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Geral

Portugal em Estado de Calamidade

1480 609 Aliança Evangélica Portuguesa

Comunicado Direção da AEP

Portugal em Estado de Calamidade

Portugal passou a partir das 0h00 do dia 15/10 a estar em estado de calamidade, devido ao agravamento do número de infeções diárias e do crescente número de pessoas internadas em hospitais.

A propósito, a AEP esclarece que:
1) As nossas condições para as Celebrações religiosas mantêm-se iguais.

2) Devemos continuar a cumprir com todas as medidas de segurança estipuladas pela DGS (Clique aqui para ver as diretrizes da DGS para os serviços religiosos de Maio de 2020)

3) A saída das reuniões nos recintos exteriores deve respeitar as novas regras de não se aglomerem em número superior a 5 pessoas e que usem sempre a máscara.

Não houve qualquer alteração aos cultos, exceto cerimónias como casamentos, em que o convívio familiar não pode ultrapassar as 50 pessoas.

Oremos por proteção e que o Senhor tenha misericórdia da nossa nação, proteja nossos ministros de culto, cristãos bem como todos aqueles que trabalham na linha da frente ao combate a esta pandemia.

Igreja sem alterações às respetivas normas de segurança da DGS

1480 609 Aliança Evangélica Portuguesa

COMUNICADO AEP

11/09/2020

Igreja sem alterações às respetivas normas de segurança da DGS

Na próxima terça-feira, dia 15 de setembro 2020, o país passará do estado de alerta, para o estado de contingência com medidas de restrições mais apertadas conforme já anunciado pelo governo.

No que diz respeito aos nossos cultos, não existe qualquer alteração, a não ser o cuidado na saída dos locais, para não ser feito em simultâneo nem criar grupos à entrada e saída.

Em todo o caso, desde o primeiro momento que recebemos as normas da DGS que contestamos a distância de 2m, entre outras medidas, que não foram acolhidas pela DGS, por esse motivo estamos em conversações para emitir um pedido conjunto de diversas entidades religiosas a solicitar a alteração de 2m para 1 metro de distanciamento entre pessoas individuais ou entre famílias o que corresponderá à distancia aproximada de duas cadeiras.

Assim os nossos cultos continuam a poder realizar-se dentro das regras definidas pela DGS. (Podem ler-se aqui as orientações da DGS para as celebrações religiosas de 29/05/20)

Quando, porém, terminar o culto, os crentes não podem ficar à porta a conversar uns com os outros, porque finda a cerimónia religiosa já se aplicam aos crentes as medidas que limitam o número de pessoas a grupos de 10.

Queremos dar um apontamento especial em relação às atividades com crianças e jovens, para afirmar que as normas aplicáveis são exatamente as mesmas, pelo que nos casos em que as instalações não permitam a realização das atividades em simultâneo com o culto principal, sugere-se que as atividades com crianças e jovens sejam realizadas no espaço do culto em momentos que o culto principal não se esteja a realizar.

Damos graças a Deus por esta liberdade e pela proteção sobre nossas vidas e Igrejas, mas é tempo de continuar a orar!

Oremos para que o nosso Senhor possa continuar a proteger nossas igrejas, comunidades e ministros de culto que exercem funções de risco!

Oremos para que Deus possa ter misericórdia da nossa nação!

Oremos pelas nossas autoridades, profissionais de saúde e todos os que trabalham para que a nossa economia não pare!

Que o Senhor abençoe nossa nação!

A Direção da Aliança Evangélica Portuguesa

Ajuda-me, Deus!

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

Há uma memória que me acompanha e da qual me lembro muitas vezes sempre que alguém diz que não crê em Deus. Por mais estranho que possa parecer, essa memória aconteceu na maternidade onde nasceram os meus filhos, nos Açores. Naquele lugar, ouvi várias mulheres clamar pelo nome de Deus, enquanto sofriam as terríveis dores de parto. “Ajuda-me, Deus!” – ficou-me gravado. No meio daquela aflição tão grande, quando as suas forças começavam a falhar, muitas lembravam-se daquele que tudo pode e de quem todos precisam – Deus.

Quando em janeiro passado celebrávamos a chegada do ano 2020, com tanta alegria e com tantos novos planos traçados, nenhum de nós podia imaginar que dali a dois meses estaríamos todos fechados em casa, lutando contra um vírus terrível, que faria parar o mundo, ceifando tantas e tantas vidas.

De facto, como disse Tiago, irmão de Jesus, “Não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como uma neblina que aparece por instante e logo se dissipa.” (Tiago 4:14)

Até aqui, muitas pessoas têm vivido os seus dias certas de que têm o controlo de todas as coisas e têm excluído Deus das suas vidas. Porém, quando chegam os dias maus, com tantas adversidades, muitas delas percebem, com humildade, a sua vulnerabilidade e que a vida não faz sentido longe de Deus.

No meio desta luta tão grande, que fechou inclusivamente as portas das nossas igrejas, temos visto coisas lindas a acontecer. Os nossos cultos passaram a ser transmitidos na Internet e agora alcançam muito mais pessoas. Muitos amigos, colegas e familiares dos crentes, que nunca tinham entrado num templo evangélico, estão agora a assistir semanalmente aos cultos e a ouvir a mensagem de esperança do Evangelho. Muitos corações têm sido tocados pelo testemunho dos cristãos, pela paz e segurança com que enfrentam uma pandemia, confiando em Jesus. Muitos estão a compreender que precisam de Deus.

Por estes dias, um dos meus colegas de trabalho, até aqui ateu e com um coração muito fechado ao Evangelho, partilhou comigo que tem sentido estar a receber um “banho de humildade”. Fiquei profundamente tocada ao ouvir estas palavras.

No meio desta adversidade tão grande, Deus continua a ser o Senhor, o Soberano, sempre cheio de misericórdia pelos homens. Deus tem os seus propósitos em todas as situações e, tal como aquelas mulheres na maternidade, muitos estão agora a perceber a sua fragilidade e a clamar por socorro.

Que Deus nos ajude a viver estes tempos com sabedoria, na Sua dependência e em espírito de missão.

 

Adriana Sabino

Jurista da Direção Regional do Turismo, do Governo dos Açores, é esposa do pastor Rui Sabino e servem na Igreja Baptista de Queluz

CONVERSA NO APRISCO

626 442 Aliança Evangélica Portuguesa

Aninhadas no calor e no conforto do redil, as ovelhas saboreiam uma noite de descanso. Bem alimentadas pelas ervas tenras e saborosas dos campos, sentem-se confortáveis e seguras. Uma vez por outra, ouvem o uivar de lobos, que vagueiam pela serra. É assustador mas nem tanto assim. Sabem onde estão e a quem pertencem. A voz do pastor conduz-lhes os passos. O seu amor é imenso, inexplicável. Sabem que por elas faria tudo. Seria até capaz de dar a sua vida.

A certa altura sentem-se despertadas por um ruído incomum àquela hora. Ouvem passos que se aproximam. Alguém está abrir a porta do curral. Logo a voz do pastor as tranquiliza. Com delicadeza, retira dos ombros uma ovelha ferida e assustada que traz consigo e coloca-a cuidadosamente junto das outras. Ela precisa de descansar. Andou perdida muito tempo e está exausta. O pastor fecha a porta com suavidade e firmeza e vai. A ovelha aninha-se confortável sobre a palha. Lá fora, ouve o pastor a falar com uns vizinhos. As palavras parecem sair entusiásticas, embora o adivinhe cansado, depois de fazer todo aquele percurso a pé, carregando-a aos ombros. Apura o ouvido. Ah, ele está a manifestar a sua alegria por tê-la encontrado. E agora todos parecem excitados com a notícia. O tom de voz alto e a forma rápida como falam denunciam isso mesmo. Embora debilitada, não deixa de se impressionar com o regozijo que a sua presença trouxe ao pastor. É tão importante para ele, mais do que pensava…

Sob uma claridade ténue do luar, que se infiltrou discretamente pelas frinchas da porta, olha à sua volta. Como desejou aquele lugar! O cheiro, o aroma e aquele silêncio tranquilo enchem-lhe a alma. Como se sente segura agora! As outras ovelhas parecem ter-se entregue ao sono de novo e ela fará o mesmo. De facto, não lhe apetece conversar, explicar o que quer que seja. Tudo o que deseja é saborear aquele descanso. E adormece rapidamente.

Algum tempo depois, ouve-se um ruído seco, sobre a madeira da porta. Alguém está a abri-la. Há ovelhas que acordam, sobressaltadas. É o pastor, de novo. Traz consigo outra ovelha. Esta vem a balir, ferida. Inclina-se, coloca-a suavemente sobre a palha macia e acaricia-a. De vez enquanto volta a gemer, pela dor. Ele começa a tratar-lhe o corte que sangra.

As ovelhas vão acordando, uma a uma, despertadas pelos sons inesperados ali dentro do aprisco. Olham o pastor e a ovelha ferida, acompanhando todos os movimentos e palavras.

Uma ovelha, não se contém: “Pastor, esta é outra ovelha perdida?”

“Sim, é.” responde o pastor, enquanto envolve a ferida com gaze limpo, e prende bem.

“Pensava que havia só uma, como na história.”

“Não. Há muitas ovelhas perdidas. Muitas.”

“Quantas são?” Pergunta outra ovelha, mais curiosa.

“São muitas, mais do que as que estão aqui dentro.” Responde o pastor, mantendo o seu ar apreensivo.

Ele olha para a ovelha recém-chegada e detém-se a observá-la. Alimentada e tratada, parece preparar-se, finalmente, para descansar. Aninha-se na palha, procurando a posição mais confortável, evitando que a zona dorida toque o chão. Ele esboça-lhe um sorriso suave, que ela retribui, como um cumprimento de despedida. Depois ergue-se, preparando-se para sair.

A outra ovelha ainda está intrigada com a resposta do pastor. Tem mais uma pergunta a fazer-lhe:  ”É por isso que o nosso curral é tão grande? É que aquele lado ali está vazio e às vezes penso porque é que é assim tão grande, porque…”

“É isso mesmo. Eu tenho aqui lugar para todas as ovelhas perdidas.”

A ovelha olha à volta com surpresa, como se observasse aquele espaço pela primeira vez. E salta-lhe outra pergunta: “E achas que o vais encher?”

“Gostaria… São tantas as ovelhas perdidas pelos montes… Umas afastaram-se tanto que perderam o rumo, outras enredaram-se no meio dos espinhos, outras correram para locais que lhes pareciam mais verdejantes, outras seguiram ovelhas já perdidas… Algumas têm feridas, estão magras e cansadas, mas o seu maior desejo é encontrar o caminho de volta.”

“E porque não voltam?”

O pastor fixa o olhar naquela ovelha, com carinho. Faz-lhe uma festa na cabeça. “Nunca te perdeste, pois não?”

“Não, nunca me perdi. Houve vezes em que estive quase, mas corri a tempo…”

“Uma ovelha que se perca não sabe voltar sozinha. Tem que ser alguém a ir buscá-la. É mesmo assim. “

O pastor ergue-se. A ovelha segue-lhe os movimentos com o olhar. Gostaria que ele continuasse ali. As suas palavras transmitem-lhe uma ternura fora do comum. Ele parece ler o seu pensamento e diz-lhe: “Dorme agora, descansa. Vou ter de ir.”

A ovelha adormece, embalada pelas palavras do pastor que ainda parece ouvir. E sonha com um redil cheio.

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária

AEP solidária com o Líbano

1318 874 Aliança Evangélica Portuguesa

A Aliança Evangélica Portuguesa (AEP) associa-se à Aliança Evangélica Mundial (WEA) pois está profundamente entristecida com a notícia da grande explosão que abalou o coração de Beirute, no Líbano, no dia 4 de agosto. A explosão, alegadamente causada por produtos químicos armazenados de forma não segura no porto, destruiu vários edifícios à volta e resultou em mais de 150 mortes e milhares de feridos. Hospitais que antes lutavam para responder ao COVID-19 estão sobrecarregados; cerca de 300 000 pessoas ficaram sem abrigo num país que já estava passando por uma grave crise económica.

“Lamentamos esta trágica perda de vidas e o trauma adicional que este desastre causa a um povo que já sofre. Estamos solidários com os residentes de Beirute e com a nação do Líbano e conclamamos os cristãos e as igrejas de todo o mundo a juntarem-se a nós em oração ”, disse o Bispo Efraim Tendero, Secretário-Geral da WEA, e acrescentou:“ Oremos por cura e restauração, por conforto e paz para aqueles que perderam entes queridos, e oremos para que a causa do acidente possa ser totalmente investigada e justiça seja feita, para que as pessoas possam encontrar um fim”.

O Rev. Dr. Jack Sara, Coordenador da WEA para o Médio Oriente, comentou: “No meio desta calamidade, somos encorajados pela resposta abnegada de igrejas e crentes que estão ativamente alcançando os necessitados: ajudando a restaurar casas danificadas e oferecendo espaço /lugar para viver a quem perdeu tudo. Oramos para que Deus dê sabedoria aos líderes do Líbano para lidar com a situação com graça e para que as igrejas sejam um farol durante estes dias tão sombrios. Lembremos as palavras do Salmista que orou a Deus dizendo: ‘Embora eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei o mal, pois Tu estás comigo; a Tua vara e o Teu cajado me confortam.” (Salmo 23: 4)

A WEA lançou uma página de doações para aqueles que desejam apoiar os ministérios locais que respondem às muitas necessidades locais. Pode encontrar mais informações em worldea.org/beirut e fazer um donativo através do IBAN da Aliança Evangélica Portuguesa

IBAN  PT50.0033.0000.45282173896.05 MillenniumBCP

(Nota: Importa informar por email o seu donativo geral@aliancaevangelica.pte, se pretender recibo, indicar Nome, NIF  e endereço de email)

Obrigado!

A Direção da Aliança Evangélica Portuguesa

Não: a palavra que liberta

960 720 Aliança Evangélica Portuguesa

Para ser reconhecidas e valorizadas, procuramos agradar às pessoas, atendendo às suas solicitações em detrimento dos nossos anseios pessoais. Como não sabemos respeitar-nos, colocar limites e fazer-nos respeitar, temos medo de nos relacionarmos e sermos invadidas, usadas, abusadas. Nascer de novo é reconstruir a nossa autoestima no fundamento do amor incondicional de Deus que nos liberta da dependência de aceitação do outro, mesmo correndo o risco de ser rejeitadas. Como enfatiza Fiorângela Desidério, no seu livro “Acorde, Mulher!”, ser livre é dar-se o direito de dizer “Sim” e “Não”. Ousar dizer “Não” para ser fiéis a nós mesmos é optar por viver a nossa própria vida em vez de permanecer escravas da aprovação dos outros. Somente aqueles que tem a coragem de dizer “Não” podem dizer “Sim” com alegria e liberdade. É livre quem consegue dizer “Não” sem se sentir culpada por não corresponder às expectativas dos outros. Nem sempre “Não” significa rejeição, pode expressar carinho, proteção, cuidado. Assim como “Sim” pode revelar comodismo, fuga, hipocrisia. Às vezes, dizer “Não” à ação é dizer “Sim” à pessoa. Ao dizer “Sim” quando queremos dizer “Não”, estamos nos desrespeitando a nós mesmos e mentindo ao outro.

Cada uma de nós é única e responsável por desenvolver o seu próprio potencial. “Se eu não for eu mesma, quem o será?”. É impossível ser outra pessoa. No entanto, vivemos a brigar conosco e exigindo de nós desempenhos calcados nos outros. Ser única significa ser incomparável, ou seja, não tem sentido compararmo-nos com os outros. A mudança essencial acontece quando paramos de olhar para fora e voltamos a nossa atenção para os nossos recursos internos. Tirar as máscaras, sair da sombra, parar de se esconder atrás de alguém, obriga a assumir a responsabilidade pela própria vida. Não dá mais para se fazer de vítima e projetar a culpa nos outros. Perceber e acolher as nossas necessidades, desejos, ambições, emoções, transforma-nos de objeto de uso em pessoa humana. Estabelecer objetivos pessoais e começar a dar passos para alcançá-los tira-nos da passividade e coloca-nos no caminho da maturidade.

O ideal de perfeição impede-nos de desfrutar das possibilidades reais que estão ao nosso alcance. É necessário enterrar as expectativas irreais acerca de nós mesmas para dar espaço ao nosso autêntico eu, pois é este eu falho que foi amado por Jesus a ponto de morrer na cruz. Negar as nossas limitações revela que consideramos a cruz desnecessária! A nossa única obrigação como ser humano é ser “humano”. Isto significa ter a humildade de reconhecer os nossos erros e aprender com eles. Os acertos não nos ensinam nada de novo, apenas confirmam aquilo que já sabíamos, enquanto os erros apontam dados desconhecidos ou negligenciados. Admitir as nossas feridas interiores e os nossos temores, as mágoas e raivas, os sentimentos de solidão, rejeição, inadequação, é o primeiro passo rumo à cura interior. A coragem de enfrentar o nosso mundo interior, com todos os seus fantasmas, capacita-nos a descobrir também os tesouros ali guardados. Resgatamos assim a criatividade, a espontaneidade, o prazer, a capacidade de se maravilhar, a curiosidade que tinham sido engavetados no afã de nos tornarmos crianças comportadas, apreciadas e elogiadas pelos adultos. Ao olhar para a nossa história, podemos desatar as amarras que nos mantém presos a uma imagem deturpada de nós mesmas. Ao invés de ficar a insistir nos “por que” das nossas circunstâncias, é preferível descobrir “como” elas contribuíram ou podem contribuir para o nosso crescimento. Esperar que as circunstâncias externas se modifiquem pode nos manter numa vida improdutiva em vez de usarmos estas circunstâncias em nosso favor.

Fundamentar a nossa identidade na graça de sermos filhas de Deus liberta-nos de uma identidade frágil atrelada à opinião dos outros. Somos amáveis, não porque merecemos este amor, mas porque Deus escolheu amar-nos e criou-nos à Sua Imagem. Olhar para nós a partir do olhar acolhedor e perdoador de Deus, capacita-nos a conhecer, compreender e amar a nós mesmas, torna-nos amigas de nós mesmas e parteiras da nossa própria vida. O melhor de nós manifesta-se diante de alguém que nos ama incondicionalmente. Por isso, é contemplando a Deus que somos transformadas. Vamos nos tornando aquilo para o qual fomos criadas à medida que nos apaixonamos e desejamos seguir Aquele que nos resgatou das trevas. Ouvir no nosso íntimo a Sua doce voz que nos chama filhas queridas gera em nós o desejo de “ob-audire”, obedecer. Enquanto a vida dos que estão surdos à esta voz torna-se “ab-surda”.

A sabedoria popular diz que “é melhor cultivar o nosso próprio jardim do que esperar que alguém nos traga flores”.  Deus, através do seu Espírito, transforma os nossos desertos em oásis, faz jorrar a fonte de Àgua Viva e capacita-nos a semear amor, alegria, paz… Assim podemos colher e doar flores, movidas não pelo desejo de reconhecimento, mas pela alegria de compartilhar aquilo que floresce dentro de nós. Amar conjuga-se com os verbos dar e receber, mas também pedir e recusar. Pedir um abraço, uma atenção, uma palavra de encorajamento, uma ajuda é reconhecer que o outro tem uma contribuição importante na nossa vida. O “sim” só revela um desejo genuíno quando é possível recusar. Sem essa liberdade, o vínculo torna-se manipulador. Quem se permite recusar também pode lidar bem com a recusa do outro. Somente sendo livres podemos deixar o outro livre e construir relacionamentos fundamentados no respeito mútuo.

 

Isabelle Ludovico da Silva

Psicóloga clínica com especialização em Terapia Familiar Sistémica.

COMUNICADO STOP EUTANÁSIA

768 432 Aliança Evangélica Portuguesa

AUDIÇÃO STOP EUTANÁSIA NA COMISSÃO DOS ASSUNTOS CONSTITUCIONAIS, DIREITOS, LIBERDADES E GARANTIAS

O Movimento cívico Stop eutanásia esteve representado na tarde de ontem na audição do grupo de trabalho da Despenalização da Morte Medicamente Assistida, com Graça Varão, fundadora do Movimento, e Nelson de Brito, médico.

Embora nos encontremos já na etapa da especialidade, perante 5 projetos de lei aprovados na generalidade no passado dia 20 de fevereiro, o contexto pandémico que vivemos veio trazer uma nova forma de olhar para esta lei, que nos obriga a refletir, pois a Lei deve ser para o Homem e não o Homem para a Lei.

O que se pretende não é debater o tema em abstrato, pois isso seria voltarmos atrás (o que de algum modo não é possível, o tempo passou), mas antes refocar, recentrar, o debate e o sentido atual da lei da Eutanásia.

Os tempos mudaram, o mundo mudou. Impõem-se uma nova reflexão:

Como queremos avançar enquanto sociedade? Com a enorme incerteza que ainda estamos a viver, o que podemos esperar dos nossos governantes? Como confiar-lhes as nossas fragilidades e preocupações?

A nossa vulnerabilidade e impotência perante o desconhecido e ameaçador vírus mostrou-nos a grandeza do que somos todos capazes, principalmente quando olhamos e reconhecemos a nobreza da entrega dos médicos e profissionais de saúde. Como sociedade, estado e povo, o que podemos fazer para ajudarmos a tornar a nossa sociedade mais humanizada?

A pandemia trouxe-nos importantes aprendizagens às quais não podemos ficar indiferentes:

1) Veio reforçar o valor da Vida Humana – Hoje temos menos dúvidas de que todas as vidas têm a mesma dignidade. Todas merecem o mesmo tratamento, o mesmo acesso aos ventiladores, as mesmas possibilidades de cura e mesmo de serem salvas.

Vimos como a nossa sociedade está disposta a mobilizar-se para salvar vidas humanas e como as famílias suplicam aos médicos para que não deixem ninguém para trás, nem mesmo os mais idosos ou mais doentes.

2) Veio confrontar a nossa liberdade individual – Rapidamente ficámos confinados e não hesitámos em proteger os mais velhos, os mais vulneráveis, mesmo que para isso tivéssemos que respeitar o isolamento e o distanciamento. Não pudemos visitar quem mais queremos ou quem mais nos preocupa.

Afinal percebemos que a nossa liberdade individual não é totalmente absoluta e autónoma. Há valores humanos mais elevados.

3) Trouxe a consciência prática da interdependência do Ser Humano – Confrontando a nossa autonomia individual, vimos como precisamos de forma vital dos profissionais de saúde como salvadores dos “nossos”; percebemos como a saúde do outro, e no limite a sua própria vida, depende também do meu comportamento.

Esta consciência – a interdependência humana – dita a beleza da humanidade: perante o outro, quando começamos a “dar”, quando se estabelece uma cadeia de solidariedade, reconhecemos que todas as vidas têm a mesma dignidade.

4) Veio reanimar a Rede de Solidariedade na nossa sociedade – Porque todos somos seres humanos e todos queremos que os nossos não sofram! É da nossa natureza aliviar o sofrimento próprio e do outro.

Isto é o que nos leva a afirmar uma vez mais que é necessário o Estado reforçar e desenvolver as estruturas de cuidados paliativos e continuados, para que estes cuidados cheguem de facto a toda a população necessitada. Precisamos de mais acompanhamento em fim de vida e mais condições para os mais vulneráveis, mais idosos, mais doentes e com menos recursos financeiros ou até menos apoio familiar.

Toda a sociedade funcionou para responder a uma causa que é absolutamente central, a vida humana. E a vida humana não só fica posta em causa com a pandemia. Também para com as pessoas com “lesão definitiva ou doença incurável, em sofrimento duradouro e insuportável”, temos o dever de nos mobilizar, e o Estado e dever de reforçar e desenvolver as estruturas de cuidados paliativos e continuados, para que estes cuidados cheguem de facto a toda a população necessitada… porque todos são igualmente dignos e merecem.

Não podemos deixar de anotar como a legalização da eutanásia e a mensagem cultural que essa legalização acarreta contraria notoriamente estas aprendizagens e responsabilidades perante a vida humana e a sociedade. Pedimos aos senhores deputados que reconsiderem e que votem contra a lei da eutanásia.

 

Veja também aqui o programa “Caminhos” da AEP sobre “Eutanásia: porque não”

Não nos cansemos de fazer o bem

960 720 Aliança Evangélica Portuguesa

Era um dia de semana, eu era recém-casada e estava há sensivelmente há três meses na Guiné-Bissau.

Lembro-me como se fosse hoje, pois foi a primeira vez que me aventurei a ir ao mercado sózinha (sem o meu marido).

Não conseguia comunicar em crioulo, embora tivesse nascido na Guiné, pois o facto de ter vindo para Portugal aos seis anos fez com que me esquecesse por completo da língua crioula.

A falta de conhecimento das espécies de peixe guineenses da Guiné (que são uma delícia), também constituía, na altura, um factor dissuasor das minhas idas ao mercado.

Deambulava pelo recinto, enquanto os meus olhos se deixavam surpreender pelas cores dos legumes e das frutas tropicais, sempre acompanhada pelos gritos das vendedoras (bideiras) ao longe, as quais iam persuadindo a clientela de forma a comprarem os seus produtos. Enquanto passeava pela zona do peixe, houve um em particular que me chamou a atenção pelo seu aspecto fresco que me saltava à vista e porque, naquele dia em particular, queria cozinhar o famoso caldo de siti guineense (óleo de palma), e pensei que seria a melhor opção em termos de compra.

Pensei para mim mesma com orgulho: vai ser este o meu primeiro peixe comprado na Guiné.

Fui burlada, pois paguei quatro peixes por 5.000 francos cfa (ronda os 7.50 euros) e o preço real seriam 500 francos, porquanto se tratava de um dos peixes mais baratos na Guiné, o djafal. A vendedora aproveitou-se do facto de eu ser estrangeira e não conhecer os preços reais do peixe.

Quando o meu marido chegou a casa, a comida já estava pronta e perguntou-me se eu sabia que peixe era aquele e quanto eu tinha pago por ele. Respondi-lhe à questão e ambos ficámos surpreendidos por eu ter sido enganada e fomos ao mercado à procura da vendedora para falar com ela.

Quando lá chegámos, a senhora fez-se de surda e disse-nos que nunca me tinha visto.

Passado uma semana, o meu marido, que também desenvolvia um ministério de primeiros socorros, foi chamado à noite para ir socorrer uma criança que estava gravemente queimada em casa.

Quando entrou em casa, deparou-se com a criança e reconheceu a mãe, que era a vendedora do peixe djafal.

Quando a senhora o viu ficou envergonhada e sem palavras. No entanto, o meu marido não pagou o mal por mal, mas pegou nela e no filho, levou-os ao hospital, pagou a consulta e o tratamento do menino.

Quantas vezes nos sentimos injustiçados (por vezes com razão), humilhados, traídos e usados, juramos a nós mesmos que nunca mais voltaremos a confiar e a ajudar aquela pessoa que nos fez mal e a primeira coisa que nos vem à cabeça é vingarmo-nos e fazermos justiça pelas nossas próprias mãos.

Contudo, em Gálatas 6:9, o Apóstolo Paulo insta-nos a não nos cansarmos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos os seus frutos.

Cada vez é mais difícil fazermos o bem, porque as pessoas têm comportamentos cada vez mais individualistas e interesseiros. Porém, quando investimos na vida de alguém e nos damos por completo, torna-se ainda mais difícil.

Contudo, Deus convida-nos a termos uma atitude diferente. Convida-nos a não nos cansarmos de fazer o bem, por mais anti-natura que possa parecer. Ele ajudar-nos-á.

A Bíblia refere, em Romanos 12:20: “Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer, se tiver sede, dá-lhe de beber; porquanto amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.” O que significa que quando pagamos o mal com o bem, a pessoa que nos fez mal sentirá uma vergonha profunda pois recebeu uma inesperada atitude de amor como pagamento da sua má conduta connosco. Quem age como sendo nosso inimigo será influenciado pelo nosso comportamento cristão, o que provocará uma mudança no coração dessa pessoa. Não devemos esperar que a pessoa se considere culpada dos seus atos para podermos perdoá-la.

O perdão é a melhor saída para a libertação da nossa mente e das nossas emoções, e conduz-nos a uma vida livre e de vitória, e o mais interessante é que quebra as barreiras entre nós e a pessoa que nos magoou.

Que Deus nos dê forças para não nos cansarmos de fazer o bem e assim podermos influenciar outros.

Irina Sanhá

Jurista e fundadora da plataforma evangélica guineense “Fórum Mulher”

“Super- Histórias da Bíblia” na RTP2

1080 1080 Aliança Evangélica Portuguesa
Para um Verão mais animado, a Aliança Evangélica Portuguesa preparou uma série especial de programas “Luz das Nações” para crianças. Para ver de 3 de julho a 4 de agosto, às 15h, na RTP 2, no espaço “Fé dos Homens”.
Uma oportunidade excelente para reviver as aventuras de grandes heróis da Bíblia, como Abraão, Moisés, Daniel na cova dos leões, entre muitas outras. Com grandes músicas e até palhaçadas.
Toda a programação disponível Aqui
Para ver em família!

Comunicado AEP: Regras para celebrações religiosas

1156 672 Aliança Evangélica Portuguesa

Esta quarta-feira, dia 1 de julho, o país passou a estar em estado de alerta, apesar de como disse o primeiro-ministro, tal “não significa voltar à normalidade pré-covid”.

A exceção é a Área Metropolitana de Lisboa, onde a calamidade se mantém e onde as restrições são mais apertadas.

A questão que surge é; “No que diz respeito aos nossos cultos, será que alguma coisa muda?”

Não! Não muda nada nos concelhos da AML onde há mais restrições, nem no restante do território nacional.

Isto, apesar de não ser permitida a realização de celebrações e de outros eventos com mais de 20 pessoas (5 pessoas nos concelhos mais afetados), salvo se pertencerem ao mesmo agregado familiar. Há, no entanto, especificações já definidas pela Direção-Geral da Saúde para casos de cerimónias religiosas e eventos de natureza corporativa.

Assim os nossos cultos continuam a poder realizar-se dentro das regras definidas pela DGS. (Podem ler-se aqui as orientações da DGS para as celebrações religiosas de 29/05/20)

Quando, porém, terminar o culto, os crentes não podem ficar à porta a conversar uns com os outros, porque finda a cerimónia religiosa já se aplicam aos crentes as medidas que limitam o número de pessoas a grupos de 5 ou de 10 ou de 20, dependendo da situação particular de cada freguesia.

Damos graças a Deus por esta liberdade e pela proteção sobre nossas vidas e Igrejas, mas é tempo de continuar a orar:

Oremos para que o nosso Senhor possa continuar a proteger nossas igrejas, comunidades e ministros de culto que exercem funções de risco!

Oremos para que Deus possa ter misericórdia da nossa nação!

Oremos pelas nossas autoridades, profissionais de saúde e todos os que trabalham para que a nossa economia não pare!

Que o Senhor abençoe nossa nação!

A Direção da Aliança Evangélica Portuguesa

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