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Geral

A CEVADA DE RUTE

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“Deixa-me colher e juntar espigas por entre os molhos após os segadores.” (Rute 2:7)

Tenho pensado em Rute.

Aflorou no meu pensamento quando pensava na imensa vulnerabilidade dos migrantes.

Quando se dão crises socioeconómicas em algum lugar, seguem-se movimentos migratórios dos locais onde escasseia o alimento, o emprego, o dinheiro, as oportunidades, a paz, a segurança, etc, para locais onde estes são mais abundantes. Facilmente se conclui que, desde há milénios, os cereais são um forte atractivo e uma das principais bússolas destes movimentos populacionais.

Rute e Noemi chegaram a Belém no princípio da sega da cevada. Tinham viajado a pé, partindo de Moabe, terra natal de Rute.

A cevada foi um dos primeiros grãos cultivados no Crescente Fértil, estimando-se que tenha sido  domesticada em 8000 AC a partir do seu progenitor selvagem Hordeum spontaneum. Os registos arqueológicos dão conta do cultivo da cevada em 5000 AC no Egipto, em 2350 AC na Mesopotâmia, em 3000 AC no noroeste da Europa, e em 1500 AC na China.

A cevada, Hordeum vulgare, foi a principal “planta do pão” dos hebreus, gregos e romanos e também de grande parte da Europa até ao século XVI. Actualmente, representa a quarta maior colheita de grãos do mundo (depois do trigo, o arroz e o milho).

Rute e Noemi estavam em luto. Rute, do marido. Noemi, do marido e dos filhos.

E a história começa assim: “E sucedeu que, nos dias em que os juízes julgavam, houve uma fome na terra”.

Não é certo, mas levanta-se a hipótese de ter sido Samuel o seu escritor, por volta do ano 1322 AC.

Falava de fome.

Pois bem, foi este o motivo que levou Elimeleque, efrateu, natural de Belém de Judá, a “peregrinar nos campos de Moabe”. Consigo foram a esposa, Noemi, e os seus filhos, Malom e Quiliom.

Moabe ficava do outro lado do Mar Morto. Terra montanhosa. Povo em frequente conflito com Israel. A língua talvez não fosse muito diferente. A religião, ao contrário da de Israel, era politeísta.

A família procurou saciar a fome no campo deste povo estrangeiro.

Assentaram.

O marido de Noemi não mais regressou ao país natal. Noemi enviuvou.

Os filhos cresceram e casaram com mulheres da terra que os acolhera, as moabitas Rute e Orfa.

Depois, também estes morreram. Sobraram três mulheres, cada uma com a(s) sua(s) perda(s). Aqueciam-se em conjunto, em torno da fogueira desolada do luto.

Mulheres, em tempo de homens. Viúvas, em tempo em que eram votadas ao desprezo. Uma das quais desfilhada. Como (sobre)viver daqui para a frente?

Adaptável a um espectro climático mais amplo do que qualquer outro cereal, a cevada possui variedades em áreas temperadas, subárcticas ou subtropicais. Embora o crescimento se dê melhor em estações de pelo menos noventa dias, é capaz de crescer e amadurecer num período mais curto do que qualquer outro cereal.

Corriam rumores de que em Belém havia alimento outra vez. Esta notícia foi uma brisa de alento para Noemi.

As três mulheres levantaram-se e começaram a caminhar. Para Noemi seria um regresso. Agora seria a vez de Rute e Orfa serem estrangeiras do outro lado do Mar Morto.

Davam passos iguais uns aos outros quando, num instante, Noemi se deteve. Olhou para as mãos. Já tinha perdido quase todos, quase tudo. Abriu as mãos. Completamente. Não quis agarrar, não quis reter. Quis libertar, desenlaçar quem também tinha perdido muito. As suas noras.

“Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe; e o Senhor use convosco de benevolência, como vós usastes com os defuntos e comigo. O Senhor vos dê que acheis descanso cada uma em casa de seu marido.”, disse.

Noemi beijou-as. Levantaram a voz do sofrimento e choraram juntas.

Achando que nada tinha para lhes oferecer e que nada havia para esperar, insistiu com as noras para que seguissem o caminho da casa materna.

Choraram outra vez, sonoramente, juntas.

Orfa despediu-se e foi. Rute, porém, apegou-se a Noemi. “Eis que voltou tua cunhada ao seu povo e aos seus deuses: volta tu também após a tua cunhada”, reiterou Noemi.

Foi então que Rute declarou, férrea, irredutível: “Não me instes para que te deixe e me afaste de ao pé de ti: porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares à noite ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus; onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada: faça-me assim o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti”.

E foram.

Tempo e passos. Algumas pausas. Finalmente, chegaram a Belém.

“Cheia parti e vazia cheguei”, disse Noemi.

E quis mudar de nome. “Não me chamem Agradável (significado de Noemi), chamem-me  Amarga (Mara)”, instou às suas conterrâneas saudosas. “Porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso”.

Com maior resistência ao calor seco do que outros pequenos grãos, a cevada floresce em áreas próximas do deserto no Norte de África, onde é semeada principalmente no outono. As plantações semeadas na primavera são mais bem-sucedidas nas áreas mais frias e húmidas da Europa ocidental e da América do Norte.

Olharam em volta. Os campos, brancos. Um som de vento e fricção. A sega da cevada tinha começado.  As mãos rápidas dos ceifeiros tocavam harpa nas espigas. Colhiam e avançavam. Colhiam e avançavam.

O apelo do estômago vazio, um pensamento que lhe exigia ocupar-se, um sentimento de apego, um desejo de cuidar de Noemi foram as mãos que empurraram Rute para o campo.

Seguiu no encalce dos ceifeiros. Estes recebiam o salário ao fim de cada jornada de trabalho. Rute, não. Pediu a um dos segadores autorização para respigar. Quer isto dizer recolher as espigas e os grãos que escapassem às mãos dos segadores ou o que caísse no chão. E levava para casa. Fariam pão.

Ainda hoje, a farinha de cevada é utilizada para fazer pão de tipo ázimo (achatado) e papas, especialmente no Norte de África e em partes da Ásia, onde continua a ser um grão alimentar básico. Por conter pouco glúten, uma substância proteica elástica, a cevada não serve para fazer pão poroso (“insuflado”).

Actualmente, é utilizada principalmente como forragem verde e ração para o gado; como fonte de malte para bebidas alcoólicas, especialmente a cerveja; e ainda na produção de medicamentos; para além de ser componente de flocos e farinhas para panificação.

Boaz era o dono daquele campo. Pertencia à família e geração de Elimeleque, sogro de Rute.

Um servo deu conta do quanto Rute se esforçava dia após dia, do pouco descanso, e do cuidado que manifestava para com Noemi.

Um olhar de graça pousou em Rute.

“Que o Senhor recompense o teu feito. Que o Senhor, o Deus de Israel, sob cujas asas vieste buscar refúgio, te recompense ricamente”. Com estas palavras abençoou Boaz a Rute. E também com indicações aos seus servos para que favorecessem o trabalho desta estrangeira, a aproximassem das condições de trabalho dos jornaleiros e avolumassem o que esta recolhia e levava para casa.

Comentando com Noemi o sucedido, esta viu no agir de Boaz a mão providencial de Deus:

“Bendito seja ele no Senhor, que não tem deixado a sua beneficência nem para com os vivos nem para com os mortos”.

Um toque de graça humedeceu os olhos cansados de Noemi. Abriu-os e viu em Boaz um remidor. “Ele será restaurador da tua vida e consolador da tua velhice”, concordavam as conterrâneas.

Com efeito, a redenção chegaria. Da viuvez de Rute, no despertar de descendência aos que tinham partido, e colocando um neto no regaço de Noemi para esta cuidar.

De seu nome, Obede, viria a ser pai de Jessé, avô de David. Raiz de Jesus.

No campo científico, procura-se desenvolver variedades capazes de produzir sementes suficientes mesmo sob condições de elevada temperatura ou seca.

Afinal, como nasce um redentor na aridez do luto, na secura do deserto, no calor de uma terra estranha?

Eis que, de repente, Belém (Beit Lechem) volta a significar “Casa do Pão”.

Bibliografia:

– Livro de Rute (in Bíblia Sagrada)

– Encyclopaedia Britannica (www.britannica.com/plant/barley-cereal)

Abigail Ribeiro

Médica Psiquiatra

Paixão Global 2030

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O mundo está em mudança. Perante todos os desafios da atualidade, como trazer esperança e ânimo a quem está cansado e preocupado? Como mostrar amor ao próximo? Como é que podemos ser uma igreja relevante na comunidade, nos dias de hoje? A pensar em todas estas questões, nasceu o projeto “Paixão Global 2030”, baseado no desafio de Amar a Deus e ao próximo.

Trata-se de uma iniciativa missionária da Aliança Evangélica Portuguesa – AEP, em parceria com a Missão Evangélica Intercultural – MEVIC, que pretende chamar o povo cristão de volta à paixão por Cristo e à compaixão pelos perdidos e pelos que sofrem nos países de língua oficial portuguesa, e não só. A partir deste resgate da paixão e da compaixão, e com base na oração constante, pretende-se motivar e mobilizar a comunidade evangélica lusófona para a plantação e revitalização de igrejas, ao despertamento de liderança jovem, à abordagem e colaboração multiculturais e outros assuntos com relevância para a expansão do Reino de Deus.

Haverá uma pré-conferência a 17 de abril. Já a conferência de lançamento acontecerá no dia 24 de Abril de 2021, a partir das 11h. Será um evento online e gratuito, aberto para todos os cristãos de todas as idades. Contará com diferentes plenárias, debates, workshops e ainda com um concerto para celebrar a Lusofonia.

O link para inscrição na Conferência é: http://bit.ly/PG2030
Logo em seguida receberá emails com as indicações de como poderá registar-se nos workshops da sua preferência ou paixão e de como participar na pré-Conferência do dia 17/4.

Haverá também vários programas opcionais de mentoria anual, correspondentes ao tema de cada workshop. Recomendamos a participação de cada cristão em um deles.

Mais info em paixaoglobal2030.com

Fica o desafio para se envolver, desde já, connosco neste projeto missionário “Paixão Global 2030”!

A arte no propósito divino

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O meu nome é Vânia Magalhães e sou formada na área das artes plásticas e banda desenhada/ilustração.

Um convite

Em Novembro de 2019, recebi um convite inesperado de uma amiga para ir até à Guiné-Bissau, com a missão de pintar um mural, numa escola de uma aldeia missionária, construída pelo projeto missionário Semeadores de Alegria, da família Paulo e Jéssica Durão que atuam na Guiné-Bissau, com o foco de trabalhar com crianças e com um projeto de construção de uma aldeia missionária, da qual fazem parte uma escola, centro de saúde, recursos e infra-estruturas. No seu coração está este desejo de amar como Cristo: semeando paz, esperança e alegria.

Na verdade, essa minha amiga já tinha praticamente tudo planeado para ir até lá com a filha, para darem formação na área do ensino e havia também o tal mural para pintar, tarefa que inicialmente pensaram em fazê-lo.

Um dia ao cruzar-se comigo, essa minha amiga pensou: “A Vânia é que era boa para pintar”, e pronto, assim surgiu o convite. Eu nunca tinha tido o sonho missionário africano, mas depois de alguma hesitação, aceitei.

Um passo de fé

Nesse tempo, eu era voluntária na equipa do Desafio Jovem (Operação Josué) e por isso não tinha recursos para poder financiar a viagem, os materiais e outros recursos. E logo aí foi um passo de fé, mas como Deus deseja que primeiro coloquemos o pé, para que Ele coloque o chão, assim foi: a minha amiga teve a ideia de criar um fundo de doações para me suportar na viagem e esse foi o primeiro dos milagres que Deus tinha reservado.

Um anónimo decidiu doar um valor muito alto e que acabou por financiar praticamente quase toda a viagem, em conjunto com a generosidade de tantas outras pessoas a quem Deus despertou o coração. E lá fomos. Eu tinha o desejo de fazer algo grande e excelente, porque não é todos os dias que temos a oportunidade de pintar na Guiné!

Depois de aterrarmos e de termos tido um tempo de descanso, viajámos até à aldeia missionária e lá ficámos quase uma semana. A vida na aldeia é de um despojamento total, apesar dos missionários terem feito (e continuarem a fazer) um excelente trabalho no investimento de infraestruturas e recursos. Por conta disso, nós acabámos por ficar num alojamento lá na aldeia com muitas condições – eu gostaria de ter tido uma experiência mais radical, de ter mergulhado mais na cultura e no estilo de vida guineense mas, quem sabe, fica para uma próxima oportunidade!

Pintar um mural

Foram quatro dias a pintar em horário alargado: as pausas eram para comer e repousar e depois pincéis a funcionar! Acabei por fazer um mural muito maior do que o que tinha planeado, e ainda conseguimos fazer mais uma pequena pintura numa outra parede: foi realmente um projeto muito ousado para o tempo que tínhamos para o realizar, mas não podia ter sido de outra forma.

Das coisas que mais me marcaram, foi a capacidade de deslumbramento daqueles jovens e crianças que ficavam horas pendurados nas janelas da sala onde eu pintava, simplesmente para acompanhar o processo da pintura.

Muitas vezes, era já noite e eu com os holofotes ligados a tentar escapar aos mosquitos, e as crianças lá fora a observar cada traço do pincel, cada mistura de cor, num deslumbramento puro e genuíno. De cada vez, que surgia uma criança que ainda não tinha vindo espreitar, ouviam-se sons de encantamento e espanto que são universais em qualquer língua do mundo.

Desafiou-me a pensar que deste lado do mundo, no nosso mundo ocidental e tão evoluído, cada vez menos temos o desejo ou a capacidade de nos deslumbrarmos até com as coisas mais simples. O que ainda nos deslumbra?

Servir com a arte

Eu vivia um pouco desconetada do meu talento de pintar e desenhar, porque em mim sempre existiu o desejo de servir a Deus, porém eu achava que servir a Deus através da Arte era uma espécie de “serviço menor”. Servir a Deus devia ser com a Medicina, com a missão, com o evangelismo mas não com a Arte. Como é que a Arte poderia mudar vidas? Como poderia trazer esperança a um mundo caótico?

A experiência da Guiné acabou por me reconciliar com este talento e enquadrá-lo com o Reino de Deus. Hoje entendo que a Arte tem um propósito divino muito claro: ser a manifestação do Belo, da Beleza, ou seja, marcar em beleza um mundo caído e desfigurado da imagem de Deus e do seu projeto original.

Apesar da criação estar cada vez mais longe do Seu Criador e o mesmo ter acontecido com a Arte, que cada vez mais se tem afastado do Primeiro Artista – transformando-se em subversiva, mas desprovida do Belo – a criação carece da Arte, para recuperar e pontuar a sua Beleza.

Então, a Arte que revela a Beleza do Criador e ressalta a Beleza da criação tem um propósito e uma missão divina, tão necessária como qualquer outra expressão de serviço. Hoje, isso é algo que está apaziguado no meu entendimento.

Deus de milagres

Para além da pintura, tive ainda o privilégio de poder participar de um culto na aldeia missionária, onde os momentos de louvor até hoje ecoam nos meus ouvidos. Como é possível um tempo de adoração composto única e exclusivamente de vozes e palmas conseguir penetrar tão profundamente o nosso coração? Creio que a simplicidade do louvor, mas o desejo profundo de louvar, cativam o coração do nosso Deus.

Ainda nesse culto tive o privilégio de pregar e de repente não sabia bem o que havia de falar.  Como partilhar o Evangelho naquela realidade? O que Jesus ensinaria naquele contexto?

Do púlpito, recordei a mulher da hemorragia interna, que mais do que um milagre no corpo, experimentou um milagre no seu coração, com a convicção profunda que Deus continua empenhado a fazer milagres em corações humanos, independentemente do lugar do mundo em que nos encontremos.

Vânia Magalhães

Licenciada em BD/Ilustração e Mestre em Artes Plásticas

Cooperadora no Desafio Jovem Portugal.

Centro Evangélico de Sintra (Vila Verde) transforma-se durante a semana em Centro de Vacinação Covid-19.

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As primeiras vacinas começaram a ser administradas no local esta quarta-feira. A inauguração contou com a presença do Vereador da Saúde da Câmara Municipal de Sintra, Eduardo Quinta Nova, e da Diretora Executiva do Agrupamento de Centros de Saúde de Sintra, Clara Pais.

Além da cedência das instalações, a Igreja Evangélica de Sintra tem disponível para oferecer a todos os utentes que ali forem vacinados o livro “Onde está Deus neste mundo?” de John C Lennox, com algumas reflexões sobre a Covid 19.

Aos domingos, o espaço volta a ser transformado em local de culto para depois, na segunda-feira ser novamente um centro de vacinação. É um exemplo de como a igreja pode servir a comunidade de forma relevante, em tempos de pandemia.

Brevemente com reportagem para o programa “Luz das Nações” na RTP2.

Sara Narciso
AEP Comunicações

“Super Histórias da Bíblia” regressam na Páscoa

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Preparámos mais dois programas especiais para crianças “Super Histórias da Bíblia” sobre a Páscoa, para transmitir no espaço “Luz das Nações” (Fé dos Homens) na RTP 2.

Terça-feira, dia 30 de Março, e sexta-feira, dia 2 de Abril, às 15h.

Para toda a família.
A não perder!

Pode ajudar a AEP através da sua declaração de IRS

814 1018 Aliança Evangélica Portuguesa

Hope Fest

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Vamos celebrar juntos a Páscoa online na sexta-feira, 2 abril, às 21h com o HOPE FEST. Será uma oportunidade para partilhar boas notícias cheias de Esperança!

No programa vamos contar com histórias, testemunhos, música, Palavra e desafios.

Com Macaia, Ricardo Coelho, Isaac Reis, entre outros convidados.

Para acompanhar online em:

-Site: https://hopefest.pt

– Facebook: https://fb.me/e/u2R4mrZH

-YouTube: https://youtu.be/d5nyZwHKeVo

-Instagram: https://Instagram.com/hopefest_

Direção musical: Ricardo Coelho
Produção: Nuno Coelho
Organização: Aliança Evangélica Portuguesa

Mais info em https://hopefest.pt

Ajudar em tempos de pandemia

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

São muitos os que neste tempo de pandemia têm ficado mais vulneráveis. Desde logo, aqueles que, em condições normais, já são desfavorecidos em questão de desigualdade social: os refugiados, imigrantes, os que têm menos qualificações, os que têm trabalhos precários, os que têm menos acesso a recursos digitais e as vítimas de violência doméstica.

Se conhece alguém nestas ou noutras situações de fragilidade, e se, dentro das suas possibilidades e com as devidas proteções, puder ajudar, faça-o com sabedoria e prudência.

Eis aqui alguns exemplos de ajuda que poderá dar:

– Ofereça alguns alimentos a uma família desempregada ou imigrante perto de si, e que tenha algumas necessidades nesta ou noutras áreas básicas (use sempre as devidas proteções).

– Se tem uma empresa e pode oferecer trabalho a alguém, faça-o.

– Dentro do possível, compre e consuma produtos da economia nacional (é grande o número das empresas que não consegue subsistir neste tempo, sem vendas e abre falência).

– Se tem um PC a mais e pode emprestar ou oferecer, faça-o. Há crianças que podem precisar para os trabalhos escolares.

– Se conhece alguém que passa ou passou situações de violência doméstica, ofereça-se para ajudar, para ouvir, para ser pessoa de confiança.

– Nas redes sociais, ou por telefone, tente estar em contacto principalmente com pessoas que estão sós. Escreva e fale mensagens de esperança, encorajamento e ânimo.

Por vezes, nem todas as pessoas conseguem logo pedir ajuda explicitamente, e, tal como os quatro amigos que levaram o paralítico a Jesus (Mateus 9:2-6), é possível que neste tempo tenhamos de “carregar” alguém na esteira das nossas orações, dos nossos cuidados ou mensagens de esperança. Sim, plantar esperança nos corações tristes deve ser tão frequente neste tempo, quanto desinfetar as mãos ou usar máscara.

Elsa Correia Pereira

Socióloga

A mulher e a oração

2240 1260 Aliança Evangélica Portuguesa

No dia 8 de Março, a cada ano, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Embora algumas investigadoras considerem esta explicação um mito, a realidade é que para a “História o que ficou é que a origem do Dia Internacional da Mulher remonta a 8 de Março de 1857, quando operárias russas e norte-americanas protestaram nos seus países contra as condições de vida e de trabalho. Contudo, só em Dezembro de 1977, a ONU instituiu a data para lembrar as conquistas femininas” (Como nasceu o Dia da Mulher (noticiasaominuto.com)).

E o Dia Mundial de Oração? Também tem uma data a assinalar. Ao que consegui apurar, é uma celebração móvel que ocorre na primeira sexta feira de Março e é celebrado em 170 países (curiosamente, muito próximo do dia 8 de Março – dia da Mulher – portanto!). Diz-se que o Dia Mundial de oração nasceu no século XIX quando mulheres cristãs dos EUA e Canadá iniciaram, através da oração, uma série de atividades de cooperação e apoio à participação de mulheres em obras missionárias pelo mundo.

E se juntássemos os dois dias? Assim, nasceu o Dia Universal de Oração da Mulher Cristã, cuja realização em Portugal, aconteceu pela primeira vez há 75 anos, no dia 8 de março de 1946, promovido pela Aliança Evangélica Portuguesa (AEP). Na altura, esta iniciativa foi organizada pela missionária Katherine Tucker, juntando-se para o efeito 43 mulheres.

Para os leitores localizarem historicamente este acontecimento, deixem-me apontar que, a AEP foi organizada em 1921, embora o seu estatuto legal tenha data de 1935. Contudo, apenas em 1939 foram admitidas como sócias as primeiras mulheres.

Hoje reconhecemos a oração como um pilar fundamental da igreja cristã evangélica, das nossas famílias e comunidades. Assim, queremos desafiar todas as mulheres portuguesas a tirarem um momento, neste dia 8 de Março, para ao telefone, pelas Redes Sociais, por videochamada, etc. terem um momento de oração com uma ou mais amigas. Lembrem-se dos exemplos bíblicos de mulheres de oração que fizeram a diferença no seu tempo: Ana, mãe de Samuel que orou no templo por um milagre e Deus lhe respondeu dando-lhe um filho (I Samuel 1) tão especial e dedicado ao Senhor. Ester, que convocou oração e jejum pelo livramento do seu povo. A viúva Ana (Lucas 2), que dedicou a sua vida a jejuar e orar no templo.

Sabemos que Deus responde ao clamor do Seu povo. Seja uma intercessora, pela sua família, a sua comunidade, a sua igreja, o seu país. Deus irá honrar o seu esforço e fé.

Elsa Correia Pereira

Socióloga e autora de “O Diário de Uma Mulher Feliz”

Deus cuida dos detalhes

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Eu sou a Marta e quero contar-vos a história muito especial do meu filho Rodrigo. Tudo começou em 2007, quando casei com o Nuno. Dois anos depois, sentimos que seria altura de pensar em ter um filho, o que constituiria uma alegria para toda a família… E um tempo depois, aconteceu!

O teste do pezinho

O Rodrigo nasceu em 2011, de cesariana, e por isso eu tive de ficar mais uns dias no hospital. Saímos no 6º dia, e no 7º dia o Rodrigo fez o teste do pezinho. Todos os pais fazem porque é obrigatório, mas normalmente nunca mais nos lembramos dele… O problema foi quando, passados 10 dias, chegou a nossa casa uma carta a dizer que havia ligeiras alterações no rastreio alargado do pezinho e solicitaram-nos uma nova amostra de sangue. Isto, para uma mãe que acabou de ter um filho, significa milhões de dúvidas sobre a ideia de não ser normal. “Nunca ouvi falar disto, porque é que estão a pedir uma segunda amostra?” Passados mais 10 dias, eu recebi um telefonema do Hospital de Dia das doenças metabólicas, para fazer novas análises. Mais uma vez nos disseram que o segundo teste tinha vindo com anomalias, e que seria necessário fazer análises mais específicas e enviar para o Instituto Ricardo Jorge, no Porto, que era onde estavam os especialistas em doenças metabólicas. Teríamos que esperar um mês e meio pelos resultados.

Duas mutações

Quando os resultados chegaram, no dia 18 de Maio, o Rodrigo tinha 2 meses. Ele tinha duas mutações. Uma delas era o VLCAD, uma doença ligada à cadeia dos ácidos gordos, da cadeia muito longa. Sobre a segunda mutação, o resultado dizia que “não se encontrava descrita na literatura”, pelo que seria necessária nova análise… Esta nova análise foi realizada num ambiente super protegido para não haver qualquer risco de contaminação, e foram retiradas amostras de sangue a mim e ao bebé, na Faculdade de Ciências de Lisboa, e enviadas para a Holanda, onde estão os maiores especialistas em doenças metabólicas, para analisarem a segunda mutação. Foi então que os profissionais de saúde explicaram melhor o que se passava – se o Rodrigo tivesse apenas um gene com mutação, seria portador, tal como eu e o pai, o que é uma situação raríssima ou seja, ambos somos portadores de uma mutação e, por coincidência, os dois passámos a doença ao nosso filho (podia não ter acontecido, sequer).

O que significa?

A primeira mutação do gene do Rodrigo –VLCAD significa que a enzima não processa os ácidos gordos da cadeia muito longa. Quais as implicações disso? O nosso corpo precisa de energia para funcionar. Ora, se a enzima não consegue processar os ácidos gordos, o organismo não teria energia e era necessário fornecer-lhe essa energia. Na altura, os profissionais de saúde tinham muito pouca informação. Foi-nos facultado o protocolo da doença VLCAD, em inglês. Eu sentia um misto de angústia e anestesia, pela surpresa da situação, mas uma das coisas que não me saía da cabeça era que uma das consequências graves da doença poderia ser coma ou morte. Para uma mãe, com uma criança de dois meses nos braços, não é fácil ler isto. A questão é: se o corpo não consegue produzir energia a partir dos alimentos, vai tentar ir buscá-la aos músculos, aos órgãos, “consumindo” a estrutura destes, e atacando especialmente o coração, podendo então provocar o coma ou a morte súbita.

A alimentação

Era regra para o Rodrigo comer de 3 em 3 horas, incluindo à noite. Bem, há pais que conseguem dar um biberão aos bebés, mesmo com eles a dormir, ou quase… Mas não era o caso do Rodrigo. Ele não acordava, serrava os dentes, não queria beber, só queria dormir, e quando era mais crescido atirava o biberão fora, só para poder dormir. Podem imaginar o nosso desespero como pais, sabendo que o nosso filho tinha esta doença, e que ela não tem outro tratamento a não ser comer… O nosso corpo adquire energia através dos açúcares (que se consomem rapidamente), dos hidratos de carbono, e caso não existam estas fontes de energia, o corpo vai buscar às “reservas” de gordura, coisa que o Rodrigo não tem. O corpo do Rodrigo tinha pois, de ser constantemente “reabastecido” de energia, caso contrário, poderia entrar em descompensação.

Os resultados chegaram da Holanda. Confirmou-se que o Rodrigo tinha VLCAD, embora, graças a Deus, fosse uma variante “leve”. No entanto, a doença era grave, havia pouca informação e o que se sabia é que o bebé não podia deixar de comer, independentemente do sono ou das birras…

Eu orei tantas vezes a chorar: “Por favor, Deus, guarda o meu menino, se ele não comer”. Tenho a plena consciência que Deus o guardou muitas vezes, e que eu fazia de tudo para o manter acordado, mas por vezes ele passava o número de horas estabelecido, pois não acordava.

O Rodrigo hoje

O meu filho tem agora 9 anos, e quem olha para ele não vê qualquer indicação de doença. Contudo, o Rodrigo tem restrições e tem de saber viver com elas, apesar de ser apenas uma criança. Por exemplo, numa festa de aniversário, ele não pode comer batatas fritas, gomas, doces, chocolates “à vontade” como os seus amiguinhos. Pode apenas comer uma destes alimentos pontualmente, pois o seu organismo não os processa.

Hoje, a informação sobre a doença evoluiu e o Rodrigo já pode tomar o MCT Oil, que é a gordura que o corpo humano processaria para obter energia, e também algumas vitaminas. Este produto e um outro medicamento são caros mas são comparticipados pelo Estado, o que é uma bênção grande.

A graça de Deus!

Apesar de todos estes condicionalismos, eu consigo ver a graça de Deus em cada detalhe, o Seu cuidado, proteção e amor. Outras pessoas há com doenças, das quais os médicos não conseguem detetar as causas, não conseguem identificar os tratamentos, o que nunca aconteceu com o Rodrigo. Por exemplo, eu soube de um caso que só ao fim de 10 anos foi detectado que a pessoa tinha uma doença metabólica, com todas as consequências que daí advieram, infelizmente. Eu conheço bem a angústia de não saber o que o meu filho tem, para se tratar convenientemente, e por isso agradeço a Deus que a doença tenha sido logo detetada no Rodrigo, prevenindo situações graves. Sei que o papel dos pais é fundamental, nunca deixando passar as rotinas alimentares e as tomas dos medicamentos, mas mais do que tudo sei que Deus cuidará de cada detalhe, como até aqui, e é isso que sossega o meu coração. O Rodrigo até hoje é acompanhado pelas Unidades Metabólicas e pela Cardiologia, realizando Holters frequentes. É um menino saudável, apesar de tudo, que gosta de saltar e pular, correr e brincar, e isso é a graça de Deus visível na sua vida, na nossa vida!

Com este meu testemunho, quero expressar a enorme gratidão que eu tenho para com Deus e a serenidade que tenho dentro de mim pela certeza de que, seja qual for o problema, podemos colocar sempre aos pés de Deus e Ele, na Sua infinita misericórdia, nos ouvirá e resolverá, caso seja essa a Sua vontade. Para Ele nada é impossível.

Marta Aleixo

Assistente executiva

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