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Mulheres

PACIÊNCIA DE JOB

956 635 Aliança Evangélica Portuguesa

Ao falar com alguém recentemente sobre como enfrentamos a adversidade na vida, a figura de Job e as variadas questões que o relato bíblico levantam vieram à tona. O povo português, com os seus muitos provérbios populares, refere-se geralmente a Job quando quer qualificar a paciência, ou a falta dela, de alguém. E talvez perante as situações inesperadas da vida, como as que têm resultado do surgimento do novo vírus COVID-19, possamos verbalizar o nosso sentimento comum, “É preciso ter paciência de Job.”

Paciência é talvez a atitude que, no mínimo, precisamos ter ao nos confrontarmos com os contratempos na vida, embora sejam precisas outras atitudes certamente. Essa atitude é geralmente definida como a “capacidade de suportar contrariedades, incómodos e dificuldades com calma e tranquilidade”. Ao pensar neste vocábulo, concluí que a maior parte das vezes associamo-lo a uma sensação positiva, quando na verdade ele tem em si mesmo uma dimensão de sofrimento; basta lembrarmo-nos do substantivo ‘paciente’ que se refere a alguém que padece/sofre.

Qualquer conversa sobre sofrimento não é geralmente apaziguadora, pois a tendência humana é fugir dessa experiência a todo o custo. E não querendo soar mórbida, é a mesma reacção que temos perante as questões da dor e da morte. Se é verdade que não conseguimos evitar uma grande parte das dores e sofrimentos que experimentamos, talvez seja possível – e eu acrescentaria crucial – termos uma perspectiva diferente perante elas.

Essa percepção diferente em enfrentar a adversidade na vida talvez precise passar pela verbalização das nossas tristezas com mais alguém. Há um provérbio sueco que diz, ‘Alegria partilhada é alegria dobrada; tristeza partilhada é tristeza dividida pela metade.’  Talvez essa partilha não possa ser feita com todas as pessoas, nem se tornar o nosso único tópico de conversa; mas é certamente uma forma de tirar para fora algo que precisa ter nome e abrir portas para apoio mútuo entre companheiros na jornada da vida. Surpreendentemente, ou talvez não, descobriremos que ao expressarmos a nossa vulnerabilidade sentimos um certo alívio e renovar de forças, como também ganhamos uma maior consciência de que o relacionamento fica fortalecido por essa confissão mútua de experiências.

A admissão e verbalização da vulnerabilidade dá espaço para que a vida emerja, e o amor se revele. Esta não é uma fórmula matemática no sentido de ‘se eu fizer isto, então resultará naquilo’. Contudo, julgo que temos constatado que a vida e o amor emergem muitas vezes em circunstâncias inesperadas. Já vimos certamente uma pequenina flor brotar através de uma racha no pavimento. Essa imagem é uma boa ilustração de que a vida é resiliente e desponta mesmo através das rachas da nossa dor, tristeza, fragilidade.

Para mim, pessoalmente, essa é a mensagem que a pessoa e a história de Job me comunicam. Não há a certeza de termos resposta para tudo na nossa vida, incluindo questões como a dor, sofrimento e morte. Contudo, quando admitimos e verbalizamos a nossa fragilidade, encontramos Aquele que nunca nos deixou, não nos deixa, nem deixará. Ele vai à nossa frente, acompanha-nos e segue atrás de nós, encorajando-nos. Esta não é ‘conversa fiada’ como costumamos dizer, mas é a experiência de muitos que têm colocado a Sua confiança em Deus e decidiram encarar a vida com os Seus olhos, mesmo no meio da adversidade. Um desses casos é o de Paulo que testemunhou, “Alegro-me, portanto, com as fraquezas, as injúrias, as privações, as perseguições e as angústias que passei por amor de Cristo. Pois quando me sinto fraco, então é que sou forte.” (2 Cor. 12:10, BPT09).

Num momento pessoal de particular dor e isolamento, as palavras de quem já tinha passado por doença, sofrimento e até morte, verbalizaram o meu sentir e me animaram com a certeza da companhia d’Aquele que me tem como filha amada. Deixo essas palavras aqui no desejo que elas possam igualmente trazer conforto e ânimo a quem delas precise:

“Ainda que eu ande por um vale escuro como a morte, não terei medo de nada. Pois tu, ó Senhor Deus, estás comigo; tu me proteges e me diriges.” (Salmo 23:4, NTLH)

Raquel A. Espinhal Pereira
Secretária académica e professora em instituição bíblica-teológica (www.eunc.edu).

Consumo, em tempo de pandemia

955 635 Aliança Evangélica Portuguesa

Nos últimos tempos, devido à pandemia pela qual o mundo está a passar, muito se tem falado sobre quão benéfica tem sido essa paragem forçada para refletirmos acerca de como estávamos a levar as nossas vidas, rever as nossas prioridades e refazermos a rota.

Voltar à vida como levávamos antes, já não será possível. O mundo mudou. Voltar ao “normal” implica voltar a um estilo de vida diferente. O que é que isto quer dizer? Apesar dos dias estarem a ser maus e ter pessoas a sofrer seja pela perda de um ente querido que foi infectado pelo coronavírus ou pela perda do emprego, algo de muito bom está a acontecer. O Planeta Terra tem respirado aliviado e agradecido pelo isolamento social.

Um dos efeitos positivos da pandemia é a diminuição da emissão de gases que contribuem para as mudanças climáticas. Isso porque o fechamento temporário das indústrias e a diminuição da circulação de veículos tem resultado num ar mais limpo.

Numa reportagem da revista brasileira EXAME, é citada a redução de dióxido de nitrogénio (NO2) em fevereiro, na cidade de Wuhan, epicentro da pandemia do COVID-19. Cidades como Madrid e Barcelona, onde foram tomadas medidas drásticas acerca do isolamento social, também está a acontecer o mesmo.

De entre todas as mudanças que ocorrerão quando tudo isto acabar, uma delas será no hábito de consumo. Várias pessoas já se deram conta de que a forma como consumimos precisa de ser repensada urgentemente. O desmatamento das florestas e a exploração do solo são alguns dos males que o consumo desenfreado tem causado à natureza. De acordo com a ONG World Wide Fund for Nature (WWF), a população mundial consome cerca de 30% a mais do que o Planeta consegue repor. Vários são os motivos que nos levam a um consumo desenfreado. Desde ser aceite no meio em que convivemos, ou para preencher algum vazio existencial. O facto é que, como discípulos de Jesus, temos responsabilidades no que diz respeito aos cuidados com o Meio Ambiente.

Como seguidores de Jesus, devemos cultivar em nós a essência da simplicidade, do não acumular. Com os grandes centros de lojas fechados temos nos dado conta do que sempre soubemos, mas tínhamos ignorado: não precisamos de muito para viver e sermos felizes. A nossa alegria e a nossa suficiência vêm do nosso Pai, fonte de toda satisfação.

É hora de sermos gratos com o que temos e darmos cara nova àquele objeto que provavelmente iria para o lixo, usando a nossa criatividade dada pelo próprio Deus, e que costuma aflorar em tempos como estes que estamos a viver. Seja uma garrafa que pode virar um vaso, ou uma embalagem de vidro que se pode transformar em porta-mantimentos. Até mesmo aquela roupa que estava de lado e que podemos transformá-la em outra peça de roupa. Além disso, quanto menos consumimos, mais podemos contribuir para a expansão do Reino e sermos agentes das Boas Novas a quem precisa neste tempo de desesperança.

O momento presente convida-nos a simplificarmos as nossas vidas. O próprio Jesus não tinha nem onde reclinar a cabeça. Como discípulos Dele, somos desafiados a cada dia a buscarmos o “ser” ao invés do “ter”. Sermos como Ele, vivendo com o suficiente e com o coração preenchido com o que é eterno, onde nenhuma traça corrói e ladrão algum rouba.

 

Suellen Figueiredo
Designer de Moda, especialista em Consultoria de Imagem e Estilo

Avós e netos, em tempo de pandemia

626 417 Aliança Evangélica Portuguesa

“O maior orgulho e alegria para os velhos são os seus netos;” (Provérbios 17:6, A Bíblia Viva)

Olhamos para os nossos netos e vemos o que os pais deles ainda não conseguem ver completamente: vemos a sua perfeição, a sua inteligência, perspicácia, alegria e força de viver, o reflexo dos próprios pais e o nosso reflexo também; vemos o presente e o futuro, o nosso legado a estender-se por mais uma geração!

Vemos a sua personalidade maravilhosa e o seu caráter em formação, sob a orientação e responsabilidade dos pais (Graças a Deus!)

E pensamos: “Já por lá passei… É um grande desafio… No fim, vai bater tudo certo… As traquinices fazem parte da vida. Eles estão a aprender. E eles vão crescer, tornar-se pessoas de bem, pessoas fantásticas, como os seus pais…”

Os nossos pequeninos são um mundo novo de oportunidades para nós! O nosso tesouro, a nossa grande alegria! Amamo-los como nunca conseguimos amar ninguém, e nem sequer sabemos como é que isso nos está a acontecer, como é que é possível…

É maior do que nós! É um amor diferente daquele que temos pelos filhos… É uma dádiva divina, uma bênção sublime!…

Nestes dias de isolamento, sentimos a falta deles mais do que conseguimos explicar em palavras… Sentimos, profundamente, a falta de os abraçar, de ficarmos sentados no chão a brincar com eles, como se fôssemos crianças também. Sentimos falta daquele cansaço saudável de umas boas corridas atrás deles, das gargalhadas em conjunto, até não termos força para rir mais!

Sentimos falta de lhes preparar o almoço ou o lanche, de os levar a sítios onde têm de ir, de cantarmos juntos no carro! Sentimos falta de fazer rimas divertidas, ler e contar histórias, responder às suas perguntas incríveis e mostrar como se fazem, de forma simples, coisas que lhes parecem muito difíceis!

A maioria dos avós tem a possibilidade de contactar os seus pequeninos por telemóvel ou por vídeo-chamada. Que bênção! Como estou grata ao Senhor por esses meios tecnológicos, que me permitem ver e ouvir os meus netos todos os dias! Ali ficam eles, mesmo à frente dos meus olhos, com toda a sua vivacidade! Não posso tocar-lhes, mas posso vê-los. Sinto-me grata, tão grata por esses momentos!

Durante o dia, oro por eles e pelos seus pais. Peço ao Senhor que guarde a cada um deles e que os leve em segurança até ao fim desta espécie de guerra que estamos a viver. Oro para que o Senhor alivie o cansaço dos pais, que os fortaleça, anime e ajude em todas as suas tarefas, tanto no cuidado das crianças como no teletrabalho. Oro para que Deus lhes dê a perspetiva melhor do que lhes está a acontecer: o privilégio de estarem mais tempo com as suas crianças, de as conhecerem melhor e de as amarem – de facto – incondicionalmente!

Avós, sei perfeitamente como se sentem. Não se desesperem, não fiquem ansiosos, lancem para longe a tristeza e a depressão. Tirem forças da vossa fraqueza, permaneçam saudáveis, ativos e animados! Este tempo vai chegar ao fim e os vossos netos vão querer recuperar todo o tempo perdido! Vão precisar de todos os abraços que estão a ser armazenados agora, de todo o amor e de toda a compreensão. Em breve eles irão “invadir” a vossa casa e a vossa vida com aquela alegria especial, que só eles têm!

Esperar com paciência no Senhor é uma arte que se aprende… Vamos aprendê-la?

 

 

Clarisse Barros
Professora e Escritora

Mudanças necessárias!

957 637 Aliança Evangélica Portuguesa

Vivemos um tempo de grande perplexidade, medo, preocupação, privação. Como cristãos, é a oportunidade de aprofundar a nossa fé. Como Jeremias, podemos dizer: “Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade!” Lm 3:21-23

O sofrimento é esperado num mundo que jaz no maligno. Em vez de nos chocarmos com o mal, nós devíamos surpreender-nos com o bem, com o facto de continuarmos amados por Deus, com a bondade de Deus manifesta de inúmeras maneiras – o sol continua a brilhar, a natureza renova-se – e, principalmente, Cristo provou o Seu amor na cruz.

C.S Lewis diz que o sofrimento é o megafone de Deus. É legítimo orar para Deus aliviar o sofrimento, mas precisamos também de perceber a mensagem que Deus está a enviando à humanidade, à sua igreja e a cada um de nós.

Não pretendo ser porta-voz de Deus, mas apenas sugerir algumas linhas de reflexão.

Para a humanidade: esta pandemia mostra que somos todos afetados pelo que acontece na terra, mesmo se for do outro lado do mundo. Mostra que o desenvolvimento tecnológico não se acompanhou de um desenvolvimento social equilibrado. E este desequilibro torna a vida muito precária. Somos frágeis, vulneráveis e efémeros. Daí a necessidade de sermos solidários, de rever as nossas prioridades, este modelo económico insustentável, a grande desigualdade social, a falta de investimento em saúde, saneamento básico e educação, principalmente nos países mais pobres. Como cidadãos, precisamos rever os nossos padrões de consumo, consumir menos bens materiais e mais bens culturais, gerar menos lixo e gastar menos recursos finitos da terra, apoiar ações solidárias em direção aos excluídos, aos que sofrem, aos desfavorecidos. É notável que, enquanto homens morem asfixiados pelo vírus, a natureza respira, a poluição diminui.

Para a Igreja: perceber que sua essência são as pessoas, que precisamos de investir mais em pessoas que em locais, priorizar o exercício da fé em família, nas casas. Zelar pela qualidade dos nossos vínculos familiares. Rever os nossos modelos e padrões religiosos para promover o exercício dos dons. Não há membro inútil no corpo. No entanto, muitos se contentam em assistir ao culto e, no máximo, contribuir financeiramente. Somos todos sacerdotes, todos missionários e discípulos de Cristo. Chamados a aprender a amar e servir a Deus no outro. Talvez o primeiro passo seja realmente confessar as nossas falhas e omissões e iniciar um processo de mudança: orando e tomando iniciativas. Lembremos 2 Cr 7:13,14 “Se eu fechar os céus, e não houver chuva; ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra; ou se enviar a peste entre o meu povo; E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.”

Individualmente: Deus convida-nos a nos aquietar, entrar no quarto do nosso coração e nos aproximar para aprofundar a nossa intimidade com Ele. Deus convida-nos a derramar o nosso coração e a receber a Sua paz, Fp 4:6,7 “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.” Aprofundar a nossa intimidade é também aprender a silenciar para ouvi-Lo através da Sua Palavra e das revelações que Ele quiser nos dar.

A partir do seu acolhimento incondicional, podemos olhar para dentro de nós neste tempo de quarentena e de quaresma para identificar e confessar aquilo que distorce a Sua imagem em nós. O pecado distorce a nossa visão de nós mesmos e do mundo. Assim como Jesus curou o cego, ele quer hoje curar a nossa cegueira espiritual.

Que possamos enxergar na Sua Luz para iluminar outros. Sigamos o conselho de Paulo aos Ef 5:8-10 “Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade; e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor.”

Resumindo: Vamos lavar as mãos e também o coração. Aproveitar este tempo de quaresma/quarentena para refletir sobre a nossa vida, as nossas escolhas, confessar os descaminhos e reorientar a nossa vida de acordo com os valores do Reino, cuidando do nosso coração, do próximo e do mundo que Deus nos confiou.

Estamos vivendo uma crise. Crise, no ideograma chinês é perigo e oportunidade. Se tirar o s, sobra crie! É oportunidade de desenvolver novas habilidades e delinear novas prioridades. Uma paragem para gerar um recomeço. A Graça é a possibilidade de recomeçar sempre!

Que todo o sofrimento deste período seja revertido em transformação para nos tornar mais parecidos com Cristo! Amém!

 

Isabelle Ludovico da Silva
Psicóloga clínica com especialização em Terapia Familiar Sistémica.

isabelle@ludovicosilva.com.br

O SENTIR DE UMA CIDADE

960 638 Aliança Evangélica Portuguesa

Como se fossemos numa viagem, ao ler a Bíblia encontramos diferentes paisagens, climas, ambientes, dinâmicas e preocupações em cidades daquele tempo.

Quatro cidades

Curioso é que, por vezes, também descobrimos “sentimentos” nestas cidades. É verdade, o texto refere o “pulsar do coração” desta e daquela cidade, como se de uma pessoa se tratasse. Recordemos aqui algumas delas:

Belém: Cidade comovida

“Assim, pois, foram-se ambas, até que chegaram a Belém; e sucedeu que, entrando elas em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e diziam: Não é esta Noemi?” (Rute 1:19)

Susã: Cidade confusa

“Os correios, pois, impelidos pela palavra do rei, saíram, e a lei se proclamou na fortaleza de Susã; e o rei e Hamã se assentaram a beber; porém a cidade de Susã estava confusa.” (Ester 3:15)

Jerusalém: Cidade perturbada

“E o rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele.” (Mateus 2:3)

Samaria: Cidade alegre

“E havia grande alegria naquela cidade.” (Actos 8:8)

E a sua cidade?

Que adjectivo lhe atribuiria, hoje? Como se sente a sua cidade? Possivelmente sente o mesmo que a minha. Há lojas fechadas, edifícios escolares silenciosos, ginásios sem movimento, ruas quase desertas. As nossas cidades estão perplexas, receosas, perante a propagação rápida do coronavírus e todos os perigos daí decorrentes. O que lhe caberá fazer?

“Ah, mas eu, sozinha, pouco poderei fazer pela minha cidade…” Talvez seja este o seu pensamento. Contudo, acredito que cada um(a) de nós pode fazer mais do que imaginamos. É que, nos quatro exemplos acima referidos, o sentimento de cada uma das cidades foi despertado por uma pessoa só. Veja:

Belém – o regresso de Noemi

Susã – a perversidade de Hamã

Jerusalém – a perturbação de Herodes

Samaria – a pregação de Filipe

Deixe que Deus a use, como Ele quiser, em favor da localidade onde vive.

Duas ideias

Aqui estão elas:

– Cumprir à risca tudo aquilo que tem sido recomendado, sem banalizar as informações oficiais que vamos tendo sobre a situação e valorizando a experiência de outros países onde o vírus fez adoecer primeiro. 

– Reconhecer o amor de Deus pelas cidades e o Seu poder para curar a terra, e interceder em oração, lembrando estas Suas palavras: “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” (II Crónicas 7:14)

Nestes dias, li algures esta frase: “Não está tudo bem, mas vai ficar.” Acredito que sim, confiando no amor e na protecção do nosso Deus.

Para todas, um fim-de-semana abençoado.

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária

Há pessoas que brilham

947 574 Aliança Evangélica Portuguesa

As vivendas davam um tom colorido ao verde que dominava a paisagem. Após a reforma, tínhamos mudado para ali, no ambiente tranquilo do campo, refrescado pelo rio Cumberland que atravessava a cidade. Era uma zona rural, no Tennessee, Estados Unidos.

Recém-chegados, num domingo entrámos, pela primeira vez, numa igreja Baptista local. Diante do púlpito estava um senhor numa cadeira de rodas que supusemos seria o pastor. Era pastor, sim, mas estava a substituir o pastor local, temporariamente. A mensagem que nos deu foi tocante. Nos anos que se seguiram, ele foi um pai espiritual para mim, uma verdadeira inspiração.

Trazia consigo uma história de vida impressionante. Nascido prematuro, ele nunca andou normalmente. Começou por se deslocar de muletas e mais tarde passou para a cadeira de rodas. A sua visão deficiente nunca lhe permitiu aprender a ler. Contudo, ele decidiu servir a Deus a tempo inteiro, como pastor, o que causou surpresa e mesmo dúvidas em alguns. Uma frase que cruzou o seu caminho, certo dia, foi uma força impulsionadora para si. Ainda jovem, ele estava na igreja e ouviu o pastor dizer: ”O que tens, com Deus, é suficiente.” Ele parecia ter tão pouco mas, com Deus, quem sabe onde chegaria? E ali, como uma pequena vela, aquele brilho veio a exceder todas as expectativas.

Frequentou uma Escola Bíblica. As aulas gravadas em áudio foram usados por ele no estudo da Bíblia e continuaram como recurso nos exames. Completou o curso, graduou e foi consagrado pastor.

Ouvi-o muitas vezes a pregar quando visitava, com frequência, a nossa e sua igreja, entre as suas frequentes viagens. Como as suas palavras inspiravam! Possuidor de uma inteligência invulgar e um grande coração, era convidado para pregar em muitas igrejas e dizia ele: “Só não posso batizar, mas posso pregar, oficiar casamentos. “ Na cidade de Clasksville, Tennessee, onde nasceu, o Pastor Claude foi agraciado pelo seu mérito, pela Municipalidade.

Muitas das pessoas que marcaram e iluminaram a minha vida não foram as mais “brilhantes”no conceito humano, mas como recordo cada uma delas! Claude foi uma delas.

Todos queremos brilhar e essa é a vontade de Deus para nós. Contudo, para Ele a luz define-se não pelo seu tamanho mas pelo seu brilho, pois o valor da luz é o quebrar da escuridão, seja uma vela ou a luz florescente.

Certa vez, ouvi a frase, que guardei comigo: “Não precisamos de apagar a luz dos outros para que a nossa brilhe”. E assim é. Para ser uma luz pura e verdadeira, deve estimular a luz dos outros, sejam quais forem as limitações.

Mesmo que esteja a viver um tempo sombrio, nunca esqueça que Deus designou-nos para brilhar. Vamos deixar que as Suas palavras ecoem, uma vez mais, nos nossos ouvidos: “Levanta-te e resplandece, porque a tua luz chegou e a glória do Senhor é sobre ti.” Isaías 60:1

Que a Sua luz, brilhando sobre nós, confirme o valor dos nossos dias e nos leve adiante! Porque, afinal, “com Deus o que temos é suficiente”.

 

Carmina Coias

Missionária

Despertando a visão missionária nos nossos filhos

956 638 Aliança Evangélica Portuguesa

Despertando a visão missionária nos nossos filhos

Como podemos despertar o coração dos nossos filhos para missões? Começo, partilhando um pouco da minha vida e de como o desejo de servir a Deus e alcançar os outros foi despertado.

Tinha 7 anos quando compreendi que era pecadora e precisava de Jesus para me salvar do castigo pelos meus pecados. Aceitei Jesus como meu salvador naquele momento. O curioso é que não foi durante uma lição bíblica ou uma pregação. Foi enquanto ouvia a história missionária de Amy Carmichael, a missionária irlandesa que dedicou à sua vida em favor das crianças indianas, cobrindo a sua pele branca com café e usando os trajes indianos para conseguir alcançar aquele povo. Aquela história teve um impacto tão profundo em mim que não só aceitei a Cristo como decidi dedicar a minha vida a Ele, queria ser como a Amy. Com 7 anos, descobri que podia ser uma missionária, independentemente da minha idade, ao contribuir para a obra missionária, ao orar pelos missionários e povos não alcançados e partilhando o que Jesus estava a fazer na minha vida. 

Assim, levava sempre a minha irmã mais nova à Classe de Boas Novas (classe bíblica para crianças que era feita ao ar livre, por alunos do Instituto Bíblico Português e missionários americanos), onde conheci o Evangelho e comecei a partilhar a minha fé com a minha família e os meus colegas na escola. Muitos dos meus colegas na escola e no bairro começaram a participar na classe, tendo a oportunidade de ouvir o Evangelho.

Com a chegada do inverno, a classe iria ter que terminar, mas o meu desejo de ouvir a Palavra era tão grande que propusemos que a classe fosse feita na nossa casa, e assim foi! Como os meus pais sempre gostaram de crianças, permitiram que a Bíblia fosse ensinada na sua casa. Com 8, 9 anos, eu tinha uma responsabilidade na classe: preparar a sala para receber os meninos e meninas e convidar os vizinhos para a mesma. Às vezes segurava os cartazes dos versículos ou dos cânticos na classe e ajudava os mais pequenos a memorizarem os versículos. A minha irmã mais nova era a minha aluna preferida! Chegámos a ter 30 crianças na nossa sala! E como eu me sentia tão útil para Deus!

Deste trabalho, muitas famílias foram alcançadas, incluindo os meus pais e irmãos, e nascia assim a nossa igreja local, onde participo até ao dia de hoje. Com 11 anos de idade, comecei a ajudar as classes dos pequeninos na Escola Bíblica Dominical e assim me tornei professora da EBD. Lembro-me que quando se falava sobre missões, os meus olhos brilhavam e o meu coração ardia! Desejava ver mais meninos e meninas de Portugal alcançados para Jesus! Toda a minha adolescência e juventude foram dedicadas ao Ensino da Palavra, na minha igreja local, na classe de Boas Novas que, entretanto, passei a dirigir e nos projetos missionários da Aliança Pró-Evangelização de Crianças de Portugal, onde que participava no Verão.

Nos tempos da universidade, envolvi-me ativamente no Grupo Bíblico Universitário e pude participar em campanhas evangelísticas e ver jovens universitários a entregar as suas vidas a Deus! Foi um tempo de crescimento, onde aprendi a fazer missões de forma integral de uma forma mais consciente: servir a Deus com o que sou, com o que tenho e no lugar onde estiver!

Deus honrou o meu desejo de O servir em todo o tempo e tive o privilégio de conciliar a minha profissão com o Ministério, trabalhando em organizações cristãs, em especial o Desafio Jovem, onde pude servir por mais de 10 anos, como psicóloga. Hoje, a minha vida é dedicada inteiramente ao trabalho da APECP, oferecendo os meus dons, os meus talentos, os meus conhecimentos, o meu tempo e a minha família para que crianças e adolescentes do nosso país possam conhecer Deus, a Sua Palavra e o Senhor Jesus como seu Salvador!

Olhando para trás, louvo a Deus pois o meu compromisso com Ele desde muito cedo na minha vida livrou-me de tantas coisas que hoje em dia são uma preocupação na vida das nossas crianças e jovens. E tudo começou aos 7 anos, quando alguém me ensinou que Deus pode usar-me, independentemente da minha idade e deu-me oportunidades de servir a esse Deus Maravilhoso. Dou graças a Deus pelos professores, líderes, irmãos que tenho tido na minha família, na minha igreja local, na APECP, no GBU, no Desafio Jovem, que acreditaram em mim, investiram na minha vida e foram usados por Deus para conduzirem ao lugar onde sempre tenho procurado estar: no centro da Vontade de Deus!

“Ensina a criança o caminho em que deve andar….” (Provérbio 22:6).

Não vamos esperar que as crianças sejam mais crescidas para servir a Deus e serem missionárias. A criança que já recebeu a Cristo recebeu também dons espirituais que deve desenvolver, no contexto da sua igreja local. Como pais, professores e líderes, precisamos perceber que Deus usa as crianças para ao Seu Reino e procurar oferecer oportunidades para que de facto elas possam cumprir o propósito de Deus para a sua geração, hoje! As crianças não são só o futuro da Igreja, elas são também o seu presente.

Se queremos ver mais alunos nas nossas Escolas Bíblicas, mais jovens a ingressarem nas agências missionárias e mais portugueses alcançados, precisamos começar desde cedo. Precisamos de uma nova geração de gente comprometida com o Evangelho e com a Obra Missionária!

 

Iolanda Melo

Psicóloga, especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Psicologia da Educação

Livre para vestir-se de si mesma

959 537 Aliança Evangélica Portuguesa

Que atire o primeiro cabide quem nunca ficou a olhar para o guarda-roupa sem saber o que vestir ou nunca comparou a sua roupa com as de outras pessoas ao chegar a determinado lugar, ou que  achou que deveria vestir determinada roupa porque estava “na moda”. A roupa está presente desde que o homem e a mulher foram expulsos do Éden, quando Deus, o primeiro estilista do mundo, fez roupas de pele para os cobrir. A partir de então, a roupa sempre fez parte da história da humanidade, desde as primeiras civilizações do Oriente e da Antiguidade clássica (Grécia e Roma) até chegar à Europa Ocidental, da Idade Média aos dias de hoje, sempre com inúmeros significados e funcionalidades.

Para se proteger do frio, de predadores, para estabelecer funções hierárquicas e religiosas, como instrumento de segregação social e de identidade cultural, manifestação política, artística, entre outros, a roupa ocupa um lugar imprescindível na nossa vida cotidiana.
O conceito de moda, segundo a Professora de História da Indumentária da Universidade de Bolonha, Daniela Alanca, “é um dispositivo social definido por uma temporalidade muito breve e por mudanças rápidas, que envolvem diferentes setores da vida coletiva”. O termo moda, segundo ela, não é uma palavra antiga, apesar de sua etimologia ser latina. Vem de modus (modo, maneira).

Na sociedade moderna, entende-se como uma ferramenta de comunicação entre as pessoas. Nós reconhecemo-nos, também, pela forma como estamos vestidos. As décadas passadas foram marcadas por movimentos onde a moda esteve inserida nos mais diversos contextos. Podemos citar, por exemplo, o Movimento Hippie, que marcou os anos 1960, movimento esse de contracultura, político-social, que contestava o sistema vigente, capitalista. A moda hippie ficou marcada pelas roupas coloridas, batas indianas, flores no cabelo… e é usada até hoje. Algumas peças de roupa, como a mini saia, considerada um clássico da moda com sua origem em Londres, representava a emancipação das mulheres e era vista como um sinal de rebeldia com suas coxas e joelhos de fora,  marcando o fim de um período de repressão sexual, no qual a roupa era usada para esconder o corpo. No entanto, a roupa diz muito mais do que os motivos citados acima. Ela revela a nossa personalidade, a nossa visão de mundo e diz quem somos sem precisarmos de dizer uma só palavra.
Porém, a indústria da moda e a sociedade, ao longo do tempo, vem impondo a forma como devemos nos vestir. Termos como “está na moda” ou “tendência”, celebridades e novelas, desfiles nas semanas de moda em diversas capitais do mundo, com o único intuito de nos mostrar o que devemos consumir, têm minado a nossa forma de nos expressarmos como verdadeiramente somos e isto tem resultado no “efeito manada”, onde todos se vestem da mesma maneira.
Porém, se Jesus veio para reconciliar todas as coisas, como diz em Colossenses 1:3, por que não pensar que isto também inclui a moda, a nossa identidade e a maneira como nos vestimos?
Quando paramos para pensar que fomos feitas por um Deus criativo, de forma única, podemos manifestar essa consciência através do vestir. Vestir-se de si mesma é conectar a nossa essência, identidade, com a nossa aparência de maneira visível, palpável. Isso só é possível quando sabemos quem realmente somos. Por vezes somos levadas por motivações erradas ao escolhermos uma roupa e aos poucos vamos nos diminuindo para caber num padrão que não leva em conta quem somos, as nossas particularidades, mantendo-nos num estado de “escravidão”, inclusive do consumo
irresponsável que exaure os recursos da terra.

A boa notícia é que em Jesus somos livres. Sim! A liberdade que Ele veio nos dar, a vida plena que Ele veio nos oferecer, se aplica a todas as esferas da nossa vida e, o vestir, como algo essencial a nós, faz parte disso também. Somos livres para nos vestirmos de nós mesmas. Livres para usarmos as roupas que falam sobre nós. Livres para misturar padrões, cores, texturas, acessórios… ou não. Livres da imposição do que a sociedade ditou e dita como regra.
Pois, é na diversidade, expressa a partir das nossas singularidades, que mora a beleza. E onde há beleza, Deus está presente.

Suellen Figueiredo
Designer de Moda, especialista em Consultoria de Imagem e Estilo

Armadilhas do diálogo Homem/Mulher

1024 682 Aliança Evangélica Portuguesa

Um casamento saudável não é um casamento onde não há brigas, mas onde os parceiros conhecem e praticam a arte da reconciliação através do diálogo. A paz não acontece naturalmente, a menos que um dos parceiros se tenha anulado. Quando apenas um impõe as suas necessidades e o outro se limita a supri-las, sem direito a voz própria, vive-se uma paz artificial e destrutiva. Duas pessoas inteiras vão entrar em choque. A questão principal não é tanto o conteúdo do conflito, nem saber quem tem razão, mas como é que o casal lida com opiniões opostas para chegar a um consenso, nem que seja concordar em discordar.

As diferenças entre homem e mulher tornam-se mais evidentes em situação de stress. A principal dificuldade diz respeito à preservação de um diálogo construtivo quando um conflito vem à tona. Na crise, a mulher tende a queixar-se e o homem a isolar-se. Estas reações transformam-se num círculo vicioso. A mulher sente o silêncio do homem como uma agressão e aumenta o tom das suas cobranças. Quanto mais ela reclama, mais ele se isola, na tentativa de fugir do confronto.

Os mecanismos de defesa do homem e da mulher são opostos. Ela geralmente prefere enfrentar, mas exagera as suas acusações com palavras como “sempre” e “nunca”. Ele reage ignorando os problemas, esperando a tempestade passar. O ciclo crítica/desprezo transforma os parceiros em inimigos. O silêncio do homem é uma tentativa de proteção, mas funciona para a mulher como uma provocação. Ambos devem aprender a brigar e entender a atitude do outro como um desejo de ajudar e não como uma retaliação.

O homem precisa de ouvir mais e encarar os conflitos como oportunidade de crescimento e fortalecimento da relação. A mulher precisa de expressar as suas queixas de forma positiva e objetiva, sem desqualificar o seu cônjuge. Os dois sentem necessidade de ser amados, respeitados, e têm medo do abandono. Por isso, na hora do desentendimento é importante renovar o compromisso que permite ir fundo na crise sem o risco de romper o vínculo. A ameaça de separação não passa de uma forma disfarçada de manipulação. Ela expressa subtilmente que o outro corre o risco de ser abandonado caso não se disponha a ceder às expectativas do parceiro.

Cada um precisa de compreender a dinâmica da relação e enxergar a sua parte no conflito. Em situação de stress, a mulher quer desabafar e ser ouvida. Ele quer ajudá-la a partir dos seus parâmetros, tentando diminuir o problema, dar uma solução prática e abreviar as queixas dela. Ela sente-se desrespeitada nas suas emoções, desqualificada, desvalorizada e censurada. Ao ouvi-la, ele desenvolve um plano de ação, interrompe a fala dela com soluções ou comentários que minimizam as suas emoções, e a deixam ainda mais brava. Ele acha que estava a ajudar e só piora a situação. Sem entender porque é que ela reage tão agressivamente, ele retira-se ferido.

Quando está irritado, ele refugia-se na sua caverna e precisa de ser respeitado na sua necessidade de tempo e espaço para digerir as suas emoções. Ela faz perguntas, tratando-o como gostaria de ser tratada. Ela só quer compartilhar o seu fardo, mas ele sente-se invadido e cobrado. Ela interpreta o silêncio dele como rejeição e cobra até ele estourar ou afasta-se magoada. Quanto mais quieto ele fica, mais ela o cutuca. Quanto mais ela o cutuca, mais quieto ele fica. O homem reage ao stress tentando manter o controle racional até estourar. A mulher tende a mergulhar nas emoções. Ele necessita de sossego para entender o que está a acontecer. Ela busca carinho e atenção para reordenar os seus sentimentos. Cada um interpreta a atitude do outro como um ataque pessoal.

Cada um deve saber cuidar de si e interpretar a atitude do outro como um pedido de socorro que merece compreensão, paciência e respeito. Nesta perspectiva, o conflito torna-se uma oportunidade para ambos desenvolverem a famosa inteligência emocional através do diálogo entre cabeça e coração. O homem pode aprender com a mulher a deixar as suas emoções virem à tona. A mulher pode aprender com o homem a filtrar as suas emoções através da lente mais objetiva da razão.

Isabelle Ludovico da Silva
Psicóloga clínica com especialização em Terapia Familiar Sistémica.

isabelle@ludovicosilva.com.br

Mil e uma razões para ser voluntário

1280 960 Aliança Evangélica Portuguesa

Já pensou em ser voluntário? Talvez tenha dito para si mesma: “Sim, é uma boa ideia!”, mas também pode ter pensado: “E o que é que eu ganho com isso?”

Bem, de facto, existem 1001 boas razões para fazer voluntariado.

Mas, afinal, o que é ser voluntário? Segundo a legislação portuguesa, ser voluntário é uma atividade que necessita de estar enquadrada institucionalmente [Lei 71/98 de 3 Novembro, artigo 2.º].

Sabemos que a Palavra de Deus nos incentiva a fazer o bem individualmente ou em grupo, em qualquer circunstância e desinteressadamente como uma sementeira, e fruto de um caráter transformado por Cristo (Gálatas 6:9, Mateus 5:16, Efésios 2:10, Tiago 2:14-17, Tiago 1:27, Tiago 4:17). Contudo, o facto de estarmos enquadrados institucionalmente pode ter vantagens a nível do impacto e visibilidade das nossas ações na comunidade. Assim, o voluntariado é uma bonita forma de deixarmos brilhar a nossa luz.

Contudo, não encaremos o voluntariado apenas como uma atividade pontual, uma tarefa. Olhemos o voluntariado como um estilo de vida: dar de nós aos outros, dar o nosso tempo, os nossos talentos, (aquilo que melhor sabemos fazer, as nossas competências pessoais e/ ou profissionais) e os nossos tesouros (aquilo que possuímos – bens materiais, donativos, roupa, brinquedos, alimentos… – e que podemos partilhar com os outros.)

Creio que o voluntariado é um investimento, um bom investimento. Não um investimento a fundo perdido, mas um investimento com grande retorno.

Ser voluntário:

1 – É uma oportunidade de aprendizagem de como se deve estar/ agir num determinado contexto e permite saber como funciona determinada organização.

2 – Possibilita-lhe alargar a rede de contactos pessoais e profissionais

3 – Significa ter mentores formais e informais e isso implica, necessariamente, ganhar novas perspetivas sobre tarefas e/ ou grupos específicos de população. Tudo isto permite o enriquecimento de cada voluntário como pessoa, para além de valorizar o seu CV, se é recém-formado ou procura emprego.

4 – É uma oportunidade de desenvolver a capacidade de comunicação e o conhecimento sobre diferentes contextos.

5 – Permite aumentar o auto-conhecimento, no sentido que o voluntário experimenta novas tarefas, desempenha novos papéis, e percebe o que o inspira e motiva a continuar, ou não.

6 – É uma possibilidade de desenvolver as soft skills tão importantes e valorizadas em contextos laborais e também indispensáveis para os relacionamentos interpessoais (por exemplo: capacidade de comunicação, relacionamentos interpessoais, resolução de problemas e pensamento crítico, escuta ativa, vontade de aprender, boa gestão de tempo, trabalhar bem em equipa, flexibilidade, etc.)

O voluntariado, na sua aceção mais lata, é quase para todas as idades, e pode ser realizado em variadíssimos âmbitos: associações, conservação do ambiente, eventos,  entre outros. Recentemente, li duas frases que penso que se aplicam muito bem ao contexto do voluntariado: não importa a tarefa que desempenhamos, a posição que ocupamos, “todos nós somos líderes na diferença que queremos ver no mundo” e “o voluntariado é o expoente máximo da democracia. Nós votamos nas eleições uma vez por ano, mas quando somos voluntários, votamos todos os dias no tipo de comunidade em que queremos viver.”

Finalmente, o voluntariado certamente torna-nos pessoas mais felizes, pois como diz a Bíblia “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Atos 20:35).

Experimente!

Elsa Correia Pereira
Socióloga

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