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Mulheres

O campo missionário e a enfermidade

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O campo missionário e a enfermidade.

Não combinam! 

Afinal o campo missionário é o lugar da obediência, o lugar onde a realização do chamado acontece, onde a nação da convicção vai moldando o viver diário do missionário, marcando a identidade individual e da família. 

Não combinam, porque campo missionário é sinal de trabalho, de realização de projetos, mobilização, transformação.

Não há tempo para enfermidades, afinal no desbravar constante e incansável das tarefas, da prestação de contas, da construção de uma carreira missionária, o espaço para a descoberta de um câncer por exemplo, não existe! Até que ele chega…

No passado mês, celebrou-se o Outubro Rosa, com o destaque para a prevenção ao Câncer de Mama. Um marco importante, para nos fazer lembrar que o câncer é real e que é possivel preveni-lo através do rastreio e autocuidado. 

O que ocorre muitas vezes, para aqueles que estão a servir além-fronteiras, é que o espaço entre trabalho e autocuidado muitas vezes não existe. 

Lembro-me de estar internada no 4º andar de um hospital em Lisboa, logo após uma cirurgia ao pulmão (lobectomia pulmonar) onde me foi retirado gânglios e um tumor maligno, juntamente com parte do pulmão direito. 

Ao olhar pela janela daquele 4º andar, vi o transito na ponte que liga a Margem Sul do Rio Tejo e a cidade de Lisboa. Paisagem linda que em outra ocasião teria me despertado à poesia. Naquele dia, entretanto, observei a pressa de um tráfico intenso, pessoas a correr daqui para ali em busca de chegar a algum lugar: um alvo, um objetivo, uma função… De repente senti-me solitária e o grito contido dizia: “parem por favor, porque algo muito importante está a acontecer aqui”, até perceber que eu mesma estaria ali, na correria dos dias em busca de chegar a algum lugar, aos planos estabelecidos e aos alvos traçados…

Foi naquele dia que comecei a ouvir a doce voz do Espírito a ensinar-me um caminho sobremodo diferente.

Olhei ao redor e vi, médicos, enfermeiros, auxiliares… todos portugueses e que naquele contexto estavam a me abençoar, como um ciclo que se completava para mim, de ter vindo abençoar e agora estar a ser abençoada.

Vi Deus como Ele é, Bom Pastor, Soberano, Amoroso… Cuidador mesmo no meio da dificuldade. Afinal Ele conhece a minha dor, os meus medos e mesmo quando as respostas não chegam, tal e qual esperamos, Ele continua perto, porque este é o Seu Carater, Sua presença, Seu Conforto…

No decorrer de todos estes anos, vi colegas, líderes, pastores, missionários, enfrentarem o câncer, com uma disposição que dizia: tenho pressa, não tenho tempo para pequenas coisas, é urgente…

Vi alguns deles partirem, outros superarem a doença e ainda assim a obra missionária continuar…

Na minha experiência ao enfrentar o câncer e o tratamento com a quimioterapia, tenho aprendido que “a cada dia basta o seu mal”.

Tenho aprendido também a aceder ao lugar da vulnerabilidade nos momentos de dor, inconstância dos sintomas, medo, esperança… tudo num misto de sim e não, que me ensina a cuidar e ser cuidada.

 Não estou sozinha, vivo um dia de cada vez dentro da descoberta que as minhas emoções importam, o respeito ao meu corpo e as suas necessidades também e principalmente, tenho constatado que o chamado e a obra missionária são importantes, mas elas não dependem de mim, porque a obra é feita por Deus e ELE “há de completá-la até os dias de Cristo Jesus”. 

Não, o câncer não é uma sentença de morte, mas um caminho de descoberta de vida, passível de diagnósticos precoces, (como foi o meu caso) e passível de tratamentos saudáveis e preventivos que podem prevenir a doença.

Fica o alerta para o rastreio, o autocuidado, para o descanso necessário e para uma espiritualidade saudável, que dá lugar a dependência total Àquele que é o autor da vida.

Fica também o alerta para a certeza de que embora a obra missionária seja fundamental, a correria dos dias precisa dar lugar a convicção de que somos apenas a tinta que Deus usa para escrever a história das nações, uma história com começo, meio e fim… até a eternidade.

Arlete Castro

Coordenadora de Cuidado e Desenvolvimento Integral de Missionários Transculturais Sepal – Servindo aos Pastores e Líderes

Escritora: O Livro de Salema, Simplesmente Sofia, Mulheres com História, e o livro Pérola (ficção baseada numa história real)

Gratidão e contentamento

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Em 2024, desejo…

Há um certo mistério em começar algo novo. Um misto de entusiasmo e curiosidade que nos transporta a tirarmos projetos da gaveta e em querer colocá-los em prática. Quem nunca definiu objetivos arrojados num início de um novo ano? Quem nunca disse frases como: “É neste ano que vou conseguir…”?

Não é necessário ser perita na ciência do comportamento humano para perceber que raros são os casos que persistem nesses objetivos até fevereiro! Deveremos descartá-los? Não necessariamente! Algumas estratégias, como por exemplo, definir objetivos SMART, poderão ajudar em mudanças comportamentais. Este conceito parte do acrónimo formado pelas iniciais das palavras “Específico” (Specific), “Mensurável” (Measurable), “Alcançável” (Attainable), “Realista” (Realistic) e “Temporal” (Time-bound) e é uma ferramenta interessante, utilizada em diversos contextos, para quem pretende alcançar novos objetivos.

Determinar metas motiva e potencia a ação. Um objetivo alcançado traz uma satisfação inerente à experiência humana. A euforia de uma meta cumprida pode ser intensa e prazerosa, mas, também, pode ser fugaz. Quando se alcança uma meta, a emoção de satisfação não persiste e, muitas vezes somos motivados a procurar um novo alvo! Após a brevidade do cumprimento deste objetivo, surge algo novo a atingir! Corremos, assim, o perigo de vivermos de “meta em meta”, persistindo numa insatisfação constante por algo que ainda falta alcançar, desgastadas por afazeres profissionais ou pessoais.

O apóstolo Paulo na sua carta aos Efésios refere “Muito me alegrei no Senhor por me terem manifestado novamente sentimentos de carinho (…) Não digo isto por precisar de alguma coisa, pois aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei viver na pobreza e também na abundância. Aprendi a viver em toda e qualquer situação: a ter fartura e a ter fome, a ter em abundância e a não ter o suficiente” (Efésios 4:10-12 BPT).

No grego o conceito “autarkes” significa “contentamento”, referindo-se à capacidade de satisfazer as necessidades sem depender de fatores externos. O “contentamento” a que Paulo se refere é um estado em que as circunstâncias externas não têm condições para perturbar a sua tranquilidade íntima. Atualmente o termo “contentamento” não parece divergir muito pois reflete a satisfação e a gratidão com a vida e com aquilo que se tem, referindo-se à capacidade de encontrar alegria independentemente das situações que surgem. O apóstolo explica que o seu contentamento vem, não das coisas que ele tem nesta vida nem dos acontecimentos, mas emana da sua relação com Deus. Encontrando-se preso e com inúmeros motivos para lamento, Paulo ensina-nos que o contentamento, nesta vida, é uma atitude aprendida (4:11) e não espontânea. 

Na sua carta aos filipenses, observamos que Paulo conhecia bem o impacto da gratidão e contentamento na sua vida. Recentemente, as neurociências também têm vindo a descobrir o impacto desta emoção. Parece que a gratidão estimula a via da recompensa, o percurso cerebral que é ativado quando realizamos algo em que somos bem-sucedidos, libertando dopamina, um dos neurotransmissores que aumenta a sensação de prazer. A gratidão também estimula a produção da hormona oxitocina, associada à tranquilidade, à redução da ansiedade/medo e ao afeto. 

A prática de gratidão a Cristo apresenta-se como uma ferramenta poderosa para cultivar uma vida plena. Contrariamente a outras emoções, a gratidão nem sempre aparece de forma espontânea, mas tem de ser praticada e aprendida, tal como o apóstolo Paulo referiu. Como desafio, partilho alguns exercícios que poderão ajudar nesta prática:

  • Escreva um diário de gratidão. Despenda diariamente de alguns minutos e anote alguns aspetos positivos e simples acerca do seu dia, como, por exemplo, “uma boa refeição”, “uma conversa com uma amiga” ou “a superação de um obstáculo”.
  • Agradeça. Esteja atenta ao longo do dia e observe oportunidades para dizer “obrigada” a Deus e àqueles que a rodeiam. Reconheça o cuidado de Deus nos pormenores da sua vida e as atitudes agradáveis daqueles que estão à sua volta. 
  • Preste atenção. Faça um passeio e foque a sua atenção de modo a apreciar o que a rodeia. Pode fazê-lo concentrando-se em cada um dos seus sentidos, um de cada vez. Passe um minuto apenas ouvindo, um minuto olhando para o seu redor e assim por diante. Tente reparar naquilo que observa, nos sons, nos odores e nas sensações, como a brisa que toca na pele, ou as nuvens que dançam no céu… aprecie a diversidade da Criação.
  • Pratique a contemplação. Reduza as distrações como telefones ou TV e expresse uma oração de gratidão a Deus, lembrando as coisas boas do seu dia. Tal como precisamos de escovar os dentes diariamente, pense nesta prática como algo que faça parte da sua rotina de autocuidado diário.
  • Converse acerca da Gratidão. Dialogue com o seu cônjuge, filhos e/ou amigos acerca daquilo pelo qual se sentiu grata ao longo do dia. Faça desta atitude uma rotina diária, quer seja durante uma refeição ou antes de dormir, em que juntos aprendam acerca da gratidão a Deus.

A prática de gratidão não anula as dificuldades nem transforma as situações, mas treina o nosso olhar a reconhecer a beleza, a maravilha e cuidado de Deus. Em 2024, em vez de objetivos a atingir, desafie-se a adotar uma atitude de gratidão como estilo de vida!

Miriam Mateus

Esposa. Mãe.

Psicóloga e psicoterapeuta infanto-juvenil

Membro da Direção da Aliança Evangélica Portuguesa

Nutrição

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Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja.” Efésios 5:29

Cuidar faz parte de nós, segundo Aquele que foi O primeiro cuidador, e que nos criou com a responsabilidade de ser o templo do Espírito Santo. Sendo que se não somos de nós mesmos, significa que entregámos esta nossa “casa” e, como tal, é bom que ela esteja bem tratada. 

Para conseguir compreender o cuidar do seu corpo face aos desafios da atualidade, ao longo deste texto, vamos desconstruir alguns conceitos que sempre ouviu na área da Nutrição.

Entender a alimentação como fundamental para a nossa saúde não é, com certeza, novidade para ninguém. No entanto, a forma como temos entendido o conceito de uma dieta saudável pode estar distorcido, confundido ou até difícil de definir. Começamos com o facto de dieta não ser só o documento que um Nutricionista lhe dá, mas sim tudo o que ingere. Portanto, mesmo sem querer, está todos os dias em dieta. Se calhar está no processo de descobrir a dieta mais adequada para si, mas no meio de tantas polémicas, modas, mitos, e (demasiada) informação torna-se uma tarefa difícil distinguir o certo do errado relativamente à alimentação. 

Uma das definições mais recentes para uma dieta adequada segundo a FAO* é ser promotora de saúde e prevenir a doença. É aquela que fornece nutrientes de forma adequada, sem excesso, com substâncias de alimentos nutritivos promotoras da saúde e evita o consumo de substâncias prejudiciais. A OMS** acrescenta o facto de nos proteger contra a malnutrição em todas as suas formas e de doenças não transmissíveis, como diabetes, doenças cardíacas, AVC***, e cancro. 

Agora, a questão é: conseguiremos nós atingir esta plenitude? Pois bem, perfeição também sabemos que não iremos atingir. Agora, com certeza, já ouviu, por exemplo, que o pão engorda, ou que o alimento x provocou uma doença grave. Posso responder já que não, e que essas pessoas terão dificuldades em comprová-lo de forma exata, já que não comem só um alimento o dia todo. Tenho também algumas dúvidas que Jesus se associaria ao pão se ele fosse a pior coisa que tivesse sido criada. Posto isto, os estudos de relevância direcionam-nos para padrões alimentares e de estilo de vida (e como é claro não poderia deixar de enaltecer o nosso padrão alimentar mediterrânico), que adiciona aqui o conceito de frequência através do qual os alimentos são consumidos habitualmente. Habitual é diferente de sempre e nunca, assim como adequado é diferente de bom e mau. Não, não quero transformar este texto numa análise linguística, mas sim alertar para melhorarmos a relação que muitas de nós têm com a alimentação. Tem sido investigado que a ingestão alimentar é influenciada por múltiplos fatores:

  • Intrínsecos aos alimentos (ex: sabor, fatores percetivos)
  • Fatores externos aos alimentos (ex: informação, ambiente social, ambiente físico)
  • Fatores de estado clínico e pessoal (ex: características biológicas e necessidades fisiológicas, componentes psicológicos, hábitos e experiências)
  • Fatores cognitivos (ex: conhecimento e habilidades, atitude…)
  • Fatores socioculturais (ex: cultura, variáveis ​​económicas, elementos políticos). 

Portanto, ingerir um alimento pode trazer sentimentos, memórias, experiências, vivências, cultura, nutrientes, uma interação dinâmica de vários fatores… É possível assim entender porque implementar mudanças na alimentação pode ser complexo. É provável que já tenha visto ou experienciado alguém que decidiu nunca mais comer bolos, por exemplo. Que quando falha, e volta a consumir esses alimentos identifica sentimentos de culpa e desiste de tudo a que se propôs. Ou alguém que decidiu seguir uma dieta restritiva, por um valor na balança que não conseguiu manter, e até fez com que depois ganhasse mais peso do que tinha antes. Desta forma, aplicar o bom senso provavelmente irá protegê-lo de abordagens extremistas. Exemplo: “dieta do… (inserir um nome que chame a atenção)”, que muitas vezes podem trazer até consequências negativas na sua saúde. 

Se durante toda a sua vida ingeriu determinado alimento na sua rotina e, de repente, alguém lhe diz que nunca mais na sua vida vai voltar a ingeri-lo para atingir o seu objetivo. Esqueça! O melhor será mesmo desprezar essa recomendação. Cuidar de nós também começa por ter atenção aos julgamentos feitos à alimentação. A conotação que atribuímos aos alimentos em vez de nos ajudar pode sabotar o nosso processo. Poderá tornar-se um processo impossível em vez de ser um processo progressivo de mudança de comportamentos.

Se na sua alimentação identifica que existe uma predominância de alimentos pouco nutritivos e uma rara inclusão dos vegetais, fruta, cereais integrais, fontes proteicas (de baixo teor de gordura), nas suas refeições, então pode ter de mudar e inverter algumas prioridades. E sim, estes grupos alimentares são mesmo necessários diariamente (excluindo os casos de patologia identificada). Eventualmente, no início, começará por serem uma disciplina que muitas vezes poderemos não ter vontade de seguir, mas com a repetição do comportamento, tornar-se-ão um hábito. 

Costumo comparar a introdução de um estilo de vida saudável, à disciplina do emprego. Podemos até ter um emprego excelente que nos dá um gozo enorme, mas muitas vezes preferia estar de férias numa estância paradisíaca ou estar a dormir em sua casa, a ir trabalhar. Mas vai na mesma, certo? Se a sua resposta foi sim, então estará a agir por disciplina. Para aquelas áreas que são mais difíceis de modificar, para si, pense nisto antes de agir mediante a sua vontade. Se for determinada nas suas decisões com certeza conseguirá um bom resultado.

Ainda assim, se identifica que está a ir demasiadas vezes à sua cadeia de fast-food preferida, ou que não consegue resistir sempre que passa pela padaria do seu bairro (e passa por ela todos os dias), então poderá estar a ter dificuldade no autocontrolo. E como diz a passagem bíblica: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma”.1 Coríntios 6:12

Curioso que até a bíblia nos leva a refletir sobre isto: Decisões! A nossa decisão é inevitável e no fim das contas vai ser você o responsável pelas melhores escolhas alimentares para si. Assim como na nossa jornada cristã será difícil ambicionar uma vida na terra com a total ausência de pecado, e por isso, vamo-nos arrependendo e aprendendo com os mesmos, será difícil também ambicionar uma vida sem alimentos menos nutritivos. 

“Assim, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” 1 Coríntios 10:31

Vamos percorrendo o caminho que nos faz mudar o alvo e direcionar as nossas atitudes para o que Deus se agrada, da mesma forma na alimentação também direcionamos os nossos esforços para o melhor cujo alvo serão comportamentos alimentares saudáveis e alimentos ricos em nutrientes, habitualmente. Não desistimos porque errámos num dia. Não desistimos porque Ele nos permite existir, nos permite aproximar-nos Dele e fazermos tudo para a Sua honra e glória.

*FAO – Food and Agriculture Organization

**OMS – Organização Mundial de Saúde

***AVC – Acidente Vascular Cerebral

Inês Monteiro, Nutricionista e Team Leader na Teladoc Health

Faça férias com sabedoria financeira

1036 684 Aliança Evangélica Portuguesa

“Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento. O Senhor concede o sono àqueles a quem ama. ” Salmos 127:2

As férias são momentos especiais para relaxarmos, nos divertirmos e criarmos memórias duradouras com a nossa família. No entanto, muitas vezes as férias trazem uma carga financeira pesada e uma preocupação com os gastos excessivos. A falta de planeamento leva muitas famílias a endividarem-se e a sofrerem de stress financeiro após este período de descanso.

A Bíblia oferece princípios de gestão financeira que podem ser aplicados para fazer férias com sabedoria. Seguindo esses princípios, podemos desfrutar de um tempo de descanso sem comprometer a nossa estabilidade financeira.

Antes demais, é essencial salientar que a Bíblia nos ensina a equilibrar o trabalho com descanso. Embora o conceito de férias vá variando no tempo e na geografia, o descanso é de facto importante. Encontramos na Bíblia várias menções a várias formas de férias ou períodos de descanso: noite, sábado, ano sabático, ano do jubileu, feriados religiosos, entre outros. Contudo, a Bíblia também nos recomenda a viver uma vida financeira saudável, responsável e tranquila.

Aproveite ao máximo as suas férias sem falir!

Aqui seguem 3 pilares as fundamentais para umas férias financeiramente saudáveis:

1. Faça sempre um orçamento – Provérbios 21:5: “Os planos bem elaborados levam à fartura; mas o apressado sempre acaba na miséria.”

Antes de partir para férias, é essencial fazer um planeamento cuidadoso. Defina um orçamento realista que leve em consideração todos os custos envolvidos, como alojamento, transporte, alimentação e atividades de lazer. Evite tomar decisões apressadas que possam resultar em gastos excessivos ou empréstimos desnecessários. Se tem dificuldades em controlar o seu consumo, leve dinheiro limitado para as suas férias e siga o seu orçamento. Desta forma, durante as férias vai conseguir gastar dinheiro sem culpas e quando regressar a casa, se sentirá muito mais descansado.

2. Fuja do crédito – Provérbios 22:7: “O rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é escravo do que empresta.”

Endividar-se para financiar férias pode criar um fardo financeiro duradouro. Em vez disso, a Bíblia aconselha a evitar a dívida e a viver dentro dos próprios meios. Se não for possível pagar as suas férias sem recorrer ao crédito, é importante reconsiderar as opções de viagem e optar por uma abordagem mais económica. Quando regressar das suas férias, comece já a criar uma poupança para as férias seguintes.

3. Aprenda a desfrutar com contentamento – Filipenses 4:11-12: “Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura.”

A busca constante por luxo e extravagância nas férias pode levar a gastos exorbitantes. A Bíblia ensina sobre a importância do contentamento e da moderação. Fazer férias com sabedoria significa apreciar o que está disponível sem ceder à pressão das tendências de consumo. Assim, nunca permita que as suas férias afetem a sua capacidade de poupar e de fazer face aos seus compromissos. Pesquise o mais que puder, compare preços e lembre-se que a qualidade das suas férias não está necessariamente ligada a um alto custo financeiro.

Por fim, à luz da Bíblia, tirar férias ou períodos de descanso não só é recomendável como é de facto importante. No entanto, não precisamos gastar uma fortuna para descansarmos. Primeiramente, precisamos satisfazer as necessidades da nossa família e depois encontrar um valor apropriado para gastar com férias, sem nunca abdicar de poupança. Muitas famílias vivem financeiramente apertadas por optarem por férias dispendiosas. Precisamos ser sábios. As férias devem ser um período de benção para a família e não de desgaste e preocupação.

Poderá encontrar mais artigos sobre finanças bíblicas em www.gpsfinanceiro.com

Ana Sofia Bessa

Formada em Economia

A minha experiência nos Acampamentos da Acção Bíblica em Bias do Sul

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Fiz o meu primeiro acampamento com cerca de 4 meses, no verão de 1983. Obviamente não tenho memórias desse primeiro encontro com o Centro de Retiros de Bias. Mas esse foi o primeiro de muitos que se seguiram, desde campista a voluntária, realizando as mais diversas tarefas, tais como PPTO (nome carinhosamente atribuído a quem executa uma série de tarefas práticas para o bom funcionamento dos acampamentos), monitora, responsável pelo grupo de crianças existentes no acampamento, enfermeira, enfim, o que quer que fosse preciso e eu soubesse fazer.

Os primeiros acampamentos de que me recordo, são os de Sempre Feliz (ministério de crianças). E como fui feliz em cada semana que lá passei! As histórias da Bíblia, o carinho dos monitores e responsáveis, toda a rotina e dinâmica que existiam, as surpresas… era, efetivamente, para mim, um cantinho do céu na terra.

Mais tarde, já com 12 anos, fiz o primeiro acampamento de JAB (Jovens da Acção Bíblica), onde tomei a decisão de entregar a minha vida a Cristo, meu Senhor e Salvador e hoje, 28 anos depois, dou graças por continuar esta jornada com Ele e por Ele.

Os acampamentos de jovens tiveram um impacto muitíssimo importante na minha caminhada, uma vez que coincidiram com alguns dos piores anos da minha vida, em que vivi no Porto, com a minha irmã, a minha mãe, avó e tio, após o divórcio dos meus pais. O convívio diário com duas pessoas com doenças psiquiátricas graves (mãe e avó) e o tio toxicodependente (e por isso muito agressivo), deixaram-nos à margem de uma realidade estruturante, funcional, harmoniosa, amorosa, enfim, saudável, que todos desejamos. Apenas no período de férias escolares, esta realidade em que vivíamos era brevemente ofuscada e o tempo de acampamentos era uma lufada de ar fresco, trazendo então uma nova força e esperança para os meses seguintes que enfrentaríamos. Muitas e importantes decisões foram tomadas, algumas levadas em frente, outras ficaram perdidas no tempo. Não obstante, as amizades que criei foram alicerces para a minha vida. Amizades sólidas, edificantes e, algumas que tenho a alegria de dizer que duram até hoje. Oh que bênção!

Numa outra fase, ainda na adolescência, depois de ter saído do Porto (primeiramente em Sesimbra e depois em Lisboa), num meio familiar mais favorável (embora ainda com muitas lacunas) e integrada na igreja local, participei, então como voluntária em vários acampamentos. E cada experiência recordo com carinho, apesar dos muitos desafios, de algumas vezes ter saído fora da minha zona de conforto, mas onde também me construí, conheci, fui “esticada” e, certamente, muito abençoada, porque “é mais bem-aventurado dar do que receber” disse o apóstolo Paulo, relembrando as palavras do Senhor Jesus.

Esta experiência de servir nos acampamentos é, para mim, e penso que para todos os que o fazem, muito diferente de servir na igreja local. Para além de ser um local diferente e uma semana fora da rotina habitual, envolve trabalhar com outras pessoas com quem não estamos habituados, isto quando são pessoas que não conhecemos de todo. Porém, o facto de sermos irmãos em Cristo e o objetivo primordial ser dar-Lhe toda a glória no que fazemos, contribuem sobremaneira para que o trabalho em equipa se desenvolva, apesar das diferenças de opinião e formas de trabalhar, estando “unidos no mesmo modo de pensar e no mesmo propósito.” (I Coríntios 1:10)

Quando comecei a trabalhar, casei e a família aumentou, o único Acampamento que nos foi possível fazer, foi o de Famílias. Sempre que participamos, saímos de lá edificados, mais capacitados para construir a nossa família de acordo com a visão de Deus e com a certeza de que as lutas, as dificuldades, os avanços e recuos que tantas vezes acontecem, não são exclusivas do nosso casamento.

No ano passado, tive oportunidade de poder voltar a trabalhar num Acampamento, o de jovens, juntamente com o meu marido. Os nossos filhos também estiveram, e para mim, esse foi um dos aspetos mais importantes, porque, assim como para mim sempre foi uma prioridade servir nos acampamentos, gostaria que eles tivessem também esta visão e, obviamente, pelo exemplo que lhes transmitimos, espero que também seja uma prioridade para eles.

Se me perguntarem o que significam para mim os acampamentos, de forma resumida, digo com toda a convicção que são um tempo de encontro com Deus. 

Tem sido esta a minha experiência ao longo dos anos.

Susana Fernandes

Mãe a tempo inteiro e formada em Enfermagem

Avós com sabedoria e ternura

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Era um quarto cheio. Doze homens rodeavam a cama, atentos ao idoso que ali estava, prestes a terminar o seu percurso de vida. Invisual e com uma saúde muito debilitada, ele fizera questão de se reunir com todos os seus filhos naquele momento tão delicado e emotivo. E ali estavam eles – homens dedicados às tarefas agrícolas, à caça, à pesca – as profissões mais comuns da altura, com tantas recordações da vida longa de seu pai. Com ele tinham vivido momentos de trabalho, viagens, de relação com Deus, de desentendimentos entre si, de mentira, de procura de recursos em tempo de fome, de surpresa, de perdão, de abundância… Um novelo denso de experiências, desenroladas ao longo de uma vida…

Agora, Jacó decidira chamá-los. Em ambiente de despedida, ele tinha uma mensagem para cada um, a transmitir filho a filho. Foram palavras de reflexão e avaliação sobre a vida e também com sentido profético que, certamente, terão ficado preciosamente guardadas nas suas memórias (Génesis 49).

Antes, porém, foi altura de estar só com José, talvez o filho mais sofrido e que menos beneficiou da sua companhia e, também, e finalmente, o mais bem-sucedido de todos. Era governador do Egipto e Deus o usara para alimentar toda a família em tempo de grande carência.

Enquanto conversam, embora Jacó não veja, ele entende que estão duas crianças junto deste seu filho e pergunta: “Quem são estes?” Ao entender que são os seus netos, filhos de José, manifesta logo a sua intenção de lhes dar também a sua bênção, como se usava na altura.

Manassés e Efraim, assim se chamavam os meninos, aproximam-se de Jacó e ele coloca a sua mão direita sobre a cabeça de Efraim, o neto mais novo. José que, certamente, se sentia deliciado com esse momento, fica, de repente, incomodado. O filho mais velho é Manassés e sobre esse deverão vir as maiores bênçãos. Assim era costume, no benefício de ser o primogénito e sobre ele deveria repousar a mão direita do avô. De imediato, José procura corrigir o mover da mão de pele enrugada, de um homem que já não pode ver e, certamente, se equivocou. Coisas da idade… Será?

Contudo, Jacó sabe bem aquilo que está a fazer. É verdade que os seus olhos já nada enxergam. O contraste do azul do céu com o branco macio das nuvens, o faiscar da luz do sol sobre a água, que oferece à superfície do rio um tom prateado, são maravilhas que ele já não alcança. Contudo, ele tem uma visão que se move para além do que é terreno. E tem revelação sobre a vida dos netos, vislumbres do futuro, sabendo que Efraim virá a ser maior do que Manassés. Por isso foi sobre a sua cabeça que fez tocar a sua mão direita e ali permanecerá. “Eu sei, meu filho, eu sei…” (Génesis 48:13-20).

O papel de um avô e de uma avó sobre os seus netos pode ter uma dimensão espiritual muito maior do que imaginamos e não é limitado pela fragilidade física, a menor acuidade sensorial, um corpo desgastado pela idade, porque “ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.” (2 Coríntios 4:16)

Respeitando o papel primário dos pais sobre a vida dos seus netos, entenda, como avô ou avó, o papel carinhoso, de suporte e de oração, que Deus lhe confiou no dia-a-dia de cada um deles. Deixe que Ele lhe ofereça discernimento e entendimento sobre a melhor forma de ajudar, sem ser intrusivo(a) e também não permitindo que esse apoio seja tão frequente e pesado que se constitua como uma carga excessiva para si.

Como a avó Loide, busque e cultive uma fé autêntica que possa transmitir aos netos (2 Timóteo 1:5).

Como Noemi que, não sendo avó biológica, desempenhou esse papel, delicie-se e ofereça um colo terno e seguro (Rute 4:13-16).   

Bertina Coias Tomé

Psicóloga

Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Psicologia Comunitária

Como posso honrar a Deus com o meu orçamento?

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“Deus realmente está interessado nas minhas finanças!”. Esta foi a primeira reação quando me deparei pela primeira vez com a lista dos mais de 2000 versículos bíblicos sobre dinheiro. São fascinantes os conselhos, as advertências e orientações que Deus nos deixou na forma como devemos lidar com o dinheiro. No entanto, assim como Adão e Eva ignoraram as indicações de Deus, muitas vezes nós também o fazemos.

Quando mergulhamos profundamente no tema das finanças bíblicas, compreendemos que honrar a Deus com o nosso dinheiro é algo exigente e muito mais profundo do que habitualmente pensamos. Tudo começa na criação. Nós fomos criados por Deus, pertencemos a Ele e todas as coisas que há neste mundo foram criadas para Ele, inclusive o nosso dinheiro. Se Deus é o criador e o verdadeiro dono de tudo, nós necessitamos da Sua orientação para lidarmos corretamente com dinheiro.

Assim, o nosso primeiro desafio para enfrentarmos os nossos problemas financeiros não é o orçamento, mas sim a redenção. Muitas pessoas buscam o sucesso numa vida centrada em si mesmas e encontram nesse caminho a frustração. Abordar corretamente o dinheiro e quebrar maus hábitos financeiros começa em compreendermos que Deus tem um plano para a nossa vida financeira e que Ele sabe o que é melhor para nós.

Começamos a honrar a Deus com as nossas finanças quando não mais gerimos o nosso orçamento conforme os nossos desejos, mas sim conforme o plano que Ele tem para nós. Aqui chegamos ao segredo da paz financeira: quando compreendemos que Deus está no comando, conseguimos desenvolver uma atitude de gratidão e contentamento que é a cura para o nosso défice. Transferirmos a propriedade dos nossos bens para Deus, vai desenvolver um verdadeiro coração de mordomo que é o principal ingrediente para melhorarmos as nossas finanças.

Um orçamento com o propósito de honrar a Deus.

Honrar a Deus, acima de tudo, é reconhecer o seu senhorio e submetermos à sua vontade. Como posso aplicar os princípios bíblicos no meu orçamento? Seguem alguns conselhos:

1. Priorize a generosidade – Damos generosamente assim como Cristo deu a sua vida por nós. Dar, recorda-nos que tudo vem de Deus e que partilhamos um pouco do que Ele nos deu. Tirar parte do nosso rendimento para contribuir, não só é bom para as nossas finanças como para o nosso coração. Dessa forma, demonstramos que Deus encontra-se em primeiro lugar na nossa vida e confiamos totalmente na Sua provisão.

2. Atenda às necessidades da sua família – A Bíblia ensina-nos que devemos colocar como prioridade a satisfação das necessidades mais importantes como a alimentação, a saúde, o abrigo… Desenvolva um sentido crítico em separar o que é necessidade ou desejo na lista das suas despesas. Um administrador fiel tem um orçamento focado no cuidado da sua família e não nos seus desejos. 1 Timóteo 5:8

3. Pague a dívida prontamente – Na visão bíblica, a dívida é um fardo e uma escravidão que retira a nossa liberdade em usarmos o nosso dinheiro. Conforme encontramos em Salmos 37:21, um orçamento cristão sempre vai colocar o pagamento das dívidas como algo obrigatório e prioritário. Procure reduzir o mais que puder o seu nível de endividamento e honre os seus compromissos.

4. Inclua sempre uma margem – Gastamos menos do que ganhamos, gerando uma poupança mensal. Quando poupamos, estamos a desenvolver a nossa paciência e o nosso domínio próprio, abdicando de algum desejo momentâneo por algo mais importante no futuro. Assim como a formiga, entendemos que há momentos de prosperidade que devemos acumular para os períodos mais difíceis. Viver abaixo das nossas possibilidades é uma demonstração de prudência, de sabedoria e dos nossos frutos.

5. Afaste a comparação – Como o nosso coração enfrenta a tentação real de amar o dinheiro, é frequente sermos tentados a nos compararmos com os outros. Definimos o nosso padrão de vida e tomamos decisões financeiras com base no estilo de vida dos nossos vizinhos e amigos. Fuja desta armadilha pois a comparação é um jogo que nós nunca vamos ganhar. Desenvolva um hábito de consumo dentro das suas possibilidades e afaste qualquer sentimento de inveja ou cobiça que só nos levará a uma espiral de gastos excessivos. Antes de comprar algo questione-se: “preciso disto ou apenas quero que os outros me vejam com isto?”.

6. Seja grato e contente – Num coração grato, não há espaço para o descontentamento ou a comparação. Demonstramos um orçamento de gratidão quando não buscamos satisfação nos bens materiais e procuramos mais a liberdade financeira do que satisfazer os nossos desejos temporários. Eclesiastes 5:10

7. Busque conhecimento e orientação – Salomão ensina-nos que a sabedoria e o conhecimento são mais valiosos que as riquezas. Gerir o orçamento da nossa família não será sempre fácil mas é uma aprendizagem contínua. Antes de tudo, submeta o seu orçamento a Deus, ore pelas suas finanças e peça a Deus orientação pois na verdade tudo o que temos Lhe pertence.

Em conclusão, como cristãos, devemos colocar a nossa lealdade a Cristo acima de todas as coisas. Em 1 Coríntios 10:31 nos é dito: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus”. Submetermos o nosso orçamento a Cristo é realmente urgente pois sabemos que o dinheiro quer dominar a nossa vida (“não podeis servir a dois senhores”). Se deseja honrar a Deus com as suas finanças, procure sempre orientação bíblica para as suas decisões financeiras, entregue o seu orçamento em oração, reconheça e cumpra o seu papel de administrador sábio e fiel.

Se deseja aprender mais sobre finanças bíblicas, visite o site www.gpsfinanceiro.com

Ana Bessa

Honrar a Deus com o meu trabalho.

990 690 Aliança Evangélica Portuguesa

Servir a Cristo com os meus dons.

Desde que me conheço que sou entusiasta pelo trabalho. Qualquer projeto escolar podia contar com o meu contributo, assim como tarefas de voluntariado e inúmeras responsabilidades eclesiásticas.

Por detrás deste entusiasmo, estava sempre uma necessidade de me sentir útil ao serviço da comunidade, da sociedade e do outro.

Esta “adição” ao serviço fez-me escolher uma profissão sacrificial, mal paga e muitas vezes mal falada. Sou há 15 anos uma feliz assistente social.

Na Bíblia, encontrei um dos lemas da minha vida: “O que fizerem, façam-no de todo o coração como se estivessem a servir o Senhor e não os homens.” Col 3:23 BPT.

O apóstolo Paulo ensinou-me que não há tarefas pequenas ou insignificantes para aquele que obedece. A nossa atitude em tudo deve de ser como a de um  servo porque tudo o que eu faço é para Deus.

Iniciei a minha vida profissional aos 16 anos como empregada de mesa. Apesar de total ausência de experiência, estava entusiasmada e com a certeza que queria aprender e servir. Conclui rapidamente que não ia ser fácil! Entre o ritmo dos pedidos, o equilíbrio na bandeja e as bolhas nos pés, cada dia parecia mais exigente do que o anterior. Fiz muitos erros: deixei cair bebidas em cima de clientes, vendi cortes de carne que não existiam na ementa, aconselhei sobremesas com ovos crus a grávidas, entre outras distrações e limitações típicas da minha idade. Mas, aprendi! Aprendi que responder com simpatia a um cliente resmungão pode alterar toda a situação terminando com uma bela gorjeta. Aprendi que muitas vezes os outros – clientes, colegas e chefias – são muito mais tolerantes com os nossos erros do que connosco próprios. Aprendi a partilhar dividindo as gorjetas entre todos os meus colegas. Aprendi que cada trabalhador tem uma história, uma família e uma luta.

Mas mantinha-se a pergunta: Como posso saber que o meu trabalho honra a Deus?

Procurei então analisar a minha atitude e aferir como esta era percecionada pelos outros. Duas características tornaram-se inegociáveis: a excelência e o entusiasmo.

Primeiro, se eu fizer o meu trabalho, não para a chefia, mas para o Senhor, lutarei pela excelência. Isto significa que darei o meu melhor, porque a única aprovação que importa para mim é a de Deus.

E, por consequência, trabalharei com entusiasmo porque sei o porquê do meu esforço. Como ajo para Deus, encontro alegria no que faço.

“Trabalhem e não sejam preguiçosos. Sirvam o Senhor com dedicação e fervor”. Rom 12:11 BPT

Quando penso na importância da excelência, lembro-me também de José e da sua história contada no livro de Génesis. A sua excelência no trabalho, em qualquer função que lhe foi atribuída, não dependeu de uma boa retribuição monetária nem de palavras de elogio. Aliás, nas circunstâncias mais adversas ele não perdeu o foco nem corrompeu a sua essência e os seus dons. Acima de tudo, todos à sua volta viam que Deus estava com ele.

“O seu amo começou a dar-se conta de que o Senhor estava com José e que, por isso, tudo o que ele fazia era bem sucedido.” Gênesis 39:3 BPT

Esta dimensão do serviço e o foco em Cristo e não nos homens tem sido essencial para a minha função como assistente social. É por isso que continuo a investir em pessoas mesmo depois de ser mal interpretada, difamada, ofendida e desprezada. É por isso que consigo ver que a raiva do outro, ainda que me seja direcionada, provém de uma dor e mágoa sofrida. E é com o meu foco em Cristo que consigo dar sem expectativa de receber nada em troca mas na esperança do milagre da mudança que só Jesus pode trazer.

Mas, nos momentos em que me deixo vencer pelo meu ego, pelo meu sentido de justiça e pela minha necessidade de valorização, torno-me menos entusiasta e menos excelente na minha função. É nesses momentos que prejudico os que devia servir e deixo de honrar a Deus com o meu trabalho. É por isso que em tudo o que faço e em tudo o que sou – como mulher, esposa, mãe, discípula e assistente social – tenho de voltar ao centro e relembrar as palavras de Jesus O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu sempre vos amei. “ João 15:12 BPT

É prática da minha profissão e da minha identidade cristã acreditar sempre na restauração e no poder transformador do amor de Jesus. E é por isso que não desisto do outro nem de melhorar quem sou.

O meu desejo é servir a Deus com excelência e com isso testemunhar com entusiasmo quem Ele é aos que se cruzam no meu caminho.

“Cada um exerça o dom que recebeu para servir os outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas.” 1Pedro 4:10

Priscila Pighin Silva

Diretora técnica e assistente social da Residência Temporária para Mães Adultas da Associação de Socorros Médicos o Vigilante.

Ser mãe…

951 633 Aliança Evangélica Portuguesa

Há quem me trate por Ana, outros tratam-me por Rute e ainda há quem me trate por Ana Rute. Respondo pelos três e não tenho preferência por nenhum. Gosto do meu duplo nome. Mas há quem me trate por “Mamã”. Para os meus filhos, este é o meu nome, e eu sei que quando o ouço, é um deles quem me chama. Eu sou a mãe deles.

Atualmente, há quem não goste de ser definida por esse nome. Os tempos modernos acham que nomear alguém de apenas “mãe” é reduzir a sua identidade. “Eu sou mais do que apenas mãe” – ouvimos. Como se ser mãe fosse uma coisa menor.

Talvez precisemos reconfigurar o que é ser mãe. Ir até à Bíblia é sempre uma boa ideia. Um exemplo pode ser encontrado na mãe de Timóteo. Timóteo era filho de uma judia que também era crente, Eunice, e de um pai grego (Actos 16:1,2). Não nos são dadas muitas informações sobre o seu pai, mas temos algumas sobre a sua mãe.

Timóteo era um jovem pastor e filho espiritual do apóstolo Paulo. Eram bons amigos, e Paulo reconhecia o amor que Timóteo tinha às Escrituras. E Paulo atribui a fé e o carácter de Timóteo ao fiel testemunho da sua mãe e da sua avó.

Paulo faz referência ao legado dessas mulheres em dois momentos. Primeiro, vemos quando agradece a Deus por Timóteo e pela sua fé. Ele recorda que a sua fé sincera habitou primeiro na sua avó Loide e depois na sua mãe Eunice e ele diz: “e estou certo de que também habita em ti” (2 Timóteo 1:5). Mais tarde, Paulo encoraja Timóteo a permanecer firme na Palavra, não se deixando enganar, ou sendo perseguido (2 Timóteo 3:12–14). E mais uma vez ele lembra que aprendeu e acreditou firmemente na Palavra desde muito jovem, “desde a infância” (2 Timóteo 3:15).

Deus chama as mães a ensinarem os filhos no caminho em que devem andar (Provérbios 22:6). A nossa identidade enquanto mães assenta em Cristo. Logo, ser “apenas mãe”, não se verifica. Podemos abraçar este papel digno sem nos sentirmos minimizadas. Deus promete que, ao iluminarmos este mundo, saberemos que o nosso trabalho não foi em vão (Filipenses 2:12–16).

Talvez nunca saibamos o profundo significado deste título, mas podemos lembrar-nos exemplos como Loide e Eunice, sabendo que gerações são chamadas à salvação através da fidelidade daquelas mães que vieram antes de nós.

Ana Rute Cavaco

Liberdade

767 695 Aliança Evangélica Portuguesa

Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão. Galatas 5:1

O mês de abril em Portugal cheira à lliberdade. Na história recente desta nação, passos gigantes foram dados ao som de uma canção que entoava nas rádios e que falava de uma tal “vila morena, terra da fraternidade”. Os cravos vermelhos, ao invés de armas, representaram e representam a liberdade conquistada. Portugal é dividido entre o antes e o depois do 25 de Abril de 1974.

Ao analisarmos a origem do significado da palavra liberdade, as definições são pelo menos três. Do grego a palavra “eleutheria” significava liberdade de movimento de um corpo sem qualquer restrição externa, ou seja sem qualquer ausência de limitações físicas. No alemão, a palavra “freiheit” de onde se origina a palavra “freedom” em inglês, significa “um pescoço livre” o que se refere à ausência das correntes que aprisionavam os escravos, numa clara oposição à escravatura. Já do latim, a palavra “libertas” que dá origem a palavra em português “liberdade” nasce em oposição a outra palavra “dependere” cujo significado é “estar preso a” “pender de”. Assim, liberdade, assume o significado de não estar preso a nada ou não ser propriedade de ninguém.

No entanto,   nos nossos dias, a palavra liberdade assume significados mais abrangentes e não se refere apenas a prisões externas (físicas ou de subjulgação), mas internas, ligadas às prisões relativas as histórias de vida, sofrimento psicológico e emocional e que podem funcionar como correntes que impedem o individuo de fazer escolhas e de experimentar a liberdadde

Faz-me lembrar a história de uma mulher relatada nos evangelhos no capítulo 4 de João. A mulher de Samaria. Ela era uma prisioneira. Podemos dizer que para ela, não havia liberdade de movimentos, ia ao poço apenas ao meio dia, na hora mais quente do dia, pois assim não tinha a possibilidade de encontrar ninguém. Correntes invisíveis faziam-na escrava dos julgamentos, do apontar de dedos e da aceitação de alguém. Também era dependente das suas próprias circunstâncias e se movia presa a um jugo pesado e a um cântaro vazio e que nunca a satisfazia.

Outra mulher descrita na Bíblia também no evangelho de João e que me reporta a liberdade, é a mulher apanhada em adultério. Ela também era prisioneira. Não havia liberdade de movimentos, apenas o julgamento de uma lei que a condenava sem a Graça. Não sabemos em que contexto ela foi apanhada, mas a verdade é que correntes invisíveis faziam-na também prisioneira dos julgamentos, do apontar de dedos e estavam a levá-la a morte por apedrejamento.

Podiamos falar aqui de outras tantas mulheres cujo apedrejamento invisível, através da rejeição, do abandono, dos abusos físicos, psicológicos e morais estão descritas na Palavra de Deus e ainda  de tantas outras no decorrer da história da humanidade.

Mas, prefiro “trazer a memória aquilo que nos dá esperança”. Lembro-me de Maria que poderia ser também rejeitada, considerada impura por estar grávida sem ser casada, apedrejada, por ter “adulterado” sendo já prometida como esposa para José. Porém, esta mulher escolheu a liberdade. Os seus movimentos faziam-na bendizer ao Seu Salvador. As correntes da escravidão de uma lei sem a Graça, foram quebradas quando ela foi capaz de enfrentar os medos externos de julgamento e rejeição e internos que poderiam tê-la paralizado e impedido de ser agraciada.

Porém, precisamos lembrar que cada uma dessas mulheres encontrou a liberdade, não porque eram fortes, ou tinham em si mesmo a capacidade de serem livres. Houve um encontro. No poço de Jacó, o encontro foi com os pecados, as consequências e um cântaro vazio. À frente da mulher estava a Fonte de Agua Viva onde toda sede é saciada. No quase apedrejamento da mulher adultera, o encontro foi com o Único que podia cumprir toda a Lei, para que ela pudesse ser livre e a única recomendação foi: “vai e não peques mais”! Ele não disse vai e não adulteres mais. O encontro com o libertador, muda o rumo e as escolhas, e os homens que queriam apedrejá-la, não compreenderam a liberdade.

No caso de Maria, o encontro deu-se em seu ventre. Ela acolheu em seu útero, aquele que tinha vindo para libertá-la. Foi a primeira pessoa no Novo Testamento que chamou o Senhor de Seu Salvador. O encontro de Maria mudou a sua história e chegou até nós. Mérito dela? Não, claro que não. O mérito é todo Daquele que desenhou um plano perfeito de redenção, antes mesmo da fundação do mundo.

É verdade, vivemos num país livre. Portugal celebra neste mês a liberdade que historicamente, muitos lutaram para que pudesse acontecer, porém a verdadeira liberdade celebrámos também neste mês de abril, a morte e a ressurreição de Jesus, também um acontecimento histórico e que marca a história da humanidade entre o antes e o depois e a história individual de milhões de pessoas, que como as mulheres que aqui descrevemos, escolheram a liberdade de andar onde Ele andou.

Arlete Castro

Coordenadora de Cuidado e Desenvolvimento Integral de Missionários Transculturais Sepal – Servindo aos Pastores e Líderes

Escritora: O Livro de Salema, Simplesmente Sofia, Mulheres com História, e o livro Pérola (ficção baseada numa história real)

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