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Geral

PAZ, ACIMA DAS CIRCUNSTÂNCIAS

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Cantar na cela de uma prisão não era algo vulgar. Contudo, foi o que Paulo e Silas fizeram. “E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam.” (Atos 16:25) Eles estavam presos mas as suas vozes não. Aquela era a sua oportunidade de mostrar ao carcereiro e aos outros presos quem era o Deus a quem serviam. A sua atitude foi nada menos do que viver acima das circunstâncias e não debaixo delas.

Essa é a vontade do Senhor para o nosso dia de hoje e podemos contar com Ele. Como dizia o salmista: “Elevoos meus olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra.” (Salmo 121:1,2)

O novelo, o cajado e a pedra

Recentemente, estive internada no hospital por quatro dias e esta foi a confiança que ali recebi: não é o lugar onde estamos que define a nossa posição diante Daquele que nos guia, mesmo quando não compreendamos os Seus desígnios.

Ali, lembrei-me de Gideão e do seu “novelo de lã”,vencendo as suas dúvidas (Juízes 6,36 a 40)

Pensei também em Moisés, com o “cajado” na mão,afirmando a sua certeza em Deus e no Seu livramento a um povo cansado (Êxodo 14:13 a15)

Recordei a certeza sentida por David de que Deus ia guiar a “pedra” e anular o gigante (I Samuel 17)

Numa escala maior ou menor, quase todos nós já tivemos o nosso “novelo de lã”, o nosso “cajado” e a nossa “pedra”na mão, sabendo que o Autor do livramento está ao nosso lado e terá sempre última palavra para o que for e quando for preciso.

Lembremos as “dúvidas” que O Senhor já dissipou, os “caminhos que abriu” e os “gigantes vencidos”.

O meu desejo é que a paz que tenho recebido, vinda destes exemplos, vos alcance seja qual for a vossa necessidade, porque O Senhor é o mesmo, Ele não muda na Sua acçãomesmo quando não entendemos os caminhos por onde nos vai levando.

As asas do livramento

Temos um Deus que nos renova. Ele diz: “Esqueçam o que se foi, não vivam no passado. Estou fazendo uma coisa nova.” Isaías 43,18,19. Quando a nossa “tenda” pareceestar-se a romper, Deus ainda vai renovando a nossa alma com a paz que este mundo não conhece. É o que estou a receber hoje e o Senhor tem em abundância para dar a quem precisa. É só pedir.

A borboleta no casulo “sente” a sua prisão até ele se abrir e, ainda que passando pelo “estreitamento da saída”, ela abre asas e voa alto e livre no Céu sem limites. Ainda no “casulo”, vamos lembrar pela fé as asas do Seu livramento.

Desejo a todos os meus amigos a paz que eu tenho. Shalom.

“Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão.” (Isaías 40:31)

Carmina Coias
Missionária Aposentada

As Duas Rosas

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Era Dia da Mãe. Eu tinha 17 anos e na igreja recebera uma rosa para oferecer à minha mãe, naquela manhã de Maio, cheia de sol.

Ao entregar-lhe, comovi-me. Era natural, pela relação tão próxima e carinhosa que tinha com ela. Era um prazer entregar-lhe a rosa, como símbolo de tanta coisa que desde bebé nos unia uma à outra.

Contudo, estava sensibilizada também por outro motivo, e disse-o: “Mãe, hoje gostava de ter duas rosas para oferecer: uma a ti e outra à minha mãe chinesa.”

Mãe chinesa… Era assim que eu designava a minha mãe biológica, que me dera à luz, em Macau. Na altura, ela tinha 21 anos e, sentindo-se desprovida de condições para ficar comigo, acabara por decidir encaminhar-me para a adopção. E assim, com dez meses, fui entregue a este casal português que residia em Macau, agora meus pais, que já tinham uma filha biológica e oravam por uma bebé para adoptar.

A minha mãe comoveu-se também, concordou que seria lindo eu poder fazê-lo e combinou comigo que esse seria um plano para concretizar um dia. Na verdade, na altura da adopção os meus pais haviam pedido alguns elementos mais sobre a identidade da minha mãe biológica (fotocópia de dois documentos dela), que lhes foram concedidos, para que um dia eu tivesse alguns recursos mais para procurar a minha Orquídea de Ouro (significado do nome chinês da minha mãe).

Entretanto, os anos passaram. Concluí o meu curso, casei e fui mãe há 2 anos atrás. O meu marido, que também é adoptado, decidiu procurar a sua mãe biológica. Envolvemo-nos os dois nesse processo e fomos bem sucedidos! Sim, ele encontrou a sua mãe! E voltei a pensar em encetar o mesmo processo.

Comecei por contactar uma ex-colega da minha mãe adoptiva, que vive em Macau. Ela foi a uma casa onde supostamente a minha mãe biológica viveria, segundo o endereço que tínhamos. Afinal, já não residia lá. Os vizinhos contaram que há 10 anos ela saíra dali mas asseguraram que ela continuava a viver em Macau, embora fosse da China continental, pois viam-na ocasionalmente.

Então, foi altura de escrever para o Departamento de Adopções em Macau. Responderam-me prontamente e foram procurar a minha mãe, levando fotografias minhas, ainda bebé e outras mais recentes que eu lhes enviara. E conseguiram localizá-la! Ela vive com a mãe, minha avó materna, e ambas ficaram muito felizes por ter notícias minhas. Enviaram-me fotografias delas, que recebi com alegria, e tenho observado com curiosidade e carinho.

Muitas vezes me perguntam o que sinto acerca da minha mãe biológica. A última vez que tal aconteceu foi no programa televisivo de Manuel Luís Goucha, onde participámos, o meu marido e eu, no passado dia 30 de Junho. Na verdade, não existe ressentimento nem revolta em mim. Acredito que entregar um filho para adopção pode ser um acto de amor, de grande altruísmo e generosidade. Reconhecendo que não tinha condições, a minha mãe dispôs-se a oferecer-me, assim, um futuro melhor. Sonho com o dia de a encontrar presencialmente, de a abraçar e, então, oferecer-lhe uma rosa. Estou a recolher fundos nesse sentido.

Ser adoptada lembra-me sempre o amor de Jesus, que fez o mesmo por todos nós, tal como referiu S. Paulo: “e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade.” (Efésios 1:5)

Se desejar conhecer melhor a nossa história de adopção, do meu marido e a minha, poderá adquirir o nosso livro “Adoptados e Unidos pelo Amor”, contactando-nos por e-mail: adoptadosvm@gmail.com

Melissa Raquel Coias Tomé Marini

Médica de Medicina Tradicional Chinesa

AEP recebida pela Ministra da Justiça

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A direção da AEP foi recebida esta manhã em audiência pela Ministra da Justiça, Dra Francica Van Dunem, a fim de convidar Sua Excelência para a Celebração do Centenário da AEP, a realizar-se a na cidade do Porto, a 14 de novembro próximo.

Foi também um momento para, entre outros assuntos de grande importância para as igrejas e desenvolvimento das boas relações do governo com as comunidades evangélicas, ser oferecida uma Bíblia, um livro sobre a Igreja perseguida e orar a Deus pelos nossos governantes.

Gratos a Deus por esta oportunidade!

20 anos da Lei da Liberdade Religiosa

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No dia 22 de Junho 2021, celebramos em Portugal os 20 anos da publicação e entrada em vigor da Lei da Liberdade Religiosa – LLR (Lei nº 16/2001, de 22 de Junho).

Neste breve artigo, gostaria de dedicar algumas linhas à defesa da liberdade religiosa como um amplo direito de liberdade e garantia de ter religião, não ter, mudar ou deixar de ter, dando especial atenção à prática do culto religioso, sem pretensão de esgotar o assunto.

Importa, antes de mais, referir que lei em questão não visa conferir alguma protecção e segurança jurídica especial ou exclusivamente às confissões “protestantes/evangélicas”, mas sim a todas as confissões religiosas minoritárias ou simplesmente não católicas existentes e professadas em Portugal. 

Neste sentido, destaco ainda que o processo político desencadeado pela Revolução de 25 de Abril de 1974, o qual fez surgir a Constituição da República Portuguesa, de 2 de Abril 1976 (CRP), Diploma este reconhecido como um verdadeiro marco histórico pela mudança de regime, desde o liberalismo, sem se traduzir em choque entre a Igreja Católica e o Estado, ou mesmo, em perseguição religiosa, constituiu um marco importantíssimo para a nossa democracia.

A Carta Magna, por assim dizer, dedica a sua primeira parte (68 artigos) a direitos e deveres fundamentais, onde se situa precisamente, o direito à liberdade de consciência, de religião e de culto (sem prejuízo de outras importantes disposições constitucionais).

Neste contexto, o preceito comportado em seu artigo 41º, reconhece não um, mas três direitos distintos, embora conexos, enquanto manifestações da liberdade religiosa, referindo-se, por conseguinte, à religião como uma especificação da consciência, e ao culto, como uma especificação da religião.

Assim dispõe o texto fundamental sobre o qual nos ocupamos:

“Artigo 41º

Liberdade de consciência, de religião e de culto

1. A liberdade de consciência, de religião e de culto é inviolável.

2. Ninguém pode ser perseguido, privado de direitos ou isento de obrigações ou deveres cívicos por causa das suas convicções ou prática religiosa.

3. Ninguém pode ser perguntado por qualquer autoridade acerca das suas convicções ou prática religiosa, salvo para recolha de dados estatísticos não individualmente identificáveis, nem ser prejudicado por se recusar a responder.

4. As igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização e no exercício das suas funções e do culto.

5. É garantida a liberdade de ensino de qualquer religião praticado no âmbito da respectiva confissão, bem como a utilização de meios de comunicação social próprios para o prosseguimento das suas actividades.

6. É garantido o direito à objecção de consciência, nos termos da lei.”

De imediato, percebe-se a consideração constitucional da liberdade religiosa conferida pelo legislador constituinte no emprego da expressão qualitativa “inviolável” em seu nº 1. Todavia, inviolabilidade não significa absolutismo, sendo, por conseguinte, a liberdade religiosa (em especial, o culto), um direito sujeito a certas e pontuais restrições, quando confrontado com outros direitos e garantias, também de ordem fundamental e igualmente protegidos, como se verifica facilmente (e infelizmente) em questões corriqueiras que envolvam a perturbação da ordem e saúde pública derivada do ruído excessivo que a prática do culto público possa produzir, para não referir outras situações por economia de espaço.

Dando um salto até o ano de 2001, a Lei da Liberdade Religiosa (LLR) foi publicada em Diário da República a 22 de Junho, revogando a então Lei nº 4 de 1971, de 21 de Agosto (Lei de Bases Relativas à Liberdade Religiosa) e o Decreto nº 216 de 1972, de 27 de Junho, tendo como alicerces esta nova lei os princípios da liberdade, igualdade, separação do Estado, não confessionalidade, cooperação e tolerância. 

Embora a LLR não viesse a apresentar uma definição legal do que seja “religião” – em conformidade com a Constituição de 1976 -, dispõe acerca de diversos temas importantes relacionados ao fenómeno social religioso, como é o caso dos princípios orientadores, os direitos individuais e colectivos de liberdade religiosa, o status jurídico das igrejas e comunidades religiosas, a possibilidade de celebração de acordos entre as pessoas colectivas religiosas e o Estado, a Comissão da Liberdade Religiosa – enquanto órgão consultivo do Governo acerca da matéria -, para além de fazer remissão expressa à Legislação aplicável à Igreja Católica, a saber, a então Concordata vigente entre a República Portuguesa e a Santa Sé de 7 de Maio de 1940 (e legislação correlata), entretanto substituída pela actual Concordata de 18 de Maio de 2004.

De notar que somente no ano de 2009 procedeu-se à regulamentação do exercício da “assistência religiosa” às Forças Armadas, forças de segurança ou de polícia, aos hospitais, asilos, colégios, institutos ou estabelecimentos de saúde, de assistência, de educação ou similares, aos estabelecimentos prisionais ou outros lugares de detenção, conforme decorre dos Decretos-Lei nº 251, 252 e 253, todos de 23 de Setembro do mesmo ano). Contudo, muito trabalho ainda necessita ser feito.

Em decorrência do profundo carácter secular e regulamentar, característico da sociedade portuguesa, a liberdade religiosa, constitucionalmente garantida como “inviolável”, corre o perigo real de deparar com a oposição crescente de autarquias, condomínios, associações de moradores etc., principalmente com maior intensidade quando as confissões religiosas minoritárias saem à procura de um local de culto para exprimirem os seus actos de adoração. O direito à liberdade de culto não terá qualquer relevo se não for acompanhado de um conjunto de prestações normativas que possibilitem a construção de templos ou a utilização para o culto de edifícios já existentes.

Ressalto que serão nesses espaços físicos, adequados para o efeito e subordinados às normas legais e regulamentadoras das mais diversas esferas de acção social, onde os actos e práticas religiosas serão realizados.

De todo, nada valerá falar em liberdade religiosa ou de culto sem se dar a efectiva garantia da possibilidade de construção de templos de raiz destinados a esse fim ou do aproveitamento de edifícios já existentes como locais de culto. Disto faz demandar um grande esforço de consciencialização desencadeado pelos operadores do direito, sob a forma de seminários, fóruns de discussão, palestras, produção científica etc., no sentido de despertar a consciência da população, de dar uma correcta interpretação à lei já existente junto dos Tribunais ou de se encetar junto ao Legislador a edição de legislação pertinente nonde e quando se verificar a necessidade de colmatação.

A solução mais adequada, salvo melhor opinião, seria o incentivo à comunicação e o diálogo entre partes, por vezes a recorrer a meios alternativos de resolução de litígios – inclusive, visando descongestionar as instâncias administrativas e o judiciário -, prosseguindo com o regular exercício do direito à prática do culto em causa, porém ajustando-se o local de culto às razões de interesse público, designadamente a não poluição sonora, insonorizando o ambiente (ou reduzindo a níveis suportáveis, em atenção ao princípio da tolerância) os ruídos produzidos no local – uma vez que não há direitos absolutos -, devendo permanecer dessa forma, enquanto não for encontrado outro imóvel ou espaço que permita o culto ser praticado sem constrangimentos (ou o mínimo possível) e sem prejuízo à vizinhança.

Quanto à questão da concessão de terreno pelas Câmaras Municipais, os artigos 5º, 28º, nº 2 e 51º da LLR, auto-aplicáveis na sua génese, nos termos do art. 18º da CRP, referem que:

“O Estado cooperará com as igrejas e comunidades religiosas radicadas em Portugal (…). Os planos municipais de ordenamento do território e demais instrumentos de planeamento territorial devem prever a afectação de espaço a fins religiosos. (…) As pessoas colectivas religiosas podem celebrar outros acordos com o Estado, as Regiões Autónomas e as autarquias locais para a realização dos seus fins, que não envolvam a aprovação de uma lei”.

Portanto, a autoridade competente, atendendo ao princípio da flexibilização na escolha, poderá decidir caso-a-caso, em função das políticas sectoriais ou interesse público a alcançar com a cedência do terreno, criação de um direito de superfície ou a facilitação da aquisição de imóvel municipal, ou ainda, satisfazendo a prossecução dos interesses próprios das populações respectivas e respeitando os princípios que regem a actividade administrativa na gestão do seu domínio patrimonial privado, designadamente os da legalidade, da transparência e da boa-fé.

Ainda há muito que lutar.

Rafael Luz

Advogado

BIBLIOGRAFIA BÁSICA CONSULTADA E RECOMENDADA:

ANDRÉ FOLQUE, “A qualificação jurídica dos fins religiosos”, in PAULO PULIDO ADRAGÃO (coordenador), Atas do I Colóquio Luso-Italiano sobre a Liberdade Religiosa. Almedina, Coimbra: 2014.

CLÁUDIA PRATAS, O direito da religião. A protecção das minorias protestantes. Lisboa, Chiado Editora: 2014.

DIOGO FREITAS DO AMARAL, Curso de Direito Administrativo. Vol. II, 2ª Ed., Almedina, Coimbra: 2014.

J. J. GOMES CANOTILHO, (coordenador). Direitos Humanos, Estrangeiros, Comunidades Migrantes e Minorias (obra colectiva). Comunidades Portuguesas. Celta Editora, Oeiras: 2000.

_____, Direito Constitucional e Teoria da Constituição. 7ª Edição. Almedina, Coimbra: 2003.

_____; JÓNATAS MACHADO, “Bens Culturais, Propriedade Privada e Liberdade Religiosa”, in Revista do Ministério Público, nº 64: 1995.

_____; JÓNATAS MACHADO, “Igrejas e Sindicatos e o Dia do Senhor”, in Estudos em Homenagem a António Barbosa de Melo. Coimbra, Almedina: 2013.

_____; VITAL MOREIRA. Constituição da República Portuguesa Anotada, Volume I, 4ª edição revista, Coimbra, Coimbra Editora: 2007.

JÓNATAS MACHADO, Pré-Compreensões na Disciplina Jurídica do Fenómeno Religioso. Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Volume LXVIII [Separata]. Coimbra: 1992.

_____, Liberdade Religiosa Numa Comunidade Constitucional Inclusiva “Dos Direitos da Verdade aos Direitos dos Cidadãos”. Boletim da Faculdade de Direito, Studia Iuridica 18, Coimbra: 1996.

_____, “A Constituição e os Movimentos Religiosos Minoritários”, in Estudos em Homenagem ao Doutor António Castanheira Neves. Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Volume LXXII [Separata]. Coimbra: 1996.

_____, “A Construção e Utilização de Locais para o Culto: A Perspectiva das Confissões Religiosas Minoritárias”, in Revista do Ministério Público, nº 69: 1997.

JORGE MIRANDA, Manual de Direito Constitucional. Tomo IV. Direitos Fundamentais. 5ª Edição, Coimbra Editora, Coimbra: 2012.

MIGUEL ASSIS RAIMUNDO, et al., Tratado de Direito Administrativo Especial. Vol. VI, Almedina, Coimbra: 2012.

PAULO PULIDO ADRAGÃO, A Liberdade Religiosa e o Estado. Tese de Doutoramento em Direito Público, Almedina (Colecção Teses), Coimbra: 2002.

LEGISLAÇÃO:

– Constituição da República Portuguesa de 1976

– Lei nº 16/2001, de 22 de Junho (Lei da Liberdade Religiosa)

VIRÁ COMO CHUVA

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Gosto de ver chover. Gosto de ouvir chover. Depois, gosto do aroma da terra molhada.

Em dias de chuva, vêm-me à mente as palavras de Oseias (6:3b): “Ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.”

Pode acontecer pensarmos em Deus como Alguém distante, até inacessível. Contudo, esta afirmação refere um Deus que vem a nós, que se aproxima e toca na nossa vida. De que forma o faz? Virá como chuva, diz a passagem bíblica. Dou por mim a pensar que nesta chuva e encontro aí três características.

Nova

Não existe chuva velha. Nem usada, gasta ou remendada. É sempre nova, recebida em 1ª mão. Transparente, fresca, límpida em cada gota. Assim é o toque de Deus na nossa vida. O Seu amor puro oferece-nos o novo. “Se alguém está em Cristo, nova criatura é. As coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo”, lembra-nos S. Paulo (II Coríntios 5:17)

“Eis que faço novas todas as coisas.” (Apocalipse 21:15)

Geradora de vida

A chuva cai na terra seca, refresca-a e desperta vida. Em pouco tempo, veremos germinar por ali plantas diversas. E o cenário árido muda, passando a um fundo verde salpicado pelas cores das flores silvestres.

De igual modo, ao tocar na nossa vida, mesmo que ressequida ou inerte, Ele faz nascer e crescer sentimentos, perspectivas, ideias, acções, frutos da Sua presença, que oferecem uma nova visão e uma dinâmica própria aos nossos dias.

Serôdia

A chuva é serôdia, ou seja, acontece fora do tempo, pois não está limitada por ele. Surge como uma prenda que se recebe num dia que não é o do aniversário nem é Natal. Apanha-nos de surpresa e delicia-nos.

Acredito que Deus tem prazer em vir a nós e abençoar-nos, mesmo que seja no dia menos esperado. Enxugar as nossas lágrimas, curar as nossas feridas, levar-nos aos ombros, como o pastor que encontra a ovelha perdida, oferecer-nos paz.

Preparei esta reflexão uma noite, para a partilhar na manhã do dia seguinte, num tempo devocional por Zoom. De manhã, assim que acordei, ouvi a chuva que caía lá fora… Quase no início do Verão, sem ser muito esperada. Fez-me bem ouvi-la, como se vincasse esta verdade bíblica. Sim, Deus está perto, como a chuva que cai, natural e suavemente.

“Tu, ó Deus, mandaste a chuva em abundância, confortaste a tua herança, quando estava cansada.” (Salmo 68:9)

Bertina Coias Tomé

Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Psicologia Comunitária.

20 junho – Dia Mundial dos Refugiados

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Ao longo de um ano na pandemia covid-19, muitos de nós fomos desencorajados em relação a gestos amorosos de abraçar, apertar as mãos ou até mesmo aproximar-se dos outros. Num mundo onde nos pedem para nos “distanciarmos uns dos outros” para nos protegermos uns aos outros, o que lhe  parece sobre “abraçar os excluídos” em oração?

O Domingo Mundial dos Refugiados é uma oportunidade para aprender e experimentar formas diversas de servir os mais vulneráveis do mundo.
Saiba como pode fazer a diferença:

https://wrs.worldea.org/about/

Mateus 2:13-14 mostra-nos que a perseguição de Herodes forçou Jesus e sua família a fugir para o Egito quando Ele era uma criança ainda tão pequena. Quando regressaram, não sentiram que era seguro voltar à sua cidade natal na Judeia e estabeleceram-se noutro local. Jesus identifica-se pessoalmente com os refugiados e retornados. Eles também podem identificar-se com Ele.
Jesus identificou-se com os estrangeiros ao ponto de dizer que quando convidamos um estrangeiro para a nossa casa, é como se convidássemos Jesus. Da mesma forma, Jesus identificou-se com os famintos, os sedentos, aqueles que precisam de roupa, os doentes e os prisioneiros. As pessoas forçadas a sair dos seus países, experimentam muitas vezes todas estas condições.A Bíblia está cheia de exortações para cuidar dos necessitados, vulneráveis, marginalizados e oprimidos. Os seguidores de Jesus Cristo são chamados a ser pessoas humildes que vivem vidas marcadas pela misericórdia, justiça e hospitalidade. Temos razões específicas para estarmos altamente motivados para procurar a proteção e o bem-estar das pessoas refugiadas.Aproxime-se do coração de Cristo enquanto oramos pelos refugiados.

DOK Trailer – Gerechtigkeit auf der Flucht – YouTube

Ele adestra as minhas mãos

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A pensar que “a necessidade faz o engenho”, fui espreitar o que tenho na minha caixa de costura e achei praticamente o necessário para pequenos arranjos. Com saudade, encontrei algumas coisas de há cinquenta anos atrás: linhas de alinhavar, um dedal, um ovo de madeira, uma fita métrica já bem gasta, botões, que ainda guardo, tudo isto dado pela minha mãe antes do meu casamento. Também tinha agulhas, linhas e outros itens já mais recentes, claro.

As minhas irmãs mais velhas foram sempre muito habilidosas em costura, bordados, rendas e a transformar peças de roupa dos mais irmãos velhos para os mais novos. Mais tarde, faziam as suas próprias saias, blusas e até vestidos com amigas da Igreja e recordo quando estreavam, bem lindas, no auge da juventude. Eu aprendi os rudimentos, mas sempre achei um trabalho muito parado, tinha dores nas costas e pouco jeito.

Comecei por pregar um botão, subir uma bainha. Depois, para poupar nos gastos, fui-me atrevendo nuns pontos mais ousados e descobri que é bom arriscar e cresci nesta arte mas, claro, limitada a coisas não muito complicadas.

Não tenho máquina de costura mas não tem sido impedimento pois é possível fazer ponto de máquina à mão. Tento fazer o mais perfeito possível, devagar, para não me trair. O sábio Salomão disse que “Em todo o trabalho há proveito” (Provérbios 14:23).

Há tempo, a filha Sara pediu para costurar uma mala já um pouco usada, tipo saco. Alguma coisa devia ser feita por um sapateiro, mas consegui reconstruir. Não foi grande proeza, mas é bom quando nos atrevemos e sai bem. De vez em quando, lá vem uma peça dos netos a precisar uns pontos e faço sempre com agrado.

O Salmista David disse: “Bendito seja o Senhor, minha rocha, que adestra as minha mãos…” (Salmo 144:1)

Depois, tenho outros afazeres que me agradam: limpar a casa, passar a ferro, plantar flores e vê-las crescer, manter limpo o espaço fora da casa. E amo escrever. Sei que é simples a minha escrita, mas é um escape e sei que será sempre parte integrante dos meus dias.

O tempo ocupado alivia as preocupações e ansiedades e é por aí que desejo manter-me apesar dos meus 74 anos. O resto é com Deus, que me fortalece na caminhada.

Carlota Roque

Missionária aposentada

Educação Moral e Religiosa Evangélica – matrículas para próximo ano letivo

886 496 Aliança Evangélica Portuguesa

Estão a chegar as matrículas para o próximo ano letivo. A propósito, sabia que também pode ser feita a inscrição na disciplina de Educação Moral e Religiosa Evangélica? Com o apoio do Ministério da Educação, esta é uma disciplina de oferta obrigatória em todas as escolas públicas, cabendo depois aos encarregados de educação (ou ao aluno, se tiver + 16 anos) escolhê-la ou não.

No ato da matrícula (ou da renovação da mesma) que decorre online, deve ser assinalada a disciplina de “Educação Moral e Religiosa”. No entanto, como nesta fase não dá para especificar “Evangélica”, os encarregados de educação devem fazer chegar à escola um documento por escrito com essa mesma indicação (Clique aqui para descarregar esse documento)

Além disso, sugerimos que enviem para a Aliança Evangélica Portuguesa (onde se insere a COMACEP – Comissão para Ação Educativa Evangélica nas Escolas Públicas) um e-mail com a indicação de que foi feita essa matrícula, indicando o nome da escola e do aluno inscrito (comacep@portalevangelico.pt). Ao enviar esta informação por e-mail, vai estar a facilitar a articulação no contato entre a COMACEP e o respetivo estabelecimento de ensino, para possível colocação de professores.

As aulas são semanais, com um tempo letivo nunca inferior a 45 minutos letivos, a organizar pela escola. Sendo de oferta obrigatória e de frequência facultativa, a disciplina passa a funcionar em modo currícular com 10 ou mais alunos inscritos.  Se forem menos, poderá na mesma funcionar em regime extra-curricular, neste caso, se a escola também o permitir, com a colocação de um professor voluntário.

Recordamos que as inscrições para o 1º ano decorrem até 14 de maio. As matrículas para os 8º e 9º anos e para os três anos do ensino secundário decorrem entre 18 e 30 de junho. E só a partir do dia 10 de julho, e até dia 16, poderão ser feitas as renovações do 2º ao 7º ano.

Não vamos perder esta oportunidade de levar Cristo também até às nossas escolas. Por isso, encorajamos todos os pais que acreditam na importância dos valores cristãos na Educação, a inscreverem os seus filhos e também a colaborarem na divulgação da disciplina nas respetivas escolas, junto de outras famílias, crianças e adolescentes.

Para ter acesso a material de divulgação da disciplina de EMRE clica aqui – https://aliancaevangelica.pt/site/material-de-divulgacao-comacep/

Mais info sobre “Matrículas” clica aqui – https://drive.google.com/file/d/1hTJwF04Nzd82sTlKhhGWJtBGNbTBgYOD/view

Em caso de dúvidas, dificuldades na matrícula ou para mais informações, contatar:

COMACEP (Comissão para Ação Educativa Evangélica nas Escolas Públicas)

Tel: 932870405 / E-mail: comacep@portalevangelico.pt

Programa “Caminhos” sobre EMRE – 16 de Maio (RTP PLAY)

Programa “Luz das Nações” sobre o que é a disciplina de EMRE de 11 Maio (RTP Play)

Educação Moral Evangélica- Porquê e para quê?

10 de Junho – Dia Nacional de Oração

1080 1080 Aliança Evangélica Portuguesa

10 de Junho é o Dia de Portugal e a AEP lança o seguinte desafio:10 de Junho, 10 cidades, 10 minutos de oração!

Depois deste ano sui generis com a pandemia, restrições e confinamento, estamos gratos a Deus pelas notícias de desconfinamento e um regressar a pouco e pouco à normalidade.

Damos graças a Deus pela Liberdade de culto e de proclamarmos o nome do nosso SENHOR Jesus Cristo.

Assim, à semelhança do ano anterior, em que, no início do primeiro desconfinamento e do regresso ás reuniões presenciais, unimos o país em oração numa forma espontânea, em direto de 7 cidades com 7 minutos de oração, este ano gostaríamos de voltar a fazê-lo. Desta vez no dia 10 de Junho, 10 minutos de oração em 10 cidades diferentes!

Esta é uma iniciativa que visa promover a unidade da Igreja evangélica em Portugal na oração a favor da Nação e da própria Igreja de Jesus Cristo e para que o Senhor da Igreja nos dê paixão pelas pessoas que ainda não O conhecem.

A Assessoria de Oração da Aliança Evangélica Portuguesa planeou, assim, diversas reuniões. Apelamos ao envolvimento de todos, até porque acreditamos que a oração e o testemunho são recursos necessários e indispensáveis a grandes vitórias.

Brevemente vamos disponibilizar aqui a listagem dos Encontros de Oração a nível nacional que serão transmitidos em direto nas redes socias da Aliança Evangélica.

Esperamos o dia de oração por Portugal 2021 seja um acontecimento marcante para cada uma das igrejas e para todo o povo de Deus em Portugal.

DEUS está atento às nossas orações e trabalha a favor dos que nEle esperam!

JEDIDA – Servindo nos Bastidores

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Confesso que não sabia o nome desta mulher. Sabia que existia mas não sabia o seu nome. É provável que a leitora também não a conheça pelo nome. Jedida foi a mãe de Josias, um menino que começou a reinar aos 8 anos de idade. O que a Palavra de Deus nos fala sobre Jedida é apenas isto, que ela era mãe de Josias.

São as circunstâncias da altura, o ambiente familiar e a vida do seu pequeno filho Josias que dão algumas pistas de como seria esta mulher.

Jedida era esposa de Amon e nora de Manassés, dois dos piores e mais perversos reis de Israel. Amon reinou apenas durante dois anos, morreu ainda jovem, deixando viúva a sua esposa Jedida, com seu filho Josias.

Bem, até aqui não conseguimos saber nada sobre Jedida, mas é quando o seu marido morre e seu pequeno filho herda o trono que começamos a ter algumas pistas sobre ela.

Amon tinha seguido os passos de seu pai ao tornar-se um rei mau e idólatra. Porque que é que com Josias foi diferente? O ambiente familiar era de iniquidade. O povo de Israel viva em iniquidade e desprezo pelo Senhor. Com uma má influência tão grande e sendo Josias tão pequeno, o que fez com que não entrasse na mesma corrente? Porque havia uma Jedida.

Apesar de toda a má influência interna e externa, Jedida terá sido uma mulher fiel ao Senhor e ensinado a Palavra de Deus ao seu pequeno filho. Josias cresceu a amar e temer ao Senhor e por isso, apesar de sua tenra idade, Deus o usou para trazer o seu povo de volta ao arrependimento.

Por vezes tal como Jedida, algumas mulheres não são conhecidas por seu nome. Às vezes, conhecemo-las pela esposa do… ou pela mãe de… Isso muitas vezes acontece porque o seu trabalho não é tão visível, mas muito de bastidores. Cuidar de uma casa, educar e discipular os filhos nos caminhos do Senhor, aconselhar, ser de suporte em momentos de dificuldade – estas são algumas das formas de servir que não são visíveis, é serviço de bastidores. Contudo, apesar da sua pouca visibilidade, são estes tipos de serviço que fazem toda a diferença. Na verdade, eles são fundamentais. O que teria acontecido se Jedida não tivesse ensinado a Josias os caminhos do Senhor? Em que tipo de rei se tornaria Josias, se Jedida fosse uma mãe cujo exemplo não fosse bom? É verdade que apesar do bom ensino da sua mãe, Josias podia ter-se tornado num rei que não seguia o Senhor. Nem sempre o nosso serviço tem os resultados que esperamos, mas isso jamais nos deve impedir de fazer a nossa parte.

Contra tudo e contra todos, Jedida rumou contra a corrente de iniquidade em que se vivia e levou Josias a conhecer o verdadeiro Deus. Haverá função mais gloriosa que esta?

Vivemos num tempo em que à nossa volta existe uma grande corrente de iniquidade. Que isso não nos desanime mas que nos possa trazer à consciência o quão importante é seremos servas de bastidores, seja como mães, como avós, como tias, como professoras de escola dominical, como esposas. Não importa em que posição estamos mas sim o facto de podermos tomar este lugar que nos pertence de ensinar, discipular, cuidar, orientar e aconselhar aqueles que Deus tem colocado ao nosso cuidado. Não conseguimos medir o tamanho do impacto que o nosso serviço pode ter. Talvez o resultado não seja um rei Josias, é possível que continuemos no anonimato e que nosso nome nem seja conhecido, mas certamente se formos fiéis o nosso serviço será impactante.

Sara Rosa

Serve a Deus, com o seu marido, Pr. Hélio Rosa, na igreja Assembleia de Deus em Vila do Conde.

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