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Geral

Uma Mesa Preparada – Lídia Pereira

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

Quer sejam sóbrias ou requintadas, como são bonitas as mesas que aguardam comemorações especiais! Umas destacam-se pela simplicidade, outras pelo valor das suas peças, mas todas têm o cunho pessoal de quem as preparou. Há pormenores que lhes são comuns: as toalhas que as vestem, floridas ou de linho, sem rugas ou manchas de festejos anteriores, os guardanapos a condizer, os pratos alinhados, a disposição dos talheres e copos brilhantes, de vidro simples ou de cristal, e o perfume que sentimos pela maneira como foram tratadas antes de se estenderem, elegantes e cuidadas, diante dos nossos sentidos.

É-nos comum demorar o olhar nas imagens apresentadas em revistas, atentando para os pormenores, fixando ideias para pormos em prática numa nova refeição em nossa casa. Como é reconfortante a hora da chegada dos convidados e o tempo de convívio que nunca se repete. Cada reunião é única, cada tempo passado irrepetível. A mesma sinfonia, ainda que noutro tom, nos acompanha quando somos nós os convidados.

Particularmente especiais são as mesas do dia-a-dia, em que não importa tanto a ementa quanto a família sentada à sua volta e o tempo de partilha, num local certo a uma hora previamente combinada, tantas vezes alterada pelos compromissos ou imprevistos.  Depois de um dia de trabalho cansativo, em que tantas “batalhas” têm de ser vencidas, tantos objectivos cumpridos e tarefas realizadas, é tão confortável entrar em casa, respirar fundo, relaxar um pouco e ter a mesa já preparada para a refeição.

Impossível não pensar naqueles que, desafortunadamente, não têm mesa. Quantas pessoas sem família, sem amigos, por doença ou distância dos seus queridos, pela fome ou pelas guerras, pela perda dos seus bens ou pelo luto, não têm dias de festa ou de alegria. Como não sentir tristeza, solidariedade e carinho para com todos, em particular para com os que conhecemos e estão perto de nós.

Estes pensamentos transportam-me para “uma mesa preparada” para todos quantos a desejarem, ricos ou pobres, felizes ou tristes, acompanhados ou sós. Essa mesa está sempre disponível para uma refeição servida pelo Amor por excelência. Não sei a cor da toalha que a veste, mas sei que simboliza uma aliança eterna.

Davi, que a mencionou num dos textos mais belos da Bíblia, diz que o lugar ocupado por nós é individual: “preparas-me uma mesa”! E refere também onde se encontra – “na presença dos meus adversários”.

Esse rei guerreiro-poeta-escritor-músico vivia num palácio rodeado de bem-estar, tinha chegado à posição que ocupava “porque era um homem segundo o coração de Deus”, o seu reinado era vitorioso, muito querido pelo povo, e tinha inimigos? Quem e o que são os inimigos do homem? O próprio homem, as invejas, a doença, a dor, a guerra, a solidão, o abandono, o desespero, as afrontas dos amigos, a crueldade, a competição que não olha a meios para atingir os seus fins roubando a verdade, a saudade, o desemprego, a morte e o luto, numa palavra o mal que entrou no mundo para matar, roubar e destruir.

“O Senhor é o meu Pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto de águas de descanso; preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.”  …

Quando vivemos dias sombrios, tantas vezes pensamos que os nossos problemas são os maiores e únicos. Saiamos de nós mesmos, olhemos ao nosso redor, aproximemo-nos do nosso “próximo” e constataremos que há dores maiores e batalhas mais difíceis que as nossas.

Jesus disse “no mundo tereis aflições” e acrescentou “tende bom ânimo! Eu venci o mundo!”

Temos por Ele “uma mesa preparada”. Podemos sentar-nos, saborear o Seu cuidado, hospitalidade e Amor. Nela temos o nosso lugar reservado.

 

Lídia Pereira

Gestora de Recursos Humanos e Administrativos
Aposentada

Meninos, Meninas e as novas Leis de Ideologia de Género – Iolanda Melo

900 675 Aliança Evangélica Portuguesa

“Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher (…)?” (Mateus 19:4)
(Artigo Retirado do Boletim Ecos, da APECP, Nº 124 (Abril/Maio/Junho 2018)

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No passado dia 13 de Abril, o Parlamento Português aprovou a nova lei que permite a mudança de género no registo civil aos 16 anos, mediante um requerimento, sem necessidade de apresentar qualquer relatório médico, tendo apenas que apresentar a autorização dos pais. Cabe agora ao nosso Presidente da República apreciar o diploma, podendo assim vetar ou promulgar. Neste compasso de espera pela reposta do Chefe do Estado, como pais e educadores cristãos que somos, não podemos deixar de sentir a nossa consternação com esta lei.
A Lei de Deus ensina-nos que no princípio de todas as coisas, Deus criou o mundo e tudo o que nele há, criando assim os seres humanos e estabelecendo os dois sexos biológicos e/ou géneros: macho e fêmea (Génesis 1:27; 5:2).

Sendo a lei promulgada, esperam-se tempos ainda mais complicados para os nosso filhos e alunos que crescem de acordo com os valores bíblicos: partilharão as casas de banho com alunos do sexo oposto, verão meninos vestidos de meninas e vice versa, a Educação Sexual não terá bases científicas, pois será feita com base numa ideologia, Ideologia de Género, que defende que ninguém nasce homem ou mulher, e que tais conceitos seriam apenas construções sociais que nos foram impostos (independentemente do sexo com que se nasce, a pessoa pode construir o género que desejar: homem, mulher ou outro género, negando assim a sua identidade corporal).

Porque deve o adolescente de 16 anos poder decidir a sua identidade sexual, quando biologicamente já está determinada? Porque decidir numa etapa do seu desenvolvimento em que ainda não atingiu a maturidade neurológica que lhe garanta a maturidade psicológica para tomar decisões importantes?

 

Se aos 16 anos muitos ainda não conseguem escolher a área de estudo ou a profissão que terão no futuro; é proibido beber bebidas alcoólicas, conduzir um carro ou votar, como pode ser possível tomar uma decisão destas e ainda sem o devido acompanhamento dos profissionais de saúde?

Somos os primeiros e principais educadores dos nossos filhos e não podemos permitir que as instituições e o Estado retire-nos o direito que temos sobre a educação que desejamos dar aos nossos filhos, direito esse que a nossa constituição nos confere (artigo 36, nº5 “os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos.”) e que está também expressamente referido na Declaração Universal dos Direitos do Homem (artigo 26º, parágrafo 3 “os pais têm um direito prioritário de escolher a espécie de educação que será dada aos seus filhos”). A constituição refere o papel do Estado nesta matéria: “cooperar com os pais na educação dos filhos” (artigo 67º).

O Estado deve cooperar e não substituir! É direito dos pais decidir a educação religiosa que pretendem que os filhos assistam na escola, bem como escolher a educação sexual que será feita aos filhos e em que moldes esta acontecerá no plano da educação escolar.

 

Esta visão ideológica contrasta com a visão bíblica:
“E criou Deus o homem à sua imagem e semelhança: à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.” (Génesis 1:27).

 

Foi Deus que estabeleceu os dois géneros para a humanidade, masculino ou feminino e não contemplou “outros géneros” possíveis. A partir destas duas dimensões estabeleceu a célula básica da sociedade: a família, criada a partir de um homem e de uma mulher. A Identidade Sexual ou a consciência de que somos seres sexuais, é uma parte importante na formação da Identidade e influencia profundamente a imagem e a perceção que temos de nós próprios e os relacionamentos que estabelecemos com os outros, englobando 4 aspetos:

1º Sexo Biológico – é determinado pela informação genética, no momento da conceção, pela combinação cromossomática, classificando as pessoas como homens ou mulheres, machos ou fêmeas. Seis semanas depois, desenvolvem-se os órgãos genitais, marcando a diferença na anatomia reprodutora e que permitirá a diferenciação do corpo masculino do feminino, bem como do Sistema Nervoso Central – cérebro do menino terá diferenças do cérebro da menina, influenciando o seu comportamento na infância – os meninos terão interesses de meninos e meninas buscarão interesses mais femininos.

2º Identidade de Género – Convicção que o indivíduo tem de ser um homem ou uma mulher e que corresponde ao sentimento individual de masculinidade/feminilidade do ponto de vista biológico, social e psicológico. Esta consciência que se tem do próprio género aparece entre os 3, 4 anos, com a identificação da criança com o progenitor do mesmo sexo. A ausência do progenitor (ou de um modelo de referência) no quotidiano da criança pode gerar perturbações neste processo.

3º Papel Sexual Social – Expressão do papel feminino ou masculino em função do comportamento que a sociedade espera de cada sexo: comportamentos, atitudes e traços de personalidade designados socioculturalmente como masculinos/femininos. As brincadeiras, as roupas, os modelos de atitudes e comportamentos de referência terão um papel importante no desenvolvimento da Identidade de Género e do Papel Sexual.

4º Orientação Sexual – É o que indica para onde se dirige o desejo sexual da pessoa (heterossexual ou homossexual). Surge após a puberdade e no processo de definição da orientação Sexual e os valores, os princípios, a educação, a exposição a modelos de referência e a religião têm uma poderosa influência.

A melhor forma de vencermos a Ideologia de Género, e os seus avanços na nossa sociedade, é criarmos filhos com uma Identidade saudável, bem alicerçada nos valores e princípios bíblicos; sermos modelos positivos e estarmos bem envolvidos na vida dos nossos filhos para podermos ajudá-los a lidar com as mudanças dos tempos.

 

Lisboa, 1 de Maio de 2018.
Iolanda Melo, APECP

O Compromisso – Graça Fonseca e Silva

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

Estava a iniciar o meu curso de Teologia e Educação Cristã, que seria de três anos. Tinha saído da minha igreja, deixado os meus familiares e os meus amigos mais próximos, para vir frequentar o Instituto Bíblico noutra terra, mas o meu desejo de me preparar para servir melhor o Senhor era grande e superava todo o eventual receio do desconhecido que esta nova etapa trazia consigo.

Nessa altura, iam muitas vezes à igreja a Coimbra, de onde sou, equipas de alunos e professores que participavam nos cultos e semeavam em nós o desejo de servir a Deus e desafiando-nos a vir estudar para o Instituto Bíblico. Eu já servia na igreja local mas queria fazer mais e melhor e sabia que me seria muito útil e curso que me propunham.

Iniciei as aulas com entusiasmo. O leque de disciplinas era interessante e o acolhimento dos professores e dos meus colegas fez-me sentir confortável. Sabia que teria que estimular a minha capacidade de concentração e de memorização e gerir o meu tempo de modo a concluir os trabalhos dentro dos prazos. Havia ainda que conciliar sabiamente três exigências do dia: as aulas de manhã, trabalho à tarde e estudo ao fim do dia e nos fins-de-semana.

Logo no início decidi assumir um compromisso comigo mesma: nunca iria faltar a uma aula, ao longo dos três anos… Seria possível?

Desde então, sempre que surgia alguma situação que pudesse vir a condicionar a minha ida às aulas e outras actividades, eu orava com fervor para que Deus me tocasse e eu não tivesse que faltar. Recordo-me de uma vez que me encontrava doente. A febre deixava-me indisposta, mas a decisão falou mais alto e fui.

E consegui. Completei os três anos sem dar uma única falta. E recebi um prémio por isso. Foi há mais de trinta anos e, tanto quanto sei, nunca mais houve ocasião de a escola atribuir esse mesmo prémio a outro aluno, pois nenhum completou o curso sem qualquer falta.

Sinto-me feliz ao pensar nisso, pela forma como consegui cumprir esse compromisso comigo mesma. Fico a pensar que, ainda hoje, Deus espera decisões da parte de cada um de nós, cristãos. Ele procura gente disponível para responder com determinação e consistência.

Na Bíblia, encontramos estas palavras de Deus: “”Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim a favor desta terra, para que eu não a destruísse, mas a ninguém achei.” (Ezequiel 22:30)

Hoje, Ele continua a esperar de mim, a cada dia, uma vida de compromisso. Claro está que agora não tem a ver com o ir ou faltar às aulas mas refere-se a aspectos mais importantes da minha maneira de viver. Quero ser uma das pessoas que Deus encontre disponível para “estar na brecha”. Que Ele possa contar comigo e consigo, sempre que precisar de nós.

 

Graça Fonseca e Silva

Colaboradora do Desafio Jovem, Reformada 

Com Deus, na Escola – Raquel Henry

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Foram 22 anos de escola, de sala de aula, de caras novas, de dezenas de nomes para decorar. Foram anos a ensinar, a acompanhar, a aconselhar, mas também a participar de vidas, de famílias e de escolhas. Por vezes, escolhas difíceis em contextos conturbados, outras, lógicas e de fácil aceitação. Foram assim os meus anos como professora, profissão que escolhi desde cedo e a qual nunca tive dúvidas em abraçar. Desde o primeiro momento, senti a mão de Deus a guiar cada passo, a orientar cada minuto e cada hora. Mas nem sempre foi fácil. Acho que quase sempre a balança pesou com dificuldades, angústia e preocupações. Mas houve tantos momentos bons, maravilhosos até! Tantos sorrisos e lágrimas de emoção, tantos sucessos observados e tantos dias a chegar a casa com a sensação de dever cumprido.

Este ano são outras escolas e outros contextos, mas não dentro de uma sala de aula.

De computador ligado, caderno de apontamentos e telemóvel, tento gerir, como parte da equipa da Comacep – Comissão para a ação educativa evangélica nas escolas públicas –  toda uma dinâmica que envolve fazer contactos, registar inscrições de alunos, criar turmas e encontrar professores para lecionar Educação Moral e Religiosa Evangélica nas escolas públicas. Toda a engrenagem está bem montada e, em equipa, trabalhamos com espírito de missão – a missão de propagar o evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo nas salas de aula.

Numa Europa que está cada vez mais a fechar as portas a Deus, onde já nem se pode com total aceitação e liberdade falar em Jesus, Natal ou Páscoa, há ainda um cantinho, à beira mar plantado, que investe na educação cristã e que até mobiliza professores para coordenar equipas que vão à escola espalhar A Semente nas vidas de crianças e jovens. Que privilégio e que milagre!

Acredito profundamente que este ano pode ser um ano de viragem para Portugal. Um ano de oportunidades para evangelizar, um ano de crescimento, um ano de reavivamento de corações. Acredito também que a Comacep terá, cada vez mais, um papel de extrema importância neste ministério.

A minha vida continua a ser na escola, mas agora, a Missão é ainda mais nobre. Que Deus me possa usar e orientar para Sua Honra e Glória.

 

 

Raquel Henry

Professora de Educação Musical
Destacada na COMACEP em 2018/2019

“Confortai as mãos fracas e fortalecei os joelhos trementes” – Entrevista à Dra. Maria Helena Martins

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AEP – Como surgiu o interesse pela Medicina na sua vida e a decisão de servir a população idosa?

HM – Deus vai escrevendo a nossa vida desde que nascemos. Nada do que nos acontece Lhe está oculto. Ao olhar para trás, para o meu percurso de vida, vejo cada página escrita com o Seu propósito. Fui tendo encontros com o sofrimento, que não foram por mim compreendidos na época. Geraram angústia, mas também grande crescimento.

O meu 1º grande encontro com o sofrimento por doença, ocorreu quando eu tinha 5 anos e o meu pai teve um grave problema cardíaco. A sua grave insuficiência cardíaca originou a sua morte prematura aos 59 anos quando eu tinha 16 anos. Durante 11 anos vivi o sobressalto constante de o perder, pois as crises e os internamentos sucediam-se. O seu sofrimento era intenso.

Este 1º encontro lançou uma semente – o desejo de minorar o sofrimento alheio.Fiz  o Curso de Medicina.

O 2º grande encontro com o sofrimento aconteceu há 21 anos, com uma doença oncológica disseminada, com grave prognóstico, da minha mãe.

Fiquei a conhecer e vivi muitas das dificuldades porque passam aqueles que acompanham e cuidam de doentes em sofrimento e fase avançada de doença incurável. Nessa época ainda não havia Cuidados Paliativos em Portugal e era muito dificil gerir e controlar estas situações.

Foram dois anos de luta que me levaram à exaustão. No entanto, outra semente foi lançada – como ajudar e acompanhar este tipo de doentes?

Até essa altura trabalhava como Médica de Família num Centro de Saúde e confesso que a minha área preferida era a Saúde Materno-Infantil.

Mas outra semente tinha sido lançada. Abracei a Geriatria e aproximei-me dos Cuidados Paliativos, ainda embrionários.

Os últimos 18 anos da minha vida têm sido dedicados a estas áreas, na procura constante de resoluções para minorar o sofrimento e acompanhar o meu doente na sua trajetória final de vida, dando dignidade a essa mesma trajetória. Isto exige da minha parte contínua formação e trabalho de equipa.

Tenho sentido o enorme entusiasmo das minhas equipas de trabalho, o empenho, o zelo, o cuidado que têm demonstrado para melhoria constante da abordagem em fim de vida.

Tenho trabalhado em diferentes locais, com diferentes equipas, desde Apoio Domiciliário a Residências Geriátricas.

O 3º grande encontro com o sofrimento ocorreu há 10 anos, com o meu irmão mais velho. Em aparente estado de saúde, foi-lhe diagnosticada uma doença oncológica grave, terminal , com a qual convivemos 8 intensos meses. Também morreu prematuramente aos 58 anos.

A mão invisível do Senhor continuava a escrever as páginas da minha vida.

Pouco antes do seu diagnóstico, eu tinha iniciado uma Pós-graduação em Cuidados Paliativos. E com a ajuda preciosa dos meus colegas pioneiros dos mesmos, o trajeto do meu irmão foi vivido de forma totalmente diferente, com os seus desejos cumpridos, os seus sintomas controlados, com muito maior serenidade.

A minha preparação foi-se fazendo gradualmente por sementes que foram lançadas num terreno que estava a ser preparado. E a preparação desse terreno envolveu dor e sofrimento. Mais tarde, ao ver os frutos, compreendi o trajeto vivido.

AEP – Quais são as maiores necessidades dos idosos em Portugal, hoje, na sua perspectiva?

HM – Vivemos numa sociedade doente, com injustiças materiais e morais. Talvez uma das mais graves de todas seja a que os idosos sentem – a comunidade não os considera membros iguais aos demais.

Como cristãos somos chamados a agir em favor dos injustiçados, aceitando, estimando e integrando os nossos idosos.

Claro que cada idoso tem todo um percurso de vida que o marcou de diversas maneiras e a Bíblia nos adverte para a possibilidade de sermos rejeitados por Deus na velhice ( Salmo 71:9).

Perante a sociedade impessoal onde estamos mergulhados em Portugal e um pouco por todo o mundo, penso que as maiores necessidades dos idosos terão a ver com a falta de afeto e calor humano, falta de integração na sociedade, falta de quem os oiça e de quem os ajude a quebrar o ciclo da solidão.

Claro que existirão também necessidades materiais, a nível de cuidados de saúde, de alimentação ,etc.

A nossa missão para com os nossos concidadãos idosos, é ajudar a construir uma sociedade mais benevolente e integradora de todas as faixas etárias. É fazer despertar recursos e talentos pessoais enterrados há muito, estimular a criatividade, o entusiasmo por alguma tarefa, criar laços sociais que arranquem o idoso da solidão.

AEP– Vive o seu trabalho como uma forma de servir a Deus? Pode referir um versículo que tenha norteado o seu percurso de vida profissional?

HM – Há cerca de 18 anos, quando me comecei a dedicar à área da Geriatria, um versículo passou a acompanhar-me e lembrar-me continuamente da missão – “Confortai as mãos fracas e fortalecei os joelhos trementes” Isaías 35:3.

Numa área da Medicina que facilmente pode originar 2 sentimentos avassaladores, impotência e frustação, este versículo anima-me a batalhar dia após dia na procura do conforto e simultâneamente no fortalecimento do que ainda é possivel fortalecer nos meus doentes.

Falo em impotência, ao referir-me à morte inevitável, e que acompanha o dia a dia da Geriatria.

Falo em frustração, porque trato pessoas com doenças crónicas, múltiplas doenças na mesma pessoa, muitos sintomas que já não é possivel eliminar por completo, e raramente assisto a cura, o que acontece na Medicina exercida nas faixas etárias mais novas.

É uma Medicina de gestão de doenças crónicas.

Penso no meu trabalho como serviço ao próximo, ao encarar de frente o sofrimento alheio, não ficando indiferente, na busca constante de alívio do mesmo e de soluções para os problemas diários que vão aparecendo.

Isto exige disponibilizar tempo, gerir emoções, perseverar, aprender continuamente e estar na total dependência de Deus.

 

Dra. Maria Helena Martins

Participar no Dia Internacional de Oração pela Igreja Perseguida (IDOP) no próximo dia 4 e 11 de novembro de 2018

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A Bíblia em Hebreus 13: 3 ordena aos cristãos que orem por aqueles que sofrem como se eles mesmos estivessem sofrendo. Em outras palavras, a Bíblia nos chama a não apenas lembrar daqueles que sofrem, mas também a identificar-se com eles em seu sofrimento. De acordo com este mandamento das Escrituras Sagradas, as Jornadas Internacionais de Oração pela Igreja Perseguida (IDOP) uniram milhões de cristãos em oração pelo Corpo de Cristo que sofre em todo o mundo. Afinal, como a Bíblia diz: Se alguém sofre, todos nós sofremos.

Ao longo dos anos, o IDOP serviu como uma plataforma para destacar as histórias de cristãos perseguidos e mobilizar a Igreja global para responder às suas dificuldades. Além disso, ao fazê-lo, o IDOP também tem sido uma fonte de solidariedade e encorajamento para os cristãos perseguidos, lembrando-os de que eles são parte de uma família maior e global de crentes.

Acreditamos que Deus usa as orações de seu povo para fortalecer e libertar santos sofredores. No entanto, a fim de orar por esses irmãos e irmãs sofredores, precisamos primeiro ouvir suas histórias. Em outras palavras, devemos ouvir o seu choro.

Convidamos você, portanto, a se juntar a nós neste ano, em 4 e 11 de novembro, enquanto nos unimos globalmente para orar pelos perseguidos. Oremos para que, apesar da pressão e da perseguição, nossos irmãos e irmãs sofredores – onde quer que estejam no mundo – permaneçam firmes em sua fé, apegam-se às promessas de Deus e vivam vitoriosamente em Cristo.

Bênçãos em Cristo.

www.idop.org

 

Godfrey Yogarajah
Diretor executivo
Comissão de Liberdade Religiosa do WEA

Aliança Evangélica Mundial (WEA) expressa tristeza por ataque à sinagoga em Pittsburgh e pede orações para as famílias afetadas

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Nova York, NY – 28 de outubro de 2018

A Aliança Evangélica Mundial (WEA) expressa a sua tristeza pelo trágico evento em Pittsburgh, Pensilvânia, onde um atirador matou onze fiéis numa sinagoga. Bp Efraim Tendero, Secretário Geral e CEO da WEA, emitiu a seguinte declaração:

Estamos muito preocupados com o que aconteceu na Sinagoga da Árvore da Vida neste fim de semana e oferecemos as nossas sinceras orações de compaixão e apoio às famílias dos mortos, à congregação local e à comunidade judaica como um todo.

Pedimos que todos os crentes ao redor do mundo orem especificamente:

  • Pelas famílias, aqueles que perderam entes queridos experimentem a paz de Deus;
  • Pelos líderes da Árvore da Vida e da comunidade judaica, que têm de cuidar o sofrimento existente;
  • Para que o corpo de Cristo seja unido a todas as pessoas de boa vontade contra o ódio e a violência;
  • Que Deus possa mostrar misericórdia para com todos.

Estamos preocupados com a cultura cada vez mais polarizada e cheia de ódio em muitas nações e regiões do mundo que não apenas marginaliza as minorias, mas chega a encorajar a violência contra aqueles diferentes de si mesmos. Acreditamos que, embora às vezes possamos discordar das pessoas em questões de fé, opinião ou tradição, todas as pessoas são criadas por Deus e têm dignidade inerente que merece respeito. Jesus chamou-nos para sermos pacificadores e, nesse espírito, chamamos as pessoas de fé e qualquer pessoa de boa vontade a não permanecer em silêncio, mas a falar onde o ódio ou a violência são encorajados.

 

 

Fonte: www.worldea.org
Tradução: Luís Calaim

Onde estavam eles? – Bertina Coias Tomé

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Numa casa possivelmente ampla mas desprovida de recursos, um homem vive uma condição extremamente difícil. As feridas cobrem-lhe todo o corpo, numa dor e num prurido que ele procura aliviar, raspando-as com um pedaço de telha.

Em adversidades sucessivas, perdeu todos os seus haveres e os seus filhos.
Vive numa solidão pesada, que torna os dias ainda mais sombrios. E desabafa: “Os meus parentes me deixaram, e os meus conhecidos se esqueceram de mim.” (Jó 19:14)

Num certo dia, em que ele ora pelos seus amigos, este cenário de vida altera-se completa e definitivamente. Diz a Bíblia que “o Senhor virou o cativeiro de Jó.” (Jó 42:10) E, de repente, há uma grande multidão que se dirige à sua casa. Como um exército determinado em ajudá-lo, todos os seus irmãos e irmãs e todos os seus conhecidos – muitas centenas, certamente, pois ele era “o maior de todos do oriente” (Jó 1:3) – vão ter com ele. E ali:

-“Comeram com ele pão em sua casa” – Não foi uma “visita de médico”, como se costuma dizer, mas um estar sem pressa, numa refeição partilhada.
-“…e se condoeram dele…” – Numa atitude empática, “calçam os seus sapatos”, sentem a sua dor e são movidos em compaixão.
-“…e o consolaram…” – Ofereceram-lhe palavras de conforto, talvez abraços, sorrisos, olhares acolhedores.
-“…e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e um pendente de ouro…” – De uma forma prática e generosa, proporcionam-lhe recursos para reconstruir a sua actividade agrícola e pecuária que antes o tornara um homem extremamente rico.

Onde estavam antes todas estas pessoas? Porque não se lembraram dele, quando definhava em solidão? O que é que as ocupava ou distraía ao ponto de não terem corrido a sua casa logo que adoeceu? Ou estariam também elas a precisar de ajuda?

Estas são perguntas a que não sabemos responder. Contudo, desta história bíblica podemos retirar três importantes lições para a vida:

-Deus, o Todo-Poderoso, sabe como acabar com o “cativeiro” de qualquer um dos seus filhos, ou seja, ordenar o fim de um tempo deveras difícil.
-Por mais sós que nos sintamos, Deus sabe como levantar um exército em nosso favor – gente disponível para chegar perto, sentir a dor, confortar e partilhar recursos.
-A qualquer momento, Deus pode trazer à nossa mente o nome de alguém em necessidade e recrutar-nos para sermos nós parte do exército de apoio em seu favor. E aí, vamos munir-nos de todo o amor que Ele tem derramado em nós e movermo-nos, numa ajuda prática e realmente confortante a quem precisa.

E a história de Jó prossegue de uma forma surpreendente: “E assim abençoou o Senhor o último estado de Jó, mais do que o primeiro.” (Jó 42:12)

Seja qual for o momento que estejamos a viver hoje, vamos contar com o suporte de Deus na nossa vida, capaz de levantar gente que nos ajude e vamos ficar também disponíveis para sermos nós usados por Ele em favor de outros. E assim o Seu Amor é partilhado entre nós!

 

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária
Membro da Direcção da Aliança Evangélica Portuguesa

Organização Global De Combate Ao Tráfico Humano

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A 20 de outubro de 2018, dezenas de milhares de pessoas vão estar reunidas em todo o mundo para no evento #WalkForFreedom #CaminharPelaLiberdade, para transformar a consciência e angariar recursos. As caminhadas serão realizadas em centenas de cidades em dezenas de nações.

 

Este evento é coordenado pela A21, uma organização global de luta contra o tráfico humano. O propósito da caminhada visa aumentar a consciencialização sobre a existência nos dias de hoje de milhões de homens, mulheres e crianças em situação de escravatura. Ao angariar fundos e mobilizar milhares de pessoas pela causa, a A21 acredita que esse evento contribuí para resgatar e a restaurar seres humanos vítimas de escravatura.

 

A Walk For Freedom –Caminhar pela Liberdade é distintamente reconhecida, os seus participantes vestem uma t-shirt pretas, formam uma fila única e caminham em silêncio pelo mundo – aldeias, vilas, cidades, ao longo de pontes, túneis e praias. Centenas de caminhadas locais vão ser vistas a caminhar para o fim global da escravidão moderna. “Acreditamos que, se fizermos isso juntos, se continuarmos a aparecer, se continuarmos a ser persistentes, se continuarmos a crescer em números, com força e coragem, então vamos ver a escravatura ser erradicada no nosso mundo”, diz Christine Caine, fundadora da A21.

 

A21 Visão Geral: A21 é uma organização global sem fins lucrativos, determinada a erradicar o tráfico humano e a escravatura por meio de conscientização, intervenção e cuidados para com a vitimas. Atualmente com escritórios em 13 países, a A21 visa combater a escravatura moderna por meio de uma estratégia multidimensional: alcançar, resgatar e restaurar. Conta com apoio de parceiros e voluntários em todo o mundo, a A21 acredita que uma grande quantidade de vítimas pode ser identificada e assistida, e os criminosos podem ser levados à justiça.

 

Milhões de escravos. Uma indústria de 150 bilhões de dólares e euros. 1% de vitimas resgatadas.

 

Mais informações sobre o Walk For Freedom e a A21 no nosso site: A21.org

Contato de impressa:
Heloísa Gonçalves l +351 919 303 334 I a21teampt@gmail.com
Host of the A21 Walk for Freedom 2018 l A21 Campaign
https://www.a21.org/

Crime E Castigo – Adelaide de Sousa

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“Pois eu sei os planos que tenho para vós. São planos de prosperidade e não de desgraça, planos que se concretizarão num futuro de esperança.” (Jeremias 29:11)

 

Estas palavras encorajadoras foram proferidas por Jeremias, um jovem profeta de Deus que viveu num tempo muito conturbado da história de Israel. Aos reis, não faltavam outros profetas que se prestavam a dar sempre “boas notícias”, numa espécie de versão arcaica do positivismo a todo o custo que tem perpassado as filosofias vãs próprias da nossa Nova Era. Especialmente no campo da oncologia, a ênfase está quase sempre no “pensamento positivo” como talismã para espantar o medo de quem recebe a notícia do cancro. Agora ou há 2500 anos atrás, somos muito mais bem recebidos se trouxermos palavras que agradem do que chamadas ao arrependimento e à transformação. Jeremias e outros sofreram na pele as consequências de trazerem a verdade, pois a mensagem que tinha para o povo alertava-o para a necessidade de mudança.

 

Tanto a Bíblia como a Psico-Oncologia parecem dizer que para chegar ao que é bom, precisamos de passar pelo que é mau. Chama-se Crescimento Pós-Traumático, esta teoria de que para haver uma nova perspectiva da vida, uma nova apreciação do seu milagre, temos de passar pelo sofrimento. Este fenómeno, já que as condições em que este crescimento acontece não são tão lineares assim, é mais comum no caso das mulheres que passam pelo cancro de mama. No entanto, a teoria do crescimento pós-traumático não sugere que haja uma ausência de sofrimento à medida que nos tornamos mais sábios, mas sim que o crescimento apreciável ocorre dentro do contexto de dor e perda. De facto, pode ser necessário algum sofrimento para o crescimento ocorrer, embora demasiado sofrimento possa prejudicar os enlutados e torná-los incapazes de se envolver no processo de crescimento. Isto lembra-me quem Jesus é: aquele que não esmaga a cana quebrada nem apaga o pavio fumegante…

 

A ideia de que para se chegar ao ouro temos de passar pelo fogo perpassa todo o texto bíblico, desde Génesis até Apocalipse. E o livro de Jeremias não é excepção. A promessa dos versículos que transcrevo é boa, traz esperança, mas sabendo nós que Jeremias também avisou o povo de que iriam passar por grande sofrimento à mão dos seus invasores antes de poderem chegar de novo à paz, e que depois disso mais tribulações viriam, dá-nos uma ideia de que procurarmos as profecias que nos agradam e rejeitarmos as que podem ser mais duras não é o caminho da verdadeira transformação. Para confundir tudo, temos visto como alguns ensinamentos de prosperidade, saúde e longa vida nesta Terra como garantias para o cristão sincero são prejudiciais para o crescimento desse mesmo cristão – é uma espécie de fast-food para o espírito! Já no tempo de Jesus – e antes ainda, no livro de Jó, talvez o mais antigo da Bíblia – havia quem visse as tribulações e desgraças como sinal claro do desprazer de Deus, do pecado na vida dos que sofrem. Eis o que disse o Apóstolo Paulo a propósito de tais perplexidades:

 

“As provações por que têm passado são normais na vida humana. Pois Deus é fiel e não deixará que sejam provados acima das vossas forças. Se ele vos envia uma provação também fará com que encontrem a maneira de a poder suportar. Por isso, meus amigos, fujam dos falsos deuses.” (1 Coríntios 10:13-14)

 

Este aviso de Paulo merece uma aturada reflexão: quem são os falsos deuses na nossa vida, que tentam silenciar a verdade da Escritura para a substituir pelo que os torne adorados por si? Quem lhe diz só o que o faz sentir bem, o que eleva a sua auto-estima? Onde se refugia quando o seu barco parece afundar? E se naufragar, vai crer que é castigo de Deus? Consequência do seu pecado? A teologia da retribuição – mais conhecida por “cá se fazem, cá se pagam” – não é Cristianismo, pois o nosso Deus não nos dá tudo o que merecemos. Dá-nos o que Jesus merece, porque Ele já recebeu o nosso castigo. Assim, não há teoria do karma que aguente esta Boa Notícia: a Graça de Deus é de graça mesmo! Não posso fazer nada para merecer ser perdoada, e mesmo que o meu caminho nesta Terra seja de pecado, nem tudo o que me acontece neste lado da eternidade é punição por esse mesmo pecado. Muitas das consequências virão depois…

 

Acredito que pensar que quando alguém faz o mal vai sempre ter a sua paga aqui nesta vida seja confortador, mas pense comigo: se esta fosse a lei vigente, que pena teria eu pelo mal que já fiz? Que pena teria você? Dou graças a Deus por Jesus!

 

O que quero dizer-lhe hoje é isto, especialmente a si que está a passar por grande deserto na sua vida, uma grande provação, e que talvez esteja a ver a morte de frente pela primeira vez: não tem de ser castigo, mas pode ser oportunidade para conhecer a Deus como nunca antes.

 

Quando recebemos um diagnóstico assustador como o do cancro, recebemos algo mais ainda: ao contemplar a finitude da vida podemos dar graças a Deus por ela. Esta mensagem foi perfeitamente percebida por uma das 11 mulheres do nosso livro Mulheres Guerreiras, a Filomena: “No dia-a-dia somos imparáveis. E quando isto acontece, percebemos que de um momento para o outro não estamos cá. Quando era mais nova tinha medo de morrer, agora encaro isto como uma oportunidade para dar o melhor de mim aos outros (…) E mesmo que só viva mais um mês ou dois, o meu espírito está tranquilo.”

 

Isto é sabedoria, refinada pelo fogo da tribulação…

 

“Por isso nunca ficamos desanimados. Mesmo que o nosso corpo vá se gastando, o nosso espírito vai se renovando dia a dia. E essa pequena e passageira aflição que sofremos vai nos trazer uma glória enorme e eterna, muito maior do que o sofrimento. Porque nós não prestamos atenção nas coisas que se veem, mas nas que não se veem. Pois o que pode ser visto dura apenas um pouco, mas o que não pode ser visto dura para sempre.” )2 Coríntios 4:16-18)

 

Crê nisto?

 

Adelaide de Sousa
Apresentadora de Televisão
Coordenadora do projecto Guerreiras Portugal