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Mulheres

Uma Mesa Preparada – Lídia Pereira

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Quer sejam sóbrias ou requintadas, como são bonitas as mesas que aguardam comemorações especiais! Umas destacam-se pela simplicidade, outras pelo valor das suas peças, mas todas têm o cunho pessoal de quem as preparou. Há pormenores que lhes são comuns: as toalhas que as vestem, floridas ou de linho, sem rugas ou manchas de festejos anteriores, os guardanapos a condizer, os pratos alinhados, a disposição dos talheres e copos brilhantes, de vidro simples ou de cristal, e o perfume que sentimos pela maneira como foram tratadas antes de se estenderem, elegantes e cuidadas, diante dos nossos sentidos.

É-nos comum demorar o olhar nas imagens apresentadas em revistas, atentando para os pormenores, fixando ideias para pormos em prática numa nova refeição em nossa casa. Como é reconfortante a hora da chegada dos convidados e o tempo de convívio que nunca se repete. Cada reunião é única, cada tempo passado irrepetível. A mesma sinfonia, ainda que noutro tom, nos acompanha quando somos nós os convidados.

Particularmente especiais são as mesas do dia-a-dia, em que não importa tanto a ementa quanto a família sentada à sua volta e o tempo de partilha, num local certo a uma hora previamente combinada, tantas vezes alterada pelos compromissos ou imprevistos.  Depois de um dia de trabalho cansativo, em que tantas “batalhas” têm de ser vencidas, tantos objectivos cumpridos e tarefas realizadas, é tão confortável entrar em casa, respirar fundo, relaxar um pouco e ter a mesa já preparada para a refeição.

Impossível não pensar naqueles que, desafortunadamente, não têm mesa. Quantas pessoas sem família, sem amigos, por doença ou distância dos seus queridos, pela fome ou pelas guerras, pela perda dos seus bens ou pelo luto, não têm dias de festa ou de alegria. Como não sentir tristeza, solidariedade e carinho para com todos, em particular para com os que conhecemos e estão perto de nós.

Estes pensamentos transportam-me para “uma mesa preparada” para todos quantos a desejarem, ricos ou pobres, felizes ou tristes, acompanhados ou sós. Essa mesa está sempre disponível para uma refeição servida pelo Amor por excelência. Não sei a cor da toalha que a veste, mas sei que simboliza uma aliança eterna.

Davi, que a mencionou num dos textos mais belos da Bíblia, diz que o lugar ocupado por nós é individual: “preparas-me uma mesa”! E refere também onde se encontra – “na presença dos meus adversários”.

Esse rei guerreiro-poeta-escritor-músico vivia num palácio rodeado de bem-estar, tinha chegado à posição que ocupava “porque era um homem segundo o coração de Deus”, o seu reinado era vitorioso, muito querido pelo povo, e tinha inimigos? Quem e o que são os inimigos do homem? O próprio homem, as invejas, a doença, a dor, a guerra, a solidão, o abandono, o desespero, as afrontas dos amigos, a crueldade, a competição que não olha a meios para atingir os seus fins roubando a verdade, a saudade, o desemprego, a morte e o luto, numa palavra o mal que entrou no mundo para matar, roubar e destruir.

“O Senhor é o meu Pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto de águas de descanso; preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.”  …

Quando vivemos dias sombrios, tantas vezes pensamos que os nossos problemas são os maiores e únicos. Saiamos de nós mesmos, olhemos ao nosso redor, aproximemo-nos do nosso “próximo” e constataremos que há dores maiores e batalhas mais difíceis que as nossas.

Jesus disse “no mundo tereis aflições” e acrescentou “tende bom ânimo! Eu venci o mundo!”

Temos por Ele “uma mesa preparada”. Podemos sentar-nos, saborear o Seu cuidado, hospitalidade e Amor. Nela temos o nosso lugar reservado.

 

Lídia Pereira

Gestora de Recursos Humanos e Administrativos
Aposentada

O Compromisso – Graça Fonseca e Silva

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Estava a iniciar o meu curso de Teologia e Educação Cristã, que seria de três anos. Tinha saído da minha igreja, deixado os meus familiares e os meus amigos mais próximos, para vir frequentar o Instituto Bíblico noutra terra, mas o meu desejo de me preparar para servir melhor o Senhor era grande e superava todo o eventual receio do desconhecido que esta nova etapa trazia consigo.

Nessa altura, iam muitas vezes à igreja a Coimbra, de onde sou, equipas de alunos e professores que participavam nos cultos e semeavam em nós o desejo de servir a Deus e desafiando-nos a vir estudar para o Instituto Bíblico. Eu já servia na igreja local mas queria fazer mais e melhor e sabia que me seria muito útil e curso que me propunham.

Iniciei as aulas com entusiasmo. O leque de disciplinas era interessante e o acolhimento dos professores e dos meus colegas fez-me sentir confortável. Sabia que teria que estimular a minha capacidade de concentração e de memorização e gerir o meu tempo de modo a concluir os trabalhos dentro dos prazos. Havia ainda que conciliar sabiamente três exigências do dia: as aulas de manhã, trabalho à tarde e estudo ao fim do dia e nos fins-de-semana.

Logo no início decidi assumir um compromisso comigo mesma: nunca iria faltar a uma aula, ao longo dos três anos… Seria possível?

Desde então, sempre que surgia alguma situação que pudesse vir a condicionar a minha ida às aulas e outras actividades, eu orava com fervor para que Deus me tocasse e eu não tivesse que faltar. Recordo-me de uma vez que me encontrava doente. A febre deixava-me indisposta, mas a decisão falou mais alto e fui.

E consegui. Completei os três anos sem dar uma única falta. E recebi um prémio por isso. Foi há mais de trinta anos e, tanto quanto sei, nunca mais houve ocasião de a escola atribuir esse mesmo prémio a outro aluno, pois nenhum completou o curso sem qualquer falta.

Sinto-me feliz ao pensar nisso, pela forma como consegui cumprir esse compromisso comigo mesma. Fico a pensar que, ainda hoje, Deus espera decisões da parte de cada um de nós, cristãos. Ele procura gente disponível para responder com determinação e consistência.

Na Bíblia, encontramos estas palavras de Deus: “”Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim a favor desta terra, para que eu não a destruísse, mas a ninguém achei.” (Ezequiel 22:30)

Hoje, Ele continua a esperar de mim, a cada dia, uma vida de compromisso. Claro está que agora não tem a ver com o ir ou faltar às aulas mas refere-se a aspectos mais importantes da minha maneira de viver. Quero ser uma das pessoas que Deus encontre disponível para “estar na brecha”. Que Ele possa contar comigo e consigo, sempre que precisar de nós.

 

Graça Fonseca e Silva

Colaboradora do Desafio Jovem, Reformada 

Com Deus, na Escola – Raquel Henry

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Foram 22 anos de escola, de sala de aula, de caras novas, de dezenas de nomes para decorar. Foram anos a ensinar, a acompanhar, a aconselhar, mas também a participar de vidas, de famílias e de escolhas. Por vezes, escolhas difíceis em contextos conturbados, outras, lógicas e de fácil aceitação. Foram assim os meus anos como professora, profissão que escolhi desde cedo e a qual nunca tive dúvidas em abraçar. Desde o primeiro momento, senti a mão de Deus a guiar cada passo, a orientar cada minuto e cada hora. Mas nem sempre foi fácil. Acho que quase sempre a balança pesou com dificuldades, angústia e preocupações. Mas houve tantos momentos bons, maravilhosos até! Tantos sorrisos e lágrimas de emoção, tantos sucessos observados e tantos dias a chegar a casa com a sensação de dever cumprido.

Este ano são outras escolas e outros contextos, mas não dentro de uma sala de aula.

De computador ligado, caderno de apontamentos e telemóvel, tento gerir, como parte da equipa da Comacep – Comissão para a ação educativa evangélica nas escolas públicas –  toda uma dinâmica que envolve fazer contactos, registar inscrições de alunos, criar turmas e encontrar professores para lecionar Educação Moral e Religiosa Evangélica nas escolas públicas. Toda a engrenagem está bem montada e, em equipa, trabalhamos com espírito de missão – a missão de propagar o evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo nas salas de aula.

Numa Europa que está cada vez mais a fechar as portas a Deus, onde já nem se pode com total aceitação e liberdade falar em Jesus, Natal ou Páscoa, há ainda um cantinho, à beira mar plantado, que investe na educação cristã e que até mobiliza professores para coordenar equipas que vão à escola espalhar A Semente nas vidas de crianças e jovens. Que privilégio e que milagre!

Acredito profundamente que este ano pode ser um ano de viragem para Portugal. Um ano de oportunidades para evangelizar, um ano de crescimento, um ano de reavivamento de corações. Acredito também que a Comacep terá, cada vez mais, um papel de extrema importância neste ministério.

A minha vida continua a ser na escola, mas agora, a Missão é ainda mais nobre. Que Deus me possa usar e orientar para Sua Honra e Glória.

 

 

Raquel Henry

Professora de Educação Musical
Destacada na COMACEP em 2018/2019

“Confortai as mãos fracas e fortalecei os joelhos trementes” – Entrevista à Dra. Maria Helena Martins

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AEP – Como surgiu o interesse pela Medicina na sua vida e a decisão de servir a população idosa?

HM – Deus vai escrevendo a nossa vida desde que nascemos. Nada do que nos acontece Lhe está oculto. Ao olhar para trás, para o meu percurso de vida, vejo cada página escrita com o Seu propósito. Fui tendo encontros com o sofrimento, que não foram por mim compreendidos na época. Geraram angústia, mas também grande crescimento.

O meu 1º grande encontro com o sofrimento por doença, ocorreu quando eu tinha 5 anos e o meu pai teve um grave problema cardíaco. A sua grave insuficiência cardíaca originou a sua morte prematura aos 59 anos quando eu tinha 16 anos. Durante 11 anos vivi o sobressalto constante de o perder, pois as crises e os internamentos sucediam-se. O seu sofrimento era intenso.

Este 1º encontro lançou uma semente – o desejo de minorar o sofrimento alheio.Fiz  o Curso de Medicina.

O 2º grande encontro com o sofrimento aconteceu há 21 anos, com uma doença oncológica disseminada, com grave prognóstico, da minha mãe.

Fiquei a conhecer e vivi muitas das dificuldades porque passam aqueles que acompanham e cuidam de doentes em sofrimento e fase avançada de doença incurável. Nessa época ainda não havia Cuidados Paliativos em Portugal e era muito dificil gerir e controlar estas situações.

Foram dois anos de luta que me levaram à exaustão. No entanto, outra semente foi lançada – como ajudar e acompanhar este tipo de doentes?

Até essa altura trabalhava como Médica de Família num Centro de Saúde e confesso que a minha área preferida era a Saúde Materno-Infantil.

Mas outra semente tinha sido lançada. Abracei a Geriatria e aproximei-me dos Cuidados Paliativos, ainda embrionários.

Os últimos 18 anos da minha vida têm sido dedicados a estas áreas, na procura constante de resoluções para minorar o sofrimento e acompanhar o meu doente na sua trajetória final de vida, dando dignidade a essa mesma trajetória. Isto exige da minha parte contínua formação e trabalho de equipa.

Tenho sentido o enorme entusiasmo das minhas equipas de trabalho, o empenho, o zelo, o cuidado que têm demonstrado para melhoria constante da abordagem em fim de vida.

Tenho trabalhado em diferentes locais, com diferentes equipas, desde Apoio Domiciliário a Residências Geriátricas.

O 3º grande encontro com o sofrimento ocorreu há 10 anos, com o meu irmão mais velho. Em aparente estado de saúde, foi-lhe diagnosticada uma doença oncológica grave, terminal , com a qual convivemos 8 intensos meses. Também morreu prematuramente aos 58 anos.

A mão invisível do Senhor continuava a escrever as páginas da minha vida.

Pouco antes do seu diagnóstico, eu tinha iniciado uma Pós-graduação em Cuidados Paliativos. E com a ajuda preciosa dos meus colegas pioneiros dos mesmos, o trajeto do meu irmão foi vivido de forma totalmente diferente, com os seus desejos cumpridos, os seus sintomas controlados, com muito maior serenidade.

A minha preparação foi-se fazendo gradualmente por sementes que foram lançadas num terreno que estava a ser preparado. E a preparação desse terreno envolveu dor e sofrimento. Mais tarde, ao ver os frutos, compreendi o trajeto vivido.

AEP – Quais são as maiores necessidades dos idosos em Portugal, hoje, na sua perspectiva?

HM – Vivemos numa sociedade doente, com injustiças materiais e morais. Talvez uma das mais graves de todas seja a que os idosos sentem – a comunidade não os considera membros iguais aos demais.

Como cristãos somos chamados a agir em favor dos injustiçados, aceitando, estimando e integrando os nossos idosos.

Claro que cada idoso tem todo um percurso de vida que o marcou de diversas maneiras e a Bíblia nos adverte para a possibilidade de sermos rejeitados por Deus na velhice ( Salmo 71:9).

Perante a sociedade impessoal onde estamos mergulhados em Portugal e um pouco por todo o mundo, penso que as maiores necessidades dos idosos terão a ver com a falta de afeto e calor humano, falta de integração na sociedade, falta de quem os oiça e de quem os ajude a quebrar o ciclo da solidão.

Claro que existirão também necessidades materiais, a nível de cuidados de saúde, de alimentação ,etc.

A nossa missão para com os nossos concidadãos idosos, é ajudar a construir uma sociedade mais benevolente e integradora de todas as faixas etárias. É fazer despertar recursos e talentos pessoais enterrados há muito, estimular a criatividade, o entusiasmo por alguma tarefa, criar laços sociais que arranquem o idoso da solidão.

AEP– Vive o seu trabalho como uma forma de servir a Deus? Pode referir um versículo que tenha norteado o seu percurso de vida profissional?

HM – Há cerca de 18 anos, quando me comecei a dedicar à área da Geriatria, um versículo passou a acompanhar-me e lembrar-me continuamente da missão – “Confortai as mãos fracas e fortalecei os joelhos trementes” Isaías 35:3.

Numa área da Medicina que facilmente pode originar 2 sentimentos avassaladores, impotência e frustação, este versículo anima-me a batalhar dia após dia na procura do conforto e simultâneamente no fortalecimento do que ainda é possivel fortalecer nos meus doentes.

Falo em impotência, ao referir-me à morte inevitável, e que acompanha o dia a dia da Geriatria.

Falo em frustração, porque trato pessoas com doenças crónicas, múltiplas doenças na mesma pessoa, muitos sintomas que já não é possivel eliminar por completo, e raramente assisto a cura, o que acontece na Medicina exercida nas faixas etárias mais novas.

É uma Medicina de gestão de doenças crónicas.

Penso no meu trabalho como serviço ao próximo, ao encarar de frente o sofrimento alheio, não ficando indiferente, na busca constante de alívio do mesmo e de soluções para os problemas diários que vão aparecendo.

Isto exige disponibilizar tempo, gerir emoções, perseverar, aprender continuamente e estar na total dependência de Deus.

 

Dra. Maria Helena Martins

Onde estavam eles? – Bertina Coias Tomé

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Numa casa possivelmente ampla mas desprovida de recursos, um homem vive uma condição extremamente difícil. As feridas cobrem-lhe todo o corpo, numa dor e num prurido que ele procura aliviar, raspando-as com um pedaço de telha.

Em adversidades sucessivas, perdeu todos os seus haveres e os seus filhos.
Vive numa solidão pesada, que torna os dias ainda mais sombrios. E desabafa: “Os meus parentes me deixaram, e os meus conhecidos se esqueceram de mim.” (Jó 19:14)

Num certo dia, em que ele ora pelos seus amigos, este cenário de vida altera-se completa e definitivamente. Diz a Bíblia que “o Senhor virou o cativeiro de Jó.” (Jó 42:10) E, de repente, há uma grande multidão que se dirige à sua casa. Como um exército determinado em ajudá-lo, todos os seus irmãos e irmãs e todos os seus conhecidos – muitas centenas, certamente, pois ele era “o maior de todos do oriente” (Jó 1:3) – vão ter com ele. E ali:

-“Comeram com ele pão em sua casa” – Não foi uma “visita de médico”, como se costuma dizer, mas um estar sem pressa, numa refeição partilhada.
-“…e se condoeram dele…” – Numa atitude empática, “calçam os seus sapatos”, sentem a sua dor e são movidos em compaixão.
-“…e o consolaram…” – Ofereceram-lhe palavras de conforto, talvez abraços, sorrisos, olhares acolhedores.
-“…e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e um pendente de ouro…” – De uma forma prática e generosa, proporcionam-lhe recursos para reconstruir a sua actividade agrícola e pecuária que antes o tornara um homem extremamente rico.

Onde estavam antes todas estas pessoas? Porque não se lembraram dele, quando definhava em solidão? O que é que as ocupava ou distraía ao ponto de não terem corrido a sua casa logo que adoeceu? Ou estariam também elas a precisar de ajuda?

Estas são perguntas a que não sabemos responder. Contudo, desta história bíblica podemos retirar três importantes lições para a vida:

-Deus, o Todo-Poderoso, sabe como acabar com o “cativeiro” de qualquer um dos seus filhos, ou seja, ordenar o fim de um tempo deveras difícil.
-Por mais sós que nos sintamos, Deus sabe como levantar um exército em nosso favor – gente disponível para chegar perto, sentir a dor, confortar e partilhar recursos.
-A qualquer momento, Deus pode trazer à nossa mente o nome de alguém em necessidade e recrutar-nos para sermos nós parte do exército de apoio em seu favor. E aí, vamos munir-nos de todo o amor que Ele tem derramado em nós e movermo-nos, numa ajuda prática e realmente confortante a quem precisa.

E a história de Jó prossegue de uma forma surpreendente: “E assim abençoou o Senhor o último estado de Jó, mais do que o primeiro.” (Jó 42:12)

Seja qual for o momento que estejamos a viver hoje, vamos contar com o suporte de Deus na nossa vida, capaz de levantar gente que nos ajude e vamos ficar também disponíveis para sermos nós usados por Ele em favor de outros. E assim o Seu Amor é partilhado entre nós!

 

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária
Membro da Direcção da Aliança Evangélica Portuguesa

Crime E Castigo – Adelaide de Sousa

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“Pois eu sei os planos que tenho para vós. São planos de prosperidade e não de desgraça, planos que se concretizarão num futuro de esperança.” (Jeremias 29:11)

 

Estas palavras encorajadoras foram proferidas por Jeremias, um jovem profeta de Deus que viveu num tempo muito conturbado da história de Israel. Aos reis, não faltavam outros profetas que se prestavam a dar sempre “boas notícias”, numa espécie de versão arcaica do positivismo a todo o custo que tem perpassado as filosofias vãs próprias da nossa Nova Era. Especialmente no campo da oncologia, a ênfase está quase sempre no “pensamento positivo” como talismã para espantar o medo de quem recebe a notícia do cancro. Agora ou há 2500 anos atrás, somos muito mais bem recebidos se trouxermos palavras que agradem do que chamadas ao arrependimento e à transformação. Jeremias e outros sofreram na pele as consequências de trazerem a verdade, pois a mensagem que tinha para o povo alertava-o para a necessidade de mudança.

 

Tanto a Bíblia como a Psico-Oncologia parecem dizer que para chegar ao que é bom, precisamos de passar pelo que é mau. Chama-se Crescimento Pós-Traumático, esta teoria de que para haver uma nova perspectiva da vida, uma nova apreciação do seu milagre, temos de passar pelo sofrimento. Este fenómeno, já que as condições em que este crescimento acontece não são tão lineares assim, é mais comum no caso das mulheres que passam pelo cancro de mama. No entanto, a teoria do crescimento pós-traumático não sugere que haja uma ausência de sofrimento à medida que nos tornamos mais sábios, mas sim que o crescimento apreciável ocorre dentro do contexto de dor e perda. De facto, pode ser necessário algum sofrimento para o crescimento ocorrer, embora demasiado sofrimento possa prejudicar os enlutados e torná-los incapazes de se envolver no processo de crescimento. Isto lembra-me quem Jesus é: aquele que não esmaga a cana quebrada nem apaga o pavio fumegante…

 

A ideia de que para se chegar ao ouro temos de passar pelo fogo perpassa todo o texto bíblico, desde Génesis até Apocalipse. E o livro de Jeremias não é excepção. A promessa dos versículos que transcrevo é boa, traz esperança, mas sabendo nós que Jeremias também avisou o povo de que iriam passar por grande sofrimento à mão dos seus invasores antes de poderem chegar de novo à paz, e que depois disso mais tribulações viriam, dá-nos uma ideia de que procurarmos as profecias que nos agradam e rejeitarmos as que podem ser mais duras não é o caminho da verdadeira transformação. Para confundir tudo, temos visto como alguns ensinamentos de prosperidade, saúde e longa vida nesta Terra como garantias para o cristão sincero são prejudiciais para o crescimento desse mesmo cristão – é uma espécie de fast-food para o espírito! Já no tempo de Jesus – e antes ainda, no livro de Jó, talvez o mais antigo da Bíblia – havia quem visse as tribulações e desgraças como sinal claro do desprazer de Deus, do pecado na vida dos que sofrem. Eis o que disse o Apóstolo Paulo a propósito de tais perplexidades:

 

“As provações por que têm passado são normais na vida humana. Pois Deus é fiel e não deixará que sejam provados acima das vossas forças. Se ele vos envia uma provação também fará com que encontrem a maneira de a poder suportar. Por isso, meus amigos, fujam dos falsos deuses.” (1 Coríntios 10:13-14)

 

Este aviso de Paulo merece uma aturada reflexão: quem são os falsos deuses na nossa vida, que tentam silenciar a verdade da Escritura para a substituir pelo que os torne adorados por si? Quem lhe diz só o que o faz sentir bem, o que eleva a sua auto-estima? Onde se refugia quando o seu barco parece afundar? E se naufragar, vai crer que é castigo de Deus? Consequência do seu pecado? A teologia da retribuição – mais conhecida por “cá se fazem, cá se pagam” – não é Cristianismo, pois o nosso Deus não nos dá tudo o que merecemos. Dá-nos o que Jesus merece, porque Ele já recebeu o nosso castigo. Assim, não há teoria do karma que aguente esta Boa Notícia: a Graça de Deus é de graça mesmo! Não posso fazer nada para merecer ser perdoada, e mesmo que o meu caminho nesta Terra seja de pecado, nem tudo o que me acontece neste lado da eternidade é punição por esse mesmo pecado. Muitas das consequências virão depois…

 

Acredito que pensar que quando alguém faz o mal vai sempre ter a sua paga aqui nesta vida seja confortador, mas pense comigo: se esta fosse a lei vigente, que pena teria eu pelo mal que já fiz? Que pena teria você? Dou graças a Deus por Jesus!

 

O que quero dizer-lhe hoje é isto, especialmente a si que está a passar por grande deserto na sua vida, uma grande provação, e que talvez esteja a ver a morte de frente pela primeira vez: não tem de ser castigo, mas pode ser oportunidade para conhecer a Deus como nunca antes.

 

Quando recebemos um diagnóstico assustador como o do cancro, recebemos algo mais ainda: ao contemplar a finitude da vida podemos dar graças a Deus por ela. Esta mensagem foi perfeitamente percebida por uma das 11 mulheres do nosso livro Mulheres Guerreiras, a Filomena: “No dia-a-dia somos imparáveis. E quando isto acontece, percebemos que de um momento para o outro não estamos cá. Quando era mais nova tinha medo de morrer, agora encaro isto como uma oportunidade para dar o melhor de mim aos outros (…) E mesmo que só viva mais um mês ou dois, o meu espírito está tranquilo.”

 

Isto é sabedoria, refinada pelo fogo da tribulação…

 

“Por isso nunca ficamos desanimados. Mesmo que o nosso corpo vá se gastando, o nosso espírito vai se renovando dia a dia. E essa pequena e passageira aflição que sofremos vai nos trazer uma glória enorme e eterna, muito maior do que o sofrimento. Porque nós não prestamos atenção nas coisas que se veem, mas nas que não se veem. Pois o que pode ser visto dura apenas um pouco, mas o que não pode ser visto dura para sempre.” )2 Coríntios 4:16-18)

 

Crê nisto?

 

Adelaide de Sousa
Apresentadora de Televisão
Coordenadora do projecto Guerreiras Portugal

Armadilhas Do Diálogo Homem/Mulher – Isabelle Ludovico da Silva

960 637 Aliança Evangélica Portuguesa

Um casamento saudável não é um casamento onde não há brigas, mas onde os parceiros conhecem e praticam a arte da reconciliação através do diálogo. A paz não acontece naturalmente a menos que um dos parceiros se tenha anulado. Quando apenas um impõe as suas necessidades e o outro se limita a supri-las, sem direito a voz própria, vive-se uma paz artificial e destrutiva. Duas pessoas inteiras vão entrar em choque. A questão principal não é tanto o conteúdo do conflito, nem saber quem tem razão, mas como é que o casal lida com opiniões opostas para chegar a um consenso, nem que seja concordar em discordar.

As diferenças entre homem e mulher tornam-se mais evidentes em situação de stress. A principal dificuldade diz respeito à preservação de um diálogo construtivo quando um conflito vem à tona. Na crise, a mulher tende a queixar-se e o homem a isolar-se. Estas reações transformam-se num círculo vicioso. A mulher sente o silêncio do homem como uma agressão e aumenta o tom das suas cobranças. Quanto mais ela reclama, mais ele se isola na tentativa de fugir do confronto.

Os mecanismos de defesa do homem e da mulher são opostos. Ela geralmente prefere enfrentar, mas exagera as suas acusações com palavras como “sempre” e “nunca”. Ele reage ignorando os problemas esperando a tempestade passar. O ciclo crítica/desprezo transforma os parceiros em inimigos. O silêncio do homem é uma tentativa de proteção, mas funciona para a mulher como uma provocação. Ambos devem aprender a brigar e entender a atitude do outro como um desejo de ajudar e não como uma retaliação.

O homem precisa de ouvir mais e encarar os conflitos como oportunidade de crescimento e fortalecimento da relação. A mulher precisa de expressar as suas queixas de forma positiva e objetiva sem desqualificar o seu cônjuge. Os dois sentem necessidade de ser amados, respeitados, e têm medo do abandono. Por isso, na hora do desentendimento é importante renovar o compromisso que permite ir fundo na crise sem o risco de romper o vínculo. A ameaça de separação não passa de uma forma disfarçada de manipulação. Ela expressa subtilmente que o outro corre o risco de ser abandonado caso não se disponha a ceder às expectativas do parceiro.

Cada um precisa de compreender a dinâmica da relação e enxergar a sua parte no conflito. Em situação de stress, a mulher quer desabafar e ser ouvida. Ele quer ajudá-la a partir dos seus parâmetros, tentando diminuir o problema, dar uma solução prática e abreviar as queixas dela. Ela sente-se desrespeitada nas suas emoções, desqualificada, desvalorizada e censurada. Ao ouvi-la, ele desenvolve um plano de ação, interrompe a fala dela com soluções ou comentários que minimizam as suas emoções, e a deixam ainda mais brava. Ele acha que estava a ajudar e só piora a situação. Sem entender porque é que ela reage tão agressivamente, ele retira-se ferido.

Quando ele está irritado, refugia-se na sua caverna e precisa de ser respeitado na sua necessidade de tempo e espaço para digerir as suas emoções. Ela faz perguntas, tratando-o como gostaria de ser tratada. Ela só quer compartilhar o seu fardo, mas ele sente-se invadido e cobrado. Ela interpreta o silêncio dele como rejeição e cobra até ele estourar ou afasta-se magoada. Quanto mais quieto ele fica, mais ela o cutuca. Quanto mais ela o cutuca, mais quieto ele fica. O homem reage ao stress tentando manter o controle racional até estourar. A mulher tende a mergulhar nas emoções. Ele necessita de sossego para entender o que está a acontecer. Ela busca carinho e atenção para reordenar os seus sentimentos. Cada um interpreta a atitude do outro como um ataque pessoal.

Cada um deve saber cuidar de si e interpretar a atitude do outro como um pedido de socorro que merece compreensão, paciência e respeito. Nesta perspectiva, o conflito torna-se uma oportunidade para ambos desenvolverem a famosa inteligência emocional através do diálogo entre a cabeça e o coração. O homem pode aprender com a mulher a deixar as suas emoções virem à tona. A mulher pode aprender com o homem a filtrar as suas emoções através da lente mais objetiva da razão.

 

Isabelle Ludovico da Silva
isabelle@ludovicosilva.com.br

O que importa é o processo e não o resultado – Iolanda Melo

960 720 Aliança Evangélica Portuguesa

Recentemente, uma adolescente dos nossos relacionamentos mais próximos passou por uma experiência de aparente insucesso: teve a sua primeira negativa numa prova final. O mundo parecia que tinha acabado! Só conseguiu contar o resultado aos pais uns dias depois, isolou-se, ficou deprimida por algumas semanas. Ela que sempre tinha sido uma menina alegre, bem-disposta e brincalhona, estava agora cabisbaixa, irritável e macambúzia. Com muita dificuldade conseguíamos tirar um sorriso do seu lindo rosto.

Quando se é bom aluno, com boas notas e muitas expectativas da família em relação ao seu desempenho, ter que lidar com o insucesso nem sempre é fácil. Reflectindo sobre esta questão, concordo com o Dr. Augusto Cury quando afirma que os pais de hoje treinam os seus filhos para terem sucesso mas não os preparam para lidar com o insucesso.

A pressão que exercemos para que os nossos filhos sejam bem sucedidos, tenham boas notas, “cheguem mais longe”, leva-nos muitas vezes a fazer sacrifícios.  Tudo fazemos para garantir aos nossos filhos as melhores escolas, as melhores actividades extracurriculares, os melhores recursos informáticos… Em troca disso, esperamos que os nossos filhos, no mínimo, retribuam esse esfoço sendo bons alunos e tendo um desempenho académico que garanta a possibilidade de um futuro promissor. Investimos muito e desejamos que esse investimento tenha retorno. Assim, sem nos darmos conta, valorizámos mais os resultados que o processo: o que conta é o resultado e não tanto a forma como se chega até lá. Um exemplo disso é o que dizemos aos nossos filhos quando eles nos dizem a nota que tiveram. Se tiveram uma boa nota, felicitamo-lo: “Boa, parabéns!”, e facilmente gabámos a nota aos nossos amigos e familiares. Se trazem uma nota positiva mas não tão espectacular, dizemos rapidamente: “Podias ter tido melhor!”. Valorizámos o resultado! É normal, na medida em que a nossa sociedade valoriza mais o resultado, o sistema educativo valoriza mais o resultado!

Dificilmente dizemos: “Vês, o teu esforço compensou: estudaste, abdicaste da brincadeira e agora tiveste uma boa nota. Estás de parabéns!” Mas que diferença faríamos se valorizássemos o processo, e não tanto o resultado, na saúde mental e na personalidade dos nossos filhos… Haveria menos perturbações alimentares, menos ansiedade, menos depressão, maior confiança em si mesmos e nas suas capacidades…

Aprender a lidar com a contrariedade, com a adversidade, com a frustração, com o insucesso, com os nãos, com as crises e com as “tróicas” que a própria vida se encarrega de nos trazer é fundamental para o desenvolvimento de uma personalidade sadia! Queremos que os nossos filhos não só aprendam os conhecimentos necessários que lhes garantam uma vida profissional activa como também a aprendam a pensar, a relacionar-se de forma positiva com os outros, com o mundo e consigo próprios; que aprendam a expressar as suas ideias, as suas emoções, que saibam lidar com o sucesso e com o fracasso, que aprendam a trabalhar e a ser determinados no alcance dos seus objectivos e sonhos, que valorizem o esforço a ser empregue para se obter os resultados esperados.

Para que isto aconteça, também depende de nós, pais, uma atitude que favoreça esta aprendizagem integral:

  1. Conheçamos as capacidades dos nossos filhos, os seus pontos fortes e estimulemos para que atinjam o máximo do seu potencial real.
  2. Reconheçamos os pontos menos fortes e não criemos expectativas irrealistas quanto a essa realidade.
  3. Respeitemos os talentos naturais e os dons dos nossos filhos e estimulemos o seu desenvolvimento. Se o seu talento é a música, por exemplo, não vale a pena insistir para que seja um engenheiro. Nem todos vão receber 10 talentos! Uns receberão 5 e outros apenas 1, mas é nesse um que tem que se concentrar e maximizá-lo.
  4. Valorizemos mais o esforço, o empenho com que se dedicam ao estudo e não tanto ao resultado. Resultados são importantes, mas não são o fim do mundo e podem ser alcançados em função do esforço e das reais capacidades dos nossos miúdos.
  5. Anime o seu filho a lidar de forma positiva com as frustrações dos resultados menos positivos: “Na próxima vai correr melhor! Só precisas de esforçar-te mais um bocadinho, mas eu sei que és capaz! Tu consegues!”

Não é fácil contrariar a corrente, principalmente quando todos à nossa volta agem de determinada maneira. Mas quem disse que seria fácil? O que sei que não é impossível, senão Paulo não nos teria advertido: “Não vivam de acordo com as normas deste mundo…” (Romanos 12:2)

Iolanda Melo

Psicóloga, especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Psicologia da Educação

Ame-se! – Cindi Ângelo

960 720 Aliança Evangélica Portuguesa

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo…”
Marcos 12:31

Essas palavras ratificadas por Jesus, parecem ser tão fáceis de ser vividas, mas na prática não o são. Elas estavam na Lei de Moisés (Lv 19:18) porque Deus queria que a medida do amor que sentimos e demonstramos pelos outros, fosse a mesma que temos em nós e por nós. O caminho não pode ser inverso, e a verdade é que não conseguimos amar verdadeiramente os outros se primeiro não nos amarmos a nós mesmos. Como cuidaremos dos outros, se não cuidamos de nós próprios? Como ajudaremos as pessoas a serem sanas, se vivemos com o nosso mundo interior tão bagunçado?

É bem verdade que não é fácil ter um equilíbrio entre o amor saudável e o ego, entre o pensar mais em si e menos de si. Entre querer para os outros aquilo que quer para si mesmo.

Como podemos declarar que nos amamos se temos tão pouco cuidado com a nossa própria vida?

Não é fácil, mas é possível! Com Cristo é possível! É possível amarmos os outros com a mesma medida que nos amamos.

Um dos conselhos que Paulo deu para o seu filho na fé, Timóteo, foi: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1 Tm 4:16).

Muitas pessoas lutam para satisfazerem os seus desejos e apelos da sua natureza, acreditando que estão a fazer bem a elas, mas devido ao estilo de vida que levam, fica evidente que fazem mais mal a si mesmas do que bem.

Precisamos de refletir e concluir, que, quando não cuidamos de nós mesmos, estamos a afetar negativamente a vida de muitas outras pessoas. É por isso que precisamos primeiro cuidar de nós mesmos.

Deus nos constituiu de 3 partes distintas, mas que estão interligadas entre si. Nós somos um espírito, que tem uma alma e habita num corpo. Estas 3 partes precisam de ser bem cuidadas por nós. Paulo nos diz: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5:23).

A primeira coisa que o Espírito Santo nos quer dar para tornar mais fácil a administração do nosso ser como um todo, é a sua paz. Sem ela, o nosso mundo vira de pernas para o ar e tudo tende a sair fora do seu lugar. Sem ela, a ansiedade toma conta dos nossos pensamentos e o caos pode instalar-se.

Essa paz não se compra no supermercado, nem se adquire com técnicas de relaxamento ou com pensamento positivo; ela é um presente de Deus para nós. Jesus disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14:27).

A paz é também o resultado do novo nascimento que acontece em nós quando o nosso espírito (quem realmente somos) é recriado por Deus, ao convidarmos a Cristo para ser o Senhor do nosso coração. A sua paz toma conta do nosso espírito e nos sentimos como meninos, nascidos de novo, realmente, pois identificamos a presença de Deus em todos os momentos na nossa vida.

A seguir, a nossa alma (nossa mente, emoções e vontades) também vai sendo colocada em ordem, porque compreendemos que o nosso passado foi redimido e o nosso futuro é garantido.

A nossa alma sente paz porque ela crê que Deus tem o melhor para cada um dos seus filhos. O novo nascimento nos transporta para o Reino de Jesus, e a natureza do seu Reino é “justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17). Passamos a ter uma nova família, novos amigos, novos irmãos. Esse meio onde passamos a conviver, torna-se não apenas um grupo religioso, mas também terapêutico; afinal, os bons relacionamentos podem nos curar…

Aos poucos as feridas da alma, as lembranças dolorosas que trouxeram o ressentimento (sentir de novo), momentos dolorosos, traumas profundos, vão sendo curados pelo poder da sua paz, que nos ajuda a ser mais que vencedores. Você já prestou atenção na palavra “vencedores”? Aqueles que vencem dores. Deus faz isso connosco. Ele nos dá um novo espírito, um espírito de superação que olha para frente, para adiante, para o futuro promissor e abençoado que está à nossa espera.

Como filhos de Deus podemos acreditar que tudo nEle é progressivo, é de “fé em fé, de glória em glória, de triunfo em triunfo” (2 Co 1:24, 2:14,3:18).

Colocar a nossa alma em ordem é o grande desafio do Espírito Santo, e creio que ele ama esse desafio, pois já vê a sua obra-prima concluída com êxito!

Quando o nosso espírito e a nossa alma estão em ordem, podemos ter mais determinação em cuidar do nosso corpo, que é o “templo ambulante de Deus”.

Pense comigo: Como podemos declarar que nos amamos, se trabalhamos mais horas do que o nosso corpo consegue suportar? Ou quando dormimos tão pouco, comemos tão erradamente, somos tão sedentários ou temos uma vida tão desregrada…

Eu comecei este artigo a dizer que as palavras de Jesus não eram fáceis de serem vividas, mas graças a Deus, que, com a sua ajuda, elas são possíveis. É possível nos amar e amarmos os outros como a nós mesmos.

Shalom!

Cindi Ângelo
Licenciada em Teologia, escritora, missionária e pastora da Igreja Metodista Livre.

Espere o Tempo Certo – Ana Pereira

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

Espere o Tempo Certo…

“A posse antecipada de uma herança no fim não será abençoada.” Provérbios 20:21

Querer tomar posse de algo fora do tempo, traz consequências, apesar do imediato prazer de saborear o tão esperado. É dar mais valor às coisas do que ao tempo de Deus, é querer alimentar a ansiedade por não saber esperar.

Jesus retrata um filho que pediu antecipadamente ao seu pai, a parte da herança que lhe pertencia. Isto não era uma prática comum, na verdade era uma agressão, uma vez que a herança só era atribuída depois da morte do pai. Com esta atitude antecipada, o filho estava a dizer que o seu interesse não estava na vida do pai mas nos seus bens e não soube nem queria esperar o tempo de Deus para tomar posse da mesma. Esta atitude de querer antecipar a herança, não lhe trouxe bênção mas obstáculo no seu caminho. Este mesmo princípio aplica-se na nossa vida, quando não sabemos esperar o tempo certo e antecipamos as coisas para que tudo fique da maneira como queremos.

Tudo tem um tempo certo! Mas por vezes a nossa ansiedade em usufruir das coisas, tomar posse delas leva-nos a colocar em segundo lugar a vontade de Deus e a não querer ouvir a Sua direção. Seja uma pessoa que não antecipa a ”herança”, que sabe esperar para usufruir do melhor de Deus. Não se precipite na escolha do seu cônjuge, não se precipite na mudança do seu trabalho, não se precipite nas suas decisões, não se precipite! Espere o tempo de Deus!

… E viva por Amor

“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros, Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” João 13:34-35

Em tudo na vida devemos fazer com amor. Sem amor, tudo se torna superficial, mecânico, vazio, obrigatório. Como seria gratificante se tivéssemos todos num trabalho em que amamos o que fazemos? Como seria mais leve se todos os atos de serviço não fossem por obrigação? Como seria prazeroso se todos nos amassemos uns aos outros como a nós mesmos?

Primeiramente por amor a Jesus, devemos ter em conta este mandamento de nos amarmos uns aos outros, pois seremos conhecidos por seus discípulos através deste “perfume” maravilhoso e com uma durabilidade eterna. Tudo o que fazemos com amor gera frutos. Pode não ser no imediato mas chegará um dia de ver o fruto da semente do amor em tudo o que fazemos.

O amor perfuma qualquer ambiente e muda atmosferas. Fácil é amar a quem admiramos, nos identificamos, no entanto o Senhor Jesus não fez essa distinção do grupo de pessoas, Ele amplificou a todos os segmentos, raças, temperamentos e opiniões, simplesmente “amai-vos uns aos outros”. Não existem requisitos, existe um mandamento para amar! Então viva por amor em tudo o que fizer, que os que o rodeiam possam sentir o amor de Deus através da sua vida, que possam ver através dos seus comportamentos de amor que é discípulo de Jesus.

 

Ana Pereira
Pastora na Missão Cristã Internacional
Licenciatura em Gestão de Marketing e Bacharelato em Teologia