Artigos Gerais

Cooperação entre o Estado central e Autarquias com Igrejas
1280 800 Aliança Evangélica Portuguesa

A Aliança Evangélica Portuguesa (AEP) vem lamentar o tratamento jornalístico efetuado em certos órgãos de comunicação social que vieram dar destaque a um protocolo entre a Câmara Municipal de Loures e a Igreja Hillsong Portugal, organização legalmente autónoma, com sede naquele concelho e que é membro da AEP. Sobre este assunto, partilhamos todos os esclarecimentos prestados pela Igreja Hillsong Portugal, em anexo, mas resulta claro que o montante protocolado colaborará para o desenvolvimento de diversas atividades culturais e sociais, incluindo apoio a sem abrigo, e ainda o uso do espaço da Igreja para eventos da Câmara Municipal de Loures ou outras organizações parceiras. 

Considera a AEP que é de louvar que as autarquias e outros organismos públicos reconheçam a presença histórica – com mais de um século – e a importância das igrejas protestantes/evangélicas em território nacional, bem como da sua vasta e consistente obra nos mais diversos domínios, designadamente social, cultural e outros. Esta abertura ao diálogo institucional e à cooperação prática é um sinal saudável de uma sociedade democrática, plural e solidária.

Sucede que protocolos semelhantes são celebrados com outras organizações sociais ou religiosas no mesmo concelho e genericamente em quase todos os municípios deste país, sem que seja dado destaque noticioso, demonstrado que este caso, por ser uma igreja evangélica é caso raro, o que é demonstrativo da discriminação ainda existente para com esta minoria religiosa.O Estado Português é não confessional, pelo que não adota nenhuma religião oficial e não interfere em questões religiosas. Isso implica que o Estado não impõe nenhuma crença religiosa e garante a liberdade de consciência, de religião e de culto a todos os cidadãos, bem como acolhe e coopera com as religiões minoritárias, de acordo com a sua representatividade, conforme previsto na Lei da Liberdade Religiosa em Portugal (Lei n.º 16/2001), que estabelece a cooperação entre o Estado e as igrejas e comunidades religiosas. Essa cooperação manifesta-se através de parcerias em áreas como a promoção dos direitos humanos, o desenvolvimento integral das pessoas e a defesa de valores como a paz, a liberdade, a solidariedade e a tolerância.

Veja aqui também o Comunicado da Hillsong Portugal

2 – 20 Mulheres, 20 Causas – Acolhimento familiar
1707 2560 Aliança Evangélica Portuguesa

A minha casa, o meu campo missionário

O meu nome é Ana Catarina, tenho 26 anos, sou formada em Direito e casada com o João há três anos. 

Em Janeiro deste ano, começámos a pensar seriamente em alargar a nossa família e o quadro era este: eu tenho endometriose e fui aconselhada a ter filhos enquanto o meu corpo ainda me permitia e o João tem distrofia muscular óculo-faríngea e foi aconselhado a ter filhos através de um procedimento in vitro para não lhes transmitir essa doença. 

Quando nos deslocámos ao Porto para as primeiras consultas relativas a este procedimento sentimo-nos incomodados com todo o processo e tudo aquilo que ele implicava. Depois de uns dias de reflexão, oração e conversas sobre o assunto o João perguntou-me: “O que é que para ti é importante? Ter filhos ou conceber filhos?”. 

De facto, havia uma diferença e eu sabia bem disso. A resposta era clara, eu queria ser mãe, e se os filhos que Deus me iria conceder iam crescer dentro de mim ou não, não era relevante. 

Naquele dia, decidimos que íamos começar a dar passos na direção de adotar uma criança. 

Por esta altura, a leitora interroga-se: “Mas o que é que isto tem que ver com acolhimento familiar?”, mas aconselho-o a perseverar nesta leitura porque cada um faz o seu caminho e este foi o nosso. 

No dia seguinte, fui logo informar-me acerca de tudo o que era necessário para submetermos a nossa candidatura para adoção. Quando olho para trás, quase um ano depois, e penso nisto, é impossível não rir da minha ingenuidade, esperava um caminho tão sem pedras que dois segundos depois encontrei um pedregulho. É que um casal só pode ser candidato a adoção se for casado há mais de quatro anos, nós ainda nem há três éramos. 

Mas bom, hoje dou graças a Deus por não ter podido candidatar-me à adoção naquela altura porque foi assim que os meus olhos e o meu coração despertaram para o acolhimento familiar. 

Quando falei com o João sobre acolhimento, ele ficou reticente. A ideia de abrir as portas da nossa casa para crianças sobre as quais não sabíamos nada, cuidar delas, amá-las e depois deixá-las partir sem ter qualquer controlo sobre isso, incomodava-o. No entanto, se há coisa que sempre admirei no João foi o espírito de sacrifício que sempre demonstrou no nosso casamento. Ele esforça-se mesmo para me encontrar onde eu estou, mesmo que esteja bem longe da praia dele e foi precisamente por causa desse esforço, desse esticão de amor que aceitou estar presente na sessão de esclarecimento com assistentes sociais e outras famílias. 

Foi assim que andámos durante meio ano, a dar passos descomprometidos (ou assim pensávamos nós) na direção do acolhimento. Digo “descomprometidos” porque “sem compromisso” é a palavra de ordem ou, neste caso, a expressão de ordem no processo de acolhimento. De formação, a entrevistas, testes e visitas domiciliárias, tudo é feito sem compromisso e com possibilidade de desistir a qualquer momento. Depois da primeira entrevista com as técnicas que nos iriam acompanhar, para nós, o plano era claro: uma criança, uma vez, um ano. 

A parte boa dos planos é que são mesmo só isso, planos, e não sendo a vida já concretizada, mudam com o tempo. Dou graças a Deus pelo tempo, porque quanto mais ele passava, quanto mais em contacto estávamos com esta realidade, liamos, pensávamos e orávamos sobre o assunto, mais o nosso entendimento se alterava e os nossos olhos se abriam para um futuro que nunca pensámos ser o nosso. 

A menos de um mês de acolhermos a M, estávamos completamente de acordo em relação a isto: a nossa casa teria as portas abertas. Não por um ano, mas para a vida. Não para uma criança, mas para todas as que dela precisassem. 

Em Portugal, a lei manda que se privilegie o acolhimento familiar em detrimento do acolhimento residencial, em especial para crianças dos 0 aos 6 anos de idade. No entanto, 95% das crianças retiradas às famílias estão em casas de acolhimento (lares) o que se deve, principalmente, à falta de famílias de acolhimento. 

Entendo que o maior obstáculo à candidatura seja a dificuldade e o sofrimento que qualquer um consegue antecipar quando pensa seriamente nisto. Afinal, lidamos com crianças profundamente afetadas por trauma, famílias quebradas, um sistema muitas vezes injusto, uma sociedade mal preparada para esta realidade e uma inevitável despedida. Mas, se é verdade que quem acolhe sofre, não é menos verdade que, como imitadores de Cristo, somos chamados para isso mesmo. Se Ele deu a vida pela igreja, quem sou eu para fazer menos que isso?

Temos a oportunidade de impactar profundamente a vida das crianças a quem abrimos a porta, não porque vamos ser os melhores cuidadores do mundo, mas porque lhes vamos imprimir identidade. A identidade que é deles ainda que não saibam, a de filhos queridos e amados. 

“Eu sei as tuas obras: Eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome.” Apocalipse 3:8

Fraca e incapaz como sou, guardei a palavra do Senhor e não neguei o Seu nome. Ele pôs diante de mim uma porta aberta que ninguém pode fechar e através dela acolho.


Ana Catarina Fidalgo 

IGREJAS EVANGÉLICAS EM PORTUGAL VISTA DE PERTO
2000 1124 Aliança Evangélica Portuguesa

Estudo realizado com base em 509 entrevistas com líderes de igrejas em todo Portugal, Continental e Regiões Autónomas.

Os inquéritos começaram no dia 28/3/2025 e esta fase de recolha de dados terminou no dia 28/4/2025.

Responsável técnico: Pedro Silva
Análise estatística: Pedro Silva
Revisão: Elsa Correia
Método de recolha de informação:
Questionário disponibilizado online
Tipo de questionário: perguntas fechadas
Duração média do preenchimento do questionário: 15 a 20 minutos

Ver estudo: https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2025/06/Pesquisa2BAEP2B-2B2025-compressed-compressed.pdf

20 Mulheres, 20 Causas – uma nova série!
2560 1707 Aliança Evangélica Portuguesa

Amigas (os) leitores

Depois de um tempo mais silencioso aqui na nossa newsletter, por motivos vários, sobretudo de saúde, aqui estou em contacto, de novo. Continuo em tratamento de doença oncológica (linfoma) e agradeço as vossas orações. Os dias são preenchidos com consultas, análises, transfusões de sangue, quimio e imunoterapia… E o necessário descanso, sob a proteção e a grande fidelidade de Deus!

Ainda assim, pensei trazer-vos esta nova série, sendo que o texto que se segue foi preparado ainda antes da doença e que, por certo, irá ter um sabor agradável. Vinte testemunhos de vida, inspiradores, num leque diversificado de áreas e cenários de vida! 20 Mulheres, 20 Causas…

Uma causa para abraçar…

Abriu os braços e envolveu alguém com ternura… Quando foi a última vez que lhe aconteceu? 
E abraçar uma causa? Já experimentou? É das iniciativas mais reconfortantes que podemos ter. Sim, descobrir uma área que nos apaixone e mergulhar voluntaria e profundamente nela, com vontade, alegria e elegância, no ânimo de saber que estamos a servir a Deus, servindo outros! É a sensação de dar fruto, aromático e nutritivo.

“Já o fiz!”

Sim, é natural e saudável que já tenha vivido este empolgamento. Contudo, pode também acontecer estar agora a passar por uma outra fase, menos envolvida, e em que sente que seria inspirador encontrar uma causa a abraçar, que a motivasse realmente, ou até sentir a necessidade de experimentar uma área diferente de servir a Deus. Tal pode significar que é tempo de se repensar e caminhar na direção de um projeto novo.

Sim, mas como é que se chega lá?

Nem sempre é claro o caminho a percorrer. Não temos os mesmos dons nem sentimos o mesmo apelo. Nem Deus nos chama a todas para que nos dediquemos “às mesmas coisas”, nem dispomos das mesmas oportunidades. É um caminho que se vai construindo.

Então qual será a “minha causa”? O que é que resultaria comigo, com o dia-a-dia que tenho, e na zona onde vivo? 

São perguntas muito oportunas e que nos levaram a preparar esta série. Acreditamos que irá ajudar, como um recurso verdadeiramente útil. 

Vamos conhecer 20 mulheres que, com todo o gosto, aceitaram o convite para nos contar a sua experiência. Algures no caminho, elas encontraram uma causa que lhes chamou a atenção. Aproximaram-se e abraçaram-na, ou seja, dedicaram-se a essa área de necessidade com determinação. E descobriram fidelidade de Deus, servindo pessoas. 

Vamos descobrir um leque muito diversificado de formas de servir a Deus e, quem sabe, alguma delas vir a sensibilizar-nos de um modo especial e reconhecermos aí uma causa que poderá ser também a nossa… Ou, simplesmente, ver dinamizado o nosso íntimo com todas estas experiências e, nesse mover, descobrir ainda outra causa que chame por nós… 

Afinal, para isso fomos designadas, como nos assegurou Jesus:  “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.” (João 15:16).

Vamos a isso!

Iremos começar pela experiência de Albertina, que durante anos se dedicou ao apoio a mulheres e homens que cumpriam as suas penas de prisão. Conhecerão a sua história dentro de dias. E nas semanas seguintes iremos conhecer outras histórias verídicas e igualmente empolgantes.

Fiquem atentas à nossa página e desfrutem esta autêntica mesa posta, de conteúdos ricos e variados.

Um grande abraço a cada uma de vós e a minha gratidão a cada uma destas 20 mulheres que com tanto gosto se disponibilizaram a partilhar connosco a sua história.

Bertina Coias Tomé

(Estas palavras foram escritas para a “entrenosnewsletter”, mas foi-nos dada a possibilidade de partilhá-las com as (os) nossas (os) leitoras (es) da página da Mulher da AEP, por isso, faço minhas as palavras da irmã Bertina Tomé Euridice Chaveiro)


Bertina Coias Tomé

Dia Internacional da Família
2560 1971 Aliança Evangélica Portuguesa

Em 1994, a ONU deu nome a este dia, a fim de enfatizar “a importância da família na estrutura do núcleo familiar” na educação, ensino, respeito, direitos e toda uma panóplia de temas impossíveis de destacar neste pequeno texto.

Venho de uma família grande, com mais onze irmãos e irmãs. Quando entrei para o primeiro ano escolar, já levava na bagagem ferramentas necessárias para lidar com uma comunidade nova, fora da família. A disciplina e o respeito, foram dois pilares importantes que entre outros, os nossos pais passaram para nós, praticados no lar e obviamente usados fora dele.

Sendo cristãos evangélicos e tendo a Bíblia Sagrada como lema, a Igreja, (família espiritual), teve desde cedo muita influência no meu crescimento como pessoa, recebendo ensino e aprendendo a ter comunhão com Deus como Pai, cujo relacionamento acrescenta o desejo de obediência e amor a Ele e aos que nos rodeiam.

Quando Deus criou o mundo e o preencheu com tudo o que era para ser desfrutado, formou o homem e a mulher, o clímax da criação, no intuito de ser adorado e obedecido. Não aconteceu assim e por causa da desobediência, foram expulsos de um jardim maravilhoso, vindo uma consequência natural fruto do pecado: Deus disse a Eva: “Multiplicarei grandemente a tua dor e a tua conceição; com dor terás filhos… E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz da tua mulher e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela… No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás.” (Génesis 3:16,19)

Assim, os nossos primeiros pais se multiplicaram conforme ordenança de Deus e na dureza da nova vida, não foram abandonados pelo Criador que é o autor das famílias.

O pecado, cometido de muitas formas, levou as pessoas a se desviarem de Deus, entristecendo-O, “…mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos”. (Gálatas 4:4,5)

“Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos. …onde o pecado abundou, superabundou a graça.” (Romanos 5:19,20)

Com a morte de Jesus fomos restaurados à posição de filhos amados, aceitando o seu sacrifício e recebendo-o como Salvador.

Depois da Sua ressurreição, Jesus voltou para o Pai, mas ficaram os seus discípulos, multidões que O seguiram e apesar das perseguições, espalharam o Evangelho por muitos lugares, pagando alguns com as próprias vidas.

“…Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.” (Atos 11:26) Assim a Igreja se multiplicou, chegou aos nossos dias e a Mensagem Redentora da Salvação está disponível para cada pessoa, famílias, povos, nações.

É desejo de Deus, que as famílias sejam cuidadoras nos seus lares, mas sendo sensíveis a tantas dificuldades noutras famílias, neste contexto em que abrigamos tantos migrantes, obrigados a sair dos seus lugares de origem para nova cultura e língua, desejando uma integração

Como a Igreja é composta por famílias, juntamo-nos também neste propósito, de modo que possamos atingir o sentimento do salmista David: “Deus faz que o solitário viva em família.” (Salmo 68:6)

Carlota Fernandes Roque

Missionária aposentada

Ficar na Brecha: Respostas Evangélicas ao Tráfico Humano e à Prostituição na Europa
150 150 Aliança Evangélica Portuguesa

Relatório da Conferência EFN Bridge 2025 – Áustria
Fonte: European Freedom Network

Introdução

De 24 a 28 de março de 2025, a conferência Bridge 2025, organizada pela European Freedom Network (EFN), reuniu representantes de mais de 20 países em Horn, na Áustria. Com foco em networking, formação e oração, o evento criou um espaço de diálogo significativo e planeamento estratégico entre organizações e indivíduos que combatem o tráfico humano e a exploração sexual na Europa. Tive a honra de representar Portugal, juntamente com Marta Correia (Projeto Insight – Luxemburgo), e testemunhar o impacto do trabalho que os cristãos estão a realizar em todo o continente.


Negócios pela Liberdade e o Caminho da Reinserção

Um tema recorrente na conferência foi a necessidade de oferecer às sobreviventes do tráfico humano alternativas económicas viáveis. A Freedom Business Alliance apresentou modelos de microempresas que não apenas capacitam as vítimas, como também geram sustento financeiro sustentável para as organizações envolvidas na restauração.

Um exemplo marcante foi o ministério Hope for the Future, sediado na Áustria e fundado por Andrea Standenherz. Com liderança inteiramente evangélica, trabalha com mulheres que saem da prostituição, oferecendo formações profissionais e integração no mercado de trabalho. Parcerias com empresas e voluntários – muitos deles não evangélicos – são fundamentais nesse processo de transformação.


Tecnologia, IA e Ações Digitais

Ferramentas tecnológicas, incluindo Inteligência Artificial, estão cada vez mais no centro da luta contra o tráfico. Organizações como a Stop the Traffick (Itália) mostraram como dados anónimos e encriptados de vítimas resgatadas ajudam a rastrear redes de tráfico, identificar zonas críticas e padrões criminosos.

Projetos como o Justice Project (Alemanha) e o Lona Project (Suíça) usam plataformas digitais e comunicações encriptadas para alcançar mulheres na prostituição. Este contacto online permite identificar menores vítimas, responder a pedidos de ajuda e criar laços seguros. Nos Países Baixos, após a pandemia, este modelo tornou-se ainda mais relevante, com a migração da prostituição para apartamentos privados e anúncios online.


Incidência Política e o Modelo Nórdico

As ações de advocacy foram destacadas por Julia Doxat-Purser e Caroline Sanders, que fazem pressão junto da União Europeia para a adoção do Modelo Nórdico – uma abordagem legal que criminaliza o comprador do sexo e não a pessoa explorada. Já adotado por Suécia, Noruega, França e Irlanda, o modelo tem demonstrado redução da procura.

Em contraste, países como Alemanha, Áustria, Países Baixos, Suíça e Grécia legalizaram a prostituição, equiparando-a a qualquer outra profissão. Isso abriu portas para exploração em massa, especialmente de mulheres migrantes do Norte de África, Leste Europeu e Ásia. Na Suíça, por exemplo, mulheres imigrantes enfrentam grandes obstáculos burocráticos para aceder a empregos – menos na prostituição, onde não há exigências legais.


Igrejas, Missão e Tensões Teológicas

Uma pergunta ecoou ao longo da conferência: até que ponto as igrejas estão envolvidas nesta missão? Alguns participantes relataram resistência de líderes eclesiásticos, que associam este trabalho a um “evangelho social” e não à missão evangelística central.

Contudo, testemunhos por toda a Europa mostram que muitas igrejas evangélicas são líderes no movimento abolicionista. O ministério Herzwerk (Áustria), inicialmente ligado à diaconia protestante e católica, tornou-se independente para manter uma postura abolicionista. Em vez de apenas defender os direitos das mulheres na prostituição, promove caminhos de saída, cura, dignidade e liberdade.


Dados, Migração e Realidades Ocultas

Uma frase marcante resumiu o tom do evento: “Os dados são histórias de pessoas, mesmo quando quantificados.” Várias sessões demonstraram como a informação agregada pode identificar padrões entre vítimas – como idade, idioma ou método de recrutamento – ajudando a prevenir novos casos.

Também se destacou a ligação entre migração e exploração sexual. Muitas mulheres chegam à Europa com esperança de uma nova vida e acabam na prostituição – por engano ou como último recurso. Projetos como o The Strawberry Girls (Espanha) trabalham diretamente com mulheres marroquinas e seus filhos, oferecendo recursos para ajudá-las na transição cultural.


Respostas Integradas e Parcerias Estratégicas

Whitney Gerdes, da Refugee Highway Partnership (RHP), desafiou os participantes a uma resposta em rede. Tráfico, migração e exploração infantil estão interligados e exigem colaboração entre plataformas, como a EFN, a World Without Orphans (WWO) e a própria RHP.

Algumas equipas também estabeleceram parcerias eficazes com autoridades locais. Na Alemanha, por exemplo, o Justice Project colabora com a polícia criminalserviços de saúde e advogados, garantindo proteção e apoio adequados às vítimas.


Sementes de Esperança e Compromisso Permanente

Projeto Talita (Suécia), com raízes em movimentos abolicionistas do século XIX, continua a inspirar. Outras iniciativas, como o Heart Wings (Suíça), levam políticos a visitar zonas de prostituição, pressionando por mudanças legais. Enquanto isso, voluntários por toda a Europa – homens, mulheres, jovens e idosos – oferecem tempo, talento e amor a quem muitas vezes é invisível.

No meu país, Portugal, permaneço empenhada em sensibilizar escolas, igrejas e comunidades. Afinal, como disse uma das oradoras: “Não se pode parar aquilo que não se vê.”


Considerações Finais

A conferência EFN Bridge 2025 não foi apenas um encontro – foi um chamado à ação. A realidade do tráfico humano e da exploração sexual na Europa exige mais do que conhecimento. Exige oração, coragem, cooperação e, acima de tudo, compaixão.

Se quer saber mais sobre este tema, ou até juntar os seus esforços aqueles que combatem o Tráfico de Seres Humanos, junte-se a nós no próximo dia 10 de Maio, sábado, na MCI, em Mem Martins, e junte-se à Mesa Temática sobre o Tráfico de Seres Humanos, durante a hora de almoço do FÓRUM EVANGÉLICO.

Ver documento original aqui: https://aliancaevangelica.pt/site/wp-content/uploads/2025/04/Ficar2Bna2BBrecha2BRespostas2BEvangeCC81licas2Bao2BTraCC81fico2BHumano2Be2BaCC802BProstituicCCA7aCC83o2Bna2BEuropa-compressed.pdf

Forúm Evangélico 2025
1600 900 Aliança Evangélica Portuguesa

Bem vindos ao Campo de Missão

O Fórum Evangélico 2025 será mais do que um evento, será um ponto de encontro para quem deseja viver o Evangelho em ação.  Junta-te a nós para um dia de inspiração e capacitação.

📅 Data: 10 de maio
📍 Local: MCI – MISSÃO CRISTÃ INTERNACIONAL, Sintra (Ver aqui -> Localização)
⏰ Horário: 09h30 – 21h30

Entrada gratuita. Inscrições aqui -> Bem-vindos ao Campo de Missão!

Este ano no FÓRUM EVANGÉLICO teremos:

⛓️ EXPO Evangélica – onde podes conhecer e conectares-te com diferentes organizações evangélicas, aproveitando também diversas ferramentas úteis para ti e/ou para a tua igreja / ministério.

🔧 Workshops transformadores – sim, o objetivo é sairmos com uma visão e plano de ação fortalecidos

✨ Keynote Speaker: Jim Memory – Co-diretor do Movimento Lausanne Europa, um dos maiores movimentos de evangelismo global.

🙏🏻 Sala de Oração – podes juntar-te a nós em oração ou partilhar os teus motivos com a nossa equipa.

🤝 Sala Imersiva – vais ter  a experiência de poder “evangelizar” na primeira pessoa e em diferentes contextos, num ambiente preparado criativamente pelos ministérios da JOCUM e King’s Kids Portugal. 

👉🏼 Fórum Kids – um espaço especial para as crianças.  Este ano vamos ter atividades para crianças entre os 3-12 anos durante as sessões plenárias e workshops. Gostavas de trazer alguma criança? Vais poder inscrevê-la neste mesmo formulário!

🍲 Serviço de refeições no local – para que possas ter tempo de conviver e criar ligações importantes (assim podemos passar o dia todo juntos)!

👥 Mesas temáticas –  À hora de almoço podes juntar-te a um dos pequenos grupos que partilham as mesmas áreas de interesses e tomar a tua refeição ou simplesmente um café juntos. Tens como opção “Café e Palavra” (JOCUM – Jovens Com Uma Missão), “Echo Cards” (MEVIC – Missão Evangélica Inter-Cultural) e “Parceiros de Confiança” (ASPEC – Ass. Profissionais e Empresários Cristãos).

🙌🏼 Concerto de Oração – há melhor maneira de terminar este dia? Um tempo de entrega, reflexão e ação!

Partilhamos contigo o plano do dia:
9h00 – Check-in e EXPO Evangélica
10h00 – 12h30 – Sessão da Manhã*
14h30 – 16h00 – Workshops*
16h45 – 18h15 – Sessão da Tarde*
20h00 – 21h30 – Concerto de Oração

* nestes horários decorrem em simultâneo as atividades do FÓRUM KIDS (3 a 12 anos).

Partilhamos também um “Guia de Oração” pela UNIÃO da Igreja e pelo Fórum Evangélico 2025 aqui 👉 Guia

De lembrar que entre sessões e workshops, muita coisa acontece na nossa EXPO Evangélica e em espaços que preparámos como a Sala de Oração e a Sala Imersiva!

Contamos contigo no Fórum Evangélico 2025 e nesta Missão!

Marca-nos nas tuas publicações @aliancaaep e usa o hashtag #forumevangelico2025aep

Porque é que celebramos o Natal?
2560 1695 Aliança Evangélica Portuguesa

A pergunta que talvez devesse estar na mente de todos, neste momento, é: porque é que celebramos o Natal? Deve ser mais do que luzes brilhantes, o Pai Natal, presentes e bacalhau, certo? Na nossa casa e na nossa igreja, usamos a coroa do advento para nos ajudar a lembrar e a concentrarmo-nos na verdadeira razão pela qual guardamos o dia 25 de dezembro para celebrar. Recordamos que a nossa salvação tomou a forma humana, que o Natal não se foca apenas no momento do nascimento de Jesus, mas aponta-nos para a Sua morte e ressurreição e recorda-nos de viver na expetativa do Seu regresso. Jesus é a luz do mundo, e nada pode impedir que essa luz brilhe nas trevas.

Mas onde é que isto tudo começou, esta expectativa de um Messias e redentor? Começou com uma promessa de um descendente especial de Adão e Eva que derrotaria a morte e o mal. E assim o mundo ficou à espera da sua redenção. Infelizmente, não demorou muito para que essa promessa fosse esquecida no meio da tragédia, da guerra, do ódio e do engano. Mas Deus não se tinha esquecido. Ele escolheu homens e mulheres, que confiaram nessa promessa, e que O amavam, para manter a Sua promessa em marcha. Lentamente, ao longo da história, umas vezes de forma mais clara do que noutras, a Promessa foi-se aproximando do momento da revelação.

Por várias vezes, parecia que a Promessa não seria cumprida. Talvez Deus tivesse ficado demasiado zangado e ofendido para continuar com o que tinha dito. As pessoas tinham abandonado Deus e viravam-se umas contra as outras. A inveja, a ganância, a corrupção, os homicídios e os abusos abundavam no povo escolhido de Deus. Deus foi empurrado para a periferia da vida quotidiana. Adorá-lo tornou-se um dever e um ritual, um amuleto de boa sorte para que os seus planos maléficos prosperassem em nome de Deus. Mas Deus recusou-se a ser usado e ripostou. Afastou o Seu povo, mas nunca ao ponto de o perder para sempre. Ele avisou-os, implorou-lhes que se voltassem para Ele, e depois teve de os castigar. Teria a promessa terminado? Para muitos, parecia que sim.

Mas ainda havia alguns que se recusavam a conformar-se com a sua sociedade. Alguns que amavam verdadeiramente Deus e que desejavam ver a Sua promessa cumprida. A eles, Deus mostrou o futuro… apenas um vislumbre do que estava para vir. Em pequenos trechos por todo o Antigo Testamento, o Messias foi revelado. Em frases curtas falava-se sobre onde e como iria acontecer, e em poesia sobre como Ele seria e o que faria. Deus falava e os profetas escreviam, sem nunca perderem a fé de que o seu Messias viria.

Mas depois, houve silêncio. Não foi apenas um momento mais calmo, ou uma pausa longa, foi silêncio. Cessaram as vozes, pararam os sonhos, e as visões, e não houve escritos nas paredes… nada! 400 anos de silêncio. Mas estariam as pessoas a ouvir? Será que não sentiam falta do som? A vida continuou e, o que é mais surpreendente ainda, a religião continuou. A fé judaica não diminuiu, cresceu e tornou-se lucrativa. Os corações endureceram-se e as mentes fecharam-se; a maioria fechou-se. Havia um remanescente. Há sempre um remanescente de homens e mulheres que se lembravam das histórias e confiavam em Deus. Esperavam, esforçavam os seus ouvidos para ouvir, os seus corações eram inabaláveis e confiavam que, talvez amanhã, talvez hoje mesmo, veriam o Messias.

As visões voltaram, mas raramente se falava sobre elas, eram mais motivo de reflexão. Algumas visões eram impossíveis de esconder, tiravam-nos o fôlego e, por vezes, até a voz. Primeiro foi Zacarias e Isabel, depois foi Maria e José. Será que era verdade? Deus lembrar-se-ia agora do seu povo? Estaria Ele realmente a enviar o seu Messias… assim? Num bebé? A uma virgem?

A promessa de Deus foi trazida à vida, literalmente. Nasceu num mundo que não estava preparado para Ele, que já não O procurava e nem desejava que Ele fosse um bebé. Os reis ficariam furiosos quando descobrissem que Ele vivia. Mas os humildes pastores ficaram emocionados ao vê-Lo, e foram convidados para um concerto privado, realizado só para eles, por milhares de anjos que apareceram de repente por cima do campo onde estavam a trabalhar. Os anjos indicaram-lhes o caminho para Belém e ali, os primeiros adoradores de Jesus, olharam para o seu Messias, ouviram-no chorar e viram-no nos braços da Sua mãe.

Outros também viriam para ver o Messias, que não eram de Jerusalém, nem da Judeia… eles vieram de longe, atraídos pela estranha estrela que viram no céu. Vieram, convencidos de que se tratava de algo extraordinário. Trouxeram presentes estranhos que talvez fossem o costume da sua terra, mas não era normal em Israel. Os presentes ou eram demasiado luxuosos para esta família simples (ouro), ou demasiado estranhos (mirra) ou demasiado mórbidos (incenso).

Deve ter sido tudo muito estranho para Maria e José. Era muita coisa para assimilar. Então, Maria fez o que tantas vezes fazia. Não questionou, nem se queixou, simplesmente refletiu sobre todas estas coisas no seu coração (Lucas 2:19). Nunca nos é dito até que ponto Maria compreendeu verdadeiramente o que tinha vivido, ouvido e visto. Será que ela refletiu sobre o Antigo Testamento e compreendeu realmente o que esta criança significava para o Mundo? Se o fez, será que compreendeu o que Lhe iria acontecer?

O Natal indicou o caminho para a Páscoa. Alegria que estava destinada a uma grande tristeza. E a tristeza que iria encontrar a verdadeira e duradoura alegria. Uma não poderia acontecer sem a outra. O plano que tinha sido posto em marcha não podia ser interrompido. Os reis não o podiam impedir, nem os sacerdotes, nem mesmo o próprio Satanás. O Messias estava entre os homens e Sua obra seria consumada; a salvação viria para aqueles que O escolhessem, a morte seria derrotada e a vida eterna seria concedida àqueles que acreditassem que a Promessa havia chegado e vencido.

E assim, no dia de Natal, não acendemos a vela que representa Cristo por causa de um bebé. Acendemo-la pelo Salvador do Mundo. Acendemo-la pelo Messias que veio uma vez e que prometeu vir novamente. Só Ele é a nossa maior fonte de esperança, paz, alegria e amor nesta vida e na próxima. Ele é o salvador do mundo, para quem todas as Escrituras apontam. Um dia, Ele virá novamente e levar-nos-á para o seu reino, para gozarmos a vida com Ele para sempre.

Porque é que celebramos o Natal?  Porque é uma ótima oportunidade para celebrar a ESPERANÇA, porque a esperança não é uma ideia, é uma pessoa: Jesus. Celebramos a PAZ porque Jesus é o nosso Príncipe da Paz. Celebramos a ALEGRIA porque Jesus traz a alegria eterna. Celebramos o AMOR porque Jesus é o amor de Deus encarnado e nada pode vencer o amor de Jesus por nós. E, no dia de Natal, celebramos a maravilhosa realidade de que Jesus, a luz do mundo, o nosso glorioso salvador e redentor, nasceu e nós fomos libertados!


Connie Duarte

Natal
2560 1707 Aliança Evangélica Portuguesa

Neste Natal eu queria
Que toda a gente sentisse,
O que seria normal:
Natal não são só, com certeza
Muitas prendas, muita festa
Será sim, muita alegria,
Porque nos nasceu um dia
Um Rei Todo-Poderoso,
Sempre pronto, amoroso,
Capaz de dar a sua vida
Como um vulgar salteador.
Mas sendo em tudo o melhor
Porque Nele não se achou engano,
Morreu aceitando o dano
E nos salvou por amor!

Hoje as pessoas esquecem
De celebrar este Rei.
Outros valores levantam,
Coisas banais adoram
E pensam que está tudo bem.
Mas, o Pai que tudo sabe
Quer alcançá-las, trazê-las
De uma vida de engano,
Para a verdade maior:
Jesus Cristo é o Caminho
Sem Ele nada é real.
Ele é a nossa maior prenda
É a dádiva de Deus perfeita,
É para todo o que O aceita
Este é o verdadeiro Natal!

Celebremos, pois, amigos
Jesus nascido em Belém.
Crucificado, esquecido,
Ressurreto, enaltecido,
Merece todo o louvor.
Na cruz ganhou a vitória
Da tumba subiu à glória,
E hoje reina em poder.
Não há mais manjedoura
Mas a certeza vindoura,
De eternidade com Ele.
Não há na terra alegria 
Que se compare com o dia,
Em que com fé O aceitei
E começou o meu Natal.

Carlota Fernandes Roque

Missionária aposentada

Semana Universal de Oração 2025
1920 1080 Aliança Evangélica Portuguesa

A Semana Universal da Oração volta a ser levada a efeito pela Aliança Evangélica Portuguesa, de 12 a 19 de janeiro. Esta é uma iniciativa que promove a unidade da Igreja evangélica em Portugal na oração a favor da Nação e da própria Igreja de Jesus Cristo. Este ano os textos foram preparados pela Aliança Evangélica da Itália, sobre o tema “Lutar pela fé“. 

A Assessoria de Oração da Aliança Evangélica Portuguesa, planeou diversas reuniões regionais, em parceria com as igrejas locais. Brevemente divulgaremos aqui o Calendário destas reuniões.

Conheça aqui o Guia de Oração 2025 – PDF

Conheça aqui quando e onde participar nas reuniões locais de oração.

A Carta para os Membros da AEP está disponível aqui.

Descarregue aqui os cartazes da Semana Universal de Oração em diferentes formatos.

O Cartaz da Semana Universal de Oração aqui.

Unidos em Oração e na Luta pela Fé em Jesus!
Deus ricamente vos abençoe!