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Mulheres

Dias (in)úteis? – Bertina Coias Tomé

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

O texto bíblico transporta-nos, aqui e ali, a momentos grandiosos. Contudo, também nos traz dias pequenos, frágeis de recursos. Lembram-se de alguns?

É o raminho de oliveira preso no bico de uma pomba, nos tempos de Noé.

A nuvem do tamanho da mão de um homem, nos céus de Samaria, em tempo de seca.

Uma pedra que serve de almofada a um jovem fugitivo.

Um punhado de farinha numa casa modesta.

Um vale enorme, apenas cheio de ossos secos

Algum trigo a ser malhado, às escondidas, dentro de um lagar, por um homem apreensivo.

Um resto de azeite numa botija, nas mãos de uma viúva pobre e endividada.

Um pedaço de telha com que se raspam feridas e se alivia a comichão.

Pedras, pó, pedaços de madeira queimada – escombros de um templo outrora enorme e riquíssimo.

Frascos de perfume, carregados por mulheres, de madrugada, que se revelarão inúteis.

E a lista poderia continuar. Momentos desprovidos de qualquer sentido de sucesso ou mesmo de utilidade. Que não se conjugam com princípios de excelência ou de liderança da literatura actual. Onde não se descobre inspiração. Que, à partida, não representam convite nem oportunidade.

Contudo, pelo ano 519 a.C, Deus fala pelo profeta Zacarias, lançando uma pergunta surpreendente, que vem sacudir momentos como esses. Diz: “Quem despreza o dia das coisas pequenas?” (Zacarias 4:10)

Quem? Quando trabalhei no meio prisional, descobri ali dias que tinham tanto de longos como de pequenos. Longos, muito longos, em horas lentas e difíceis de passar, pela própria condição de reclusão. Por outro lado, pequenos de motivos de entusiasmo ou de objectivos. Eram dias frequentemente desprezados.

A verdade é que, mesmo vivendo em liberdade, é fácil descobrirmo-nos a percorrer dias de coisas pequenas e, assim, com tendência a desvalorizar. Há uns meses atrás, num grande evento para mulheres, alguém sugeriu: ”Recebe este dia como um presente de Deus para ti.” Gostei da ideia e anotei a frase.

Sabem o que sucedeu com cada um dos momentos referidos atrás?

O ramo de oliveira anunciou o fim das chuvas do dilúvio e o início de uma nova época para a humanidade.

A pequena nuvem era apenas a primeira de um grande “exército” que derramou chuva abundante sobre a terra, após um período de seca de mais de 3 anos.

Sobre aquela “almofada” desconfortável, Jacó viveu um dos momentos de maior proximidade do divino na sua vida.

Aquela pouca farinha transformou-se em abundância, pelo poder de Deus.

Naquele vale sombrio levantou-se um grande exército

O homem foi surpreendido pela notícia de que iria estar á frente do livramento do seu povo.

A viúva experimentou uma abundância extraordinária dentro de sua casa.

A saúde e a alegria foram restauradas e o pedaço de telha não mais foi preciso.

O templo foi reconstruído e nele habitou uma glória maior que a do anterior.

As mulheres foram surpreendidas pela ressurreição de Jesus.

Hoje pode ser um dia de “coisas pequenas”, para si ou para mim. Contudo, é o Deus grande que torna um dia grandioso! Não aquilo que temos ou que vislumbramos no nosso horizonte limitado.

Tal como, naquela prisão, reclusos conheceram o amor de Deus, nenhuma condição de vida é impedimento para a acção do Senhor, Todo-Poderoso, sobre as nossas vidas. Deixemos que o nosso olhar se eleve, hoje, acima das circunstâncias e, com essa certeza, desfrutemos de uma Páscoa Feliz!

 

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária

A Nossa História – Carmina Coias

960 720 Aliança Evangélica Portuguesa

Sempre gostei de biografias. É uma leitura onde se pode aprender tanto, vendo como as pessoas viveram e como enfrentaram os desafios que foram surgindo no seu percurso.

Vejo com muito interesse um programa televisivo aqui nos EUA, onde se procuram os antepassados de pessoas. Trata-se, geralmente, de gente famosa ou muito conhecida, sobre cuja história se faz uma investigação minuciosa. No fim, e com curiosidade e emoção, recebem um grande mapa detalhado da sua árvore genealógica, com nomes, datas de nascimento, de casamento e de óbito. Em muitos casos, a pesquisa chega aos escravos, com séculos pelo meio. Os nomes estão registados nos perfeitos arquivos americanos que guardam com detalhe a chegada dos emigrantes, de barco, vindos da Europa, de países nórdicos, da África e da Ásia, há muitos anos atrás.

Tenho pena de não ter tido oportunidade de saber mais sobre os meus ascendentes. Ainda assim, é interessante saber que tanto a minha família como a do meu marido são oriundas de Espanha, do lado do pai dele e do meu, e de Inglaterra pelo lado da mãe dele.

A Bíblia tem, em suas páginas, longas listas de genealogias.  É por elas que sabemos que Jesus foi da descendência de David. Trata-se sequências de nomes onde curiosamente, aqui e ali, se dá destaque a uma ou outra pessoa. Por exemplo, fala-se de Enoque, que edificou uma cidade (Génesis 4:17), de Jabal que ”foi o pai dos que habitam em tendas e têm gado” (Génesis 4:20) e do seu irmão Jubal, “pai de todos os que tocam harpa e órgão” (Génesis 4:21), de Tubalcaim como “mestre de toda a obra de cobre e ferro;” (Génesis 4:22), de um outro Enoque onde se refere o seu fim de vida terrena “E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou.” (Génesis 5:24) e de Aná como alguém que fez uma descoberta importante: “achou as fontes termais no deserto, quando apascentava os jumentos de Zibeão, seu pai.” (Génesis 36:24)

Nos meus anos de criança e jovem, parecia ser tabu falar-se sobre o passado, talvez porque esse passado fora, e o próprio presente era, muito absorvente, marcado por inúmeras dificuldades e carências, que não era bom falar ou, sequer, lembrar. Contudo, este é um tema apaixonante para mim. Não passamos por este mundo por acaso e pode ser muito enriquecedor partilharmos a nossa história. O ser humano é o ponto alto da criação e são valiosos os planos do Criador quanto à nossa passagem por aqui.

Deixo um desafio a quem, como eu, esteja reformado e disponha de tempo de sobra. Seja num caderno ou num computador, escreva acerca do seu percurso de vida e daquilo que sabe sobre os seus antepassados. Relate com minúcia como era a vida naqueles tempos, como se fazia, o que se valorizava, que objectivos se procurava alcançar e de que forma. A simplicidade com que se era feliz ou a forma árdua como se procurava assegurar a subsistência poderá constituir um importante ensino para os mais novos, oferecendo-lhes também informação sobre os seus antecedentes familiares, as suas raízes. Eles irão apreciar muito essa leitura.

Conte também aos seus filhos e netos as muitas bênçãos de Deus, recebidas ao longo dos anos. Algumas delas terão acontecido (muito) antes deles terem nascido, em contextos sociais e culturais diferentes, mas que constituirão um contributo sólido que poderá robustecer a sua fé em Deus. Assim diz o salmista: “Uma geração contará à outra a grandiosidade dos teus feitos; eles anunciarão os teus atos poderosos.” (Salmo 145:4)

Sim, ao longo dos anos, não deveremos esquecer-nos de tudo aquilo que Deus nos fez ver, em muitas expressões do Seu amor por nós, em diversas circunstâncias, e transmitir às gerações seguintes, como Deus ordenou:

“Tão-somente guarda-te a ti mesmo, e guarda bem a tua alma, que não te esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e não se apartem do teu coração todos os dias da tua vida; e as farás saber a teus filhos, e aos filhos de teus filhos.” (Deuteronómio 4:9).

 

 

Carmina Coias
Missionária Aposentada

Dietas – Catarina Malheiro

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

Há uma infinidade de pessoas a querer perder peso e a ficar com um corpo esbelto como o da celebridade X ou Y. Neste sentido, as pessoas adotam regimes alimentares restritivos e consomem uma infinidade de produtos que prometem um rápido emagrecimento. Não faltam dietas deste tipo e também não faltam pessoas a aderir a elas, porque querem resultados breves, rápidos e sem grandes esforços. A verdade, é que este tipo de dietas até resulta, pois para ocorrer perda de peso apenas é necessário um balanço energético negativo, ou seja, que a quantidade de energia ingerida seja inferior à energia gasta. Sendo as dietas em questão, maioritariamente hipocalóricas (baixas em energia) é, claro, que permitirão a existência de um balanço energético negativo. O grande problema está nos comportamentos alimentares utilizados neste tipo de dietas, que são completamente insustentáveis. As pessoas que as praticam conseguem rápidas perdas de peso, mas ao final de alguns meses ou anos esse peso é recuperado novamente.

Neste momento, certamente que muitas das leitoras estarão a questionar “Então, qual o melhor método para a perda de peso saudável e sua manutenção?”. A resposta é: reeducação alimentar. Quando pretende perder peso é importante a aquisição de hábitos alimentares saudáveis adequados à sua rotina, aos seus gostos e às suas necessidades. Não precisa de deixar de incluir nenhum tipo de alimentos na sua dieta (exceto, na presença de alguma doença), apenas precisa de saber fazer escolhas alimentares saudáveis, ou seja, precisa reaprender a comer. O nutricionista é um profissional especializado na área e pode ajudá-lo neste processo. Certamente que a perda de peso não será tão rápida como a prometida na maioria das dietas, mas será sem dúvida realizada de uma forma saudável e duradoura.

Todos nós, precisamos de nos esforçar e dedicar, não apenas nesta área, mas em todas as áreas da nossa vida, de forma a alcançarmos o sucesso. Também encontramos esta receita na Bíblia, o salmista diz que “Quem sai com a cesta de sementes chorando enquanto anda, voltará carregado de feixes de espigas, gritando de alegria!” (Salmo 126:6). É preciso valentia e luta na semeadura, para podermos colher o fruto do nosso trabalho.

Assim também é a nossa vida espiritual, precisamos de uma reeducação nas nossas escolhas, pois podemos estar a alimentar a nossa alma de coisas que nos fazem mal e nos afastam de Deus. Reeducar a nossa vida espiritual consiste em retirar alimentos que fazem mal à nossa saúde espiritual e alimentarmo-nos das Palavras Sagradas que Deus nos deixou. Temos um especialista que nos ajuda e orienta na boa seleção desses alimentos e podemos consulta-Lo a toda à hora. Ele é o nosso Pai do Céu.

 

 

Catarina Malheiro
Nutricionista (2396N)

O Amor e o Medo – Bertina Coias Tomé

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

Hoje é Dia da Mulher. Nesta data, que se celebra em muitos países, quero prestar aqui a minha homenagem às mulheres que, em Portugal, têm falecido, vítimas de violência. Os números deste ano são assustadores, e ainda vamos no primeiro trimestre.

Também homens têm sido assassinados, por quem julgavam que os amava. Vidas abreviadas, abruptamente, em actos bárbaros e, quantas vezes, planeados com uma minúcia arrepiante.

 

Tempos difíceis

A minha preocupação estende-se, ainda, a muitos homens e mulheres que vivem em grande sofrimento. Desrespeitados, feridos, mal-amados, vão perdendo vida num dia-a-dia árido, sem esperança. Seria esse o plano de Deus para si?  Com certeza que não.

  1. Paulo, numa das suas cartas, anuncia tempos difíceis, em que haveria “Homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.” (II Timóteo 3:2-5). A descrição dos crimes actuais transportam-nos, rapidamente, a esta lista assustadora.

Para um homem e uma mulher, o casamento significa a permissão de entrar na vida um do outro. Pisar, sujar, destruir, aniquilar significa não merecer o privilégio de habitar o território do outro. E, nesse caso, deve sair. Voluntaria ou compulsivamente.

Medo Versus Amor

É natural ficarmos chocados com a violência presente em lares, que vem à luz nas notícias diárias, e que se tem traduzido, em muitos casos, em homicídios. Contudo, pode ser oportuna uma reflexão sobre os nossos próprios ambientes familiares. Será que, por alguma via, o medo tem entrado e ocupado lugar em nossa casa?

O apóstolo João, na sua primeira carta, lembra que “No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor.” (I João 4:18)

Fazer do medo um ingrediente presente e comum numa relação familiar é desconhecer totalmente aquilo que significa o amor, na sua pureza e na sua força. O amor expulsa o medo, e o medo não deixa aperfeiçoar o amor. Em que medida é que o medo ainda está presente nos nossos lares? E que consequências traz?

Oprimido ou Opressor?

O medo pode fazer de alguém uma pessoa oprimida, sem espaço para se afirmar, crescer, desabrochar identidade. Essa é, provavelmente, a imagem que temos de quem sinta medo numa relação. Contudo, o medo não gera só o oprimido. Também gera o opressor. O medo de ser traído(a) pode levar alguém a viver em ciúme doentio e exercer sobre o outro uma pressão e um controlo quase insuportáveis, incapaz de fazer alguém feliz. O medo de não vir a beneficiar de uma herança, pode levar alguém a matar, como já tem acontecido. E poderíamos dar outros exemplos.

Ao abordar este tema, Danielle Strickland apresenta um exemplo bíblico disto mesmo. Numa dada altura, o povo hebreu foi oprimido pelos egípcios, no contexto socio-político em que nasceu Moisés, num tempo árduo assim descrito: “Assim que lhes fizeram amargar a vida com dura servidão, em barro e em tijolos, e com todo o trabalho no campo; com todo o seu serviço, em que os obrigavam com dureza.” Êxodo 1: 14.

O que é que esteve na origem dessa opressão? O medo de Faraó, que disse: “Eis que o povo dos filhos de Israel é muito, e mais poderoso do que nós. Eia, usemos de sabedoria para com eles, para que não se multipliquem, e aconteça que, vindo guerra, eles também se ajuntem com os nossos inimigos, e pelejem contra nós, e subam da terra.” (Êxodo 1:9,10)

Sim, o medo também gera o opressor.

O que fazer?

Hoje pode ser um dia de reflexão pessoal para todas nós, de onde venham a emergir dois resultados práticos:

– Denunciar, sem hesitar, situações conhecidas de violência, em que a vítima poderá não ter voz, por diferentes motivos. Conhecimento significa responsabilidade.

– Observar atentamente a nossa estrutura familiar e procurar entender se o medo já conquistou, por ali, algum espaço. Precisamos de proteger a nossa família de factores agressivos exteriores mas também, e se necessário, de nós próprios (da nossa impaciência, irritabilidade, desdém, crítica mordaz, entre outros factores de instabilidade).

O plano de Deus é que o Seu Amor abunde e dinamize cada família. Cabe a cada um de nós fazer a sua parte.

“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco.” (Filipenses 4:8,9)

 

 

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária
Membro da Direcção da Aliança Evangélica Portuguesa

“Eu tenho um sonho!” – Leonor Reis

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

“Eu tenho um sonho” é o título famoso de um discurso de Martin Luther King. Todos nós temos sonhos. E não falo daqueles que temos a dormir. Todos nós temos sonhos, desejos íntimos que gostaríamos de realizar. Alguns sonhos têm muitos anos no nosso coração, outros foram já esquecidos ou mudados pelo tempo e maturidade… Há sonhos que não passam de caprichos, porém há outros que são legítimos e nascidos no coração de Deus para nós.

José é o sonhador mais conhecido da Bíblia: os sonhos foram-lhe dados na infância, talvez por isso não os tenha guardado para si, o que precipitou uma série de eventos aparentemente prejudiciais. Por causa dos seus sonhos foi atirado para um poço, vendido como escravo, lançado na prisão… Tudo parecia apontar para o fracasso desses sonhos ou para, com aparente bom senso, se dizer que eram sonhos de criança. Contudo, havia uma constante na vida de José, “o Senhor estava com ele” (Génesis 39) e tudo o que ele fazia prosperava, quer enquanto escravo, quer enquanto prisioneiro. E os sonhos realizaram-se, no tempo certo… Entre os sonhos de criança e o tempo de concretização houve um trajeto de fidelidade a Deus, de desenvolvimento de caráter e resiliência que o prepararam para ser a pessoa certa no momento certo.

Deus também nos dá sonhos. Muitas de nós, por circunstâncias da vida, deixaram de sonhar, outras desinvestiram nos seus sonhos por impedimentos e deceções. Se não nos lembramos de sonhar, ainda é tempo pois a vida de cada uma de nós é preciosa ao Senhor e Ele, certamente, tem algo mais… Ainda é tempo de ressuscitarmos ou darmos lugar a novos sonhos. Os de José não ficaram no poço, porque eram sonhos de Deus. Cabe-nos a nós não deixarmos o que Deus nos tem falado no “poço” ou abafado por tempos difíceis. O Senhor da seara chama-nos a algo mais e, felizmente, é Ele que capacita e faz um caminho novo para a nossa vida, independentemente do “poço”, “escravidão” ou “prisão” onde pensamos encontrar-nos.

Creio que Deus sonha com um exército de mulheres que, cientes da sua Identidade em Cristo, se levantam neste tempo como intercessoras, mulheres que não se conformam com o que estão a viver, antes decidem clamar ao Senhor da Seara. Sonhemos uma Igreja forte, cujas mulheres buscam estratégia divina para os seus casamentos, filhos, circunstâncias… Mulheres que se juntam não para falar de banalidades mas para se entreajudarem, orarem e ministrarem umas às outras… Mulheres que ousam, apesar dos constrangimentos das suas vidas, reavivar os sonhos que deixaram para trás em “poços” e que se levantam, como Débora, para fazer o que Deus as chamou para fazer…

Todos os reavivamentos começaram por sonhos de homens e mulheres que ousaram e oraram. E isso fez toda a diferença, na sua vida, família, igreja e geração. Por isso, talvez seja o momento de dizer “Eu tenho um sonho!” e orarmos e agirmos em conformidade para vermos acontecer.

 

Leonor Reis

Professora

Quando Deus nos Dá Uma 2ª Oportunidade! – Ana Isabel Santos Canito

1920 1080 Aliança Evangélica Portuguesa

Ontem foi um dia de muita introspeção. É assim, há 12 anos a esta parte. Sim, fez 12 anos!

Em 2006, eu tinha a minha vida organizada. Sou professora há mais de duas décadas e, na altura, conseguia sempre colocação perto de casa. Tínhamos comprado um apartamento num 3º andar na Marinha Grande, eu tinha uma bebé, a nossa vida tinha estabilizado e parecia que não iria sair dali. Porém, nesse ano, houve mudanças na Lei que rege o Concurso Nacional de Professores e, contrariamente a tudo o que esperava, fui colocada na escola onde estava efetiva, em S. João da Madeira. Na altura, foi devastador! Eu teria que ir e deixar para trás a minha família. Não poderia levar a minha bebé pois não tinha qualquer rede de suporte, então ela ficou com o pai na Marinha Grande. Ia para S. João da Madeira todas as terças feiras bem cedo e regressava às sextas feiras à tarde. Durante meses, aguentei a distância, porém com um preço muito alto. Cada vez mais sentia o impacto da minha ausência na minha filha e em mim própria. O cansaço, o desânimo e a tristeza constante por estar longe de quem mais amava começavam a pesar…

Até que, numa manhã de segunda feira, a 30 de janeiro de 2007, adormeci ao volante na autoestrada, bati no separador central e depois enfaixei-me debaixo de um camião. Fiquei encarcerada e desmaiei. Entretanto, soube que o carro começara a arder. Tentaram socorrer-me e, nesse momento, por coincidência, passou um carro dos bombeiros com meios para apagar o incêndio e desencarcerar-me da viatura.

Parti os tornozelos, esmaguei o perónio da perna esquerda e fiquei impossibilitada de andar. Além disso, fiz um traumatismo craniano… O ano e meio que se seguiu foi de cirurgias, no início, e fisioterapia, 80 sessões. Ao fim desse tempo, ainda coxeava e manifestava stress pós-traumático que me impedia de conduzir. Ao fim de dois anos e meio, nova cirurgia para remover próteses e parafusos… Durante todo esse tempo, o meu marido tinha que me carregar ao colo três andares para poder entrar e sair de casa e cuidar de mim e da minha filha.

Mais uma vez celebrei a segunda oportunidade que Deus me deu. Eu e a minha mãe lembrámo-nos e ela, como sempre, telefonou para dizer “Parabéns pelos 12 anos de segunda oportunidade!” Deus não só esteve comigo naquele acidente, salvando-me a vida e providenciando os meios para que eu fosse resgatada do carro, mas esteve sempre comigo durante os meses que se seguiram, que foram dolorosos e exigentes, não só para mim como também para a minha família.

Celebro a vida e celebro o Deus que está connosco nos bons e nos maus momentos, que continua a brindar-nos com a sua Presença, provisão e favor. Porque Ele cuida de cada uma de nós e não se afasta, quando percorremos o “nosso vale da sombra da morte”. É aí que a sua Presença nos protege e Ele manifesta a sua fidelidade.

E, enquanto celebro, em silêncio, a “segunda vida” que Deus me deu e que decidi agarrar com unhas e dentes, concluo que as mazelas que ficaram para a vida toda nunca serão capazes de me tirar o sorriso… porque gosto tanto de sorrir!!!

Mais uma vez agradeço a todos os que há 12 anos viveram comigo, durante 1 ano e meio, a fase mais negra da minha vida… Em visitas, em abraços, em telefonemas, em orações, em mimos, em esperança… Nunca esquecerei! Obrigada, amigos! Obrigada, meu Deus!

 

 

Ana Isabel Santos Canito
Professora

Vendo Para Além do Olhar – Patrícia Souza

960 526 Aliança Evangélica Portuguesa

Paulo Freire, um dos maiores educadores brasileiros, criou um conto:

Num rio largo, de difícil travessia, havia um barqueiro que atravessava as pessoas de um lado para o outro. Numa das viagens, iam um advogado e uma professora.

Como quem gosta de falar muito, o advogado pergunta ao barqueiro:

– Companheiro, você entende de leis?

– Não! – Respondeu o barqueiro.

E o advogado compadecido:

– É uma pena, você perdeu metade da vida!

A professora, muito social, entra na conversa:

– Senhor barqueiro, você sabe ler e escrever?

– Também não. – Responde o remador.

– Que pena! – Lamenta-se a mestre. – Você perdeu metade da vida.

Nisto surge uma onda bastante forte e vira o barco.

O barqueiro, preocupado, pergunta:

– Vocês sabem nadar?

– Não! – Respondem eles rapidamente.

– Então é uma pena.

E conclui o barqueiro:

– Vocês perderam toda a vida!!!!

“Não há saber mais ou menos: há saberes diferentes.”

Foi nessa certeza, de que não era detentora de nenhum saber superior, que aceitei o desafio de ser responsável pela parte da psicologia clínica da Comunidade Terapêutica do Desafio Jovem, em Alter do Chão. Lembro-me do meu primeiro dia de trabalho, onde encontrei cerca de 20 homens, que naquele momento eram, para mim, homens brancos, negros, altos, magros, enfim eram números, mas que depois de pouco tempo passaram a ser o João, o Pedro, o Miguel o Manuel , e por trás destes nomes, uma historia, por trás da historia, sofrimento, por trás do sofrimento, a possibilidade de se ter esperança, pois na maioria das vezes, quando se aceita o desafio de fazer um programa de recuperação de substancias psicoactivas, até mesmo a esperança já se perdeu. Neste processo de perda e reencontro, torna-se fundamental cercar-se de bons relacionamentos e que esses nos permitam dar e receber, pois acredito que não existe ser humano sábio o suficiente que não tenha nada para aprender, nem tão pouco que não tenha nada para ensinar e, nesta troca de saberes, tenho vivido momentos inesquecíveis e tenho me aperfeiçoado a cada dia, primeiro como pessoa e depois como profissional. Segundo John Maxwell: “Se quero ter um impacto positivo no meu mundo, tenho que aprender a compreender os outros”. É isso que tenho tentado fazer, compreender o outro, naquilo que muitas vezes eles próprios não compreendem.

Quando compreendemos e acreditamos em alguém, damos a essa pessoa a oportunidade de realmente se tornar alguém. Quando se entra no Desafio Jovem, para fazer o programa, vai-se à procura de se tornar alguém, visto que o que se era, não permitiu chegar a lugar algum… Chega um momento que é preciso mudar, mas como é que isso se faz? Em quem eu quero ou me devo tornar? Ou ainda mais importante, como faço para ser alguém, não como um dia fui, mas como um dia sonhei? Neste momento lembro-me de um grande psicólogo, Carl Rogers, que disse: “ Quando me sinto amado, eu desabrocho, cresço e torno-me uma pessoa interessante”. Mas para este processo acontecer, tenho que aprender a ver para além do olhar, ver o que o outro não conseguiu dizer-me por palavras, mas que disse com um gesto e, para termos essa visão, é preciso muito mais do que ser um simples cristão. Faz-me lembrar o profeta Eli, um homem de Deus, que ao ver Ana a chorar no templo, não conseguiu ver a sua dor e a tomou por embriagada. Em contrapartida, a Bíblia nos relata a historia do rei Artaxerxes, um homem ímpio que, ao ser servido por um escravo, Neemias, conseguiu ver a sua alma, transbordada de dor, mesmo sem pronunciar uma única palavra. Este é um dos grandes desafios em ser cristão nos nossos tempos. Para cumprir o mandamento do nosso mestre Jesus, em amarmos uns aos outros, como Cristo nos amou, é preciso aprendermos a ver os outros para além do que estamos olhando.

 

Patrícia Souza

Mestre em Psicologia Clínica

Roteiro De Uma Peregrina – Isabelle Ludovico da Silva

960 642 Aliança Evangélica Portuguesa

Muitas pessoas esperam ansiosamente o ano novo com a expectativa de que suas vidas irão melhorar como num passe de mágica. Mas as mudanças só acontecem quando a gente passa de vítima a protagonista, assume o volante da própria vida, se dispõe a corrigir os erros do passado e perseguir alvos mais construtivos. Como diz a sábia Mafalda:

 

Como peregrinos numa terra desconhecida (já que o futuro é uma incógnita), precisamos de mapa e provisões. O mapa são os princípios, prioridades, valores e objetivos que irão nortear nossa caminhada. Quem não tem o seu mapa acaba se deixando levar pelos outros. As provisões dizem respeito às experiências acumuladas ao longo da vida, e principalmente aos recursos que encontramos em Deus: amor, alegria, paz, sabedoria, esperança.

O início do ano é uma oportunidade ímpar de reservar uma manhã para sair da rotina, avaliar nossa vida, identificar sucessos e fracassos, definir novos rumos, redirecionar nossos recursos visando corrigir metas equivocadas, sair de atalhos e atoleiros, voltar para a via principal. Pessoas que viram a morte de perto ou que tem uma doença terminal fazem este balanço e tentam barganhar com Deus de modo a ter mais uma oportunidade de se livrar de tudo o que é supérfluo para ficar apenas com o essencial. Sábio é aquele que não espera um momento tão trágico, e às vezes irreversível, para selecionar e dar prioridade aquilo que é realmente importante e eterno: o afeto.

Em vez de perpetuar padrões distorcidos, como o ativismo, que deixam você cada vez mais fragmentado, frustrado, alienado ou amargurado, procure proporcionar para você mesmo um tempo de reflexão e sossego. Aquiete a sua alma, tenha a coragem de olhar para dentro de você, deixe a luz entrar, inicie uma faxina e rearrumação interior.

Ano passado, escrevi um roteiro que me permite hoje avaliar o caminho andado. Alguns objetivos continuam, outros são ligeiramente diferentes. Sugiro que façamos três listas: a lista da vida, a lista do ano e a lista da semana. Seguem as minhas! Convido você a fazer as suas! Com a ajuda de Deus, você será bem sucedido nesta empreitada.

Lista da vida:

  • Ser amiga (de Deus, de mim mesma, do outro)
  • Caminhar em direção à humildade, simplicidade, alegria e generosidade
  • Servir de acordo com os meus recursos, talentos e dons.
  • Ser sinal de Reino de Deus, contribuindo para que este mundo seja mais justo e solidário

 

Lista do ano:

Ser mais íntima de Deus

  • Reconhecer meus erros e aprender com eles
  • Livrar-me de coisas inúteis ou supérfluas
  • Relaxar e cultivar o bom humor
  • Integrar sentir, pensar e agir
  • Ter iniciativa e sair da rotina
  • Permanecer a caminho, aprendiz,
  • Continuar crescendo e melhorando

Lista da semana:

  • Dedicar um tempo para ler a Palavra, meditar e orar
  • Desfrutar de cada dia como um presente
  • Ser grata pelas pequenas alegrias do dia a dia
  • Reter os sinais de esperança
  • Comer devagar e apenas o suficiente
  • Caminhar e apreciar a natureza
  • Agir em vez de reclamar
  • Acolher as pessoas que Deus colocar no meu caminho

 

PS: Um conselho: risque as palavras “nunca” e ”sempre”, elas revelam expectativas exageradas e irrealizáveis que só geram frustração. Nada de perfeccionismo, pois acaba se tornando um fardo em vez de ser um estímulo. Basta estar se movendo na direção certa!

 

Isabelle Ludovico da Silva
Psicóloga Clínica com Especialização em Terapia Familiar Sistêmica
isabelle@ludovicosilva.com.br

E O Novo Ano Não Tarda A Chegar – Arlete Castro

647 340 Aliança Evangélica Portuguesa

Hoje de manhã, parado à porta de entrada da minha casa, havia um idoso. Era alguém que eu nunca havia reparado antes. Ou melhor, pensando bem, já havia cruzado com ele vezes sem conta no decorrer dos meus dias, mas nunca o tinha observado. Hoje foi o primeiro dia em que o olhei nos olhos e creiam, fiquei espantada com a ternura do seu olhar. Era um olhar cansado, mas tão alerta, tão intenso…

O seu rosto era marcado por rugas bem vincadas e que descreviam certamente uma história… A sua história. Ele parecia cansado, as roupas que usava estavam gastas pelo tempo, os poucos cabelos que ainda lhe restavam desenhavam caracóis ao redor da sua cabeça e eram de um branco desbotado mas, para quem via, era possível imaginar que tinham moldado uma bela figura.

Ele parecia doente, respirava com dificuldade e não dizia sequer uma palavra, apenas olhava-me nos olhos e esboçava um sorriso. Fiquei assim, a observá-lo durante algum tempo sem saber o que dizer, nem fazer. Passado uns instantes ele sorriu de verdade e numa voz baixa mas firme perguntou:

– Foi um ano espetacular, não foi?

Logo depois, sem dizer mais nada, entregou-me um ramo de flores. Eram botões, potenciais rosas arranjadas num lindo ramo de presente para mim. Depois acenou-me um último adeus e sempre com um sorriso no rosto ele se foi. E, enquanto ele se distanciava eu pude ver que levava consigo uma espécie enorme de saco que o fazia curvar enquanto andava e onde se podia ler: FARDO.

Fiquei ali à porta, a dividir o meu olhar entre o velho que se distanciava e o novo em forma de um ramo embotado e disponível nas minhas mãos.

Sorri.

É, o velho ano está quase a acabar, mas neste dia Deus entrega nas nossas mãos um presente ainda embotado: horas, dias, meses… Tempo e a capacidade de entregá-los a Ele, o único que pode transformá-los em flores…

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mateus 11:28,29)

Que tenhamos todas um Feliz Ano Novo!

 

Arlete Castro
Escritora
Mestre em Intervenção Terapêutica 

Uma Mesa Preparada – Lídia Pereira

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

Quer sejam sóbrias ou requintadas, como são bonitas as mesas que aguardam comemorações especiais! Umas destacam-se pela simplicidade, outras pelo valor das suas peças, mas todas têm o cunho pessoal de quem as preparou. Há pormenores que lhes são comuns: as toalhas que as vestem, floridas ou de linho, sem rugas ou manchas de festejos anteriores, os guardanapos a condizer, os pratos alinhados, a disposição dos talheres e copos brilhantes, de vidro simples ou de cristal, e o perfume que sentimos pela maneira como foram tratadas antes de se estenderem, elegantes e cuidadas, diante dos nossos sentidos.

É-nos comum demorar o olhar nas imagens apresentadas em revistas, atentando para os pormenores, fixando ideias para pormos em prática numa nova refeição em nossa casa. Como é reconfortante a hora da chegada dos convidados e o tempo de convívio que nunca se repete. Cada reunião é única, cada tempo passado irrepetível. A mesma sinfonia, ainda que noutro tom, nos acompanha quando somos nós os convidados.

Particularmente especiais são as mesas do dia-a-dia, em que não importa tanto a ementa quanto a família sentada à sua volta e o tempo de partilha, num local certo a uma hora previamente combinada, tantas vezes alterada pelos compromissos ou imprevistos.  Depois de um dia de trabalho cansativo, em que tantas “batalhas” têm de ser vencidas, tantos objectivos cumpridos e tarefas realizadas, é tão confortável entrar em casa, respirar fundo, relaxar um pouco e ter a mesa já preparada para a refeição.

Impossível não pensar naqueles que, desafortunadamente, não têm mesa. Quantas pessoas sem família, sem amigos, por doença ou distância dos seus queridos, pela fome ou pelas guerras, pela perda dos seus bens ou pelo luto, não têm dias de festa ou de alegria. Como não sentir tristeza, solidariedade e carinho para com todos, em particular para com os que conhecemos e estão perto de nós.

Estes pensamentos transportam-me para “uma mesa preparada” para todos quantos a desejarem, ricos ou pobres, felizes ou tristes, acompanhados ou sós. Essa mesa está sempre disponível para uma refeição servida pelo Amor por excelência. Não sei a cor da toalha que a veste, mas sei que simboliza uma aliança eterna.

Davi, que a mencionou num dos textos mais belos da Bíblia, diz que o lugar ocupado por nós é individual: “preparas-me uma mesa”! E refere também onde se encontra – “na presença dos meus adversários”.

Esse rei guerreiro-poeta-escritor-músico vivia num palácio rodeado de bem-estar, tinha chegado à posição que ocupava “porque era um homem segundo o coração de Deus”, o seu reinado era vitorioso, muito querido pelo povo, e tinha inimigos? Quem e o que são os inimigos do homem? O próprio homem, as invejas, a doença, a dor, a guerra, a solidão, o abandono, o desespero, as afrontas dos amigos, a crueldade, a competição que não olha a meios para atingir os seus fins roubando a verdade, a saudade, o desemprego, a morte e o luto, numa palavra o mal que entrou no mundo para matar, roubar e destruir.

“O Senhor é o meu Pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto de águas de descanso; preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.”  …

Quando vivemos dias sombrios, tantas vezes pensamos que os nossos problemas são os maiores e únicos. Saiamos de nós mesmos, olhemos ao nosso redor, aproximemo-nos do nosso “próximo” e constataremos que há dores maiores e batalhas mais difíceis que as nossas.

Jesus disse “no mundo tereis aflições” e acrescentou “tende bom ânimo! Eu venci o mundo!”

Temos por Ele “uma mesa preparada”. Podemos sentar-nos, saborear o Seu cuidado, hospitalidade e Amor. Nela temos o nosso lugar reservado.

 

Lídia Pereira

Gestora de Recursos Humanos e Administrativos
Aposentada

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