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Onde estavam eles? – Bertina Coias Tomé

Onde estavam eles? – Bertina Coias Tomé

900 720 Aliança Evangélica Portuguesa

Numa casa possivelmente ampla mas desprovida de recursos, um homem vive uma condição extremamente difícil. As feridas cobrem-lhe todo o corpo, numa dor e num prurido que ele procura aliviar, raspando-as com um pedaço de telha.

Em adversidades sucessivas, perdeu todos os seus haveres e os seus filhos.
Vive numa solidão pesada, que torna os dias ainda mais sombrios. E desabafa: “Os meus parentes me deixaram, e os meus conhecidos se esqueceram de mim.” (Jó 19:14)

Num certo dia, em que ele ora pelos seus amigos, este cenário de vida altera-se completa e definitivamente. Diz a Bíblia que “o Senhor virou o cativeiro de Jó.” (Jó 42:10) E, de repente, há uma grande multidão que se dirige à sua casa. Como um exército determinado em ajudá-lo, todos os seus irmãos e irmãs e todos os seus conhecidos – muitas centenas, certamente, pois ele era “o maior de todos do oriente” (Jó 1:3) – vão ter com ele. E ali:

-“Comeram com ele pão em sua casa” – Não foi uma “visita de médico”, como se costuma dizer, mas um estar sem pressa, numa refeição partilhada.
-“…e se condoeram dele…” – Numa atitude empática, “calçam os seus sapatos”, sentem a sua dor e são movidos em compaixão.
-“…e o consolaram…” – Ofereceram-lhe palavras de conforto, talvez abraços, sorrisos, olhares acolhedores.
-“…e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e um pendente de ouro…” – De uma forma prática e generosa, proporcionam-lhe recursos para reconstruir a sua actividade agrícola e pecuária que antes o tornara um homem extremamente rico.

Onde estavam antes todas estas pessoas? Porque não se lembraram dele, quando definhava em solidão? O que é que as ocupava ou distraía ao ponto de não terem corrido a sua casa logo que adoeceu? Ou estariam também elas a precisar de ajuda?

Estas são perguntas a que não sabemos responder. Contudo, desta história bíblica podemos retirar três importantes lições para a vida:

-Deus, o Todo-Poderoso, sabe como acabar com o “cativeiro” de qualquer um dos seus filhos, ou seja, ordenar o fim de um tempo deveras difícil.
-Por mais sós que nos sintamos, Deus sabe como levantar um exército em nosso favor – gente disponível para chegar perto, sentir a dor, confortar e partilhar recursos.
-A qualquer momento, Deus pode trazer à nossa mente o nome de alguém em necessidade e recrutar-nos para sermos nós parte do exército de apoio em seu favor. E aí, vamos munir-nos de todo o amor que Ele tem derramado em nós e movermo-nos, numa ajuda prática e realmente confortante a quem precisa.

E a história de Jó prossegue de uma forma surpreendente: “E assim abençoou o Senhor o último estado de Jó, mais do que o primeiro.” (Jó 42:12)

Seja qual for o momento que estejamos a viver hoje, vamos contar com o suporte de Deus na nossa vida, capaz de levantar gente que nos ajude e vamos ficar também disponíveis para sermos nós usados por Ele em favor de outros. E assim o Seu Amor é partilhado entre nós!

 

Bertina Coias Tomé
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária
Membro da Direcção da Aliança Evangélica Portuguesa