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Geral

Semana Universal de Oração 2023

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Mais uma vez iniciamos este novo ano com um desafio para a Oração, através da SEMANA UNIVERSAL de ORAÇÃO que desta vez tem como tema “Alegria”.

Nesse sentido, queremos estimular mais uma vez todas as igrejas evangélicas em Portugal a observar a Semana Universal de Oração, entre os dias 8 e 15 de janeiro de 2023, quer em iniciativas realizadas separadamente por cada comunidade local quer em reuniões que possam juntar comunidades de diferentes denominações na mesma localidade ou região. Como lembrou o Senhor Jesus na Sua oração ao Pai: “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um, em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17:21).

Conheça aqui o Guia de Oração 2023 – PDF

Conheça aqui quando e onde participar nas reuniões locais de oração (documento a disponibilizar brevemente)

Descarregue aqui os cartazes da Semana Universal de Oração em diferentes formatos.

Deus ricamente vos abençoe!

OS EVANGÉLICOS E A LEI DA EUTANÁSIA

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Mais uma vez o parlamento português aprovou a lei que legaliza a aplicação da eutanásia no nosso país. Como tal, a Aliança Evangélica Portuguesa vem de novo afirmar que considera a Vida como um bem que não pode ser sujeito a exceções, pelo que discorda de qualquer lei que coloque como hipótese a morte medicamente provocada e manifesta profunda preocupação com a nova versão do texto aprovado.
Consideramos que esta matéria é de tal modo importante que haveria sempre a necessidade da ocorrência de dois pressupostos antes da preparação de qualquer lei desta natureza: a primeira seria um debate amplo de análise filosófica, social, religiosa e pragmática, que nunca ocorreu na preparação desta lei; e, por outro, a necessidade de estarem assegurados os cuidados paliativos e sociais necessários ao exercício de decisão livre e sem coação do sofrimento. No entanto, nem uma nem outra condição estão preenchidas.
Discordamos veementemente da ideia de morte medicamente provocada e verificamos que o texto atual agrava ainda mais a situação dos mais fragilizados que podem ficar sujeitos à tomada de uma decisão com esta gravidade e irreversibilidade. Verificamos que a ideia inicial de antecipação de uma morte iminente com o texto “doença incurável e fatal” foi completamente colocada de lado, passando o texto a prever “doença grave e incurável”, já não sendo necessário estimar que a morte pudesse chegar com brevidade, bem como, verificamos que os prazos previstos para o processo de decisão são no mínimo de dois meses, com prazos muito curtos para que os pareceres possam ser preparados durante esse período – 15 ou 20 dias para a emissão dos pareceres médicos e 5 dias para a comissão decisora dar resposta. Esta situação implica ligeireza em assegurar a vontade atual, séria, livre e esclarecida do paciente e negligencia a análise médica de que o doente está em situação de sofrimento de grande intensidade e padece de uma lesão definitiva de gravidade extrema ou de uma doença grave e incurável. Em nenhum momento do processo se averigua se há alguma situação que possa ser resolvida ou melhorada por forma a dar oportunidade à mudança de decisão, nem são equacionadas situações em que o paciente possa estar a ser coagido por familiares ou outros intervenientes nesta tomada de decisão, pois não nos parece suficiente a mera declaração.
Perante a irrazoabilidade desta lei, a Aliança Evangélica Portuguesa apela ao Senhor Presidente da República para que tudo faça no âmbito das suas competências e responsabilidades para que esta lei não entre em vigor; apelamos também ao Tribunal Constitucional para que continue a pugnar pelo princípio da inviolabilidade da Vida Humana, consagrado na lei fundamental, ao invés de defender a frágil autonomia das pessoas em sofrimento, tão permeável ao aproveitamento de interesses externos.
A Aliança Evangélica Portuguesa, constituída desde 1921, tem por objetivo congregar os evangélicos portugueses e representá-los perante a sociedade e o Estado. É o mais antigo e abrangente organismo de cooperação desta família cristã, contando, atualmente, como membros, mais de 700 comunidades evangélicas locais e cerca de 65 organizações, entre as quais se incluem diversos organismos ou federações das igrejas evangélicas mais representadas em Portugal. Esta federação cristã integra o Grupo de Trabalho Inter-religioso Religiões | Saúde, sob a égide do Alto-Comissariado para as Migrações.

EVANGÉLICOS EM PORTUGAL SEGUNDO O CENSOS 2021

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De acordo com os dados recentemente divulgados referentes ao inquérito nacional “Censos 2021”, dos residentes em Portugal com 15 e mais anos de idade, que voluntariamente responderam à pergunta sobre a sua pertença religiosa, 186832 afirmaram ser protestantes/evangélicos (2,13% dos respondentes). Uma parte significativa destes cidadãos integram igrejas e comunidades religiosas que estão filiadas na Aliança Evangélica Portuguesa.

Esta federação, constituída a 14 de novembro de 1921, com estatutos aprovados desde 6 de fevereiro de 1935, tem por objetivo congregar os evangélicos portugueses e representá-los perante a sociedade e o Estado. É o mais antigo e abrangente organismo de cooperação desta família cristã, contando, atualmente, como membros, mais de 700 comunidades evangélicas locais e cerca de 65 organizações, entre as quais se incluem diversos organismos ou federações das igrejas evangélicas mais representadas em Portugal.

Refira-se que esta é a primeira vez, desde que em 1864 foi realizado o I Recenseamento Geral da População Portuguesa, que a designação “evangélica” foi incluída numa categoria de pertença religiosa, o que pode ajudar a explicar o facto de ter aumentado significativamente o número de respondentes, uma vez que aqueles que se identificavam como “protestantes” em 2011 eram apenas 75571 (0,84% dos inquiridos). Na verdade, a grande maioria das pessoas que pertencem a igrejas evangélicas em Portugal autorrepresentam-se como evangélicos, embora sejam herdeiros dos princípios doutrinários da Reforma Protestante do século XVI, designadamente o reconhecimento da centralidade e da autoridade da Bíblia como Palavra de Deus.

A ampliação da identificação da categoria, que no Censos 2021 passou a ser “protestante / evangélica”, resultou de uma proposta apresentada em 2019 pela Comissão da Liberdade Religiosa ao Instituto Nacional de Estatística, por se adequar melhor à diversidade que este grupo representa, incluindo desde igrejas históricas a pentecostais. Para além desta modificação, foram ainda incluídas as categorias de “testemunhas de Jeová”, “budista” e “hindu”; não foi aceite a inclusão da categoria “crentes sem religião”.

De destacar o facto de, segundo o Censos 2021, continuar a diminuir o número total de cristãos em Portugal e de serem já mais de um milhão os que se consideram pessoas sem religião. Para os evangélicos, com comunidades organizadas no país há quase dois séculos, a Bíblia é a sua única regra de fé, sendo esta uma mensagem de crucial importância para cada indivíduo em particular e para a sociedade em geral, no que diz respeito às suas necessidades, quer sejam espirituais, morais, éticas, culturais, sociais, políticas, etc.

Para consultar em detalhe a filiação religiosa da população portuguesa, os dados podem ser visualizados aqui:

https://tabulador.ine.pt/indicador/?id=0011644

Nova Direção toma posse na Comemoração dos 101 anos da AEP

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Foi no passado dia 11 de Novembro que a Aliança Evangélica Portuguesa celebrou um Culto de Ação de Graças pelos seus 101 anos e também com a Tomada de Posse dos novos Corpos Sociais. A Sessão solene decorreu nas instalações do Centro Evangélico de Vila Verde, contando nomeadamente com a presença da Ministra da Justiça, Prof. Drª Catarina Sarmento e Castro; o vereador da Câmara Municipal de Sintra, Eduardo Quinta Nova, a representante do Alto Comissariado para as Migrações, Drª Cristina Costa Gomes; o presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, Drº Vera Jardim e a Secretária Geral da Aliança Evangélica Europeia, Pastor Connie Duarte.

A cerimónia contou também com o lançamento do Livro “100 anos de História e de Comunhão” que pode ser adquirido através da Aliança Evangélica Portuguesa.

Passados mais de um século, damos graças a Deus pelo que Ele tem feito e continuará a fazer através da Aliança Evangélica Portuguesa. Com gratidão por todos os que dela fizeram parte e também orando pela nova direção eleita para o triénio 2022 – 2025


Mesa da Assembleia Geral
Presidente: João Botelho (Comunhão de Igrejas de Irmãos em Portugal – Igreja Evangélica
Zibreira da Fé, Sobral de Monte Agraço)
Vice-Presidente: Sérgio Almeida (Assembleia de Deus de Almada)
Secretário: José Manuel Lopes (Igreja Baptista de Mangualde)
Secretário: Tiago Alves (Casa da Cidade – Lisboa)
Suplente: António Palma (Igreja Evangélica de Benfica)

Direção
Presidente: Timóteo Cavaco (Convenção Baptista Portuguesa – 3.ª Igreja Baptista de Lisboa)

Vice-Presidente: Carlos Xavier (Fraternal – Igreja Batista Brasa Espinho)
Vice-Presidente: Paulo Pina Leite (Comunhão de Igrejas de Irmãos em Portugal – Igreja
Evangélica da Foz, Porto)
Vice-Presidente: Samuel Antunes (Convenção das Assembleias de Deus em Portugal –
Assembleia de Deus de Portimão)
Tesoureiro: André Fonseca (1.ª Igreja Baptista de Viseu)
Secretária: Ana Cabral (Igreja Congregacional de Ponte de Sor)
Secretário: Sérgio Matos (Igreja Maranata do Porto)
Vogal: Eurídice Chaveiro (Igreja Ação Bíblica de Lisboa)
Vogal: Jonas Nunes (Assembleia de Deus de Leiria)
Vogal: Lídia Fletcher (Centro Bíblico de Azeitão)
Vogal: Míriam Mateus (Igreja Cristão Manancial de Águas Vivas – S. Domingos de Rana)
Vogal: Peter Shore (Igreja Evangélica A Fonte – Penafiel)
Vogal: Nicole Almeida (Igreja do Nazareno – Lisboa)
Suplente: Alberto Serém (Exército de Salvação – Lisboa)
Suplente: Ruben Pirola Filho (Igreja Reviver de St.º António dos Cavaleiros)

Secretário-Geral: Josué da Ponte

Conselho Fiscal
Presidente: Jorge Raposo (Convenção das Assembleias de Deus em Portugal – Assembleia de
Deus de Lisboa)
Vogal: Mário Santos (Comunidade Cristão do Algueirão)
Vogal: Miguel Jerónimo (Igreja Batista Getsémani – S. Marcos)
Suplente: Ana Santos (Igreja Baptista de Mem Martins)

Clique aqui para ver mais fotos da Sessão Solene (fotos de Osvaldo Castanheira)

Conheça aqui o Discurso da Tomada de Posse do novo Presidente da AEP, Dr Timóteo Cavaco

Exposição virtual do Centenário da AEP:

https://aliancaevangelica.pt/site/centenario-aep/

Veja aqui a cerimónia dos 101 anos da Aliança Evangélica Portuguesa e respetiva Tomada de Posse da Nova Direção:

 https://youtu.be/kAbKHXWD8z4

Dissipar a solidão

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Era uma pequena aldeia, situada entre duas ribeiras, envolvida por belas paisagens e terrenos férteis, de vinhas, oliveiras e amendoeiras. Contudo, havia uma característica que a distinguia de todas as outras aldeias portuguesas: tinha apenas um habitante.

Ao longos dos anos, as famílias que ali residiam tinham-se mudando para outras localidades, talvez profissionalmente mais promissoras. Restava apenas aquele homem. Podemos imaginar o seu dia-a-dia? Como seria sair de casa, pela manhã, e encontrar à sua volta um amontoado de casas vazias? Não haver com quem conversar ou mesmo pedir ajuda? À condição dele em Adagoi, assim se chama a aldeia, poderemos chamar solidão objectiva, que significa, literalmente, a ausência de pessoas. Mais tarde, ele terá decidido ir viver para outra localidade, provavelmente para evitar esse isolamento.

Este não é o tipo de solidão mais comum nos dias de hoje. Ou seja, quando alguém nos diz que está só, tal não significa a inexistência de pessoas à sua volta. Habitualmente, refere-se a uma outra realidade, a chamada solidão sentida. Ou seja, é uma solidão que se transporta no íntimo, que acompanha a pessoa para onde vá, independentemente de quem esteja próximo de si. Por isso, o facto de sermos muitos, num qualquer evento por exemplo, não garante que a sensação de solidão não esteja presente.

Uma forma de trabalhar saudavelmente essa condição em cada um de nós, pode acontecer em duas vertentes: alimentarmo-nos e repartirmos entre nós o nosso pão.

Alimente-se

Aquilo que absorve a nossa atenção diariamente, e os pensamentos que ruminamos a partir daí, ditam em grande medida os contornos e a dimensão da solidão que sentimos. Se estivermos focados naquilo que não é alimento, poderemos dar por nós emocional e espiritualmente subnutridos e, inevitavelmente, sentirmo-nos sós, numa percepção árida e desvalorizante de nós mesmos, vivamos sós ou acompanhados. Por outro lado, Jesus assegurou-nos alimento diário, ao afirmar: “Eu sou o pão da vida.”(João 6:48, ACF) Jeremias sentiu esse conforto, mesmo no tempo difícil que viveu, tendo afirmado até “A minha porção é o Senhor.” (Lam. 3:24, ACF)

A leitura da Bíblia e a oração são duas fontes inesgotáveis de provisão. Conversar com alguém que nos escuta, aceita e oferece alento, pode ajudar a ultrapassar circunstâncias ou recordações que se constituam como factores de manutenção, ou até de agravamento, da solidão, no cumprimento do princípio bíblico “Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo.” (Gál. 6:2, ACF) Também existem recursos de aprendizagem, bons livros, músicas que nos elevam, pesquisa de temas que nos edificam, a contemplação da natureza, em momentos da chamada solitude, que significa estar só e saborear esse momento. Em todas essas circunstâncias, Deus pode falar-nos.

Alimente

Uma vez nutridos, acabamos por entender que a mesa de Deus é abundante e que Ele nos dá mais do que aquilo que precisamos. Assim, podemos partilhar tranquilamente o nosso pão com quem nos cruzamos, em momentos de proximidade, de ouvido atento, sensibilidade, palavras, acções de entreajuda.

Sinto-me muito grata a todas as pessoas que, ao longo da vida, me alimentaram, usadas por Deus, substituindo solidão por oportunidade de desenvolvimento pessoal. Assim, deixo aqui a recordação de dois momentos desses, como uma homenagem também, aos meus queridos e saudosos pais.

Duas pérolas preciosas

Numa das últimas vezes em que conversámos, o meu pai ofereceu-me um versículo bíblico. Ao longo da vida, ofereceu-me muitos, mas este teve um sabor especial, por ser o último e por definir um precioso princípio de vida. Disse-me que aquela passagem bíblica era para mim e referiu-a: “E dizei a Arquipo: Atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para que o cumpras.” Colossenses 4:17. E guardo-o preciosamente, substituindo o nome Arquipo por Bertina…

A minha mãe tinha uma voz lindíssima. Muitas vezes cantou para programas de rádio, a então Ibra Rádio, e em eventos evangélicos, tendo chegado a gravar uma cassete de hinos, como se usava na altura. Recordo-me bem da última vez em que a ouvi cantar. Cantou para mim, pouco tempo antes de partir para a eternidade. Estávamos a conversar a propósito de alguns planos para a minha vida, sobre os quais eu não tinha a certeza, e cantou: “One day at a time, sweet Jesus…” Foi apenas a parte inicial deste belo hino, o que lhe permitia a sua saúde já frágil, e eu entendi a mensagem.

Sim, queridos pais, guardo comigo o vosso conselho conjunto: atentar no ministério que o Senhor me deu, para o cumprir, mas lembrando-me sempre que é um dia de cada vez!

Hoje mesmo

Se tem lamentado a solidão que sente, resista à tentação fácil de ficar à espera que alguém o(a) venha alimentar e angustiar-se por isso não estar a suceder como desejaria, pois esse apoio nem sempre está garantido. Comece por pensar em formas de se alimentar afectiva, mental e espiritualmente. Existem muitas oportunidades, como referi, providenciadas por um Deus que tem prazer em alimentar-nos, e que serão provisão, água fresca, mel, cura para feridas, vida.

Uma vez mais bem nutrido(a), irá sentir-se mais motivado(a) a tomar a iniciativa de se aproximar de outras pessoas e partilhar o seu pão. Outros irão alimentá-lo(a), usados por Deus. E, naturalmente, a solidão se irá dissipando.

“Quando a ansiedade já me dominava no íntimo, o teu consolo trouxe alívio à minha alma.” Salmo 94:19 (NVI)

Bertina Coias Tomé

Psicóloga

Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Psicologia Comunitária

Batem à porta. Quem será?

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Tocavam à campainha da nossa casa com muita frequência. Eram os nossos amigos, os conhecidos e, tantas vezes, pessoas que precisavam de desabafar os seus problemas e ouvir conselhos e palavras de ânimo. No seu ministério pastoral os meus pais as recebiam, escutavam, conversavam, disponibilizavam o telefone, enfim, quantas vezes recebiam crianças enquanto os pais iam trabalhar, jovens que precisavam de tempo para arranjar casas onde ”servir” (como se dizia na época) e, até, recordo-me de uma idosa, sem abrigo que se recusava a tomar um bom banho…

Revisitando esse tempo guardado na memória, sinto saudades daquela casa.  Tinha um corredor comprido ladeado pelos vários quartos onde dormíamos aos pares (porque oito a dividir por dois dá quatro) mais o principal que era dos pais, quase sempre com um berço para mais um bebé que chegava à família. Ainda sinto o conforto daquele primeiro andar onde os anos passavam devagar, as férias da escola eram longas, os amigos entravam e saíam num corrupio para as brincadeiras, para estudarem connosco, e chegada a hora, lanchavam connosco. Havia sempre mais um prato na mesa para um deles ou para quem chegasse de improviso.

… Como era possível que, do pouco, ainda houvesse alguma coisa para partilhar além do carinho e compreensão para com vidas tão sofridas!

Nesta visita a tempos distantes e preciosos, recordo um fim de tarde, quase noite, em que alguém batia à porta da rua e tocava à campainha ao mesmo tempo, num sinal de aflição e desespero. Era uma senhora chorando copiosamente, com uma criança pela mão. Abraçou-se à minha mãe sob o olhar atento e preocupado do meu pai e foi encaminhada para uma sala para conversarem. Fechada a porta, ficámos sem saber de que perigo fugia.

Recordo que mãe e filha ficaram connosco. A senhora ajudava nas tarefas diárias, já não chorava e a pequenita entrou nas nossas brincadeiras. O que a trouxera ali “não era assunto para as crianças”. Houve telefonemas, cartas para lá e para cá…

Quanto tempo passou não sei, mas a nossa curiosidade teve parcial resposta quando, numa tarde igual a tantas outras para mim, a campainha voltou a tocar. “Quem será?” Foi o meu pai quem desceu as escadas para abrir a porta, enquanto o nervosismo da hóspede inesperada foi bem visível. Era o seu marido que a abraçou, em lágrimas, assim como à menina e foram encaminhados, sozinhos,  para a mesma sala onde ela estivera no dia da sua chegada. Quando saíram estavam reconciliados, partindo juntos entre abraços tranquilos e sorrisos felizes dos meus pais e o espanto, algo envergonhado, dos que por ali estávamos.

Batem à porta! Quem será?

Regresso ao presente e pergunto-me: quantas vezes batem à minha porta!  Quem será e do que necessita? De que forma escuto, abraço, ajudo?

Dirigindo a mesma pergunta aos leitores, será que disponibilizamos alguma parte do que somos e temos? Será que os nossos filhos, aqueles com quem convivemos, poderão voltar atrás no tempo e ter o testemunho da nossa partilha, do “amar o próximo como a nós mesmos”? Sobretudo, será que falamos aos desvalidos e sofridos sobre Alguém que deseja entrar nas suas vidas e nelas morar até à eternidade?

“Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo.” (Ap. 3:20)

Quem bate assim, com voz suave?

Jesus Cristo, o único Amigo sempre disponível, que quer sentar-se à nossa mesa, conversar e cear connosco, suavizando as nossas dores e secar as nossas lágrimas.

“… se … estiver atento à voz … e abrir a porta” …

Como será abençoadora a Sua entrada pela porta da nossa vida!

Lídia Pereira

Gestora de Recursos Humanos e Administrativos

Aposentada

A MORTE NA PERSPETIVA DOS EVANGÉLICOS

1510 1004 Aliança Evangélica Portuguesa

Com base nas Sagradas Escrituras, os evangélicos afirmam que o crente que se arrepende dos seus pecados e confia sem reservas na morte de Cristo, oferecida como sacrifício único para a sua salvação, recebe a vida eterna na altura da sua conversão (João 5:24). A ressurreição de Jesus é uma vitória sobre o “último inimigo”, a morte física, e garante a futura ressurreição do crente para viver com Ele em “novos céus e numa nova terra em que habita a justiça” (2 Pedro 3:13). Entretanto, a morte física significa uma passagem imediata do seu espírito para a presença do Senhor (Lucas 23:43), não por causa dos seus próprios méritos, mas com base no dom gratuito da vida eterna que Jesus lhe confere pela graça de Deus, e que ele recebe por meio da fé.
A morte física é uma realidade que aguarda todo o ser humano. Surge por vezes de formas repentinas e trágicas, outras vezes como o fim de um processo de enfraquecimento e velhice que envolve muita dor e sofrimento, ou outras vezes ainda de uma forma tranquila. Mas ela traz sempre questões às quais – tanto o próprio que a antecipa como os seus entes queridos – têm dificuldade em responder. Sendo Jesus o único caminho de salvação (João 14:6) como cristãos evangélicos não acreditamos que os que não confiam n’Ele possam escapar da condenação eterna, da qual as Escrituras falam claramente (Marcos 9:45 a 48, 2 Tess 1:4-9). Nós não podemos, no entanto, conhecer o íntimo do coração dos outros, sobretudo na fase em que estes vêem a morte a aproximar-se – fase em que a pessoa pode depositar a sua fé em Jesus, independentemente da igreja a que possa pertencer, ou mesmo que não tenha pertencido a nenhuma. Só a Deus compete julgar. A noção do Purgatório, não sendo ensinada nas Escrituras Canónicas, não faz parte da fé dos evangélicos. Os crentes encaram os funerais como momentos privilegiados para poderem agradecer e celebrar a vida do que faleceu, sobretudo em casos em que o defunto era um crente de testemunho convincente. Para muitos o Dia dos Defuntos, mesmo não sendo uma altura em que se possa ou se deva orar a favor de entes queridos falecidos, pode ser um bom momento para os recordar e agradecer a Deus o legado moral e espiritual que deixaram.


Alan Pallister

Momentos Preciosos

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Dei comigo a caminhar para o refeitório, pensativa. Estava numa Conferência, a que tinha vindo com muitos outros jovens como eu, num ambiente tranquilo e animado de Verão, e reflectia sobre aquilo que ouvira na sessão da manhã.

O orador acabara de nos deixar um convite que tinha tanto de inesperado como de aliciante. Dissera que quem quisesse falar com ele em particular poderia ter essa oportunidade a seguir ao almoço, numa sala que nos indicou.

Apreciara muito o que ele partilhara connosco e poder conversar com ele parecia-me uma oportunidade incrível! Nunca antes vira um orador internacional abrir-nos essa possibilidade. Contudo, ao entusiasmo veio-se misturar alguma insegurança. O convite despertara também os meus receios pessoais. O que pensaria quem me visse a dirigir-me para lá? Iriam imaginar-me como uma pessoa “cheia de problemas”, frágil? Deveria ir ou não?

Sentei-me à mesa e fui comendo e pensando. A certa altura, no meio daquela teia de ruminações, surgiu uma ideia que me agradou porque me pareceu conciliar a vontade de ir com a minha insegurança… Sim, depois do almoço eu iria caminhar na direcção da tal sala onde ele iria estar. Iria assim “como quem não quer a coisa”, como se estivesse apenas a passear por ali, e logo avaliaria o que sentiria no momento, se deveria entrar ou não, se estaria alguém a observar ou se poderia acontecer discretamente.

Confortável com o plano que traçara, terminei a refeição. Depois levantei o tabuleiro da mesa, fui colocar no lugar certo, e saí do refeitório. Caminhei em direcção à sala e, ao aproximar-me, tive uma surpresa! Rapidamente descobri que, de facto, não precisaria mais de me preocupar com a decisão de ir ou não falar com o orador. Eu não teria essa oportunidade. A fila à porta da sala era longa! Ali estavam muitos jovens, à espera do seu momento, certamente único, de falar pessoalmente com aquele orador!

Não me senti triste, talvez por não ter sido um plano muito vincado em mim. Fiquei, sim, impressionada. Tanta gente, como eu, a precisar de falar e de se sentir ouvida! Aquela imagem acompanhou-me para sempre.

Muitos anos são decorridos desde aquele dia mas a necessidade mantém-se, na generalidade: precisamos de nos sentir ouvidos e aceites.

Há conteúdos que ora se agitam em nós, ora parecem atenuar-se, mas que precisariam de ser falados para ser saudavelmente processados. Por serem situações nossas, são sentidas com uma intensidade própria e adquirem naturalmente uma densidade emocional que facilmente pode traduzir-se num amontoado de pensamentos que, quantas vezes, atrapalham mais do que esclarecem, como um nevoeiro confuso, que dificulta o discernir de um caminho ou até nos oferecem uma sensação de encurralamento, como se não houvesse saída.

Nem todas as pessoas têm maturidade ou recursos pessoais para conhecer as nossas dores. Não deve ser para elas o nosso desabafo.

Outras há que, reconhecendo-lhes idoneidade para acolher os nossos conteúdos mais delicados, poderão estar a viver um momento pessoal exigente/desgastante e, por esse motivo, não têm em si espaço emocional para oferecer ao nosso desabafo.

Por vezes também acontece ser menos confortável fazê-lo com familiares ou no círculo de amigos, pela grande proximidade. Aquele orador desconhecido, vindo de outro país, trazia consigo essa distância que também se tornara atraente, por certo.

Na verdade, há pessoas capazes de tomar a nossa carga e, de forma sábia, caminhar connosco e ajudar-nos a descobrir caminho. Como diz um provérbio antigo: “Os lábios do justo apascentam a muitos.” (Provérbios 10:21)

Criar oportunidades de conversar e partilhar é uma verdadeira bênção. São momentos que Deus pode usar para nos fazer sossegar, para curar feridas e desenhar caminho diante de nós. E nesse apoio se cumpre o que há de mais precioso: “Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo.” (Gálatas 6:2)

Bertina Coias Tomé

Psicóloga

Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Psicologia Comunitária

25 anos da “Fé dos Homens” na RTP 2

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Foi a 15 de setembro de 1997 que a televisão pública passou a emitir o programa “Fé dos Homens” pela primeira vez, com a participação das diferentes confissões religiosas. Desde então, nasceu o “Luz das Nações” da responsabilidade da Aliança Evangélica Portuguesa, ininterruptamente ás 3ª e 6ª feiras (RTP 2), atualmente entre as 15.00 e as 15.30h. Um programa de 7,30 minutos em que damos a conhecer a nossa identidade evangélica e fé em Jesus.

Aqui fica o testemunho de Samuel R. Pinheiro, que esteve na origem destes programas e foi responsável pelos mesmos entre 2003 e 2011.

“GRATIDÃO. É a primeira palavra que me ocorre quando penso em revista estes 25 anos. Um tempo de aprendizagem para mim que não tenho nenhum curso de comunicação social. Gratidão em primeiro lugar para Deus que nos dá o que nós necessitamos para desenvolvermos as oportunidades que Ele mesmo coloca nas nossas mãos. Gratidão para com um grande número de pessoas envolvidas do qual não me atrevo a citar os que lembro sempre com reconhecimento pelo compromisso, porque nestas lides não se pode falhar no cumprimento dos prazos.

OPORTUNIDADE. É outra palavra que me ocorre. A grande oportunidade que Deus concedeu para que a liberdade religiosa alcançasse um outro patamar ainda antes de existir lei, de modo a que este meio da comunicação social e do serviço público, continuar a alcançar uma população cujo desconhecimento do evangelho e da pessoa de JESUS é tão gritante tanto em termos culturais como na dimensão espiritual. Conhecemos alguns testemunhos que são evidencia do que apenas Deus sabe na íntegra aconteceu nestes 25 anos.

CONTEÚDO. Esta é outra indicação no meu entender essencial no processo comunicacional. A consciência que não se trata apenas de preencher uma rubrica de alguns, normalmente poucos, minutos, com uma estética agradável e apelativa, mas com a perspetiva de como em bandeja de prata levar a realidade da vida de JESUS e em JESUS, nos dias em que vivemos com todos os seus desafios, com os olhos colocados na reconciliação do homem com Deus.

DIÁLOGO. Aprender num processo continuo a conviver como sempre a comunidade evangélica em que me reconheço, a conversar sobre a fé, que como a Escritura nos exige, a apresentar a verdade em amor. Numa cultura que tende a considerar que a verdade é o que cada um entende como tal, mas que no sentido espiritual, ético e moral, social e cultural, é JESUS que se nos apresenta como a verdade.

FUTURO. Termino com esta consciência de que Deus não é prisioneiro de nenhum tempo ou geração, mas que permeia todas elas numa renovação constante. Olho para trás apenas para com mais firmeza e expetativa encarar os desafios do presente num voto sincero pessoal de que estes 25 se perpetuem na bênção de Deus sobre todos os que continuam ativos, empenhados, comprometidos com a visão e o serviço a Deus através da RTP2 e da Antena 1. As minhas orações estão convosco, o meu estímulo e encorajamento, e a minha gratidão. “

Conheça toda a programação do “Luz das Nações” e “Caminhos” aqui – https://aliancaevangelica.pt/site/tv/

Leia aqui o Comunicado da Comissão do Tempo de Emissão das Confissões Religiosas

Estamos muito gratos a Deus por estes 25 anos de programas e de oportunidades de partilhar esperança. E agradecemos muito por todos os irmãos que ao longo dos anos têm tornado possível estes programas. Sem dúvida, é tempo de celebrar!

Samuel R. Pinheiro

Coordenador da Assessoria de Comunicação da AEP entre 2003 e 2011

https://samuelpinheiro3.wixsite.com/omelhordetudo

As artesãs do tabernáculo

960 640 Aliança Evangélica Portuguesa

No livro de Êxodo, nos capítulos 31 e 35, encontramos o relato da projeção da construção do tabernáculo, que é extraordinário. Convido-a a fazer uma leitura atenta dele e certamente será abençoada. Por vezes estes capítulos passam-nos um pouco ao lado porque a distância cultural dificulta a nossa perceção. No entanto, este é um texto rico em detalhes tão importantes para nós.

No capítulo 31, Deus apresenta a Moisés o seu projeto de construção do tabernáculo. Deus era o arquiteto que havia projetado uma obra tremenda cujo propósito era habitar com Sua presença no meio do povo. Ele é Deus de perto e não de longe e apesar de todo o pecado que afastava o povo de Deus, Ele mesmo projetou um plano de aproximação e revelação da Sua glória. Contudo, Deus queria que o seu projeto fosse concretizado pelo Seu povo, por mãos e recursos de homens limitados, mas sobrenaturalmente capacitados por Seu Espírito. Que graça constrangedora!

“O Senhor lhes deu habilidade especial (…)” (Êxodo 35:35)

Deus escolheu os artesãos mais talentosos de entre o Seu povo e os encheu com o Seu Espírito,  dando-lhes sabedoria e perícia para os trabalhos artísticos. Haviam alguns com um reconhecido talento para os trabalhos artesanais. No entanto, para além desse talento natural de alguns, Deus conferiu ainda habilidades especiais a todos os artesãos para que pudessem participar na concretização deste Seu projeto.

Quando Moisés foi convocar o povo para a realização desta obra, ele convidou a todos aqueles que tinham um coração generoso a darem dos seus recursos, talentos e habilidades para juntos cooperarem na obra do Senhor. A Palavra de Deus diz que “todos os que tinham o coração disposto, tanto homens como mulheres, vieram e trouxeram suas ofertas para o Senhor.” (Êxodo 35:22)

Não se tratava apenas de uma questão de talento ou habilidade. Era preciso ter um coração disposto e almejante por dar de si. Fossem homens ou mulheres, todos estavam incluídos no projeto, na missão. O projeto de Deus seria realizado com muitos ou com poucos mas só os de coração disposto poderiam ser participantes da grande missão de Deus de trazer o céu à terra.

E as mulheres não quiseram ficar de fora, pois diz que “todas as mulheres sábias de coração fiavam com as suas mãos, e traziam o que tinham fiado, o azul e a púrpura, o carmesim e o linho fino. E todas as mulheres, cujo coração as moveu em habilidade fiavam os pêlos das cabras.” (Êxodo 35:25,26) Que Deus tremendo, que olha e procura por corações dispostos, que capacita e chama todos os que querem ser participantes!

Se temos realmente corações dispostos para “construir” o reino, qualquer uma das nossas habilidades glorificará o Rei. Juntos estamos envolvidos no mesmo projeto, sendo cada um capacitado pelo Espírito de Deus para com distinção cumprirmos a nossa missão.

Homens e mulheres em Israel estavam envolvidos na grande obra que traria a habitação da presença de Deus entre os homens, mas aquele tabernáculo era apenas um símbolo que apontava para Jesus – “o verdadeiro tabernáculo”.

“E o verbo se fez carne e “ tabernaculou” entre nós” (João 1:14). Não precisamos mais de “construir” um tabernáculo físico pois o verdadeiro tabernáculo já veio em Jesus, manifestando a glória de Deus. Ele subiu aos céus, mas através do Seu Espírito, que o Pai enviou, somos feitos morada de Deus, onde a Sua presença se manifesta. Qual é então nossa missão? Somos chamadas a “construir tabernáculos”. Sim, Deus tem um projeto de construção, de fazer morada nos corações de homens e mulheres. O projeto é D´Ele, a missão é D ´Ele mas Ele conta com “artesãos” dispostos. Homens e mulheres que por meio de suas habilidades e capacitados pelo Seu Espírito possam preparar o terreno, levantar as estacas e montar a tenda no coração dos homens para que Ele possa vir e habitar.

Que sejamos como as artesãs do tabernáculo que se dispuseram e usaram a sua habilidade para que o projeto de Deus fosse concluído, a presença de Deus manifesta e a Sua glória revelada.

Sara Rosa

Missionária em Cabo Verde

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