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Geral

Ambiente de Natal

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Ambiente de Natal

Naquele dia, a cidade estremeceu com a notícia! Um homem deveras perturbado, conseguira arrastar toda a gente numa onda de indignação. Por aqui e por ali, havia muitas conversas inquietas, impregnadas de agitação e incómodo!

Na verdade, o dia deveria ter sido de celebração, de festa. Era um momento único e especial para toda a humanidade. Tratava-se do primeiro Natal. Contudo, não foi reconhecido e é descrito assim: “E o rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele.” (Mateus 2:3)

Uns anos mais tarde, um outro homem promove também uma alteração no ambiente de uma cidade. Chama-se Filipe e está em Samaria. Ali ele proclama o evangelho, acontecem autênticos milagres e o resultado é este: “E havia grande alegria naquela cidade.” (Atos 8:8) Um povo em festa!

De igual modo, e ainda hoje, em cada um de nós habitam possibilidades de criar ambientes, seja na nossa casa, no nosso local de trabalho ou até na localidade onde vivemos. E que tipo de atmosfera emocional e espiritual promovemos?

O facto de ser tempo de Natal, por si só, não será suficiente para ditar um clima agradável ao nosso redor. Precisamos de nos assegurar que acima do aroma do bacalhau ou da carne assada, ou dos fritos polvilhados de canela, a fragrância de Cristo se espalha pelo ar, em cada olhar, palavra, gesto. Que para além das luzes que piscam nas gambiarras, a luz de Cristo, clara e pura, é a luminosidade que conduz cada passo.

Neste Natal, conheço famílias em luto. Há outras com o peso de dívidas por pagar. Algumas a tentar refazer-se de um desmoronamento na relação familiar. Outras a saborear uma casa ou um carro novo, ou deliciadas no sorriso do anúncio de um casamento para breve ou de uma nova gravidez.

Sejam quais forem as circunstâncias, precisamos de um Filipe – alguém que conhece a Deus, que é portador da mensagem do Seu amor, que faz borbulhar uma alegria pura no ambiente em que está, onde o poder de Deus tem espaço para se manifestar. Quem poderá “ser” Filipe?

Tu e eu, podemos sê-lo neste Natal, pela Sua graça, seja qual for a ementa, a beleza e delicadeza dos enfeites que decoram a mesa e a sala, o número de pessoas, a dimensão da casa. Para tal, bastará seguirmos o conselho do apóstolo Paulo: “E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave.” (Efésios 5:2)

Para todas, um Feliz Natal!

Bertina Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, e em Psicologia Comunitária

Semana Universal de Oração 2020

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No arranque de um novo ano e, como já é habitual, está à porta também mais uma Semana Universal de Oração. Começa no dia 12 de janeiro, até dia 19, e este ano o tema escolhido é “De volta a Casa”. Durante esta semana vão realizar-se em vários locai s do país e do mundo encontros específicos de oração e nós queremos convidá-lo também a participar.

A Hospitalidade – Lurdes Lima Capucho

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A Hospitalidade

Abri cuidadosamente a toalha bordada sobre a mesa da sala. Depois alisei e ajustei. Decorei-a com um jarro de flores frescas e velas decorativas. Da cozinha, fui trazendo os pratinhos com aperitivos diversos e depois o arroz-doce polvilhado de canela que preparara na noite anterior. Também uma canja quente, acabada de fazer, aguardava os convidados.

Pouco depois, ela chegou do cabeleireiro. Vinha linda, com um penteado que lhe dava um ar ainda mais atraente e distinto e combinava bem com o seu sorriso. No ar havia a excitação própria de um dia especial.

No quarto esperava-a o seu vestido de noiva, de cetim, tule e rendas. Fora eu a fazê-lo e, também por isso, tinha agora um gosto especial em vê-la na elegância que marcava um dia memorável. Vestiu-se e acabou de se aprumar, ficando especialmente atraente. Pouco depois começaram a chegar familiares e amigos, convidados para o seu casamento, em momentos de reencontro e de muita alegria. Uma vez que os seus pais residiam longe dali, escolhera a minha casa como o lugar de onde sairia como noiva para a cerimónia nupcial na igreja. Já tivera esse prazer com duas outras noivas, a quem fizera  igualmente os vestidos.

Esta tem sido uma forma de praticar a hospitalidade, entre outras. Tanto o meu marido como eu temos um grande prazer em receber pessoas na nossa casa e providenciar-lhes uma refeição e um tempo agradável de convívio.

Durante anos, enquanto fui solteira, servi a Deus longe da minha família e foi uma bênção ter junto de mim famílias que me “adoptaram”, recebendo-me frequentemente em suas casas e proporcionando-me um ambiente acolhedor. Hoje, é um privilégio fazer com outros aquilo que fizeram comigo. Recordo-me, especialmente, de uma família numerosa que tantas vezes me recebeu. Mesmo com limitações económicas, tinham sempre um café, um sorriso e uma bolacha para oferecer.

Embora nos empenhemos em oferecer o nosso melhor, não temos a preocupação de possuir algo muito especial para, então, ser hospitaleiros. Não é necessário ter um queijo caro, a melhor fruta ou mesmo a casa “num brinco”. Se estivermos à espera disso, deixaremos passar muitas oportunidades ou talvez nunca cheguemos a receber alguém. Por isso, quando convidamos sempre partimos do princípio de que o importante são as pessoas, não é a casa. Procuramos que cada visitante se sinta à vontade e confortável, saboreando um ambiente de família, seja para uma refeição seja mesmo para passar uns dias.

A conclusão a que temos chegado é a de que, para além de sermos bênção para outros, nós próprios somos abençoados.  “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos.” (Hebreus 13:2) Essas palavras vêem-me à mente quando recordo o convite que, a certa altura, fizemos a duas amigas para virem almoçar a nossa casa. Tanto uma como outra têm familiares a residir muito longe daqui e pensámos que seria uma excelente oportunidade de promover momentos de convívio, com sabor a família. Na véspera do dia combinado, percebi que não estávamos num momento economicamente favorável. Sugeri ao meu marido que cancelássemos o convite. Contudo, ele não sentia que o devêssemos fazer e concordei com ele. Então fui ao frigorífico em busca de uma ideia para a ementa. Tinha peixe cozido, já desfiado. Massada de peixe seria a única possibilidade.

No dia seguinte elas vieram estar connosco, alegremente. Ainda hoje comentam aquela massada de peixe, tão saborosa que lhes ficou na memória, sem que imaginassem então que fora o único recurso.

À despedida, uma delas, para nossa surpresa, deu-nos uma oferta em dinheiro. Sentira-se impelida a fazê-lo e acreditava que fora Deus a dirigi-la nesse sentido. Comovidos, acabámos por contar-lhes toda a história daquela refeição.

Na verdade, Deus presenteia-nos com um leque diverso de bênçãos quando somos hospitaleiros. Concluo, lembrando o conselho bíblico:

“ E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada.” (Hebreus 13:16)

Lurdes Lima Capucho
Evangelista

Eutanásia: Porque Não?

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Eutanásia: Porque Não?

Em 2018 houve uma tentativa de aprovação da legalização da eutanásia pelo parlamento português.
O que é a eutanásia? O que não é eutanásia? Quais os principais argumentos a favor e contra a sua legalização? Qual a origem e significado da dignidade humana? O que são e para que servem os cuidados paliativos? Qual o sentido da vida, à luz da investigação científica internacional? Qual a perspetiva cristã sobre a eutanásia?

O médico Jorge Cruz, especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular no Hospital da Arrábida, mestrado em Ética Médica (na faculdade de Medicina da Universidade do Porto), doutorado em  Bioética (na Universidade Católica Portuguesa), autor do livro “Morte Cerebral – Do Conceito à Ética” e membro da direção da ACEPS (Ass. de Cristãos Evangélicos Profissionais de Saúde), procurou responder a estas e a outras questões, concluindo que os argumentos a favor da eutanásia e/ou do suicídio assistido são insuficientes e insatisfatórios para justificarem a sua legalização.

Veja aqui o  respetivo artigo completo publicado pelo autor na Revista Iberoamericana de Bioética.

https://revistas.comillas.edu/index.php/bioetica-revista-iberoamericana/article/download/11726/11036

A Caminhada – Cristina Frade

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Uma escolha pessoal no percurso de vida

Aqueles passeios matinais já faziam parte da nossa rotina familiar durante as férias na praia. A baixa-mar durante a manhã convidava-nos a percorrer o extenso areal, levando-nos a contemplar a beleza do abraço entre o céu e o mar, lá no fundo, na linha quase etérea do horizonte.

Os mais novos aproveitavam aqueles passeios para se aventurarem nas suas descobertas e criações marinhas. Com a água a formar pequenas lagoas, era um regalo vê-los construir aquários, apanhar peixinhos e algas, caçar “monstros marinhos”, como um pequeno polvo que não se deixou apanhar por mais que tenham sido as artes utilizadas.

Numa dessas caminhadas, a assentar os pés firmemente na areia húmida, tive a consciência de como é muito mais fácil caminhar na areia fresca e compacta do que na tórrida areia seca, cujos grãos parecem querer engolir-nos as pernas em cada passo esforçado. Dei comigo a pensar como a nossa caminhada pela vida também é assente no terreno que escolhemos trilhar.

Claro que a companhia que nos incentiva a dar um passo mais além é fundamental para não desistirmos quando vemos a imensidão do areal qua ainda temos de percorrer.

Mas, independentemente da companhia, estou em crer que a nossa decisão sobre a escolha de um ou outro terreno tem um papel ainda mais decisivo nos frutos da nossa vida.

Certa vez Jesus reiterou esta verdade referindo-se à edificação da nossa vida sobre o terreno firme da rocha ou sobre a instabilidade da areia. E a diferença fundamental entre um e outro é precisamente o conhecimento da Palavra de Deus e a sua aplicação à nossa caminhada. (Mateus 7; 24-29)

Essa escolha resultará em bênção para a nossa vida, alegrará o coração de Deus e contribuirá, sem dúvida, para o crescimento do Seu Reino.

É verdade que há momentos em que parece não ser fácil discernir entre o caminho certo e o errado, entre o que conduz à bênção e o que leva à destruição, tanto mais quando olhamos à nossa volta e a mensagem que ouvimos é a de que tudo é legítimo, tudo é relativo, cada indivíduo tem direito a fazer as suas escolhas, não podendo ser criticado desde que não prejudique terceiros.

 

A Bíblia afirma que tudo é lícito mas nem tudo convém. Os estudiosos das Ciências Sociais, por exemplo, referem que na análise social os valores devem ser relativizados pelas práticas – se o aborto é uma prática clandestina, então vamos solucionar o problema, legitimando-o através da criação de um instrumento que faça parecer que quem o pratica não está a cometer um atentado contra Deus, contra o seu próximo e contra si mesmo. Para ser clara, o que se faz é melhorar as condições de saúde e de higiene em que o ato é realizado mas não se atua no sentido de evitá-lo, evidenciando que tal prática é condenável pelo Autor da Vida e que traz um peso atroz sobre quem o faz.

As práticas e caminhos condenáveis pela Palavra de Deus são diversos e não são reprovados por um capricho de Deus mas porque Ele, sendo Todo-Poderoso, vê o que nós não conseguimos ver, não discernindo muitas vezes as consequências dos nossos atos, e porque, tal qual um grande construtor, o nosso Criador tem instruções para o funcionamento e manutenção da nossa vida, as quais, se cumpridas, resultarão em bênção e prosperidade da nossa vida. Por outro lado, o não cumprimento dessas regras iliba o construtor de qualquer mau resultado.

Para terminar, quero partilhar consigo a minha visão sobre esta matéria e aquilo que é o resultado da minha caminhada em terreno firme, tendo por fundamento a Palavra de Deus. Quero dizer-lhe que em todos nós existe um desejo imenso de liberdade mas creia que essa liberdade só é plenamente vivida quando nos encontramos no lugar e no propósito para o qual fomos criados. Só na medida em que conhecemos melhor Aquele que nos criou e buscamos o Seu propósito para a nossa vida é que teremos a certeza plena da nossa realização.

Se sente esta necessidade íntima de se sentir plenamente realizado(a), e se ainda não o fez, experimente colocar-se no propósito de Deus para a sua vida, busque a Sua vontade através da oração e do conhecimento da Sua Palavra. Fazendo isto, encontrará, por certo, o caminho firme e estável que deve trilhar, onde encontrará paz e direção para a sua vida. Faça isto perseverando, aguardando a resposta suave e amorosa de Deus.

“Entrega o teu caminho ao Senhor, confia Nele e Ele tudo fará.” (Salmo 37:5)

 

Cristina Frade
Socióloga

Dia de Oração pela Igreja Perseguida

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Será que devemos orar pelos cristãos perseguidos todos e todos os dias? É claro! Eles precisam das nossas ofertas de orações uma vez que muitos estão na linha de fogo da perseguição pela sua fé. Mas há um único dia a cada ano – o segundo domingo de novembro na maioria dos países – o qual tem sido designado como o Dia Internacional de Oração pela Igreja Perseguida.

E neste dia – o domingo de 10 de novembro desse ano – milhões de cristãos e milhares de igrejas ao redor do mundo levantarão nossos irmãos e irmãs em oração.

Então, a AEP desafia cada igreja e comunidade, no próximo domingo, a ter um tempo de oração pela igreja perseguida.

Aqui encontra uma Carta às igrejas com motivos de oração, por parte da Aliança Evangélica Europeia:
Clique aqui para abrir o PDF da carta

Deus vos abençoe!

Aliança Evangélica Portuguesa

 

Links do Youtube:

Assembleia Geral da Aliança Evangélica Mundial 2019

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Está a decorrer entre 7 e 13 de Novembro a Assembleia Geral da Aliança Evangélica Mundial, em Jacarta, com o tema “Venha o Teu Reino”. A AEP está presente, através do respetivo presidente, António Calaim.

Com o secretário geral da Aliança Evangelica Mundial, Efraim Tendero.

 

Onze anos após a Assembleia Geral da Aliança Evangélica Mundial realizada em 2008, sentimos o poderoso movimento do Espírito Santo, convidando e inspirando a iniciar um novo tempo de trabalho para o Reino de Deus, que unirá líderes de igrejas de todas as regiões geográficas, gerações e causas mundiais/globais.Servir neste novo tempo exigirá um processo cuidadoso, guiado pelo Espírito Santo, para nos esclarecer, lançar a visão e mudar para uma nova mentalidade. Como será evangelizar e fazer discípulos na próxima década?

A Assembleia Geral de 2019, a decorrer neste momento em Jacarta, Indonésia, é um convite para que nós, líderes de nossas igrejas, nações, regiões, redes e comissões, retornemos ao mandamento de Jesus em Mateus 28: 18-20: Jesus então se aproximou deles e disse: Recebi toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que vos ordenei. E garanto-vos que sempre estarei convosco até o fim do mundo. (NIV)

Com líderes da Ferede (Federação de Igrejas Evangélicas de Espanha) Daniel e Mariano, e ainda com o casal Bertil Ekstrom (Diretor Executivo da Comissão de Missões da AEM) a continuar preparativos para Congresso Missionário Ibérico

 

Como os 200 líderes da tribo de Issacar, que eram “especialistas no conhecimento dos tempos, que sabiam o que Israel tinha que fazer” em 1 Crónicas 12:32, a Assembleia Geral será um ponto de viragem para a Aliança Evangélica Mundial. Será um momento para os líderes discernirem, não apenas como será fazer discípulos na próxima década (2020-2030), mas também a qualidade dos líderes necessários para fazê-lo. Será um tempo para cada um se examinar, alinhar-se e comprometer-se com a mentalidade, processos e estruturas necessárias para cumprir a Grande Comissão na nossa geração e na próxima, ou seja, até que Ele venha.

 

Viver a viuvez – Dois testemunhos

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Cada dia é vivido com o Seu amparo

Olho pelo retrovisor e vejo o carro da polícia com as luzes acesas. Estaciono e, com surpresa, ouço que ia a conduzir acima do limite de velocidade.  Respondo que tenho em casa o marido doente e nunca sei como o irei encontrar. Quase como quem pede desculpa, com sensibilidade o polícia deseja as melhoras do meu marido e vai-se embora.

Este momento retrata um pouco do meu percurso diário de ansiedade com hospitalizações onde passei muitas 24 horas ao lado do meu marido, durante os 5 anos que Deus nos ajudou a atravessar.

 “Missão cumprida” foi o que senti quando, aceitando a oferta do meu filho para ir viver com ele e a sua família, fechei a porta daquele apartamento definitivamente.  Sozinha no caminho da viuvez, começava a nova lição de vida, que só se inicia e aprende quando chega o dia da separação e, para sempre, a “minha casa” deixou de existir.

“Em tudo dai graças.” (I Tessalonicenses 5:16) Este fora, até ali, um versículo difícil de entender. Contudo, sentada ao lado do meu filho naquelas 5 horas de viagem, dei graças a Deus pela presença do meu David, tão necessária naquele tempo de solidão.

A disciplina desta última classe da vida tem sido vencida com a ajuda do Supremo Professor. Cada dia é vivido com o Seu amparo, que Ele vai preenchendo com novas oportunidades e inundando o meu coração com motivos para agradecer. 

Neste percurso de mudanças de cidade, tenho encontrado igrejas onde me tem sido dada oportunidade de participação em actividades, onde ganhei muitos amigos. A minha máquina de costura está a ser útil no departamento de missão da igreja onde senhoras se reúnem para costurar para a missão em África. 

Deus devolveu-me o sabor da “minha casa”, neste quarto onde um novo mundo vem ter comigo. Pelo telefone e pelo computador “visito” amigos em necessidade, dando e recebendo conforto. 

Guardo comigo uma caixa cheia de bilhetinhos de amor, oferecidos pelo meu marido ao longo dos 55 anos do nosso casamento, com gratidão pelo grande homem que Deus pôs na minha vida.

Carmina Coias
Missionária Aposentada

 

Deus convida-nos a dar um passo mais

Foi em Agosto de 1996, que tudo aconteceu. Um acidente vascular cerebral veio pôr fim a um casamento de vinte e quatro anos, interrompendo bruscamente o nosso projecto de vida pessoal e familiar. A tristeza, a saudade, a insegurança e os medos, minaram os meus dias e senti o meu mundo a desabar… 

Dois filhos com a vida em construção, uma empresa em fase de grandes dificuldades e uma carreira profissional a manter, eram então as minhas grandes frentes de luta a par de um objectivo que o meu coração impunha e me fazia mover: conseguir honrar os meus compromissos por forma a dignificar o nome do homem, que tanto amávamos, tanto lutou por nós, tantos sucessos alcançou e que agora, havia partido de forma tão súbita.  Injustiça? Não sei, muitas vezes invejei a sua sorte, pois acredito que desfruta da vida numa dimensão grandiosa e feliz! 

Se todas estas responsabilidades me pressionavam e oprimiam, também me impediam a entrega a um luto desmedido. Era preciso arregaçar as mangas, tomar decisões, procurar soluções e estratégias, bem como reunir os recursos ainda existentes, sem margem para  desistências ou desnorteios. 

Foi então que constatei que era tanto, mas tanto, o que ainda me restava. O meu coração encheu-se de gratidão e a alegria de viver renascia em cada dia:  pela provisão de Deus à minha vida, pelos familiares e amigos que Deus usou como anjos acampados ao meu redor, pelas promessas de Deus, pelo alento e orientação que, em cada dia, emanavam da Sua Palavra e que, até hoje, têm sustentado e norteado a minha vida. 

Decorrido este tempo aprendi o valor de uma fé experimentada, aprendi como Deus nos convida sempre a dar um passo mais, a olhar com verdade a nossa vida e a apresentá-la, genuinamente, diante dos Seus olhos. Constatei que a Sua presença é real e permanente e que nada conseguimos apenas pela força do nosso braço, mas pela sua graça em nós – A caminhada é possível, a Deus toda a glória! 

“Nós pomos a esperança no Senhor; é Ele quem nos ajuda e protege!” (Salmos 33:20)

Ana Maria Machado Inácio

Prendas Reveladas – Bertina Coias Tomé

960 637 Aliança Evangélica Portuguesa

“Então, não desembrulhas?”

“Ah, pois, está bem. Querem que desembrulhe agora?”

“Sim, é para vermos!”

Retiro cuidadosamente a fita e o papel colorido, perante os seus olhares curiosos. E aí está a prenda que me foi amavelmente oferecida por alguém e que desperta sorrisos e comentários prazenteiros.

Esta situação tem acontecido diversas vezes. Porque não me desembaraço do papel de imediato, e revelo o que ganhei? Habitualmente não chego a explicar o motivo mas é ainda evidência de um hábito que trago comigo dos tempos de Macau. Lá, entre a população chinesa e macaense, não se abre um presente logo após ter sido recebido. Fazê-lo é sinal de grande indelicadeza. Agradece-se e coloca-se o embrulho colorido junto dos outros, num local definido para tal. Só depois de os convidados se terem retirado, concluída a festa, se procede à abertura das prendas, apenas no seio da família chegada. Subjaz a esta prática um importante sentido de respeito: evitar circunstâncias de algum embaraço para aquelas pessoas que, por limitações económicas, tenham oferecido algo mais modesto que, de outro modo, se veriam expostas perante os demais convidados.

Aquilo que oferecemos a Deus é, frequente e inevitavelmente, desembrulhado diante dos homens. Temos o exemplo da mulher que derramou sobre Jesus um unguento de nardo puro. Como uma oferta que era, ela não falou em preço. Contudo, houve logo quem fizesse as contas: valeria uns 300 dinheiros, por certo. Uma prenda cara demais, comentou alguém (João 12:4,5).  E Jesus interveio de imediato: “Deixa-a; para o dia da minha preparação para a sepultura o guardou (João 12:7).

Noutra ocasião, junto à arca do tesouro, era possível observar aquilo que cada um ia lançando como oferta a Deus. Havia pessoas de condição abastada que ofertavam grandes quantias. A meio daquele fluxo de gente vem uma viúva de condição muito modesta que deita duas moedas que valiam cinco réis. Tão pouco, diria alguém. Prenda desembrulhada.

Jesus assegurou aos seus discípulos que aquela mulher dera mais que todos. Ficou logo claro que o critério de avaliação de Jesus era outro. E explicou: “… da sua pobreza deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento.” (Marcos 12:44). Daí o valor.

Muito do que oferecemos a Deus poderá ser “à moda chinesa”, isto é, discretamente, sendo só Ele a conhecer o conteúdo. A mão esquerda não saberá o que ofereceu a mão direita.

Outras vezes, contudo, não há como evitar que se torne conhecido aquilo que fazemos para Deus, que lhe oferecemos em louvor e em adoração, em serviço para Ele e em favor de outros. São os nossos vasos de alabastro e as nossas moedas de cobre.

Qual será a atitude de outros quando observam a prenda desembrulhada?

Ao longo da sua vida, Moody ofereceu ao Senhor um intenso trabalho de evangelismo. Certa vez, ao observá-lo, uma senhora acabou por criticar: “Sr. Moody, não gosto da maneira como faz o evangelismo.” Em resposta, Moody disse-lhe: “Eu também nem sempre o aprecio necessariamente. Diga-me, como é que a senhora faz?” “Oh, eu não faço evangelismo.”, foi a resposta. “Bem,” disse Moody, “eu gosto mais da maneira como eu o faço do que da maneira que a senhora não o faz.”

O olhar de Deus sobre a nossa vida é o mais importante de tudo. Ele observa as nossas dádivas como mais ninguém saberia fazer. Atribui-lhes o real valor, por vezes tão distante daquele que os homens lhe reconhecem. Talvez muito maior. Por vezes, muito menor.

Algumas ofertas chegar-lhe-ão em segredo. Serão a Suas Mãos, apenas elas, a revelar. Exemplo disso temos na oração, no jejum ou na dádiva referidas por Jesus em S. Mateus 6:1-6.

Outras serão, inevitavelmente, desembrulhadas diante dos homens. Contudo, não deixemos de oferecer por esse motivo. Não percamos de vista que o destinatário é, igualmente, Ele. Maior que qualquer crítica, incompreensão ou o silêncio enigmático de outros, contará a graça de podermos ofertar-lhe alguma coisa, de saber que O servimos e de aí depositarmos todas as nossas expectativas.

Ofereçamos-Lhe o melhor que tivermos, que soubermos, que formos. Coloquemos o nosso presente, humildemente, nas Suas mãos, feridas por amor a nós. E saibamos deleitar-nos no Seu sorriso.

“De todos os vossos dons oferecereis toda a oferta alçada do Senhor: do melhor deles, a sua santa parte. (…) como a novidade da eira e como novidade do lagar.” Números 18:29,30

 

 

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária

“E viveram felizes para sempre…” – Alina Carvalho Carreiro

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Esta frase, tão comum no final dos contos de fadas, traz em si a expectativa de coisas boas e perfeitas para a vida de casados: harmonia constante, nada de lutas financeiras ou emocionais, muita saúde e alguns filhos para alegrar a casa!

Ao casar-me, era isso o que eu desejava… Mas tenho que reconhecer que, actualmente, essa frase tem para mim um significado bem diferente…

De todas aquelas condições por mim sonhadas, a única que vejo preenchida, após tantos anos de casamento, é a que se refere ao meu marido, Vanderli, companheiro sempre presente em todas as situações.

Quanto à vida tranquila, sem lutas ou pressões, a saúde perfeita, os recursos materiais sempre disponíveis… Ora, isso não faz parte do mundo real, em que cada desafio deve se constituir nas oportunidades necessárias ao nosso crescimento e consequente fortalecimento. E se já seguimos o exemplo do salmista, que disse ao Senhor Deus: “Nas Tuas mãos estão os meus dias…” (Salmo 31:15), então não há que temer, pois a cada luta vêm-nos as forças que nos permitem sair vitoriosas.

Mas, e quanto aos filhos? Não é isso o que se espera, que um casal complete a sua felicidade gerando e criando filhos, por meio dos quais venha a perpetuar a sua família?

Para nós, esta foi uma decisão natural. Habituados a viver em famílias numerosas (Vanderli tem dez irmãos, e eu tenho cinco), não nos poderíamos imaginar sem crianças à volta.

Por isso, à medida que o tempo passava, saímos em busca das soluções para o aparente problema da infertilidade. Foram muitos exames, tratamentos diversos, consultas com especialistas, na expectativa de um bom resultado. Em todo o tempo, o Vanderli esteve comigo, apoiando-me e também submetendo-se ao processo, quando necessário. Mas nada acontecia que indicasse a solução do problema.

Para mim, o mais difícil nesse período foi entender o que Deus realmente queria. Embora uma criança fosse muito desejada, custava-me pensar que eu poderia estar a insistir em algo que não fizesse parte dos propósitos de Deus para a minha vida. Às vezes retraía-me diante de uma nova tarefa, porque considerava: “E se eu engravidar? Como vou dar conta deste novo trabalho?”

Por outro lado, deparávamo-nos com as cobranças contínuas: “E então, quando chega essa criança?” Algumas vezes a intenção era boa, de pessoas preocupadas em que estivéssemos a deixar passar o momento ideal para criar os filhos. Outras vezes, éramos feridos por comentários menos bondosos. E o tempo passava… e nada acontecia…

Após uns quinze anos de casados, fui a uma consulta ginecológica de rotina, num hospital muito conceituado. O médico que me atendeu, então, insistiu em que eu marcasse uma consulta na nova Unidade de Esterilidade, para uma avaliação.

Concordei, e compareci àquela consulta, munida de todos os exames e laudos recebidos, ao longo de todo o tempo em que tentara engravidar. A médica, muito atenciosa, conferiu as informações e explicou: “Realmente, você tem seguido o caminho certo, para engravidar. Porém, se vier tratar-se connosco, deverá voltar a fazer estes exames, através do nosso Centro Médico, para conferirmos se há alguma alteração”.

Pedi-lhe um tempo para pensar e fui para casa. Passei uma semana orando e conversando com o Vanderli sobre o assunto. Sobretudo, desejávamos que a paz do Senhor acalmasse os nossos corações, com a decisão que viéssemos a tomar. E foi assim que retornei à médica resolvida a não seguir adiante com o novo tratamento.

Contudo, houve uma condição que coloquei perante o Senhor, caso Ele me mostrasse que não deveria continuar a tentar engravidar: eu desejava sentir-me realizada, completa, independentemente dessa privação dos filhos. Que eu nunca me entristecesse com a alegria daquelas que geram e criam seus filhos, que eu não me considerasse diminuída por não ser mãe, que eu não limitasse o meu afeto pelas crianças, pelo facto de não ter um filho meu… E que soubesse aproveitar todas as oportunidades decorrentes dessa condição, tanto para testemunhar como para empregar o meu esforço e energia no Seu serviço.

E como no plano de Deus não há falhas, e a Sua vontade é boa, agradável e perfeita (Romanos 12.2), eu tenho experimentado alegrias a cada dia, ao depositar diante do Senhor os meus sonhos, expectativas e realizações. O ministério que Ele me tem permitido desenvolver, ao lado do Vanderli, trouxe-nos tantos “filhos e netos”, que de maneira alguma nos sentimos sós!

Portanto, deixo-lhe um desafio. Aprenda a orar como Davi: “Tu és o meu Deus, outro bem não possuo senão a Ti somente” (Salmo 16:2). Deus é o Bem maior. Esta convicção a ajudará a superar as eventuais perdas da vida – a doença inesperada, o marido que se vai, o dinheiro que é pouco, os filhos que não apoiam, o emprego que falhou e o mais que possa pensar. Quando o maior afeto do seu coração for o Senhor, ainda que tudo se venha a perder, o Senhor nunca lhe será tirado. Dele você receberá a vida abundante, que fará com que os seus dias sejam plenos de significado (João 10.10).

O apóstolo Paulo enumerou uma série de situações que, embora graves e desgastantes, são incapazes de nos afastar do amor de Deus, revelado em Cristo Jesus, o nosso amado Salvador: “Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 8.38,39).

E nessa confiança, envolvidos pelo imenso amor de Deus, o Vanderli e eu temos vivido “felizes para sempre…”

 

 

Alina Carvalho Carreiro
Professora de Educação Cristã e de Música

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