebé de colo e vários outros filhos já em idade escolar e pré-escolar. Naquele dia, estavam todos em casa. Todos, menos o pai. Onde está o pai? A trabalhar. Outra vez? Mas hoje é sábado… Sim, mas o pai trabalha por turnos, só vem à noite, muito tarde, quando já todos estiverem a dormir. Ah, pois é…

A mãe tinha as costas curvadas por causa do peso do bebé e ia realizando algumas tarefas com uma mão apenas. Parecia muito cansada. Tinha aquele ar pesado e triste de quem está exausta e preocupada. As duas rugas verticais vincadas no meio da testa mostravam às crianças que ela não estava com capacidade para brincar, nem tolerar traquinices. Os filhos mais velhos estavam a fazer desenhos e a ver televisão. Estava tudo sossegado…

A criança de quatro anos, porém, estava pensativa. Aproximou-se e ficou a observar a mãe, em silêncio, durante alguns momentos, com os seus grandes e lindos olhos castanhos. Depois, uma pergunta aparentemente muito simples quebrou esse silêncio breve entre mãe e filha:

  • Mãe, quem criou o sorriso? Foi Jesus? – perguntou a pequenita.
  • Sim, foi Jesus. – Respondeu a mãe.
  • Então, por que é que nós cá em casa nunca sorrimos?

A esta nova pergunta da menina a mãe não conseguiu responder. Já não se lembrava de como era bom sorrir… Já não ouvia as suas próprias gargalhadas há muito tempo. Pensou: “Ela tem razão… Deixámos de sorrir nesta casa… Quando foi que eu deixei de sorrir? Quando foi que comecei a mostrar aos meus filhos que aqui em casa não há lugar para sorrisos?”

Olhou à sua volta vagamente e disse à menina que fosse para junto dos irmãos. Enquanto a pequenina se afastava, as lágrimas correram pelo rosto da mãe, como um regato que desliza, sem parar, sobre as pedras do seu leito. E a mãe olhou de novo à sua volta. Olhou com mais atenção para o amontoado de cabecinhas pequenas, que eram a sua maior razão de viver, e percebeu que lhes devia um sorriso. Cada uma daquelas crianças era um presente de Deus na sua vida. Todas diferentes e todas tão especiais! Mesmo que as circunstâncias fossem difíceis, mesmo que houvesse muitos problemas para resolver, mesmo que os desafios parecessem maiores do que as suas forças, ainda havia espaço e motivos para a gratidão e para a alegria. E lembrou-se das palavras registadas na Bíblia, em Filipenses 4:4, sublinhadas pela sua própria mão: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.”

“(…) portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa força.” (Neemias 8:10)

Sim, Deus criou a alegria! Ele mesmo é a nossa fonte de alegria, o motivo e a força por detrás do nosso sorriso.

Não sei o que aquela mãe vai fazer acerca do seu sorriso, mas espero que volte a sorrir. Sei que todas nós precisamos de momentos de pausa para contar as bênçãos do Senhor sobre a nossa vida e para sorrir de novo. O sorriso semeia a simpatia, a tranquilidade e a alegria. A alegria gera a força que conduz à vitória (em Deus, pela fé). Precisamos disso.

Se for necessário, reaprenda a sorrir!

 

Clarisse Barros
Professora e Escritora

Mulherzinha, Supermulher Ou Simplesmente Você? – Isabelle Ludovico da Silva

1280 853 Aliança Evangélica Portuguesa

O estigma que pesa sobre a mulher não é recente. A supremacia do homem deu-se às custas da desvalorização da mulher. O homem encarregou-se sozinho da construção do mundo e confinou a mulher na esfera privada gerando assim uma dicotomia empobrecedora para ambos. A mulher anulou-se para atender às expectativas do “príncipe encantado” e dedicou-se ao cuidado dos filhos e da casa. Esse trabalho não remunerado resultou numa dependência económica que se transferiu para o plano emocional.

Reproduzindo o modelo da própria mãe, a mulher confunde gradualmente a sua identidade com a sua função materna. Até o seu marido frequentemente passa a chamar-lhe “mãe”. Quando os filhos se tornam independentes (apesar dela, diga-se de passagem), ela tem que enfrentar a sua pior crise: a “síndrome do ninho vazio”. A relação conjugal dissolveu-se e foi substituída pelos papéis parentais que já não têm mais razão de ser. O marido investiu as suas energias no trabalho e enfrentou desafios que o levaram a crescer enquanto ela estagnava num universo restrito, delimitado pelos famosos três “C”: casa, comida e criança. Restam-lhe a solidão, a frustração e o ressentimento pela falta de gratidão do marido e dos filhos. Esta Amélia vive à sombra do marido porque teve medo de se aventurar fora do casulo da casa que serviu de proteção, mas também de prisão. O seu potencial foi tolhido enquanto desenvolvia mecanismos manipulativos para compensar a exigência de submissão, estabelecendo assim com o marido uma relação de mútua desconfiança.

A partir dos anos 60, este modelo foi rejeitado por muitas mulheres que reivindicaram a sua emancipação e partiram em busca de novos desafios. Na ânsia de compensar o tempo perdido, a mulher quis desempenhar todas as funções ao seu alcance. Esta mulher maravilha inaugurou um período no qual a luta pela sua auto-realização se travou no terreno da competição com o homem: universidade, profissionalização…, mas também dupla jornada de trabalho para não deixar de ser mãe e dona de casa e provar a si mesma que é capaz de brilhar em todas as áreas e conciliar todos os papéis… Ou por exigência do parceiro que, numa mensagem dupla, incentivou as suas conquistas profissionais desde que o equilibro familiar não fosse alterado. Ela fez o possível para se encaixar no mundo frio, objetivo e racional construído pelos homens abdicando, para isso, de uma parte fundamental da sua personalidade: a ternura, a subjetividade, a sensibilidade, o instinto, a empatia. Ela conseguiu êxito profissional, mas à custa do fracasso da sua relação amorosa e do desajuste dos filhos, sem falar do stress. Tendo investido muito na sua auto-realização, ela sente-se, pela segunda vez, frustrada e solitária. Ela passou muito radicalmente da passividade e resignação a uma atitude omnipotente.

A mulher alcança agora a sua grande oportunidade de uma verdadeira libertação. Para isso, ela precisa de encarar os conflitos e os antagonismos que convivem dentro dela, dos quais ela tentou fugir através de um ativismo desenfreado e que são frutos da coexistência interna de modelos modernos e tradicionais: a dependência de um poder-saber externo (pai, marido, médico…) apesar da descoberta dos seus próprios recursos; a expectativa incoerente de uma atitude de docilidade e fragilidade na relação afetiva contrastando com a força e determinação necessárias na vida profissional. Está na hora da mulher fazer um balanço que pode dar início a uma nova fase integradora, de resgatar a relação com o parceiro e os filhos, de renunciar à competição em favor da cooperação e do companheirismo. Ao ter a coragem de encarar os seus próprios medos, limitações, raivas, desejos, a mulher poderá também respeitar os do homem. Após ter confundido a sua identidade com a sua função de mãe e, posteriormente, com o seu desempenho profissional, a mulher quer, hoje, ser reconhecida não pelo que ela faz, mas pelo que ela é. Ela não visa somente a igualdade de direitos com o homem, mas a restauração dos valores “femininos”: sensibilidade, empatia, intuição, compaixão. Valores essenciais para construir vínculos significativos, inclusive com Deus.

Isabelle Ludovico da Silva
isabelle@ludovicosilva.com.br

Os Microplásticos – Isabel Cunha Soares

960 720 Aliança Evangélica Portuguesa

Nas últimas décadas e sobretudo nas sociedades ocidentais, tem crescido em nós uma mentalidade do descartável, levando-nos muitas vezes a crer que tudo é substituível e dispensável. Isto reflete-se nas decisões que tomamos, nos relacionamentos que temos, nas escolhas que fazemos, na forma como vivemos, afetando muitas áreas sejam elas sociais, culturais, económicas ou até mesmo espirituais. Ao mesmo tempo, a ciência e a tecnologia, têm evoluído de forma a tornarem as nossas vidas mais fáceis e com maior acessibilidade a produtos, que muitas vezes não sendo absolutamente necessários, se tornam imprescindíveis e que pela sua natureza e caraterísticas se vão tornando habituais no nosso dia-a-dia. Um desses produtos é o plástico.

Essencialmente o plástico é um polímero derivado do petróleo e como o seu nome em grego indica, capaz de ser moldado e de adquirir uma forma após a moldagem. E porque é um material barato, duradouro, resistente, leve e maleável a sua produção tem continuado a aumentar em todo o mundo.  A título de exemplo em 2009 na Europa, cerca de 40% de todo o plástico produzido foram embalagens – muitas delas, embalagens de refeições rápidas (fast food), cujo tempo de vida útil é muito curto, tão curto que não é suficiente para valoriza-las.

Mas o que acontece a todo este plástico quando o deitamos fora? Será que é um problema apenas dos municípios ou também é um problema nosso?

O lixo que fazemos e forma como o deitamos fora faz toda a diferença para o nosso bem-estar, para a saúde pública e para a saúde do meio ambiente.

No final do século 20 uma embarcação, descobriu por acaso, uma quantidade de lixo no oceano pacifico com cerca de 680 km2 de área, equivalente a 6,5 vezes a área metropolitana de Lisboa. Este lixo era na sua maioria composto por embalagens plásticas que levadas pelas correntes oceânicas ficaram retidas neste ponto do pacifico. Apenas em 2010 as Nações Unidas decidiram fazer uma monitorização por todo o mundo para se perceber qual a magnitude do problema.

Como é que o lixo vai parar ao mar?

De todo o lixo produzido, apenas um pouco mais de metade é reciclado, incinerado ou encaminhado para aterros e o que sobra fica livre no ambiente e a maior parte deste acabará eventualmente no mar. O lixo que chega ao mar tem muitas origens; lixo que fica solto nas ruas e por ação da chuva ou do vento é arrastado para o mar, lixo deitado ilicitamente no mar ou nos rios, má gestão na recolha de lixo por parte das entidades responsáveis, perdas e despejos no tratamento de águas residuais e esgotos, despejo de lixo das nossas casas através das sanitas e lavatórios, despejos e perdas de lixo industrial no mar ou nos rios, despejos ou perdas de lixo em atividades económicas ou de lazer junto ao mar ou nos rios, despejo das plataformas de extração de grude no mar entre outras. Uma vez no mar, o lixo ou afunda ou fica à superfície. Ainda pouco se sabe acerca da quantidade de lixo que chega ao mar, que parte fica à superfície e que parte afunda. No entanto estima-se que o que se vê à superfície é apenas 15% de todo o lixo que afunda.

Porque é que este lixo é perigoso?

Já há muito tempo que se ouve falar de animais marinhos que ficam presos em linhas ou pedaços de plástico e acabam por morrer, ou de tartarugas que confundem os sacos plásticos com alforrecas e ao ingeri-los morrem asfixiadas ou ainda de aves que ingerem tampas, ou outros pedaços de plástico ou vidro colorido pensando que é alimento. Para todos estes casos o fim é a morte. Mas recentemente descobrir-se que alguns desses plásticos são de dimensões tão pequenas que podem ser ingeridos por animais marinhos que se encontram na base da cadeira alimentar, podendo mesmo ficar retidos nas suas células sendo transportados através das cadeias alimentares e acabando no nosso prato (só em 2014 o mar forneceu-nos 80 milhões de toneladas de produtos marinhos). A estes plásticos de pequenas dimensões chamamos microplásticos e estes podem ter uma origem primária ou secundária. Os microplásticos primários de tamanho inferior a 5 mm, são usados na indústria na produção de outros plásticos mas também podem se encontrar nas pastas de dentes, cremes esfoliantes ou geles de limpeza. Os secundários com tamanho superior a 5mm, são resultantes da fragmentação dos plásticos que se encontram no mar devido ao sol, força das ondas e água do mar. É ainda desconhecido o total efeito que estas partículas de plásticos podem ter na nossa saúde e na saúde pública em geral o que se sabe é que estes plásticos contêm químicos poluentes orgânicos persistentes (POP) que são por si só extremamente perigosos para a saúde humana e ambiental.

 

O que podemos fazer?

Esta é a pergunta mais importante a ser feita. O problema é complexo e não é de fácil resolução, por isso não existe apenas uma resposta nem apenas uma solução e estas terão sempre que ser partilhadas por todos os setores públicos e privados, comunidades científicas e educativas, e sociedade civil em geral, pois sendo parte do problema temos que ser também parte da solução. Importa primeiramente investigar para se conhecer melhor o problema e as suas consequências, legislar e educar para que saibamos o que fazer e como fazer e por fim agir. Para já, podemos começar por agir, consumindo menos plásticos, lendo bem os rótulos dos produtos para saber escolhe-los, selecionar, reciclar e depositar o nosso lixo nos locais certos, não deitar artigos pequenos nas sanitas – como cotonetes e por fim passando a palavra a outros.

Como mulheres cristãs que somos, temos a dupla responsabilidade de agir, para a glória de Deus, cuidando do mundo que Ele criou e cuidar da nossa família fazendo boas escolhas.  O lixo é resultado do nosso consumo, quando menos e melhor consumirmos menos lixo faremos.

 

Isabel Cunha Soares
Coordenadora do programa de Educação Ambiental da Associação A Rocha
www.arocha.pt
www.educacaoambientalnarocha.blogspot.pt

O que Veem os Seus Olhos? – Bertina Tomé

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

Amigas

Este espaço dedicado a mulheres, completa agora seis meses. Ainda está a dar os primeiros passos, mas já é uma referência para muitas, que aqui encontram conforto, ensino, inspiração. E sentimos imensa gratidão a Deus por isso. Eis alguns dos comentários que temos recebido:

“As publicações na AEP no espaço Mulheres, têm sido para mim uma bênção.”

“Sinto-me muito grata, abençoada pelos bons artigos, sempre elucidativos, no espaço Mulheres, da Aliança Evangélica.”

“PARABÉNS com as maiores bênçãos do Pai, para este novo espaço dedicado a MULHERES! Muito bem concebido, em diversas vertentes excepcionais… Precisávamos mesmo de um cantinho só para nós, mulheres! Ficarei atenta cada 15 dias…”

Mulheres que se têm sentido revigoradas pelo que lêem aqui…

Ver e ler

Na verdade, aquilo que vemos e lemos tem um papel relevante na nossa vida. Pode promover em nós reflexão, despertar-nos, levar-nos a outros patamares de conhecimento e, sobretudo, de proximidade com Deus. Ou não, se não passar de um amontoado de “novidades”, de veracidade quantas vezes duvidosa, e que, embora coloridas como missangas, não são pão. Ou se se tratar do “conselho do ímpios” (Salmo 1:1), nunca por aí nos alimentaremos. Ciente disso, o salmista tomou uma decisão: “Não porei coisa má diante dos meus olhos…” (Salmo 101:3) e, mais à frente, acrescentou “Os meus olhos estarão sobre os fiéis da terra, para que se assentem comigo;” (Salmos 101:6)

Pois bem, procurando ser fiéis a Deus, também trazemos este espaço a cada mulher, cristã evangélica ou não, para que venha até aqui e se “assente connosco”. E já somos uma multidão, onde, com certeza, há também muitos homens, e são bem-vindos!

A história de Hagar

Voltando à questão daquilo que vemos e lemos, num programa televisivo muito apreciado em Portugal, dedicado a entrevistas a figuras públicas, havia uma pergunta sempre presente: “O que é que dizem os seus olhos?” Hoje, proponho-lhe uma outra pergunta: “O que é que veem os seus olhos?”

Lembro-me de uma mulher cuja perspectiva sobre a sua vida mudou totalmente quando ela viu! Viu o quê?

Numa zona desértica, caminhava errante com o seu filho. Só se tinham um ao outro. A vida dera umas quantas voltas, talvez estranhas e até distantes dos seus sonhos de menina. E hoje dava por si como mãe sozinha, a procurar construir um novo projecto de vida para ambos. Onde, como, com a ajuda de quem? Ainda não sabia…

As possíveis ruminações sobre o futuro tinham-se desvanecido agora, sob o peso de uma questão imediata, de sobrevivência: acabara-se a água no odre! Não havia como matar a sede e ela não sabia o que fazer, num lugar árido, onde nada parecia existir… Os seus passos sobre o terreno arenoso tornam-se mais lentos e, finalmente, pára. Em desespero, deita o filho sob a sombra de umas árvores e, lá mais adiante, senta-se a chorar. Acredita que o seu filho irá falecer ali. Uma angústia indescritível até que… Ela vê! E o seu ânimo ressurge. Ah, está ali um poço de água!

Curiosamente, ela vê porque “abriu-lhe Deus os olhos”(Génesis 21:19) E ela corre a encher de água o seu odre e ambos se refrescam e veem as forças renovadas. E o relato bíblico deixa-nos espreitar os anos seguintes, revelando-nos que: “Era Deus com o menino, que cresceu; e habitou no deserto, e foi flecheiro.” (Génesis 21:20)

Uma oração

Seja qual for o cenário de vida que cada uma de nós tenha hoje diante de si, a minha oração é para que Deus abra os nossos olhos. Que Ele nos faça ver as fontes de água que tem preparado para nós, para além da areia seca, dos arbustos espinhosos do deserto, do calor… Que cada uma de nós possa correr a refrescar-se Nele, e aí ver-se reabastecida de alento e confiança.

Por onde começar? Abra a sua Bíblia, leia no Salmo 119:18 e descubra aí uma oração que vem ao encontro do nosso tema de hoje. Esse pode ser um ponto de partida para uma boa conversa com Deus.

Um grande abraço para si e até daqui a 15 dias!

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária
Membro da Direcção da Aliança Evangélica Portuguesa

Orações Que Não Se Perdem – Carmina Coias

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

Aquele momento era particularmente precioso. Costumava acontecer à noite. Sentávamo-nos na nossa sala, e ali fazíamos o nosso culto doméstico. O meu marido pegava na sua Bíblia de capas pretas, lia alguns versículos e depois orávamos. Recordo-me bem da forma convicta e detalhada como o meu marido falava com Deus. Ele mencionava o nome de cada filho e de cada neto diante do Senhor, pedindo-lhe a Sua bênção, a Sua protecção.

Entretanto, ele partiu para estar com Deus. Contudo, acredito que cada uma daquelas orações ainda estão válidas diante do Senhor. Na Sua sábia e soberana acção, não existe a tecla Delete/Apagar. Nada do que lhe oferecemos ou levamos em oração se desvanece ou se perde. Nada é apagado. As nossas palavras sinceras permanecem diante Dele, guardadas na Sua memória.

Assim sucedeu com Cornélio. Ele era um homem que orava. Era frequente trazer diante do Senhor as suas petições, os seus anseios. Algumas ainda permaneciam por responder mas ele persistia no seu clamor ao Senhor. Certo dia, foi surpreendido pela visita de um anjo, que lhe disse: “As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de Deus;” (Atos 10:4)

Em memória diante de Deus… Mesmo que ainda não tivessem sido respondidas, não estavam esquecidas diante Daquele que tudo sabe e tudo pode.

Há quanto tempo Isabel e Zacarias haviam orado, pedindo um filho? Não sabemos, mas possivelmente há muito, pois agora já eram idosos. Teriam sido orações da sua juventude, possivelmente. O anjo disse: “Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João. E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento.” (Lucas 1:13-14)

A oração de Zacarias fora ouvida! O facto de ainda não haver resposta não significava que a oração se perdera algures, entre a terra e o céu. Não! As suas palavras haviam chegado à presença do Poderoso Deus. E, anos depois, ali se estavam a cumprir.

Ao falar com Deus, David pensava nas palavras que pronunciava. O que lhes aconteceria? Dispersar-se-iam no ar como partículas minúsculas que o vento espalha, fazendo-as rodopiar até virem, finalmente, a repousar no chão? Não! Ele sentia que as suas palavras subiam diante Dele como o fumo perfumado do incenso aceso. E disse, certa vez: “Suba a minha oração perante a tua face como incenso, e as minhas mãos levantadas sejam como o sacrifício da tarde.” (Salmo 141:2)

David não estava enganado. Muitos anos ,mais tarde, o apóstolo João teve essa revelação e conta-nos o que viu: “tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.” (Apocalipse 5:8) Ah, as orações, aos milhares, não se haviam perdido. Como material precioso, enchiam salvas de ouro.

Que preocupações temos levado diante de Deus, em oração? Há quanto tempo? Estão diante Dele!

Vamos continuar a orar, sem desfalecer. Palavras sinceras diante de Deus, são preciosas para nós e para Ele. “… a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” (Salmo 51:17)

E, no tempo certo, a resposta virá pois “a oração de um justo pode muito em seus efeitos.” (S. Tiago 5: 16)

Precisamente hoje, dia 25 de Maio de 2018, faríamos 60 anos de casados! Este artigo é também uma homenagem, ao meu marido, Pastor Miguel Coias – uma vida de dedicada ao Senhor e a servir os outros, em humildade e amor.

Carmina Coias
Missionária

Monstros e Companhia – Ana Ramalho Rosa

1280 853 Aliança Evangélica Portuguesa

Quem não conhece o filme de animação Monstros e Companhia? Pessoalmente, é um dos meus favoritos. E isso não aconteceu porque me tornei mãe e passei e “ter que ver” desenhos animados. Sempre gostei (e gosto!) de boa animação e de uma boa história. E não, este não vai ser um texto sobre o que os nossos filhos devem ou não ver — isso é um exercício interessante que como pais precisamos fazer porque há por aí muito lixo e muita mensagem não subliminar que precisamos filtrar.

Associo o título do filme a uma época da maternidade, que passámos, ainda o Francisco não tinha nascido. Sermos pais pela primeira vez é uma experiência que não se aprende nos livros e que, mesmo que se tenham todos os cursos do mundo, só se sabe quando se passa por lá.

A expectativa era grande e fomos para a primeira ecografia. Dias antes tinha feito análises e estava a chegar “a hora da verdade”. Era cedo e apanhámos uma técnica provavelmente com TPM (desculpem o sarcasmo!), porque foi antipática desde o primeiro momento até ao último minuto. Mas, pronto, a antipatia aguenta-se, especialmente quando, pela primeira vez, começamos a escutar o coração do nosso bebé a bater e a vê-lo. Que sensação única! Inexplicável! Ali estava ele!

Depois da ecografia veio o cruzamento com o resultado das análises. E veio um balde de gelo (água fria é pouco!). “O seu bebé tem uma grande probabilidade de ter Trissomia 13 ou 18. O melhor será fazer amniocentese.” Sinceramente, depois daquela notícia já nem me lembro bem do que a senhora com necessidade de suplementos em simpatia nos disse. Só me recordo de entrarmos no carro e de ter rebentado a chorar. O meu marido começou a animar-me e orámos a Deus, mais uma vez. Era um sentimento de impotência devastador. Os monstros do medo e da incerteza entraram no “sótão” e começaram a querer assustar-nos!

Nos dias que se seguiram procurámos ajuda junto de várias pessoas da área, a qual foi preciosa para nos apoiar e perceber o que seriam aquelas probabilidades e como seria possível verificar a existência de algum daqueles problemas no nosso filho. Mas era preciso tomar uma atitude. E foi o que fiz. Entrei numa loja e comprei um pijama para 6 meses. Foi pela fé. Decidimos também, uma vez que era possível através das ecografias verificar se havia alguma má formação no bebé, que não iríamos fazer amniocentese. Foi uma decisão pessoal, é certo, mas entregámos o futuro do nosso bebé nas mãos de Deus e confiámos. “Expulsámos” esses monstros e preferimos a melhor companhia – Deus!

A gravidez teve alguns riscos e, no final, ele não queria sair, de tão bem que estava. Mas finalmente saiu, saudável, graças a Deus. Desde esse dia até hoje temos sido tantas vezes sobressaltados com situações de saúde, questões de desenvolvimento e interação social. E muitas das vezes os monstros da insegurança, da impotência e do desespero tentam fazer ninho na mente e no coração. Somos humanos e sentimos as coisas. Temos um grande Deus, é certo, mas Ele tornou-Se homem e sabe o que significa ser tentado, provado e sofrer. Não acontece só aos outros. E podia ter-nos realmente acontecido a nós.

Mas o susto levou-nos mais uma vez a olhar para Jesus. Como precisamos fazer sempre, e em todas as circunstâncias. Quando tudo vai bem. Quando o mundo desaba em cima de nós e parece que não conseguimos suportar os desafios que enfrentamos, sem que os tenhamos criado pelas nossas próprias decisões. Podemos ter momentos muito difíceis, porque eles existem, mas a verdade é que “(…) temos um tão excelente supremo sacerdote, que é Jesus o Filho de Deus, que penetrou nos céus, mantenhamo-nos firmemente fiéis à fé que confessamos ter. Este nosso sacerdote supremo não é um simples homem que não possa compreender as nossas fraquezas. Pelo contrário, ele passou por todas as mesmas provas que nós, mas sem ter pecado. Portanto cheguemo-nos com confiança ao trono de Deus para podermos receber misericórdia e graça, e para sermos ajudados sempre que tivermos necessidade.” (Hebreus 4:14-16, O Livro)

 

Ana Ramalho Rosa
Diretora-adjunta de Publicações CAPU|CPAD Livraria Cristã
Autora e coautora de vários livros e recursos para Adolescentes
www.anaericardorosa.blogspot.pt

Entrevista a Sónia Simões

600 400 Aliança Evangélica Portuguesa

Coordenadora do RTM Mulheres de Esperança

“Desejo que cada mulher entenda que “o seu valor excede o de finas jóias.”

AEP – Quem é a Sónia?

Sónia – A Sónia é uma mulher que ama ser mulher. É a filha mais velha de três irmãos, é esposa do Levi há 13 anos e mãe da Petra há 8. Conheceu o amor verdadeiro de Deus por si há 17 anos e, desde aí, nada foi igual! Tem muitos sonhos, procura cada dia ser uma pessoa melhor e deseja diariamente cumprir o seu propósito de vida.

AEP – É coordenadora do RTM Mulheres de Esperança (anterior Projecto Ana). Explique-nos o que é e quando se iniciou em Portugal.

Sónia – A RTM Mulheres de Esperança surgiu em Portugal em 2007 com o nome de Projecto Ana, mas é um ministério global com mais de 20 anos e faz parte da organização Trans World Radio (Rádio Transmundial). Este ministério construiu um poderoso vínculo entre as mulheres, unindo-as no poder da oração e através do programa de rádio Mulheres de Esperança.

A RTM Mulheres de Esperança procura incentivar, equipar e envolver as mulheres para viverem a sua fé através de cinco importantes ações:
Orar, Ouvir, Aprender, Crescer e Dar.

À medida que as mulheres adquirem sólidos ensinamentos bíblicos, elas encorajam as suas famílias, igrejas locais, comunidades e outras mulheres. Em qualquer que seja a situação, falamos a verdade de que Jesus é o único que pode proporcionar paz, esperança e cura perfeitas.
Em muitas partes do mundo, as mulheres sofrem vários tipos de abuso, são marginalizadas, experimentam altos níveis de pobreza, privação à educação, opressão e carências na saúde. Enquanto as reformas sociais prometem o reconhecimento da mulher e o seu verdadeiro papel na sociedade e o fim dos ciclos familiares negativos, apenas uma solução espiritual encontrada em Jesus Cristo tem o poder de proporcionar uma mudança sustentável e uma esperança duradoura.

Deus tem uma bela história para cada mulher, como uma expressão única da Sua graça e do Seu amor. Não importa o quão assustadores sejam os desafios das mulheres em todo o mundo, Deus não se esqueceu de nenhuma delas e tem um plano e um propósito para cada uma.

AEP – Em que consistem os vossos programas de rádio?

Sónia – O programa Mulheres de Esperança procura levar sabedoria prática e discipulado espiritual às mulheres, através do rádio, encorajando-as a experimentar o amor, a paz e o poder de Deus, enquanto enfrentam os seus desafios diários, e tem inspirado, amadurecido e levado esperança a milhões de ouvintes. É emitido em todo o mundo em mais de 400 estações de rádio e traduzido em mais de 70 idiomas.

Em Portugal, é produzido/adaptado pela Sarah Catarino, e é transmitido diariamente através da webrádio da Rádio Transmundial e, semanalmente, em mais 10 rádios locais espalhadas de norte a sul do país. Quero desafiar os leitores a ouvir um dos nossos programas! Visitem-nos em http://rtmportugal.org/

AEP – Quantos programas já fizeram até hoje?

Sónia – Em 10 anos já produzimos, adaptámos e gravámos mais de 500 programas, todos com temas relacionados com os desafios diários das mulheres, testemunhos na primeira pessoa, histórias verdadeiras, entrevistas a especialistas (psicólogos, médicos, advogados, sociólogos, entre outros) e dicas de vida.

AEP – Quantas mulheres estão a alcançar e onde?

Sónia – É muito difícil quantificar ouvintes, seja de rádio ou através das novas tecnologias. O rácio que seguimos, segundo indicações europeias, é de uma resposta de ouvinte (carta, email, telefonema, mensagem) para cerca de 1.000 ouvintes. Ao emitir o programa através das rádios locais, o objectivo é alcançar a população nos mais diversos lugares, independentemente da sua condição social, económica, cultural ou espiritual. A rádio continua a ser um dos orgãos de comunicação mais abrangente e acessível, embora o Mulheres de Esperança seja também possível de ouvir através de várias plataformas digitais (site da RTM, facebook, podcast, app, web radios) e também em CD.

AEP – Que respostas têm tido?

Sónia – Há muitos ouvintes que nos contactam de diversas formas, para cumprimentar, encorajar, falar acerca do tema de um programa, mas também para apenas e simplesmente conversar e pedir aconselhamento. Existem alguns exemplos de testemunhos que nos marcaram, como o de uma mulher que nos escreveu porque tinha uma fobia e há anos que não saía de casa. Após ouvir o nosso programa sobre o “Medo”, decidiu enfrentar o mesmo e saiu de casa após anos de clausura, pela fobia que sentia. Escreveu para nos agradecer e partilhar o seu testemunho. Como este, existem vários outros testemunhos e cremos que haverá muitos que nem se quer tomamos conhecimento.

AEP – Quais são as grandes necessidades das mulheres hoje em Portugal, em sua opinião?

Sónia – A verdadeira necessidade da mulher em Portugal ou em qualquer outra parte do mundo, na minha opinião, tem a ver com o facto de ser aceite, amada, valorizada e respeitada. Independentemente da cultura, e de facto existem culturas em que há um verdadeiro desrespeito e desvalorização da mulher enquanto ser humano, existe uma grande necessidade de valorização da mulher, enquanto esposa, enquanto mãe, enquanto profissional, dona de casa, entre outras. A realidade é que essa valorização, o respeito, o amor, ou a aceitação que muitas vezes se espera da sociedade em geral, apenas irá preencher parte da necessidade da mulher a menos que ela conheça verdadeiramente o seu Criador (Deus), e entenda o quanto é amada, respeitada, valorizada e verdadeiramente aceite por Ele através do Seu amor incondicional.

AEP – Nos temas abordados, procuram ir ao encontro dessas necessidades?

Sónia – Sim! Aquilo que procuramos através dos programas Mulheres de Esperança é abordar temas que sejam do quotidiano da mulher e a ajudem a enfrentar os seus desafios diários (relacionamento, saúde, educação dos filhos, entre outros) com esperança. O tema é sempre abordado com conhecimento profissional, onde apresentamos conselhos e dicas de forma a sermos de ajuda, mas também procuramos abordar um episódio bíblico relacionado com o tema e fazemos uma reflexão espiritual, usando assim a Bíblia como guia prático de ajuda e aconselhamento.

AEP – Como mulher cristã, o que tem significado para si coordenar este projecto?

Sónia – Aquilo que me motiva é cumprir o propósito que Deus tem para mim! E isso passa por muitas coisas, mas essencialmente passa pelo serviço ao próximo. Através da RTM Mulheres de Esperança, Deus tem-me dado a oportunidade de viver a compaixão pela mulher e a consciência da sua condição mundial de uma forma que jamais imaginei. Aquilo que mais anseio é que a mesma esperança que um dia me alcançou e me transformou na mulher plena que sou hoje, chegue a outras mulheres, mulheres cujas sementes de dor precisam de ser regadas com Esperança e Amor. Desejo que cada mulher entenda que “o seu valor excede o de finas jóias” e que, apesar das circunstâncias, há uma nova forma de viver.

AEP – Um versículo que seja especial para si.

Sónia “Faz ouvir a tua voz para defender os que não podem falar e os desventurados. Faz ouvir a tua voz em seu favor e faz justiça aos pobres e miseráveis.” (Provérbios 31:8-9)

 

Sónia Simões
Coordenadora do RT – Mulheres de Esperança

Fardas – Sarah Catarino

1280 854 Aliança Evangélica Portuguesa

Sentada no átrio de um grande e moderno hospital, dá para seguir o movimento das pessoas que entram e saem. Todos os que andam por ali carregam em si uma história, uma tragédia ou um drama. Há pequenos grupos de pessoas que parecem querer mostrar-se mais fortes do que realmente são. O lenço que sobe até aos olhos é logo desviado e olham de um lado para o outro, como se a dor pudesse ser assim aliviada mais depressa. Hospital não é mesmo lugar para festa nem piquenique…

Mas na minha observação, detenho a minha atenção sobre outras pessoas, os profissionais do hospital.Uns andam apressados, com passos firmes, sem olhar para ninguém. Têm algo importante em mente e perseguem o seu objectivo. Outros, em grupo, conversam, riem e dirigem-se para a cafetaria onde podem comer e beber alguma coisa que lhes dê ânimo para continuar. Reparo ainda num outro pormenor: esses tais grupos são compostos por pessoas com a mesma farda. Nada de misturas. Fico ali, distraída, a identificar o que cada farda representa: o pessoal da administração, os enfermeiros, os médicos, auxiliares, fisioterapeutas e ainda uns senhores todos vestidos de azul, que, julgo eu, terão alguma coisa a ver com cirurgia… Se nos chegarmos junto de uma dessas pessoas, é bom que saibamos o que queremos, porque eles não gostam de responder a questões que nada têm a ver coma sua função. Aquela farda ajuda-nos a conhecer a sua identidade, quem são, o que fazem.

Nunca usei farda. Nos vários serviços e trabalhos da minha vida, nunca foi preciso. Mas tenho uma identidade. Será que as pessoas que se chegam a mim, sabem o que esperar, o que pedir, o que vão receber? Será que mesmo sem uniforme, a minha vida transmite aos que me rodeiam a segurança de uma resposta, o ânimo da direcção e até o carinho inesperado?
Lá, sentada no átrio do hospital, pensei em Jesus Cristo, vestido como qualquer galileu do Seu tempo, sem a “farda” pesada dos fariseus e doutores da lei, sem a túnica pomposa dos centuriões romanos, mas ainda assim, atraindo multidões, chamando crianças, rindo e comendo trigo com os discípulos no meio das searas, tocando os pobres, os marginais, alimentando uma multidão faminta, curvando-se para uma escrita misteriosa, feita com o Seu dedo no pó do caminho, enquanto uma mulher apanhada em adultério espera a sentença de morte.

Quando as pessoas chegavam perto Dele, muitas vezes não sabiam como chamá-lo. Alguns tratavam-no por “nazareno” com um misto de desprezo, outras vezes de “rabi” sem compreender muito bem a Sua sabedoria. Ele transcendia tudo o que se esperava de um homem do Seu tempo. Ainda hoje os homens têm dificuldade em entender quem Ele É. Acham que se estivesse aqui, vestiria a sua cor política. Pensam que Ele é propriedade das suas igrejas. Mas Ele não usa farda. Continua a ser superior a tudo o que possamos imaginar num ser humano. Ele é o Homem perfeito, completo, pleno.
Como desejo que aquilo que sou me diferencie do resto, para que os necessitados, os que não têm amigos, abrigo, se cheguem a mim, sem receio de ser enganados, sem medo de ser ofendidos. Que a roupa que me cobre a cada dia, de tecido ou cor diferentes, não esconda o mais importante, a semelhança com o Cristo de Deus!

Sarah Catarino
Líder da AGLOW International (Portugal)

A Matemática de Deus – Elsa Correia Pereira

1280 853 Aliança Evangélica Portuguesa

 

Já ouviu falar da Matemática de Deus? Certamente que sim. O episódio da multiplicação dos pães mostra-nos com funciona (falaremos dele mais adiante). Não funciona exatamente como as operações aritméticas a que estamos habituados…

Temos tendência a não gostar da subtração nem da divisão porque o seu resultado é sempre menor do que os números iniciais. Gostamos muito da soma e da multiplicação porque na maioria das vezes os resultados são maiores que os números iniciais. E todas nós gostamos de somar e multiplicar na nossa vida. Não é? Somar alegrias, somar saúde, somar bênçãos, somar amigos, multiplicar o bem, multiplicar os nossos bens, multiplicar o salário, multiplicar os abraços, os afetos, o respeito e a compreensão dos outros.

Só que com Deus… as contas não são exatamente assim… Muitas vezes precisamos perder primeiro para ganhar depois. Precisamos subtrair o pecado, a ira, a mágoa, precisamos diminuir o egoísmo, a ambição, as dúvidas. Precisamos dividir as bênçãos, partilhá-las por um divisor quanto maior melhor! Precisamos dividir o que temos de bom, as alegrias, o amor, a paz, o tempo… e depois Deus fará o restante. Ele multiplica o que precisamos, muito mais do que pedimos ou pensamos (Efésios 3:20), porque pode suprir todas as nossas necessidades pelas suas riquezas em glória (Filipenses 4:19).

Se lermos João 6, vamos descobrir 3 segredos para a multiplicação na nossa vida. O versículo chave é João 6:11 “Então Jesus tomou os pães, deu graças e os repartiu…”. Para uma multidão de 5000 homens, Jesus e os discípulos tinham apenas 5 pães e 2 peixes. O que aconteceu então? Jesus tomou o que tinha, deu graças e repartiu.

1 – Comece com o que você tem.

Tem um problema difícil? Deus pode transformá-lo em bênção para Sua glória. Tem pouco dinheiro? Com certeza terá dons e talentos muito úteis. Tem uma dor emocional relativamente a algo que lhe aconteceu? Deus pode curá-la e usá-la para ministrar a outros nas mesmas circunstâncias. Já tem alguma idade e limitações? Pode usar o seu tempo para orar por outros e/ou aconselhá-los com a sua experiência. O rapazinho entregou a Jesus os 5 pães e 2 peixes. Talvez a sua comida para o dia todo… Posso imaginar a sua cara de dúvida, a pensar “Será que vou ficar sem comida?” Entregue o que tem, por pouco que lhe pareça. Deus ainda faz milagres assim!

2 – Dê graças.

Dar graças, adorar, quando alcançamos um objetivo, quando vemos com os nossos olhos aquilo que desejámos, é bem mais fácil do que agradecer em fé por aquilo que Deus irá fazer. Pois é, fé é isto mesmo: é crer firmemente que as coisas que se esperam e ainda não se vêem, irão acontecer (Hebreus 1:11).

Vivemos de fé – cada dia é um milagre cujo segundo seguinte desconhecemos, mas que Deus provê graciosamente.

3 – Reparta.

Quer tenha muito, quer tenha pouco, reparta, partilhe, dê. Dar, é a natureza de Deus e a Bíblia garante muitas vezes que quem dá é amplamente recompensado: “Dai e ser-vos-á dado…” (Lucas 6:38), e ainda Provérbios 19:17, Mateus 25:35 – 40, Lucas 3:10-11, Lucas 12:33-34, Romanos 12:13, Isaías 58:7.

No texto da multiplicação dos pães sobraram 12 cestos de pedaços. Como ouvi recentemente, não creio que todos os filhos de Deus tenham de ser ricos, mas creio que Ele deseja suprir as necessidades de todos. Deus deseja suprir as nossas necessidades e espera que nós façamos a nossa parte contribuindo para prover as necessidades daqueles que estão ao nosso redor, sejam elas necessidades materiais, emocionais ou outras.

ORAÇÃO

Querido Deus, obrigada porque tens suprido as minhas necessidades. Ainda que eu não veja agora, creio que tu sabes o que é melhor para mim e tens planos de paz e prosperidade para a minha vida. Te entrego tudo o que tenho: os meus bens, o meu tempo, os meus dons. Multiplica-os e usa-os para a Tua glória. Ajuda-me a ser sensível às necessidades dos outros e a partilhar o que tenho conforme ensinas na Tua Palavra. Em nome de Jesus, Amém.

Elsa Correia Pereira
Socióloga

Tempo de Ser Solteira – Lurdes Lima Capucho

1280 719 Aliança Evangélica Portuguesa

Cresci numa pequena localidade, nos arredores de Coimbra. Terminado o percurso escolar, fui aprender a costurar, com apenas 13 anos de idade. Aí conheci uma colega que me falou de Jesus.

Aos 16 anos, fui com ela e o seu marido a um culto, num domingo de Páscoa e aceitei Jesus como meu Salvador. Esse casal sempre me incentivou a servir a Deus.

A partir dessa altura ficou claro para mim que só casaria com alguém que também fosse cristão. Por esse motivo, não aceitei algumas propostas de namoro. Os meus pais, que não eram crentes, não entendiam bem essas recusas. Conheciam mulheres solteiras que frequentavam a igreja e preocupavam-se que esse fosse o meu futuro. Eles desejavam que eu casasse.

Aos 31 anos vim servir a Deus para o Desafio Jovem. Era um desejo de anos e veio a concretizar-se nessa altura. Aí trabalhei durante 13 anos consecutivos, investindo na reabilitação de muitas mulheres tanto alcoólicas como toxicodependentes. Durante esse tempo, partilhei diferentes casas com diferentes cooperadoras, não dispondo de um espaço definitivamente meu. Foi um ministério que desenvolvi, tendo a oportunidade de ser influência próxima na vida delas.

Por ser solteira tinha maior disponibilidade. Eu sabia disso e também reconhecia que era encarada desse modo. Vivia cercada de muitas solicitações, diariamente. Para mim era um prazer poder ajudar, de dedicar o meu tempo a outros mas, por vezes, dava comigo a pensar. “Será que um dia alguém vai ter tempo para mim?”.

Havia momentos que me criavam algum embaraço. Um deles era ir a casamentos. Aí, habitualmente havia comentários: quando será o teu dia? Sorria, mas sentia o desgaste de me ver confrontada repetidamente com as mesmas perguntas.

Fiz muitos vestidos de noiva para clientes e amigas. Preparava-os com entusiasmo e alegria por elas mas cheguei a chorar ao pensar: “Será que algum dia vai ser o meu?”

Sim, eu queria casar. Contudo, teria de ser com alguém que amasse o Senhor e fosse a Sua vontade para mim. Orei por isso durante alguns anos. O meu pastor sempre me incentivou nesse sentido. Fez-me entender que havia homens que, da minha idade, também pensavam como eu e oravam como eu, na expectativa de alguém que Deus trouxesse às suas vidas. Eu poderia vir a ser refrigério e bênção na vida de alguém.

Os anos foram passando. Surgiram oportunidades de relacionamento mas que eu sabia que não eram as certas para mim. A partir de certa altura, tendo em conta a minha idade, achei que já não iria acontecer e esse assunto deixou de ocupar as minhas orações.

Um dia adoeci. Por esse motivo tive de abrandar o meu ritmo diário e reduzir compromissos profissionais durante uns meses. Passei a ter mais tempo para mim e dei comigo a orar de novo por casamento. Fi-lo durante três anos, diariamente. Houve dois versículos que foram marcos importantes nessa altura, que falavam de esperança:

“A esperança demorada enfraquece o coração, mas o desejo chegado é árvore de vida” Prov. 13:12.

” Sustenta-me conforme a tua palavra, para que viva, e não me deixes envergonhado da minha esperança.” Salmo 119:116

Partilhei com algumas pessoas amigas o motivo de oração e a minha esperança. Algumas ficavam surpreendidas. Nem todas entendiam.

Estava prestes a completar 50 anos, quando uma amiga me incentivou a preparar uma festa especial. Assim, no dia do meu aniversário reuni 56 amigas num restaurante, num ambiente muito alegre, animado e totalmente feminino. Diziam-me que estava linda como uma noiva. O grande número de prendas, que faziam lembrar um casamento, comentavam.

Aí agradeci a todas a grande amizade, ao longo dos anos. Naquela noite, eu sabia que iria acontecer alguma coisa num futuro próximo. Eu sentira a festa como a despedida de uma etapa para dar início a outra. Mas qual?

Uns meses depois, nesse mesmo ano, conheci o Alberto. Num culto, fui convidada a partilhar a Palavra de Deus e falei sobre sonhos – aquilo que Ele quer concretizar na nossa vida. Hoje sei que foi nesse dia que o Alberto começou a orar por mim, achando que seria eu a esposa certa para ele. Só mais tarde me apercebi do interesse dele. Cativou-me o facto de ser um homem cuidado, calmo, ponderado e sábio na sua forma de se relacionar. Comecei a sentir que ele seria o homem de Deus para a minha vida e falei com o meu pastor sobre isso. Não estava sozinha neste passo, sentia-me segura. E o sonho concretizou-se!

No dia do meu casamento tive a felicidade de desfrutar da presença de muitos amigos que foram importantes para mim ao longo dos anos. Foi pelo seu carinho, o incentivo e as muitas palavras de apoio que chegara até ali. Estou-lhes muito grata. Os meus padrinhos foram o casal que me levou a Jesus quando era adolescente. A esposa fez e ofereceu-me o vestido de noiva. Toda a minha família teve a oportunidade de ver que Deus é fiel e faz as coisas acontecer no momento oportuno, regozijando-se comigo nesse dia especial.

Estamos casados há doze anos. Dou graças a Deus porque o Alberto veio à minha vida, como uma mais -valia. Ele é, de facto, o homem que Deus tinha para mim. Valeu a pena esperar! Continuo a servir a Deus na igreja local  mas não estou sozinha pois o meu marido acompanha-me com a sua disponibilidade e o seu desejo de O servir.

Gostaria de ter sido mãe. Porém hoje, olhando para trás, concluo que tenho muitos filhos. Ainda este ano, no Dia da Mãe, recebi uma prenda de uma jovem que ajudei há muitos anos no Desafio Jovem, e hoje é casada e mãe de três filhos. Ela disse-me: “Toma, porque tens sido mais do que uma mãe para mim.” Na verdade, Deus tem uma forma muito própria de nos dar filhos e mimos!

Vi a minha família ampliada, pois ganhei não só um marido mas duas cunhadas, os seus três filhos, já adultos, três noras e uma neta – um relacionamento muito precioso para mim. O meu marido foi igualmente muito bem acolhido pela minha família.

Hoje, olho para trás e concluo que Deus tem um tempo para todas as coisas. Aquilo que tive oportunidade de fazer ao longo dos anos, como solteira, foi ministério para Deus. A maneira como investi na vida de tantas pessoas, de dia e de noite, a dedicação que foi necessária, só foi possível por não ser casada. Construí relacionamentos com centenas de pessoas que perduram até ao dia de hoje, apenas possíveis por essa disponibilidade e que estendem já aos seus filhos.

Se tens um sonho, luta por ele mas jamais o faças sozinha. Acima de tudo, deixa que Deus tome conta dos teus anseios e rodeia-te de pessoas espiritualmente maduras e que te amem. Como pessoa solteira, não te isoles, não te feches, a lamentar a tua situação. Vive a tua vida em disponibilidade para os outros. Convive, partilha o que és. Há vidas que precisam de ser enriquecidas por ti, pelo facto de estares solteira. Marca positivamente a vida das pessoas à tua volta com o teu carinho e a tua disponibilidade. Espera em Deus. Ele abre caminhos no tempo certo. Confia sempre na Sua fidelidade!

Lurdes Lima Capucho

error: Conteúdo Protegido!