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Mulheres

Despertando a visão missionária nos nossos filhos

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Despertando a visão missionária nos nossos filhos

Como podemos despertar o coração dos nossos filhos para missões? Começo, partilhando um pouco da minha vida e de como o desejo de servir a Deus e alcançar os outros foi despertado.

Tinha 7 anos quando compreendi que era pecadora e precisava de Jesus para me salvar do castigo pelos meus pecados. Aceitei Jesus como meu salvador naquele momento. O curioso é que não foi durante uma lição bíblica ou uma pregação. Foi enquanto ouvia a história missionária de Amy Carmichael, a missionária irlandesa que dedicou à sua vida em favor das crianças indianas, cobrindo a sua pele branca com café e usando os trajes indianos para conseguir alcançar aquele povo. Aquela história teve um impacto tão profundo em mim que não só aceitei a Cristo como decidi dedicar a minha vida a Ele, queria ser como a Amy. Com 7 anos, descobri que podia ser uma missionária, independentemente da minha idade, ao contribuir para a obra missionária, ao orar pelos missionários e povos não alcançados e partilhando o que Jesus estava a fazer na minha vida. 

Assim, levava sempre a minha irmã mais nova à Classe de Boas Novas (classe bíblica para crianças que era feita ao ar livre, por alunos do Instituto Bíblico Português e missionários americanos), onde conheci o Evangelho e comecei a partilhar a minha fé com a minha família e os meus colegas na escola. Muitos dos meus colegas na escola e no bairro começaram a participar na classe, tendo a oportunidade de ouvir o Evangelho.

Com a chegada do inverno, a classe iria ter que terminar, mas o meu desejo de ouvir a Palavra era tão grande que propusemos que a classe fosse feita na nossa casa, e assim foi! Como os meus pais sempre gostaram de crianças, permitiram que a Bíblia fosse ensinada na sua casa. Com 8, 9 anos, eu tinha uma responsabilidade na classe: preparar a sala para receber os meninos e meninas e convidar os vizinhos para a mesma. Às vezes segurava os cartazes dos versículos ou dos cânticos na classe e ajudava os mais pequenos a memorizarem os versículos. A minha irmã mais nova era a minha aluna preferida! Chegámos a ter 30 crianças na nossa sala! E como eu me sentia tão útil para Deus!

Deste trabalho, muitas famílias foram alcançadas, incluindo os meus pais e irmãos, e nascia assim a nossa igreja local, onde participo até ao dia de hoje. Com 11 anos de idade, comecei a ajudar as classes dos pequeninos na Escola Bíblica Dominical e assim me tornei professora da EBD. Lembro-me que quando se falava sobre missões, os meus olhos brilhavam e o meu coração ardia! Desejava ver mais meninos e meninas de Portugal alcançados para Jesus! Toda a minha adolescência e juventude foram dedicadas ao Ensino da Palavra, na minha igreja local, na classe de Boas Novas que, entretanto, passei a dirigir e nos projetos missionários da Aliança Pró-Evangelização de Crianças de Portugal, onde que participava no Verão.

Nos tempos da universidade, envolvi-me ativamente no Grupo Bíblico Universitário e pude participar em campanhas evangelísticas e ver jovens universitários a entregar as suas vidas a Deus! Foi um tempo de crescimento, onde aprendi a fazer missões de forma integral de uma forma mais consciente: servir a Deus com o que sou, com o que tenho e no lugar onde estiver!

Deus honrou o meu desejo de O servir em todo o tempo e tive o privilégio de conciliar a minha profissão com o Ministério, trabalhando em organizações cristãs, em especial o Desafio Jovem, onde pude servir por mais de 10 anos, como psicóloga. Hoje, a minha vida é dedicada inteiramente ao trabalho da APECP, oferecendo os meus dons, os meus talentos, os meus conhecimentos, o meu tempo e a minha família para que crianças e adolescentes do nosso país possam conhecer Deus, a Sua Palavra e o Senhor Jesus como seu Salvador!

Olhando para trás, louvo a Deus pois o meu compromisso com Ele desde muito cedo na minha vida livrou-me de tantas coisas que hoje em dia são uma preocupação na vida das nossas crianças e jovens. E tudo começou aos 7 anos, quando alguém me ensinou que Deus pode usar-me, independentemente da minha idade e deu-me oportunidades de servir a esse Deus Maravilhoso. Dou graças a Deus pelos professores, líderes, irmãos que tenho tido na minha família, na minha igreja local, na APECP, no GBU, no Desafio Jovem, que acreditaram em mim, investiram na minha vida e foram usados por Deus para conduzirem ao lugar onde sempre tenho procurado estar: no centro da Vontade de Deus!

“Ensina a criança o caminho em que deve andar….” (Provérbio 22:6).

Não vamos esperar que as crianças sejam mais crescidas para servir a Deus e serem missionárias. A criança que já recebeu a Cristo recebeu também dons espirituais que deve desenvolver, no contexto da sua igreja local. Como pais, professores e líderes, precisamos perceber que Deus usa as crianças para ao Seu Reino e procurar oferecer oportunidades para que de facto elas possam cumprir o propósito de Deus para a sua geração, hoje! As crianças não são só o futuro da Igreja, elas são também o seu presente.

Se queremos ver mais alunos nas nossas Escolas Bíblicas, mais jovens a ingressarem nas agências missionárias e mais portugueses alcançados, precisamos começar desde cedo. Precisamos de uma nova geração de gente comprometida com o Evangelho e com a Obra Missionária!

 

Iolanda Melo

Psicóloga, especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Psicologia da Educação

Livre para vestir-se de si mesma

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Que atire o primeiro cabide quem nunca ficou a olhar para o guarda-roupa sem saber o que vestir ou nunca comparou a sua roupa com as de outras pessoas ao chegar a determinado lugar, ou que  achou que deveria vestir determinada roupa porque estava “na moda”. A roupa está presente desde que o homem e a mulher foram expulsos do Éden, quando Deus, o primeiro estilista do mundo, fez roupas de pele para os cobrir. A partir de então, a roupa sempre fez parte da história da humanidade, desde as primeiras civilizações do Oriente e da Antiguidade clássica (Grécia e Roma) até chegar à Europa Ocidental, da Idade Média aos dias de hoje, sempre com inúmeros significados e funcionalidades.

Para se proteger do frio, de predadores, para estabelecer funções hierárquicas e religiosas, como instrumento de segregação social e de identidade cultural, manifestação política, artística, entre outros, a roupa ocupa um lugar imprescindível na nossa vida cotidiana.
O conceito de moda, segundo a Professora de História da Indumentária da Universidade de Bolonha, Daniela Alanca, “é um dispositivo social definido por uma temporalidade muito breve e por mudanças rápidas, que envolvem diferentes setores da vida coletiva”. O termo moda, segundo ela, não é uma palavra antiga, apesar de sua etimologia ser latina. Vem de modus (modo, maneira).

Na sociedade moderna, entende-se como uma ferramenta de comunicação entre as pessoas. Nós reconhecemo-nos, também, pela forma como estamos vestidos. As décadas passadas foram marcadas por movimentos onde a moda esteve inserida nos mais diversos contextos. Podemos citar, por exemplo, o Movimento Hippie, que marcou os anos 1960, movimento esse de contracultura, político-social, que contestava o sistema vigente, capitalista. A moda hippie ficou marcada pelas roupas coloridas, batas indianas, flores no cabelo… e é usada até hoje. Algumas peças de roupa, como a mini saia, considerada um clássico da moda com sua origem em Londres, representava a emancipação das mulheres e era vista como um sinal de rebeldia com suas coxas e joelhos de fora,  marcando o fim de um período de repressão sexual, no qual a roupa era usada para esconder o corpo. No entanto, a roupa diz muito mais do que os motivos citados acima. Ela revela a nossa personalidade, a nossa visão de mundo e diz quem somos sem precisarmos de dizer uma só palavra.
Porém, a indústria da moda e a sociedade, ao longo do tempo, vem impondo a forma como devemos nos vestir. Termos como “está na moda” ou “tendência”, celebridades e novelas, desfiles nas semanas de moda em diversas capitais do mundo, com o único intuito de nos mostrar o que devemos consumir, têm minado a nossa forma de nos expressarmos como verdadeiramente somos e isto tem resultado no “efeito manada”, onde todos se vestem da mesma maneira.
Porém, se Jesus veio para reconciliar todas as coisas, como diz em Colossenses 1:3, por que não pensar que isto também inclui a moda, a nossa identidade e a maneira como nos vestimos?
Quando paramos para pensar que fomos feitas por um Deus criativo, de forma única, podemos manifestar essa consciência através do vestir. Vestir-se de si mesma é conectar a nossa essência, identidade, com a nossa aparência de maneira visível, palpável. Isso só é possível quando sabemos quem realmente somos. Por vezes somos levadas por motivações erradas ao escolhermos uma roupa e aos poucos vamos nos diminuindo para caber num padrão que não leva em conta quem somos, as nossas particularidades, mantendo-nos num estado de “escravidão”, inclusive do consumo
irresponsável que exaure os recursos da terra.

A boa notícia é que em Jesus somos livres. Sim! A liberdade que Ele veio nos dar, a vida plena que Ele veio nos oferecer, se aplica a todas as esferas da nossa vida e, o vestir, como algo essencial a nós, faz parte disso também. Somos livres para nos vestirmos de nós mesmas. Livres para usarmos as roupas que falam sobre nós. Livres para misturar padrões, cores, texturas, acessórios… ou não. Livres da imposição do que a sociedade ditou e dita como regra.
Pois, é na diversidade, expressa a partir das nossas singularidades, que mora a beleza. E onde há beleza, Deus está presente.

Suellen Figueiredo
Designer de Moda, especialista em Consultoria de Imagem e Estilo

Armadilhas do diálogo Homem/Mulher

1024 682 Aliança Evangélica Portuguesa

Um casamento saudável não é um casamento onde não há brigas, mas onde os parceiros conhecem e praticam a arte da reconciliação através do diálogo. A paz não acontece naturalmente, a menos que um dos parceiros se tenha anulado. Quando apenas um impõe as suas necessidades e o outro se limita a supri-las, sem direito a voz própria, vive-se uma paz artificial e destrutiva. Duas pessoas inteiras vão entrar em choque. A questão principal não é tanto o conteúdo do conflito, nem saber quem tem razão, mas como é que o casal lida com opiniões opostas para chegar a um consenso, nem que seja concordar em discordar.

As diferenças entre homem e mulher tornam-se mais evidentes em situação de stress. A principal dificuldade diz respeito à preservação de um diálogo construtivo quando um conflito vem à tona. Na crise, a mulher tende a queixar-se e o homem a isolar-se. Estas reações transformam-se num círculo vicioso. A mulher sente o silêncio do homem como uma agressão e aumenta o tom das suas cobranças. Quanto mais ela reclama, mais ele se isola, na tentativa de fugir do confronto.

Os mecanismos de defesa do homem e da mulher são opostos. Ela geralmente prefere enfrentar, mas exagera as suas acusações com palavras como “sempre” e “nunca”. Ele reage ignorando os problemas, esperando a tempestade passar. O ciclo crítica/desprezo transforma os parceiros em inimigos. O silêncio do homem é uma tentativa de proteção, mas funciona para a mulher como uma provocação. Ambos devem aprender a brigar e entender a atitude do outro como um desejo de ajudar e não como uma retaliação.

O homem precisa de ouvir mais e encarar os conflitos como oportunidade de crescimento e fortalecimento da relação. A mulher precisa de expressar as suas queixas de forma positiva e objetiva, sem desqualificar o seu cônjuge. Os dois sentem necessidade de ser amados, respeitados, e têm medo do abandono. Por isso, na hora do desentendimento é importante renovar o compromisso que permite ir fundo na crise sem o risco de romper o vínculo. A ameaça de separação não passa de uma forma disfarçada de manipulação. Ela expressa subtilmente que o outro corre o risco de ser abandonado caso não se disponha a ceder às expectativas do parceiro.

Cada um precisa de compreender a dinâmica da relação e enxergar a sua parte no conflito. Em situação de stress, a mulher quer desabafar e ser ouvida. Ele quer ajudá-la a partir dos seus parâmetros, tentando diminuir o problema, dar uma solução prática e abreviar as queixas dela. Ela sente-se desrespeitada nas suas emoções, desqualificada, desvalorizada e censurada. Ao ouvi-la, ele desenvolve um plano de ação, interrompe a fala dela com soluções ou comentários que minimizam as suas emoções, e a deixam ainda mais brava. Ele acha que estava a ajudar e só piora a situação. Sem entender porque é que ela reage tão agressivamente, ele retira-se ferido.

Quando está irritado, ele refugia-se na sua caverna e precisa de ser respeitado na sua necessidade de tempo e espaço para digerir as suas emoções. Ela faz perguntas, tratando-o como gostaria de ser tratada. Ela só quer compartilhar o seu fardo, mas ele sente-se invadido e cobrado. Ela interpreta o silêncio dele como rejeição e cobra até ele estourar ou afasta-se magoada. Quanto mais quieto ele fica, mais ela o cutuca. Quanto mais ela o cutuca, mais quieto ele fica. O homem reage ao stress tentando manter o controle racional até estourar. A mulher tende a mergulhar nas emoções. Ele necessita de sossego para entender o que está a acontecer. Ela busca carinho e atenção para reordenar os seus sentimentos. Cada um interpreta a atitude do outro como um ataque pessoal.

Cada um deve saber cuidar de si e interpretar a atitude do outro como um pedido de socorro que merece compreensão, paciência e respeito. Nesta perspectiva, o conflito torna-se uma oportunidade para ambos desenvolverem a famosa inteligência emocional através do diálogo entre cabeça e coração. O homem pode aprender com a mulher a deixar as suas emoções virem à tona. A mulher pode aprender com o homem a filtrar as suas emoções através da lente mais objetiva da razão.

Isabelle Ludovico da Silva
Psicóloga clínica com especialização em Terapia Familiar Sistémica.

isabelle@ludovicosilva.com.br

Mil e uma razões para ser voluntário

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Já pensou em ser voluntário? Talvez tenha dito para si mesma: “Sim, é uma boa ideia!”, mas também pode ter pensado: “E o que é que eu ganho com isso?”

Bem, de facto, existem 1001 boas razões para fazer voluntariado.

Mas, afinal, o que é ser voluntário? Segundo a legislação portuguesa, ser voluntário é uma atividade que necessita de estar enquadrada institucionalmente [Lei 71/98 de 3 Novembro, artigo 2.º].

Sabemos que a Palavra de Deus nos incentiva a fazer o bem individualmente ou em grupo, em qualquer circunstância e desinteressadamente como uma sementeira, e fruto de um caráter transformado por Cristo (Gálatas 6:9, Mateus 5:16, Efésios 2:10, Tiago 2:14-17, Tiago 1:27, Tiago 4:17). Contudo, o facto de estarmos enquadrados institucionalmente pode ter vantagens a nível do impacto e visibilidade das nossas ações na comunidade. Assim, o voluntariado é uma bonita forma de deixarmos brilhar a nossa luz.

Contudo, não encaremos o voluntariado apenas como uma atividade pontual, uma tarefa. Olhemos o voluntariado como um estilo de vida: dar de nós aos outros, dar o nosso tempo, os nossos talentos, (aquilo que melhor sabemos fazer, as nossas competências pessoais e/ ou profissionais) e os nossos tesouros (aquilo que possuímos – bens materiais, donativos, roupa, brinquedos, alimentos… – e que podemos partilhar com os outros.)

Creio que o voluntariado é um investimento, um bom investimento. Não um investimento a fundo perdido, mas um investimento com grande retorno.

Ser voluntário:

1 – É uma oportunidade de aprendizagem de como se deve estar/ agir num determinado contexto e permite saber como funciona determinada organização.

2 – Possibilita-lhe alargar a rede de contactos pessoais e profissionais

3 – Significa ter mentores formais e informais e isso implica, necessariamente, ganhar novas perspetivas sobre tarefas e/ ou grupos específicos de população. Tudo isto permite o enriquecimento de cada voluntário como pessoa, para além de valorizar o seu CV, se é recém-formado ou procura emprego.

4 – É uma oportunidade de desenvolver a capacidade de comunicação e o conhecimento sobre diferentes contextos.

5 – Permite aumentar o auto-conhecimento, no sentido que o voluntário experimenta novas tarefas, desempenha novos papéis, e percebe o que o inspira e motiva a continuar, ou não.

6 – É uma possibilidade de desenvolver as soft skills tão importantes e valorizadas em contextos laborais e também indispensáveis para os relacionamentos interpessoais (por exemplo: capacidade de comunicação, relacionamentos interpessoais, resolução de problemas e pensamento crítico, escuta ativa, vontade de aprender, boa gestão de tempo, trabalhar bem em equipa, flexibilidade, etc.)

O voluntariado, na sua aceção mais lata, é quase para todas as idades, e pode ser realizado em variadíssimos âmbitos: associações, conservação do ambiente, eventos,  entre outros. Recentemente, li duas frases que penso que se aplicam muito bem ao contexto do voluntariado: não importa a tarefa que desempenhamos, a posição que ocupamos, “todos nós somos líderes na diferença que queremos ver no mundo” e “o voluntariado é o expoente máximo da democracia. Nós votamos nas eleições uma vez por ano, mas quando somos voluntários, votamos todos os dias no tipo de comunidade em que queremos viver.”

Finalmente, o voluntariado certamente torna-nos pessoas mais felizes, pois como diz a Bíblia “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Atos 20:35).

Experimente!

Elsa Correia Pereira
Socióloga

Oportunidades em 2020

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Um portão, uma porta, uma janela, um postigo… O que é que gostaríamos de ter diante de nós nestes próximos dias, que nos oferecesse visão ou caminho por onde seguir? O que é que esperamos encontrar ao longo do percurso que nos propõe este Novo Ano? E em que áreas da nossa vida?

Naquele dia, Paulo tomou uma decisão. Iria permanecer ali na cidade grega por mais algum tempo. E não seria propriamente para uma apreciação mais minuciosa dos monumentos ou de belezas naturais. Não. Decidira passar mais uns dias em Éfeso porque ele descobrira ali uma porta que se abria para si…

E descreve a porta com dois adjectivos. Primeiro diz que é grande, ou seja, que terá um amplo alcance. E depois, assegura que é eficaz. Esta característica reconhece-se, habitualmente, após uma experiência concluída. Contudo, ele percebe já, em antecipação, que irá resultar!

Não será fácil entrar por ela, pois, “há muitos adversários” (I Coríntios 16:9). Ainda assim, ele entende que é uma oportunidade a agarrar, não vendo nas adversidades um motivo para desistir.

O Novo Ano irá trazer-nos uma diversidade de oportunidades, naturalmente. Irão surgir em diferentes facetas da nossa vida, em diversos formatos e tamanhos, mesmo que sacudidas por alguns ventos contrários. Irão fazer-nos permanecer numa localidade ou correr para outra. O importante é reconhecê-las e agarrá-las.

Este caso do apóstolo S. Paulo é um exemplo de uma oportunidade aproveitada. Contudo, a Bíblia também nos dá conta de diversas oportunidades desperdiçadas. São as sementes que caiem junto ao caminho e nunca chegam a germinar, sendo comidas pelos pássaros (Marcos 4:4). É o homem que enterra uma moeda que recebeu, não ousando investi-la (Mateus 25:18). É a cidade que não quer acolher as iniciativas de proximidade e protecção de Deus (Lucas 13:34). É um povo que, não ouvindo Deus, perde o ensejo de se alimentar do trigo mais fino e do mel puro (Salmo 81:13-16).

No meio do turbilhão de palavras e de imagens que nos rodeiam diariamente, que dispersam a nossa atenção e, quantas vezes, nos desviam do foco, momentos de silêncio com Deus podem ajudar-nos a discernir portas, caminhos, possibilidades desenhadas por Ele tendo, desde logo, a Sua garantia: “Instruir-te-ei e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir. Guiar-te-ei com os meus olhos.” (Salmo 32:8) Iniciemos o ano com esta confiança, determinadas em entrar pelas portas que Deus nos abra, ou em ampliar visão pelas janelas que rasgue à nossa frente.

Convidamos cada uma de vós a inscrever-se gratuitamente para receber a nova newsletter, “Entre Nós”, através deste link:  https://forms.gle/JZdZRicsqYx8EGMF6   Será uma companhia agradável ao longo de todo o ano de 2020, que desejamos muito abençoado!

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária

Ambiente de Natal

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

Ambiente de Natal

Naquele dia, a cidade estremeceu com a notícia! Um homem deveras perturbado, conseguira arrastar toda a gente numa onda de indignação. Por aqui e por ali, havia muitas conversas inquietas, impregnadas de agitação e incómodo!

Na verdade, o dia deveria ter sido de celebração, de festa. Era um momento único e especial para toda a humanidade. Tratava-se do primeiro Natal. Contudo, não foi reconhecido e é descrito assim: “E o rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele.” (Mateus 2:3)

Uns anos mais tarde, um outro homem promove também uma alteração no ambiente de uma cidade. Chama-se Filipe e está em Samaria. Ali ele proclama o evangelho, acontecem autênticos milagres e o resultado é este: “E havia grande alegria naquela cidade.” (Atos 8:8) Um povo em festa!

De igual modo, e ainda hoje, em cada um de nós habitam possibilidades de criar ambientes, seja na nossa casa, no nosso local de trabalho ou até na localidade onde vivemos. E que tipo de atmosfera emocional e espiritual promovemos?

O facto de ser tempo de Natal, por si só, não será suficiente para ditar um clima agradável ao nosso redor. Precisamos de nos assegurar que acima do aroma do bacalhau ou da carne assada, ou dos fritos polvilhados de canela, a fragrância de Cristo se espalha pelo ar, em cada olhar, palavra, gesto. Que para além das luzes que piscam nas gambiarras, a luz de Cristo, clara e pura, é a luminosidade que conduz cada passo.

Neste Natal, conheço famílias em luto. Há outras com o peso de dívidas por pagar. Algumas a tentar refazer-se de um desmoronamento na relação familiar. Outras a saborear uma casa ou um carro novo, ou deliciadas no sorriso do anúncio de um casamento para breve ou de uma nova gravidez.

Sejam quais forem as circunstâncias, precisamos de um Filipe – alguém que conhece a Deus, que é portador da mensagem do Seu amor, que faz borbulhar uma alegria pura no ambiente em que está, onde o poder de Deus tem espaço para se manifestar. Quem poderá “ser” Filipe?

Tu e eu, podemos sê-lo neste Natal, pela Sua graça, seja qual for a ementa, a beleza e delicadeza dos enfeites que decoram a mesa e a sala, o número de pessoas, a dimensão da casa. Para tal, bastará seguirmos o conselho do apóstolo Paulo: “E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave.” (Efésios 5:2)

Para todas, um Feliz Natal!

Bertina Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, e em Psicologia Comunitária

A Hospitalidade – Lurdes Lima Capucho

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

A Hospitalidade

Abri cuidadosamente a toalha bordada sobre a mesa da sala. Depois alisei e ajustei. Decorei-a com um jarro de flores frescas e velas decorativas. Da cozinha, fui trazendo os pratinhos com aperitivos diversos e depois o arroz-doce polvilhado de canela que preparara na noite anterior. Também uma canja quente, acabada de fazer, aguardava os convidados.

Pouco depois, ela chegou do cabeleireiro. Vinha linda, com um penteado que lhe dava um ar ainda mais atraente e distinto e combinava bem com o seu sorriso. No ar havia a excitação própria de um dia especial.

No quarto esperava-a o seu vestido de noiva, de cetim, tule e rendas. Fora eu a fazê-lo e, também por isso, tinha agora um gosto especial em vê-la na elegância que marcava um dia memorável. Vestiu-se e acabou de se aprumar, ficando especialmente atraente. Pouco depois começaram a chegar familiares e amigos, convidados para o seu casamento, em momentos de reencontro e de muita alegria. Uma vez que os seus pais residiam longe dali, escolhera a minha casa como o lugar de onde sairia como noiva para a cerimónia nupcial na igreja. Já tivera esse prazer com duas outras noivas, a quem fizera  igualmente os vestidos.

Esta tem sido uma forma de praticar a hospitalidade, entre outras. Tanto o meu marido como eu temos um grande prazer em receber pessoas na nossa casa e providenciar-lhes uma refeição e um tempo agradável de convívio.

Durante anos, enquanto fui solteira, servi a Deus longe da minha família e foi uma bênção ter junto de mim famílias que me “adoptaram”, recebendo-me frequentemente em suas casas e proporcionando-me um ambiente acolhedor. Hoje, é um privilégio fazer com outros aquilo que fizeram comigo. Recordo-me, especialmente, de uma família numerosa que tantas vezes me recebeu. Mesmo com limitações económicas, tinham sempre um café, um sorriso e uma bolacha para oferecer.

Embora nos empenhemos em oferecer o nosso melhor, não temos a preocupação de possuir algo muito especial para, então, ser hospitaleiros. Não é necessário ter um queijo caro, a melhor fruta ou mesmo a casa “num brinco”. Se estivermos à espera disso, deixaremos passar muitas oportunidades ou talvez nunca cheguemos a receber alguém. Por isso, quando convidamos sempre partimos do princípio de que o importante são as pessoas, não é a casa. Procuramos que cada visitante se sinta à vontade e confortável, saboreando um ambiente de família, seja para uma refeição seja mesmo para passar uns dias.

A conclusão a que temos chegado é a de que, para além de sermos bênção para outros, nós próprios somos abençoados.  “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos.” (Hebreus 13:2) Essas palavras vêem-me à mente quando recordo o convite que, a certa altura, fizemos a duas amigas para virem almoçar a nossa casa. Tanto uma como outra têm familiares a residir muito longe daqui e pensámos que seria uma excelente oportunidade de promover momentos de convívio, com sabor a família. Na véspera do dia combinado, percebi que não estávamos num momento economicamente favorável. Sugeri ao meu marido que cancelássemos o convite. Contudo, ele não sentia que o devêssemos fazer e concordei com ele. Então fui ao frigorífico em busca de uma ideia para a ementa. Tinha peixe cozido, já desfiado. Massada de peixe seria a única possibilidade.

No dia seguinte elas vieram estar connosco, alegremente. Ainda hoje comentam aquela massada de peixe, tão saborosa que lhes ficou na memória, sem que imaginassem então que fora o único recurso.

À despedida, uma delas, para nossa surpresa, deu-nos uma oferta em dinheiro. Sentira-se impelida a fazê-lo e acreditava que fora Deus a dirigi-la nesse sentido. Comovidos, acabámos por contar-lhes toda a história daquela refeição.

Na verdade, Deus presenteia-nos com um leque diverso de bênçãos quando somos hospitaleiros. Concluo, lembrando o conselho bíblico:

“ E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada.” (Hebreus 13:16)

Lurdes Lima Capucho
Evangelista

A Caminhada – Cristina Frade

960 461 Aliança Evangélica Portuguesa

Uma escolha pessoal no percurso de vida

Aqueles passeios matinais já faziam parte da nossa rotina familiar durante as férias na praia. A baixa-mar durante a manhã convidava-nos a percorrer o extenso areal, levando-nos a contemplar a beleza do abraço entre o céu e o mar, lá no fundo, na linha quase etérea do horizonte.

Os mais novos aproveitavam aqueles passeios para se aventurarem nas suas descobertas e criações marinhas. Com a água a formar pequenas lagoas, era um regalo vê-los construir aquários, apanhar peixinhos e algas, caçar “monstros marinhos”, como um pequeno polvo que não se deixou apanhar por mais que tenham sido as artes utilizadas.

Numa dessas caminhadas, a assentar os pés firmemente na areia húmida, tive a consciência de como é muito mais fácil caminhar na areia fresca e compacta do que na tórrida areia seca, cujos grãos parecem querer engolir-nos as pernas em cada passo esforçado. Dei comigo a pensar como a nossa caminhada pela vida também é assente no terreno que escolhemos trilhar.

Claro que a companhia que nos incentiva a dar um passo mais além é fundamental para não desistirmos quando vemos a imensidão do areal qua ainda temos de percorrer.

Mas, independentemente da companhia, estou em crer que a nossa decisão sobre a escolha de um ou outro terreno tem um papel ainda mais decisivo nos frutos da nossa vida.

Certa vez Jesus reiterou esta verdade referindo-se à edificação da nossa vida sobre o terreno firme da rocha ou sobre a instabilidade da areia. E a diferença fundamental entre um e outro é precisamente o conhecimento da Palavra de Deus e a sua aplicação à nossa caminhada. (Mateus 7; 24-29)

Essa escolha resultará em bênção para a nossa vida, alegrará o coração de Deus e contribuirá, sem dúvida, para o crescimento do Seu Reino.

É verdade que há momentos em que parece não ser fácil discernir entre o caminho certo e o errado, entre o que conduz à bênção e o que leva à destruição, tanto mais quando olhamos à nossa volta e a mensagem que ouvimos é a de que tudo é legítimo, tudo é relativo, cada indivíduo tem direito a fazer as suas escolhas, não podendo ser criticado desde que não prejudique terceiros.

 

A Bíblia afirma que tudo é lícito mas nem tudo convém. Os estudiosos das Ciências Sociais, por exemplo, referem que na análise social os valores devem ser relativizados pelas práticas – se o aborto é uma prática clandestina, então vamos solucionar o problema, legitimando-o através da criação de um instrumento que faça parecer que quem o pratica não está a cometer um atentado contra Deus, contra o seu próximo e contra si mesmo. Para ser clara, o que se faz é melhorar as condições de saúde e de higiene em que o ato é realizado mas não se atua no sentido de evitá-lo, evidenciando que tal prática é condenável pelo Autor da Vida e que traz um peso atroz sobre quem o faz.

As práticas e caminhos condenáveis pela Palavra de Deus são diversos e não são reprovados por um capricho de Deus mas porque Ele, sendo Todo-Poderoso, vê o que nós não conseguimos ver, não discernindo muitas vezes as consequências dos nossos atos, e porque, tal qual um grande construtor, o nosso Criador tem instruções para o funcionamento e manutenção da nossa vida, as quais, se cumpridas, resultarão em bênção e prosperidade da nossa vida. Por outro lado, o não cumprimento dessas regras iliba o construtor de qualquer mau resultado.

Para terminar, quero partilhar consigo a minha visão sobre esta matéria e aquilo que é o resultado da minha caminhada em terreno firme, tendo por fundamento a Palavra de Deus. Quero dizer-lhe que em todos nós existe um desejo imenso de liberdade mas creia que essa liberdade só é plenamente vivida quando nos encontramos no lugar e no propósito para o qual fomos criados. Só na medida em que conhecemos melhor Aquele que nos criou e buscamos o Seu propósito para a nossa vida é que teremos a certeza plena da nossa realização.

Se sente esta necessidade íntima de se sentir plenamente realizado(a), e se ainda não o fez, experimente colocar-se no propósito de Deus para a sua vida, busque a Sua vontade através da oração e do conhecimento da Sua Palavra. Fazendo isto, encontrará, por certo, o caminho firme e estável que deve trilhar, onde encontrará paz e direção para a sua vida. Faça isto perseverando, aguardando a resposta suave e amorosa de Deus.

“Entrega o teu caminho ao Senhor, confia Nele e Ele tudo fará.” (Salmo 37:5)

 

Cristina Frade
Socióloga

Viver a viuvez – Dois testemunhos

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

Cada dia é vivido com o Seu amparo

Olho pelo retrovisor e vejo o carro da polícia com as luzes acesas. Estaciono e, com surpresa, ouço que ia a conduzir acima do limite de velocidade.  Respondo que tenho em casa o marido doente e nunca sei como o irei encontrar. Quase como quem pede desculpa, com sensibilidade o polícia deseja as melhoras do meu marido e vai-se embora.

Este momento retrata um pouco do meu percurso diário de ansiedade com hospitalizações onde passei muitas 24 horas ao lado do meu marido, durante os 5 anos que Deus nos ajudou a atravessar.

 “Missão cumprida” foi o que senti quando, aceitando a oferta do meu filho para ir viver com ele e a sua família, fechei a porta daquele apartamento definitivamente.  Sozinha no caminho da viuvez, começava a nova lição de vida, que só se inicia e aprende quando chega o dia da separação e, para sempre, a “minha casa” deixou de existir.

“Em tudo dai graças.” (I Tessalonicenses 5:16) Este fora, até ali, um versículo difícil de entender. Contudo, sentada ao lado do meu filho naquelas 5 horas de viagem, dei graças a Deus pela presença do meu David, tão necessária naquele tempo de solidão.

A disciplina desta última classe da vida tem sido vencida com a ajuda do Supremo Professor. Cada dia é vivido com o Seu amparo, que Ele vai preenchendo com novas oportunidades e inundando o meu coração com motivos para agradecer. 

Neste percurso de mudanças de cidade, tenho encontrado igrejas onde me tem sido dada oportunidade de participação em actividades, onde ganhei muitos amigos. A minha máquina de costura está a ser útil no departamento de missão da igreja onde senhoras se reúnem para costurar para a missão em África. 

Deus devolveu-me o sabor da “minha casa”, neste quarto onde um novo mundo vem ter comigo. Pelo telefone e pelo computador “visito” amigos em necessidade, dando e recebendo conforto. 

Guardo comigo uma caixa cheia de bilhetinhos de amor, oferecidos pelo meu marido ao longo dos 55 anos do nosso casamento, com gratidão pelo grande homem que Deus pôs na minha vida.

Carmina Coias
Missionária Aposentada

 

Deus convida-nos a dar um passo mais

Foi em Agosto de 1996, que tudo aconteceu. Um acidente vascular cerebral veio pôr fim a um casamento de vinte e quatro anos, interrompendo bruscamente o nosso projecto de vida pessoal e familiar. A tristeza, a saudade, a insegurança e os medos, minaram os meus dias e senti o meu mundo a desabar… 

Dois filhos com a vida em construção, uma empresa em fase de grandes dificuldades e uma carreira profissional a manter, eram então as minhas grandes frentes de luta a par de um objectivo que o meu coração impunha e me fazia mover: conseguir honrar os meus compromissos por forma a dignificar o nome do homem, que tanto amávamos, tanto lutou por nós, tantos sucessos alcançou e que agora, havia partido de forma tão súbita.  Injustiça? Não sei, muitas vezes invejei a sua sorte, pois acredito que desfruta da vida numa dimensão grandiosa e feliz! 

Se todas estas responsabilidades me pressionavam e oprimiam, também me impediam a entrega a um luto desmedido. Era preciso arregaçar as mangas, tomar decisões, procurar soluções e estratégias, bem como reunir os recursos ainda existentes, sem margem para  desistências ou desnorteios. 

Foi então que constatei que era tanto, mas tanto, o que ainda me restava. O meu coração encheu-se de gratidão e a alegria de viver renascia em cada dia:  pela provisão de Deus à minha vida, pelos familiares e amigos que Deus usou como anjos acampados ao meu redor, pelas promessas de Deus, pelo alento e orientação que, em cada dia, emanavam da Sua Palavra e que, até hoje, têm sustentado e norteado a minha vida. 

Decorrido este tempo aprendi o valor de uma fé experimentada, aprendi como Deus nos convida sempre a dar um passo mais, a olhar com verdade a nossa vida e a apresentá-la, genuinamente, diante dos Seus olhos. Constatei que a Sua presença é real e permanente e que nada conseguimos apenas pela força do nosso braço, mas pela sua graça em nós – A caminhada é possível, a Deus toda a glória! 

“Nós pomos a esperança no Senhor; é Ele quem nos ajuda e protege!” (Salmos 33:20)

Ana Maria Machado Inácio

Prendas Reveladas – Bertina Coias Tomé

960 637 Aliança Evangélica Portuguesa

“Então, não desembrulhas?”

“Ah, pois, está bem. Querem que desembrulhe agora?”

“Sim, é para vermos!”

Retiro cuidadosamente a fita e o papel colorido, perante os seus olhares curiosos. E aí está a prenda que me foi amavelmente oferecida por alguém e que desperta sorrisos e comentários prazenteiros.

Esta situação tem acontecido diversas vezes. Porque não me desembaraço do papel de imediato, e revelo o que ganhei? Habitualmente não chego a explicar o motivo mas é ainda evidência de um hábito que trago comigo dos tempos de Macau. Lá, entre a população chinesa e macaense, não se abre um presente logo após ter sido recebido. Fazê-lo é sinal de grande indelicadeza. Agradece-se e coloca-se o embrulho colorido junto dos outros, num local definido para tal. Só depois de os convidados se terem retirado, concluída a festa, se procede à abertura das prendas, apenas no seio da família chegada. Subjaz a esta prática um importante sentido de respeito: evitar circunstâncias de algum embaraço para aquelas pessoas que, por limitações económicas, tenham oferecido algo mais modesto que, de outro modo, se veriam expostas perante os demais convidados.

Aquilo que oferecemos a Deus é, frequente e inevitavelmente, desembrulhado diante dos homens. Temos o exemplo da mulher que derramou sobre Jesus um unguento de nardo puro. Como uma oferta que era, ela não falou em preço. Contudo, houve logo quem fizesse as contas: valeria uns 300 dinheiros, por certo. Uma prenda cara demais, comentou alguém (João 12:4,5).  E Jesus interveio de imediato: “Deixa-a; para o dia da minha preparação para a sepultura o guardou (João 12:7).

Noutra ocasião, junto à arca do tesouro, era possível observar aquilo que cada um ia lançando como oferta a Deus. Havia pessoas de condição abastada que ofertavam grandes quantias. A meio daquele fluxo de gente vem uma viúva de condição muito modesta que deita duas moedas que valiam cinco réis. Tão pouco, diria alguém. Prenda desembrulhada.

Jesus assegurou aos seus discípulos que aquela mulher dera mais que todos. Ficou logo claro que o critério de avaliação de Jesus era outro. E explicou: “… da sua pobreza deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento.” (Marcos 12:44). Daí o valor.

Muito do que oferecemos a Deus poderá ser “à moda chinesa”, isto é, discretamente, sendo só Ele a conhecer o conteúdo. A mão esquerda não saberá o que ofereceu a mão direita.

Outras vezes, contudo, não há como evitar que se torne conhecido aquilo que fazemos para Deus, que lhe oferecemos em louvor e em adoração, em serviço para Ele e em favor de outros. São os nossos vasos de alabastro e as nossas moedas de cobre.

Qual será a atitude de outros quando observam a prenda desembrulhada?

Ao longo da sua vida, Moody ofereceu ao Senhor um intenso trabalho de evangelismo. Certa vez, ao observá-lo, uma senhora acabou por criticar: “Sr. Moody, não gosto da maneira como faz o evangelismo.” Em resposta, Moody disse-lhe: “Eu também nem sempre o aprecio necessariamente. Diga-me, como é que a senhora faz?” “Oh, eu não faço evangelismo.”, foi a resposta. “Bem,” disse Moody, “eu gosto mais da maneira como eu o faço do que da maneira que a senhora não o faz.”

O olhar de Deus sobre a nossa vida é o mais importante de tudo. Ele observa as nossas dádivas como mais ninguém saberia fazer. Atribui-lhes o real valor, por vezes tão distante daquele que os homens lhe reconhecem. Talvez muito maior. Por vezes, muito menor.

Algumas ofertas chegar-lhe-ão em segredo. Serão a Suas Mãos, apenas elas, a revelar. Exemplo disso temos na oração, no jejum ou na dádiva referidas por Jesus em S. Mateus 6:1-6.

Outras serão, inevitavelmente, desembrulhadas diante dos homens. Contudo, não deixemos de oferecer por esse motivo. Não percamos de vista que o destinatário é, igualmente, Ele. Maior que qualquer crítica, incompreensão ou o silêncio enigmático de outros, contará a graça de podermos ofertar-lhe alguma coisa, de saber que O servimos e de aí depositarmos todas as nossas expectativas.

Ofereçamos-Lhe o melhor que tivermos, que soubermos, que formos. Coloquemos o nosso presente, humildemente, nas Suas mãos, feridas por amor a nós. E saibamos deleitar-nos no Seu sorriso.

“De todos os vossos dons oferecereis toda a oferta alçada do Senhor: do melhor deles, a sua santa parte. (…) como a novidade da eira e como novidade do lagar.” Números 18:29,30

 

 

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária

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