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Mulheres

Não: a palavra que liberta

960 720 Aliança Evangélica Portuguesa

Para ser reconhecidas e valorizadas, procuramos agradar às pessoas, atendendo às suas solicitações em detrimento dos nossos anseios pessoais. Como não sabemos respeitar-nos, colocar limites e fazer-nos respeitar, temos medo de nos relacionarmos e sermos invadidas, usadas, abusadas. Nascer de novo é reconstruir a nossa autoestima no fundamento do amor incondicional de Deus que nos liberta da dependência de aceitação do outro, mesmo correndo o risco de ser rejeitadas. Como enfatiza Fiorângela Desidério, no seu livro “Acorde, Mulher!”, ser livre é dar-se o direito de dizer “Sim” e “Não”. Ousar dizer “Não” para ser fiéis a nós mesmos é optar por viver a nossa própria vida em vez de permanecer escravas da aprovação dos outros. Somente aqueles que tem a coragem de dizer “Não” podem dizer “Sim” com alegria e liberdade. É livre quem consegue dizer “Não” sem se sentir culpada por não corresponder às expectativas dos outros. Nem sempre “Não” significa rejeição, pode expressar carinho, proteção, cuidado. Assim como “Sim” pode revelar comodismo, fuga, hipocrisia. Às vezes, dizer “Não” à ação é dizer “Sim” à pessoa. Ao dizer “Sim” quando queremos dizer “Não”, estamos nos desrespeitando a nós mesmos e mentindo ao outro.

Cada uma de nós é única e responsável por desenvolver o seu próprio potencial. “Se eu não for eu mesma, quem o será?”. É impossível ser outra pessoa. No entanto, vivemos a brigar conosco e exigindo de nós desempenhos calcados nos outros. Ser única significa ser incomparável, ou seja, não tem sentido compararmo-nos com os outros. A mudança essencial acontece quando paramos de olhar para fora e voltamos a nossa atenção para os nossos recursos internos. Tirar as máscaras, sair da sombra, parar de se esconder atrás de alguém, obriga a assumir a responsabilidade pela própria vida. Não dá mais para se fazer de vítima e projetar a culpa nos outros. Perceber e acolher as nossas necessidades, desejos, ambições, emoções, transforma-nos de objeto de uso em pessoa humana. Estabelecer objetivos pessoais e começar a dar passos para alcançá-los tira-nos da passividade e coloca-nos no caminho da maturidade.

O ideal de perfeição impede-nos de desfrutar das possibilidades reais que estão ao nosso alcance. É necessário enterrar as expectativas irreais acerca de nós mesmas para dar espaço ao nosso autêntico eu, pois é este eu falho que foi amado por Jesus a ponto de morrer na cruz. Negar as nossas limitações revela que consideramos a cruz desnecessária! A nossa única obrigação como ser humano é ser “humano”. Isto significa ter a humildade de reconhecer os nossos erros e aprender com eles. Os acertos não nos ensinam nada de novo, apenas confirmam aquilo que já sabíamos, enquanto os erros apontam dados desconhecidos ou negligenciados. Admitir as nossas feridas interiores e os nossos temores, as mágoas e raivas, os sentimentos de solidão, rejeição, inadequação, é o primeiro passo rumo à cura interior. A coragem de enfrentar o nosso mundo interior, com todos os seus fantasmas, capacita-nos a descobrir também os tesouros ali guardados. Resgatamos assim a criatividade, a espontaneidade, o prazer, a capacidade de se maravilhar, a curiosidade que tinham sido engavetados no afã de nos tornarmos crianças comportadas, apreciadas e elogiadas pelos adultos. Ao olhar para a nossa história, podemos desatar as amarras que nos mantém presos a uma imagem deturpada de nós mesmas. Ao invés de ficar a insistir nos “por que” das nossas circunstâncias, é preferível descobrir “como” elas contribuíram ou podem contribuir para o nosso crescimento. Esperar que as circunstâncias externas se modifiquem pode nos manter numa vida improdutiva em vez de usarmos estas circunstâncias em nosso favor.

Fundamentar a nossa identidade na graça de sermos filhas de Deus liberta-nos de uma identidade frágil atrelada à opinião dos outros. Somos amáveis, não porque merecemos este amor, mas porque Deus escolheu amar-nos e criou-nos à Sua Imagem. Olhar para nós a partir do olhar acolhedor e perdoador de Deus, capacita-nos a conhecer, compreender e amar a nós mesmas, torna-nos amigas de nós mesmas e parteiras da nossa própria vida. O melhor de nós manifesta-se diante de alguém que nos ama incondicionalmente. Por isso, é contemplando a Deus que somos transformadas. Vamos nos tornando aquilo para o qual fomos criadas à medida que nos apaixonamos e desejamos seguir Aquele que nos resgatou das trevas. Ouvir no nosso íntimo a Sua doce voz que nos chama filhas queridas gera em nós o desejo de “ob-audire”, obedecer. Enquanto a vida dos que estão surdos à esta voz torna-se “ab-surda”.

A sabedoria popular diz que “é melhor cultivar o nosso próprio jardim do que esperar que alguém nos traga flores”.  Deus, através do seu Espírito, transforma os nossos desertos em oásis, faz jorrar a fonte de Àgua Viva e capacita-nos a semear amor, alegria, paz… Assim podemos colher e doar flores, movidas não pelo desejo de reconhecimento, mas pela alegria de compartilhar aquilo que floresce dentro de nós. Amar conjuga-se com os verbos dar e receber, mas também pedir e recusar. Pedir um abraço, uma atenção, uma palavra de encorajamento, uma ajuda é reconhecer que o outro tem uma contribuição importante na nossa vida. O “sim” só revela um desejo genuíno quando é possível recusar. Sem essa liberdade, o vínculo torna-se manipulador. Quem se permite recusar também pode lidar bem com a recusa do outro. Somente sendo livres podemos deixar o outro livre e construir relacionamentos fundamentados no respeito mútuo.

 

Isabelle Ludovico da Silva

Psicóloga clínica com especialização em Terapia Familiar Sistémica.

Não nos cansemos de fazer o bem

960 720 Aliança Evangélica Portuguesa

Era um dia de semana, eu era recém-casada e estava há sensivelmente há três meses na Guiné-Bissau.

Lembro-me como se fosse hoje, pois foi a primeira vez que me aventurei a ir ao mercado sózinha (sem o meu marido).

Não conseguia comunicar em crioulo, embora tivesse nascido na Guiné, pois o facto de ter vindo para Portugal aos seis anos fez com que me esquecesse por completo da língua crioula.

A falta de conhecimento das espécies de peixe guineenses da Guiné (que são uma delícia), também constituía, na altura, um factor dissuasor das minhas idas ao mercado.

Deambulava pelo recinto, enquanto os meus olhos se deixavam surpreender pelas cores dos legumes e das frutas tropicais, sempre acompanhada pelos gritos das vendedoras (bideiras) ao longe, as quais iam persuadindo a clientela de forma a comprarem os seus produtos. Enquanto passeava pela zona do peixe, houve um em particular que me chamou a atenção pelo seu aspecto fresco que me saltava à vista e porque, naquele dia em particular, queria cozinhar o famoso caldo de siti guineense (óleo de palma), e pensei que seria a melhor opção em termos de compra.

Pensei para mim mesma com orgulho: vai ser este o meu primeiro peixe comprado na Guiné.

Fui burlada, pois paguei quatro peixes por 5.000 francos cfa (ronda os 7.50 euros) e o preço real seriam 500 francos, porquanto se tratava de um dos peixes mais baratos na Guiné, o djafal. A vendedora aproveitou-se do facto de eu ser estrangeira e não conhecer os preços reais do peixe.

Quando o meu marido chegou a casa, a comida já estava pronta e perguntou-me se eu sabia que peixe era aquele e quanto eu tinha pago por ele. Respondi-lhe à questão e ambos ficámos surpreendidos por eu ter sido enganada e fomos ao mercado à procura da vendedora para falar com ela.

Quando lá chegámos, a senhora fez-se de surda e disse-nos que nunca me tinha visto.

Passado uma semana, o meu marido, que também desenvolvia um ministério de primeiros socorros, foi chamado à noite para ir socorrer uma criança que estava gravemente queimada em casa.

Quando entrou em casa, deparou-se com a criança e reconheceu a mãe, que era a vendedora do peixe djafal.

Quando a senhora o viu ficou envergonhada e sem palavras. No entanto, o meu marido não pagou o mal por mal, mas pegou nela e no filho, levou-os ao hospital, pagou a consulta e o tratamento do menino.

Quantas vezes nos sentimos injustiçados (por vezes com razão), humilhados, traídos e usados, juramos a nós mesmos que nunca mais voltaremos a confiar e a ajudar aquela pessoa que nos fez mal e a primeira coisa que nos vem à cabeça é vingarmo-nos e fazermos justiça pelas nossas próprias mãos.

Contudo, em Gálatas 6:9, o Apóstolo Paulo insta-nos a não nos cansarmos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos os seus frutos.

Cada vez é mais difícil fazermos o bem, porque as pessoas têm comportamentos cada vez mais individualistas e interesseiros. Porém, quando investimos na vida de alguém e nos damos por completo, torna-se ainda mais difícil.

Contudo, Deus convida-nos a termos uma atitude diferente. Convida-nos a não nos cansarmos de fazer o bem, por mais anti-natura que possa parecer. Ele ajudar-nos-á.

A Bíblia refere, em Romanos 12:20: “Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer, se tiver sede, dá-lhe de beber; porquanto amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.” O que significa que quando pagamos o mal com o bem, a pessoa que nos fez mal sentirá uma vergonha profunda pois recebeu uma inesperada atitude de amor como pagamento da sua má conduta connosco. Quem age como sendo nosso inimigo será influenciado pelo nosso comportamento cristão, o que provocará uma mudança no coração dessa pessoa. Não devemos esperar que a pessoa se considere culpada dos seus atos para podermos perdoá-la.

O perdão é a melhor saída para a libertação da nossa mente e das nossas emoções, e conduz-nos a uma vida livre e de vitória, e o mais interessante é que quebra as barreiras entre nós e a pessoa que nos magoou.

Que Deus nos dê forças para não nos cansarmos de fazer o bem e assim podermos influenciar outros.

Irina Sanhá

Jurista e fundadora da plataforma evangélica guineense “Fórum Mulher”

Dicas para poupar

1422 948 Aliança Evangélica Portuguesa

Em qualquer situação, precisamos de aprender a poupar. Podemos ganhar mais ou menos, mas há que ter a noção que o dinheiro não é eterno. Assim, pensei recolher uma série de dicas de poupança que possam, de forma prática, ser úteis a todas nós. Porque “Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la?” (Lucas 14:28). Há que saber utilizar o nosso dinheiro com sabedoria. Que Deus nos ajude.

1 – Aponte todas as despesas mensais. Assim, irá conseguir identificar melhor os gastos que podem ser evitados e outros que podem ser otimizados.

2 – Não descure as pequenas poupanças, as pequenas despesas. Uns cêntimos todos os dias, fazem a diferença ao fim do mês (e do ano).

3 – Leve o lanche e o almoço de casa. Pode ser muito tentador não gastar tempo a preparar a comida para o dia seguinte, mas o que poupa levando a sua refeição de casa, pode compensar para utilizar noutras despesas que realmente sejam imprescindíveis.

4 – Tome o pequeno-almoço em casa. Para além de ser saudável e uma ótima forma de começar a perder peso, investir num pequeno-almoço em casa é uma forma de poupar dinheiro, diariamente.

5 – Faça uma lista de compras. Seja para o supermercado, para presentes ou para roupa. Uma lista evitará que faça compras por impulso e restringirá gastos.

6 – Cuidado com o cartão de crédito. Se não controlar as despesas efetuadas desta forma, então desista dos seus cartões de crédito.

7 – Resista ao marketing agressivo. Muitas vezes não precisamos de determinado bem, mas por causa das “promoções” tão divulgadas acabamos por adquirir algo que, de facto, não necessitamos.

8 – Não deite comida fora. Use a criatividade para reutilizar as sobras da refeição anterior.

9 – Reutilize os seus sacos das compras. O ambiente agradece e o seu bolso também!

10 – Reavalie periodicamente as suas despesas mensais fixas. Água, eletricidade, comunicações… Reveja as opções possíveis do mercado e escolha a mais vantajosa para si.

11 – Estipule um valor mensal para colocar de lado e faça-o! Seja numa conta poupança ou no mealheiro, é importante estabelecer o hábito e não desistir.

12 – Adote hábitos de poupança de água e eletricidade. Corrija as anomalias (por exemplo, uma torneira a pingar…)

13 – No supermercado: compre produtos de marca branca; não se apresse com os cupões; não vá às compras com fome.

14 – Na hora de comprar, cuidado com as armadilhas: os lojistas colocam os produtos mais baratos nas prateleiras de cima ou em baixo, longe da linha dos olhos. Os produtos mais caros estão ao meio, onde os compramos mais facilmente…

Espero que esta “listinha das compras” a tenha ajudado. Mas ela pretende ser mais do que uma “listinha” de entre as muitas que já temos. Pretende transmitir alguma sabedoria… Pois  Com sabedoria se constrói a casa, e com discernimento se consolida.


Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável.” (Provérbios 24:3,4). Para tudo precisamos de sabedoria, até para poupar.

 

Elsa Correia Pereira

Socióloga

A Pandemia do Amor

626 417 Aliança Evangélica Portuguesa

Há pouco mais de dois mil anos um vírus até então desconhecido invadiu a humanidade. Esse vírus não foi originado na China, mas lá em Nazaré, um vilarejo de gente humilde. O principal agente transmissor foi um homem simples e de poucos recursos, que andava entre os excluídos da sociedade. Esse agente, que carregava o vírus consigo, curava toda sorte de doenças, física, emocional e espiritual. Denunciava as injustiças do governo vigente, repudiava o apego às riquezas, preocupava-se com o pobre, o estrangeiro e a viúva. Falava sobre liberdade e uma vida plena, cheia de abundância e que nada tinha a ver com este mundo. Dava ouvidos às mulheres, que eram ignoradas pela cultura machista daquela sociedade. Pegava crianças ao colo e celebrava a vida ao redor da mesa com os amigos. Ria, chorava, ficava bravo, se solidarizava com a dor do próximo, pregava o perdão e a paz. Sofreu. Morreu. Há poucos mais de dois mil anos, após a morte desse Agente que entregou gentilmente a sua vida sem dar uma palavra sequer, o vírus do Amor invadiu o mundo causando a maior pandemia de todos os tempos e fez com que o Planeta Terra nunca mais fosse o mesmo. O contagio dá-se de humano para humano e o principal órgão afetado é o coração. As pessoas que se expõem ao vírus veem as suas vidas reviradas e nunca mais voltam a ser o que eram. Esse vírus é capaz de promover o perdão, ensina-nos a amar aos que nos perseguem e incita-nos a partilhar a vida e os recursos com os que nada têm. Ele também nos dá um coração pacificado, que chora e sente a dor do outro ao vê-lo sofrer, mas também se alegra ao ver o outro feliz. Os infectados pelo vírus do Amor são agentes de esperança e graça porque eles entendem que a vida não gira em torno do próprio umbigo e, sim, é um dom que se doa generosamente em favor dos outros em serviço. O vírus do Amor gera vida, humaniza, e imunizanos contra o ódio, a intolerância, o egoísmo e a falta de empatia. Infelizmente, no mundo em que vivemos hoje, muitas pessoas desenvolveram anticorpos resistentes ao Vírus do Amor e o que temos visto é um mundo desequilibrado, desordenado e individualista.

Jesus, o Agente transmissor, diz-nos lá em João 3:35, logo após ter ceado com seus amigos, que todos conhecerão os seus discípulos se amarmos uns aos outros.

Uma vez que fomos infectados pelo vírus do Amor através de Jesus, tornamos-nos também vetores de transmissão. A recomendação é a de que devemos espalhar o vírus ao maior número de pessoas que pudermos alcançar, seja através de um sorriso, uma demonstração de afeto, ainda que virtual nos dias de hoje, uma ajuda a um pedido de socorro, pela partilha do pão ou um ouvido atento a quem quer só ser ouvido e, assim, quem sabe, transformaremos o mundo através da única Pandemia capaz de curar e restaurar o ser humano: a Pandemia do Amor.

Suellen Figueiredo
Designer de Moda, especialista em Consultoria de Imagem e Estilo

O DOCE SABOR DA VIDA ETERNA

626 345 Aliança Evangélica Portuguesa

Houve um período na minha vida em que eu tive de aprender a depender totalmente de Deus, a nível financeiro. Havia escassez de alimentos em casa e eu trabalhava numa pequena mercearia, onde a probabilidade de receber um ordenado completo a tempo e horas era muito remota. Eu ganhava um pouco menos que o salário mínimo nacional, que naquela altura rondava os quatrocentos e oitenta euros mensais; para acrescentar, o negócio não andava bem. Naquela altura eu suportava as despesas de casa sozinha. As contas foram-se acumulando por falta de fundos e deparei-me com o seguinte dilema: ou pagava as contas, ou punha comida em casa. Certo dia, abri a despensa de casa e vi que tinha apenas meio quilo de arroz e um pacote de grão. Cozi o grão e dei à minha cadela e cozi o arroz que tinha e comi nessa noite. Na manhã seguinte, fui trabalhar, consciente de que nada havia na minha despensa. Quando cheguei ao trabalho, desmanchei-me em prantos, e comecei a desabafar com Deus e disse: 

“Deus, eu não vou reclamar! Eu não vou reclamar! Eu agradeço-te por teres cuidado de mim até agora e por me teres alimentado, pois reconheço que todo o alimento que eu recebo provém de Ti. Não me faças humilhar-me perante ninguém; prefiro mil vezes humilhar-me perante Ti do que humilhar-me perante o homem. Além disso, a tua palavra diz que tu és o meu Pastor; Tu és aquele que cuida de mim e aquele que me alimenta. Nenhum pastor deixa a sua ovelha passar fome e ele sabe que ela depende dele para se alimentar. Não me interessa se não tenho dinheiro, pois eu não sou dependente do dinheiro, mas sim dependente de Ti. Tu és meu e eu sou tua e nada nos irá separar. Então eu sei que me vais alimentar; eu sei que, jamais, em momento algum, me deixarás passar fome. Eu não vou pedir a ninguém, porque eu sei que tu vais me dar. Eu confio Naquele que eu aceitei como único Deus e Senhor e como meu Salvador. Ámen.”

Depois de orar senti uma paz tão grande! Eu tinha convicção que Deus iria fazer algo. Afinal de contas, só Deus sabia da minha situação. Nesse mesmo dia, o meu patrão, que era a pessoa mais carrancuda e maldisposta que eu conhecia na época, chegou à loja e disse-me:

“Fiz uma caldeirada de peixe e trouxe para tu almoçares.” E saiu. O que é certo é que, desde a minha oração até ao dia em que me pagaram o salário seguinte, todos os dias recebia convites, de pessoas diferentes, para almoçar ou jantar. Havia sempre alguém que dizia: “Não sei porquê, mas estava a cozinhar o almoço e senti que tu irias gostar de comer algo diferente. Então trouxe-te para tu comeres.”

Quanto à minha cadela, a minha colega lembrou-se que me poderia fazer jeito alguns restos de comida e ossos que ela tinha em sua casa. Senti uma enorme alegria, paz e descanso. Esta experiência permitiu-me desfrutar do doce sabor da vida eterna, pois ela foi manifesta na minha vida de uma forma bem visível através do agir de Deus.

Quando nós conhecemos Deus como único e verdadeiro e reconhecemos Jesus como aquele que foi enviado por Ele para que este fosse a expressão da sua existência, nós permitimos que a glória de Deus seja manifesta na nossa vida. Deus enviou o Seu Filho para que nós entendêssemos que, ao aceitá-lo, apesar de estarmos no mundo, não pertencemos a este mundo, ou seja, não é o mundo que dita o nosso futuro, a nossa vida, a nossa capacidade, o desenrolar da nossa história. Quem dita isso é Deus.

Agora, para podermos experimentar tudo isto, temos que tomar a decisão de buscá-l’O em primeiro lugar, antes de reclamar, antes de nos irarmos, antes de nos frustrarmos, antes de rebentarmos e desistirmos, seja em que área for. João 17:1-8

Desde que uma pessoa se converte e, ao longo da sua caminhada com Deus, ela ouve falar inúmeras vezes que, ao aceitar Jesus como seu Senhor e Salvador, ela recebeu a vida eterna. No entanto, muitas vezes existe uma certa dificuldade em entender o que é a vida eterna, quais são as suas implicações e como caminhar na sua revelação. Para isso devemos primeiramente ter consciência de que a vida eterna não é alcançada no Céu; ela é alcançada aqui na terra a partir do momento em que se conhece Deus por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo a quem Deus enviou. É imprescindível que se cumpram estas duas condições em simultâneo:

“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17:3)

Peça a Deus que o seu conhecimento sobre a vida eterna não seja meramente teórico, mas que no fundo venha a experimentar o seu doce sabor, para que venha a viver com base em tudo o que ela implica e para que conheça a Deus como aquele que dita o desenrolar de cada situação da sua vida.

Declare que o dono, o Pai, o Senhor, o Deus da sua vida é DEUS! Ele é dono da sua vida, da sua família, da sua casa, das suas finanças, dos seus estudos, da sua mente, da sua boca, das suas emoções, das suas amizades, do seu ministério, de toda a sua essência. Ele jamais lhe deixará faltar alguma coisa, pois Ele é Seu e você é d’Ele.

Assuma uma postura na sua vida que expresse a sua decisão de viver com base na vida eterna com Cristo e peça ao Pai que lhe dê força, coragem e sabedoria para conseguir lidar com as questões que envolvem as diversas áreas da sua vida.

A vida eterna é agora! Experimente, aproveite e desfrute!

Antónia Pinto Neto

Formadora de Inglês e Coordenadora da 3T Home School.

PACIÊNCIA DE JOB

956 635 Aliança Evangélica Portuguesa

Ao falar com alguém recentemente sobre como enfrentamos a adversidade na vida, a figura de Job e as variadas questões que o relato bíblico levantam vieram à tona. O povo português, com os seus muitos provérbios populares, refere-se geralmente a Job quando quer qualificar a paciência, ou a falta dela, de alguém. E talvez perante as situações inesperadas da vida, como as que têm resultado do surgimento do novo vírus COVID-19, possamos verbalizar o nosso sentimento comum, “É preciso ter paciência de Job.”

Paciência é talvez a atitude que, no mínimo, precisamos ter ao nos confrontarmos com os contratempos na vida, embora sejam precisas outras atitudes certamente. Essa atitude é geralmente definida como a “capacidade de suportar contrariedades, incómodos e dificuldades com calma e tranquilidade”. Ao pensar neste vocábulo, concluí que a maior parte das vezes associamo-lo a uma sensação positiva, quando na verdade ele tem em si mesmo uma dimensão de sofrimento; basta lembrarmo-nos do substantivo ‘paciente’ que se refere a alguém que padece/sofre.

Qualquer conversa sobre sofrimento não é geralmente apaziguadora, pois a tendência humana é fugir dessa experiência a todo o custo. E não querendo soar mórbida, é a mesma reacção que temos perante as questões da dor e da morte. Se é verdade que não conseguimos evitar uma grande parte das dores e sofrimentos que experimentamos, talvez seja possível – e eu acrescentaria crucial – termos uma perspectiva diferente perante elas.

Essa percepção diferente em enfrentar a adversidade na vida talvez precise passar pela verbalização das nossas tristezas com mais alguém. Há um provérbio sueco que diz, ‘Alegria partilhada é alegria dobrada; tristeza partilhada é tristeza dividida pela metade.’  Talvez essa partilha não possa ser feita com todas as pessoas, nem se tornar o nosso único tópico de conversa; mas é certamente uma forma de tirar para fora algo que precisa ter nome e abrir portas para apoio mútuo entre companheiros na jornada da vida. Surpreendentemente, ou talvez não, descobriremos que ao expressarmos a nossa vulnerabilidade sentimos um certo alívio e renovar de forças, como também ganhamos uma maior consciência de que o relacionamento fica fortalecido por essa confissão mútua de experiências.

A admissão e verbalização da vulnerabilidade dá espaço para que a vida emerja, e o amor se revele. Esta não é uma fórmula matemática no sentido de ‘se eu fizer isto, então resultará naquilo’. Contudo, julgo que temos constatado que a vida e o amor emergem muitas vezes em circunstâncias inesperadas. Já vimos certamente uma pequenina flor brotar através de uma racha no pavimento. Essa imagem é uma boa ilustração de que a vida é resiliente e desponta mesmo através das rachas da nossa dor, tristeza, fragilidade.

Para mim, pessoalmente, essa é a mensagem que a pessoa e a história de Job me comunicam. Não há a certeza de termos resposta para tudo na nossa vida, incluindo questões como a dor, sofrimento e morte. Contudo, quando admitimos e verbalizamos a nossa fragilidade, encontramos Aquele que nunca nos deixou, não nos deixa, nem deixará. Ele vai à nossa frente, acompanha-nos e segue atrás de nós, encorajando-nos. Esta não é ‘conversa fiada’ como costumamos dizer, mas é a experiência de muitos que têm colocado a Sua confiança em Deus e decidiram encarar a vida com os Seus olhos, mesmo no meio da adversidade. Um desses casos é o de Paulo que testemunhou, “Alegro-me, portanto, com as fraquezas, as injúrias, as privações, as perseguições e as angústias que passei por amor de Cristo. Pois quando me sinto fraco, então é que sou forte.” (2 Cor. 12:10, BPT09).

Num momento pessoal de particular dor e isolamento, as palavras de quem já tinha passado por doença, sofrimento e até morte, verbalizaram o meu sentir e me animaram com a certeza da companhia d’Aquele que me tem como filha amada. Deixo essas palavras aqui no desejo que elas possam igualmente trazer conforto e ânimo a quem delas precise:

“Ainda que eu ande por um vale escuro como a morte, não terei medo de nada. Pois tu, ó Senhor Deus, estás comigo; tu me proteges e me diriges.” (Salmo 23:4, NTLH)

Raquel A. Espinhal Pereira
Secretária académica e professora em instituição bíblica-teológica (www.eunc.edu).

Consumo, em tempo de pandemia

955 635 Aliança Evangélica Portuguesa

Nos últimos tempos, devido à pandemia pela qual o mundo está a passar, muito se tem falado sobre quão benéfica tem sido essa paragem forçada para refletirmos acerca de como estávamos a levar as nossas vidas, rever as nossas prioridades e refazermos a rota.

Voltar à vida como levávamos antes, já não será possível. O mundo mudou. Voltar ao “normal” implica voltar a um estilo de vida diferente. O que é que isto quer dizer? Apesar dos dias estarem a ser maus e ter pessoas a sofrer seja pela perda de um ente querido que foi infectado pelo coronavírus ou pela perda do emprego, algo de muito bom está a acontecer. O Planeta Terra tem respirado aliviado e agradecido pelo isolamento social.

Um dos efeitos positivos da pandemia é a diminuição da emissão de gases que contribuem para as mudanças climáticas. Isso porque o fechamento temporário das indústrias e a diminuição da circulação de veículos tem resultado num ar mais limpo.

Numa reportagem da revista brasileira EXAME, é citada a redução de dióxido de nitrogénio (NO2) em fevereiro, na cidade de Wuhan, epicentro da pandemia do COVID-19. Cidades como Madrid e Barcelona, onde foram tomadas medidas drásticas acerca do isolamento social, também está a acontecer o mesmo.

De entre todas as mudanças que ocorrerão quando tudo isto acabar, uma delas será no hábito de consumo. Várias pessoas já se deram conta de que a forma como consumimos precisa de ser repensada urgentemente. O desmatamento das florestas e a exploração do solo são alguns dos males que o consumo desenfreado tem causado à natureza. De acordo com a ONG World Wide Fund for Nature (WWF), a população mundial consome cerca de 30% a mais do que o Planeta consegue repor. Vários são os motivos que nos levam a um consumo desenfreado. Desde ser aceite no meio em que convivemos, ou para preencher algum vazio existencial. O facto é que, como discípulos de Jesus, temos responsabilidades no que diz respeito aos cuidados com o Meio Ambiente.

Como seguidores de Jesus, devemos cultivar em nós a essência da simplicidade, do não acumular. Com os grandes centros de lojas fechados temos nos dado conta do que sempre soubemos, mas tínhamos ignorado: não precisamos de muito para viver e sermos felizes. A nossa alegria e a nossa suficiência vêm do nosso Pai, fonte de toda satisfação.

É hora de sermos gratos com o que temos e darmos cara nova àquele objeto que provavelmente iria para o lixo, usando a nossa criatividade dada pelo próprio Deus, e que costuma aflorar em tempos como estes que estamos a viver. Seja uma garrafa que pode virar um vaso, ou uma embalagem de vidro que se pode transformar em porta-mantimentos. Até mesmo aquela roupa que estava de lado e que podemos transformá-la em outra peça de roupa. Além disso, quanto menos consumimos, mais podemos contribuir para a expansão do Reino e sermos agentes das Boas Novas a quem precisa neste tempo de desesperança.

O momento presente convida-nos a simplificarmos as nossas vidas. O próprio Jesus não tinha nem onde reclinar a cabeça. Como discípulos Dele, somos desafiados a cada dia a buscarmos o “ser” ao invés do “ter”. Sermos como Ele, vivendo com o suficiente e com o coração preenchido com o que é eterno, onde nenhuma traça corrói e ladrão algum rouba.

 

Suellen Figueiredo
Designer de Moda, especialista em Consultoria de Imagem e Estilo

Avós e netos, em tempo de pandemia

626 417 Aliança Evangélica Portuguesa

“O maior orgulho e alegria para os velhos são os seus netos;” (Provérbios 17:6, A Bíblia Viva)

Olhamos para os nossos netos e vemos o que os pais deles ainda não conseguem ver completamente: vemos a sua perfeição, a sua inteligência, perspicácia, alegria e força de viver, o reflexo dos próprios pais e o nosso reflexo também; vemos o presente e o futuro, o nosso legado a estender-se por mais uma geração!

Vemos a sua personalidade maravilhosa e o seu caráter em formação, sob a orientação e responsabilidade dos pais (Graças a Deus!)

E pensamos: “Já por lá passei… É um grande desafio… No fim, vai bater tudo certo… As traquinices fazem parte da vida. Eles estão a aprender. E eles vão crescer, tornar-se pessoas de bem, pessoas fantásticas, como os seus pais…”

Os nossos pequeninos são um mundo novo de oportunidades para nós! O nosso tesouro, a nossa grande alegria! Amamo-los como nunca conseguimos amar ninguém, e nem sequer sabemos como é que isso nos está a acontecer, como é que é possível…

É maior do que nós! É um amor diferente daquele que temos pelos filhos… É uma dádiva divina, uma bênção sublime!…

Nestes dias de isolamento, sentimos a falta deles mais do que conseguimos explicar em palavras… Sentimos, profundamente, a falta de os abraçar, de ficarmos sentados no chão a brincar com eles, como se fôssemos crianças também. Sentimos falta daquele cansaço saudável de umas boas corridas atrás deles, das gargalhadas em conjunto, até não termos força para rir mais!

Sentimos falta de lhes preparar o almoço ou o lanche, de os levar a sítios onde têm de ir, de cantarmos juntos no carro! Sentimos falta de fazer rimas divertidas, ler e contar histórias, responder às suas perguntas incríveis e mostrar como se fazem, de forma simples, coisas que lhes parecem muito difíceis!

A maioria dos avós tem a possibilidade de contactar os seus pequeninos por telemóvel ou por vídeo-chamada. Que bênção! Como estou grata ao Senhor por esses meios tecnológicos, que me permitem ver e ouvir os meus netos todos os dias! Ali ficam eles, mesmo à frente dos meus olhos, com toda a sua vivacidade! Não posso tocar-lhes, mas posso vê-los. Sinto-me grata, tão grata por esses momentos!

Durante o dia, oro por eles e pelos seus pais. Peço ao Senhor que guarde a cada um deles e que os leve em segurança até ao fim desta espécie de guerra que estamos a viver. Oro para que o Senhor alivie o cansaço dos pais, que os fortaleça, anime e ajude em todas as suas tarefas, tanto no cuidado das crianças como no teletrabalho. Oro para que Deus lhes dê a perspetiva melhor do que lhes está a acontecer: o privilégio de estarem mais tempo com as suas crianças, de as conhecerem melhor e de as amarem – de facto – incondicionalmente!

Avós, sei perfeitamente como se sentem. Não se desesperem, não fiquem ansiosos, lancem para longe a tristeza e a depressão. Tirem forças da vossa fraqueza, permaneçam saudáveis, ativos e animados! Este tempo vai chegar ao fim e os vossos netos vão querer recuperar todo o tempo perdido! Vão precisar de todos os abraços que estão a ser armazenados agora, de todo o amor e de toda a compreensão. Em breve eles irão “invadir” a vossa casa e a vossa vida com aquela alegria especial, que só eles têm!

Esperar com paciência no Senhor é uma arte que se aprende… Vamos aprendê-la?

 

 

Clarisse Barros
Professora e Escritora

Mudanças necessárias!

957 637 Aliança Evangélica Portuguesa

Vivemos um tempo de grande perplexidade, medo, preocupação, privação. Como cristãos, é a oportunidade de aprofundar a nossa fé. Como Jeremias, podemos dizer: “Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade!” Lm 3:21-23

O sofrimento é esperado num mundo que jaz no maligno. Em vez de nos chocarmos com o mal, nós devíamos surpreender-nos com o bem, com o facto de continuarmos amados por Deus, com a bondade de Deus manifesta de inúmeras maneiras – o sol continua a brilhar, a natureza renova-se – e, principalmente, Cristo provou o Seu amor na cruz.

C.S Lewis diz que o sofrimento é o megafone de Deus. É legítimo orar para Deus aliviar o sofrimento, mas precisamos também de perceber a mensagem que Deus está a enviando à humanidade, à sua igreja e a cada um de nós.

Não pretendo ser porta-voz de Deus, mas apenas sugerir algumas linhas de reflexão.

Para a humanidade: esta pandemia mostra que somos todos afetados pelo que acontece na terra, mesmo se for do outro lado do mundo. Mostra que o desenvolvimento tecnológico não se acompanhou de um desenvolvimento social equilibrado. E este desequilibro torna a vida muito precária. Somos frágeis, vulneráveis e efémeros. Daí a necessidade de sermos solidários, de rever as nossas prioridades, este modelo económico insustentável, a grande desigualdade social, a falta de investimento em saúde, saneamento básico e educação, principalmente nos países mais pobres. Como cidadãos, precisamos rever os nossos padrões de consumo, consumir menos bens materiais e mais bens culturais, gerar menos lixo e gastar menos recursos finitos da terra, apoiar ações solidárias em direção aos excluídos, aos que sofrem, aos desfavorecidos. É notável que, enquanto homens morem asfixiados pelo vírus, a natureza respira, a poluição diminui.

Para a Igreja: perceber que sua essência são as pessoas, que precisamos de investir mais em pessoas que em locais, priorizar o exercício da fé em família, nas casas. Zelar pela qualidade dos nossos vínculos familiares. Rever os nossos modelos e padrões religiosos para promover o exercício dos dons. Não há membro inútil no corpo. No entanto, muitos se contentam em assistir ao culto e, no máximo, contribuir financeiramente. Somos todos sacerdotes, todos missionários e discípulos de Cristo. Chamados a aprender a amar e servir a Deus no outro. Talvez o primeiro passo seja realmente confessar as nossas falhas e omissões e iniciar um processo de mudança: orando e tomando iniciativas. Lembremos 2 Cr 7:13,14 “Se eu fechar os céus, e não houver chuva; ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra; ou se enviar a peste entre o meu povo; E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.”

Individualmente: Deus convida-nos a nos aquietar, entrar no quarto do nosso coração e nos aproximar para aprofundar a nossa intimidade com Ele. Deus convida-nos a derramar o nosso coração e a receber a Sua paz, Fp 4:6,7 “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.” Aprofundar a nossa intimidade é também aprender a silenciar para ouvi-Lo através da Sua Palavra e das revelações que Ele quiser nos dar.

A partir do seu acolhimento incondicional, podemos olhar para dentro de nós neste tempo de quarentena e de quaresma para identificar e confessar aquilo que distorce a Sua imagem em nós. O pecado distorce a nossa visão de nós mesmos e do mundo. Assim como Jesus curou o cego, ele quer hoje curar a nossa cegueira espiritual.

Que possamos enxergar na Sua Luz para iluminar outros. Sigamos o conselho de Paulo aos Ef 5:8-10 “Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade; e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor.”

Resumindo: Vamos lavar as mãos e também o coração. Aproveitar este tempo de quaresma/quarentena para refletir sobre a nossa vida, as nossas escolhas, confessar os descaminhos e reorientar a nossa vida de acordo com os valores do Reino, cuidando do nosso coração, do próximo e do mundo que Deus nos confiou.

Estamos vivendo uma crise. Crise, no ideograma chinês é perigo e oportunidade. Se tirar o s, sobra crie! É oportunidade de desenvolver novas habilidades e delinear novas prioridades. Uma paragem para gerar um recomeço. A Graça é a possibilidade de recomeçar sempre!

Que todo o sofrimento deste período seja revertido em transformação para nos tornar mais parecidos com Cristo! Amém!

 

Isabelle Ludovico da Silva
Psicóloga clínica com especialização em Terapia Familiar Sistémica.

isabelle@ludovicosilva.com.br

O SENTIR DE UMA CIDADE

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Como se fossemos numa viagem, ao ler a Bíblia encontramos diferentes paisagens, climas, ambientes, dinâmicas e preocupações em cidades daquele tempo.

Quatro cidades

Curioso é que, por vezes, também descobrimos “sentimentos” nestas cidades. É verdade, o texto refere o “pulsar do coração” desta e daquela cidade, como se de uma pessoa se tratasse. Recordemos aqui algumas delas:

Belém: Cidade comovida

“Assim, pois, foram-se ambas, até que chegaram a Belém; e sucedeu que, entrando elas em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e diziam: Não é esta Noemi?” (Rute 1:19)

Susã: Cidade confusa

“Os correios, pois, impelidos pela palavra do rei, saíram, e a lei se proclamou na fortaleza de Susã; e o rei e Hamã se assentaram a beber; porém a cidade de Susã estava confusa.” (Ester 3:15)

Jerusalém: Cidade perturbada

“E o rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele.” (Mateus 2:3)

Samaria: Cidade alegre

“E havia grande alegria naquela cidade.” (Actos 8:8)

E a sua cidade?

Que adjectivo lhe atribuiria, hoje? Como se sente a sua cidade? Possivelmente sente o mesmo que a minha. Há lojas fechadas, edifícios escolares silenciosos, ginásios sem movimento, ruas quase desertas. As nossas cidades estão perplexas, receosas, perante a propagação rápida do coronavírus e todos os perigos daí decorrentes. O que lhe caberá fazer?

“Ah, mas eu, sozinha, pouco poderei fazer pela minha cidade…” Talvez seja este o seu pensamento. Contudo, acredito que cada um(a) de nós pode fazer mais do que imaginamos. É que, nos quatro exemplos acima referidos, o sentimento de cada uma das cidades foi despertado por uma pessoa só. Veja:

Belém – o regresso de Noemi

Susã – a perversidade de Hamã

Jerusalém – a perturbação de Herodes

Samaria – a pregação de Filipe

Deixe que Deus a use, como Ele quiser, em favor da localidade onde vive.

Duas ideias

Aqui estão elas:

– Cumprir à risca tudo aquilo que tem sido recomendado, sem banalizar as informações oficiais que vamos tendo sobre a situação e valorizando a experiência de outros países onde o vírus fez adoecer primeiro. 

– Reconhecer o amor de Deus pelas cidades e o Seu poder para curar a terra, e interceder em oração, lembrando estas Suas palavras: “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” (II Crónicas 7:14)

Nestes dias, li algures esta frase: “Não está tudo bem, mas vai ficar.” Acredito que sim, confiando no amor e na protecção do nosso Deus.

Para todas, um fim-de-semana abençoado.

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária

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