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Geral

“Super Histórias da Bíblia” na RTP 2

800 800 Aliança Evangélica Portuguesa

Com a aproximação do Dia Mundial da Criança e do Dia Nacional de Oração
pelas Crianças de Portugal, a Aliança Evangélica Portuguesa está a
preparar uma série de programas de televisão especiais para os mais
novos. São as “Super Histórias da Bíblia”, a não perder, na RTP 2!

No domingo, 31 de maio, por volta das 17h, teremos no programa
“Caminhos” a estreia do “Superbook” em Portugal, com as aventuras de
David e Golias.

Na terça-feira, dia 2 de junho, às 15h, teremos o programa “Luz das
Nações” com a parábola do Filho Pródigo.

Esta programação especial terá depois continuidade no mês de Julho.

São excelentes oportunidades para as crianças do nosso país, que têm
passado mais tempo em casa devido à pandemia que atravessamos, poderem
ter contato com o evangelho de forma animada e criativa. São sementes
que, a seu tempo, poderão dar bom fruto. Por isso, contamos convosco na
divulgação desta programação especial a pensar nelas!

Exercício do Direito de Resposta

1080 813 Aliança Evangélica Portuguesa

Na sequência da notícia veiculada pela Visão online, no dia 20 de maio de 2020, com o título “Líderes e pastores evangélicos fazem campanha pelo Chega”, e na capa da edição n.º 1420, de 21 de maio de 2020, “Chega, os segredos do pregador Ventura” e “os poderosos lóbis evangélicos”, vem a Aliança Evangélica Portuguesa, órgão representativo da Comunidade Evangélica em Portugal, exercer o seu direito de resposta, nos termos do n.º 4 do artigo 37.º da Constituição da República Portuguesa e dos artigos 24.º a 27.º da Lei n.º 2/99 (Lei de Imprensa), de 13 de janeiro, na sua atual redação, o que faz nos termos e com os fundamentos seguintes:

  1. Ao longo dos anos, a Visão habituou-nos a ver o mundo pelos olhos de jornalistas imbuídos de elevada deontologia profissional, alicerçando o rigor e a verdade em fontes credíveis e com o necessário recurso ao contraditório.
  2. Por essa razão, estranhamos que para fundamentar o título de capa da edição n.º 1420, a Visão não se tenha dignado ouvir a Aliança Evangélica Portuguesa, entidade centenária e órgão representativo da Comunidade Evangélica em Portugal, que agrega mais de 700 igrejas filiadas, com implementação histórica em todo o território nacional, representando um universo de crentes e outras pessoas no seu contexto de influência que ascende a 5% da população do país, sendo por isso, em termos numéricos, a segunda confissão religiosa em Portugal.
  3. Ao contrário do que é afirmado no título da notícia publicada na edição online, no dia 20 de maio de 2020, “Líderes e pastores evangélicos fazem campanha pelo Chega”, e no título de capa da edição n.º 1420 da revista Visão, de 21 de maio de 2020, “Os segredos do pregador Ventura” e “os poderosos lóbis evangélicos”, não existe correspondência factual entre os títulos em questão e a realidade.
  4. As diferentes igrejas evangélicas em Portugal são comunidades integradoras, a maioria delas radicadas há várias décadas, tendo sobrevivido à perseguição política e religiosa, desde os tempos da Inquisição, passando pela ditadura do Estado Novo.
  5. Atendendo à mensagem universal do Evangelho é normal que a Comunidade Evangélica integre uma heterogeneidade etária, social e multiétnica de membros, incluindo pessoas de etnia cigana e muitos cidadãos provenientes de países de língua oficial portuguesa e de outras nacionalidades.
  6. Em momento algum, e ao contrário do título e do conteúdo da notícia, os cultos evangélicos são usados para fins diferentes da proclamação dos valores exarados nas Escrituras, que incluem uma mensagem de esperança para todas as pessoas, englobando todos os estratos sociais, onde também se inserem os mais desfavorecidos e socialmente excluídos, relativamente aos quais temos desenvolvido um vasto programa de apoio social, muitas vezes em parceria com entidades públicas e a própria sociedade civil.
  7. As igrejas evangélicas não promovem partidos políticos nem angariam militantes para movimentos desta natureza. Não faz parte da praxis desta Comunidade dar sentido de voto aos seus membros, os quais, em democracia, exercem livremente todos os direitos consagrados na Constituição, incluindo o exercício político a título pessoal, mas nunca em nome ou em representação de uma igreja, e muito menos de uma Comunidade religiosa.
  8. O título de capa da edição n.º 1420, em forma de trocadilho “Os segredos do pregador Ventura” e “os poderosos lóbis evangélicos”, indicia a existência de um lóbi evangélico de apoio expresso a um partido político, o que não corresponde à realidade.
  9. Por outro lado, o conteúdo da notícia, menciona afirmações de supostos pastores e líderes evangélicos, sem existir a preocupação de verificar se se trata de igrejas ou de líderes que representem uma determinada confissão religiosa, sendo suscetível de induzir em erro os leitores.
  10. Misturar, de forma descontextualizada, outras realidades, e fazer corresponder apoiantes de Bolsonaro e de Trump, sem explicar o contexto político, social e religioso que existe nesses países, com o apoio corporativo (inexistente) de evangélicos a um partido político em Portugal, não nos parece que seja jornalismo de investigação porque as notícias não se baseiam em factos nem na realidade.

A Aliança Evangélica Portuguesa estará sempre disponível para responder a todas as questões que órgãos de comunicação social considerem pertinentes esclarecer, mas procurará sempre repor a verdade dos factos, agora e no futuro, como sempre o fez.

Dia de Oração pelas Crianças em Portugal

1080 1350 Aliança Evangélica Portuguesa
  • Para que o Nome de Jesus seja pregado e conhecido entre as crianças.
  • Por um maior envolvimento das igrejas nos projectos de evangelização de crianças.
  • Agradeça a Deus, pela liberdade de ensinar a Bíblia às crianças nas escolas públicas.
  • Para que crianças crentes aprendam a professar e defender a sua fé nas escolas públicas.
  • Pelas crianças vítimas de abuso sexual.
  • Pelas crianças vítimas de maus tratos e violência doméstica.
  • Para que haja um maior combate ao tráfico infantil.
  • Pelas crianças com dependências nos jogos eletrónicos e telemóveis.
  • Pelas crianças com depressão e com pensamentos suicidas.
  • Ore pela boa a rápida adaptação das crianças às novas formas de estudo pela televisão.
  • Para que crianças de minoria étnica sejam alcançadas.

IN MEMORIAM Moisés Gomes (1937-2020) Testemunho pessoal

240 240 Aliança Evangélica Portuguesa

Corria o ano de 1968 quando nos encontrámos pela primeira vez. Moisés e Rosemary, acabados de chegar da América, e com a responsabilidade de relançar o trabalho da Mocidade para Cristo (MpC) em Portugal. Eu, membro da I Igreja Baptista de Setúbal, 20 anos de idade e líder dos jovens da igreja, à procura de um bom pregador disponível para ser o orador na nossa “Semana da Mocidade”. Como estava em Lisboa a frequentar Direito, visitava com frequência as igrejas da capital. Foi aí, em encontro fortuito, que pela primeira vez o ouvi, gostei e o convidei para ir a Setúbal. Aceitou e assim começou um relacionamento que se estreitou quando, passados alguns meses, me convidou para ser seu colaborador na liderança da MpC.

Estamos em 1968. Era o tempo da Primavera Marcelista. Marcello Caetano tinha sido nomeado Presidente do Conselho de Ministros, como então se chamava, em substituição de Salazar. Viviam-se tempos esperançosos que, a História diz, não terminaram bem.

Para dar a conhecer o projeto e os objetivos do ministério da MpC visitámos numerosas igrejas de várias denominações. Havia a consciência de um défice de liderança entre os jovens e que era necessário fortalecer o estudo bíblico e desenvolver a prática da oração. A abordagem metodológica do Moisés era que se formassem no seio das igrejas que nos abriam as portas, núcleos de jovens, que semanalmente ou duas vezes por mês, se reunissem sob a orientação da MpC para estudo bíblico, oração, louvor e confraternização. Não demorou muito que tivéssemos uma agenda cheia de contactos e reuniões e um bom grupo de colaboradores voluntários. O trabalho e as múltiplas atividades que dele decorriam levou o Moisés a alugar um espaço para ponto de encontro, escritório e outras atividades. Assim aconteceu, com duas salas num quinto andar na Rua da Prata. Alegria, boa disposição, fraternidade e amizades que ainda hoje perduram, construíram-se naquele quase mítico espaço na Baixa Lisboeta!

Moisés definiu, desde cedo e claramente, os princípios da nossa atividade: estudo bíblico e oração seriam o centro/eixo do nosso ministério e da atividade dos núcleos nas diferentes igrejas. Outras ações foram sendo adicionadas, como grandes encontros periódicos (rallies) e, com um impacto muito especial, os acampamentos em Vila Nova de Mil Fontes nas instalações do Caravela. Foi nesse tempo, que nas variadas viagens através do Alentejo, comecei a apreciar a sua beleza singular bem assim a da Costa Vicentina. Tempos inesquecíveis e saudosos que através da memória nos levam ao tempo da juventude.

Outro ponto fundamental no pensamento e na ação do Moisés era o seu amor pela igreja local, que devia ser fortalecida pela nossa presença e nunca prejudicada. Cada jovem era aconselhado a estar e participar nos domingos na sua igreja.

O jeito do Moisés se relacionar com os jovens que participavam nos nossos programas era pastoral e de aconselhamento, procurando ajudá-los nas suas dúvidas, interrogações e perplexidades. Foi para mim uma excelente escola, com um bom professor.

Por essa altura, tendo sentido a chamada para o serviço cristão integral, no pastorado, entrei no Seminário Baptista de Queluz onde cheguei a ter o Moisés como professor. A sua convicção da importância de uma boa educação teológica levou-o a dedicar vários anos da sua vida, como professor, ao Seminário Baptista e ao Instituto Bíblico Português.

O seu conhecimento da realidade denominacional, levou um grupo de líderes evangélicos a sugerir o seu nome para Presidente da Aliança Evangélica Portuguesa (AEP), sucedendo a José Dias Bravo. Em 1999 assume a presidência da AEP constituindo uma direção à qual eu e o irmão António Calaim, atual presidente, pertencemos. Mais uma vez tive oportunidade de acompanhar de perto o seu trabalho, nada fácil, numa época de alguma turbulência denominacional. Procurando ser traço de união, não abdicava do que considerava ser fundamental na cooperação entre igrejas e denominações, que integravam a AEP.

A prioridade que sempre deu às igrejas locais por onde passou e com as quais cooperou, concretizou-se  quando, ao deixar o comando da MpC, assumiu o pastorado da Igreja Baptista de Alcobaça (1990-2009). Deixou obra, assumida pelo atual Pastor Alberto Carneiro.

Uma palavra muito especial é dedicada aqui à sua esposa Rosemary, que o acompanhou a Portugal e onde se tornou portuguesa de coração, amando e sendo amada pelos muitos que a conheceram e com ela conviveram. Como testemunho pessoal posso referir a sua simpatia, hospitalidade bem assim a sua disponibilidade para escutar aqueles que precisavam de um ouvido atento e de uma palavra de estímulo.

Como amigo, companheiro de jornada e colega de ministério, é-me doloroso vê-lo partir. Começo a despedir-me de homens e mulheres que tiveram impacto na minha vida e cuja amizade e companheirismo muito prezei. É o curso natural das coisas e da vida!

Do Moisés Gomes só me resta dizer, parafraseando Paulo: Combateu o bom combate, acabou a carreira, guardou a Fé. Partiu para receber a coroa da glória e os bem-vindos do seu Senhor a quem serviu fielmente até ao fim.

A Deus toda a glória.

Abel Pego

MOISÉS GOMES (1937-2020)

240 240 Aliança Evangélica Portuguesa

Moisés dos Santos Gomes nasceu a 1 de Julho de 1937, em Leiria, terceiro de oito filhos do casal Fabrício e Piedade Gomes, membros da Igreja Baptista de Leiria. Numa família de parcos recursos, Moisés conciliava os estudos com o auxílio ao pai na oficina de automóveis.

Aos 19 anos, desafiado por João Jorge de Oliveira , um dos pastores e missionários batistas pioneiros em Portugal, viaja para os Estados Unidos para estudar engenharia mecânica no LeTourneau College, no Texas, curso que não chega a concluir.

Tendo decidido dedicar-se inteiramente ao serviço cristão, Moisés estuda humanísticas (Southwest Baptist University, Missouri) e psicologia (Oklahoma Baptist University), para posteriormente obter o grau de mestre em divindades (Southwestern Baptist Theological Seminary, Texas), iniciando mais tarde o doutoramento em Teologia (Dallas Theological Seminary, Texas).

A 28 de Agosto de 1965 casa com Rosemary Lee Starkey, enfermeira que se tinha voluntariado para ser missionária em África.

Em 1967, desafiado por Samuel Faircloth, que fundara entretanto o Movimento Promotor de Evangelização, regressa a Portugal para dirigir o trabalho da Mocidade para Cristo (Youth for Christ). Com fortes ligações ao movimento de evangelização mundial iniciado por Billy Graham, nos Estados Unidos, a Mocidade para Cristo tinha sido estabelecida em Portugal em meados dos anos 1950, mas só com Moisés Gomes veio a adquirir estrutura e atividade regular. Entre muitas iniciativas que mobilizaram a juventude evangélica em Portugal, ao longo de 23 anos, Gomes organizou campos bíblicos, inicialmente em Água de Madeiros e durante duas décadas em Vila Nova de Milfontes, no Acampamento Caravela, espaço propriedade da TEAM (The Evangelical Alliance Mission), que ali também promovia os seus campos bíblicos. Sendo um ministério interdenominacional, o trabalho da Mocidade para Cristo reunia ao longo de todo ano jovens de diversos ramos do meio evangélico português, espalhados por todo o país.

Ao deixar o trabalho da Mocidade para Cristo, Moisés Gomes assume em 1990 o pastorado da Igreja Baptista de Alcobaça que acumulará durante alguns anos com o da Igreja Baptista da Nazaré. Em Alcobaça dedica-se à evangelização e ao trabalho social com crianças, criando em 1993 a Fundação Vida Nova. Permanece como pastor da igreja até 2009.

É eleito para o triénio 1999-2001 presidente da Aliança Evangélica Portuguesa , sucedendo a José Dias Bravo. Foi ainda professor do Seminário Teológico Baptista e do Instituto Bíblico Português, lecionando diversas disciplinas nas áreas de evangelização e aconselhamento. Foi ainda membro da direcção da Sociedade Bíblica de Portugal.

Moisés dos Santos Gomes faleceu a 18 de Abril de 2020, em Kalamazoo, nos Estados Unidos, onde residia desde a sua aposentação.

Sociedade Portuguesa da História do Protestantismo
www.sphp.pt

Avós e netos, em tempo de pandemia

626 417 Aliança Evangélica Portuguesa

“O maior orgulho e alegria para os velhos são os seus netos;” (Provérbios 17:6, A Bíblia Viva)

Olhamos para os nossos netos e vemos o que os pais deles ainda não conseguem ver completamente: vemos a sua perfeição, a sua inteligência, perspicácia, alegria e força de viver, o reflexo dos próprios pais e o nosso reflexo também; vemos o presente e o futuro, o nosso legado a estender-se por mais uma geração!

Vemos a sua personalidade maravilhosa e o seu caráter em formação, sob a orientação e responsabilidade dos pais (Graças a Deus!)

E pensamos: “Já por lá passei… É um grande desafio… No fim, vai bater tudo certo… As traquinices fazem parte da vida. Eles estão a aprender. E eles vão crescer, tornar-se pessoas de bem, pessoas fantásticas, como os seus pais…”

Os nossos pequeninos são um mundo novo de oportunidades para nós! O nosso tesouro, a nossa grande alegria! Amamo-los como nunca conseguimos amar ninguém, e nem sequer sabemos como é que isso nos está a acontecer, como é que é possível…

É maior do que nós! É um amor diferente daquele que temos pelos filhos… É uma dádiva divina, uma bênção sublime!…

Nestes dias de isolamento, sentimos a falta deles mais do que conseguimos explicar em palavras… Sentimos, profundamente, a falta de os abraçar, de ficarmos sentados no chão a brincar com eles, como se fôssemos crianças também. Sentimos falta daquele cansaço saudável de umas boas corridas atrás deles, das gargalhadas em conjunto, até não termos força para rir mais!

Sentimos falta de lhes preparar o almoço ou o lanche, de os levar a sítios onde têm de ir, de cantarmos juntos no carro! Sentimos falta de fazer rimas divertidas, ler e contar histórias, responder às suas perguntas incríveis e mostrar como se fazem, de forma simples, coisas que lhes parecem muito difíceis!

A maioria dos avós tem a possibilidade de contactar os seus pequeninos por telemóvel ou por vídeo-chamada. Que bênção! Como estou grata ao Senhor por esses meios tecnológicos, que me permitem ver e ouvir os meus netos todos os dias! Ali ficam eles, mesmo à frente dos meus olhos, com toda a sua vivacidade! Não posso tocar-lhes, mas posso vê-los. Sinto-me grata, tão grata por esses momentos!

Durante o dia, oro por eles e pelos seus pais. Peço ao Senhor que guarde a cada um deles e que os leve em segurança até ao fim desta espécie de guerra que estamos a viver. Oro para que o Senhor alivie o cansaço dos pais, que os fortaleça, anime e ajude em todas as suas tarefas, tanto no cuidado das crianças como no teletrabalho. Oro para que Deus lhes dê a perspetiva melhor do que lhes está a acontecer: o privilégio de estarem mais tempo com as suas crianças, de as conhecerem melhor e de as amarem – de facto – incondicionalmente!

Avós, sei perfeitamente como se sentem. Não se desesperem, não fiquem ansiosos, lancem para longe a tristeza e a depressão. Tirem forças da vossa fraqueza, permaneçam saudáveis, ativos e animados! Este tempo vai chegar ao fim e os vossos netos vão querer recuperar todo o tempo perdido! Vão precisar de todos os abraços que estão a ser armazenados agora, de todo o amor e de toda a compreensão. Em breve eles irão “invadir” a vossa casa e a vossa vida com aquela alegria especial, que só eles têm!

Esperar com paciência no Senhor é uma arte que se aprende… Vamos aprendê-la?

 

 

Clarisse Barros
Professora e Escritora

Unidos no Amor e na Esperança

820 360 Aliança Evangélica Portuguesa

 

Mensagem conjunta de Páscoa 2020 de lideres cristãos em Portugal

Vivemos um tempo particular da nossa história coletiva. Súbita e inesperadamente fomos confrontados com desafios e exigências que nunca tínhamos imaginado. Ficámos privados da liberdade de circulação, impossibilitados de estar juntos e sujeitos a uma ameaça latente capaz de fazer perigar a própria vida. A pandemia do Coronavírus atingiu-nos por igual, sem exceção de classe social, económica ou religião. Percebemo- nos iguais na nossa comum humanidade e necessitados uns dos outros para ultrapassar um desafio que só poderá ser vencido com o trabalho e a união de todos. A indiferença tem dado lugar à solidariedade ativa e a defesa do valor sagrado da vida expressa-se no particular cuidado para com os mais débeis e idosos.

Damos graças a Deus pelos inúmeros exemplos de altruísmo e de profunda dedicação ao próximo a que diariamente assistimos na sociedade portuguesa, nas suas diversas áreas e em particular na área da saúde. Num contexto de dor e de tristeza, o seu testemunho com risco da própria vida, acalenta a esperança no futuro e confere um sentido ao sofrimento vivido. As nossas orações e a nossa solicitude pastoral estão com todos os que choram a perda dos seus queridos e com os que vivem com angústia as exigências do tempo presente.

A celebração da Páscoa que se avizinha e que nos congrega enquanto cristãos, remete- nos para o nosso batismo comum em Jesus Cristo. E no assumir conjunto da nossa vocação batismal redescobrimos que a identidade cristã é estar com Jesus. Neste tempo, de um modo muito profundo, percebemo-Lo presente na intimidade de Deus Pai e na comunhão plena e vivida com todos os que sofrem. Como discípulos de Cristo ressuscitado, e na rica diversidade das tradições que nos identificam, estamos conscientes da importância de estarmos cada vez mais unidos no anúncio e no testemunho do Amor de Deus.

Oramos pelos que nos governam e têm responsabilidades coletivas e apelamos a que todos os cristãos e homens e mulheres de boa vontade se unam cada vez mais, em amor e em serviço.

Oramos também para que o Tempo Pascal nos traga paz, confiança e esperança num futuro melhor.

Aleluia ! Cristo ressuscitou !

Uma Santa e Feliz Páscoa para todos!

 

Subscrevem a Mensagem conjunta de Páscoa : (por ordem alfabética)

Dr. António Calaim – Presidente da Aliança Evangélica Portuguesa
Bispo Jorge Pina Cabral – Igreja Lusitana (Comunhão Anglicana)
Bispo D. Manuel Linda – Diocese Católica Romana do Porto
Pastor Miguel Jerónimo – Diretor Executivo da Sociedade Bíblica
Pastor Paulo Medeiros Silva – Presidente da Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal Reverendo Cónego Philip Bourne – Igreja Inglesa de St. James’ Porto
Bispo Sifredo Teixeira – Igreja Evangélica Metodista Portuguesa

Mudanças necessárias!

957 637 Aliança Evangélica Portuguesa

Vivemos um tempo de grande perplexidade, medo, preocupação, privação. Como cristãos, é a oportunidade de aprofundar a nossa fé. Como Jeremias, podemos dizer: “Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade!” Lm 3:21-23

O sofrimento é esperado num mundo que jaz no maligno. Em vez de nos chocarmos com o mal, nós devíamos surpreender-nos com o bem, com o facto de continuarmos amados por Deus, com a bondade de Deus manifesta de inúmeras maneiras – o sol continua a brilhar, a natureza renova-se – e, principalmente, Cristo provou o Seu amor na cruz.

C.S Lewis diz que o sofrimento é o megafone de Deus. É legítimo orar para Deus aliviar o sofrimento, mas precisamos também de perceber a mensagem que Deus está a enviando à humanidade, à sua igreja e a cada um de nós.

Não pretendo ser porta-voz de Deus, mas apenas sugerir algumas linhas de reflexão.

Para a humanidade: esta pandemia mostra que somos todos afetados pelo que acontece na terra, mesmo se for do outro lado do mundo. Mostra que o desenvolvimento tecnológico não se acompanhou de um desenvolvimento social equilibrado. E este desequilibro torna a vida muito precária. Somos frágeis, vulneráveis e efémeros. Daí a necessidade de sermos solidários, de rever as nossas prioridades, este modelo económico insustentável, a grande desigualdade social, a falta de investimento em saúde, saneamento básico e educação, principalmente nos países mais pobres. Como cidadãos, precisamos rever os nossos padrões de consumo, consumir menos bens materiais e mais bens culturais, gerar menos lixo e gastar menos recursos finitos da terra, apoiar ações solidárias em direção aos excluídos, aos que sofrem, aos desfavorecidos. É notável que, enquanto homens morem asfixiados pelo vírus, a natureza respira, a poluição diminui.

Para a Igreja: perceber que sua essência são as pessoas, que precisamos de investir mais em pessoas que em locais, priorizar o exercício da fé em família, nas casas. Zelar pela qualidade dos nossos vínculos familiares. Rever os nossos modelos e padrões religiosos para promover o exercício dos dons. Não há membro inútil no corpo. No entanto, muitos se contentam em assistir ao culto e, no máximo, contribuir financeiramente. Somos todos sacerdotes, todos missionários e discípulos de Cristo. Chamados a aprender a amar e servir a Deus no outro. Talvez o primeiro passo seja realmente confessar as nossas falhas e omissões e iniciar um processo de mudança: orando e tomando iniciativas. Lembremos 2 Cr 7:13,14 “Se eu fechar os céus, e não houver chuva; ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra; ou se enviar a peste entre o meu povo; E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.”

Individualmente: Deus convida-nos a nos aquietar, entrar no quarto do nosso coração e nos aproximar para aprofundar a nossa intimidade com Ele. Deus convida-nos a derramar o nosso coração e a receber a Sua paz, Fp 4:6,7 “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.” Aprofundar a nossa intimidade é também aprender a silenciar para ouvi-Lo através da Sua Palavra e das revelações que Ele quiser nos dar.

A partir do seu acolhimento incondicional, podemos olhar para dentro de nós neste tempo de quarentena e de quaresma para identificar e confessar aquilo que distorce a Sua imagem em nós. O pecado distorce a nossa visão de nós mesmos e do mundo. Assim como Jesus curou o cego, ele quer hoje curar a nossa cegueira espiritual.

Que possamos enxergar na Sua Luz para iluminar outros. Sigamos o conselho de Paulo aos Ef 5:8-10 “Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade; e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor.”

Resumindo: Vamos lavar as mãos e também o coração. Aproveitar este tempo de quaresma/quarentena para refletir sobre a nossa vida, as nossas escolhas, confessar os descaminhos e reorientar a nossa vida de acordo com os valores do Reino, cuidando do nosso coração, do próximo e do mundo que Deus nos confiou.

Estamos vivendo uma crise. Crise, no ideograma chinês é perigo e oportunidade. Se tirar o s, sobra crie! É oportunidade de desenvolver novas habilidades e delinear novas prioridades. Uma paragem para gerar um recomeço. A Graça é a possibilidade de recomeçar sempre!

Que todo o sofrimento deste período seja revertido em transformação para nos tornar mais parecidos com Cristo! Amém!

 

Isabelle Ludovico da Silva
Psicóloga clínica com especialização em Terapia Familiar Sistémica.

isabelle@ludovicosilva.com.br

O SENTIR DE UMA CIDADE

960 638 Aliança Evangélica Portuguesa

Como se fossemos numa viagem, ao ler a Bíblia encontramos diferentes paisagens, climas, ambientes, dinâmicas e preocupações em cidades daquele tempo.

Quatro cidades

Curioso é que, por vezes, também descobrimos “sentimentos” nestas cidades. É verdade, o texto refere o “pulsar do coração” desta e daquela cidade, como se de uma pessoa se tratasse. Recordemos aqui algumas delas:

Belém: Cidade comovida

“Assim, pois, foram-se ambas, até que chegaram a Belém; e sucedeu que, entrando elas em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e diziam: Não é esta Noemi?” (Rute 1:19)

Susã: Cidade confusa

“Os correios, pois, impelidos pela palavra do rei, saíram, e a lei se proclamou na fortaleza de Susã; e o rei e Hamã se assentaram a beber; porém a cidade de Susã estava confusa.” (Ester 3:15)

Jerusalém: Cidade perturbada

“E o rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele.” (Mateus 2:3)

Samaria: Cidade alegre

“E havia grande alegria naquela cidade.” (Actos 8:8)

E a sua cidade?

Que adjectivo lhe atribuiria, hoje? Como se sente a sua cidade? Possivelmente sente o mesmo que a minha. Há lojas fechadas, edifícios escolares silenciosos, ginásios sem movimento, ruas quase desertas. As nossas cidades estão perplexas, receosas, perante a propagação rápida do coronavírus e todos os perigos daí decorrentes. O que lhe caberá fazer?

“Ah, mas eu, sozinha, pouco poderei fazer pela minha cidade…” Talvez seja este o seu pensamento. Contudo, acredito que cada um(a) de nós pode fazer mais do que imaginamos. É que, nos quatro exemplos acima referidos, o sentimento de cada uma das cidades foi despertado por uma pessoa só. Veja:

Belém – o regresso de Noemi

Susã – a perversidade de Hamã

Jerusalém – a perturbação de Herodes

Samaria – a pregação de Filipe

Deixe que Deus a use, como Ele quiser, em favor da localidade onde vive.

Duas ideias

Aqui estão elas:

– Cumprir à risca tudo aquilo que tem sido recomendado, sem banalizar as informações oficiais que vamos tendo sobre a situação e valorizando a experiência de outros países onde o vírus fez adoecer primeiro. 

– Reconhecer o amor de Deus pelas cidades e o Seu poder para curar a terra, e interceder em oração, lembrando estas Suas palavras: “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” (II Crónicas 7:14)

Nestes dias, li algures esta frase: “Não está tudo bem, mas vai ficar.” Acredito que sim, confiando no amor e na protecção do nosso Deus.

Para todas, um fim-de-semana abençoado.

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária

Os cristãos e o estado de emergência

856 501 Aliança Evangélica Portuguesa

O estado de emergência é uma medida constitucional de suspensão de direitos dos cidadãos, podendo ser declarado em casos de exceção, designadamente “de calamidade pública” (art.º 19.º, n.º 2, da Constituição); só quando as situações sejam de maior gravidade pode ser decretado o estado de sítio.

O n.º 4, do art.º 19.º, da Constituição prescreve que a declaração e execução do estado de emergência “deve respeitar o princípio da proporcionalidade e limitar-se, nomeadamente quanto às suas extensão e duração e aos meios utilizados, ao estritamente necessário ao pronto restabelecimento da normalidade constitucional”.

A declaração de estado de emergência não concede discricionariedade aos agentes de autoridade, pois deve conter “a especificação dos direitos, liberdades e garantias cujo exercício fica suspenso” (art.º 19.º, n.º 5, da Constituição).

Além de ser limitado no tempo (máximo de 15 dias, ainda que passível de renovação pelo número de vezes necessário, caso se mantenham os pressupostos), “em nenhum caso pode afetar os direitos à vida, à integridade pessoal, à identidade pessoal, à capacidade civil e à cidadania, (…) e a liberdade de consciência e de religião” (art.º 19.º, n.º 6, da Constituição).

Assim, é possível que a declaração de estado de emergência imponha a ordem de permanência na habitação, será admissível a saída em situações de “força maior” ou “necessidade”, designadamente para comprar alimentos, produtos farmacêuticos, ir ao médico, trabalhar, cuidar de idosos ou menores que estejam dependentes ou sejam vulneráveis.

Quanto à liberdade de consciência e de religião, o art.º 41.º, n.º 1, da Constituição prescreve que é inviolável. “Ninguém pode ser perseguido, privado de direitos ou isento de obrigações ou deveres cívicos por causa das suas convicções ou prática religiosa. Ninguém pode ser perguntado por qualquer autoridade acerca das suas convicções ou prática religiosa” (art.º 41.º, n.º 2 e 3, da Constituição).

A declaração de estado de emergência não pode proibir a prática de culto religioso, celebração de funerais ou casamentos. Mas pode estabelecer restrições do número máximo de pessoas reunidas, bem como à adoção de medidas organizacionais que consistem em evitar multidões, dependendo das dimensões e características dos locais, de modo a garantir aos assistentes a possibilidade de respeitar uma determinada distância (v.g. 1 metro ou mais). Atualmente, ainda sem estado de emergência, ao abrigo das medidas de exceção aprovadas em Conselho de Ministros, já é proibida a reunião com 100 pessoas ou mais; a declaração do estado de emergência pode impor uma restrição ainda maior (50, 30, 20).

Sabemos que “mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29). A obediência (a Deus) é a evidência da nossa confiança em Deus, pois Ele é Fiel (1Coríntios 10:13; 1João 1:9), nos confirma e guarda do maligno (2Tessalonicenses 3:3); Ele mantém a Sua aliança e bondade eternamente (Deuteronómio 7:9). Por causa da Sua fidelidade, podemos crer nas Suas promessas (Hebreus 10:23); “a palavra do Senhor é verdadeira; Ele é fiel em tudo o que faz” (Salmo 33:4).

A declaração de emergência, contudo, não impede que falemos da Bíblia, da salvação que há em Cristo Jesus, que comuniquemos das diversas formas disponíveis, incluindo as redes sociais, videoconferência, etc..

Por outro lado, de acordo com Romanos 13:1, os cristãos devem submeter-se às autoridades, sabendo que “quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação” (Romanos 13:2).

Devemos ser exemplo perante o mundo; não podemos ser causa de escândalo nem desordem; “sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza” (1 Timóteo 4:12); “Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam e estejam preparados para toda boa obra; que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas modestos, mostrando toda mansidão para com todos os homens” (Tito 3:12).

Obedeçamos às autoridades, sejamos o exemplo e não a causa de dano algum, pois dessa forma também obedecemos a Deus, orando e vigiando (Mateus 26:41) — “Vigiai, estai firmes na fé; portai-vos varonilmente, e fortalecei-vos (1 Coríntios 16:13).

Efésios 6:5-8, 10,11 13-18:
“(…) obedecei a vosso senhor segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus;
Servindo de boa vontade como ao Senhor e não como aos homens, sabendo que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre;
(…) No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo; (…)
Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes.
Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça, e calçados os pés na preparação do evangelho da paz; tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno.
Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus, orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos”.

Joel Pereira
Juiz

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