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O que importa é o processo e não o resultado – Iolanda Melo

O que importa é o processo e não o resultado – Iolanda Melo

960 720 Aliança Evangélica Portuguesa

Recentemente, uma adolescente dos nossos relacionamentos mais próximos passou por uma experiência de aparente insucesso: teve a sua primeira negativa numa prova final. O mundo parecia que tinha acabado! Só conseguiu contar o resultado aos pais uns dias depois, isolou-se, ficou deprimida por algumas semanas. Ela que sempre tinha sido uma menina alegre, bem-disposta e brincalhona, estava agora cabisbaixa, irritável e macambúzia. Com muita dificuldade conseguíamos tirar um sorriso do seu lindo rosto.

Quando se é bom aluno, com boas notas e muitas expectativas da família em relação ao seu desempenho, ter que lidar com o insucesso nem sempre é fácil. Reflectindo sobre esta questão, concordo com o Dr. Augusto Cury quando afirma que os pais de hoje treinam os seus filhos para terem sucesso mas não os preparam para lidar com o insucesso.

A pressão que exercemos para que os nossos filhos sejam bem sucedidos, tenham boas notas, “cheguem mais longe”, leva-nos muitas vezes a fazer sacrifícios.  Tudo fazemos para garantir aos nossos filhos as melhores escolas, as melhores actividades extracurriculares, os melhores recursos informáticos… Em troca disso, esperamos que os nossos filhos, no mínimo, retribuam esse esfoço sendo bons alunos e tendo um desempenho académico que garanta a possibilidade de um futuro promissor. Investimos muito e desejamos que esse investimento tenha retorno. Assim, sem nos darmos conta, valorizámos mais os resultados que o processo: o que conta é o resultado e não tanto a forma como se chega até lá. Um exemplo disso é o que dizemos aos nossos filhos quando eles nos dizem a nota que tiveram. Se tiveram uma boa nota, felicitamo-lo: “Boa, parabéns!”, e facilmente gabámos a nota aos nossos amigos e familiares. Se trazem uma nota positiva mas não tão espectacular, dizemos rapidamente: “Podias ter tido melhor!”. Valorizámos o resultado! É normal, na medida em que a nossa sociedade valoriza mais o resultado, o sistema educativo valoriza mais o resultado!

Dificilmente dizemos: “Vês, o teu esforço compensou: estudaste, abdicaste da brincadeira e agora tiveste uma boa nota. Estás de parabéns!” Mas que diferença faríamos se valorizássemos o processo, e não tanto o resultado, na saúde mental e na personalidade dos nossos filhos… Haveria menos perturbações alimentares, menos ansiedade, menos depressão, maior confiança em si mesmos e nas suas capacidades…

Aprender a lidar com a contrariedade, com a adversidade, com a frustração, com o insucesso, com os nãos, com as crises e com as “tróicas” que a própria vida se encarrega de nos trazer é fundamental para o desenvolvimento de uma personalidade sadia! Queremos que os nossos filhos não só aprendam os conhecimentos necessários que lhes garantam uma vida profissional activa como também a aprendam a pensar, a relacionar-se de forma positiva com os outros, com o mundo e consigo próprios; que aprendam a expressar as suas ideias, as suas emoções, que saibam lidar com o sucesso e com o fracasso, que aprendam a trabalhar e a ser determinados no alcance dos seus objectivos e sonhos, que valorizem o esforço a ser empregue para se obter os resultados esperados.

Para que isto aconteça, também depende de nós, pais, uma atitude que favoreça esta aprendizagem integral:

  1. Conheçamos as capacidades dos nossos filhos, os seus pontos fortes e estimulemos para que atinjam o máximo do seu potencial real.
  2. Reconheçamos os pontos menos fortes e não criemos expectativas irrealistas quanto a essa realidade.
  3. Respeitemos os talentos naturais e os dons dos nossos filhos e estimulemos o seu desenvolvimento. Se o seu talento é a música, por exemplo, não vale a pena insistir para que seja um engenheiro. Nem todos vão receber 10 talentos! Uns receberão 5 e outros apenas 1, mas é nesse um que tem que se concentrar e maximizá-lo.
  4. Valorizemos mais o esforço, o empenho com que se dedicam ao estudo e não tanto ao resultado. Resultados são importantes, mas não são o fim do mundo e podem ser alcançados em função do esforço e das reais capacidades dos nossos miúdos.
  5. Anime o seu filho a lidar de forma positiva com as frustrações dos resultados menos positivos: “Na próxima vai correr melhor! Só precisas de esforçar-te mais um bocadinho, mas eu sei que és capaz! Tu consegues!”

Não é fácil contrariar a corrente, principalmente quando todos à nossa volta agem de determinada maneira. Mas quem disse que seria fácil? O que sei que não é impossível, senão Paulo não nos teria advertido: “Não vivam de acordo com as normas deste mundo…” (Romanos 12:2)

Iolanda Melo

Psicóloga, especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Psicologia da Educação